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Autor: Octávio Escolástico saude@omneclinic.net O que é a síndrome da fadiga crónica? A Fibromialgia é

Autor:

Octávio Escolástico

saude@omneclinic.net

O que é a síndrome da fadiga crónica?

A Fibromialgia é comummente descrita como uma síndroma dolorosa não- inflamatória, caracterizada por dor muscular difusa associada à pressão de pontos superficiais específicos e fadiga crónica. Outras manifestações associadas, são as perturbações do sono e os distúrbios emocionais, podendo, ainda, ocorrer algumas perturbações gastrointestinais.

Quanto às causas, referem algumas doutas opiniões que a fibromialgia não está perfeitamente esclarecida, o que torna difícil o seu enquadramento. Apesar da hesitação, vão-se admitindo algumas teorias de que a doença possa ser causada por lesões músculo-esqueletais que se vão acumulando com o decorrer do tempo ou, então, que a doença se deve à diminuição da serotonina e/ou aumento dos neurotransmissores. A verdade é que a fibromialgia está classificada como Doença Reumática, apesar de não existirem exames laboratoriais que possam validar este enquadramento clínico. O paradoxo assume contornos mais preocupantes quando vemos estes doentes a serem prescritos com ansiolíticos e antidepressivos, ou seja, se a doença é reumática por que razão se opta pela prescrição psiquiátrica?

Claro que a medicação psiquiátrica faz algum sentido, atendendo que a fibromialgia não é uma doença reumática e os sintomas tendem a minimizar com as drogas psiquiátricas. Contudo, levanta-se outra questão: não sendo uma doença reumática e não havendo forma de se proceder ao seu diagnóstico, de onde vem a fadiga crónica, as dores musculares e todas as manifestações que lhe estão associadas?

É com base nestes factos e outros que eu afirmo insistentemente que existe uma grande ignorância em torno da mente humana. Senão, vejamos: as doutas opiniões admitem

que a fibromialgia não tem cura, apesar de não saberem explicar a sua origem (tudo isto

é confirmado na Web Site da Associação Portuguesa de Doentes com Fibromialgia). No

entanto, estes doentes são literalmente curados nas minhas consultas. Será milagre?

Bem, quando desbravamos a mente humana com mestria descobrimos que os milagres não existem e tudo quanto se manifesta tem uma explicação lógica, o mesmo ocorre com a fibromialgia e os restantes distúrbios de natureza emocional. Concentremo-nos, então, no que tem sido dito a respeito da doença: “A fibromialgia é uma doença dos tempos modernos e pode acontecer a qualquer pessoa”. Concordo em absoluto com esta

afirmação, e a razão da minha concordância resulta das observações clínicas, que passo

a explicar:

Quase todas as pessoas que padecem de fibromialgia tiveram experiências traumáticas em criança, ocorridas na praia, na piscina, rios, etc., ou seja, experimentaram momentos de aflição à beira do afogamento. Resulta claro, que essa foi uma experiência dramática, de profundo medo, em que a criança lutou com todas as suas forças para não sufocar e perecer. O medo é brutal e despersonaliza, há como que uma sensação de desrealização,

e toda a força muscular exercida provoca intensa fadiga. Esse acontecimento fica

inevitavelmente registado nas profundezas do subconsciente para toda a vida e com o

evoluir da idade surge a somatização, ou seja, tudo aquilo que está aninhado na mente

se vai manifestar ao nível físico. Os sintomas fazem-se sentir ao longo do tempo, mas é

na idade adulta que as manifestações atingem maior relevância, e não é por mero acaso que estas pessoas acordam sobressaltadas durante a noite com a boca seca, com tosse ou engasgadas, como se tivessem bebido água salgada. Também não será de estranhar a sensação de frio, pois está associado ao momento de intenso medo em que estiveram mergulhadas na água à beira do afogamento. É comummente descrito por estas pessoas que acordam exaustas e com dores musculares, isto é, tendem a levantar-se da cama muito mais cansadas do que estavam antes de adormecer. Isto sucede na fase do sono profundo, em que tudo aquilo que foi vivido de forma traumática em criança se manifesta nesse período do sono (estado sonambúlico).

É exactamente ao estado de sono profundo que os pacientes têm que ser conduzidos,

porque as vivências traumáticas encontram-se alojadas nos recessos do subconsciente e

a catarse só ocorre se esse estado inconsciente for sabiamente operado. Se tal acontecer,

a cura é radical. Contudo, sempre existem as outras alternativas que afirmam não haver cura e prescrevem químicos até o doente mergulhar na incapacidade física e mental.

Volto a sublinhar: nunca devemos esquecer que os medos paralisantes, experimentados em criança, deixam sequelas profundas ao nível da memória subconsciente para toda a vida.