Sei sulla pagina 1di 1
A REPUBLICA, NA OPTICA DO UTILIZADOR O facto de 0 piiblico-aivo deste texto ser essencialmente 0 corpo discente desta Escola ditou a oportunidade de algum ineditismo na abordagem de um tema t&o vasto quanto 0 so os actos comemorativos do centenario da implantagao da Reptblica em Portugal. Dito isto, muito penhorado, cumpre-me agradecer a quem formulou o convite que faculta este contacto dos alunos com alguém que, obviamente, nao foi um dos produtores da Republica implantada a 5 de Outubro de 1910 mas que, na exacta medida das suas muito limitadas possibilidades - teve ocasiao de Produzir e de juntar um mintisculo grao de areia a essa imensa praia que, na metafora do grao de areia, foi e € 0 «25 de Abril de 1974». (Ver texto junto «O relato possivel». Pag. 2 do Diario de Sul, de 24.04.89) E, mais relevante do que isso, um alguém que teve a felicidade de ha ja muitas décadas ser um utilizador consciente do sem ntimero de beneficios que — ha séculos — 0 sistema republicano de governacao faculta aos povos dos 5 continentes e que, no nosso caso e apesar do longo interregno chamado Estado Novo, a Republica tem vindo a proporcionar aos portugueses. Mal ou bem, dou como certo que a expresso usada no titulo (Na éptica do utilizador) 6 bem conhecida de todos os que, nesta Escola, se preparam para um dia ingressarem no mundo do trabalho. No entanto e por desejar que esse dia chegue mais cedo do que tarde, menciono © requisito cada vez mais frequente nos antincios de postos de trabalho: - «Sao indispensaveis bons conhecimentos de Informatica na Sptica do utilizador». A expressao «éptica do utilizador, de imediato, indic(ija a existéncia de dois (digamos assim) actores: - uns, os que produzem os meios informaticos; e os outros, os que se limitam a utilizar esses meios, sendo que todos os produtores sao simultaneamente utilizadores e que — apesar da actual explosao das vulgarmente chamadas redes sociais (Faceboock , Twitter e um sem numero de similares) — ainda so uma escassa minoria de utilizadores também 6 produtor (e, geralmente, sé de contetidos). Deciaradamente, com este depoimento Procuro contribuir para que possa ficar a germinar nos vossos mais ou menos atentos cérebros a ideia (ou, se quiserem, 0 Conceito) de que, em qualquer reptblica, a maior das determinantes evolutivas 6 — Sempre ~ a interaceao entre produtores e utilizadores e que, tal como na Informatica, também & com diferenciadas opticas que se valorizam os «bons conhecimentos» dessa interacgao. Apesar de nessa ideia (ou nesse conceito) caber a constatagao de que pode haver Democracia sem Republica (existem exemplos de monarquias com regimes democraticos e constitucionais), tal ideia (ou tal “conceito”) pressupée ser inquestionavel que - quando ou onde a Democracia nao impere — nao ha, nem de facto pode haver verdadeira Republica, Dai, a anterior referéncia ao «longo interregno chamado Estado Novo», periodo em que - formalmente - houve regime republicano de governo mas No qual ~ de facto - nao imperaram quatro condigées indispensaveis a qualquer verdadeira e nao sé alegada Democracia. A saber - liberdade de expressdo; liberdade de associagao; liberdade de reunido; e liberdade de voto universal e secreto. Segue pag. 2