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FACULDADE DE ENGENHARIA “CONSELHEIRO ALGACYR MUNHOZ MAEDER” ENGENHARIA AMBIENTAL DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE

FACULDADE DE ENGENHARIA “CONSELHEIRO ALGACYR MUNHOZ MAEDER” ENGENHARIA AMBIENTAL

DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE TRATAMENTO PARA RESÍDUO LÍQUIDO GERADO POR LATICÍNIO NA REGIÃO DE PRESIDENTE PRUDENTE

LUCAS DE CESARE MOLINA

Presidente Prudente SP

2011

FACULDADE DE ENGENHARIA “CONSELHEIRO ALGACYR MUNHOZ MAEDER” ENGENHARIA AMBIENTAL DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE

FACULDADE DE ENGENHARIA “CONSELHEIRO ALGACYR MUNHOZ MAEDER” ENGENHARIA AMBIENTAL

DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE TRATAMENTO PARA RESÍDUO LÍQUIDO GERADO POR LATICÍNIO NA REGIÃO DE PRESIDENTE PRUDENTE

LUCAS DE CESARE MOLINA

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado à Faculdade de Engenharia de Presidente Prudente, Curso de Engenharia Ambiental, Universidade do Oeste Paulista, como quesito de conclusão.

Orientador:

Alexandre Teixeira de Souza

Presidente Prudente SP

2011

LUCAS DE CESARE MOLINA

DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE TRATAMENTO PARA RESÍDUO LÍQUIDO GERADO POR LATICÍNIO NA REGIÃO DE PRESIDENTE PRUDENTE

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado à Faculdade de Engenharia de Presidente Prudente, Curso de Engenharia Ambiental, Universidade do Oeste Paulista, como parte dos quesitos de conclusão.

Presidente

Prudente,

20

de

junho

2011.

BANCA EXAMINADORA

Prof. Pós-Dr. Alexandre Teixeira De Souza

Prof. Msc. Alexandre Rodrigues Simões

Prof. Msc. Luciana Machado Guaberto

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a todas as pessoas que contribuíram para minha formação. Aos meios pais e familiares, pois foi à base que precisava para começar a construir o meu futuro. A todos meus professores que me deram a base para todo conhecimento durante o curso de Engenharia Ambiental. Aos meus colegas o meu obrigado pela amizade e companheirismo durante todo o curso.

AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradeço a Deus, pois sem “ele” nada seria

possível.

Aos meus avós que sempre contribuíram para a minha formação.

Aos meus pais que me incentivaram para que eu me tornasse um Engenheiro Ambiental.

“Tenha sempre em mente aonde você quer chegar. Não se desvie dos seus objetivos. Viva intensamente o presente, mas criando bases solidas para o futuro”.

Orlando Ferraz

RESUMO

DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE TRATAMENTO PARA RESÍDUO LÍQUIDO GERADO POR LATICÍNIO NA REGIÃO DE PRESIDENTE PRUDENTE

No estado de São Paulo se encontra a segunda maior produção de produtos lácteos, toda essa produção gera resíduos líquidos que precisam ser tratados e diante deste fato o sistema de lagoas de estabilização será dimensionado para que esses efluentes possam ser lançados ao corpo receptor sem causar impacto ambiental. O sistema inicia com um tratamento preliminar, chama de caixa de gordura e em seguida pelo tratamento secundário que é composto por uma lagoa anaeróbia e outra facultativa, esse dois dispositivos juntos são chamados de sistema australiano. Dos efluentes gerados pelos laticínios, um tem chamado atenção pela alta concentração de DBO, o soro do leite. A recuperação do soro diminui a concentração de DBO, favorecendo a implantação de um sistema de tratamento biológico. As vantagens desse tipo de tratamento são: baixo custo de manutenção, operação e a capacidade de trabalhar com sobrecarga hidráulica e orgânica. E como desvantagem: a necessidade de uma grande área para a implantação.

Palavras-chave: Lagoa de estabilização. DBO 5 . Laticínio.

TABELA 1

TABELA 2

TABELA 3

TABELA 4

TABELA 5

TABELA 6

TABELA 7

TABELA 8

TABELA 9

TABELA 10

TABELA 11

TABELA 12

TABELA 13

TABELA 14

TABELA 15

TABELA 16

LISTA DE TABELAS

- A qualidade do efluente com e sem recuperação do soro

- Características dos modelos hidráulicos mais frequentemente utilizados no dimensionamento e avaliação de desempenho das lagoas de estabilização

- Taxas de aplicação volumétrica admissíveis para projeto de lagoas anaeróbias, em função da temperatura.

- Eficiências de remoção de DBO 5 em lagoas anaeróbias, em função da temperatura.

- Resultado da análise do efluente bruto

- Qualidade do efluente com recuperação de soro e sem recuperação

- Característica do efluente Laticínio com recuperação de soro

- Parâmetros de dimensionamento da caixa de gordura

-

-

-

-

-

-

-

Dimensionamento do tratamento preliminar

Dados de projeto da lagoa anaeróbia

Dimensionamento da Lagoa Anaeróbia

Dados de projeto da lagoa facultativa

Dimensionamento da Lagoa Facultativa

Padrões de lançamento de efluentes - CETESB

Resultados de projeto da lagoa anaeróbia

- Resultados de projeto da lagoa facultativa

6

14

16

18

24

25

25

26

27

30

30

29

29

32

32

29

LISTA DE EQUAÇÕES

EQUAÇÃO 1

-

EQUAÇÃO 2

-

EQUAÇÃO 3

-

EQUAÇÃO 4

-

EQUAÇÃO 5

-

EQUAÇÃO 6

-

EQUAÇÃO 7

-

EQUAÇÃO 8

-

EQUAÇÃO 9

-

EQUAÇÃO 10

-

EQUAÇÃO 11

-

Lagoa Anaeróbia - Taxa de aplicação Volumétrica

Lagoa anaeróbia - Volume requerido

Área da lagoa anaeróbia

Carga de DBO 5 Total - Lagoa anaeróbia

Tempo de detenção hidráulica- Lagoa anaeróbia

Eficiência de Remoção DBO - Lagoa anaeróbia

Taxa de aplicação superficial - lagoa facultativa

Taxa de aplicação superficial - lagoa facultativa

Área requerida para lagoa facultativa

Carga de DBO 5 Total - Lagoa facultativa

Volume da lagoa facultativa

EQUAÇÃO 12 - Tempo de detenção hidráulica- Lagoa facultativa

EQUAÇÃO 13

-

EQUAÇÃO 14

-

EQUAÇÃO 15

-

EQUAÇÃO 16

-

EQUAÇÃO 17

-

EQUAÇÃO 18

-

EQUAÇÃO 19

-

EQUAÇÃO 20

-

EQUAÇÃO 21

-

EQUAÇÃO 22

-

Coeficiente de remoção de DBO - Arceivala

Coeficiente de remoção de DBO - Vidal

Numero de dispersão

Concentração de DBO solúvel efluente

Estimativa Eficiência

Largura a meia profundidade - Geometria

Comprimento a meia profundidade - Geometria

Comprimento no fundo - Geometria

Comprimento no Nível d´agua - Geometria

Comprimento na crista do talude - Geometria

EQUAÇÃO 23 - Largura no fundo - Geometria

16

17

17

17

17

18

19

19

19

19

19

20

20

20

20

21

21

22

22

22

22

22

22

EQUAÇÃO 24

-

EQUAÇÃO 25

-

EQUAÇÃO 26

-

EQUAÇÃO 27

-

Largura no nível d´agua - Geometria

Largura na crista do talude - Geometria

Volume útil da caixa de gordura

Área útil da caixa de gordura

EQUAÇÃO 28 - Largura e comprimento da caixa

22

22

15

15

15

FIGURA 1

FIGURA 2

FIGURA 3

FIGURA 4

FIGURA 5

FIGURA 6

FIGURA 7

LISTA DE FIGURAS

-

Esquema simplificado de uma lagoa facultativa

- Fluxograma de um sistema de lagoas de estabilização em série - Fluxograma de um sistema de lagoas de estabilização em paralelo - Eficiência de Remoção da DBO Reator de Fluxo Disperso Exemplifica o comprimento Geometria

-

-

Exemplifica a largura Geometria

- Dimensionamento da caixa de gordura

11

13

13

21

23

23

26

LISTA DE SIGLAS

EMBRAPA

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

IBGE

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

CONAMA

Companhia Nacional do Meio Ambiente.

CETESB

Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental.

DBO 5

Demanda Bioquímica de Oxigênio.

DQO

Demanda Química de Oxigênio.

pH

Potencial Hidrogeniônico.

FEAM

Fundação Estadual do Meio Ambiente.

INMET

Instituto Nacional de Meteorologia.

UNOESTE

Universidade do Oeste Paulista.

Sumario

1 INTRODUÇÃO

1

2 OBJETIVO

3

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

4

3.1.

Laticinios

4

3.2.

Os Processos Geradores dos Principais Efluentes Líquidos

4

3.3.

Vazão do Efluente

7

3.4.

Tratamento de Efluentes Liquidos

8

3.5.

Parâmetros de Dimensionamento da Caixa de Gordura

15

3.6.

Critério de Dimensionamento Anaeróbio

16

3.7.

Critérios de Dimensionamento da Lagoa Facultativa

18

3.8.

Geometria

22

4 DESENVOLVIMENTO E RESULTADO

24

4.1. Caracterização do Efluente

24

4.2. Dimensionamento do Sistema de Tratamento

26

5 CONCLUSÃO

31

6 BIBLIOGRAFIA

32

1

1. Introdução

Em 2010, o Brasil teve uma produção de 29 mil toneladas de leite ficando como 7° país produtor, teve um aumento de 3,6% comparado com 2009, segundo informações da EMBRAPA, sendo responsável por cerca de 12% do total do valor produzido no ramo industrial de alimentos (IBGE).

Hoje a maior parte de produção de leite envasado e produtos derivados de leite no Brasil concentram-se nas regiões sudeste (50%) e sul (23%). O estado de São Paulo tem a segunda maior produção, cerca de 14%.

Sendo São Paulo o segundo estado com maior produção de leite envazado e produção de seu derivado, surge à preocupação com o meio ambiente, o lançamento inadequado pode gerar um efeito catastrófico no ecossistema aquático pelo esgotamento da reserva de oxigênio, para garantir que isso não venha acontecer, o efluente industrial deve ser lançado de maneira adequada ao corpo receptor. À indústria devera ter um sistema de tratamento que estabeleça as condições e padrões de lançamentos que corresponda à legislação.

A legislação ambiental é muito complexa, cada estado tendo um padrão de lançamento dos afluentes. O padrão de lançamento para o estado de São Paulo é previsto pela legislação (Resolução n o 357/05 do CONAMA e Decreto Estadual n o 8.468/76 da CETESB - Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) que dispõe a classificação dos corpos receptores e as diretrizes para o seu enquadramento, condições e padrão de lançamento de efluente industrial.

No estado de São Paulo o controle é realizado utilizando a DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) como parâmetro. É exigida a redução de carga orgânica de 80% ou que a DBO apresente concentração máxima de 60mg O 2 /L.

Para que o efluente seja descartado com as tais exigências, é necessário o seu tratamento, logo, será dimensionado as lagoas de estabilização enquadrando o efluente nos padrões de lançamento previsto pela legislação ambiental.

2

Segundo Von Sperling (2002), Em caso de alta concentração de contaminantes no efluente industrial, faz-se necessário o uso das lagoas de estabilização em série, como o sistema Australiano.

O sistema australiano é composto de duas lagoas em série,

sendo a primeira anaeróbia e a segunda facultativa. Cada lagoa possui derivações de formato e operação, em alguns casos o tratamento pode possuir uma terceira lagoa. Essa terceira lagoa é chamada de maturação ou lagoa de polimento, sua função é estabilizar o nível de organismos patogênicos através da radiação solar.

A realização desse estudo teve a participação de um laticínio

localizado na Cidade de Presidente Prudente SP, o qual contribuiu com informações e materiais necessários para o dimensionamento das lagoas de estabilização.

3

2. OBJETIVO

Projetar o dimensionamento do sistema de tratamento da indústria láctea proporcionando um efluente que não cause impacto ambiental ao corpo receptor.

4

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1. Laticínios

São indústrias que oferecem ao consumidor leite de qualidade e produtos derivados de leite, como no leite pasteurizado, leite desnatado, queijos, cremes de leite, manteiga, leite condensado, doce de leite, iogurte, bebidas fermentadas e sorvetes, sendo altamente perecível, são mantidos sob vigilância e analise durante todos os passos da cadeia de frio até sua chagada ao consumidor (PRINCIPAIS INDICADORES LEITE E DERIVADOS).

Na elaboração desses produtos, o leite mais empregado é o de vaca, embora também possa ser processado do leite de outros animais como:

cabra, ovelha, búfala dentre outros animais (PRINCIPAIS INDICADORES LEITE E DERIVADOS).

3.2. Os processos geradores dos principais efluentes líquidos

Segundo José Raniere Mazile (2008), para que os laticínios garantam ao consumidor a qualidade do produto final, os produtos devem ser processados seguindo normas rigorosas de higienes, tanto das instalações como das pessoas envolvidas e equipamentos utilizados.

A higienização do ambiente e dos equipamentos consiste em duas etapas: limpeza e desinfecção.

A limpeza seria a remoção das sujeiras da superfície do ambiente e equipamentos e a desinfecção seria a retirada de microrganismos das superfícies e equipamentos com o auxilio de produto químico.

As seguinte maneira:

etapas

de

limpeza

e

desinfecção

estão

subdivididas

da

Pré-lavagem utilizando apenas água

Lavagem- utilizando detergentes para a retirada de matérias que permaneceu aderido as superfícies.

5

retira os resíduos das sujidades e do

detergente.

desinfecção essa etapa é realizada imediatamente antes

da utilização dos equipamentos. Abaixo se relacionam alguns dos agentes

sanificantes:

Enxague

Agentes físicos: calor e luz ultravioleta

Agentes químicos: compostos clorados (hipoclorito de

sódio e cálcio) e compostos iodados (solução alcoólica a 10%)

As águas utilizadas nos processos de limpeza são as que mais contribuem para o volume gerado de efluente, e mesmo com a separação do soro, esse efluente é rico em gorduras, carboidratos, principalmente a lactose, e proteínas, refletindo em um efluente com elevada Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), Demanda Química de Oxigênio (DQO), óleos e graxas, nitrogênio, fósforo, etc (MENDES, 2003; MACHADO, 2006).

Outros procedimentos considerados críticos em termos operacionais é a lavagem dos caminhões tanque, que geram uma grande quantidade de águas residuárias. Até 90% - 94% da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) do efluente estão relacionadas diretamente a perdas de leite, que podem chegar a 2,0% do volume total do leite processado na indústria (WASTEWATER, 1999; KIRSH e LOOBY, 1999).

Entretanto, WASTEWATER (1999) relata que com um bom programa de gerenciamentos de resíduos, sua perda de leite fica próxima a 0,5%, reduzindo a quantidade de aguas residuárias no seu processo de tratamento.

No processamento do leite de consumo pasteurizado as operações geradoras de águas residuárias são a lavagem e desinfecção de equipamentos como tanques de estocagem e recepção, pasteurizador, centrífugas, homogeneizadores, tubulações, latões, embaladeiras, etc., além de quebra de embalagens contendo leite, perda nas embaladeiras e lubrificação dos transportadores.

No processo de pasteurização utiliza-se cerca de 3,25 litros de água residuária para cada litro de leite processado (MATOS, 2005). Nesta etapa de pasteurização são utilizadas soluções alcalinas e ácidas muito

6

concentradas que acabam sendo encaminhadas para o sistema de tratamento de efluentes (MACHADO 2006).

Segundo à CETESB, o pH dessas águas de descarte pode variar de 1,0 a 13,0.

Em trabalho realizado por MACHADO (2002) foi encontrado um consumo de agua que varia de 1,1 a 6,7L para cada litro de leite processado, essa variação acontece por causa da diversificação da produção láctea que abrange desde a produção de leite de consumo, pasteurizado ou esterilizado, até queijos os mais simples aos mais elaborados, sorvetes, cremes, bebidas lácteas, doces, etc.

Na fabricação de queijo é gerado um subproduto chamado soro, o soro é um resíduo altamente poluente e com uma concentração de matéria orgânica de cem a duzentas vezes maiores que o esgoto doméstico, ficando inviável seu tratamento em lagoas.

Tabela 1: A Qualidade do Efluente com e sem Recuperação do

Soro.

Parâmetros

Instalação com recuperação de soro

Instalação sem recuperação de soro

mg/L

DBO5

2397

5312

DQO

5312

20559

Fonte: Comissão Europeia Prevenção e Controle integrado da Poluição

Este subproduto deve ser capitado e separado para que possam ser aproveitado na fabricação de outros produtos láctea, como ricota fresca, ou na fabricação de rações para cachorros e até mesmo na alimentação direta de animais como os porcos.

Para cada litro de leite utilizado na fabricação de queijo são gerados de 0,6 a 0,9 litros de soro e também gera de 3 a 4 litros de agua residuária.

7

O soro é um produto de composição variada, por ser originado de diferentes tipos de queijo. O soro da produção de queijo mussarela é constituído aproximadamente de 93% de agua, 5% de lactose, 0,9% de proteína, 0,3% de gordura, 0,2% de acido lático e pequenas quantidades de vitaminas (BEM-HASSAN e GHALY, 1994). Os aminoácidos presentes nas proteínas do soro superam as doses recomendadas a crianças de dois a cinco anos de idade e aos adultos (WIT, 1998).

As águas residuárias da queijaria possuem, além de soro, coágulos, leite diluído cuja matéria orgânica contém compostos proteicos, gordurosos e carboidratos, materiais sólidos flutuantes (principalmente graxas), produtos químicos ácidos e alcalinos, detergentes e desinfetantes, e seu pH é mais baixo do que no processamento do leite, devido à produção do ácido lático pelos microrganismos. (BRAILE e CAVALCANTE, 1993).

3.3. Vazão dos Efluentes

Em uma indústria de laticínios a vazão dos efluentes líquidos varia ao longo do dia e depende diretamente das operações de processamento ou de limpeza que ocorre na empresa. Existem também as variações sazonais devidas as modificações introduzidas no perfil qualitativo e, ou, quantitativo da produção, nos horários de produção, nas operações de manutenção, entre outras (MACHADO 2002).

De acordo com MACHADO (1999) a vazão e o volume dos efluentes estão diretamente relacionados ao volume de água consumido pelo laticínio. Em Planos de Controle Ambiental apresentado à Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), o valor desse coeficiente varia entre 0,89 e 0,96.

Segundo MATOS (2005) a vazão de águas residuárias nos laticínios pode ser determinada de duas maneiras:

No ponto de lançamento do afluente.

Estimando o consumo de água no processo de produção, incluindo-se águas usadas na lavagem de pisos e maquinário.

8

3.4. Tratamento de efluentes líquidos

Os laticínios hoje representam um setor economicamente importante da indústria de alimentos no Brasil, a fabricação de produtos lácteos é amplamente desenvolvida, entretanto, muitos não possuem um sistema de tratamento de efluente, o qual hoje se faz necessário para garantir e adequar as aguas residuárias aos padrões previstos pela legislação (Resolução nº 357/05 e 397/08 do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA -, que trata dos limites das concentrações nos efluentes e nos corpos receptores em função de sua classe). No estado de São Paulo, o decreto estadual n o 8.468/76 da CETESB normatiza os lançamentos com dados mais específicos para a região.

Para atender a legislação, existem vários sistemas de tratamento final. Esses sistemas variam de empresa para empresa se adequando as necessidades de cada uma. Nos laticínios por ser gerado um efluente com elevada carga em matéria orgânica biodegradável, sua remoção poderá ser feita biologicamente.

Os processos de tratamento biológico têm como princípio utilizar a matéria orgânica dissolvida ou em suspensão como substrato para a biota como bactérias, fungos e protozoários - que a transformam em gases, água e então se reproduzem.

Segundo Ghandi (2005), as principais tecnologias aplicadas em sistemas de tratamento biológico e de reuso são lagoas de estabilização:

lagoas anaeróbias, lagoas aeróbias aeradas ou não aeradas, lagoas facultativas aeradas ou não aeradas, lagoas de maturação; sistemas de lagoas; filtros biológicos: anaeróbios e aeróbios aerados ou não aerados; lodos ativados; nitrificação biológica; desnitrificação biológica; coagulação, floculação, sedimentação; recarbonatação ou recarbonetação; filtração; arraste de amônia com ar (amônia stripping); cloração ao breakpoint; ozonização; adsorção em carvão ativado; troca iônica; separação por membranas: osmose reversa, nanofiltração, ultrafiltração, microfiltração, permeação gasosa, difusão gasosa, pervaporação; eletrodiálise. Outra hipótese para o tratamento,

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conforme Vedana (1999) e Tamanini (2006) são os processamentos químicos à custa da adição de reagentes químicos.

As lagoas de estabilização dentre os outros tipos de sistema de tratamento tem como vantagem: baixo custo de manutenção, operação e a capacidade de trabalhar com sobre carga hidráulica e orgânica. E como desvantagem: a necessidade de grande área para a implantação.

O sistema de tratamento para o laticínio será desenvolvida em

duas etapas que são: tratamento preliminar, tratamento secundário.

O tratamento preliminar será destinado para a separação de

líquidos, pastas e demais corpos não miscíveis com a água, e que têm peso específico menor, tendendo a flutuar na superfície, esse dispositivo é

denominado caixa de gordura (EAE).

As gorduras originadas no laticínio e que seguem para a estação de tratamento, se agrupam, mais para isso é necessário algum tempo de detenção.

Será necessário a retirada desse material para evitar: Piora na qualidade do efluente, acúmulo nas unidades de tratamento e principalmente causando aspectos desagradáveis no corpo receptor.

Suas características físicas devem ser dimensionadas para as seguintes condições:

Condições de regime hidráulico;

Entrada e saída projetadas para permitir escoamento do efluente;

Condições de vedação para maus odores e contato com insetos e roedores.

O tratamento secundário terá dois dispositivos que são: lagoa

anaeróbia e lagoa facultativa.

As lagoas anaeróbias são dimensionadas para receber cargas orgânicas elevadas, que impedem a existência de oxigênio dissolvido no meio liquido. Sua profundidade normalmente varia de 3,0m a 5,0m e o tempo de detenção hidráulico nunca é inferior a 3 dias.

10

Utilizam-se profundidades de 3,0 a 5,0 metros para que fatores ambientais (reaeração pelo contato com a atmosfera, produção por fotossíntese, entre outros) não interfiram nas condições estritas de anaerobiose (Von Sperling).

A remoção de poluentes é obtida pela sedimentação e ação de

microrganismos anaeróbios, eliminando a necessidade de algas para a produção de oxigênio no meio líquido. A biota desenvolve duas etapas importantes, a liquefação e formação de ácidos (bactérias acidogênicas) e após, a formação do metano (bactérias metanogênicas).

Na primeira fase não há remoção da DBO 5 , apenas a conversão da matéria orgânica a outras formas (moléculas mais simples e posteriormente, ácidas). É na segunda etapa que a DBO 5 é removida, com a matéria orgânica (ácidos produzidos na primeira etapa) convertida em metano, gás carbônico e água. O carbono orgânico é removido do meio líquido pelo fato do metano (CH 4 ) escapar para a atmosfera (Von Sperling, 2002).

Após

o

efluente

passar

pelo

dispositivo

encaminhado para a lagoa facultativa.

anaeróbio

ele

é

Na lagoa facultativa o conhecimento disponível é ainda limitado para se aperfeiçoar a profundidade da lagoa, de forma a obter o maior numero de benefícios. A tendência atual tem sido a de se adotar lagoas não muito rasas, com profundidade variando de 1,5 a 2,0.

Nesta lagoa uma serie de mecanismos contribui para a purificação dos esgotos. Estes mecanismos dividem a lagoa em três zonas, denominadas: zona anaeróbia, zona aeróbia e zona facultativa.

A matéria orgânica em suspenção tente a sedimentar, vindo a

constituir o lodo do fundo (zona Anaeróbia). Este lodo sofre de decomposição por microrganismos anaeróbios, sendo convertido lentamente em gás

carbônico, agua, metanos e outros.

A matéria orgânica dissolvida, conjuntamente com a matéria orgânica em suspensão de pequenas dimensões não sedimentada, permanecendo dispersa na massa liquida. Na camada mais superficial tem-se a zona aeróbia. Nesta zona, a matéria orgânica é oxidada por meio da

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respiração aeróbia. Há a necessidade da presença de oxigênio, o qual é suprido ao meio pela fotossíntese realizada pelas algas. Tem-se, assim, um perfeito equilíbrio entre o consumo e a produção de oxigênio e gás carbônico:

Bactérias Respiração:

Consumo de oxigênio

Produção de gás carbônico

Algas Fotossíntese:

Produção de oxigênio

Consumo de gás carbônico

Fotossíntese:

CO 2 + H 2 O + Energia Matéria orgânica + O 2

Respiração:

Matéria orgânica + O 2 CO 2 + H 2 O + Energia

Matéria orgânica + O 2  CO 2 + H 2 O + Energia Figura 1:

Figura 1: Esquema Simplificado de uma Lagoa Facultativa

12

Para a ocorrência da fotossíntese é necessário uma fonte de energia luminosa, neste caso representado pelo sol. Por esta razão, locais com elevada radiação solar e baixa nebulosidade são bastante propícios à implantação de lagoas facultativas (Von Sperling).

A fotossíntese, por depender de energia solar, é mais elevada

próxima à superfície da lagoa. Na medida em que se aprofunda na lagoa, a penetração da luz é menor o que ocasiona a predominância do consumo de oxigênio (respiração) sobre a sua produção (fotossíntese), com a eventual ausência de oxigênio dissolvido a partir de uma certa profundidade. Ademais, a fotossíntese só ocorre durante o dia, fazendo com que durante a noite possa

prevalecer à ausência de oxigênio. Devido a estes fatos, é essencial que haja diversos grupos de bactérias, responsáveis pela estabilização da matéria orgânica, que possam sobreviver e proliferar, tanto na presença, quanto na ausência de oxigênio, esta zona é denominada facultativa.

O processo da lagoa facultativa é essencialmente natural, não necessitando de nenhum equipamento. Por essa razão, a estabilização da matéria orgânica se processa em taxas mais lentas, implicando na necessidade de um elevado período de detenção na lagoa (indicado no dimensionamento).

A ligação de um tratamento a outro, pode ser feita em paralelo

(figura 3) ou em serie (figura 2).

Ligação das células em serie: um sistema de lagoas em série, com um determinado tempo de detenção total, possui maior eficiência do que lagoa única, com o mesmo tempo de detenção total. A implicação é que, para uma mesma qualidade do efluente, obtém-se uma menor área ocupada com um sistema de lagoas em série (MARCOS VON SPERLING, V3).

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Lagoa Afluente I
Lagoa
Afluente
I
Lagoa II
Lagoa
II

Efluente

Figura 2: Fluxograma de um Sistema de Lagoas de Estabilização em Série. Fonte: Von Sperling

Ligação das células em paralelo: Um sistema de lagoas em paralelo possui a mesma eficiência que uma lagoa única. No entanto, o sistema possui uma maior flexibilidade e garantia, no caso de se ter de interromper o fluxo para uma lagoa, devido a algum problema ou eventual manutenção. Desta forma, o funcionamento do sistema não será interrompido (MARCOS VON SPERLING, V3).

FIGURA

Lagoa Lagoa I III Lagoa Lagoa II IV
Lagoa Lagoa
I III
Lagoa Lagoa
II IV

Afluente

Efluente
Efluente

3

Fluxograma

de

um

Sistema

de

Lagoas

de

Estabilização em Paralelo. Fonte: Von Sperling

A tabela a seguir exemplifica os quatro modelos hidráulicos frequentemente utilizados. Para lagoas o regime de fluxo disperso é o mais utilizado.

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Tabela 2: Características dos modelos hidráulicos mais frequentemente utilizados no dimensionamento e avaliação de desempenho das lagoas de estabilização.

Modelo Hidráulico

Esquema do Reator

Características

Fluxo em Pistão

Características F l u x o e m P i s t ã o As partículas

As partículas de fluido entram continuamente em uma extremidade do tanque e são descarregadas na outra extremidade. O fluxo se processa como um êmbolo, sem misturas longitudinais. Este tipo de fluxo é reproduzido em tanques longos, com uma elevada relação comprimento por largura. Os reatores de fluxo em pistão são reatores idealizados, uma vez que é bastante difícil se obter na prática a ausência total de dispersão longitudinal.

Mistura Completa As partículas que entram no tanque são imediatamente dispersas em todo o corpo do reator. A mistura completa pode ser obtida em tanques circulares ou quadrados se o conteúdo do tanque for contínuo e uniformemente distribuído. Os reatores de mistura completa são reatores idealizados, já que é difícil de obter na prática uma dispersão total em todo o volume do reator.

na prática uma dispersão total em todo o volume do reator. Reatores de mistura completa em

Reatores de mistura completa em série

o volume do reator. Reatores de mistura completa em série Os reatores de mistura completa em

Os reatores de mistura completa em série são usados para modelar o regime hidráulico que existe entre os regimes ideais de fluxo em pistão e mistura completa. Se o sistema apresentar um número infinito de reatores em série, o fluxo em pistão é reproduzido. O fluxo de entrada e saída é contínuo.

Fluxo disperso

saída é contínuo. F l u x o d i s p e r s o

O fluxo disperso é obtido em um sistema qualquer com um grau de mistura intermediário entre os dois extremos de fluxo em pistão e mistura completa. Na realidade, a maior parte dos reatores apresenta fluxo disperso. Devido à maior dificuldade na sua modelagem, são frequentemente feitas aproximações para um dos modelos hidráulicos ideais. O fluxo de entrada e saída é contínuo

15

A seguir será descrita os critérios e equações utilizadas para o

dimensionamento do sistema de tratamento do laticínio.

3.5. Parâmetros de Dimensionamento da Caixa de Gordura

Para gordura presente nas águas residuárias de laticínio, cuja densidade é de aproximadamente 0,9 g/ml, será necessária uma detenção de 3 minutos para que se agrupem, tendo uma temperatura do líquido menor de 25°C. Pode ser observado em cilindros graduados, qual do tempo necessário para formar uma camada de escuma na superfície do líquido.

As caixas podem ser circulares ou retangulares; deve haver uma entrada afundada para evitar a turbulência e uma saída também afundada, para arraste dos sólidos sedimentáveis.

Logo baixo segue as equações utilizadas no dimensionamento.

V

= v . t

(26)

Sendo, V = Volume útil (L)

 

v = vazão media do efluente (L/s)

t = tempo de detenção (s)

A

= V/H

(27)

Sendo, A = área útil da caixa (m²)

 

V

= volume útil (m³)

H

= profundidade (m)

L/B = 1

 

(28)

16

3.6. Critério de Dimensionamento Anaeróbio

Os principais parâmetros de projeto das lagoas anaeróbias são:

Taxa de aplicação volumétrica

Tempo de detenção

A temperatura se apresenta como fator limitante na eficiência da

lagoa anaeróbia. Locais mais quentes permitem uma maior taxa de aplicação e

assim, menor volume. A variação do volume com a temperatura depende da

taxa de aplicação volumétrica, dada pela Tabela a seguir.

Tabela 3: Taxas de Aplicação Volumétrica Admissíveis para

Projeto de Lagoas Anaeróbias, em Função da Temperatura.

Temperatura média do ar no mês mais frio T(°C)

Taxa de aplicação volumétrica admissível Lv (KgDBO 5 /m³d)

10

20

20

- 25

>25

Fonte: Von Sperling, 2002.

Segundo o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), no ano de 2010 foi registrada uma temperatura média do ar no mês mais frio de 17°C e uma temperatura média de 22°C.

Portanto a taxa de aplicação volumétrica se calcula

Lv = 0,02 . T 0,10

(1)

Onde, T = temperatura média do ar no mês mais frio.

17

O

volume requerido para a lagoa é dado por:

 

V

= L/Lv

(2)

Onde, V = volume da lagoa (m³)

 

Lv = taxa de aplicação volumétrica (KgDBO 5 /m³d)

L

= carga de DBO 5 total afluente (KgDBO 5 /d).

A área da lagoa é calculada por:

 

A = V/H

 

(3)

Onde; A = área da lagoa (m²)

 

V

= volume requerido para a lagoa (m³)

H

= profundidade (m)

Calculando a carga de DBO 5 total do afluente(L):

(4)

L= Concentração DBO do afluente (kg/m 3 ) x vazão (m 3 /d)

Onde,

mg/l = g/m 3

g/m 3 para kg/m 3 (÷ por 1000)

O tempo de detenção hidráulica resultante é obtido por meio de:

t = V / Q

Onde, t = tendo de detenção (dias)

V = volume da lagoa (m 3 )

Q = vazão média afluente (m 3 /d)

(5)

18

A eficiência de remoção é uma variante da temperatura. A Tabela

abaixo mostra os valores adotados para duas faixas de temperatura.

Tabela

4:

Eficiências

de

Remoção

de

DBO 5

em

Anaeróbias, em Função da Temperatura.

Lagoas

Temperatura do ar no mês mais frio (°C)

Eficiência de remoção de DBO 5 (%)

10 a 25

>25

Fonte: Mara (1997).

Eficiência de remoção de DBO = 2 x T + 20

(6)

Onde, T = temperatura média do ar no mês mais frio. 17 °C para T Fonte: INMET, 2010.

3.7. Critérios de Dimensionamento da Lagoa Facultativa

Os principais parâmetros de projeto das lagoas facultativas são:

Taxa de aplicação superficial

Tempo de detenção

O critério de taxa de aplicação superficial baseia-se na

necessidade de se ter uma determinada área de exposição à luz solar na

lagoa, para que o processo de fotossíntese ocorra. O objetivo de se garantir a

fotossíntese e, indiretamente, o crescimento de algas, é o de se ter uma

produção de oxigênio suficiente para suprir a demanda de oxigênio. Assim, o

critério de taxa de aplicação superficial é baseado na necessidade de oxigênio

para a estabilização da matéria orgânica. A taxa de aplicação superficial

relaciona-se, portanto, à atividade das algas.

A taxa a ser adotada varia com a temperatura local, latitude,

exposição solar, altitude e outro.

19

Mara e Pearson (1995) e Mara (1996) apresentam as seguintes

relações entre taxa de aplicação superficial (L s ) e a temperatura (T):

L s = 50 x 1,072 T

(Mara e Pearson)

Onde, T = Temperatura média do ar, °C

(7)

L s = 350 x (1,107 0,002 x T) (T- 25)

(Mara)

Onde, T = temperatura media do líquido no mês mais frio, °C

(8)

Como já foi citado o INMET, no ano de 2010 registrou uma temperatura média do ar no mês mais frio de 17°C e uma temperatura média de 22°C.

A área requerida para a lagoa é calculada por:

A=L/L s

(9)

Onde, A = área requerida para a lagoa (ha)

L = carga de DBO total afluente (KgDBO 5 /d)

L s = taxa de aplicação superficial (KgDBO 5 /ha.d)

Para calculando a carga de DBO 5 total do afluente(L):

(10)

L= Concentração DBO do afluente (kg/m 3 ) x vazão (m 3 /d)

Volume da lagoa pode ser encontrado através da equação:

V = A. H

Onde, A = área requerida (m²)

H = profundidade (m)

(11)

20

O critério do tempo de detenção diz respeito ao tempo necessário

para que os microrganismos procedam à estabilização da matéria orgânica na lagoa. O tempo de detenção relaciona-se, portanto, à atividade das bactérias.

t = V/Q

(12)

Onde, V = volume requerido para a lagoa (m 3 )

T

= tempo de detenção (d)

Q

= vazão media do afluente (m 3 /d)

Para encontrar a remoção de DBO segundo o regime hidráulico de fluxo disperso é necessário dois parâmetros que são:

Coeficiente de remoção da DBO

Número de dispersão

O Coeficiente de remoção de DBO pode ser obtido através das

seguintes relações empíricas.

Arceivala (1981)

K

= 0,132.logL s 0,146

(13)

Vidal(1983)

K

= 0,091 + 2,05x10 -4 .L s

(14)

O número de dispersão (d) no caso de um projeto de nova instalação deve ser estimado. Logo abaixo segue uma relação empírica de Von Sperling que podem ser utilizadas para esta estimativa preliminar:

d = 1/(L/B)

Onde, d = número de dispersão

L

= comprimento da lagoa (m)

B

= largura da lagoa (m)

(15)

21

Para facilitar a utilização deste conceito, a eficiência pode ser estimada pelas formulas a seguir ou até mesmo através da figura 4.

S = S 0 e -k . t

(16)

Onde, S = concentração de DBO solúvel efluente (mg/l)

S 0 = concentração de DBO total do afluente (mg/l)

K = coeficiente de remoção de DBO (d -1 )

t = Tempo de detenção (dias)

Estimativa Eficiência

E = (S 0 S) . 100/ S 0

Onde, E = eficiência

(17)

S 0 = concentração de DBO total do afluente (mg/l)

S = concentração de DBO solúvel efluente (mg/l)

(mg/l) S = concentração de DBO solúvel efluente (mg/l) Figura 4: Eficiência de Remoção da DBO

Figura 4: Eficiência de Remoção da DBO Reator de Fluxo Disperso. Fonte: Von Sperling.

3.8. Geometria

22

As dimensões de comprimento e largura das lagoas determinadas nos pré-dimensionamentos são a meia profundidade. As dimensões das lagoas no fundo, ao nível d´água e na crista do talude dependem da inclinação no talude interno.

Largura a meia profundidade =

(18)

Comprimento a meia profundidade = Largura * Geometria

(19)

Comprimento no fundo = comprimento a meia altura d.(H/2)

(20)

Comprimento no Nível d´agua = comprimento a meia altura + d.(H/2)

(21)

Comprimento na crista do talude = comprimento no Nível d´agua + d.(borda livre)

(22)

Largura no fundo = largura a meia altura d.(H/2)

(23)

Largura no nível d´agua = largura a meia altura + d.(H/2)

(24)

Largura na crista do talude = largura no nível d´agua + d.(borda livre)

(25)

Onde, 1:d (vertical/horizontal)

H = profundidade

A inclinação do talude interno depende muito do terreno, terrenos argilosos precisando de uma inclinação superior a 1:2 (vertical/horizontal) e terrenos arenosos a inclinação pode ser entre 1:3 a 1:6.

Na

Figura

5

e

6,

temos

encontrados pelos cálculos acima.

uma

exemplificação

dos

locais

23

23 Figura 5: Exemplifica o Comprimento Figura 6: Exemplifica a Largura

Figura 5: Exemplifica o Comprimento

23 Figura 5: Exemplifica o Comprimento Figura 6: Exemplifica a Largura

Figura 6: Exemplifica a Largura

24

4. DESENVOLVIMENTO E RESULTADOS

O desenvolvimento esta dividido em duas partes para o melhor entendimento dos resultados. A primeira etapa caracterizará o efluente gerado pela industrial de laticínio. Após essa etapa será apresentado o dimensionamento do sistema de tratamento e sua eficiência na remoção de DBO.

4.1. Caracterização do Efluente

Para a realização dessa etapa, foram feitas duas parcerias, uma com o laticínio, o qual disponibilizou o seu esgoto industrial bruto e alguns informações sobre sua produção, a outra parceria foi junto a UNOESTE Divisão de Saneamento Básico que realizou a análise do efluente. Os parâmetros analisados foram: Demanda Química de Oxigênio e Demanda Bioquímica de oxigênio.

Os métodos utilizados nas análises:

DQO: método colorimétrico refluxo fechado Standard Methods 21 edition 2005 (5220 D pg. 5-18 à 5-19)

DBO 5 :

método

respirométrico

simplificado

Oxitop Standard

Methods 21 edition 2005 (5210 D pg. 5-10 à 5-13)

Os resultados obtidos encontram-se na tabela 5, logo a seguir.

Tabela 5: Resultado da Análise do Efluente Bruto

Características do efluente analisado

 

Unidades

DQO

9960,00

mgO 2 /L mgO 2 /L

DBO

4014,47

25

Devido à alta carga de DBO e DQO, será proposto ao laticínio que seja feito a recuperação do soro gerado durante a produção do queijo mussarela, utilizando em outros produtos lácteos ou até mesmo vendendo esse subproduto pra empresa que utilizem como matéria prima.

Segundo a Comissão Europeia Prevenção e Controle integrado da Poluição, o soro do leite contem uma elevada DBO piorando a qualidade do efluente, sendo inviável seu tratamento em lagoas de estabilização.

A tabela 6 a seguir mostra como a recuperação de soro melhora a

qualidade do efluente.

Tabela 6: Qualidade do Efluente com Recuperação de Soro e Sem Recuperação.

Parâmetros

Instalação com recuperação de soro

Instalação sem recuperação de soro

mg/L

DBO5

2397

5312

DQO

5312

20559

Fonte: Comissão Europeia Prevenção e Controle integrado da Poluição

Diante de uma melhora de qualidade superior a 50% da DBO, será proposta a recuperação do soro no Laticínio e em seguida será dimensionado as lagoas de estabilização com base no efluente sem soro.

A tabela 7 mostra a qualidade do efluente com recuperação de

soro e o dimensionamento será realizado com a DBO desta tabela

Tabela 7: Característica do Efluente Laticínio com Recuperação

de Soro.

Característica do efluente com recuperação do soro

Unidades

DBO

2000,00

mgO 2 /L

26

4.2. Dimensionamento do Sistema de Tratamento

O sistema de tratamento começa do tratamento preliminar, a caixa de gordura. Para o dimensionamento da caixa de gordura foi adotado o funcionamento do laticínio de 9 horas por dia. Sabendo que a vazão média do efluente é de 25000 litros/d, encontramos uma media de 0,7716 l/s, com uma temperatura ambiente, precisando de 3 minutos para que a gordura se agrupe.

Tabela 8: Parâmetros de Dimensionamento da Caixa de Gordura.

Caixa Retangular Densidade da gordura Detenção necessária Volume necessário Vazão media do efluente

0,94

g/ml

 

3

minutos

180

segundos

138,9

L

0,138

0,7716

L/s

 

Figura 12: Dimensionamento da Caixa de Gordura

180 segundos 138,9 L 0,138 m³ 0,7716 L/s   Figura 12: Dimensionamento da Caixa de Gordura

27

As equações utilizadas podem ser encontradas nas referencias da

tabela 9.

Referencia

Tratamento preliminar

 

Equação 26

Volume Útil

138,9

L

Equação 27

Área útil

0,276

Equação 28

Comprimento

0,52

m

Equação 28

Largura

0,52

m

Adotada

Altura

0,5

m

Tabela 9: Dimensionamento do Tratamento Preliminar

Após o efluente passar pelo tratamento preliminar, seguirá para o tratamento secundário - lagoa anaeróbia onde terá um tempo de detenção de 8 dias. Na tabela 10, 15 e 11 logo abaixo mostrara dados, resultados e o dimensionamento da lagoa.

As equações não citados abaixo na literatura serão representados pela equação presente na coluna de referência!

Tabela 10: Dados de Projeto da Lagoa Anaeróbia

Referencia

Dados de projeto da lagoa anaeróbia

Unidade

Adotado

Tipo Ligação da Célula Profundidade

Fluxo disperso

(-)

Adotado

em série

(-)

Adotado

4,5

m

Adotado

Geometria da lagoa DBO 5 afluente Inclinação do talude interno Vazão do efluente

L/B = 2

(-) mgO 2 /L vert/horiz m³/d

Adotado

2000

Adotado

1v/2h

Adotado

25

Adotado

Temperatura média do ar no mês mais frio

°C

17

28

Tabela 15: Resultados de Projeto da Lagoa Anaeróbia

Referencia

 

Resultados de projeto da lagoa anaeróbia

Unidade

Equação 3

Área requerida para a lagoa Tempo de detenção DBO efluente Eficiência Volume da lagoa Taxa de aplicação volumétrica Carga de DBO 5 total afluente

46,22

 

Equação 5

8

dias

Equação 6

920

mgO 2 /L

Equação 6

54

 

%

Equação 2

208

m³ KgDBO 5 /m³d kgDBO 5 /dia

Equação 1

0,24

Equação 4

50

 

Tabela 11: Dimensionamento da Lagoa Anaeróbia

 

Referencia

Dimensionamento da lagoa

Equação 17

Comprimento a meia altura Comprimento no fundo Comprimento na N.A. Comprimento na crista do talude Largura a meia altura Largura no fundo Largura na N.A. Largura na crista do talude Borda livre

 

9,61 m

Equação 18

5,11 m

Equação 19

14,11 m

Equação 20

15,11 m

Equação 16

4,80 m

Equação 21

0,3 m

Equação 22

9,3 m

Equação 23

10,3 m

Adotado

0,5m

No tratamento secundário- lagoa facultativa, a DBO 5 inicial será de 54% a menos que o esgoto bruto gerado pelo laticínio e um tempo de detenção de 72 dias. Seguem nas tabelas 12, 16 e 13 os dados, resultados e geometria da lagoa facultativa.

As equações não citados na literatura serão representados pela equação presente na coluna de referencia.

29

Tabela 12: Dados de Projeto da Lagoa Facultativa

 

Referencia

 

Dados de projeto da lagoa facultativa

 

Unidade

Adotado

Tipo Ligação da Célula Profundidade

 

Fluxo disperso

 

(-)

Adotado

em série

(-)

Adotado

1,8

m

Adotado

Geometria da lagoa DBO 5 afluente Inclinação do talude interno Vazão do efluente

L/B = 3

 

(-) mgO 2 /L vert/horiz

Adotado

920

Adotado

1v/2,5h

Adotado

25

m³/d

 

Adotado

Temperatura média do ar no mês mais frio Temperatura média do ar

17

 

°C

Adotado

22

°C

 

Tabela 16: Resultados de Projeto da Lagoa Facultativa

 

Referencia

 

Resultados de projeto da lagoa facultativa

 

Unidade

Equação 9

Área requerida para a lagoa Tempo de detenção DBO 5 efluente Eficiência estimada Volume da lagoa Taxa de aplicação Superficial Carga de DBO 5 total afluente Coeficiente remoção de DBO Número de dispersão Concentração DBO solúvel

 

1000

 

Equação 12

72

dias

Equação 17

9,2

mgO 2 /L

Figura 9

99

 

%

Equação 11

1800

Equação 7

230

KgDBO 5 /ha.d

Equação 10

23

kgDBO 5 /dia

Equação 13

0,1657

 

d

-1

Equação 15

0,3

adimensional

Equação 16

0, 00606

 

mg/L

 

Tabela 13: Dimensionamento da Lagoa Facultativa

 

Referencia

 

Dimensionamento da lagoa

 

Equação 17

 

Comprimento a meia altura Comprimento no fundo Comprimento na N.A. Comprimento na crista do talude Largura a meia altura Largura no fundo Largura na N.A. Largura na crista do talude Borda livre

   

54,77m

Equação 18

52,07m

Equação 19

57,47m

Equação 20

58,97m

Equação 16

18,25m

Equação 21

15,55m

Equação 22

20,95m

Equação 23

22,45m

Adotado

0,5m

30

Diante dos resultados obtidos, o sistema de tratamento biológico teve uma eficiência total de 99% na remoção de DBO. Adequando conforme a legislação para o lançamento em corpo receptor.

Tabela 14: Padrões de Lançamento de Efluentes - CETESB

Padrões de lançamento do efluente (Decreto n°. 8468/1976)

Parâmetro

Valor Limite

pH Temperatura Materiais Sedimentáveis Óleo e Graxas

Demanda Bioquímica de Oxigênio

entre 5 e 9 inferior a 40°C ≤ 1 mL/L ≤ 100 mg/L menor que 60 mgO 2 /L ou redução de

80%

Fonte: CETESB, 1976

31

5. CONCLUSÃO

O sistema de tratamento se mostrou teoricamente eficaz na remoção de DBO 5 no efluente industrial do laticínio, atingindo uma redução de carga orgânica menor que 60 mgO 2 /L.

Faz-se necessário o tratamento preliminar deste resíduo, evitando acúmulo de gordura nas unidades de tratamento e principalmente aspectos desagradáveis no corpo receptor.

Recuperação do soro é necessária para que o sistema tenha o desempenho desejado.

Quanto melhor a qualidade do nosso efluente, menor será a área requerida para a lagoa e menor o tempo de detenção.

Regiões com altas temperaturas favorecem no desempenho das

lagoas.

32

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