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Y a zb e k , A . C . C a d e rnos d e É t i c a e F i l oso f i a Po l í t i c a 7 , 2/ 2005 , p . 141-164 .

Abstract: fr om the br ief char acter ization of the figur es of fr eedom, anguish and r esponsability , exposed in Jean Paul Sar tr es Lêtr e et le néant, this ar ticle aims to shed lights ov er the statement of the lack of foundation of the v alues adopted in our quotidian mor ality — that demans an explication of a cer tain ethical r essonance of the negation on the sar tr ean philosophy , as well the consequential human temptation to the existencial forger y , which manifests in its attempt to elide the anguish coming fr om the absolut fr eedom of the human r eality . Key -w or ds: fr eedom anguish r esponsability — v alues

Bibliografia

1 . KIERKEGAARD, Sör en. Le concept dangoisse. Tr ad. Knud Fer lov et Je- an-J. Gateau. Par is: Gallimar d, 1 9 9 0 . 2 . SARTRE, Jean-Paul. Lêtr e et le neánt: essai dontologie phénoménolo- gique. Edition cor r igée av ec Index par Ar lette Elkaïm-Sar tr e. Par is:

Gallimar d, 2 0 0 1 . (Collection Tel).

3

Lexistentialisme est un humanisme. Par is: Gallimar d, 1 9 9 6 .

4

O Diabo e o Bom Deus. Tr ad. Mar ia Jacintha. São Paulo: Cír - culo do Liv r o, 1 9 7 5 .

TRADUÇÃO “Labor, work, action”

(Hannah Arendt)

Adriano Corr eia 1

Apresentação

Após publicar As origens do totalitarismo, em 1 9 5 1 , Hannah Ar endt dedicou-se a compr eender o fenômeno do potico e, fundamental- mente, o significado e o espaço do potico na moder nidade. A par tir de quando escr ev e o texto “Ideologia e ter r or : uma nov a for ma de gov er no, em 1 9 5 3 , adicionado à segunda edição de As origens do totali- tarismo (1 9 5 8 ), Hannah Ar endt se laa à inv estigação dos elementos totalitár ios no mar xismo, em gr ande par te deflagr ada pelas cr íticas ao tr atamento desigual do stalinismo em sua obr a de 1 9 5 1 (par cialmente sanada pelo pr efácio acr escentado à edição de 1 9 6 6 ), mas tamm pela desconcer tante adesão de impor tantes pensador es alemães ao nazismo, acompanhada de tentativ as de legitimação — jur ídica, ontológica, etc. da dominação totalitár ia. Com efeito, diz ela,

a mais sér ia lacuna em As origens do totalitarismo é a ausên- cia de uma análise conceitual e histór ica adequada do pano de fundo ideológico do bolchev ismo. Todos os outr os ele- mentos que ev entualmente se cr istalizar am em mov imentos totalitár ios e for mas de gov er no podem ser v inculados a cor - r entes subter r âneas na histór ia Ocidental, que emergem apenas quando e onde a tr adicional estr utur a social e polí- tica das nações eur opéias desmor onou. O r acismo e o impe-

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r ialismo, o nacionalismo tr ibal dos pan-mov imentos e o anti-semitismo não mantinham r elação com as gr andes tr a- dições filosóficas e poticas do Ocidente. A ater r ador a or igi- nalidade do totalitar ismo o fato de que suas ideologias e métodos de gov er no er am inteir amente sem pr ecedentes, e de que suas causas não se pr estav am a uma explicação ade- quada em ter mos histór icos usuais , é facilmente ofuscada se se enfatiza demasiadamente o único elemento que tem atr ás de si uma tr adição r espeitáv el e cuja discussão cr ítica r equer a cr ítica de uma das mais impor tantes cor r entes da filosofia potica Ocidental: o Mar xismo. (ARENDT apud KOHN 9 , p. v ).

O pr ojeto env iado à John Simon Guggenheim Memor ial Foundation, de onde foi extr aído o texto acima, logo após a publicação de As origens do totalitarismo,v isav a à publicação de um liv r o intitulado Elementos

totalitários no marxismo (Totalitarian elements in marxism). Com o

desenv olv imento de sua inv estigação, Ar endt tor nou-se cada v ez mais conv icta de que Mar x estav a fir memente inser ido na tr adição, como tam- m er a seu acabamento (tendo a seu lado, nesse caso, Nietzsche e Kier - kegaar d). Ar endt afir ma, com efeito, em Entr e o passado e o futur o, que a tr adição de nosso pensamento potico tev e seu início definido nos ensinamentos de Platão e Ar istóteles. Cr eio que ela chegou a um fim não menos definido nas teor ias de Kar l Mar x, que manifestav am a intenção de abjur ar a filosofia e buscar r ealizá-la na potica (Tr adition and the Moder n Age. In: ARENDT 1 , p. 1 7 -1 8 ) 2 . Por conseguinte, par a compr een- der o lugar de Mar x er a necessár io compr eender a pr ópr ia tr adição, assim como a r elação da tr adição com o fenômeno totalitár io 3 . A hitese de Hannah Ar endt, mais bem desenv olv ida poster ior - mente em A condição humana, é a de que a r uptur a de Mar x com a tr a- dição da filosofia, par tindo da theoría ou contemplação em dir ão à práxis, não se tr aduziu em uma r ecusa da compr eensão da praxis como poiésis, da ação como fabr icação, nem r edundou no r econhecimento da dignidade pr ópr ia ao domínio potico (ARENDT 4 , p. 3 1 4 ). No texto Os ex-comunistas, publicado logo no pr imeir o mov imento da inv estigação

2 .

C f . p. 4 3 - 4 4 da t r adução br asi l ei r a.

Tr a du ç ã o : L a bor , wor k , a c t i on (H a nn a h Ar e nd t )

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sobr e o mar xismo, em 1 9 5 3 , Ar endt enfatiza que, na medida em que quando r ealizo uma ação nunca sei exatamente o que estou fazendo, uma v ez que ajo em uma teia de r elações constituída pelas ações e desejos dos outr os”; posso sempr e agir politicamente, mas nunca “fazer a histór ia” [make history]. Em suas palav r as, a confusão da ação potica com a pr odução da histór ia r emonta a Mar x. Ele esper av a, depois de Hegel ter inter pr etado a histór ia da humanidade, ser capaz de mudar o mundo, ou seja, produzir o futur o da humanidade. O mar xismo pôde ser desdobr ado em uma ideologia totalitár ia por causa de sua per v er são, ou incompr eensão, da ação potica como a pr odução da histór ia(The ex-communists. In: ARENDT 2 , p. 3 9 6 ). Tanto quanto no nazismo, o ele- mento decisiv o é a conv ião de que a histór ia pode ser deliber ada- mente pr oduzida, de que ela é obr a do homo faber. Como conseqüência de suas análises e hiteses, ela alter a o título

do seu liv r o par a Karl Marx e a tradição do pensamento político Ociden- tal (Karl Marx and the Tradition of Wester n Political Thought). O liv r o

nunca foi concluído, mas a influência destas incur sões, que r esultar am em imer os textos escr itos e r eescr itos, se faz notar em obr as como

Entr e o passado e o futur o, Sobr e a r evolução e, pr incipalmente, A condi-

ção humana. Ar endt sempr e buscou se acautelar de uma associação com os antimar xistas, ex-comunistas, macar thistas, assim como de qual- quer for ma de atr ibuição a Kar l Mar x da r esponsabilidade pelo totalita- r ismo 4 ; não apenas por intentar não for talecer o macar thismo, em pleno v igor por ocasião de seu exame do mar xismo, mas tamm por uma pr eocupação com a especificidade do conceito de totalitarismo, que não poder ia ser simplesmente r emetido a Mar x ou a Platão, como deixa

3 . "P oder - se- i a di zer que o pr obl ema do t r abal ho i ndi ca o l ado pol í t i co, e o pr obl ema da

hi st ór i a o l ado espi r i t ual , das per pl exi dades que sur gi r am no f i nal do sécul o XVI I I e emer gi r am compl et ament e em meados do sécul o XI X. N a medi da em que ai nda v i v emos com e nessas per pl exi dades, que ent r ement es se t or nar am mui t o mai s agudas de f at o, embor a menos ar t i cul adas na f or mul ação t r i ca, ai nda somos cont empor âneos de Mar x. A enor me i nf l uênci a que Mar x ai nda exer ce em quase t odas as par t es do mundo par ece conf i r mar i sso. N o ent ant o, i sso é v er dadei r o apenas na medi da em que escol hemos não consi der ar cer t os ev ent os do sécul o XX; i st o é, aquel es ev ent os que f i nal ment e conduzi r am à f or ma de gov er no i nt ei r ament e nov a que conhecemos como domi nação t ot al i t ár i a. O f i o da nossa t r adi ção, no sent i do de uma hi st ór i a cont í nua, só se r ompeu com a emer gênci a de i nst i t ui ções e pol í t i cas t ot al i t ár i as que não podi am mai s ser compr eendi das por mei o das cat egor i as do pensament o t r adi ci onal ". (ARE N DT 4 , p. 2 8 0 - 1 ).

168 Corr e i a , A . C a d e rnos d e É t i c a e F i l oso f i a Po l í t i c a 7 , 2/ 2005 , p . 165-173 .

entr ev er em As origens do totalitarismo. As cr íticas de Ar endt a Mar x que par tem pr incipalmente das declar ações mar xianas de que o traba-

lho é o criador do homeme a violência é parteira da história(ARENDT

4 , p. 3 1 0 ) constituem um mov imento complexo, pr ocuo e contr o- v er so do pensamento ar endtiano, e segur amente demandar iam uma dis- cussão mais ampla do que a que se pode conduzir nesta apr esentação 5 .

No pr efácio de A condição humana, Hannah Ar endt já anuncia que seu pr opósito não er a for necer r espostas tr icas às per plexidades do nosso tempo, mas uma r econsider ação da condição humana a par tir da posição pr iv ilegiada de nossas mais nov as exper iências e nossos temo-

r es mais r ecentes ( O que pr oponho pr ossegue Ar endt é muito

simples, por tanto: nada mais que pensar o que estamos fazendo(ARENDT 3 , p. 5 ). Pensar o que estamos fazendo é, antes de tudo, consi- d