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HISTÓRIAS DE TIA NEIVA (1) Certo dia, cheguei em casa e encontrei minha filha Carmem

HISTÓRIAS DE TIA NEIVA (1)

Certo dia, cheguei em casa e encontrei minha filha Carmem Lúcia com um dente inflamado, o rosto bem inchado. Fiquei aflita para tomar alguma providência, porém “alguém” me puxou para trás. Atirei-me contra minha filha, descompondo-a, até que perdi os sentidos. Quando voltei a mim e soube do ocorrido, entrei novamente em conflito. Só que, desta vez, tinha sido pior: havia atingido minha própria filha, que era uma das razões de toda a minha luta. Meus filhos eram, para mim, como o sangue que corria em minhas veias. Fiquei tão envergonhada que passei a maltratá-la ainda mais!

Foi quando um casal de Pretos Velhos se projetou em minha visão. Eram Pai João e Mãe Tildes, que me disse:

- Vamos dar um passe em Marcinha. Sim, Carmem Lúcia é Marcinha, filha de Márcia, um grandioso espírito que está nas alturas. Ela está muito aborrecida com o que vem acontecendo com sua filha, e está disposta a matá-la para levá-la consigo.

Pulei sobre Carmem Lúcia, num gesto de obsidiada, e incorporei. Quando recobrei a consciência, havia um médico – Dr. Calado – com uma injeção na mão, ao meu lado. Apesar do seu nome, ele falava muito. Voltei a incorporar, não sei durante quanto tempo, e quando desincorporei Carmem Lúcia estava deitada no meu colo e, calma, me disse:

- Mamãe! Mamãezinha! A senhora está bem?

- Eu que lhe pergunto, filhinha: está melhor?

- Sim, mamãezinha! Um espírito disse que veio para me levar. Depois, veio um outro, me deu um passe e se foi, passando toda a dor.

- Veio para matá-la? – voltei a perguntar.

Pai João interrompeu-me severamente, não me deixando concluir:

- Basta, Neiva! Você já abusou demais. Puxe pela sua individualidade. Não é a primeira vez que vem, nesta Terra, como clarividente!

Não tendo visto Mãe Yara, preocupada perguntei:

- Onde está Mãe Yara, a Senhora do Espaço?

- Não virá mais aqui! – continuou Pai João enérgico – Não virá pelo seu desrespeito para com os espíritos. Porém, eu vim para

ensiná-la. De hoje em diante, terá eu e Mãe Tildes junto a você. Exijo, filha, o maior respeito com os espíritos, sejam de Luz,

sejam sofredores.

- Sofredores? – explodi – Esses demônios que a Igreja denuncia e condena?

Dei uma grande gargalhada de deboche e, logo, recebi um impacto no rosto, tão violento que comecei a chorar.

- Isto é para despertá-la para sua felicidade. – falou o Preto Velho – Se continuar a cair no padrão dos espíritos sofredores, poderá ficar louca.

Meu rosto pegava fogo. Com raiva, disse:

- Tenho ódio de espíritas! Como me obriga a ser espírita?

- Filha, ninguém lhe obriga. Os espíritas são portadores de diversos tipos de mediunidade, mas você carrega todas, exceto a do olfato. Além do mais, você tem a missão de desenvolver o Doutrinador de força cabalística.

Pai João prosseguiu, e fiquei sabendo todo o meu roteiro na missão com o Doutrinador.

Sim, meu filho Jaguar! A cada dia eu mais me convencia de que a fé é algo transcendental. É amor e ternura, inato para uma

pobre criatura que se criou sob a energia dos velhos coronéis do sertão nordestino, que era castigada se mentisse ou se tivesse

medo de andar no escuro

dos motivos de meus conflitos. Salve Deus, meu filho Jaguar! A missão caminha junto com o missionário. Veja onde fui parar

Não podia ter medo! Só acreditava naquilo de que eu pudesse dar testemunho. Minha criação era um