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r r

"Cada ve z que as condi çõ es - ge- rais de r e alização da vida sob r e a terra se modific a m, ou a interpretação de fatos particulares concernentes à exis- tência do homem e das coisas, co- nhece uma evolução . i mportante, to- das as disciplinas C ient í ficas ficam obrigadas a realinhar-se para po d e r exprimir, em termos de presente e não mais de passado, aquela parcela de realidade total que l hes cabe explicar".

Para . o autor

dessa afirmação,

Milton Santos , vivemos hoje "uma dessas fases onde a significação das coisas exper imen t a uma mudança pra- ticamente revolucionária" . J:; preciso

que a Geografia supere a situação de crise em que se e n contra.

Essa d e claração de inten ç ã ç rea- liza-se plenamente ao longo deste ex-

e de

síntese,que tem como objetivo fazer com que a Geografia apreenda o espaço - aqui, o núcleo da crise - quer como categoria, quer como rea- lidade concreta. Fazendo a crítica da Geografia, Milton Santos chega à pro-

traordinário esforço de análise

posição de uma Geografia crítica , que dá origem. a uma visão ampla do csnacia ], do qual não estão ausentes

a Históha e a

Trata-se do primeiro vo l ume, · de

urna série de ' cinco, que se consag r am

a um mesmo tema: o espaço humano .

1 ::, sem dúvida, a contribuiçã o mais importante iá surgida no Brasil à Geo-

grafia, sendo capaz de pôr em debate ,

c

om segurança , a seguinte questão :

e

xi s t e um pensamento geográfico crí- ·

ti

c o; ele se manifes t a vigorosa mente

n

s r e tr a ba l ho.

"

~

 

Q

Q)

 

.•

 

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2

 

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Geogr af i a :

Te . oria e Rea li da d e

.

col eção d ir i g id apor Armando corrêa da S ilva

P OR U MA GE OGRA F IA N O V A

Da c rític a

d a G eog r a f ia

a u m a G e og ra f i a

c r í t i c a

,

MiLTON SA N TO S

Por uma Geografia Nova

I .

D a c ríti ca da G eog r afia

a lim o Geog r af ia

segunda edição

EDITOR A HUCITEC São Paulo , 1980

c r í ti c a

©

Di re ito s aut o rais , 1978 , de M il ton Santos .

Direito s d e pub l i caçã o

re s e r va do s pela Edit o ra de

L td a . , Alam e d a J a ú , 404 , 0 14 2 0 S ã o P a ulo , SP . T e l e fon e ( 01 1 ) 2 87-1 8 2 5 .

Hum a n ís mo , Ci ê ncia e T e c nolo gi a H ucit e c

A pr i me i r a

e di çã o d e s t e livro ( S ã o Paul o , 1978 ) con t ou co m a

c ol a b oraçã o d a Edi to r a d a Uni ve r s idad e de São P a ulo .

FUNDESCAM

t B i blioteca

l

N . - REG. :

rà 65 'i I

~ I

- /l

DATA: c2c3/ OS /8t.

~.

Dedi c o es t e l ivro à m e m ória de L y gia

F e r raro, uma ge ó grafa d e co r açã o e espí-

r i t o a b er t os q u e lutou po r u ma ge o grafia

m ai s gene r o s a , uma ge o gr a fia nova .

AGRADECIMENTOS

A

s discu ss ões

que mantive e ntre

1974 e 1977 com o s m e us

da Un i-

v

para o amadure- Nesse s e ntido ,

m uito s co leg as me d e ram igualmente s u a ajud a. D ev o , por é m,

c

alunos da Univers i dade d e Dar - es-Salaam,

na Tanz â nia,

ersidade

Centra l da V enezuela

em Caracas e d a Univer s idade

aqui e x posta s.

de

Colúmbia , em Nova Iorque , muito contribuíram

i ment o

d a m a i or p a r te da s i déias

co nsign a r de forma e s pecial meu agradecimento

D é a Erdens e Maria A ux il iadora

d a d e da Bahia , pelo inestimável apoio e colaboração

n a fa s e d e redação

às dras. Antonia

da Silva , professoras da Universi-

que me deram

d e finit iva des t e li v ro .

SUMÁRIO

Introduç ã o , 1 o • o •••• o o • Um a ge
Introduç ã o
,
1
o
o
••••
o
o
Um
a ge o g rafia
no va?
1
o
o
••••••
o
•• • • • •
o
o
•• • • •••
:
• •••• • • • • • •
o
Um p ro j et o amb ic io s o
Um r i s co necessá rio
"
3
o
•• •• • • • • •• ••• •
o
o
• •• • •
o
o
7
o
••• • • • •• • • •
o
o
o
o
PRIMEIRA P A RTE
A CRíTICA DA GEOGRAFI A ' ;
I
C a pítulo
I
-
Os fun d ador es :
as pr e t e nsões científicas
13
_
A
ide o l o g ia da geo gr afia
,
13
o
•••
o
• • • • • ••• • •• • ••• •• • • ••••
o
• • • • •••
A
ge o graf ia colonial
14
o
•• • • •
o
• •
o
•• • •• • •
O
de t er minismo e s uas se qü e la s
16
o
• ••
o
• • •
o
o
o
o
o
o
• • • •
o
• •
A
ge o g rafia cultur a l
e o s gê n e ro s
d e vi da
17
o
••••
A
fa l ê nc i a da g e o gr af ia c láss ic a
22
o
• • • •••
o
o
O s per i g o s
da analo g i a
24
o
••••••
o
••
P o ss ib i Jis mo v ersus q uê ?
25
o
••••••••••••••••••
Capít u lo I I -
A h eranç a
,
fi l os ó fica
27
o
o • •••• •• • • ••• •• •••• ••
o
o
• • • •
A
s fon t e s
,
29
o • •
o
•• ••
o
• •• • •• •• •
o
.
'
• •
o
• • •• • •
O
he g e l í à ní s mo
e o m a r x i s mo
32
o
•• • • • •• •
o
•• •••• •
o
• •
D e D es carte s
ao ecle t í sm o
t o ta l
.
36
Cap ítu l o 111 - A renov a ção do após - g u e rr a:
" a n e w ge o grap h y"
39
Cap ít u l o I V
-
A ge o gr af ia qu an t i t a ti v a
45
o
• • • • • •
o
• • • • • • •
A
quantific a çã o
e m
geogra f i a
46
o
o
o
o '
• • ••
o
• • • • • •
o
••
Li nearida d e , col i n ea rid a d e ,
e t c o e t e r a
47
o
•••
o
••••••••••
M e dir par a ref l et ir o u ref l e t i r pa r a m e d i r?
48
o
• • • ••• •
O s p r o bl e ma s da a bord age m q uanti tativa
P a r a di g ma ou mét o d o?
50
o
•••
50
o
'
o'
• • •
o
• • •
O
pecad o m a ior
. ,
.
53
o
•• •
o
•• • •• • •
,
••• •
o '
o
• ••• • • •
o
C a p ítulo V -
M o d e lo s e s i s t e ma s:
o s e co ss í ste mas
55
o
••••••••••••••
A
aná l ise d e ' s ist e m as
'
55
o ••••••••••••••••••••••••••
O s eco s sís t e mas
58
o'
o
o
o
o
•• • • • ••• • •
o
o
o
•• • •
o
•• • •••
Si ste m a s e quanti f ic açã o
59
o
••••
o
• • • ••
o
• •••• ••• • •• •
o '
• • •• •
O s m ode lo s em geo g rafi a
62
o
• • ••• • • •• • ••
o
• •• • •••
o
••• ••• •
o
•••
o
••• •• •
C on s truçã o e e ficácia
dos modelos
o
•• • •
'
• •
o
o
• • ••
,
• •••• • •
o
•• ••
64 <,

r

Ca pí t u lo

V I -

A g e o g rafi a d a p e r c e p ç ão e do c o m po rt a m e n to

67

A

p e rc e p çã o :

s uj

e i t o

v e r s u s obj e to ?

68

Co

m p o r t a m e n t o

o u p r a x i s ?

70

T E R CE I R A P AR T E

P OR UMA GE O GR AF I A CR Í T I CA

Cap í tulo

V I I

-

O tr i unfo

do . formali s mo

e da i deol o g ia

73

G e o g ra f i a, plan e j a m e nto ,

uti l it a ri s mo

.

74

O r e ino d o e mpiri s m o

 

76

A e xc lu s ã o d o mo v im e nto so c i a l

 

77

A ta r a i de o l ó g ic a

 

78

C a p í t u l o X IV

-

E m bu s c a d e um p a rad í g ma é r e vo luci o ná ri a

c o m o p a rad i g m a

T od a teo ri a

P a rad i g m a e i d e o l o g i a

A n at u r ez a

 

C a pi t u l o X V -

de no s s o s d i a s

C apí tulo VII I

-

O b a l a nço

da cri se : a ge o g raf i a

v iú va n o e sp a ço

8

3

P r o du

çã o

O es paço t o t al .'

e es p aço

A

r e p r odu ção

do s ab e r

83

A

u n

iver s a li zaçã o

da eco no m i a

e d o es p a ço

G e ografi a e projeto imp e ri a l

O e rnp í ric i s mo a b s trato

Do imp e r i a li s m o

O es p aç o pu l ve ri z ado

A geog r a f i a ,

Li ç õ es e pr o m essa s

. . d o ob j e to .

à p e rda

viú va d o es p aç o

da c ri se

'

.

85

Un

i ve r s a liz aç ã o

p e r v e r sa

e p a p el da es t rutur a

inter na

86

Tot

a lid ade

e d ía l é tí ca

do e s p a ço

 

89

In s tr u m en t o s

d e tra ba l ho

e es pa ç o

no es p aço

90

Di s tr ib u i çã o

da s o cie d a d e

tota l

9

1

92

E s t r u tu ra , pr o ce ss o , f u nçã o , fo rm a

155

155

156

158

161

161

167

170

171

172

175

176

SE GUN D A P AR. T ~

GEO G RAF I A , SOCIÉD A D E , , ESPA Ç O

Ca pitu io

I X

-

Um a n o v a i nt e r di s ciplin a ridade

O i s olam e n t o d a ge og r a fi a

Vant age n s da int e rdi sc iplina r id a d e G e o g rafi a e i n t e rdi s c ip l inarid a d e

A s e t a p as d a ínt e r d i sc i p l i narí da d e a pl ic ada da à g e o g raf i a

A n e c e s s i d a d e

e o g r a fia

.

.

d e u m a d e f i ni ç ã o

do obj e to

g

Ca p ítulo

X -

Uma t e ntativa

d e d ef i nição

do esp aç o

D e fin ir

a ge ogra f ia

o u o e s pa ç o?

 

.

O

p r ob l e ma da autonomia

e d as cat eg oria s

analít i c as

Obj

e to ci e ntífico

e t e or iz a çã o

.

Um e s fo r ç o de def i n i ção

do esp aço

Cap ítu l o

X I -

O es p a ço: m e ro r e fl e x o d a s o c i e dad e ou f ato so c ial ?

Um

a

f orm a

 

de p e rc e pçã o

 

.

R ege l

e o es pa ç o

 

.

O

es paço, um refl e xo ?

 

.

Um fato

s ocial

 

.

.

Ca p ituio X I I

 

-

O e s p aç o , um fa t o?

 

.

A

r e produ ç ã

o

do pa d rã o

e s pa c i a l

 

.

A

mobilid a d

e

do cap i ta l

é re l a tiva

 

.

O

e sp a ç o n a tot al id ade

s o c i a l

.

O

p a p e l

da s ru g o s id a d es

 

.

Ca p

itulo

XII I

 

-

O es paç o c o m o in s tância

 

soc i al

 

Um

a estrutura

social

como a s outras?

.

' Uma est r ut u r a s u bordin a da?

:

.

A

e s p e ci f id a d e do e s p aç o

.

O

e s pa ç o c om o históri a e e s tru t u r a

.

XII

97

98

10 0 /

103'/

105

110

113

113

116

118

119

123

123

124

126

127

131

131

133

133

136

141

143

145

148

151

Ca p í t u l o

XV I

-

de

E s tad o e st u d o

e es paç o:

o E s t ado - n a çã o

.

g eo gr á fica

A s n o va s f u n ç õ es d o E sta do

O

O E s t ad o in t er m e d i á rio

Ação do E st a do

O E stado e as t ra n sfo r m aç õ e s

E spaç o e t e r rí t ór t o

E sta d o n o s p a í ses s ubd e se nv ol vido s

en t r e as for ças e xt e rn a s

s obre o s s ubesp a ç o s

espac i a i s

com o un i d a d e

e i nt e rn as

C apitt üo XV I I -. : A s n o çõ es d e t o t al i dade,

re n o vação d a g e og r a f i a

\ .T o tali d ad e e e s paç o

 

.

1! 0 r m a ç ão so ci a l e es p a ç o

.

1\

no çã o d e fo r m a çã o

s

o cia l

F o rm açã o soci a l e r e al i d ade nac i on a l

de f o r m a ç ã o

s oc i a l e d e

179

179

182

183

185

187

189

1 91

192

195

196

198

Fo

r m a ç ã

o

so cial e re no v a ç ã o

da ge o g ra fia

199

Cap í t u lo XV I I I

-

A n o çâ o de t e m po no s e st u d o s g e o grá f i co s

203

A di f u são

d e i n ova çõ es

 

.

203

O

en f oq u e esp a ç o - t e mpo ral

e o t e m po e m p í rico

205

A

n eces s i d a d e d e u ma pe r i od i zação

 

207

O

e s paç o co mo ac um ul a çã o

de s i g u a l

d e te m po s

209

A

n o ç ã o de " t e m po

e s p a c i al"

 

2

10

As r u g o sí dad es

do es p aç o

211

Co n cl u s ã o : A g e o grafi a

m e r c ado r i a g e o g raf i a e co n t e xto

e

e

o fut uro g e og r a f i a

l i b e r ad a

d o homem

d e cl a sse s

.

E spa ço -

Po r

u m a

C a us a

O j o ío e o t r i g o :

E s p a ço e l ib e r açã o

a s e p a ra ç ão

do id e o l óg ic o

.

2

1 3

213

214~

2

15 '

216

218

XIII

I

.

I NTROD UÇÃO

N o pr e fá c i o

do se u f amo s o

t ra tado,

D e Martonne

(1925 ,

] 957 -

9 . a ed . , v o 1 . 1 , p. 20 ) dizi a que s e podia

con s iderar

a

g eo g rafi a

como

um a ciê n cia

for ma da ,

Quarenta anos depois,

q

u a n do no vos paradigmas

buscava m

im po r-s e

à nossa di s ciplina , ·

Hagge tt . e Chorley

a propósi to

tífic o da geografia, afi r mavam

m e n te r es ol vi d o ; · p erguntar-se

quand o ,

(1 9 65 ,

p . 27 I ) · não e ra m

meno s

categóricos

ci e n-

do p r oble m a

de iden t ificar

que " um problema

o carát e r

in ic ial é r á pida-

se a g eo g rafi a

é o u n ão uma ci ê ncia

é c om o p ergunta r-se

se um esp or te

é um jogo " .

P r e ferimo s uma

out

r a

 

o p iniã o :

as palavras

de Jea n

B runhes

(1910):

"a geo-

gr

afia h um an a

aindanâ

o

es t á

fe ita ,

temos

ainda

de faz ê -Ia ".

 

j

 

U

ma ge ograf i a

nova?

 

/

 

Q

ua n do J 2I opugnam " O ~ uma nov a g e ografia , i s so

pod e ,

à pri-

m

eira

v i sta , par e c er

u ma eno r me pr et ensão,

CO p lO se no s

dis-

p

~t s ' - se m os

a inven t ar

o n ovo.

A v e rda de,

porém,

é que tudo

a s

es

t á

su j e ito

à lei do mov im en t o

e da r enovaçã o,

in c lu s ive

ciê

nc i a s .

O novo não s e in v enta,

de s c ob re -se. (1)

Cad a vez queas

c ondições gerais de r e aliza çã o da vida sobre

. a terra se mo d ifi c a m, "

concern ente g

evolução importante, gadas a rea lin har - s e

e n ão mais de pas s ado , cabe e x plicar -

.

ou a interpret a ção

do homem

d e I ate s

p ar ticul a r e s

c onh ec e

um a fi cam obri- de p r e s ent e total que lhes

à e x i s t ê n c ia

e d as coi s as

ci e ntí f ica s e m term o s

to d as para

as dis c ip l ina s poder exp ri m i j ,

aquela parce la d e r e ali d ad e

V

i vemos,

agora ,

u r na dess a s

fa ses on de

cois as e xperim e nt a uma mudança p rati c a m en te

a significaç ã o

re v o lu cio ná r i a , Se

d a s

( 1)

"

s o m e n te s a b e r ' ,

a s o br a s que reve l am

a o l eito r o qu e ele p e nsava

das impl i cações

do te m p o s u a i n f luê n c ia

de s u a

h á m ui t o 's e m

q ue o fa ze m consci e nte

atra v és

p r óp ri a v isão do m un do, pod e m guardar

e s u a a ç ão " .

L . GOl d man tr , l . - ! f 68

p . 40- 41 .

algumas di s cip lin as se apercebe r am. dessas mu d anças

qua l itat i va s

e

as incorporara m

ao

seu

acervo,

alg u mas

o utra s

o fiz era m

ape

n as par cialm e nt e

ou fr a gmentar i a m ente .

Q u a ndo

es ta ú lti ma

hi p ótes e

em outras

segund o um p ara digm a

e

~~~

análise coerente.

oc o r re, e st am os

pala v r as,

s ob

lon~e da e laboraç ã o

de um sistema

ou,

ar g nas' algumas no v o , enqua n to

categorias s ão a n a lisada s

outras contini iam

a s er teó ric a J - ª - _ u ltrª=,

~e uma

nesta situação . foi assim porque ,

studadas

ada,

o Influxo

de uma con s t r ução

dizer que sempre

O resultado,

neste. caso , e a impossibilid~de

se encontra

A geogr a fia

no s manda

A verdade

desde a fundação do que historicamente

tífica,

um conjunto

entrelaçado

ca p az

mu

da geogra f i a

geografia como objeto. mais sob r e a geog r a j ia

se' chama geografi a cien-

nos foi possí v el

c onstr uir

num sistema comum

S e

é porque

a geografia

e não , foi

este v e sempr e em torn o

~ r c ísea

c om

m

a

no fi m do século X I X ,

de proposições

por

uma

de ultrapass a f mais preocupada

como

jamais

baseadas

lógica interna.

esta def i ciência,

discipli n a

Sempre , '

i to

com uma d i scussão

. ao inv é s

e ainda

d e p r eocupar-s e

hoje,

o esforço

se d isc ute

u ito

do que sobre o espaço, que é o objeto

Desse modo,

' - da ciê n cia geog r áfica .

zação

de dentro . Tal procedimento progressos tentados

de c onceituali-

não

Q s

era feito, sobretudo,

de fora do objeto

da ciê ncia j ;

- conduz a um grave erro ~u i~ emológi c

consistem muito mais em substit1 l 1 L-S igu i fi-

cados buscados geralmente em disciplinas

partir das realidades ou a s pectos da realidade que caberia examinar.

afin s , do que mesmo

O acúmulo

de erros assim obtido complica

a t arefa - d e - encontrar

a

u

geografia, i s to - é , O' esp âç o geogr' ªtiº - ~ , um gf r l e f o d t

nia direção

de trabalho

que permita

at r ibuir

ao

objeto

PFoo c.upação

da

ea lmen t e

r

c

i n d epe nd e nt es "

A r eal idad ~

§Q c i a l é u ma só e a cada

Is so

i ênc i a p a rticu lar

cabe o e st u do d e u m d os se u s as p ect os .

não i n valid a

a n oç ã o

de unid a d e

d a ci ê nc ia,

vist o que es tud a r

u

ma t otalida de

at r avés

da p r ó p ri a

t o t a lid a d e

somente p ode lev a r

à . t ~ lto lo g h q.

\

 
 

Como

para q ua l que r

o u tra at ivid ad e p r odutiva

no m o m e nto

~

e

lJl que se torn a

c o m p l exa ,

~q u i t a mbén ~ " ~mp õ e

l li D j L d i ~ o

d

e t ra balho .

Da í a j us t i fi caçã o de c iência s p a rtic ulares

aut ôno m a s,

c u jo objeto é uma pa r t e d a re alid ad e

'

e

criam norma s

mo

Q _ J ul l . y ,er s o p a rticul a r

sta b e l e c e m ,

l ogia,

em um m ov i m e nt o

de pr o ceder

q u e

à s técnica s.

t o tal e para cujo estu d o se

e s e

contín uo , p r i ncípios

n íve i s,

g e rai s

em d i f e r e nt e s

c

ci ê nc ia

de s de

n ão é a ind epe nd ê n ci a.

cri a

a ep iste -

M .as , a a u t onomi a

a da

como . seu sistem a

_

R 0 prio

d e p e n s ar

um a

parte ,

um aspecto

da

COIs~, t e m

que

estar s!l ,b o r di n ad o

ao u ni ve r s o

g e r a l

dad o

pel a r ea lidade

tot a l.

U ma c i ê ncia particular

a

n ã o é o resultado

da coi sa tot a l ,

rbit rário

d e uma

ci ê n c i a

de um se ci ona m ento

is to e, daq u i lo

que se

fosse possív el r e alizar

se chamaria

Tampouco,

o

objeto

de cad a

ci ê ncia

pa rticular

"ciência t o tal". pode aceitar

um seciona-

m

e nto , igualme nte a r b i trário,

d o objeto

que,

em um dado

mo-

m

e n t o , essa ciência par t icular s e atr i bui.

 

con

Uni projeto ambicioso

E s t e volume pret en de

s a g ra do s

a um tem

sei o primeiro

de uma serre de cinco,

e ra l : O-.Es.fJaçD--1JJJ!1

:!:E:.!!2'

Est e é um

problema

que ,

ap e s ;ü · de tra t a d o

e x t ens i vamente

por dif e rentes

e

s p e cial istas

mas sobretudo

p o r g e ógraf o s , durante

mais de um

s

é culo , a inda n ã o havi a d a d o l u g ª ! :

:

~ , , ~ " ~~~ lÍiva

§ .ist ~ ma

global e X ê ê t o na

obr a mag ist r al

de M axir ni lien

d e u J ! ! Sorre.

Nossa

t

ã " ; efa : ~ t e ntada

em condi çõe s

pesso ais

e hi stó rica s

d i f er e nt e s

é,

pois, pr e ten sio s a

de ss a di fi cu ldade

nos

faz d e clara r,

e árdua. logo de início,

A co nsc iência q u e

s e o nos s o

e s fo r ço ,

r e aliz ad o

ra zão

durante an o s a no tem sid o serão , s e gurament e, m o desto s.

enorme, os resultados M as es s a não é uma

a obter

e

xi mir-nos d a responsabilida d e

d e par t ilhar

a e xperiênc i a

p ara e le en-

sino e pesquisa

que n o s f oi da do viver em cont a to

com rea lida des

t ã o di f ere n tes

n a Á frica (do N orte, O c ident al

pos sibilid a d e d e um tr a b a lho i n terdiscipl i na r

e m paí s es e cu l t ur a s

as mais diversas na E u ro pa ,

e n as A mé r i ca s .

A

tamb é m n o s obrigou

e O ri e ntal)

a

um e s fo rç o

d e l e it ura

que de sbordo u

do campo

d a g e ogr a fia

pa r a o t e r re n o

d as c i ê ncias

so ciais tradic i onais

e mod e rna s ,

e

 

3

conducente

à elaboraçã o " de " um conjunto

de prtucíp.iGS de b as e ,

 

servir como

guia para

 

pa ra

o

capai ~ ae trabalho

a formula ç ão a ação.

t e órica, - possa

empíri ç o

e tam b é m

para

É poss ív e l

lizada porque,

que, nos dias de h oje,

de um lado ,

a t ii l l s cli a

e s sa tare f a abandonou

ser rea-

o. s eu r:apel

 

-

 

r

e itor da e laboração

científica

e passou

a ocu R J iI:. se mUlto ~ ) , §

do

d

omínio

das idéias

e sua compati b ~

At ualmente

não

s e

pode mais falar de uma filosofia

gera r que d i te nor mas

de pens a r

ou uma t eleologia

para

cada

disciplina

partic ular.

D es s e

fato

defIui o outro

aspecto do problema.

Cada di s cip lin ~J ? ? ~ ~ r

a

SU? ~ p ró p ria e pi s t e mologia ,

aqu i lo

qu e Bach e lard

chamo u

~e

'

" teor i a

region a l ", f u n dada na su e

pró p .r ia _ p r : ática - - e co m reí e r ê nc i a

ao seu p róprio

objeto .

Isso não qu e r di z er que se bu sca

pr ov a r

a

existência de uma ciênci a independent e,

por q ue

l ~

2

obrigou-nos;

princípios

mesmo, a tomar

de ciências

exatas

interesse por ca t e g or i as

f i lo s óf ica s e

que há alguns

a n os a t rás es t á va m o s

aba lh o. ração,

t

r

A ex t ens ão

da divis ã o

n o espaço,

das diver sa s

do tr a balho instâ n cias

corres p onde

à s e pa-

do processo produ t ivo ,

longe

mento

d

de imaginar

pudessem

ser úteis

N o s so maior

do e spaço humano.

uma forma

e e ncont rar

de e x p ressão

a um esfo r ço,

m e lhor p or é m ,

co nh ec i- fo i o

que, b u sca ndo

om a va l o r ização

c

instâncias.

dif e rent e,

A urb a nização

mo do

segundo

às época s,

é um

q ue as outras

resultado

do

forma s

d e ss as me s mas

corres-

e stág io

de arrumação

fosse também simples.

O le i tor julgará se a t ingim os

ser e x a ta, e s se ob jetivo.

pond e nt e, espacia l :

do m e smo o es t udo

da produç ão

de v e fu n c i o nar

como

este é o primeiro

d eve m

f o r mar um

uma v erdade i ra

teoria

do e s p aç o

do espaço h umano .

Os estudos conjunto coerente .

dos qua i s M a s

cada

v olume

pretende

s er , p o r

s i só,

O ter ceir o

volume trata , e s pecif i cam e nt e,

d a Org ani zaçã o

um li v ro, poss í vel de ser lido independen te men t e.

Isso n os o b r i-

gou a um a esquematização

pr év ia cuja di fi cu l da de

não

e s c on -

demos :

a redação .

de um

li v ro

se faz

ao m es mo

tempo

qu e

no vo s c o nhecimentos

afloram

e no v as

idé i as se e laboram ;

é

bem poss í vel

que

o pl a no

dos volumes

assim

a

l t eraçõ es ,

da mesma f o rma qu e o presen t e

s ub se qü e nt es vê a luz s eguindo

s o f r a um

o

rden a men t o

q ue é bem diferente

do projeto

orig in al.

P

reten d e ndo

che g ar

a um a geogra f ia

cr ític a ,

e s t e vol um e

é ,

e m p r im eir o luga r , consagra d o

da geo g rafia.

a uma revisão

crít i c a

Não temos

a pre t en são

d e esgot ar

da e v o lu ç ã o

o a ss u nto

do

q

u al ta n to s

outros

a u tores j á trata r am

de f o rm a exa us t iva.

No sso

a o

o

bje tivo ,

aqui, é unicamen t e

apontar

aq ueles proble mas

q u e,

n

o sso ver, impe d em a c on s t ru ção - d e u ma geografia o rien t a d a

para uma J2 I Q - bl emá t ica ~~ m a+ . s --

cons t r ut iva.

N ã o

é

uma c rít ic a delib er a d amente

parcial

ne m gr a tuit a

p o is

e l a

vi

sa a se r vi r como

a ess a g e ogr a f i a

c r íti ca h á

tan to buscada

e para

uma I nt r odução cuja const r ução

da r uma co n t r i -

b

u i ção ,

ain da que pequena .

P ar timos

q u e r emos d o pass ad o

com vi s t as

ao

futur o .

Os d e mais

quatro

v olum es

serão consag r ad o s,

r es pecti v a -

2 . D a N atureza Cósm i ca à D iv i sã o

I nter n a c ional do Trabalho ; 3. Organi z ação Espac ia l da S oc i e -

da de C on t e mporânea ; 4. Tem po S ocial e Espaço H u m ano ;

men t e,

ao s temas seguinte s :

5.

T ota l i da d e S ocial e Esp aç o Total: Forma, Função, Pr ocesso e

Espacia l da Soci e dade Contempor â nea . O estudo c o mp reenderá:

uma di s c u ssão

eco

o prese n te esp acial, tomado como uma realida d e hi s t ori ca mente

es p ecífica.

uni

nição

do que pode

s e r considerado

como

o Prese n te

co m o

e d a à d ef i- O E st a-

n ô m ico ,

social e políti co

U m a tentativa da sociedade

e o que pode ser c onsid e r ado

de definição

da e r a t e cnológ ica

q u e

e l a engendrou

l e var á

conseqü ê nci a .

v ersalização

do espaço g l ob a l, total como u m a

do

E

tação do fenôme no

p aís es s ubd es envo l v i do s .

- Nação

n tre

s e rá a n a l isado como unid a de geográfic a . d e e stu do.

uma

ou tro s

temas tratados

es t á

tentativ a

de r ein t e r pr e -

ao s

da u r ban i zação,

c o m especi a l r efe rê n ci a

 

O q u ar t o

volu m e t rat a r á

da s rel a ç õe s

entr e o tem p o

(s o ci a l)

e

o es p a ç o

(to tal ) .

A noção

de t em p o

socia l

l e v a à no ção

de

,I

I

p e rio di zaçã o d a his t ória

do fato q u e a H i st ó ria

A ca t egor i a m odos de produção

é , t o d avia, insuficiente porque de n tro de um te m po exis t em

tem pos . O tempo do modo d e pr odução é unive r sal; daí impõ e - se

que p e r mi t e

ana

igualmente consid er ar

e e s sa necess i dade epistemo l ógi c a p rovém

é , a um só t emp o , con t í nua

e descont ínu a .

E la

pe r mite essa periodiza ç ã o.

do Es t ado - Nação,

internac i o n al

d

o tem po

e

n t re

l isar

a ar t iculaç ã o

a divisão

o trabalho

. e a divisão interna

forças i nt er n as

e d o espaço .

do trabalh o

e as fo r ç a s

o estud o do jog o entre

d a s o c i e-

A n o ç ã o de um tempo empírico é a ú nica

obje-

e assegura

e x t er n as

as

dade

capaz de s e r compatibi l iz a da

d e modelag e m

com a noção

de um esp a ço

Estrutura .

Mas essa enume r ação

não s i gnific a

qu e

os

l i vr o s

t

ivo . - ' E l a deve p e rmitir

q ue se traba l he,

f i nalm e nte,

em termos

se r

seguintes aparece r ão nessa ordem.

 

de s i s t e m as espaço-temporais.

Esse vo l u m e

pr et ende

um

O segundo vol u me, pro v isoriamen t e

i n t i tula d o

Do Es pa ç o

p

rim eiro

es forço de con s truçã o

de u ma e pi st e mo l ogia

do esp aço

C

ó s m i co à Di visão In t e r nacional do T r a bal h o p r e ten d e oferec e r

h

um a n o,

d e c or r ente

d a teoria da q ua l os três prime i ros

u

m a ex plicação

daquilo

q u e se pode cha mar

de pr o c e s s o

de pr o -

tra

t a m.

O qu i nto

volume

deve com p l e t a r

esse e s forço

v olu mes e pi s te-

duç ã o

do esp a ço.

A tese su s t e ntada

é de q ue , ao se t orn a r

pro -

mológico.

 

duto r ,

utilizador conscie n te do s i ns t r u m e ntos

de tra -

E

s s e q u i n t o

e ú l t i mo

volume

d a s é r ie t ra t ará

de problem a s

ba l ho,

is t o é, u m o home m

se torna ao mesmo te mpo

um s e r so c i a l

e um

qu e p od e m s er ge n er i camente c onside ra dos

c o m o pertencentes

ao

criado r de espaço.

dos fa t ores

são

A e v olução espacia l

de produção,

é d ad a p e l a comp lica çã o

c u j o s marcos ,

âmb i t o d e um a

n

o e s paço .

dialética do espaço,

m e l hor

d it o,

u ma d i alétic a

e das relações

no t e mp o ,

A t o t alidade

soc i al é tra t a d a

c omo u m ser cu j a e xis-

as diversas

eta p as

da divisão in t er nac i o nal

e inter n a

do

t

ê n c i a, em última

i n stâ n c i a,

é da d a

atr a vés

do espaço

total .

O

 

5

4

estud o da to t alidade zação é a ss ociado ,

de perm a nente

de totali- e m process o

mud a nç a. Às mut a ç õe s da s ocied a d e cor r es -

soc i a l ass im ,

e m proc e s so

à anál i se

p e rma ne n te

de u m e s p a ço

pond e m ci s ões qu e m odi ficam p r of und a m e nte

cial .

lisado s

gorias d a r e alidade .

pois, t ratados

imbricadas e interdependentes.

demarcado, do e s paço .

da t otalidade

a org a nizaçã o e spa -

ser a na- ca t e - serão ,

do r e al, ficar á assim

Esse s dois mo vi m e nt os a tr avés de ca t e g orias

c on jug ados s oment e pod e m

que seja m ,

ao m es m o t e mp o,

e e s t r utura

e categorias

s ocial como

como

Form a, f u nção, proce sso

d e a nálise

como categoria s

no interior

O lugar da i deolog i a

então,

tan t o

d e ntro

de

A paisagem

ap are c e r á ,

uma es pé c ie

"

mentir a funcional ". poderá p e rmitir

q

tend ê ncia.

Só o estudo

do movimento

da t otalidade

a s sim , e

a

em

a sep a r a ç ã o

de uma

do i deológico

e autoriz a r ,

u e

se d e fina,

s ó vez,

a estrutura, a ssim reconstruir

o conte x to o futuro ,

Quem sabe pod e remo s

um

a é poca em que o espa ç o p ass ou a ser uma categori a

f i losó fica

 

e

política fu n damental?

Se o n o sso projeto

c h egar

a ser, como

deseja mos,

um p r o -

jeto coerente, e s ses e l ementos

e s p a r sos constitu i rão

um todo.

Os

temas tratad o s

irão,

assim, se en t r ecruza r .

As repetições ,

ne -

 

cess á ri a s , não interferir ã o

com

a ê n fase

que obterá ,

em ca d a

livro separado, um prob le m a abor da d o

aqui e a l i p e las

n e ce ss idades

de exposição.

 
 

N

o presente

v olume e s tuda m os

certos tema s

c o mo

o do

tempo,

o das rel ações

entre for ma

e função ,

e es trutura ,

o

da organização

espaci a l

d a s oc i edade

p r oc es so atual cada

v ez que Se

mostram neces sários

à c l areza

d a expo s iç ã o ,

mas de m a neira

mais ou menos espa r sa, já que serã o obj e to

ci a l onde o tratamento como e m profundidade .

mas, t a mb é m neste ca s o , a ob servação p r eced e n t e é v á lida.

de um v olume espe -

tanto

em e x ten s ão d e re iteraç ã o ,

da ma téria

ser á ou t ro ,

Outr os te mas

s e r ão obj e to

A preocupação

qu e nos guia ne s te li vr o, que é apenas

é r etomar, pela a nálise

uma a pro - feito para

etapa da tarefa que nos impomo s,

blemá t ica do espaço , começ a ndo

at é hoje por diferent es

propo r , finalmente,

pela

raiz ,

do trabalho e ográfico ,

g

escolas do pensamento

d e estudo

l i ma l i nh a

ba s ead a

nas rea l idades

atuais e que seja , ao me s mo temp o , uma teor i a e u ma epis temo l ogia.

N assa ambição

é íom e c er,

ao mesmo tempo, a ' explica çã o

r ealidade espac i al e os instrum e n t os

p ara sua anális e. j \ credit amos

da

q

üe

uma t eori a

q u e não ger a ,

a o mesmo

tempo,

a su a própria

ep

i stemolog i a,

é inúti l

porque

não é operac i onal,

do mesmo

modo que uma ep i st e mologi a

que não s e ja baseada

numa t e oria é

6

m alé fica , porqu e o fe re c e inst r um e nt o s

o

o o b j e tiv o

de an á l is e qu e desconhecem

ci e ntí f ic a

q ue de v e ser

u d e formam

a r e alid a d e.

A coe r ên cia

n ã o pod e se r obtida d e outra forma !

final d a r e fl exã o,

(196 5

S

U m r i s c o ne c es s á r io

ab e mos

a qu e r i s c os

p . 93 ) que " qualqu e r

no s e x pomos.

B e rtrand

Ru sse l dizia

doutrina dotada d e algum a co e r ê ncia

é, se guramen t e ,

p e lo

m e no s

e m p a rte ,

e cont rá ria

p

r ec on c e i tos

cor ren t es".

Qu a ndo

alg u ém

peno s a s e di s põe

aos a mostrar

t

a

i s preconceitos ,

a t a r e f a ci e ntífi ca

os erro s,

às v ezes

se torna tamb é m

de l iberados ,

uma tarefa

p

olítica ,

porque

numa ci ê ncia

co

mprometi da ,

benefici a m

a certos

grupos

de interes s es.

A tare f a da re no v ação da ci ê ncia sempre e quivaleu à tarefa

e is s o, em nossos

da re novação

di

das forma s de p e nsar da sociedade

ainda

mai s válido

a s,

é t a l vez

do q u e no tempo

de Ga l ileu.

~ Qualq~e r ten t ativa

de renovar

uma c iência

para

que

e l a

se

a

T ais obs t ác ul os são s e guramente

partem da p r ópria prof i ssão .

selo do saber oficial , que funciona como um aval tanto mais

pod e roso quan t o

risco de ferir s u scetibi l idades

crítico

acervo de obs t áculos. d

dapte

ao real

v ai en co nt ra r

um eno r me

mais difíce i s de transpor

De um lado ,

sua origem

qua n do traz

o

o erro é m a is ' prolongado.

De outro lado , há o

Na v erdade

entre compan h eiros .

L y nd

q u e " este

não basta

dizer com Rob e rt

é um t em p o

para a s ciê ncia s

sociais ,

não é um tempo

para

cortes i a s. ( 2)

O comportamento

da coleti v i d ade

científica

é m u ito

im-

portant e quando s e t rata de d i fundir uma id éi a , sobretudo se

e

l a se apre s en t a

c o mo

no v a ,

e choca .

A qu e l e s que t ê m mais

expe riê ncia

A

qui v aleria

às vezes sã o os mai s duro s na ace i ta çã o

a p e na

r e corr e r

a uma

id é ia

e x posta

da no v idade. Pe t er

por

Ha gg ett (1965 p , 114), segundo

a qual "os e s tudante s

estão m u i t o

mai s prontos

para ensiná - I a s ".

s tar conve n c i do

impopular ,

e

a receb e r Admitindo

novas

de qu e " um

id é ia s do que nó s estamos

uma tal posição,

deve - se,

esforço

semelhant e

de se poder

supor

prontos de logo ,

pode resultar que n a sua

p elo menos

p e lo fato

or i gem há certa i mod és tia e q u e o au t or

in t érprete defini tivo do s esforços

guia para os í i. t u ros esforços." Es t a adv e rtência de Bern ardo

dese j a impor- se com o

no passado

e o ú nico

rea li zados

I

-

( 2)

Cita d a

e m , D a rcy Rib e iro,

" L as A m éricas

y I a Civ í l izací ó n,

Lt i C i vil i zlLC i ó n

Oc i de n tal

y nosotros ,

Los pueblo s t e stimonio",

C e n t ro Ed i tor d e Améri ca L a tin a , B . Aires, 1 968.

7

S ecchi, ( 3 ) não deve, p o ré m , co nf un d ir o e xp o s itor , po r que não

há nenhuma poss i bil i da d e

grande parce l a sem risco .

uma

de se fazer pro g r edi r

uma c i ê ncia

sem c r í t i co

de esforço crí tic o.

E nã o há es forço

Categorias funda m e n ta i s

como o h om em,

a n atur eza,

a

s re-

de

análise, embo r a a ca d a p er í o d o histór i co o seu c ont e údo mude.

Ê porisso

sente,

enorme para pe rder

feito

d

não com certezas.w' Porisso não dev emo s ter med o de apre -

sentar como res ultad o

por t ante pa r a fazer part i cipar que cham a rí am o s de p r é -idéias .

é uma li n guagem,

de tal fo r m a qu e s ua exposição inse r e o le ito r no próprio pro-

uma

la ç ões

soc ia is, estarão

sempre prese n tes

n ã o

ex ig e

d o

p o r qu e O no v o

como i n s trum e nt os

mes tre au r a r

que o p a ssa do

ode serv ir com o

seu o n o v o

do p r e-

e _ toda

ou ai n d a

t are a p I Oneira

a mem ór i a,

nã o c odif i c ad o .

e s ó pode

do n o sso

um esw rço

não

o

e

é o ainda

f orma ,

é , de ce rta

e sconhecido

ser con cei t ual i z ado

esforç o a ou t ros A id é i a,

c o m imagin a ção

aquilo

q ue é mais im-

aquilo

a

d a no s s a b u s c a,

ta l como do c o nceit o

se t ransmite,

por

cod ií i ca ç ão , en qu an to

o apr i sioname nt o

que a pré-idéia

é a id é i a em vias d e c r iar-se,

cesso de s ua pr o duç ã o.

Servim o -nos ,

um a vez mais, de u ma id é i a de K ant,

q u a n do

diz que "quand o compa ram o s

prime em re lação

a o a ssun t o

os pe n s amentos

que estudou ,

que ' um au t or ac h a r

ex -

é mu ito comum

que

o compr e ende mos

m elh o r

d o que e le próprio

o fez ".( 5 )

É

que

à ela boração

da i dé i a pr e ce de

o enc ontro

da l i nguagem

ne-

cessária a ex primi-I a cor r etamente.

O criador , de uma

(3)

" C o mo é sa bido , é f á c i l que um

e s f o r ç o se m e l h an te

idéi a tra -

se to r ne

im

p opu l a

r,

a o me n os porqu e

se supõ e

que e x i st e

certa

í mod é s t í a

e m

sua or ig e m.

Quem

o abord a p a r e ce

qu e qu e r ' e ri g tr - se

e m i ntérp r e t e

defin i t i v o d o s esforços re a li za dos no p as sado e n a ú n i c o guia do fut u ro ' ,

e pode da r

sendo ma is ou m e no s apr e c iáve is,

trutivos''' .

in B . S ec chi , 1968 p . 17-99. (4) ' ' 'A composi ç ão d e sta obra representou

esforço d e evasão , uma l u ta p a ra esc a par

mento e de e xp r essão; e a maior p a rt e dos l e i tores dev e r ão r e a l i z a r

a im p r essã o

B er nardo

d e qu e r e r

' cr i ticar

tr a b a lho s

d e out r o s

que , em ser con s -

terr í toríal " ,

ao menos e s forçam - s e

S e cchi, " L a s ba s es teór i c a s del aná l í sís

pa r a

o aut or

à s f o r mas habi tu ais

um l o ngo de p e n sa-

esforço s e me l hante

tão l a b o riosamente expressas aqui são extremamen t e si m p l es e de v e r iam

consiga con v encê- l o s " As idéias

para

que o a utor

ser e vid e nt es . A dif icu l da d e não consi s te na co m p r eensão das i dé i as novas

e sim e m escapar às idé i as antigas que dese n vo l veram suas ramificaç õ es

em todos os reca n tos do esp ír i t o

fo rm aç ão que a maior pa r te

ingles a da Teo ria

das pes so a s q u e rece b e r am

J. M . Key n es , prefácio

e da Moed a " .

a m es ma à e di ç ão

de nós".

Ge r a l do Emprego, da Rend a

( 5)

Kant, Critique

ot ture Reason , 2'!- ed. 787. B 3 7 0 , Trans .

p or

N o rm a n K e mp Smit h , L o nd on Mac Milla n , 19 29 , p . 3 10 .

---- ~~

b

a lh a

com o voc a bu lár i o

de que dispõe ,

isto é, um e l enco

de

p

a l avras d e s t inadas

a ex p ri m i r

um con j unto

de pensamen t os

que

e

l e dese j a s u b s titui r p o r um o u tro.

 
 

Esta tarefa

p ode

tra z e r

ao pensa d or

uma sat i sfação

pre-

m

qu a nd o , a prop ós ito

atura.

n aquil o i ve

q u e

As s im, o m e l hor é fazer como Woodbridge

qu e e sc r ev i fui profun d ame n te

d as minhas

afir m ações

sério ,

cada

(1940, p. 11)

do se u li v r o An Essay on Natu r e , escreveu q ue

ve z es busc a va

"

t

professar com au toridade".

sorrir

mas m u itas vez

que

9

\

CAPÍTUL O

OS FUNDAD O R ES : AS PRETENSÕES CI E NTíF I CAS

,

>,

"N ascida

88 )

" f oi

não durante o desenvolviment o

no i nício

a geografia ,

tanto

mas n o deco rr er

(1948

u ma ciência,

do triunfo da burguesia" ,

p.

filosofi a

s

um meio

de combat e

a H istória .

de sua juventude

nas quais se desenvolveu.

a geografia mais que nenhuma

ideológicas em curso (

e screve Je an Dr esch

c om o

uma fi l os o fia

d e que os geógr a fos

a lemães, como o s h istoriadores,

E la foi m uit as

v ez es utilizada

naciona l o u i n ter naci o nal ,

uma

e I mpéri o s,

talvez

mais ainda

se

e rviram c om fins políticos .

de propaganda

entre Est a d os

c o m o arma

que arca com as conseqüências

S eja como for, ela ainda

e das condições econômicas ,

sociais e po l íticas

métodos,

Pelo fato d e ter seus próprios

)".

outra ciência, sof r e u as influências

De fato, a geografia

oficial , foi "des -

de os seus começos "

mais uma ideologia

que uma filosofia

e

isso não se deu apenas - na A leman h a

mas um pouco

pelo mundo

inteiro.

A l i ás , D resch reconhece

esse fato

quando

escreve que

"desde

suas orig e ns,

ela responde

a uma

ideo l ogia

neces s aria-

men t e orientada" .

 

Que ideolog i a

é essa?

 

A ideologia

da geog r afia

 

A ideologia engendrada

pelo cap i talismo

quando

da sua im-

p

l antação t i nha que se r adequada

às suas neces s i d ades

de expansão

nos

países centra i s e na

pe r iferia.

Esse era um momento crucial em

que urgia r emedia r ,

a õ mesmo

tempo,

o ex cesso de produção

e o

excesso

d e capita i s

b em como

sopitar

as c r ises sociais

e econô-

I

1

micas que

sacudiram os países inte r e ssados .

E ra nec e ssário,

por -

tanto ,

criar

as condições

para

a e x pansão

do comércio.

A s

necessi dades

e m matérias - primas

da gr a nde

ind ústri a ga r antiam

alé m-mar

a abertura

de minas

e a conquista

de t erras

que eram

 

13

ta m bém utili z adas

p ar a

a p ro d u ção

de al i m e nt os ne ce s sanos

a os

r

ela çã o

en tre a ex pansão

da g e ogra fi a

e a da coloni z a ç ão . (2) _ O

países então i ndustr i ali z ados

nacional d o trabalho ganh ava nov a d i m e n s ã o . Era então im-

nu ma

fa s e

on de

a d i visão

inter -

í

mpeto

d ad o

noss a di s cip l ina

à coloni za ção

s ido

ter ia

e o p ape l f a tor

um

nela re presentado

p o r

de s eu desenvolviment o .

pe r at i v o

pobres às nov a s tarefas que deviam asseg urar sem desc o ntinu i dade .

adapt a r

as e strutu r as

espacial e ec on ô mic a

dos p a íse s

A

geog r afi a fo i chamada a r epres e ntar

um p a pel i mport a nte

nes ta

transformação .

-

~

--- -'-·· ~iant e da m a rcha triunfante do impe r i a l i smo,

os ge ógr a f o s

divid i ram

pelo advento

org!lni z ~d? com o fim de oferecer ao ho m em mais ig ualdade

mars fe l icidade :

Ser á que se pode também

seus pontos

de um

de vista.

mundo

De um lado, a q ueles qu e lu t ava m

mais justo

ond e

o es pa ço

entr e os qu e viam

so c ie- sido

de uma

n ã o

n ova t enh a

s er i a e

são os casos de Elysée R eclus e C amill e Vallaux . ( 1 )

incluir Kropot k ine da construção

o príncipe

no espaço

dade?

ofici a lmente um geógrafo.

uma

Não importa

das chaves

que

anarquista

Por outro lado, aqueles que preconizara m

e aqueles,

não chegaram

a seus generosos

clara mente o c o lo - mais numerosos , qu e

um a ciência

n ia~ism~ e o império .do capital

se imaginando humanistas

geográfica conforme

a construir

anelos.

~

des

N,a~cida tardiamente

como ciên ~ i' L Q fic i - ªl,

q

esd ~

2

~

a geog r afia

erç. 9 , dos gr gnd e s

. p _ ~ t : . ~ J 'e _ ~ ~ I Ü~ . ar ,

t e ve .

in te -

~ m .s _ es. Estes acabaram carregando-a

do

Estado

consigo :

das grandes

de um lado, esc o n-

Uma

metas conceituais da geografia foi justamente ,

der o papel da sociedade

um outro aspecto

bem como o das classes,

A justificativa

na organ ização

co l onial

e do espaço.

da obra

fo i

do mesmo programa.

~ ut i l i zação

A geografia colonial

da geografia como instrumento

de conq ui sta

colonial não foi uma orientação isoladá, part i cular

a um pa ís.

E m

todos os países colonizadores,

houve geógrafos e mpenhados

nessa

tarefa, r e adaptada

artifícios cada vez que a marcha da História conh e c i a

flexão . Freem a nn

segundo ' as condições

(1961 p. 9) considera

e renovada

uma que exis te m esmo

so b n ovo s in -

um a

( ' 1.931,1962 p . 132) , para

Carmlle Vallaux "o objeto da investigação geogr áf ica seri a a tr a nsror - '

mação das regiões naturais e sua substituição

profund~mente modificadas. Camille Vallaux con si d e ra as novas paisa-

por regiões novas ou

~ l )

Levando em conta o que diz C . Sauer

gens criadas

pelo trabalho

humano como mais ou me n os d efo rmadas

da paisagem

natural

e encara

o grau dessa defor m ação

como a ver-

dadeira medida do poder das soci e dades humanas."

A

. Mabo gun j e ,

t o, fo r ç and o

fa

ceses

t

r a ba lho

reputado geógra f o nigeriano, insiste (1975)

a m ã o na apreciaçã o

um t a nto

do papel dos geógrafos

distraído

nesse fra n - o

e s e mo s trando

do s i nglese s.

quando me n c i ona

A p r ime i ra

cadeir a f r ancesa

d e geografia estabele cida

em

Par i s e m 1 80 9 e v ag a c om a morte

de I a B lach e

de A . Himly

criada

em 1 899 .

A segunda cátedra,

coube

a Vidal

em Paris em

1

8 9 2 ,

fo i a de geografia

colonial,