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Introdução

Este trabalho tem o objetivo de discorrer sobre a Classificação Legal e Doutrinária das Infrações
Penais. Mas antes de analisarmos especificamente cada tipo de crime, é imprescindível
deliberarmos sobre alguns aspectos introdutórios concernentes a este tema.
As infrações penais dividem-se em crimes, delitos e contravenções (classificação tripartida) ou
somente crimes ou delitos e contravenções (classificação bipartida). A primeira classificação é a
adotada em países como França, Alemanha e Bélgica. Em nosso direito doméstico, reina a
classificação bipartida. É entendido que não há diferença qualitativa ou substancial entre crime e
contravenção, mas a diferença é quantitativa. Segundo Magalhães Noronha, “a contravenção é um
crime menor, menos grave que o delito”. A decisão de qual infração é crime ou contravenção cabe
ao legislador, analisando o grau de significância dos interesses jurídicos violados na prática de tal
infração.
Por qualificação entende-se “o nome dado ao fato ou à infração peça doutrina e pela lei” (José
Frederico Marques). Pode ser legal (dada pela lei) ou doutrinária (dada pelos doutrinadores)
- Qualificação legal: Qualificação do fato é o nomen juris da infração; qualificação da infração é o
nome dado à prática do fato: crime ou contravenção.
- Qualificação doutrinária é o nome dado ao crime pela doutrina, resultado de um trabalho
científico sobre o tema.
Após essas breves considerações obre a distinção de crime e contravenção e a diferença entre
classificação legal e doutrinária das infrações penais, analisaremos de forma mais profunda os
crimes para o total entendimento deste tema.
01. CRIMES COMUNS E ESPECIAIS
Damásio E. de Jesus ensina: “os crimes comuns são os descritos no Direito Penal Comum;
especiais, os definidos no Direito Penal Especial”.
02. CRIMES COMUNS E PRÓPRIOS
“Crime comum é o que pode ser praticado por qualquer pessoa. Crime próprio é o que só pode ser
cometido por uma determinada categoria de pessoas, pois pressupõe no agente uma particular
condição ou qualidade pessoal” (Damásio E. de Jesus)
Como ensina Mirabete, o tipo penal dos crimes próprios “limita o círculo do autor, que deve
encontrar-se em uma posição jurídica, como os funcionários públicos, médicos.”
Esta classificação é feita por Magalhães Noronha como crimes comuns e especiais.
03. CRIMES DE MÃO PRÓPRIA OU DE ATUAÇÃO PESSOAL
Damásio de Jesus conceitua este tipo de crime como “os que só podem ser cometidos pelo sujeito
em pessoa”. Este crime é praticado de tal maneira que somente o autor está em condição de
realizá-lo. (v.g.: incesto, falso testemunho) Mirabete completa o conceito ao dizer que “embora
passíveis de serem cometidos por qualquer pessoa, ninguém os pratica por intermédio de
outrem”.
04. CRIMES DE DANO E DE PERIGO
“Crimes de dano são os que só se consumam com a efetiva lesão do bem jurídico. Crimes de
perigo são os que se consumam tão só com a possibilidade do dano”. (Damásio de Jesus)
Damásio distingue os diversos tipos de perigo. Segundo ele, o perigo pode ser:
a-) presumido (Não precisa ser provado) ou concreto (necessita ser investigado e comprovado)
b-) individual (expõe uma única pessoa ao risco) ou coletivo (crimes contra incolumidade pública)
c-) atual (está ocorrendo), iminente (está prestes a desencadear-se) ou futuro (pode advir em
ocasião posterior)
Mirabete conceitua também estes dois tipos de crime. Os crimes de dano “só se consumam com a
efetiva lesão do bem jurídico visado, por exemplo, lesão à vida. Nos crimes de perigo, o delito
consuma-se com o simples perigo criado para o bem jurídico”.
Segundo Magalhães Noronha, “crimes de perigo são os que se contentam com a probabilidade de
dano. Crimes de dano são os que só se consumam com a efetiva lesão do bem jurídico tutelado”.
05. CRIMES MATERIAIS, FORMAIS E DE MERA CONDUTA
Seguindo o conceito dado por Damásio de Jesus crimes de mera conduta são aqueles em que “o
legislador só descreve o comportamento do agente”. O crime formal menciona em seu tipo “o
comportamento e o resultado, mas não exige a sua produção para a consumação.” São distintos
porque os crimes de mera conduta são sem resultado, os crimes formais tem resultado, “mas o
legislador antecipa a consumação à sua produção”.
No crime material “o tipo menciona a conduta e o evento, exigindo a sua produção para a
consumação”.
Vejamos o conceito de Mirabete: “No crime material há a necessidade de um resultado externo à
ação, descrito na lei, e que se destaca lógica e cronologicamente da conduta. No crime formal não
há necessidade de realização daquilo que é pretendido pelo agente, e o resultado jurídico previsto
no tipo ocorre ao mesmo tempo e, que se desenrola a conduta, havendo separação lógica e não
cronológica entre conduta e resultado. Nos crimes de mera conduta a lei não exige qualquer
resultado naturalístico, contentando-se com a ação ou omissão do agente”.
06. CRIMES COMISSIVOS E OMISSIVOS
O critério que distingue estes dois crimes é o comportamento do agente.
Segundo Damásio de Jesus, crimes comissivos são “os praticados mediante ação”, o agente
pratica uma ação. Já os crimes omissivos são os praticados ‘mediante inação”, o agente deixa de
praticar uma ação que deveria ser feita .
Mirabete define crime comissivo como “os que exigem, segundo um tipo penal objetivo, em
princípio, uma atividade positiva do agente, um fazer”. Crimes omissivos como “os que
objetivamente são descritos com uma conduta negativa, de não fazer o que a lei determina,
consistindo a omissão na transgressão da norma jurídica e não sendo necessário qualquer
resultado naturalístico.”
O mesmo autor fala ainda de crimes de conduta mista (comissivos-omissivos). São aqueles que
“no tipo penal se inscreve uma fase inicial comissiva, de fazer, de movimento, e uma final
omissão, de não fazer o devido”. E. Magalhães Noronha define que ocorre os crimes comissivos-
omissivos “quando a omissão é meio ou forma de se alcançar um resultado posterior”.
07. CRIMES INSTANTÂNEOS, PERMANENTES E INSTANTÂNEOS DE EFEITOS
PERMANENTES
“Crimes instantâneos são os que se completam num só momento. A consumação se dá num
determinado instante, sem continuidade temporal (homicídio). Crimes permanentes são os que
causam uma situação danosa ou perigosa que se prolonga no tempo, como o seqüestro ou cárcere
privado”. (Damásio E. de Jesus)
Segundo Mirabete, crimes instantâneos de efeitos permanentes “ocorrem quando, consumada a
infração em dado momento, os efeitos permanecem, independentemente da vontade do sujeito
ativo”. Como exemplo podemos citar a bigamia.
Faz-se necessário saber que, segundo observação de Magalhães Noronha, “a instantaneidade não
significa rapidez ou brevidade física da ação, mas cuja consumação se realiza em um instante”.
08. CRIME CONTINUADO
O crime continuado está definido no caput do art. 71 do nosso Código Penal: “quando o agente,
mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas
condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes
ser havidos como continuação do primeiro”.
Magalhães Noronha conceitua crime continuado aquele que é “constituído por duas ou mais
violações jurídicas da mesma espécie, praticadas por uma ou pelas mesmas pessoas
sucessivamente e sem ocorrência de punição em qualquer daquelas, as quais constituem um todo
unitário, em virtude da homogeneidade objetiva”.
Damásio de Jesus explica-nos que neste caso “impõe-se-lhe pena de um só dos crimes, se
idênticas, ou a mais grave, se diversas”. E ressalta que não se trata de uma tipo de crime, mas
uma “forma de concurso de delitos”.
09. CRIMES PRINCIPAIS E ACESSÓRIOS
Damásio de Jesus define crimes principais aqueles que “existem independentemente dos outros”.
Crimes acessórios são aqueles que “pressupõe outros”. Como exemplo, o mesmo autor cita o furto
(principal) e receptação (acessório).
“Os crimes principais independem da prática de delito anterior. Os crimes acessórios, como a
denominação indica, sempre pressupõem a existência de uma infração penal anterior, a ele ligada
pelo dispositivo penal que, no tipo, faz referência àquela”. (Júlio Fabbrini Mirabete)
10. CRIMES CONDICIONADOS E INCONDICIONADOS
“Crimes condicionados são os que têm a punibilidade condicionada a um fato exterior e posterior à
consumação. Incondicionados os que não subordinam a punibilidade a tais fatos” (Damásio E. de
Jesus).
11. CRIMES SIMPLES E COMPLEXOS
“Crime simples é o que apresenta tipo penal único. Delito complexo é a fusão de dois ou mais
tipos penais” (Damásio de Jesus).
“São simples os crimes em que o tipo é único e ofendem apenas um bem jurídico. São complexos
os crimes que encerram dois ou mais tipos em uma única descrição legal (sentido estrito) ou os
que, em uma figura típica, abrangem um tipo simples, acrescido de fatos e circunstâncias que, em
si, não são típicos sentido amplo).”(Júlio Fabbrini Mirabete)
12. CRIME PROGRESSIVO
Segundo Damásio, o crime progressivo ocorre quando “o sujeito, para alcançar a produção de um
resultado mais grave, passa por outro menos grave”.
Mirabete ensina que “no crime progressivo, um tipo abstratamente considerado contém
implicitamente outro que deve necessariamente ser realizado para se alcançar o resultado”.
Magalhães Noronha há crime progressivo quando “se tem um tipo, abstratamente considerado,
contém outro, de modo que sua realização não se pode verificar, senão passando-se pela
realização do que ele contém”.
13. DELITO PUTATIVO
Segundo Mirabete, crime putativo (ou imaginário) “é aquele em que o agente supõe, por erro, que
está praticando uma conduta típica quando o fato não constitui crime”. Segundo Damásio de
Jesus, o delito putativo ocorre quando “o agente considera erroneamente que a conduta realizada
por ele constitui crime, quando, na verdade, é um fato atípico. Só existe na imaginação do
sujeito”. O mesmo autor destaca que há três tipos de delito putativo:
- delito putativo por erro de proibição: ocorre quando o agente supõe violar uma norma penal que
na verdade não existe. “Falta tipicidade à sua conduta, pois o fato não é considerado crime”.
- delito putativo por erro de tipo: há a errônea suposição do agente e esta não recai sobre a
norma, ma sobre os elementos do crime. “O agente crê violar uma norma realmente existente,
mas à sua conduta faltam elementares de tipo”.
- delito putativo por obra de agente provocador (crime de flagrante provocado): “ocorre quando
alguém, de forma insidiosa, provoca o agente à prática de um crime, ao mesmo tempo que toma
providências para que o mesmo não se consuma.”
14. CRIME PROVOCADO
Ocorre o crime provocado “quando o agente é induzido à prática de um crime por terceiro, muitas
vezes policial, para que se efetue a prisão em flagrante”. (Júlio Fabbrini Mirabete). Tem-se
entendido que havendo flagrante por ter sido o agente provocado pela Polícia, há crime
impossível.
15. CRIME IMPOSSÍVEL
Descrito pelo art. 17 do Código Penal: “ Não se pune a tentativa, quando, por ineficácia absoluta
do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime”.
“Este crime pressupõe sejam absolutas a ineficácia e a impropriedade” (E. Magalhães Noronha).
Quando o dispositivo se refere ‘à ineficácia absoluta do objeto’, deve-se entender que “o meio é
inadequado, inidôneo, ineficaz para que o sujeito possa obter o resultado pretendido”. No que diz
respeito ‘à absoluta impropriedade do objeto’ material do crime, este “não existe ou, nas
circunstâncias em que se encontra, torna impossível a consumação”. (Fabbrini Mirabete)
16. CRIME CONSUMADO E TENTADO
Segundo nosso Código Penal, há o crime consumado “quando nele se reúnem todos os elementos
de sua definição legal (art.14, I)”. Diz Mirabete que o crime está consumado “quando o tipo está
inteiramente realizado, ou seja, quando o fato concreto se subsume no tipo penal abstrato descrito
na lei penal”.
Há o crime tentado “quando, iniciada a execução, não se consuma, por circunstâncias alheias à
vontade do agente” (art.14,II). “A tentativa é a realização incompleta do tipo penal, do modelo
descrito na lei. Na tentativa há prática do ato de execução, mas não chega o sujeito à consumação
por circunstâncias alheias à sua vontade”. (Júlio Fabbrini Mirabete)
17. CRIME FALHO
“É a denominação que se dá à tentativa perfeita ou acabada, em que o sujeito faz tudo quanto
está ao seu alcance para consumar o crime, mas o resultado não corre por circunstâncias alheias à
sua vontade”.(Damásio E. de Jesus)
18. CRIMES UNISSUBSISTENTES E PLURISSUBSISTENTES
Ensina-nos Damásio de Jesus: “crime unissubsistente é o que se realiza com um só fato. Crime
plurissubsistente é o que se perfaz com vários atos”.O primeiro não admite tentativa (v.g.:
injúria) ; o plurissubsistente sim (v.g. homicídio).
Mirabete completa o conceito dado por Damásio. No crime unissubsistente “conduta é una”. O
crime plurissubsistente “é composto de vários atos, que integram a conduta, ou seja, existem
fases que podem ser separadas, fracionando-se o crime”.
19. CRIMES DE DUPLA SUBJETIVIDADE PASSIVA
“São crimes que têm, em razão do tipo, dois sujeitos passivos”. (Damásio E. de Jesus) Podemos
citar como exemplo a violação de correspondência; os dois sujeitos passivos são o destinatário e o
remetente.
A classificação dada por Júlio Mirabete diverge da conceituada por Damásio de Jesus. O exemplo
citado acima, Mirabete classifica como crime plurissubjetivo passivo. Segundo ele, este tipo de
crime “demanda mais de um sujeito passivo na infração”. (Mirabete fala ainda de crimes
unissubjetivos, “aquele que pode ser praticado por uma só pessoa”) e crimes plurissubjetivos
(“aquele que, por sua conceituação típica, exige dois ou mais agentes para a prática da conduta
criminosa”). Magalhães Noronha classifica os chamados crimes unissubjetivos de Mirabete como
crimes unilaterais (“pode ser praticado por uma única pessoa”).
20. CRIME EXAURIDO
Damásio define crime exaurido como “aquele que depois de consumado atinge suas últimas
conseqüências. Estas podem constituir um indiferente penal ou condição de maior punibilidade”.
Mirabete diz que um crime é exaurido quando “após a consumação, que ocorre quando estiverem
preenchidos no fato concreto o tipo objetivo, o agente o leva a conseqüências mais lesivas”.
21. CRIMES DE CONCURSO NECESSÁRIO
Segundo Damásio de Jesus, crimes de concurso necessário “são os que exigem mais de um
sujeito”. O autor divide este tipo de crime em coletivos (os que têm como elementar o concurso de
várias pessoas-art.288) e bilaterais (exigem o encontro de duas pessoas, mesmo que uma não seja
culpável).
22. CRIMES DOLOSOS, CULPOSOS E PRETERDOLOSOS
Há o crime doloso “quando o sujeito quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo” ( CP art. 18,
I). Mirabete contribui para o entendimento deste tipo de crime ao dizer que no crime doloso não
devemos apenas analisar o objetivo que o agente quis alcançar, mas também a conduta do autor.
Esta conduta é dividida em duas partes: interna e externa. Na interna, analisamos o pensamento
do autor: ele se propõe a um fim, prepara os meios para a execução deste fim e, por fim,
considera os efeitos do fim pretendido.
A conduta externa é a exteriorização da conduta, uma “atividade em que se utilizam os meios
selecionados conforma a normal e usual capacidade humana de previsão”.
Há o crime culposo “quando o sujeito deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou
imperícia” (CP art. 18, II). Nos crimes culposos não há a preocupação “com o fim da conduta; o que
importa não é o fim do agente, mas o modo e a forma imprópria com que atua”, segundo
Mirabete.
Crime preterdoloso ou preterintencional “é aquele em que a ação causa um resultado mais grave
que o pretendido pelo agente”. (Damásio E. de Jesus)
É considerado por Mirabete um crime misto, “em que há uma conduta que é dolosa, por dirigir-se
a um fim típico, e que é culposa pela causação de outro resultado que não era objeto do crime
fundamental pela inobservância do cuidado objetivo. Há no dolo no antecedente e culpa no
conseqüente”.
23. CRIMES SIMPLES, PRIVILEGIADOS E QUALIFICADOS
Seguindo o conceito dado por Damásio de Jesus crime simples “é o descrito em sua forma
fundamental. É a figura típica simples, que contém os elementos específicos do delito”. Mirabete
ainda completa essa definição ressaltando que em seu conteúdo subjetivo não há “circunstância
que aumente ou diminua sua gravidade”.
O crime é considerado qualificado “quando o legislador, depois de descrever a figura típica
fundamental, agrega circunstâncias que aumentam a pena”, segundo Damásio de Jesus. Fabbrini
Mirabete diz ainda que “não surge a formação de um novo tipo penal, mas apenas de uma forma
mais grave de ilícito”.
Há ainda os crimes chamados privilegiados. Segundo a definição de Mirabete, estes “existem
quando ao tipo básico a lei acrescenta circunstância que o torna menos grave, diminuindo, em
conseqüência, suas sanções”.
24. CRIME SUBSIDIÁRIO
É a norma penal que tem natureza subsidiária em relação a outra. Segundo Damásio, “a norma
principal exclui a aplicação da secundária”.
25. CRIMES VAGOS
“São os que têm por sujeito passivo, entidades sem personalidade jurídica, como a família, o
público ou a sociedade” –art.233 praticar ato obseno em lugar público, ou aberto ou exposto ao
público (Damásio E. de Jesus).
26. CRIMES COMUNS E POLÍTICOS
Damásio de Jesus distingue-os da seguinte maneira: “crimes comuns são os que lesam bens
jurídicos do cidadão, da família ou da sociedade, enquanto os políticos atacam à segurança interna
ou externa do Estado, ou a sua própria personalidade.”
Mirabete classifica os crimes políticos como puros ou próprios, que “têm por objeto jurídico apenas
a ordem política, sem que sejam atingidos bens ou interesses jurídicos individuais ou outros
Estados”. Há ainda os crimes relativos ou impróprios, que “expõem a perigo ou lesam também
bens jurídicos individuais ou outros que não a segurança do Estado”.
27. CRIME MULTITUDINÁRIO
“É o praticado por uma multidão em tumulto, espontaneamente organizada no sentido de um
comportamento comum contra pessoa ou coisas”-art 65,II, (Nélson Hungria)
28. CRIMES DE OPINIÃO
“Consistem em abuso de liberdade do pensamento, seja pela palavra, imprensa ou qualquer meio
de transmissão” (Damásio E. de Jesus).
29. CRIMES DE AÇÃO ÚNICA E DE AÇÃO MÚLTIPLA OU DE CONTEÚDO VARIADO
Mirabete conceitua crime de ação simples aquele “cujo tipo penal contém apenas uma modalidade
de conduta, expressa no verbo que constitui o núcleo da figura típica”.
Na redação do art. 122 do Código Penal, observamos os verbos “induzir” ou “instigar” e “prestar”
auxílio ao suicídio, sendo ainda ser citados outros art. 234,289,§1º etc... Mesmo na prática destas
três ações, elas são consideradas como um único crime. Assim, são definidos, por Damásio de
Jesus, crimes de ação múltipla aqueles “em que o tipo faz referência a várias modalidades da
ação”.
Magalhães Noronha afirma que no crime de ação múltipla “o tipo contém várias modalidades de
conduta delituosa, as quais, praticadas pelo agente, fatos do mesmo crime”.
30. CRIMES DE FORMA LIVRE E DE FORMA VINCULADA
“Os crimes de forma livre são os que podem ser cometidos por meio de qualquer comportamento
que cause um determinado resultado. Os crimes de forma vinculada são aqueles em que alei
descreve a atividade de modo particularizado” (Damásio E. de Jesus)
31. CRIMES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA E DE AÇÃO PENAL PRIVADA
Nos crimes de ação penal pública “o procedimento penal se inicia mediante denúncia do órgão do
Ministério Público”, conceito dado por Damásio de Jesus. Nos crimes de ação penal privada, este
procedimento é feito mediante queixa do ofendido ou de seu representante legal, segundo o art.
100 §§ 1º e 2º do CP.
O art. 101 expressa a distinção entre estes dois tipos de crime: o crime é de ação penal privada
quando a lei expressamente o declara.
32. CRIME HABITUAL E PROFISSIONAL
“Crime habitual é a reiteração da mesma conduta reprovável, de forma a constituir um estilo ou
hábito de vida, art 229. Quando o agente pratica as ações com intenção de lucro, fala-se em crime
profissional” (Damásio E. de Jesus).
A definição de crime habitual para Mirabete é “a reiteração de atos, penalmente indiferentes por
si, que constituem por um todo, um delito apenas traduzindo, geralmente um modo ou estilo de
vida”. Define crime profissional como “qualquer delito praticado por aquele que exerce uma
profissão, utilizando-se dela para a atividade ilícita”.
33. CRIMES CONEXOS
Neste caso há um elo entre os crimes. O sujeito comete uma infração para ocultar outra. Damásio
nos dá o exemplo de um sujeito que, após praticar um furto, incendeia a casa para fazer
desaparecer qualquer vestígio. O fato do incêndio é cometido para assegurar a ocultação do furto.
34. CRIME DE ÍMPETO
“É aquele em que a vontade delituosa é repentina, sem perceber deliberação” (Damásio E. de
Jesus). Ex.: homicídio praticado por influência de forte emoção, art. 121,§ 1º, 3ª.figura
35. CRIMES FUNCIONAIS
Damásio de Jesus conceitua os crimes funcionais os que “só podem ser praticados por pessoas que
exercem funções públicas” art. 150, § 2º.,300,301 etc.
36. CRIMES A DISTÂNCIA E PLURILOCAIS
Os crimes a distância são aquele que “a conduta ocorre em um país e o resultado noutro”. Delito
plurilocal “é aquele que, dentro de um mesmo país, tem a conduta realizada num local e a
produção do resultado noutro” (Damásio E. de Jesus)
37. DELITOS DE TENDÊNCIA
“São os crimes que condicionam a sua existência à intenção do sujeito” (Damásio de Jesus). Têm a
característica a exigência da verificação do estado, da vontade o agente no momento do fato para
a constituição da figura delitiva.
38. CRIMES DE SIMPLES DESOBEDIÊNCIA
São os crimes de perigo abstrato ou presumido. “A simples desobediência ao comendo geral,
advinda da prática do fato, enseja a presunção do perigo de dano ao bem jurídico” (Damásio E. de
Jesus)
39. CRIMES PLURIOFENSIVOS
“São os que lesam ou expõe a perigo de dano mais de um bem jurídico”, segundo Damásio de
Jesus. Ex.: latrocínio, art.157,§3º. in fine (lesa a vida e o patrimônio)
40. CRIME A PRAZO
A qualificadora depende de um determinado lapso de tempo.
41. CRIME GRATUITO
“Praticado sem motivo” (Damásio E. de Jesus)
42. DELITO DE CIRCULAÇÃO
“Praticado por intermédio do automóvel” (Damásio E. de Jesus)
43. DELITO TRANSEUNTE E NÃO TRANSEUNTE
“Transeunte é o que não deixa vestígios; não transeunte, o que deixa” (Damásio E. de Jesus)
44. CRIME DE ATENTADO OU DE EMPREENDIMENTO
Damásio de Jesus define como “o delito em que o legislador prevê à tentativa a mesma pena do
crime consumado, sem atenuação” (Ex: com arts. 352 e 358)
45.CRIME EM TRÂNSITO
Assim conceitua Damásio E. de Jesus: “são delitos em que o sujeito desenvolve a atividade em um
país sem atingir qualquer bem jurídico de seus cidadãos”.
46. CRIMES INTERNACIONAIS
Definidos no art. 7º, II, a do Código Penal: “são crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se
obrigou a reprimir”. Podemos citar como exemplo o tráfico de mulheres, entorpecentes etc.
47. QUASE-CRIME
São os definidos no Código Penal no art. 17 (crime impossível) e art. 31 (participação impunível).
48. CRIMES DE TIPO FECHADO E DE TIPO ABERTO
Ensina-nos Damásio de Jesus: “delitos de tipo fechado são aqueles que apresentam a definição
completa, como homicídio. Crimes de tipo aberto são os que não apresentam a descrição típica
completa”. Nos primeiros a norma de proibição violada aparece de forma clara; no segundo, não
aparece claramente.
49. TENTATIVA BRANCA
Há a tentativa branca quando “o objetivo material não sofre lesão”. (Damásio E. de Jesus).
50. CRIME CONSUNTO E CONSUNTIVO
“Crime consunto é o absorvido, consuntivo, o que absorve”. (Damásio de Jesus). Constitui matéria
de estudo do conflito aparente de normas, na qual é aplicado o princípio da consunção.
51. CRIMES DE RESPONSABILIDADE
Este tipo de crime é alvo de discussões, pois esta classificação suscita dúvidas no que concerne a
sua interpretação. Por vezes é entendido como crimes e infrações de natureza político-
administrativas não sancionadas com penas de natureza criminal.
Damásio de Jesus define, em sentido amplo, “como um fato violador do dever do cargo ou da
função, apenado com uma sanção criminal ou de natureza política.” Divide ainda este tipo de
crime em duas espécies: próprio, que constitui delito, e impróprio, que diz respeito à infração
político-administrativa.
52. CRIMES HEDIONDOS
Damásio de Jesus conceitua crimes hediondos como “delitos repugnantes, sórdidos, decorrentes
de condutas que, pela forma de execução ou pela gravidade objetiva dos resultados, causam
intensa repulsa”.
João José Leal afirma que haveria um crime hediondo “toda vez que uma conduta delituosa
estivesse revestida de excepcional gravidade, seja na execução, quando o agente revela total
desprezo pela vítima, insensível ao sofrimento físico ou moral a que a submete, seja quanto à
natureza do bem jurídico ofendido, ainda pela especial condição das vítimas”.
A Constituição Federal de 1988 considera estes crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou
anistia (art. 5º, inc. XLIII).
53. CRIME ORGANIZADO
É aquele praticado por uma organização criminosa. Segundo Mirabete, organização criminosa “é
aquela que, por suas características, demonstre a existência de estrutura criminal, operando de
forma sistematizada, com planejamento empresarial, divisão de trabalho, pautas de condutas em
códigos procedimentais rígidos, simbiose com o Estado, divisão territorial e, finalmente, atuação,
regional, nacional ou internacional”.
Nossa legislação usa este termo ‘crime organizado’, preferindo uma redação mais simplista,
referindo-se a ‘crime organizando’ como ‘bando’ ou ‘quadrilha’.
BIBLIOGRAFIA
A) JESUS, Damásio E. de. Direito Penal – Parte Geral. 20 ed. São Paulo: Saraiva, 1997. v. 1
B) MIRABETE, Júlio Fabbrini. Manual de Direito Penal : Parte Geral, Arts. 1º a 120 do CP. 16 ed. São
Paulo: Atlas, 2000. v. 1
C) LEAL, João José. Crimes Hediondos: aspectos político - jurídicos da Lei n.º 8.072/90. 1ª ed. São
Paulo : Atlas, 1996.