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Olá.

É sempre uma boa forma de começar qualquer carta até uma tão caricata quanto
esta. Julgo que ela venha marcada com essa informação mas caso não venha ela foi
escrita algures em finais de Abril.
É estranho falar para ti agora sabendo que não vais receber isto nos tempos próximos
mas não queria de modo algum deixar de te dizer aquilo que certo dia por ti me fizeste
sentir. Não quis dize-lo na cara talvez por achar que já estivesses confusa e saturada o
suficiente e decidi apenas deixar-te ver isto passado algo tempo para, quem sabe, de
certa forma ser agradável…

A verdade é que desde há um ano quando nos conhecemos não me ficaste indiferente
por essa maneira de ser tão característica, pela forma como transformavas a mais
pequena discussão na maior tempestade com esse teu temperamento tão explosivo que
era impossível de não me agradar por completo. Eu próprio em tempos fui assim mesmo
mas com os anos fui perdendo essa qualidade que tu tão facilmente conseguiste fazer
ressurgir. Mas sabes o que foi pior que isso? Achar que serias pouco mais que fogo de
vista, pouco mais que uma rapariguita que berrava mais alto para ter razão mas que nada
mais teria de especial. E esse foi o primeiro grande erro e que, volvido pouco tempo, me
viria a arrepender ao ver em ti uma ávida amante desta Coimbra do Choupal e das suas
histórias e tradições. Uma pequena alma que vibrava com o fado e saltava com as tunas,
vertia desde lágrimas de saudade e tristeza com as tristes baladas das serenatas e
saltitava boémia e contente com as desgarradas tunantes. Alguém que como ninguém
via Coimbra como um modo de vida e não como mais um sitio por onde passava. Tu
amavas realmente esta cidade e toda a sua aura.

Devo dizer que conheci pouco mais de ti durante os meses que se seguiram, aliás,
tempos houve em que não me lembraria de ti se não fosse por algo que aparecesse,
simplesmente não calhava reparar em ti (ou talvez não quisesse com medo de agradares
em demasia e saber que eventualmente cairia por ti irremediavelmente). Até um dia em
que por alguma razão me lembrei de meter conversa, talvez por estar entediado e não fui
mais capaz de voltar a perder de vista essa pequena rapariga de Direito. Tudo em ti com
o tempo ganhava encanto, desde a tua casmurrice e teimosia à inocência e gentileza que
demonstravas em alguns momentos.
Era impossível não gostar de ti sendo tu tão simpática e ao mesmo tempo escondendo
por trás de uma aparência delicada um coração bravo digno de um leão. Eu sabia bem
que não me afastar seria a minha perdição, invariavelmente iria perder-me de amores
por ti, era inevitável… igualmente inevitável era não me aproximar. Não sei se já te
sentiste bafejada por aquilo que, em dada altura em dado momento, consideras como
sendo a perfeição que procuras; não digo que na altura te achasse perfeita (quão
estúpido seria isso mal te conhecendo) mas a verdade é que o pouco de ti que conhecia
agradava-me sobremodo e deixava-me com cada vez mais vontade de conhecer-te mais
proximamente.
Não entendia como era possível ter todo esse interesse sem nunca te ter visto sequer
uma vez, sabia que não era de todo a tua beleza que, por enquanto, me fascinava pois
uma fotografia não capta a beleza de uma pessoa, nem de perto nem de longe,
simplesmente sentia vontade de estar perto de ti e deixar que todo esse espírito me
contagiasse… Não me enganei, estando perto de ti sente-se algo diferente, não sei
explicar ao certo o quê nem sei quantificar o quanto agrada, simplesmente fazia sentir
bem… Talvez fossem pequenas coisas como a maneira engraçada como
incessantemente me mandavas calar ou aquele esgar de falta de paciência ou até mesmo
e principalmente esse teu sorriso o qual, chama-lhe magia ou o que quer que seja, é
resplandecente como a prata e apenas equiparável em beleza a uma intensa noite de
luar, sorriso esse que não hesitavas em esconder, nem tal seria aceitável… algo tão belo
merece definitivamente ser. Todas essas pequenas coisas me convenceram pelo menos
de algo que eu já há muito pensava: Não te queria mais tempo longe, fosse de que modo
fosse.
Mas se toda tu fosses só sorrisos não estaria talvez assim.
Não…. Havia tanto mais em ti, fisicamente, e apesar de não ser o mais importante, tudo
em ti me agradava: Não só eras adorável como provavelmente terás sido das raparigas
que mais preencheram o meu padrão de beleza, desde uns olhos castanho esverdeados
nos quais verde impunha a sua dominância não só sobre o castanho como também sobre
mim… Eram serenos e calmos mas sabiam igualmente ser portadores de raiva, alegria,
tristeza e desespero, exaltação e satisfação, eram sem dúvida alguma o teu espelho mais
fiel…
Passando por um cabelo que não destoava de ti, principalmente pelo seu aroma que
nunca cheguei a identificar mas que sabia ser inconfundível.
Se algo houve em ti que me conquistou desde o momento em que o senti foi o teu
suspirar que, ora calmo ora conturbado, nunca cessava de ser a melodia tua que me
percorria os sentidos, desde o seu afinado som ao seu delicado toque quase
imperceptível mas não menos intenso.
Mas mais que fisicamente agradava-me a pessoa que eras, a tua maneira de ser algo
abrutalhada mas ao mesmo tempo frágil. A maneira frenética com que alternavas entre
elas e o modo como tão bem ela colidia com a minha própria maneira de ser, a forma
como o nosso implicar era senão um modo de conversa que só nós conhecíamos e
entendíamos e, pelo menos no meu caso, ao qual dava imenso valor.
É estranho porque não sentia constantemente necessidade de falar contigo apesar de
sentir vontade da tua companhia e de a apreciar ainda que por muitas das vezes em
silêncio.
É aí que se percebe que conhecemos alguém especial, quando nos podemos calar sem
que o silêncio seja constrangedor e deixar que o olhar fale por nós. Nunca tivera o
deleite de sentir isso tal como nunca tivera o deleite de sentir muito outras coisas que
me fizeste sentir, toda tu foste uma agradável novidade, a cada dia, a cada hora havia
sempre algo que descobria ou que me contavas que mais me fascinava.
Gostava de quando não dizias não a um passeio fora de horas ou quando me convidavas
para um café perto da meia-noite, gostava acima de tudo da rotineira monotonia que me
roubaste. Mais que isso, roubaste-me a calma e o sossego das minhas noites, esperava
horas por um simples convite de ir tomar café na esperança de poder tão somente ver-te
e sentir-te perto de mim, de poder implicar contigo nem que fosse só para por fim ser
agraciado pelo teu sorriso que parece não ter fim. Passava noites acordados a pensar se
estarias realmente a dormir tão tranquilamente quanto desejavas e se, por mera sorte,
alguma vez sonharias comigo e isso te fizesse sorrir ao acordar. Acima de tudo gostava
de pensar que mesmo em sonhos gostarias de me ter por tua companhia do mesmo
modo que fazias as minhas delícias quando o meu sono vinhas visitar… Mesmo
sabendo que provavelmente não era senhor desses ditos não conseguia deixar de o
desejar…
Não to quis dizer directamente consciente de que isso te assustava mas por esta altura já
me encontrava bastante perdido pela bela rapariga que és tu, era inevitável…tudo em ti
me atraía e me maravilhava. Eu havia sido enfeitiçado qual pobre louco não só pela
beleza mas por tudo quanto tu representavas, não havia nada que por mim passasse em
que não te revisse, era como se de uma maldição se tratasse só que, verdade seja dita,
uma maldição da qual me sentia imensamente feliz por dela ser sofredor.
Não conseguia dizer não a passar nem que fossem cinco minutos contigo, talvez não
sentisse aquele estranho sentimento que se tem na barriga de forma tão intensa como os
maiores e mais belos romances retratam mas perto de ti sentia-me calmo, tranquilo…
feliz mas acima de tudo sentia-me completo, como se nada mais fosse necessário á
minha felicidade. Entre luares partilhados, suspiros roubados e olhares que timidamente
se cruzavam, tudo me entrelaçava mais a esse pequeno grande alguém que és tu.
Mas aquilo que mais me doía em ti, aquilo que não era de todo capaz de suportar era a
tua tristeza, quando quase por maldição a tua alegria, tão característica e graciosa,
parecia abandonar-te e deixar-te à mercê da treva da infelicidade. Como doía não ser
capaz de te roubar um sorriso nessas alturas ou sossegar-te a alma como um músico que
embala a sua musa. Sem a menor dúvida que isso me entristecia sem igual… a ideia de
que, nem que por breves instantes, fosses infeliz a meu lado.
Parece descabido que pensasse assim sem nunca me teres dado razões objectivas e
sonantes para tal mas o problema do amor é esse: Nunca é planeado nem precisa de
razão, mas quando é verdadeiro torna-se no plano e na razão e por isso te agradeço. Por,
nem que tenha sido apenas por um relance, teres sido e provavelmente ires continuar a
ser minha razão.