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Universidade Estadual Vale do Acaraú Centro de Ciências Exatas e Tecnologia Curso de Licenciatura em

Universidade Estadual Vale do Acaraú Centro de Ciências Exatas e Tecnologia Curso de Licenciatura em Biologia e Química

MANUAL DIDÁTICO DE QUÍMICA ORGÂNICA I

Autor:

Walber Henrique Ferreira Ribeiro

Mestre em Química Orgânica pela UFC Professor Assistente da Universidade Estadual Vale do Acaraú

Sobral – CE. Agosto de 2010.

SUMÁRIO

CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO À QUÍMICA ORGÂNICA

1

1 POR QUE É IMPORTANTE ESTUDAR QUÍMICA ORGÂNICA?

1

2 HISTÓRICO DA QUÍMICA ORGÂNICA

5

3 CARACTÉRISTICAS DO CARBONO – POSTULADOS DE KEKULÉ

7

3.1 POSTULADOS DE KEKULÉ

7

3.2 CONFIGURAÇÃO ELETRÔNICA E HIBRIDIZAÇÃO DO CARBONO

8

CAPÍTULO 2 – HIDROCARBONETOS E FÓRMULAS ESTRUTURAIS

11

1 LIGAÇÕES COVALENTES CARBONO – CARBONO

11

1.1 ALCANOS – METANO E ETANO

11

1.2 ALQUENOS: HIDROCARBONETOS COM DUPLA LIGAÇÃO CARBONO – CARBONO; ETENO E PROPENO

12

1.3 ROTAÇÃO LIMITADA E DUPLA LIGAÇÃO

12

1.4 ALQUINOS: COMPOSTOS COM LIGAÇÃO TRIPLA CARBONO – CARBONO; ETINO (ACETILENO) E PROPINO

13

2

FÓRMULAS ESTRUTURAIS

14

CAPÍTULO 3 – FUNÇÕES ORGÂNICAS E NOMENCLATURA

16

1

FUNÇÕES ORGÂNICAS

16

1.1 HALETOS DE ALQUILA OU HALOALCANOS

16

1.2 ÁLCOOIS

16

1.3 ÉTERES

16

1.4 AMINAS

17

1.5 ALDEÍDOS E CETONAS

17

1.6 ÁCIDOS CARBOXÍLICOS, AMIDAS E ÉSTERES

17

1.7 NITRILAS

17

2 CLASSIFICAÇÃO DO CARBONO E DAS CADEIAS CARBÔNICAS

21

3 NOMENCLATURA DE COMPOSTOS ORGÂNICOS

22

3.1 GRUPO ALQUILA E RAMIFICAÇÕES

22

3.2 AS REGRAS DA NOMENCLATURA

24

CAPÍTULO 4 – PROPRIEDADES FÍSICAS E ESTRUTURA MOLECULAR

25

1

PROPRIEDADES FÍSICAS DOS COMPOSTOS ORGÂNICOS

25

1.1 FORÇAS INTERMOLECULARES

25

1.2 SOLUBILIDADE

27

CAPÍTULO 5 – RESSONÂNCIA

29

1 LIGAÇÕES DUPLAS CONJUGADAS E ELÉTRONS PI CONJUGADOS

29

2 RESSONÂNCIA

29

CAPÍTULO 6 – ESTEREOQUÍMICA

31

1

ESTEREOQUÍMICA - APRESENTAÇÃO

31

1.2

ISOMERIA CONFORMACIONAL

31

2

ESTEREOISÔMEROS CONFIGURACIONAIS

33

2.1 DIASTEROISÔMEROS GEOMÉTRICOS CIS – TRANS E DESCRITORES E – Z

33

2.2 ENANCIÔMEROS (ou ENANTIÔMEROS) E MOLÉCULAS QUIRAIS

34

2.3 ATIVIDADE ÓPTICA E POLARÍMETRO

35

2.4 NOMENCLATURA DOS ENANTIÔMEROS: SISTEMA (R-S)

38

Licenciatura em Química e Biologia/ UVA Química Orgânica – Prof. Walber Henrique.

CAPÍTULO 7 – ÁCIDOS E BASES EM QUÍMICA ORGÂNICA

40

1

DEFINIÇÕES DE ÁCIDOS E BASES

40

1.1 DEFINIÇÃO DE BRONSTED-LOWRY PARA ÁCIDOS E BASES

40

1.2 DEFINIÇÃO DE LEWIS PARA ÁCIDOS E BASES

41

2

AUTO IONIZAÇÃO DA ÁGUA E pH

41

2.2 DISSOLUÇÃO DE UM ÁCIDO FORTE EM ÁGUA

42

2.3 DISSOLUÇÃO DE UMA BASE FORTE EM ÁGUA

43

3

FORÇA DE ÁCIDOS E BASES

43

CAPÍTULO 8 – REAÇÕES ORGÂNICAS

45

1

REAÇÕES ORGÂNICAS

45

1.1 RESUMO DOS PRINCIPAIS TIPOS DE REAÇÕES

45

1.2 MECANISMOS DE REAÇÃO

49

1.3 MECANISMO DE REAÇÕES RADICALARES

49

1.4 MECANISMO DE REAÇÕES POLARES

50

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

52

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Capítulo 1 – Introdução à Química Orgânica

CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO À QUÍMICA ORGÂNICA

1 POR QUE É IMPORTANTE ESTUDAR QUÍMICA ORGÂNICA?

Nós estamos à volta com a química orgânica e seus produtos. Nosso corpo é uma máquina complexa na qual milhares de fenômenos físicos e químicos estão ocorrendo a todo momento envolvendo substâncias orgânicas. Por exemplo, no momento que você lê essas palavras, seus olhos estão usando um composto orgânico, o retinal, que converte luz visível em impulsos nervosos. Segurar esta apostila ou um livro qualquer requer que seus músculos consumam ATP, para moverem moléculas de proteínas e, para isso, açúcares são convertidos em outras moléculas para liberar energia. O nosso pensamento é possível porque muitas moléculas orgânicas, os neurotransmissores, são lançados nas fendas existentes entre os neurônios conectando-os para que os impulsos nervosos viajem através do cérebro. Muitos dos fenômenos citados acima e tantos outros, dentro ou fora do corpo humano ou de um animal, envolvem um nível de abstração e complicação que nós, químicos, não compreendemos por completo. E é por isso mesmo, e pela “sede por entender” e por outras razões, que estudamos e realizamos pesquisas. Nesse processo de busca do conhecimento, muitos cientistas cooperam: químicos, matemáticos e físicos se juntam para entender o comportamento das moléculas e, juntamente com os biólogos, buscam entender como esse comportamento determina o fenômeno da vida. As pesquisas, não apenas pelo simples prazer de conhecer, como também por causa dos interesses financeiros dos grupos que detêm o poder político e econômico, produziram os conhecimentos e, juntamente com as soluções técnicas, determinaram a sociedade em que vivemos. Alimentos industrializados, medicamentos, roupas, itens do lar, automóveis etc. são os “bons” frutos desses empreendimentos. Apesar de testemunharmos o grande desenvolvimento científico e tecnológico quase ilimitado, somos obrigados, também, a conviver com a miséria, a fome, a criminalidade, a disseminação das drogas, o descaso com a vida humana e a depredação do meio ambiente. Estes últimos, o outro lado da mesma moeda.

A química orgânica começou estudando substâncias extraídas dos seres vivos, daí o adjetivo “orgânica”, que

significaria: “que vem dos organismos vivos”. O seu objeto de estudo diferia daquele estudado pela química inorgânica, exatamente porque nesta outra área as substâncias proviam do mundo mineral. Atualmente, a química orgânica tem outra definição. Seu objeto de estudo são os compostos de carbono juntamente com outros elementos, tantos aqueles encontrados nos seres vivos, como outros que se obtêm de diferentes fontes, inclusive produzidos em laboratório.

As principais fontes de compostos orgânicos são os seres vivos, o petróleo e o carvão mineral. Todavia, no passado,

os compostos orgânicos conhecidos eram aqueles que podiam ser extraídos dos óleos essenciais, destilados de plantas e os alcalóides obtidos por precipitação a partir de extratos de plantas, com auxílio de algum ácido. O mentol é um famoso exemplo de um composto odorífero obtido dos óleos essenciais da hortelã, e a cis-jasmona, o composto responsável pelo cheiro característico de jasmim. A quinina, alcalóide extraído de espécies de árvores do gênero da Chinchona, pertencente à família Rubiaceae e descoberta originalmente no Peru, é empregado no tratamento da malária e de arritmias cardíacas 1,2 .

da malária e de arritmias cardíacas 1 , 2 . A principal fonte de carbono disponível

A principal fonte de carbono disponível no século XIX era o carvão. A destilação do carvão para obtenção de um

gás que servia como combustível para iluminação e aquecimento (principalmente o hidrogênio e o monóxido de carbono) também produzia um piche marrom rico em compostos aromáticos tais como benzeno, piridina, fenol, anilina e tiofeno.

1 Bolzani, M. da S.; Bolzani, V. da S. Do Peru à Java: A trajetória da quinina ao longo dos séculos. Disponível em

<http://www.sbq.org.br/filiais/adm/Upload/subconteudo/pdf/Historias_Interessantes_de_Produtos_Naturais04.pdf>

Acesso em 19 de set. de 2010.

2 Quinina. Wikipedia. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Quinina> Acesso em 19 de set. 2010.

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1

Capítulo 1 – Introdução à Química Orgânica

Capítulo 1 – Introdução à Química Orgânica O fenol era usado como anti-séptico em cirurgias por

O fenol era usado como anti-séptico em cirurgias por causa de suas propriedades bactericidas. Atualmente é usado,

por exemplo, em desinfetantes e serve como padrão de comparação para medir a atividade de substâncias bactericidas. É

matéria prima para a síntese da aspirina 3 e de outros medicamentos, também da síntese resinas e polímeros, como a baquelite 4 , e na produção do ácido pícrico, empregado na preparação de explosivos.

O OH O O
O
OH
O
O

Ácido acetil salicílico

A anilina tornou-se a base da indústria das tintas. Foi a partir desse composto que se iniciou a pesquisa de novos compostos orgânicos coloridos de origem sintética, tornando-os mais importantes que aqueles de origem natural. A título de exemplo, cita-se uma substância derivada da anilina e ainda disponível, o marrom de Bismarck, uma tinta com a qual muitos livros e documentos foram escritos no passado.

A partir do século vinte, a descoberta, extração, destilação e processamento do petróleo, mistura de hidrocarbonetos

da qual se extraem combustíveis, asfalto e matéria-prima para a fabricação de muitos produtos, proporcionou um grande impulso no desenvolvimento da química orgânica e da indústria que dependia dela. Concomitantemente, várias fontes naturais foram sendo empregadas para a obtenção de novas substâncias, tais como algas, fungos, corais e bactérias. No momento em que essa monografia está sendo escrita, cerca de 18 milhões de substâncias orgânicas já foram descobertas. Quantas mais são possíveis? Não parece haver limites (exceto o número de átomos no universo). Imagine que você tenha sintetizado a maior cadeia carbônica da atualidade. Basta adicionar mais um átomo de carbono e uma nova molécula terá sido obtida! Esse processo, sem considerar as diferentes posições onde aquele átomo de carbono adicional será adicionado, e o processo pode prosseguir ad infinitum. Contudo, esses milhões de compostos orgânicos não são apenas hidrocarbonetos. São compostos oxigenados, nitrogenados, sulfurados etc. conforme contenham átomos de oxigênio, nitrogênio, enxofre etc. E em cada caso, diferentes propriedades físicas e químicas surgem, que são responsáveis, pela sua aparência, estado de agregação, pontos de fusão e ebulição, reatividade, atividade biológica, farmacológica, toxidez etc. Os compostos orgânicos, dada essa variabilidade de possibilidades, podem se apresentar como sólidos cristalinos ou

amorfos, óleos, graxas, plásticos, elásticos, líquidos fixos ou voláteis ou gases. Alguns exemplos que nos são familiares incluem o açúcar cristal branco de mesa (sacarose), um composto barato isolado de plantas como a cana de açúcar, a beterraba, a batata etc., o petróleo, como já citado, que é uma mistura de diferentes hidrocarbonetos. Os compostos orgânicos podem ser coloridos ou incolores. Na verdade, é possível pintar as cores do arco íris com as tintas orgânicas descobertas na atualidade, cobrindo todo o espectro de cores (ver quadro 1).

cor não é a única característica pela qual nós reconhecemos um composto. A presença de muitas substâncias é percebida também através do seu odor. E nem só de flores é feita a vida. Muitos odores desagradáveis são substâncias orgânicas. Por exemplo, o gambá emite duas substâncias sulfuradas quando se sente ameaçado, responsáveis pelo seu

A

quando se sente ameaçado, responsáveis pelo seu A Tióis liberados pelo gambá odor desagradável

Tióis liberados pelo gambá

odor desagradável característico.

3 A aspirina é o nome comercial do ácido acetil salicílico.

4 A baquelite é uma resina sintética, quimicamente estável e resistente ao calor, que foi o primeiro produto plástico. É formado pela reação entre o fenol e o formaldeído, formando um polímero chamado polifenol. Para mais informações, consultar o endereço <http://pt.wikipedia.org/wiki/Baquelite>.

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2

Capítulo 1 – Introdução à Química Orgânica

Quadro 1.1 – Exemplos de compostos orgânicos coloridos.

Cor

Composto

Fórmula estrutural

Vermelho

3’-metoxibenzocicloheptatrien-2’-ona

Vermelho 3’-metoxibenzocicloheptatrien-2’-ona

Laranja

Dicloro diciano quinona

Laranja Dicloro diciano quinona

Amarelo

Diazometano

Amarelo Diazometano

Verde

Julolidino 9-nitroso

Verde Julolidino 9-nitroso

Azul

Azuleno

Azul Azuleno

Púrpura

Trifluorometano nitroso

Púrpura Trifluorometano nitroso

O pior fedor, todavia, não é nem aquele produzido pelo gambá, nem o derivado da decomposição de organismos vivos ou do ovo podre. O pior fedor foi produzido em um laboratório, em 1889, na cidade de Freiburg e causou a evacuação dessa cidade. As tentativas de produzir tioacetona por craqueamento da tritioacetona deu origem a um poderoso odor insuportável que se espalhava rapidamente sobre uma grande área da cidade, causando desmaios, vômitos e pânico. O laboratório em que se trabalhava foi abandonado.

Muitos odores agradáveis são substâncias orgânicas. Por exemplo, a essência da maçã, da laranja, do limão, morango, lavanda e muitos perfumes são moléculas orgânicas produzidas pelas plantas, e muitas são sintetizadas em laboratório.

S-limoneno odor de limão R-limoneno odor de laranja
S-limoneno
odor de limão
R-limoneno
odor de laranja
O CH 3 C CH 2 CHCH 3
O
CH 3 C
CH 2 CHCH 3

CH 3

Acetato de isobutila, essência de morango

CH 2 CHCH 3 CH 3 Acetato de isobutila, essência de morango O odor têm um

O odor têm um papel muito importante, além de tornar o ambiente agradável ou uma comida apetitosa. A comunicação química entre insetos, por exemplo, é realizada através de substâncias orgânicas pertencentes a uma classe de hormônios denominada feromônios. De acordo com Sá e Fernandes (2010),

Os feromônios [

indivíduos da mesma espécie, produzindo mudanças de comportamento específicas. Estes compostos, portanto, atuam na comunicação intraespecífica (entre membros de uma mesma espécie). Como exemplos, podem ser citados os feromônios sexuais (provocam atração entre

são substâncias excretadas por organismos vivos e detectadas por outros

]

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3

Capítulo 1 – Introdução à Química Orgânica

macho e fêmea), os feromônios de alarme (produzem estado de alerta pela aproximação de algum predador natural) e os feromônios de trilha e oviposição (demarcam, respectivamente, o caminho até uma fonte de alimentos e o local onde os ovos foram depositados).

Como exemplos de alguns feromônios, podem ser citados o bombicol, feromônio da mariposa do bicho-da-seda, e a periplanona-B, feromônio da barata Periplaneta americana, cujas estruturas encontram-se mostradas a seguir.

, cujas estruturas encontram-se mostradas a seguir. OH (10 E , 12 Z )-hexadeca-10,12-dien-1-ol bombicol O

OH

(10E, 12Z)-hexadeca-10,12-dien-1-ol bombicol

O O O
O
O
O

Periplanona-B

Na área farmacêutica, muitos fármacos, de diferentes tipos, são produzidos a partir de estudos de atividade, planejamento racional, isolamentos de substâncias a partir de fontes naturais etc., tendo-se a química orgânica como a base de tudo isso. O ácidos acetil salicílico, já mencionado, o sildenafil (viagra) e a benzilpenicilina, cujas estruturas encontram-se mostradas a seguir, são alguns dos exemplos de drogas cujas moléculas são orgânicas.

H

H H N S CH 3 CH O N 3 O - CO 2 H
H
H
N
S
CH
3
CH
O
N
3
O
-
CO 2
H

benzilpenicilina

(Antibiótico)

O CH 3 H CH 3 CH 2 O N N N N CH 2
O
CH
3
H
CH 3 CH 2
O
N N
N
N
CH 2 CH 2 CH 3
O
S
N
O
N
CH 3

Sildenafil

(Viagra)

Em síntese, todo organismo vivo é feito de compostos orgânicos. As proteínas que formam os cabelos, a pele e os músculos; o DNA que controla a herança genética; os alimentos que nos nutrem; e os medicamentos que tratam e curam as doenças são, em sua maioria, substâncias orgânicas. Qualquer pessoa curiosa e que pretenda entender o que é e como a vida acontece e como nascem, crescem e evoluem os seres vivos, qualquer um que queira ficar a par de muitas das descobertas e do desenvolvimento que estão acontecendo em ciências como a medicina, a biologia e a química, precisa primeiro entender Química Orgânica. Além disso, estamos rodeados por essa ciência e seus produtos que, a cada dia, não deixam de aumentar em número e abrangência. A Química Orgânica está presente, portanto, em praticamente todas as atividades humanas, faz parte do nosso dia a dia e é responsável por boa parte do nosso conforto, alimentação e saúde. Não só nós, seres vivos, somos formados em boa parte por substâncias orgânicas, como graças ao desenvolvimento dessa área do conhecimento humano, temos mais alimentos, mais medicamentos, copos, pratos, cadeiras de plástico, sacolas, tintas, cosméticos, computadores, meios de transportes mais eficientes e muitos outros produtos. Para entendermos melhor o mundo no qual vivemos e conhecer as bases nas quais está assentada a sociedade moderna, da qual fazemos parte; para sabermos qual nosso papel nessa sociedade, enquanto cidadãos, para podermos ter voz a fim de contribuir para um mundo melhor, menos injusto e mais limpo, precisamos também conhecer um pouco de Química Orgânica.

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Capítulo 1 – Introdução à Química Orgânica

2 HISTÓRICO DA QUÍMICA ORGÂNICA

A Química nasceu com os trabalhos de Lavoisier, Dalton e outros cientistas que aplicaram, pela primeira vez, a

abordagem experimental aliada ao pensamento lógico dedutivo aos seus estudos. Lavoisier, fazendo cuidadosas medidas de massa enquanto estudava reações de combustão, verificou que a massa de todos os reagentes somada, antes da reação, era igual à massa somada de todos os produtos, depois da reação se

concluir. Essa descoberta é conhecida como Lei da conservação das massas e abriu o caminho para o desenvolvimento da ciência Química.

O químico francês Joseph Louis Proust, também estudando as massas dos elementos e compostos, percebeu que a

proporção das massas dos elementos que compõem um composto é uma constante. Por exemplo, 18 gramas de água contêm 2 gramas de hidrogênio e 16 gramas de oxigênio, sempre, não importando de onde a água foi tirada, se do mar, de um lago, da chuva ou se obtida em laboratório a partir de uma reação química. John Dalton, que também estudou as relações de massas entre reagentes e produtos nas reações químicas, definiu massas atômicas e propôs a primeira teoria atômicas aceita pelos cientistas. Nessa teoria, Dalton afirmava que todas as coisas eram feitas de átomos, partículas semelhantes a bolas de sinuca, só que muito pequenas, maciças, indivisíveis e indestrutíveis. Nascia a química atômica.

indivisíveis e indestrutíveis. Nascia a química atômica. Figura 1.1 – Representação de átomos e moléculas,

Figura 1.1 – Representação de átomos e moléculas, usando o modelo de “bolinhas de sinuca”. Na figura estão representados os átomos de oxigênio e hidrogênio, e uma molécula do gás hidrogênio e da água.

A separação da Química em duas áreas distintas, Química Orgânica e Química Inorgânica, foi proposta pela

primeira vez em 1777 pelo químico alemão Torbern Olof Bergman, que definiu:

Química Inorgânica a parte da Química que estuda os compostos extraídos dos minerais.

Química Orgânica a parte da Química que estuda os compostos extraídos de organismos vivos, animais e vegetais (compostos biológicos ou biomoléculas).

Os químicos naquela época acreditavam que as substâncias extraídas dos seres vivos fossem de uma natureza diferente dos compostos encontrados na matéria bruta, no “reino mineral”, como os óxidos, os sais, os álcalis etc. Como ninguém ainda sabia da existência dos átomos, moléculas etc., não podiam supor que uma molécula de carboidrato tivesse os mesmos átomos existentes nos gases oxigênio, dióxido de carbono e na água, que são substâncias inorgânicas. Para explicar a separação entre química orgânica e inorgânica e a aparente impossibilidade de se produzir, artificialmente em laboratório, os compostos orgânicos, Jöns Jacob Berzelius (1779-1848) formulou uma teoria que ficou conhecida como Teoria da Força Vital ou, simplesmente, Vitalismo. Segundo essa teoria, os compostos orgânicos necessitariam de uma força, existente apenas nos seres vivos, para serem sintetizados.

O Vitalismo de Berzelius perdurou por algum tempo prejudicando o desenvolvimento da Química orgânica, uma

vez que os Químicos que se ocupassem do estudo das moléculas biológicas e outras assemelhadas estavam limitados a apenas isolá-las e identificá-las. Em 1828, após várias tentativas realizadas por diferentes cientistas para produzir compostos orgânicos em laboratório, algo inesperado ocorreu! Um dos discípulos de Berzelius, o alemão Friedrich Wöhler (1800-1882), obteve por acaso uma substância encontrada na urina e no sangue, a uréia. Havia no laboratório de Wöhler um frasco contendo o composto mineral “cianato de amônio”. Sob o efeito do calor, surgiram no seu interior cristais de uma substância que Wöhler já observara antes, e o fato de encontrá-los no frasco do cianato de amônio chamou-lhe muito a atenção. Ao observar cuidadosamente, ele concluiu que se tratava de fato da “uréia”, um composto que, de acordo com a crença geral baseada na teoria da Força Vital, só poderia ser produzido nos rins dos animais! Ele mesmo não acreditou no que tinha descoberto. A descoberta de Wöhler trouxe implicações muito importantes à química e, em especial à química orgânica, porque ela não apenas provava que era possível produzir substâncias orgânicas artificialmente como, também, revelava que tanto as substâncias que compõem os organismos vivos como as que estão na natureza, formando o ar, a água e as pedras, têm muito mais coisas em comum do que se supunha!

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5

Capítulo 1 – Introdução à Química Orgânica

NH 2 NH 4 OCN (s) O C NH 2
NH 2
NH 4 OCN (s)
O
C
NH 2

FIGURA 1.2 – Aquecimento do cianato de amônio (inorgânico) para obtenção da uréia (orgânico). Experimento realizado por Friedrich Wöhler.

A definição de Química Orgânica, proposta anteriormente por Berzelius, tornou-se, portanto, inadequada. Devido à

presença constante do carbono nos compostos orgânicos conhecidos na época, como a uréia, o ácido tartárico (presente no suco de uvas e vinho, C 4 H 6 O 6 (s) ), a glicerina (subproduto da fabricação de sabão e um dos principais componentes das

gorduras, C 3 H 8 O 3 () ), o ácido cítrico (C 6 H 8 O 7 (s) ), e o ácido lático (C 3 H 6 O 3 () ), dentre outros, o químico alemão Friedrich August Kekulé (1829-1896) propôs em 1858 a definição que é aceita até o presente data:

A Química Orgânica é o ramo da química que estuda praticamente todos os compostos que contém o elemento carbono, os quais são chamados de compostos orgânicos.

A Química Inorgânica, por outro lado, é a parte da Química que estuda os compostos dos demais elementos e

alguns poucos compostos do elemento carbono.

Com a síntese da uréia, nascia a nova Química Orgânica, a Química dos compostos de carbono, e a partir daí deu- se início um grande campo de pesquisa, o das sínteses orgânicas. Para se ter uma idéia, uma estimativa feita com base no Chemical Abstracts – um catálogo químico que lista resumos de todos os trabalhos de pesquisas relacionados à Química – permite verificar que, atualmente, já se está atingindo a marca de 20 milhões de substâncias químicas em geral descobertas e/ou sintetizadas e, deste total, 95% são compostos orgânicos.

O que são compostos orgânicos? Para definir os compostos orgânicos, muitas vezes nos deparamos com o termo

Química do Carbono, porém essa denominação não é de todo apropriada, visto que encontramos compostos constituídos de carbono – como carbonatos (CO 3 ), cianetos (CN ) e carbetos (C 2 ), além de monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO 2 ) dentre outros, que tradicionalmente são considerados compostos inorgânicos. Apesar disso, a quantidade desses compostos (que apresentam o carbono em sua constituição e não são considerados orgânicos) é tão pequena que, comparativamente, quando nos referimos à Química do Carbono, naturalmente estamos nos referindo à Química Orgânica. Atualmente são conhecidos milhões de compostos orgânicos e, diariamente, devido às pesquisas para a obtenção de novas substâncias, o número de compostos orgânicos aumenta consideravelmente.

Em resumo, a química orgânica é um ramo da química que estuda a estrutura, propriedades, composição, reações, e síntese de compostos orgânicos que, por definição, contêm carbono como principal elemento constituinte, podendo também conter outros elementos como o oxigênio e o hidrogênio. Muitos deles contêm nitrogênio, halogênios e, mais raramente, fósforo e enxofre.

A Tabela Periódica atual traz uma lista com mais de 100 elementos químicos conhecidos, dos quais parte são

artificiais. Entretanto, dentre todos esses elementos, os compostos orgânicos conhecidos, quase em sua totalidade, são formados apenas pelos elementos carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo, enxofre e os halogênios cloro, flúor, bromo e iodo, ou seja, apenas dez elementos !!! As substâncias inorgânicas, que representam apenas 5% de todas as substâncias químicas conhecidas, são formadas da combinação dos mais de 100 elementos da Tabela Periódica.

Como é possível existirem 18 vezes mais compostos formados pela combinação de apenas dez elementos? Quais são as características do carbono que o tornam tão versátil, a ponto de dar origem a um número muito maior de substâncias, combinando-se com apenas mais 9 elementos nas ligações químicas que forma?

É isso o que será visto a seguir

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Capítulo 1 – Introdução à Química Orgânica

3 CARACTÉRISTICAS DO CARBONO

3.1 POSTULADOS DE KEKULÉ

Diante do exposto, formulam-se as seguintes perguntas: por que existem tantos compostos orgânicos com tão poucos elementos? E o que o carbono têm a ver com essa grande variedade?

O principal motivo é o fato de o carbono estabelecer ligações covalentes muito fortes entre si, levando à formação

de anéis ou cadeias carbônicas dos mais diferentes tamanhos e tipos, além de também se ligar fortemente a hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, enxofre e halogênios. Em decorrência disso, geralmente esses elementos costumam estar presentes

nos compostos orgânicos.

Entre

1858

e

1861,

Augusto

Kekulé,

Archebald

Scott

Couper

e

Alexandre

M.

Butlerv,

trabalhando

independentemente, lançaram três postulados que constituem as bases fundamentais da química orgânica.

Postulado: É uma série de afirmações que sustentam uma teoria. Sobre um postulado não cabe qualquer discussão, discute-se apenas se a teoria formulada é coerente com os postulados que foram lançados.

Primeiro postulado: o carbono é tetravalente.

Uma característica importante do carbono é que, por pertencer ao segundo período da tabela periódica e ter quatro elétrons de valência, apresenta uma adequação perfeita para formar quatro ligações.

O carbono sofre um tipo de hibridização de modo a ficar com 4 elétrons desemparelhados na última camada, de

modo que pode estabelecer sempre quatro ligações com os outros átomos.

Segundo postulado: as quatro ligações sigma de um carbono são iguais.

Quando carbono sofre hibridização (sp 3 ), os orbitais híbridos se organizam no espaço segundo os vértices de um tetraedro regular. Isso significa que, tomando-se o exemplo de uma molécula como o clorofórmio, pode se representar a sua fórmula estrutural de qualquer uma das seguintes maneiras.

fórmula estrutural de qualquer uma das seguintes maneiras. FIGURA 1.3 – Maneiras diferentes de se representar

FIGURA 1.3 – Maneiras diferentes de se representar a fórmula estrutural do clorofórmio, CHCl 3 .

Terceiro postulado: O carbono é capaz de formar cadeias com outros átomos de carbono.

O

raio atômico relativamente pequeno e o fato de que o carbono fazer quatro ligações permitem a formação de

cadeias envolvendo milhares de átomos de carbono, ligados uns aos outros, incluindo outros elementos entre carbonos como nitrogênio, oxigênio ou enxofre, ou não. Isso justifica o grande número de compostos orgânicos conhecidos.

o grande número de compostos orgânicos conhecidos. FIGURA 1.4 – Uma cadeia de hidrocarboneto formada por

FIGURA 1.4 – Uma cadeia de hidrocarboneto formada por 17 átomos de carbono.

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Capítulo 1 – Introdução à Química Orgânica

3.2 CONFIGURAÇÃO ELETRÔNICA E HIBRIDIZAÇÃO DO CARBONO

A configuração eletrônica do carbono com base no seu número atômico (Tabela Periódica) pode ser obtida da seguinte forma, de acordo com a ordem crescente de energia:

6 C: 1s 2 2s 2 2p 2

O carbono tem um número atômico igual a 6 e o átomo neutro tem, obrigatoriamente, igual número de elétrons, ou seja, seis. Esses elétrons estão distribuídos nos subníveis de acordo com o princípio da construção, que leva à distribuição (ou configuração eletrônica) mostrada acima 5 .

HIBRIDIZAÇÃO

A

hibridização

consiste

na

interação

de

orbitais

atômicos

incompletos,

que

se

transformam, originando novos orbitais, em igual número. Estes novos orbitais são denominados orbitais híbridos.

Esses novos orbitais são idênticos entre si e, assim, justifica-se que as ligações na molécula do CH 4 sejam idênticas também. Todavia, o carbono também pode fazer ligações duplas e triplas, levando a diferentes arranjos estruturais nas moléculas formadas por este elemento. Essas diferentes possibilidades podem ser explicadas de maneira semelhante àquela para a molécula de CH 4 ; admitem-se três tipos de hibridização para o carbono: sp 3 , sp 2 e sp. O nome de cada um desses tipos indica como os orbitais híbridos se formam.

Hibridização sp 3 – Ocorre a partir da fusão de um orbital atômico s com três orbitais p, gerando quatro orbitais híbridos do tipo sp 3 . Como ocorre o processo?

A teoria diz que, para acontecer a hibridização sp 3 , acontecem duas etapas ilustradas na figura 5 a seguir:

(a)
(a)
(b)
(b)

1 o – O elétron do orbital s (no subnível 2s) ganha energia e “salta” para um orbital vazio e mais energético, o 2pz (Figura 5a).

2 o – Os elétrons dos orbitais 2px, 2py e 2pz do subnível 2p perdem energia e passam a ocupar, cada um, orbitais de menor energia (comparar o quadro da esquerda, Figura 5a, com o quadro da direita, Figura 5b). Nesse momento, os quatro orbitais, cada um deles com um elétron, já se fundiram dando origem a quatro orbitais de mesma energia e mesmo formato.

(c)
(c)

FIGURA 1.5 – O orbital s e os orbitais p do carbono hibridizam formando quatro orbitais sp 3 direcionados aos vértices de um tetraedro.

sp 3 direcionados aos vértices de um tetraedro. Os orbitais híbridos sp 3 do átomo de

Os orbitais híbridos sp 3 do átomo de carbono e os orbitais s dos átomos de hidrogênio (molécula de metano CH 4 ) se interpenetram formando quatro ligações σ iguais entre si. Uma ligação sigma é aquela em que os orbitais ligantes se encontram frontalmente.

5 A distribuição eletrônica diz como os elétrons encontram-se distribuídos em torno do núcleo de um átomo em níveis e subníveis. A

ordem dos subníveis pode ser obtida do diagrama de Linus Pauling e é: 1s, 2s, 2p, 3s, 3p, 4s, 3d, 4p, 5s, 4d, 5p, 6s, 4f, 5d, 6p, 7s assunto faz parte do programa da disciplina de Química Geral e mais detalhes podem ser encontrados nos livros de Química Geral.

Esse

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Capítulo 1 – Introdução à Química Orgânica

Hibridização sp 2 – leva à formação de uma ligação dupla. Nessa hibridização, apenas dois dos três orbitais p se “misturam” com o orbital s, formando apenas 3 orbitais híbridos, do tipo sp 2 . Esses orbitais formarão 3 ligações sigma (). O orbital p “puro”, que não se hibridizou, será usado para a ligação dupla. Como a interação desse orbital com o orbital p de outro átomo não é frontal, mas sim lateral, denominamos ligação pi (). A ligação pi se forma quando dois orbitais p estão paralelos entre si.

se forma quando dois orbitais p estão paralelos entre si. FIGURA 6 – O orbital s
se forma quando dois orbitais p estão paralelos entre si. FIGURA 6 – O orbital s
se forma quando dois orbitais p estão paralelos entre si. FIGURA 6 – O orbital s

FIGURA 6 – O orbital s e os orbitais p do carbono se hibridizam formando três orbitais sp 2 com ângulos de 120º.

O elétron do orbital do subnível 2s ganha energia e passa a ocupar um orbital mais energético, e os elétrons dos orbitais 2py e 2pz do subnível p perdem energia e passam a ocupar, cada um, orbitais de menor energia (comparar o quadro da esquerda com o quadro da direita na figura 5). Os orbitais híbridos sp 2 ficam no mesmo plano, formando ângulos de 120 o entre si e o orbital p puro permanece perpendicular a esse plano. Os três orbitais híbridos são denominados de sp 2 e os elétrons passam a ter a mesma energia. O elétron que permaneceu no orbital 2px é chamado de “p puro” e possui energia superior a dos orbitais híbridos.

puro” e possui energia superior a dos orbitais híbridos. Hibridização sp – A hibridização sp é

Hibridização sp – A hibridização sp é obtida pela existência de uma ligação tripla σ e duas ligações π. Em vista disso após sofrer hibridização, ainda resta no átomo de carbono dois orbitais p puros.

ainda resta no átomo de carbono dois orbitais p puros. FIGURA 7 – O orbital s
ainda resta no átomo de carbono dois orbitais p puros. FIGURA 7 – O orbital s
ainda resta no átomo de carbono dois orbitais p puros. FIGURA 7 – O orbital s

FIGURA 7 – O orbital s e um orbital p do carbono se hibridizam formando dois orbitais sp com ângulo de 180º. Sobram, portanto, dois orbitais p “puros”.

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Capítulo 1 – Introdução à Química Orgânica

O elétron do orbital do subnível 2s ganha energia e passa a ocupar um orbital mais energético, e o elétron do orbital

2pz do subnível p perde energia e passa a ocupar um orbital de menor energia (comparar o quadro da esquerda com o

quadro da direita).

Trata-se de carbono "insaturado” com duas duplas ligações ou com uma tripla e uma simples ligações (duas ligações do tipo σ e duas do tipo π).

ligações (duas ligações do tipo σ e duas do tipo π). Os dois orbitais híbridos são

Os dois orbitais híbridos são denominados de sp e os elétrons passam a ter a mesma energia. Os elétrons que permanecem nos orbitais 2px e 2py são chamados de “p puro” e possui energia superior a dos orbitais híbridos.

Recapitulando

O carbono é versátil, sendo capaz de se ligar a outros átomos de carbono e, também, a átomos de muitos outros

diferentes elementos químicos graças à seu tamanho e número de elétrons existentes da camada de valência (quatro).

Dessa forma, podem se formar cadeias de átomos com diferentes estruturas e de diferentes tamanhos.

A versatilidade também é devida às diferentes hibridizações que o átomo de carbono pode sofrer. Assim, com a

hibridização sp 3 formam-se quatro orbitais híbridos sp 3 através dos quais o carbono faz quatro ligações (sigma), que são ligações simples. Quando se hibridiza sp 2 , ficam três orbitais híbridos e um orbital puro, p, que fará a ligação (pi). Nesse caso, o carbono faz uma ligação dupla e duas ligações simples. A outra possibilidade é a da hibridização sp. Nesse caso, o carbono fará ou duas ligações duplas, ou uma ligação tripla com outra ligação simples.

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Capítulo 2 – Hidrocarbonetos e Fórmulas Estruturais

CAPÍTULO 2 – HIDROCARBONETOS E FÓRMULAS ESTRUTURAIS

1 LIGAÇÕES COVALENTES CARBONO – CARBONO

A capacidade de o carbono formar ligações covalentes fortes com outros átomos de carbono é a propriedade – que

mais que qualquer outra – explica a própria existência da Química Orgânica como campo de estudo dentro da Química. É esta propriedade que explica também, pelo menos em parte, o fato de o carbono ser o elemento em torno do qual se organiza a maioria das moléculas dos organismos vivos. Um composto orgânico pode ser formado apenas por átomos de carbono e hidrogênio, ou também conter outros elementos, tais como oxigênio, nitrogênio, halogênios, enxofre e/ou fósforo na molécula. Quando a molécula orgânica apresenta apenas átomos de carbono e hidrogênio, o composto é denominado hidrocarboneto. Os hidrocarbonetos podem ser classificados como alcanos, alcenos, alcinos ou aromáticos, conforme os tipos de ligações que forme. Nos alcanos, só existem ligações simples. Os hidrocarbonetos cujas moléculas têm uma ligação dupla carbono – carbono são denominados alcenos ou alquenos, e os que possuem pelo menos uma tripla ligação são os alcinos ou alquinos. Os hidrocarbonetos com o anel especial (benzeno), são os hidrocarbonetos aromáticos.

1.1 ALCANOS – METANO E ETANO

O metano (CH 4 ) e o etano (C 2 H 6 ) são dois exemplos de alcanos. São duas substâncias gasosas e constituem o gás

natural, combustível usado em aquecedores residenciais e em automóveis. Duas maneiras de representar as estruturas do metano e do etano que evidenciam o arranjo tetraédrico dos átomos em torno do carbono, podem ser observadas abaixo.

átomos em torno do carbono, podem ser observadas abaixo. Os ângulos entre as ligações existentes em

Os ângulos entre as ligações existentes em torno do átomo de carbono do metano, ou em torno dos átomos de carbono do etano e de todos os alcanos, são 109º 28’ ou, aproximadamente, 109,5º. Esses ângulos geram um arranjo em que as ligações ficam apontadas para os quatro vértices de um tetraedro, e assim, a geometria molecular é chamada de geometria tetraédrica. Todas as ligações são sigma (σ).

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Capítulo 2 – Hidrocarbonetos e Fórmulas Estruturais

Os alcanos são hidrocarbonetos onde só existem ligações simples. Esses compostos também são denominados de hidrocarbonetos saturados, porque contêm o número máximo de átomos de hidrogênio possível. As principais fontes de alcanos são o gás natural e o petróleo. Os alcanos menores (metano até butano) são gases à temperatura ambiente. A mistura dos gases propano e butano (C 3 H 8 e C 4 H 10 ) forma o Gás Liquefeito de Petróleo, o GLP, usado em botijões de gás como combustível para fogão. Os alcanos de maior peso molecular são obtidos principalmente através do refinamento do petróleo. A gasolina, o querosene e o óleo diesel são misturas de hidrocarbonetos, na sua maioria alcanos, no estado líquido.

1.2 ALQUENOS: HIDROCARBONETOS COM DUPLA LIGAÇÃO CARBONO – CARBONO; ETENO E PROPENO

Além de quatro ligações simples, cada uma das quais com outros quatro átomos diferentes, o carbono pode fazer ainda ligações múltiplas (duplas ou triplas). A ligação dupla é o compartilhamento de dois pares de elétrons; uma dessas ligações é sigma, envolvendo orbitais híbridos sp 2 e a outra é uma ligação pi, envolvendo orbitais “puros” (que não se hibridizaram). Os alcenos são hidrocarbonetos onde existe, pelo menos, uma ligação dupla entre dois átomos de carbono. A figura abaixo mostra a estrutura do eteno (também conhecido como etileno) e do propeno e, mais abaixo, está a estrutura do eteno mostrando seus ângulos de ligação (aproximadamente 120º).

seus ângulos de ligação ( aproximadamente 120º ). Eteno e propeno, os dois alcenos mais simples,
seus ângulos de ligação ( aproximadamente 120º ). Eteno e propeno, os dois alcenos mais simples,

Eteno e propeno, os dois alcenos mais simples, estão entre os mais importantes produtos químicos industriais produzidos nos Estados Unidos. A cada ano as indústrias químicas produzem mais de 15 milhões de toneladas de eteno e cerca de 7,5 milhões de toneladas de propeno. Eteno é usado como matéria-prima para a síntese de diversos compostos industriais, incluindo etanol, óxio de etileno, etanal e o polímero polietileno. Propeno é usado na preparação do polímero polipropileno e, além de outros usos, o propeno é a matéria-prima para a síntese da acetona. Eteno também ocorre na natureza como hormônio de plantas. É produzido naturalmente por frutos tais como tomates e bananas, estando ainda envolvido no processo de amadurecimento dessas frutas. Hoje em dia se faz muito uso de eteno no comércio de frutas para causar o amadurecimento de tomates e bananas colhidos ainda verdes, já que frutas verdes são menos suscetíveis a danos durante o transporte.

1.3 ROTAÇÃO LIMITADA E DUPLA LIGAÇÃO

O modelo σ (sigma) e π (pi) da dupla ligação carbono – carbono também explica uma importante propriedade da dupla ligação: há uma grande barreira à rotação livre associada aos grupos ligados por uma dupla ligação. A máxima superposição entre os orbitais p da ligação π ocorre quando os eixos dos orbitais p forem exatamente paralelos. A rotação, por 90º, de um dos carbonos da dupla ligação, rompe a ligação π, pois então os orbitais p ficam mutuamente perpendiculares e não há superposição real entre eles.

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Capítulo 2 – Hidrocarbonetos e Fórmulas Estruturais

Esse impedimento não existe entre átomos que estão ligados por ligações sigma apenas (ligações simples). A impossibilidade de ocorrência de rotação em torno da ligação pi faz surgir os isômeros geométricos, também denominados isômeros cis-trans, que serão mostrados mais à frente.

cis - trans , que serão mostrados mais à frente. 1.4 ALQUINOS: COMPOSTOS COM LIGAÇÃO TRIPLA

1.4 ALQUINOS: COMPOSTOS COM LIGAÇÃO TRIPLA CARBONO – CARBONO; ETINO (ACETILENO) E

PROPINO

Os hidrocarbonetos nos quais dois átomos de carbono compartilham mutuamente três pares de elétrons, e assim se ligam por uma ligação tripla, são chamados alcinos ou alquinos. Os dois alquinos mais simples são o etino e o propino. O etino, composto também conhecido como acetileno, é constituído por moléculas lineares. É o alcino mais simples. Alcinos ocorrem na natureza e podem ser sintetizados em laboratório. Um exemplo de aplicação do acetileno é a produção do PVC (policloreto de vinila), etanol e ácido acético Os ângulos das ligações hidrogênio – carbono – carbono – hidrogênio nas moléculas do etino valem 180º.

EXERCÍCIOS DE REVISÃO

nas moléculas do etino valem 180º. EXERCÍCIOS DE REVISÃO 01. O carbono faz ligações simples, duplas

01. O carbono faz ligações simples, duplas e triplas. No total, são quatro ligações que um átomo de carbono pode fazer. Assim, um átomo de carbono pode fazer quatro ligações simples, ou então duas ligações simples e uma dupla, ou duas ligações duplas ou uma ligação simples e uma ligação tripla. Desenhe quatro estruturas de hidrocarbonetos (contêm apenas hidrogênio e carbono), para representar as diferentes possibilidades de ligações que o carbono pode fazer.

02. Classifique os hidrocarbonetos a seguir como alcano, alceno, alcino ou aromático.

H

H

H

C C
C
C

H H

H

H

C C
C
C

H H

alceno, alcino ou aromático. H H H C C H H H H C C H
H H C C H H H C C C H H
H H
C
C
H
H
H
C
C
C
H
H

H

CH 3

C H H H H C C H H H H C C H H H

03. Classifique os carbonos destacados com setas nas figuras a seguir como sp 3 , sp 2 ou sp.

H

C C H H H
C
C
H
H H

H

C C H
C
C
H
H H C C C H H H
H
H
C
C
C
H
H
H

H

C H H CH 3
C
H
H
CH 3

H

04. Classifique todas as ligações nos compostos a seguir como pi () ou sigma ():

H C C H H H
H
C
C
H
H
H

H

C C
C
C

H

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Capítulo 2 – Hidrocarbonetos e Fórmulas Estruturais

2 FÓRMULAS ESTRUTURAIS

Uma fórmula estrutural é a representação de uma molécula evidenciando as ligações existentes entre os átomos que dela fazem parte. Representamos um composto orgânico por fórmulas estruturais porque queremos saber a quem e como os átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio etc. estão ligados. E por que é importante saber isso? Os compostos inorgânicos geralmente são representados única e exclusivamente através de suas fórmulas moleculares (apenas compostos covalentes) ou unidades formais (todos os compostos, orgânicos e iônicos). Assim, por

exemplo, H 2 SO 4 , NaC, H 2 O e NH 3 são as unidades formais do ácido sulfúrico, cloreto de sódio (principal componente do sal de cozinha), água e amônia respectivamente. Todas as fórmulas moleculares ou unidades formais acima representam bem os compostos citados, e não deixam dúvida quanto ao composto a que representam. Por exemplo, ao ver no rótulo de

um recipiente a fórmula HC, você não terá dúvida de que se trata do ácido clorídrico, ou se encontrar um frasco escrito NaHCO 3 , saberá que se trata do sal bicarbonato de sódio, muito usado para limpeza dos dentes. Todavia, não é sempre assim quando se trata de um composto orgânico. Na verdade, a grande maioria dos compostos orgânicos não pode ser adequadamente representada por uma fórmula molecular. Para ilustrar esse fato, vamos usar como exemplo o etanol e o éter dimetílico, que apresentam a mesma fórmula molecular: C 2 H 6 O. Essas duas substâncias são totalmente diferentes, como é possível observar na tabela 1 a seguir:

Tabela 2.1 – Propriedades do álcool etílico e do éter dimetílico.

Álcool etílico

Éter dimetílico

Ponto de ebulição (ºC)

78,5

– 24,9

Ponto de fusão (ºC)

– 117,3

– 138

Conforme é possível observar na tabela 1 acima, à temperatura ambiente, em torno de 25 a 29 o C, o etanol é um líquido e o éter dimetílico, um gás. Se dermos uma olhada nas fórmulas estruturais, na figura a seguir, perceberemos a diferença entre eles.

H H H H H C C OH H C O C H H H
H
H
H
H
H
C
C
OH
H
C
O
C
H
H
H
H
H
(a)
(b)

Figura 2.1 – Estruturas do etanol (a), e do éter dimetílico (b). Ambas têm a mesma fórmula molecular, ou seja, C 2 H 6 O.

O etanol e o éter dimetílico, cujas estruturas estão mostradas na figura acima, são denominados isômeros.

Isômeros são compostos que têm a mesma fórmula molecular, mas são substâncias diferentes (apresentam estruturas diferentes).

Devido à versatilidade do átomo de carbono, que pode formar uma quantidade virtualmente enorme de diferentes compostos com as mais variadas formas estruturais, uma fórmula molecular não é representativa de uma substância orgânica, sendo, portanto, imprescindível a representação estrutural.

A Teoria estrutural permitiu aos químicos orgânicos antigos solucionar o problema do isomerismo. Estes químicos encontravam freqüentemente exemplos de compostos diferentes que tinham a mesma fórmula molecular, tais como o etanol e o éter dimetílico, que são isômeros.

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Capítulo 2 – Hidrocarbonetos e Fórmulas Estruturais

Existem diferentes formas de se representar a estrutura de uma molécula orgânica. A seguir estão mostradas as fórmulas estruturais mais importantes:

H

H H H H C C C C O H H H H
H
H H
H
C
C
C
C O
H
H
H H

CH 3 CH 2 CH 2 CH 2 OH

H CH 3 (CH 2 ) 3 OH

Fórmulas estruturais condensadas

Fórmula estrutural desenvolvida

estruturais condensadas Fórmula estrutural desenvolvida OH Fórmulas estruturais de linhas Fórmula estrutural

OH

Fórmulas estruturais de linhas

estrutural desenvolvida OH Fórmulas estruturais de linhas Fórmula estrutural bola-bastão H 3 C H Br H
Fórmula estrutural bola-bastão H 3 C H Br H H H
Fórmula estrutural bola-bastão
H 3 C
H
Br
H
H
H
OH H H H H
OH
H
H
H
H

Fórmula estrutural em perspectiva

H

H 3 C Br H
H
3 C
Br
H

H

H H

H H H C OH H OH (CH 2 ) 3 CH 3 (CH 2
H
H
H
C
OH
H
OH
(CH 2 ) 3 CH 3
(CH 2 ) 3 CH 3
Projeção de Fisher
H
Br
CH 3
H
H
H
H
H
H H

Representação em cavalete

Projeção de Newman

H

EXERCÍCIOS DE REVISÃO

01. Proponha

fórmulas

estruturais desenvolvidas e

fórmulas

moleculares a seguir e diga se há isômeros ou se não há:

(a) C 2 H 6

(b) C 2 H 4

(c) C 3 H 8

(d) C 4 H 10

(e) C 5 H 8

estruturais

(f) C 5 H 12

02.

Escreva a fórmula molecular para cada uma das estruturas a seguir:

H

H

H

C C
C
C

H H

H

H

C C
C
C

H H

uma das estruturas a seguir: H H H C C H H H H C C
H H C C H H H C C C H H
H H
C
C
H
H
H
C
C
C
H
H

H

em

linhas

para

CH 3

H H H H C C H H H C C C H H H em

cada

uma

das

fórmulas

H

H

C H H
C
H
H

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Capítulo 3 – Funções Orgânicas e Nomenclatura

CAPÍTULO 3 – FUNÇÕES ORGÂNICAS E NOMENCLATURA

1 FUNÇÕES ORGÂNICAS

Uma função química é uma classe de compostos com características químicas semelhantes. Para fins de sistematização e facilitar o estudo dos compostos orgânicos, estes foram classificados em diferentes grupos de compostos, denominados de funções orgânicas, de acordo com a presença ou ausência dos grupos funcionais. Um grupo funcional é uma porção da molécula contendo, geralmente, um átomo diferente do carbono e do hidrogênio. Por exemplo, um composto orgânico que contenha o átomo de cloro ou iodo ligado, será classificado como haleto orgânico, devido à presença de um halogênio (flúor, cloro, bromo e iodo são os halogênios). São exemplos de funções orgânicas os álcoois, ácidos carboxílicos, cetonas, éteres, ésteres, aminas, amidas, tióis, ácidos sulfônicos etc. Um Quadro na página 19 traz um resumo com as principais funções orgânicas, seus grupos funcionais, nomenclatura e exemplos de compostos.

As funções orgânicas são definidas de acordo com a presença dos grupos funcionais. Um composto orgânico pode

apresentar mais de uma função, conforme apresente dois, três ou mais grupos funcionais diferentes, tratam-se de funções mistas. Para a nomenclatura de funções mistas, deve-se eleger a função principal e os grupos funcionais das demais funções deverão ser considerados ramificações.

A seguir serão apresentados maiores detalhes a respeito de algumas das principais funções orgânicas, começando

pelos haletos orgânicos ou haletos de alquila.

1.1 HALETOS DE ALQUILA OU HALOALCANOS

Os haletos orgânicos são compostos nos quais um átomo de halogênio (F, C, Br ou I) substitui um átomo de hidrogênio em um alcano.

Exemplos: CH 3 C(cloreto de metila ou clorometano); CH 3 CH 2 C(Cloreto de etila); CH 3 CH 2 Br (Brometo de etila). Os haletos de alquila são classificados como primários, secundários ou terciários. Esta classificação refere-se ao átomo de carbono ao qual o halogênio está diretamente ligado, como já discutido anteriormente.

1.2 ÁLCOOIS

O grupo funcional característico para esta família é a hidroxila (–OH) ligada a um átomo de carbono com

hibridização sp 3 .

Os álcoois podem ser reconhecidos estruturalmente de dois modos: a) como derivados hidroxi de alcanos; b) Como derivados alquilados da água.

(a)

CH 3 CH 3

b) Como derivados alquilados da água. (a) CH 3 CH 3 CH 3 CH 2 O

CH 3 CH 2

O

H

(b)

H

H

da água. (a) CH 3 CH 3 CH 3 CH 2 O H (b) H H

O

da água. (a) CH 3 CH 3 CH 3 CH 2 O H (b) H H

CH 3 CH 2

O

H

Assim como os haletos de alquila, os álcoois são classificados em três grupos: primários, secundários e terciários. Esta classificação baseia-se no grau de substituição do carbono ao qual o grupo hidroxila está diretamente ligado, de modo análogo ao haleto de alquila.

1.3 ÉTERES

Possuem a fórmula geral R-O-R ou R-O-R’, onde R’ pode ser um grupo alquila (ou fenila) diferente de R. Éteres podem ser vistos como derivados da água em que ambos os átomos de hidrogênio foram substituídos por grupos alquila.

H

H

O

R

hidrogênio foram substituídos por grupos alquila. H H O R R O Um éter muito comum,

R

O

Um éter muito comum, usado para assepsia em hospitais, é o éter etílico ou etóxi-etano:

CH 3 CH 2 –O–CH 2 CH 3

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Capítulo 3 – Funções Orgânicas e Nomenclatura

1.4 AMINAS

Assim como os álcoois e os éteres podem ser considerados derivados orgânicos da água, as aminas podem ser consideradas como derivados orgânicos da amônia. Portanto, uma amina é uma molécula da amônia com um átomo ou mais de hidrogênio substituído por um grupo alquila. As aminas podem ser classificadas como primárias, secundárias e terciárias. Esta classificação baseia-se no número de grupos orgânicos que estão ligados ao átomo de nitrogênio.

CH 3 CH 2

1.5 ALDEÍDOS E CETONAS

CH 2 CH 3 N CH 2 CH 3
CH 2 CH 3
N
CH 2 CH 3

Trietilamina (n,n-dietil-etanamina)

Aldeídos e cetonas, também conhecidos como compostos carbonilados, são compostos que contêm o grupo carbonila, um grupo no qual um átomo de carbono se liga ao oxigênio por uma ligação dupla, ou seja um carbono sp 2 :

Grupo carbonilapor uma ligação dupla, ou seja um carbono sp 2 : O grupo carbonila nos aldeídos

O grupo carbonila nos aldeídos está ligado a pelo menos um átomo de hidrogênio, e nas cetonas está ligado a dois átomos de carbono.

Fórmula geral de um aldeído

O H R C
O
H
R
C

R pode ser H também

Fórmula geral de cetonas

O H R C R pode ser H também Fórmula geral de cetonas Exemplos de compostos

Exemplos de compostos carbonilados:

O

H C H Formaldeído
H
C
H
Formaldeído

O

CH 3 C H
CH 3 C
H

Acetaldeído

R

O O C R ou R C
O
O
C
R
ou
R
C

R'

O

C 6 H 5 C H Benzaldeído
C 6 H 5
C
H
Benzaldeído
O CH 3 C CH 3 Acetona
O
CH 3 C
CH 3
Acetona
O CH 3 CH 2 C CH 3 Etilmetil cetona
O
CH 3 CH 2 C
CH 3
Etilmetil cetona

1.6 ÁCIDOS CARBOXÍLICOS, AMIDAS E ÉSTERES

São grupos que, assim como o aldeído, também possuem uma carbonila, porém o hidrogênio é substituído por outro grupamento.

1.6.1 Ácidos carboxílicos

Possuem fórmula geral RCO-OH. O grupo funcional é chamado de grupo carboxila (carbonila + hidroxila).

Exemplos:

H

O

de grupo carboxila (carbonila + hidroxila). Exemplos: H O OH Ácido fórmico O R C OH

OH

Ácido fórmico

O

R C OH Grupo funcional
R
C
OH
Grupo funcional

O

CH 3 C OH Ácido acético
CH 3
C
OH
Ácido acético

O

C 6 H 5 C OH Ácido benzóico
C 6 H 5
C
OH
Ácido benzóico

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Capítulo 3 – Funções Orgânicas e Nomenclatura

1.6.2 Amidas

Possuem as fórmulas gerais RCO-NH 2 , RCO-NHR’, RCO-NR’R’’.

Exemplos:

1.6.3 Éster

O

R C NH 2 Amidas primárias
R
C
NH 2
Amidas primárias

R

O C N
O
C
N

H

R' Amidas Secundárias

O

O

CH 3 C NH 2

CH 3 C

NH 2

CH 3 C NH

CH 3 C

NH

CH 3

Acetamida

N-Metilacetamida

R

O C N
O
C
N

R''

R'

Amidas Terciária O CH 3 C N CH 3
Amidas Terciária
O
CH 3 C
N
CH 3

CH 3

N,N-Dimetilacetamid

É um derivado do ácido carboxílico, formado a partir da reação desse ácido com um álcool. Possuem fórmula geral RCO-OR ou RCO-OR’.

R

O O C O R R C O
O
O
C
O
R R
C
O

Fórmulas gerais

R'

O CH 3 C O
O
CH 3 C
O

CH 2 CH 3

Ex: Acetato de etila

Podemos dizer que o acetato de etila, mostrado na fórmula acima, é um derivado do ácido acético obtido através da reação desse ácido com o álcool etílico (etanol), conforme a equação:

O CH 3 C OH
O
CH 3 C
OH

1.7 NITRILAS

+

CH 3 CH 2 OH

O CH 3 C O
O
CH 3 C
O

+

CH 2 CH 3

H 2 O

Possuem fórmula geral R-CN. O carbono e o nitrogênio de uma nitrila possuem hibridização do tipo sp.

Exemplos: CH 3 C N Etanonitrila
Exemplos:
CH 3
C
N
Etanonitrila

CH 3 CH 2 CH 2 C butanonitrila

N Etanonitrila CH 3 CH 2 CH 2 C butanonitrila N CH 2 CH N propenonitrila

N

CH 2 CH

CH 3 CH 2 CH 2 C butanonitrila N CH 2 CH N propenonitrila CH 2

NCH 3 CH 2 CH 2 C butanonitrila N CH 2 CH propenonitrila CH 2 CHCH

propenonitrila

CH 2 CHCH 2 CH 2 C

CH 2 CH N propenonitrila CH 2 CHCH 2 CH 2 C N 4-Pentenonitrila Quando são
CH 2 CH N propenonitrila CH 2 CHCH 2 CH 2 C N 4-Pentenonitrila Quando são

N

4-Pentenonitrila

Quando são cíclicas as nitrilas, o sufixo passa a ser carbonitrilas:

Ccíclicas as nitrilas, o sufixo passa a ser carbonitrilas: N B e n z e n

cíclicas as nitrilas, o sufixo passa a ser carbonitrilas: C N B e n z e

N

Benzenocarbonitrila

CC N B e n z e n o c a r b o n i

N

Ciclohexanocarbonitril

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Capítulo 3 – Funções Orgânicas e Nomenclatura

Quadro 3.1 – Resumo das principais funções orgânicas, seus grupos funcionais, fórmula geral, exemplos e nomes.

Função Orgânica Grupo Funcional Fórmula Geral Exemplo Específico Nome IUPAC Nome comum Alcano C RH
Função Orgânica
Grupo Funcional
Fórmula Geral
Exemplo Específico
Nome IUPAC
Nome comum
Alcano
C
RH
CH 3 CH 2 CH 3
Propano
Propano
e C – H
RCH=CH 2
Alceno
C
RCH=CHR’
H
2 C=CH 2
Eteno
Etileno
RR’’C=CHR’
RC
CH
Alcino
C
HC
CH
Etino
Acetileno
RC
CR'
C
Cn
Cicloalcano
Anel alifático
Ciclohexano
Ciclohexano
Hidrocarboneto Aromático
Anel aromático
ArH
Benzeno
Benzeno
C
OH
Álcool
ROH
CH 3 CH 2 OH
Etanol
Álcool Etílico
(hidroxila)
OH
Enol
ROH
H 2 C
C
Etenol
Etenol
OH
H
OH
OH
Fenol
Ar – OH
hidroxibenzeno
Fenol
Éter
C – O – C
ROR’
CH 3 – O –CH 2 CH 3
Metoxietano
Éter etil-metílico
O
O
Cetona
Propanona
Acetona
C
C
CH 3 CCH 3
C (carbonila)
O
O
O
O
O
Aldeído
Etanal
Acetaldeído
RCH
ou HCH
C H 3 C H
C
C
H
H
C
H
O
O
Ácido carboxílico
CH 3 COOH
Ácido etanóico
Ácido acético
C
RCR'
OH (carboxila)
O
Éster
RCOOR’
CH 3 COOCH 2 CH 3
Etanoato de etila
Acetato de etila
C
O
C
Funções oxigenadas
Hidrocarbonetos alifáticos

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19

Capítulo 3 – Funções Orgânicas e Nomenclatura

Quadro 3.1 – Resumo das principais funções orgânicas, seus grupos funcionais, fórmula geral, exemplos e nomes – continuação.

 

Função Orgânica

Grupo Funcional

Fórmula Geral

Exemplo Específico

Nome IUPAC

Nome comum

 

Amina

C N
C
N

RNH 2 (amina primária) RR’NH (amina secundária) RR’NR’’ (amina terciária)

 

CH 3 NH 2

 

Metanamina

Metilamina

   

O

     
Metilamina     O       O RCNH 2 Funções nitrogenadas Amida C N O

O

RCNH 2

Funções nitrogenadas

Amida

C N

C

N
N

O

O
 

O

O

Etanamida

Acetamida

RCNHR'

 

H

3 CCNH 2

 

O

 
 
 

RCNR'R''

Nitrocomposto

– NO 2

RNO 2

O

2 N

CH 3

2 N CH 3

NO 2

2-metil-1,3,5-trinitrobenzeno

Trinitrotolueno (TNT, um explosivo importante)

   

NO 2

Nitrila

C
C

N

RCN

 

CH 3 CN

 

Etanonitrila

Acetonitrila ou cianeto de metila

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20

Parte 3 – Funções Orgânicas e Nomenclatura

2 CLASSIFICAÇÃO DO CARBONO E DAS CADEIAS CARBÔNICAS

As cadeias carbônicas podem ser classificadas de acordo com a existência ou não de ligações múltiplas, de ramificações, de anel benzênico ou outro grupo aromático, de átomo de elemento químico diferente do carbono ligado entre dois átomos de carbono e da forma da cadeia, se aberta ou fechada. O quadro a seguir resume tudo isso:

Característica a classificar

Classificação

 

Exemplos

 
   
      CH 3 CH CH 3 H H CH 2 2 C 2 C
 

CH 3

CH
CH

CH 3

H

H

CH 2
CH
2

2 C

2 C

CH

2

CH

CH

2

Presença/ausência de ligações múltiplas

Saturada

CH 3 CH 2 CH 3

 

CH 3

2

Insaturada

HC

Insaturada HC CHCH 3   CH 3 CH CH 3 CH 2 HC HC CH 2

CHCH 3

 

CH 3

CH
CH

CH 3

CH 2
CH
2

HC

HC

CH

2

CH

CH

2

     

CH 3

2

     

CH

2

Alifática

CH 3 CH 2 CH 3 3 CH 2 CH 3

 

CH 3

CH
CH

CH 3

CH 3

H

H

H H 2 C 2 C CH 2 CH CH

2 C

2 C

CH

2

CH

CH

2

2

Presença/ausência de grupo aromático

Aromática

 
 Presença/ausência de grupo aromático Aromática     CH 3 CH 3 CH CH 2 CH
 
CH 3

CH 3

CH 3

CH
CH

CH 2

CH 3

Presença/ausência e

Homogênea

CH 3 CH 2 CH 3 3 CH 2 CH 3

 Presença/ausência e Homogênea CH 3 CH 2 CH 3 CH 3 CH 2 CH 2

CH 3 CH 2 CH 2 OH

CH 3 CH 2 CH 2 C 

CH 3 CH 2 CH 2 C

heteroátomo

Heterogênea

 

CH 3 CH 2 OCH 3

 

CH 3 SCH 3

 

Normal

 
  Normal   CH 3 CH 2 CH 3   HC CHCH 3

CH 3 CH 2 CH 3

 

HC

HC CHCH 3

CHCH 3

Presença/ausência de ramificação

   

CH 3

CH
CH

CH 2

CH 3

 

Ramificada

 

CH 3

CH
CH

CH 3

 
   

CH 3

 
 

Aberta (acíclica)

 
  Aberta (acíclica)   CH 3 CH 2 CH 3   CH 3 CH CH 3

CH 3 CH 2 CH 3

 

CH 3

CH
CH

CH 3

 

CH 3

Forma da cadeia

Fechada (cíclica)

 

H

H

CH 2
CH
2

2 C

2 C

CH

CH

CH

2

2

CH

2

CH 2 CH
CH 2
CH

HC

HC

CH 3

 
 

2

CH

2

O carbono também pode ser classificado como primário, secundário ou terciário, de acordo com o número de outros átomos de carbono ligados diretamente nele. Essa classificação é importante porque muitas reações químicas envolvendo compostos orgânicos dependem do tipo de carbono ao qual um grupo funcional está ligado. Sejam, por exemplo, três diferentes compostos orgânicos halogenados, mostrados a seguir. Dependendo do carbono ao qual o halogênio está ligado, podemos classificar também o haleto orgânico como primário, secundário ou terciário:

H

Carbono primário

H H C C Cl
H
H
C
C
Cl

H H

H H H H C C C H H Cl H Carbono secundário
H H
H
H
C
C
C
H
H
Cl
H
Carbono secundário
Carbono terciário CH 3 H 3 C C Cl
Carbono terciário
CH 3
H 3 C
C
Cl

CH 3

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Parte 3 – Funções Orgânicas e Nomenclatura

3 NOMENCLATURA DE COMPOSTOS ORGÂNICOS

Para os compostos orgânicos, a nomenclatura é tão importante quanto a fórmula estrutural porque, dada a grande quantidade de compostos orgânicos existentes e mais aqueles que são descobertos ou sintetizados a cada dia, um nome sistemático e que não permita ambigüidades precisa ser dado a cada um deles. Para isso, a IUPAC (International Union for Pure and Aplied Chemistry) criou um sistema de nomenclatura que leva em consideração, basicamente, três aspectos:

- A quantidade de átomos de carbono na cadeia principal;

- A existência de ligações duplas e/ou triplas entre átomos de carbono, ou sua ausência na cadeia principal;

- A função orgânica, se é álcool, ácido carboxílico, cetona etc. ou, simplesmente, hidrocarboneto.

A

tabela a seguir faz um resumo das regras de nomenclatura para esses três aspectos:

Prefixo Indica o número de átomos de carbono na cadeia principal

N o carbonos

Prefixo

N o carbonos

Prefixo

N o carbonos

Prefixo

1

Met

11

Undec

21

Eneicos

2

Et

12

Dodec

22

Dodeicos

3

Prop

13

Tridec

23

Trieicos

4

But

14

Tetradec

30

Triacont

5

Pent

15

Pentadec

31

Untriacont

6

Hex

16

Hexadec

32

Dotriacont

7

Hept

17

Heptadec

40

Tetracont

8

Oct

18

Octadec

50

Pentacont

9

Non

19

Nonadec

60

Hexacont

10

Dec

20

Eicos

70

Heptacont

Infixo – Indica a existência de ligações múltiplas (duplas, triplas) entre átomos de carbono na cadeia principal.

Ligações

Infixo

 

Ligações

Infixo

Só simples

an

 

1 tripla

in

1 dupla

en

 

2 triplas

diin

2 duplas

dien

1 dupla e 1 tripla

enin

3 duplas

trien

2

duplas e 1 tripla

dienin

4 duplas

tetraen

2

duplas e 3 triplas

dientriin

Sufixo – Informa a função orgânica do composto

Função

Sufixo

Função

Sufixo

hidrocarboneto

o

Ácido carboxílico

Ácido + prefixo + infixo + óico

Álcool

ol

Amina

amina

Cetona

ona

Amida

amina

Aldeído

al

   

3.1 GRUPO ALQUILA E RAMIFICAÇÕES

Um composto orgânico pode ser formado por uma cadeia carbônica linear, também chamada de cadeia normal, ou uma cadeia ramificada. Ao construir a nomenclatura para compostos de cadeia ramificada, os grupos alquila que formam ‘ramos’ nessa cadeia, as ramificações alquila, também devem receber nomes de acordo com o número de átomos de carbono que contêm e de acordo com o arranjo desses átomos. Freqüentemente é utilizado um símbolo (R) que representa qualquer grupo alquila em um composto orgânico. Assim a fórmula geral para um alcano é R-H.

A tabela da página seguinte traz uma lista de grupos alquila com seus respectivos nomes para serem usados na

nomenclatura de um composto orgânico de cadeia ramificada.

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22

Parte 3 – Funções Orgânicas e Nomenclatura

Quadro 3.3 – Grupos Alquila, nomenclatura e abreviações.

 

Alcano

Grupo alquila

 

Nome do Grupo

Abreviação

 

CH 4 (metano)

 

CH 3

Metila

Me-

 

CH 3 CH 3 (etano)

 

CH 3 CH 2

Etila

Et-

 

CH 3 CH 2 CH 2

 

Propila ou n-propila 6

Pr- ou n-Pr-

CH 3 CH 2 CH 3 (propano)

 

H

3 C

C
C

Isopropila

i-Pr-

H

3 C

CH 3 CH 2 CH 2 CH 3 (Butano)

H

3 C

CH 3

C
C

CH 3

terc-butila ou t-butila

t-bu

H 3 C

CH 2

CH
CH

CH 3

sec-butila ou s-butila

s-bu

   

H

   
 

CH 2 =CH 2 (eteno)

CH 2

C
C

vinila

vin

   

H

   

CH 2 =CHCH 3 (propeno)

CH 2

C
C

alila

alil

CH 2

 
  (benzeno)   fenila fen

(benzeno)

 
  (benzeno)   fenila fen

fenila

fen

C H 3 (tolueno) CH 3 (tolueno)

CH 2

CH 2

 

benzila

ben

C

(clorobenzeno)C 

C

C  (clorobenzeno) C  para-cloro-fenila p-C  -fen

para-cloro-fenila

p-C-fen

C

C  meta-cloro-fenila m-C  -fen

meta-cloro-fenila

m-C-fen

 

CH 3 OH (metanol)

 

CH 3 O–

metoxila

metox

Os grupos fenila e benzila são formados a partir do anel benzênico. Quando o anel do benzeno faz parte da ramificação, ele é chamado de grupo fenila, ou grupo benzila, caso haja um grupo CH 2 fazendo ponte entre o anel benzênico e a cadeia principal. Quando existe um substituinte ligado ao anel benzênico da ramificação, este precisa ser identificado bem como a posição em que ele se encontra no anel benzênico. Assim, existem três possibilidades, denominadas posições orto, meta e para, como mostrado a seguir:

C orto-cloro-fenila
C
orto-cloro-fenila

C

CC

como mostrado a seguir: C orto-cloro-fenila C  C  meta -cloro-fenila para -cloro-fenila 6 Quando

meta-cloro-fenila

para-cloro-fenila

6 Quando a ramificação for uma cadeia normal e existe a possibilidade de a cadeia não ser normal, como é o caso do CH 3 CH 2 CH 2 –, a cadeia normal recebe o prefixo “n” que indica “normal”. Por isso, escreve-se “n-propila”, para distinguir do “iso-propila”. Entretanto, o prefixo “n” é facultativo, e o nome da ramificação poderia ser apenas “propila”, ficando subentendido que se refere a cadeia normal.

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Parte 3 – Funções Orgânicas e Nomenclatura

3.2 AS REGRAS DA NOMENCLATURA IUPAC

Na atribuição do nome de um composto orgânico, de acordo com as regras IUPAC, devemos seguir alguns passos:

1 – Em primeiro lugar, devemos definir a cadeia principal. A cadeia principal é uma cadeia linear que deve ser distinguida na fórmula estrutural e se houver mais de uma possibilidade que leve a tamanhos diferentes, a escolha deve recair sobre a possibilidade que fornecer a cadeia mais longa, ou seja, a cadeia com o maior número de átomos de carbono.

2 – Em segundo lugar, devemos enumerar os átomos de carbono começando por uma das extremidades da cadeia principal. Obviamente, existem duas extremidades, então por onde começaremos? Isso também é definido por regras, conforme o composto seja hidrocarboneto ou não, e seja saturado ou não:

Hidrocarboneto saturado devemos começar pela extremidade de tal modo que as ramificações fiquem nos átomos de carbono com o menor número;

Hidrocarboneto insaturado Se houver ligação dupla ou tripla, devemos escolher a cadeia principal de modo a incluir a ligação múltipla, e começamos a enumerar pela extremidade de modo que a ligação múltipla fique no carbono de menor número;

Outras funções orgânicas Se o composto não for hidrocarboneto, ou seja, se houver algum grupo funcional halogenado, oxigenado etc., a cadeia principal será enumerada de modo que o grupo funcional principal fique no carbono de menor número.

3 – Em seguida, damos os nomes das ramificações precedidas pelo número que indica o carbono da cadeia principal ao qual estão ligadas, e organizamos em ordem alfabética. Se houver grupos repetidos (duas metilas, três propilas etc.), usamos os prefixos “di”, “tri”, “tetra” antes do nome da ramificação. Por exemplo, vamos supor que haja três metilas, uma no carbono 3, e duas no carbono 6, devemos escrever: “3,6,6-trimetil”.

4 – A posição das ligações duplas e triplas também precisa ser identificada, bem como o número destas ligações. Por exemplo, vamos supor que haja duas ligações duplas, uma no carbono 3 e outra no carbono 5, então, no nome do composto devemos escrever: 3,5-dieno.

5 – Se a cadeia principal for cíclica, acrescentamos ao nome o prefixo “ciclo”. Assim, por exemplo, se um hidrocarboneto saturado tem 6 átomos de carbono e a cadeia é cíclica, ele deverá ser chamado “ciclohexano”.

EXERCÍCIO RESOLVIDO – Forneça o nome oficial do composto dado a seguir:

CH 3 CH 2 CH 3 CHCH 2 C CH
CH
3
CH
2
CH 3 CHCH 2
C
CH

CH 3

O composto em questão é um hidrocarboneto, tem duas ramificações e uma dupla ligação. A cadeia principal apresenta sete átomos de carbono, portanto, o composto deve se chamar um “hepteno”. Enumerando-se a cadeia principal a partir da extremidade próxima da dupla, o nome ficará:

3-fenil-5-metil-hept-2-eno

EXERCÍCIOS DE REVISÃO

(a) Circule a cadeia principal; (b) classifique a cadeia carbônica; (c) informe a (principal) função orgânica; (d) forneça a nomenclatura oficial e (e) escreva a fórmula molecular dos seguintes compostos orgânicos:

CH 3 (iii) CH 3 CH CHCH 2 CH 2 CH 3 CH 2 CH
CH 3
(iii)
CH 3 CH
CHCH 2 CH 2 CH 3
CH 2 CH 3
O
(iv)
OH
(viii) C
(vii)
O
CH 3 CH 2 CHCH 3
CH 3 CH 2 CCH 3

24

CH (i) 3 (ii) CH 2 CH 3 CH CH C CH 2 CH 2
CH
(i)
3
(ii)
CH
2
CH 3
CH
CH
C
CH 2 CH 2 CHCH 3
CH
CH 3
CH 3
2
CH
3
(v) C
CH 3
CH 3
CH
CH
C
CH 2 CH 2 C
C
CH 2 CH 2 OH
CH
CH 3
CH 3
2
CH
3
O (vi) O O
O
(vi)
O
O

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Capítulo 4 – Propriedades Físicas e Estrutura Molecular

CAPÍTULO 4 – PROPRIEDADES FÍSICAS E ESTRUTURA MOLECULAR

1 PROPRIEDADES FÍSICAS DOS COMPOSTOS ORGÂNICOS

A primeira observação que certamente fazemos em qualquer trabalho experimental é se uma certa substância é um

sólido, um líquido ou um gás. A solubilidade de um composto e as temperaturas nas quais ocorrem transições entre fase, isto é, pontos de fusão (pf) e pontos de ebulição (pe) também estão entre as propriedades físicas mais facilmente medidas. Essas propriedades físicas simples, podem nos ajudar a identificar ou até mesmo isolar diversos compostos orgânicos. Um exemplo é a destilação do álcool, em que o etanol (ponto de ebulição de 78 ºC) pode ser separado de uma solução aquosa através de um aquecimento controlado (destilação fracionada). As constantes físicas, que ajudam a separar e caracterizar os inúmeros compostos orgânicos, podem ser encontradas facilmente na literatura (livros, Internet, Hand books etc.).

1.1 FORÇAS INTERMOLECULARES

As propriedades físicas das substâncias, como ponto de fusão e ebulição, que é o que define se são líquidas, sólidas ou gases à temperatura ambiente ou qualquer outra temperatura, a densidade, a solubilidade nesse ou naquele solvente etc. estão relacionadas com forças que atuam entre as moléculas e os íons individuais que formam aquelas substâncias. Essas forças são denominadas forças intermoleculares. As forças intermoleculares podem ser do tipo: íon-íon, dipolo-dipolo, dipolo-dipolo induzido, íon-dipolo, ligações de hidrogênio e forças de dispersão de London. A seguir falaremos de alguns desses tipos.

1.1.1 Forças Íon-Íon

São atrações eletrostáticas entre os íons, que, no estado sólido, encontram-se muito organizados formando um retículo cristalino. Uma grande quantidade de energia térmica é necessária para quebrar a estrutura organizada do sólido e levá-la para a forma líquida. Conseqüentemente, o ponto de fusão dos compostos orgânicos iônicos é muito elevado, bem como o ponto de ebulição e a maioria dos compostos se decompõem antes de atingirem o ponto de ebulição. Exemplo: Acetato de sódio (CH 3 CO 2 Na), ponto de fusão: 324 ºC. Ponto de ebulição: não determinado porque se decomposição antes da ebulição.

1.1.2 Forças dipolo-dipolo

A maioria das moléculas orgânicas não é plenamente iônica, mas possui um momento dipolo permanente que

resulta em moléculas polares. Acetona e o acetaldeído são exemplos de moléculas com dipolos permanentes pois o grupo carbonila que contêm é altamente polarizado. As atrações dipolo-dipolo forçam as moléculas a se orientarem de modo que a extremidade positiva de uma molécula se direcione para a extremidade negativa da outra.

H

H

3 C  + C 3 C
3 C
 + C
3 C

O -

H

H

1.1.3 Ligações de hidrogênio

3 C  + C 3 C
3 C
 + C
3 C

O -

H

H

3 C  + C 3 C
3 C
 + C
3 C

O

-

São ligações dipolo-dipolo muito fortes que ocorrem entre os átomos de hidrogênio ligados a átomos pequenos e fortemente eletronegativos (O, N ou F) e pares de elétrons não ligantes de outros desses átomos. Esse tipo de força intermolecular é chamada ligação hidrogênio. A ligação hidrogênio é mais fraca que uma ligação covalente comum, porém muito mais forte do que as interações dipolo-dipolo que ocorrem na acetona, ilustradas acima.

 -  +  -  + Z H Z H
 -  +
 -  +
Z
H
Z
H

Ligação hidrogênio

Z = O, F, N

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Capítulo 4 – Propriedades Físicas e Estrutura Molecular

A ligação de hidrogênio é responsável pelo fato de o álcool etílico ter um ponto de ebulição muito mais elevado

(+78,5 ºC) que o do éter dimetílico (-24,9 ºC), apesar de ambos possuírem o mesmo peso molecular. As moléculas do álcool etílico podem formar ligações hidrogênio muito fortes entre si, já que apresentam um átomo de hidrogênio ligado covalentemente a um átomo de oxigênio.

As moléculas do éter dimetílico, por não terem átomo de hidrogênio ligado a um átomo fortemente eletronegativo,

não podem formar ligação hidrogênio umas com as outras. No éter dimetílico as forças intermoleculares são interações

dipolo-dipolo mais fracas.

H CH 2 O H O
H
CH 2 O
H
O

H CH 3

dipolo-dipolo mais fracas. H CH 2 O H O H CH 3 Ligação hidrogênio CH 2

Ligação hidrogênio

CH 2

CH 3

CH 3 O

CH 3

CH 3

CH 2 O Etanol

Éter dimetílico

Outro fator (além da polaridade e ligação de hidrogênio) que afeta o ponto de fusão de muitos compostos orgânicos é a compactação e a rigidez de suas moléculas individuais. Moléculas simétricas geralmente possuem pontos de fusão anormalmente elevados.

CH 3

CH

3

possuem pontos de fusão anormalmente elevados. CH 3 CH 3 OH CH 3 Álc. Terc-butílico pf

OH

CH 3

Álc. Terc-butílico

pf = +25ºC

CH 3 CH 2 CH 2 CH 2 OH

Álc. butílico

pf = -90ºC

1.1.4 Forças de Dispersão de London

CH 3

CH 3 CHCH 2 OH

Álc. isobutílico

pf = -108ºC

CH 3 CH 3 CH 2 CHOH

Álc. sec-butílico pf = -114ºC

Se considerarmos uma substância como o metano, cujas partículas são moléculas apolares, veremos que o ponto de fusão e ebulição são muito baixos: -182,6 ºC e -162 ºC, respectivamente. Em vez de perguntar “por que metano funde ou evapora a temperaturas tão baixas?”, a pergunta mais apropriada seria “por que o metano, uma substância não iônica e apolar, pode tornar-se um líquido ou um sólido?” A resposta é porque existem forças intermoleculares atrativas chamadas forças de dispersão de London. Devido à movimentação dos elétrons, estes podem gerar um pequeno dipolo temporário que pode induzir dipolos opostos em moléculas vizinhas. Tais dipolos temporários alteram-se constantemente, mas o resultado final de sua existência é produzir forças atrativas entre moléculas apolares e assim tornar possível a existência nos estados líquidos e sólidos. A magnitude das forças de dispersão de London é determinada pela polarizabilidade das moléculas envolvidas. Quanto mais forte a ligação menos entre os átomos da molécula, menos polarizável será a molécula.

Se compararmos moléculas que apresentam os mesmos grupos de átomos, por exemplo, dois ou mais diferentes hidrocarbonetos, existem dois fatores importantes responsáveis pela magnitude das forças de dispersão de London e, conseqüentemente, responsáveis por propriedades como ponto de fusão e ebulição: a massa molecular e a forma da molécula (se normal ou ramificada). Os alcanos apresentam um regular aumento no ponto de ebulição e de fusão à medida que aumenta a massa molecular. Quanto maior for o tamanho da molécula, maiores serão seus pontos de ebulição e fusão. É por isso metano

(CH 4 ) e etano (CH 3 CH 3 ) são gases, o hexano (CH 6 CH 2 CH 2 CH 2 CH 2 CH 3 ) é um líquido, enquanto o decano é um sólido pastoso, todos à temperatura ambiente. Como era de se esperar, as forças de dispersão de London aumentam à medida que aumenta o tamanho da molécula, levando a maiores pontos de fusão e ebulição.

O outro efeito interessante visto em alcanos é que o aumento no número de ramificações diminui o ponto de

ebulição de um alcano. A tabela a seguir traz alguns exemplos de alcanos e seus pontos de ebulição.

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26

Capítulo 4 – Propriedades Físicas e Estrutura Molecular

Quadro 4.1 – Alguns alcanos isômeros e seus pontos de ebulição.

Substância

Fórmula estrutural

Ponto de ebulição

Pentano

CH 3 CH 2 CH 2 CH 2 CH 3

36,1 o C

Isopentano (2-metil-butano)

CH 3 CHCH 2 CH 3 CH 3

27,85 o C

Neopentano (2,2-dimetil-propano)

CH 3 CH 3 CCH 3 CH 3

9,5 o C

Octano

CH 3 CH 2 CH 2 CH 2 CH 2 CH 2 CH 2 CH 3

125,7 o C

 

CH 3

CH 3

 

Isooctano (2,2,4-trimetil-pentano)

CH 3 CCH 2 CHCH 3 CH 3

99,3 o C

1.2 SOLUBILIDADE

As forças intermoleculares são de importância vital para explicar as solubilidades das substâncias. Solubilidade nada mais é que a quebra das ligações químicas que compõe o sólido, retirando de um arranjo ordenado para um desordenado em que o composto tem uma interação como o solvente.

Exemplo: Substância iônica sofre uma hidratação (água) ou solvatação (outro solvente).

+ H 2 O - + - + + - + - - + -
+ H 2 O
-
+
-
+
+
-
+
-
- +
-
+
-
-
+
-
+
-
+ -
+
-
+
+
-
+
-
+
- +
-
+
-
-
+
-
+
-
H H
O
O
H H
H H
O
O
H H

sólido

H H

H H

O O + O O H H H H O O O O H H
O O
+ O O
H H
H
H
O O
O
O
H H
H
H

H H

H H

De modo geral podemos dizer que iguais dissolvem iguais, compostos polares são dissolvidos em solventes polares e vice-versa. Porém a estrutura irá definir também a solubilidade.

Exemplo: O etanol é miscível em qualquer proporção com a água devido as pontes de hidrogênio, já o decanol (álcool com 10 carbonos) é pouco solúvel, devido a sua estrutura possuir uma parte hidrofóbica, ou seja pouco polarizada.

CH 3 CH 2 OH

(Solúvel em água em qualquer proporção)

(Solúvel em água em qualquer proporção)

CH 3 CH 2 CH 2 CH 2 CH 2 CH 2 CH 2 CH 2 CH 2 CH 2 OH

CH 2 CH 2 CH 2 CH 2 CH 2 CH 2 OH Parte hidrofóbica (Pouco

Parte hidrofóbica

(Pouco solúvel

(Insolúvel)

Licenciatura em Química e Biologia/ UVA Química Orgânica – Prof. Walber Henrique.

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Capítulo 4 – Propriedades Físicas e Estrutura Molecular

Os químicos orgânicos definem usualmente um composto solúvel em água se pelo menos 3 g do composto se dissolvem em 100 mL de água (3% m/v).

Compostos que possuem grupos hidrofílicos seguem algumas regras:

1)

compostos com 1 a 3 átomos de carbono são solúveis;

2)

compostos com 4 a 5 átomos de carbono estão no limite da solubilidade;

3)

Compostos com mais de 6 átomos são insolúveis.

Essas regras não se aplicam quando um composto contém mais de um grupo hidrofílico. Os polissacarídeos, as proteínas e os ácidos nucléicos contêm milhares de átomos de carbono e são todos solúveis. Porque eles possuem também milhares de grupos hidrofílicos.

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Capítulo 5 – Ressonância

CAPÍTULO 5 - RESSONÂNCIA

1 LIGAÇÕES DUPLAS CONJUGADAS E ELÉTRONS PI CONJUGADOS

Quando duas ou mais ligações duplas em uma molécula estiverem alternadas por ligações simples, dizemos que essas ligações são conjugadas. Para ilustrar, tomemos três estruturas possíveis e diferentes para o hidrocarboneto pentadieno, mostradas a seguir:

CH

2

CH

CH 2

(a)

CH

pentadieno, mostradas a seguir: CH 2 CH CH 2 (a) CH CH 2 CH 3 CH

CH 2

CH 3

CH

mostradas a seguir: CH 2 CH CH 2 (a) CH CH 2 CH 3 CH CH

CH

(b)

CH

a seguir: CH 2 CH CH 2 (a) CH CH 2 CH 3 CH CH (b)

CH 2

CH 3

CH

C C

(c)

CH

CH 2

Das três estruturas representadas, apenas a estrutura (b) apresenta ligações duplas conjugadas.

Além dos elétrons pi de ligações duplas, a conjugação pode ocorrer entre os elétrons pi de uma ligação dupla e um par de elétrons pi não ligantes. Como exemplos, temos as moléculas a seguir:

CH 3

CH

Como exemplos, temos as moléculas a seguir: CH 3 CH CH OH NH 2 Em moléculas

CH

Como exemplos, temos as moléculas a seguir: CH 3 CH CH OH NH 2 Em moléculas

OH

Como exemplos, temos as moléculas a seguir: CH 3 CH CH OH NH 2 Em moléculas

NH 2

Em moléculas onde existam conjugações, como as já mostradas, haverá a ressonância.

2 RESSONÂNCIA

A ressonância é uma proposta teórica que teve como finalidade explicar algumas discrepâncias existentes entre a proposta estrutural de Lewis e os dados experimentais obtidos para algumas moléculas. Por exemplo, sejam as estruturas a seguir propostas para o composto 1,2-diclorobenzeno:

C

a seguir propostas para o composto 1,2-diclorobenzeno: C  (a) C  C  (b) C

(a)

C

C

para o composto 1,2-diclorobenzeno: C  (a) C  C  (b) C  Observamos que,

(b)

C

Observamos que, na estrutura (a), os dois átomos de carbono que apresentam um átomo cloro, estão ligados entre si por ligação simples, enquanto que na estrutura (b), esses dois átomos ligam-se entre si por ligação dupla. Qual das duas estruturas é a correta? Na verdade, qualquer uma delas serve para representar o composto em questão e nenhuma delas está totalmente correta. Dados experimentais indicam que as ligações existentes entre os átomos de carbono no 1,2-diclorobenzeno são todas iguais, e não como as estruturas acima sugerem, ou seja, três duplas e três simples, mas na verdade, existem seis ligações idênticas com tamanhos intermediários entre uma ligação dupla e uma ligação simples.

Um outro caso análogo, que também é explicado pela teoria da ressonância, é o ânion carbonato, CO 3 2 . Sua estrutura de Lewis está mostrada a seguir:

O O C O
O
O
C
O

2 -

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Capítulo 5 – Ressonância

A estrutura de Lewis proposta para o carbonato sugere a existência de duas ligações simples, entre o carbono

central e dois átomos de oxigênio, e uma ligação dupla, entre esse mesmo carbono e um terceiro átomo de oxigênio. Todavia, dados experimentais apontam para outra realidade, em que as três ligações são idênticas e apresentam natureza intermediária entre ligação simples e dupla, mais próxima de simples.

A Ressonância é a deslocalização de elétrons pi por todo o sistema conjugado. No primeiro exemplo dado, 1,2-

diclorobenzeno, as duas estruturas mostradas falham ao representar o composto porque, na verdade, as ligações duplas não estão em posições fixas. Os elétrons pi não estão restritos naquelas posições, mas estão “espalhados” ao longo de todas as seis ligações existentes entre os átomos de carbono. Assim, não existem de fato ligações simples e duplas “puras”, no lugar disso, as ligações duplas estão “espalhadas” através das seis ligações do anel aromático. Para representar o fenômeno da ressonância, usamos estruturas de ressonância, também conhecidas como estruturas canônicas, que seriam representações de “flashes” da deslocalização dos elétrons pi. Para o 1,2-diclorobenzeno, temos:

C C C C C C C C Sendo que os elétrons encontram-se deslocalizados, uma
C
C
C
C
C
C
C
C
Sendo que os elétrons encontram-se deslocalizados, uma estrutura mais coerente com esse fato para o 1,2-
diclorobenzeno seria:
C
C
C
C
ou, ainda,

uma vez que a ressonância nesse composto envolve, também, pares de elétrons pi livres existentes nos átomos de cloro. A essas estruturas damos o nome de híbridos de ressonância, e os pontilhados representam as ligações pi onde os elétrons deslocalizados se encontram.

A ressonância ocorre porque os elétrons das ligações pi conjugadas não estão restritos naquelas posições indicadas

pela estrutura de Lewis, mas ao contrário, movem-se ao longo do sistema conjugado. Existirá deslocalização eletrônica apenas se houver orbitais “p” paralelos entre si, como é o caso dos orbitais “p” puros dos seis átomos de carbono do anel benzênico, que apresentam hibridização do tipo sp 2 .

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Capítulo 6 – Estereoquímica

CAPÍTULO 6 - ESTEREOQUÍMICA

1 ESTEREOQUÍMICA - APRESENTAÇÃO

A estereoquímica é a parte da química que estuda as relações espaciais existentes entre os átomos ou grupos de átomos presentes em uma molécula. Ela estuda a existência de diferentes compostos com a mesma fórmula molecular, ou seja, os isômeros. Há dois grupos de isômeros que, para efeito didático, são denominados em livros de Química para o Ensino Médio de Isômeros Planos e Isômeros Espaciais. A divisão da estereoquímica, de forma mais técnica, está mostrada a seguir:

Estereoquímica
Estereoquímica
Estereoquímica

Estereoquímica

Estereoquímica
Estereoquímica
Estereoquímica
Estereoquímica

Constitucional

(isomeria plana)

Isômeros de cadeia

Isômeros de função

Isômeros de posição

Metameria

Tautomeria

Configuracional ( isomeria geométrica e espacial )
Configuracional

Configuracional