JARDINAGEM | CASA DE CAMPO | PAISAGISMO
Flores de
inverno
Elas enchem o
jardim de cor
na estação fria
O saboroso
manjericão
Aprenda a plantar
esse tempero que
vai bem na horta
e no paisagismo
Pequeno espaço
Um projeto de 40m² com
cozinha gourmet, área de
estar e lazer molhado
• •
desenho criativo
desenho criativo
•
•
Os jardins da
Os jardins da
Casa Cor SP
Casa Cor SP
Paisagistas revelam
O
que não pode faltar no
seu jardim
Plantas esculturais, ambientes de estar, madeira e outros elementos
que fazem a diferença na opinião de grandes profissionais
orquídea: o que fazer com a falenópsis depois que as flores caem
Roberto Araújo
editorial
A gente não quer só plantas
E les, os paisagistas profissionais, sabem o que
estão dizendo. Falam que num jardim não podem
faltar a beleza das plantas esculturais, a nobreza
da madeira, o barulhinho da água e tantas outras
coisas capazes de fazer toda a diferença no paisagismo. Claro que, enquanto as repórteres pesquisavam, eu também fiquei me perguntando o que não podia faltar no meu próprio jardim. Descobri que o que eu mais gosto é das lembranças que acumulei em cada cantinho. Sentimentos precisam ser compartilhados. Não tem graça nenhuma sentir sozinho, tanto o prazer quanto a dor. Quando olho minha lofântera, que cresce lentamente, não vejo apenas a árvore de cachos amarelos. Relembro da viagem que fiz a Divinópolis, em Goiás, quando pela primeira vez vi essa planta na charmosa pousada onde dormi. Lembro da busca por uma muda. Lembro de meu filho Pedro colocando a acanhada plantinha no berço enorme que escavei; e até da crônica que escrevi sobre como ela seria no futuro – e que depois publiquei no meu livro O Poder do Jardim. Não, ela não pode ser uma simples árvore para mim. Assim como a palmeira-garrafa que tenho ao lado da piscina não é uma simples palmeira. Dez anos depois
de plantada, acaba de se tornar adulta. No último fim de semana olhei longamente o cacho que nascia de seu tronco enquanto recordava que ela foi o presente de Natal que Shirley, minha mulher, me deu há uma década. Não, uma planta não é apenas uma planta. Mais até que para pessoas, tenho uma memória ótima para a história das minhas plantas. Um passeio pelo jardim me enche de recordações, das alegrias de outros momentos, da generosidade que tantas pessoas tiveram comigo. Plantas são presentes que jamais esqueço. Ganhar uma mudinha pode nem parecer um grande gesto. Mas nada começa grande. Mesmo o amor, principia apenas com uma palavra doce, um toque de mão, um sorriso, um olhar, uma mordida no sanduíche do outro. Por isso, o que não pode faltar no meu jardim é história. A gente quer também um pouco de carinho. Compartilhar esse sentimento, essa incrível energia que começa num simples brotinho, em uma pequena crônica, e floresce enorme dentro do coração.
Roberto Araújo araujo@europanet.com.br
Se for o caso, reclame. Nosso Objetivo é a Excelência. Visite nosso site: www.europanet.com.br
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Sumário
EdiÇãO 330 | julhO dE 2015
16
O que não pode faltar em seu jardim
Água, plantas esculturais, madeira e outros elementos que os paisagistas usam para valorizar seus projetos
32
pequeno eSpaço
Lazer completo
Em 40 m², a paisagista conciliou áreas gourmet, de estar e lazer molhado
58
curioSidadeS
Flores de inverno
Conheça as espécies que florescem nos meses mais frios do ano
78
Horta
Manjericão
Aromático e bonito, esse tempero vai bem na cozinha e no jardim
Outras reportagens
Conheça melhor
Plantas do mundo
Jardinagem
Mostra
Clube
Piscina
Garimpo
Almanaque
Correio
Planta de coleção
|
flor-de-maio |
6 |
|
|
a |
árvore das tulipas |
14 |
|
O |
que fazer com as orquídeas falenópsis |
38 |
|
as novidades da casa cor São Paulo |
44 |
|
|
Projeto arboreSer |
54 |
|
|
um projeto cheio de curvas |
64 |
|
|
O |
que há de novo no mercado |
72 |
|
Notícias, cursos e dicas |
84 |
|
|
O |
espaço do leitor |
94 |
|
beleza sem tamanho |
106 |
|
caPa Projeto: ricardo caporossi (paisagista de lagos ornamentais e diretor da Gênesis Ecossistemas), tel.: (19) 3802-1350, www.genesisecossistemas.com.br; foto: Valerio Romahn; produção: Aida Lima
Natureza
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luiz Siqueira
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conheçaconheça melhormelhor
Flores de todas
as cores
TexTo AnA VAzzolA FoTos VAlerio romAhn
Nativa do Brasil, a flor-de-maio surpreende com pétalas nos mais variados tons, inclusive em degradê
Natureza
S e você procura uma espécie diferente para se destacar no jardim ou dar as boas-vindas a quem visita sua casa, pode apostar na flor- de-maio (Schlumbergera truncata), também
conhecida como flor-de-seda. Originária da Mata Atlântica do Sudeste brasileiro, ela é uma cactácea de ramos suculentos e pendentes, de até 60 cm de comprimento, e produz flores belíssimas, nas mais variadas cores. Elas são tão delicadas que há quem prefira chamar a espécie de flor-de-seda. A principal característica da flor-de-maio – e que rendeu a ela este nome popular – é o florescimento numa época pouco comum para as floríferas brasileiras. Todo ano, no mês de maio, numa florada que dura de 15 a 20 dias, sua ramagem pendente ganha a companhia de pétalas em tons degradê. Elas brotam nas extremidades dos caules, medem 8 cm de comprimento por 6 cm de diâmetro, e cada flor dura de três a cinco dias. O caule da planta, por sua vez, é formado por vários segmentos – chamados artículos – com aparência achatada e bordas dentadas, mas que não têm espinhos. O curioso é que, na fase inicial de
Com bordas escuras e centro mais claro, as flores-de-maio exibem cores vibrantes que se destacam no jardim e na decoração
Natureza
conheça melhor
desenvolvimento, dá para descobrir a idade aproximada da planta contando o número de artículos, pois cada um deles demora cerca de cinco semanas para se formar.
COLORINDO O MÊS Na Natureza, as pétalas da flor-de-maio exibem degradês de vermelho, branco e rosa – elas têm o interior claro e as bordas mais escuras. Porém, através do cruzamento entre exemplares da própria espécie, foram criadas flores de outras cores, como amarelo, laranja, roxo e lilás. Segundo o produtor Gabriel Kors, que cultiva a planta em Campinas, SP, com tantas opções, vale a pena plantar mais de uma muda num mesmo vaso para formar um belo arranjo.
Se é de maio, como tem flor o ano todo?
M uita gente se pergunta como é possível comprar mudas de flor-
de-maio floridas o ano inteiro, se nos
jardins elas só florescem em maio.
A resposta está em uma técnica que
os produtores usam para induzir o florescimento das plantas. Primeiro, eles multiplicam o exemplar exatamente como as pessoas fazem em casa (a explicação está na página 12). Quando a planta completa 25 semanas e já está com cinco
artículos em cada ramo, o último deles
é cortado. A muda é, então, levada
para uma estufa sombreada e fria, que simula as condições climáticas do outono, onde as flores despontam seis semanas mais tarde. De 15 a 20 dias após a florada, as flores caem e só voltam a surgir no mês de maio seguinte.
Natureza
De tão delicadas, as pétalas das flores parecem feitas de papel. Daí o nome popular de flor-de-seda
10 Natureza
CoNhEçA MElhor
são dispensáveis – basta remover periodicamente, com a mão, as folhas ressecadas e feias. Já a adubação deve ser semanal, com NPK 4-14-8 ou NPK10-10-10. A espécie também é fácil de propagar e pode ser multiplicada em casa por estaquia de folhas. É só cortar um artículo e acomodá- lo em vasos de 30 cm de altura e 40 cm de diâmetro preenchidos com substrato composto por partes iguais de terra vegetal e fibra de coco. O enraizamento ocorre em um mês. Os artículos mais indicados para o processo são os mais novos – “normalmente os três penúltimos do caule”, aconselha Gabriel. Outra dica é não cortar o artículo com uma tesoura e sim com as mãos, girando-o e puxando suavemente. Deixe-o cicatrizar por uma semana e só então plante-o no vaso, sem enterrar – cubra apenas a base dele com terra. Gabriel também recomenda evitar mexer na planta durante a floração. “As flores são muito sensíveis e podem cair”, explica. A Jatobá Flores vende a flor-de-maio em vasos de 11 cm a preços a partir de R$ 2,10. Já a Floricultura Úrsula (www. floriculturaursula.com.br) tem vasos maiores, de 17 cm, comercializados a R$ 22,40.
Procure não manipular a flor-de-maio no período de floração. Sensíveis ao toque, os botões podem cair
Natureza
consultoria: Gabriel Kors (produtor da Jatobá Flores), tel.: (19) 3802-2716; cristiano Kuhn (Floricultura Úrsula), tel.: (54) 3281-9020, www.floriculturaursula.com.br
plantas do mundo
A árvore
das tulipas
RobeRto ARAújo
texto
E la não é apenas mais uma árvore. Não é qualquer uma que merece ter flores tão parecidas com as tulipas como as do Liriodendron tulipifera. Foi essa flor amarelo-esverdeada com traços de
vermelho e laranja que encantou o famoso caçador de plantas John Tradescante, o Jovem. Tanto que ela foi uma das primeiras espécies enviadas do Novo Mundo para a Europa, por volta de 1680. Os índios norte-americanos não conheciam a tulipa, um bulbo que gera uma única flor. Mas conheciam o tronco forte do tulipeiro, que escavavam para fazer canoas e viver bravas aventuras pelos rios da costa leste. O lugar do qual a árvore-das-tulipas mais gosta são as florestas das Montanhas Apalaches, onde chega facilmente aos 50 m. Isso porque detesta sombra. Cresce muito rápido para superar as outras árvores em busca do sol. Quando plantada a sol pleno, fica bem mais baixinha, pela falta de competição. A madeira, porém, é sempre dura, ao contrário de outras árvores de crescimento rápido. Além de útil, a árvore-das-tulipas é muito querida dos norte-americanos. Seu nome tradicional é oonseentia e ela é a árvore símbolo dos estados de Indiana, Kentucky e Tennessee. Se você for a Nova York e quiser conhecer a maior e mais velha árvore da cidade, vá a Alley Pond Park, em Queens. É lá que mora a Rainha Gigante – The Giant Queen –, um belíssimo exemplar da árvore- das-tulipas. Prefira visitá-la em abril, quando ela exibe suas belas flores em forma de cones: as únicas tulipas que dão em árvores.
Natureza
Além de dar flores similares às tulipas, o Liriodendron tulipifera cresce rápido e tem madeira bem dura. Tanto que os índios norte- americanos a usavam para fazer canoas
Shutterstock
Natureza
O
que não
TexTo ana luísa vieira FoTos valerio romahn Produção aida lima
pode faltar
no seu jardim
NaturezaNatureza
Água, plantas esculturais, madeira e outros elementos que os paisagistas fazem questão de incluir em seus projetos, e dicas para acertar na hora de usá-los
O s paisagistas são verdadeiros artistas do verde: conhecem plantas como ninguém, sabem o que faz a diferença em um bom projeto e colecionam macetes adquiridos ao
longo de anos de experiência. Foi a esses profissionais de talento que a Revista Natureza recorreu para descobrir quais são os elementos que não podem faltar em um jardim. A lista
de itens citados pelos especialistas é diversa, e inclui desde plantas esculturais até saletas ao ar livre onde a única preocupação seja curtir o verde ao redor. Nas próximas páginas, você confere as sugestões de nomes como Ricardo Caporossi Júnior, Benedito Abbud, Marcelo Novaes e Walkíria Fernandes, além de projetos assinados por eles e dicas para manter as composições sempre bonitas.
NaturezaNatureza
Projeto: Ricardo Caporossi Júnior (paisagista de lagos ornamentais e proprietário da Genesis Ecossistemas), tel.: (19) 3802-1350, www.genesisecossistemas.com.br
O deque de madeira
cumaru com sala de estar
ao ar livre permite que
os visitantes curtam o
laguinho com conforto
Água para refrescar e relaxar
Por Ricardo Caporossi Júnior
A água tem o poder de transformar o jardim em um oásis do relaxamento: “Ela amplia as possibilidades de contato com a Natureza, regula a temperatura ambiente e ainda emite um barulhinho tranquilizante quando em movimento”, explica o paisagista de lagos ornamentais da Genesis Ecossistemas Ricardo Caporossi Júnior. Esse elemento pode aparecer na forma de fontes, cascatas e espelhos d’água, mas o jeito mais sofisticado de incluí-lo no paisagismo é instalando um laguinho como este. A estrutura de 70 m² fica integrada a um deque de cumaru com sala de estar ao ar livre: assim, os visitantes podem interagir com as carpas e até refrescar os pés de vez em quando.
A trilha sonora relaxante fica por conta da cascata de alvenaria ladeada por helicônias (Heliconia psittacorum) (1) e da corredeira de 12 m bordada por bulbines (Bulbine frutescens) (2) e sálvias-azuis (Salvia farinacea ‘Victoria Blue’) (3). “São plantas que atraem borboletas para o jardim”, comenta Caporossi. As pedras de pasto dispostas no entorno e até dentro do lago contribuem para o aspecto natural do paisagismo. Para quebrar a aridez das rochas, o profissional apostou em espécies como o abacaxi-roxo-tricolor- anão (Tradescantia spathacea ‘Hawaiian Dwarf’) (4). Palmeiras tamareira-do-senegal (Phoenix reclinata) (5) e bromélias-imperiais (Vriesea imperialis) (6) arrematam o jardim de estilo tropical.
Enquanto o
abacaxi-tricolor-
anão quebra a aridez das rochas, as helicônias trazem verde para o entorno da cascata de alvenaria
18
Natureza
Palmeiras e bromélias se destacam no jardim ao redor do lago. Para ornamentar a corredeira de 12 m, o paisagista escolheu sálvias-azuis e bulbines
Natureza 19
Natureza 19
Manchas na paisagem
Por Suzi Barreto e Claudio Pedalino
Versáteis, os maciços formam manchas coloridas que cumprem funções diversas no jardim e, por isso, têm lugar garantido nos projetos da paisagista Suzi Barreto, da Landscape Jardins: eles trazem
diferentes tons às paisagens, quebram a aridez do cenário e dão sensação de movimento. Na foto acima, por exemplo, a profissional recorreu aos maciços de angelônias (Angelonia angustifolia) (1), lírios-amarelos (2) e agapantos (Agapanthus africanus) (3) para colorir o entorno do caminho de pedra são tomé. As plantas contrastam entre si não apenas pela cor, mas também na textura de suas flores. Já no projeto retratado no topo da página ao lado, a ideia foi usar maciços de lantanas (Lantana camara) (4) e agapantos (3) para quebrar a predominância do verde da extensa área gramada. A dica para o resultado ficar agradável é juntar espécies com portes, texturas e cores diferentes. “Isso deixa as criações mais dinâmicas e evita que uma planta se desenvolva por cima da outra”, explica a profissional. No jardim ao lado, Suzi usou uma única herbácea – o capim-do- texas-rubro (Pennisetum setaceum ‘Rubrum’) (5) – para compor os maciços que ladeiam a escada. “A espécie tem folhas leves, que garantem movimento ao percurso. Além disso, o tom avermelhado da folhagem mantém o cenário bonito mesmo quando a planta não está florida”, diz a paisagista.
20 Natureza
Shutterstock
Projetos: Landscape Jardins, tel.: (21) 2442-1914,
www.landscapejardins.com; fotos: divulgação
Plantas com diferentes cores e texturas compõem maciços dinâmicos que valorizam o jardim
O capim-do-texas-rubro dá movimento ao entorno da escada e mantém o espaço bonito mesmo fora da época da florada
Com cores e alturas contrastantes, lantanas e agapantos criam manchas vistosas sobre a área gramada
Natureza 21
22 Natureza
Perfeitas para imprimir verticalidade ao jardim, as palmeiras esculturais demarcam entradas e caminhos com seu porte exuberante
Projetos: Marcelo Novaes (arquiteto paisagista), tel.: (19) 3296-4455, www.marcelonovaes.com.br
O jardim no entorno da piscina mescla palmeiras-fuso com espécies tropicais de diversos volumes, tons e texturas
Destaque do trajeto que leva até a residência, a palmeira- garrafa ganhou a forração de miniazaleias coloridas
Palmeiras como esculturas
Por Marcelo Novaes
Fã das plantas esculturais, que criam pontos de destaque no jardim, o arquiteto paisagista Marcelo Novaes tem um apreço especial pelas palmeiras e procura incluí-las em seus projetos. “Elas
caminhos, como acontece na foto acima e à esquerda, onde a palmeira-garrafa (Hyophorbe lagenicaulis) (2) é o ponto focal do trajeto que leva até a casa. Para alegrar a criação, o paisagista apostou na forração com miniazaleias (Rhododendron hybrid ‘Nana’ – Southern Indica Hybrid Dwarf Group) (3): “Elas colorem o cenário sem tirar o destaque da escultural”, explica. Na composição acima, a palmeira-fuso (Hyophorbe verschaffeltii) (4) pontua o pano de fundo da piscina. Para acompanhá-la, foram escolhidas plantas tropicais como bromélia-imperial (Vriesea imperialis) (5) e gravatá (Aechmea blanchetiana) (6): “A mistura quebra a monotonia do visual e equilibra diferentes tons, texturas e volumes”, conclui o paisagista.
imprimem verticalidade à paisagem sem obstruir a visão”, comenta. O profissional ressalta que a beleza imponente de exemplares como a palmeira-azul (Bismarckia nobilis) (1) é melhor observada de longe. Portanto, o ideal é dispor a planta ligeiramente afastada de cantinhos aconchegantes, salas de estar e outros pontos de contemplação na área externa. Novaes acrescenta que o porte exuberante das palmeiras pode ser usado para demarcar entradas e
Espécies
compactas
com flores e
inflorescências
coloridas são
ideais para alegrar
o entorno das
palmeiras
Projetos: Walkíria Fernandes (paisagista técnica), tel.: (12) 3663-4088, www.walkiriafernandes.com.br
Os móveis construídos com
cruzetas são duráveis e exigem
pouca manutenção. A saleta ao ar
livre – cujo piso foi revestido por
paralelepípedos – é abraçada por
arbustos que transmitem
aconchego aos visitantes
A beleza da madeira reaproveitada
Por Walkíria Fernandes
A madeira é um verdadeiro curinga do paisagismo: por ter origem natural, cai bem em qualquer jardim. A paisagista técnica Walkíria Fernandes assina embaixo – e aposta no diferencial das peças reaproveitadas.
Para compor o espaço de refeições no pátio que ilustra a foto acima, por exemplo, a profissional optou por móveis feitos com cruzetas: “São madeiras retiradas de postes de energia elétrica antigos. Antes, elas eram descartados, mas hoje dão vida a estruturas diversas em áreas externas. A vantagem é que as peças têm alta durabilidade e exigem pouca manutenção”, ressalta. O aspecto envelhecido das cruzetas imprime efeito rústico ao ambiente – que, de quebra, ganhou piso
de paralelepípedos de pedra miracema. Arbustos de
folhagem densa como hamamélis-rubra (Loropetalum chinense var. rubrum ‘Ruby’) (1) e sálvia- rosa (Salvia involucrata) (2) abraçam a saleta ao ar livre
e trazem aconchego para quem desfruta do espaço. Os dormentes, que formavam os antigos trilhos de trens, são outra madeira reaproveitada que ganha nova vida no paisagismo. Eles foram usados para construir
o cachepô onde cresce um rododendro (Rhododendron
arboreum) (3) forrado por petúnias (Petunia x hybrida ‘Multiflora’) (4) na entrada da casa. A composição rústica está em harmonia com o canteiro de lavandas (Lavandula dentata) (5) ali ao lado: “As flores da planta trazem volume, cor, movimento e aroma ao espaço”,
completa a paisagista.
24 Natureza
De aspecto envelhecido, cruzetas e dormentes que não tinham mais uso dão vida a elementos rústicos no jardim
dormentes, o cachepô acomoda um rododendro forrado por petúnias. A entrada da casa ainda é enfeitada pelo canteiro das aromáticas lavandas
Natureza 25
Bem-estar no jardim
Por Benedito Abbud
Mais que um ambiente de contemplação da Natureza, o jardim é o lugar perfeito para os que gostam de relaxar e curtir bons momentos com pessoas queridas. Por esse motivo, o arquiteto paisagista Benedito Abbud considera imprescindível a criação de salas de estar e recantos aconchegantes em meio ao verde. “O segredo é adaptar os projetos às preferências de quem vai desfrutar do espaço”, conta Abbud. O cantinho da foto à direita, por exemplo, foi pensado para um casal. Bastou a acomodação de uma namoradeira de madeira teca sobre o chão de paralelepípedos para que o descanso ao ar livre se tornasse mais confortável. Como a área disponível não favorecia o cultivo de espécies robustas, Abbud apostou em plantas longilíneas e com apelo escultural, como bromélia-imperial (Vriesea imperialis) (1) e bambu-mossô (Phyllostachys pubescens) (2). Para pequenas reuniões em família, vale criar saletas mais elaboradas, com banco e mesa de centro – caso do ambiente abaixo. Os móveis foram dispostos sobre o revestimento de quartzito que cerca a piscina. A sombra fica por conta da castanheira (Castanea sativa) (3): “Gosto de aproveitar áreas próximas de frutíferas. Elas atraem pássaros e outros animais que ampliam as possibilidades de interação com a Natureza”, completa o paisagista.
26 Natureza
Composto com uma namoradeira de madeira teca, o cantinho aconchegante é ideal para curtir momentos a dois no jardim
A saleta com banco e mesa de
centro favorece pequenas reuniões
em família. A castanheira que
sombreia o espaço atrai pássaros
e outros animais que ampliam a
interação com a Natureza
Projeto: Toni Backes (paisagista) e Marcelus Oliveira (paisagista técnico), tel.: (54) 3281-3691, tonibackespaisagismo.blogspot.com.br
Rochas e toras de madeira dão vida ao fogo de chão, cuja estrutura é entremeada por calanchoe- fantasma e estrelinha-gorda, combinação rústica que se harmoniza com o visual campestre do jardim
Aposta no natural
Por Toni Backes
Composições de visual naturalista são ideais para dar aquele toque campestre ao jardim. Para conseguir efeitos desse tipo, o paisagista Toni Backes aposta no uso de materiais rústicos e em estado bruto – caso
Apesar da rusticidade, a criação não deixa de lado o conforto dos visitantes: “Entre o fireplace propriamente dito e os bancos ao redor são 3 m de raio para que as pessoas possam circular com comodidade. Os assentos, por sua vez, não ultrapassam 50 cm de altura”, explica o paisagista. A presença do verde fica por conta de plantas como calanchoe-fantasma (Kalanchoe fedtschenkoi) (1) e estrelinha-gorda (Sedum acre) (2), que crescem despojadas em meio às pedras e pedaços de madeira: “A ideia é quebrar a aridez da construção”, completa Backes.
das rochas e toras de madeira que compõem o fogo de chão retratado nas fotos acima. A estrutura mescla troncos de ipê, pedras de arenito e rochas basálticas típicas da região serrana do Rio Grande do Sul, onde o espaço se localiza. Sua construção ainda conta com desenho espiralado, imitando as formas encontradas na Natureza.
28 Natureza
Brasileirinha
– Sempre achei que “brasileirinho” era um chorinho composto por Waldir Azevedo.
– E é, mas eu também sou chamado por esse apelido.
– Quando alguém tocava esse
sucesso no cavaquinho e a Baby
Consuelo cantava, o mundo parava para ouvir: ingleses, alemães, japoneses, norte-americanos
– Vem cá, você quer falar de
música ou conversar comigo sobre meus atributos?!
– Desculpe, acho que me empolguei
e esqueci de que estou aqui para falar com você.
– Tá bom! O que quer saber
sobre mim?
– Não sei. Talvez sobre esse apelido que te dá um aspecto nacionalista. De que região do Brasil você é?
Em vez de sangue,
a maior parte dos
morcegos consome
frutos, sementes e
insetos. São, portanto,
aliados do jardim
Crônicas do Raul
Há décadas convivendo com plantas, o paisagista Raul Cânovas sempre tem uma forma diferenciada de se relacionar com elas. Conheça algumas histórias e aprenda com suas dicas
– Não sou brasileiro, sou indiano.
– Então por que brasileirinha?
– Por causa do colorido de minhas
folhas, que lembram as cores da bandeira brasileira. Meu nome
verdadeiro é Erythrina indica picta. O termo vem de erythro, que quer dizer “vermelho” em grego. É é uma referência à cor das pétalas de minhas flores; já indica revela que
sou proveniente da Índia; e picta é consequência desse colorido meio psicodélico de minhas folhas.
– Você gostaria de morar no meu jardim?
– Hum
laguinho, com um pouco de orvalho matutino?
– Sim, e com muito sol e calor.
– Eu topo! Vou encher seu jardim de beija-flores e cambacicas.
pertinho de um
Silvestre Silva
Shutterstock
Morcegos
Sei, você deve achar um horror falar sobre eles. Entretanto, das mais de mil espécies conhecidas, apenas três ou quatro são hematófagas, isto é, morcegos que se alimentam de sangue. As outras consomem frutos, sementes, folhas, néctar, pólen, pequenos peixes e também insetos considerados pragas do jardim, como besouros, mosquitos (inclusive o transmissor da dengue), grilos, mariposas, lagartas, gafanhotos e até baratas. Eles também interagem com as plantas, polinizando e dispersando suas sementes. Gameleiras, embaúbas, cactos, paineiras, bananeiras, pequizeiros, castanheiras-do-pará, sumaúmas, agaves, mangueiras, goiabeiras, abacateiros, cajueiros, pitangueiras, nespereiras, amoreiras e muitas outras dependem desses mamíferos para se perpetuarem, garantindo assim a beleza das paisagens e os frutos que servem de alimento para os seres humanos. Pois é, às vezes é preciso deixar de lado o desprezo e compreender melhor a Natureza.
Divulgação
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PUBLIEDITORIAL
Uma árvore derrubada
Contemplando a lenha que ardia na lareira, senti o calor dessa árvore que nunca mais daria flores nem frutos.
A dica do Raul
As cercas vivas são alternativas mais graciosas do que muros para dar privacidade a ambientes externos. Porém, elas requerem podas constantes para manter a forma, trabalho que é muito cansativo quando executado manualmente. Sorte que a tecnologia está aí para simplificar e tornar menos cansativa a vida das pessoas, inclusive na hora de cuidar do jardim. Este aparador elétrico da Trapp é um bom exemplo. Indicado para a poda de cercas vivas, ele é leve – pesa pouco mais de 3 kg – e silencioso, não poluindo o meio ambiente. Graças a suas lâminas, que alcançam uma faixa de corte de 51 cm, as sebes de arbustos podem ser modeladas com formas retas ou arredondadas, transformando-se em viçosas esculturas. É importante ressaltar que, quando podados, os ramos são estimulados a produzir brotações laterais – em vez de formar troncos lenhosos –, o que resulta em uma arquitetura vegetal mais compacta e com tonalidades muito vivazes.
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pequeno espaço
Espaço bem
aproveitado
Em apenas 40 m², o jardim une cantinho gourmet, sala de estar ao ar livre e lazer molhado
TexTo laura neaime | FoTos Valerio romahn produção aida lima | projeTo juliana freitas
Q uem mora em casa está acostumado
a ter um “cantinho da bagunça” –
aquele espaço em que se amontoam
objetos de pouca utilidade. Neste
imóvel na zona sul de São Paulo, uma área coberta localizada nos fundos do terreno tinha essa finalidade até a arquiteta paisagista Juliana Freitas entrar em ação. A profissional comandou uma reforma que transformou o espaço de 40 m² em um agradável jardim com área gourmet, chuveirão para as pessoas se refrescarem nos dias mais quentes e até uma sala de estar ao ar livre sobre o gramado. É um ambiente acolhedor para a família curtir momentos de lazer em meio à Natureza.
Depois da reforma, a antiga área de bugigangas se tornou o espaço de convivência do imóvel
Natureza
pequeno espaço
O chuveirão, opção compacta de estrutura molhada, conta com um painel de cobogó que obstrui a visão do corredor
Coberta por bambu
e vidro, a cozinha
gourmet é agradável
e aconchegante
Cada coisa em seu lugar
A edícula onde a bagunça se acumulava deu lugar à área gourmet com bancada de madeira, churrasqueira e forno de pizza. Para tornar o ambiente mais agradável, o telhado foi substituído por uma cobertura de bambu – que filtra a luz – e vidro para barrar a chuva. Na área descoberta, duas cadeiras e uma mesinha dispostas sobre a grama-esmeralda (Zoisia japonica) (1) formam a área de estar ao ar livre, enquanto o chuveirão na extremidade oposta à churrasqueira permite às pessoas se refrescarem nos dias mais quentes. Para dar privacidade a quem desfruta do espaço, um painel de 1,60 m x 2,30 m formado por cobogó foi instalado separando o chuveiro do corredor. A ligação entre os ambientes do jardim é feita por pisadas de tijolos ladeadas por canteiros, predominantemente verdes, onde crescem espécies como a planta-alumínio (Pilea cadierei) (2) , que tem folhas manchadas em tom prateado. O colorido fica por conta das exuberantes inflorescências da alpínia (Alpinia purpurata) (3) , que despontam praticamente o ano todo, e das flores delicadas da azulzinha (Evolvulus glomeratus) (4) .
As inflorescências da alpínia surgem durante todo o ano e garantem cor para o jardim em que o verde predomina
Folhagens, como
pequeno espaço
O painel de madeira cumaru esconde o sistema de aquecimento e ainda serve de suporte para os vasos com orquídeas
Chegada ornamental
Além de servir de ligação entre a entrada da casa e o jardim, o corredor lateral do imóvel abriga o sistema de aquecimento a gás da casa. Para disfarçar botijões, encanamentos e outros elementos que não merecem ficar à mostra, Juliana Freitas criou um ripado em madeira cumaru que
Natureza
serve de suporte para a coleção de orquídeas da proprietária. As espécies, que são cultivadas em vasos fixados ao painel com arames, encontraram neste espaço o ambiente ideal para se desenvolver: a área recebe luz apenas durante parte do dia e é bem ventilada.
ProjEto: Juliana Freitas (arquiteta paisagista), tel.: (11) 3876-4090, www.julianafreitas.com.br
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jardinagem
Vida nova às
falenópsis
Aprenda a replantar a espécie
que é unanimidade entre os jardinistas para que ela volte a florescer no próximo ano
TexTo MARINA GABAI | foTos ANdRé foRtes | Produção AIdA LIMA
B onitas, duráveis e fáceis de cuidar, as orquídeas do gênero Phalaenopsis agradam a todos: dos orquidófilos aos jardinistas de primeira viagem que buscam uma bela flor para enfeitar a varanda ou um cantinho da casa. É também
uma das plantas mais usadas na hora de presentear, já que suas flores se mantêm vistosas por pelo menos três meses. Elas surgem ao longo de hastes compridas e suas pétalas arredondadas parecem formar uma borboleta. Daí seu nome – em grego, phalaina significa “borboleta noturna” e opsis, “semelhança”. A questão que intriga quem nunca cultivou a planta, no entanto, é o que fazer com a falenópsis após o fim da florada. Segundo o especialista em orquídeas Erwin Bohnke, as melhores opções são mantê-la em vaso – mas é importante trocar o substrato, pois com o tempo ele se decompõe e fica saturado de sais minerais –; prendê- la ao tronco de uma árvore; ou transferi-la para um recipiente suspenso – pode ser um cesto ou um vaso – e cultivá-la como pendente. Acompanhe explicações detalhadas de como proceder.
Natureza
Natureza
jardinagem
Replantio em vaso
Mesmo que você opte por manter a sua falenópsis em vaso, é importante, uma vez ao ano – sempre após
a florada –, substituir o substrato. Se o tamanho das
raízes estiver compatível com o do recipiente em que
a planta se encontra, o replantio pode ser feito nele mesmo. Caso contrário, é melhor usar um vaso maior.
1. Delicadamente, retire a orquídea do vaso. Se as raízes estiverem presas ao recipiente, raspe com a ajuda de uma tesoura ou faca para soltá-las. 2. Com as mãos, vá soltando as raízes do substrato. Jogue fora a mistura antiga e corte as raízes mortas – aquelas mais escuras e murchas.
Se as raízes da orquídea estiverem apertadas no vaso, replante-a em um recipiente maior. Assim a planta crescerá sem problemas por mais um ano
Natureza
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A falenópsis deve ser amarrada ao caule da árvore. Depois que a planta enraizar os fios podem ser removidos
Plantio no troco de árvores
Por serem plantas epífitas, as orquídeas conseguem se desenvolver sem dificuldades presas aos caules de árvores e palmeiras. A vantagem nesse caso é que o jardinista não precisa mais se preocupar em replantá-la ou substituir o substrato periodicamente, pois a planta passa a retirar da Natureza tudo o que precisa para se desenvolver. Assim como no caso do replantio em vasos, a orquídea deve ser retirada do recipiente, ter as raízes limpas e o substrato antigo jogado fora. Feito isso, escolha uma árvore ou palmeira que aceite plantas epífitas – as mais indicadas são as que têm a casca mais grossa e rugosa, como o ipê – e siga os passos. No início, a falenópsis deve ser regada diariamente e adubada semanalmente com NPK 20-20-20 ou NPK 18-18-18. Depois que as raízes se fixarem, esses cuidados passam a ser dispensáveis.
A. Posicione a falenópsis em uma parte do tronco de frente para o sol da manhã, para que ela receba boa luminosidade. A planta deve ficar levemente inclinada. B. Coloque um pouco de musgo entre as raízes da orquídea, para reter a umidade, e fixe-a no caule da árvore amarando-a com fio de barbante ou plástico ao redor do caule – evite usar arames e fios de metal. Com o tempo o material da amarração cairá sozinho. Caso isso não aconteça, você pode removê-lo depois que a planta tiver enraizado.
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jardinagem
Vasos pendentes
Um jeito de inovar na decoração da varanda e de ambientes internos com falenópsis é cultivando a orquídea em vasos e cestas suspensos. Assim, na época da florada, as hastes que sustentam as belas “borboletas” coloridas pendem do recipiente, criando um belo efeito. O procedimento é muito parecido ao adotado na hora de replantar a espécie em vasos: você deve retirá-la do recipiente antigo, descartar o substrato velho, limpar as raízes e acomodar a planta em uma cesta ou vaso suspenso. Porém, na hora de posicioná-la, em vez de deixá-la com as folhas voltadas para cima, coloque-a inclinada em direção à borda, para que as folhas pendam para fora do recipiente. Agora é só completar com substrato para manter a falenópsis no lugar. Com esse cuidado, quando surgir, a haste floral crescerá semipendente.
Natureza
Para que a orquídea cresça como pendente, plante-a inclinada em direção à borda do vaso
CoNSultoriA: Erwin Bohnke (orquidófilo), tel.: (11) 99938-0133
MosTra
O ambiente de estar
com “vitrine” para expor
a coleção de espécies
tropicais foi um dos destaques da mostra
Casa Cor 2015
Espécies tropicais e espaços aconchegantes ao ar livre ditam o tom dos jardins da 29ª edição da mostra
NaturezaNatureza
TexTo laura neaime | FoTos Valerio romahn
C om o tema brasilidade, a Casa Cor São Paulo chegou à 29ª edição e reuniu, nos meses de maio e junho, grandes nomes do paisagismo, da arquitetura e da decoração no Jockey Club paulista. O reaproveitamento de materiais e a
criação de paisagens naturais foram a marca do evento. Conceituais ou repletos de ideias que podem ser copiadas, os jardins chamaram atenção pelo uso de espécies tropicais, o cuidado com os detalhes e a presença de cantinhos aconchegantes. Confira o que de melhor os paisagistas apresentaram nesta que é uma das mais importantes mostras da capital paulista.
Área de estar elegante
Por Roberto Riscala
A sala ao ar livre criada pelo paisagista Roberto Riscala em sua 21ª participação na Casa Cor é um daqueles ambientes capazes de
composição cachepôs usados para acomodar as plantas – todos feitos a partir de caixotes de madeira e cestos reaproveitados.
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O |
restante do mobiliário – mesas, |
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conquistar qualquer apaixonado por plantas. O espaço de 50 m² tem como principal atração a estante onde é exposta uma coleção de cadeiras e sofás na cor cinza, da Artefacto Beach & Country – privilegia a interação |
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bromélias, filodendros e samambaias, entre |
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outras plantas tropicais. Criado pela Jardinato especialmente para o evento, o móvel foi feito em aço e conta com nichos de diferentes alturas |
com a Natureza e a permanência na área externa. O tom neutro das peças também ajuda a destacar as cores vibrantes das espécies tropicais. |
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galvanizado – material resistente às |
O |
piso foi todo revestido com placas |
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intempéries –, pintado na cor corten |
cimentícias Terraviva Compac lixadas, da Solarium, e pedras naturais Hijau, da |
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e |
tamanhos. Também dão dinamismo à |
Palimanan, dispostas em forma geométrica. |
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Dispostas em caixotes reaproveitados usados como cachepôs e em canteiros, as plantas cheias de texturas compõem um paisagismo muito sofisticado para a área de convivência ao ar livre
Natureza
O uso de caixotes de legumes como cachepô e a decoração com itens de metal pintado são ideias fáceis de replicar no jardim
Reaproveitamento criativo Por Fernanda Pereira de Almeida
Ao apostar na simplicidade e no reaproveitamento de materiais, a arquiteta paisagista Fernanda Pereira de Almeida criou um ambiente cheio de ideias fáceis de copiar. A começar pelo painel de bambu da Bambu Carbono Zero, que serve como biombo e suporte para ferramentas de jardinagem e peças decorativas: a trama da estrutura de 1,50 m x 5 m facilita a fixação dos objetos como as borboletas em metal pintado, penduradas com ganchos.
Natureza
Na base da armação, caixotes de frutas e verduras reaproveitados foram dispostos sobre uma mureta de concreto. Eles servem de cachepôs para temperos, como manjericão (Ocimum basilicum) (1) e alecrim (Rosmarinus officinalis) (2), e floríferas, como girassol (Helianthus annuus ‘Sunny Smile’) (3). Segundo a profisional, o objetivo era aguçar os sentidos: o olfato com as ervas e a visão com o colorido das flores.
Refúgio tropical Por Chris Pierro
O pergolado de madeira pínus é o destaque deste espaço. Composto por um delicado ripado, ele conta com uma proteção de vidro na cobertura para que o ambiente de 12 m² possa ser desfrutado mesmo sob chuva. A cantoneira – cujo ripado do fechamento lateral segue o mesmo padrão da cobertura – dá privacidade, sem bloquear a visão, garantindo assim a integração do espaço com o jardim. Os canteiros criados pela paisagista Chris Pierro também saltam aos olhos: a mistura de folhagens de tonalidades e formatos diferentes, como
alocásia-poly (Alocasia Amazonica) (4) e alpínia- variegada (Alpinia zerumbet ‘Variegata’) (5), valoriza o paisagismo e cria um visual dinâmico. “As linhas retas adotadas no jardim privilegiam as singularidades de cada planta e permitem que elas sejam apreciadas com mais atenção”, explica a profissional. O acabamento ficou por conta dos tijolos artesanais produzidos pela Olaria Spina, usados nos caminhos e na borda de alguns canteiros, e pelo pedrisco bege que forra o piso.
O ripado de madeira dá privacidade aos ocupantes sem bloquear a visão para o jardim, onde canteiros geométricos organizam a paisagem e valorizam as características de cada espécie
Natureza
Projeto: Gilberto Elkis (paisagista), tel.: (11) 3031-1710
MosTra
Os seixos escuros no fundo do lago destacam as plantas e os peixes no interior da estrutura
Um lago no meio do bosque
Por Gilberto Elkis
Responsável por dar as boas-vindas aos visitantes da mostra, o ambiente elaborado pelo paisagista Gilberto Elkis impressionava pela vegetação abundante, que dava às pessoas a sensação de estar em uma mata tropical. Para criar tal cenário, as grandes árvores que já existiam no local ganharam a companhia de muitas folhagens e de um laguinho com seixos em tons de
preto e cinza. O tom escuro tinha como objetivo destacar o colorido dos peixes e o verde de espécies como a costela-de-adão (Monstera deliciosa) (1), cultivada em canteiros no interior do lago. Plantadas no fundo da estrutura, algumas aquáticas, como a ninfeia (Nymphaea hybrida) (2), têm folhas que flutuam na superfície e dão naturalidade ao laguinho.
Natureza
www.acaodecor.com.br
da Ação Decoração
(paisagista
Paisagismo),
& Amon
Projeto: Cornelia von
Projeto: Benedito Abbud e Felipe Abbud (arquitetos paisagistas), tel.: (11) 5056-9977; piso drenante: Intercity, www.intercity.empresascity.com.br; iluminação: Brilia, www. brilia.com; plantas: Tropical Center, www.tropicalpaisagismo.com.br; mobiliário: mmcité, www.mmcite.com.br; tinta verde-escuro: Renner, www.tintasrenner-deco.com.br
Com piso drenante, bancos, vegetação exuberante e área gramada, esta calçada convida a dar uma pausa no dia a dia
Área incomum
Por Benedito Abbud e Felipe Abbud
O principal objetivo dos arquitetos paisagistas
Benedito Abbud e Felipe Abbud no projeto desta calçada era mostrar que, com o paisagismo adequado, o espaço que muita gente considera apenas uma área de passagem
pode ser melhor aproveitado e fazer parte do cotidiano das pessoas. “É o paisagismo que permite que esses ambientes pouco valorizados sejam desfrutados nas cidades”, explica Benedito.
O passeio de 6 m de largura recebeu uma faixa
gramada, um corredor para a circulação com piso
drenante da Intercity, ambientes de estar para os pedestres se sentarem e descansarem, e um canteiro exuberante rente ao muro. Nele, crescem espécies de cores e texturas constrastantes, como fórmio (Phormium tenax ‘Atropurpureum’) (3) e lírio-da-paz-gigante (Spathiphyllum ortgiesii ‘Sensation’) (4). Para dar mais destaque às plantas, o muro foi pintado de verde-escuro. Segundo o arquiteto paisagista, a medida privilegiou a integração entre a vegetação de dentro do Jockey Club com a da calçada, que fica na área externa.
Jardim em vasos
Por Cornelia von Amon
Em 28 m², a paisagista Cornelia von Amon compôs uma agradável área de estar que pode ser copiada em sacadas e varandas. Como nesses ambientes a ausência de canteiros é recorrente, a profissional optou por cultivar todas as espécies em vasos – destaque para a tamareira-de- jardim (Phoenix roebelenii) (5). As plantas aparecem em todos os espaços, inclusive na mesa redonda, que teve a champanheira acoplada ao tampo transformada em cachepô para o mix de suculentas (6). No mobiliário, peças rústicas e ecológicas – caso da
mesa com tampo de vidro feita a partir de uma tora de madeira – dividem espaço com elementos mais coloridos, como as ânforas e os vasos azuis, e as cadeiras com acabamento em corda náutica, que exibem o mesmo tom.
No ambiente de estar coberto por piso, as plantas aparecem em vasos no chão e sobre os móveis
Natureza
Projeto: Bia Abreu (arquiteta paisagista), tel.: (11) 9.8340-3840
3021-6934
tel.: (11) (arquitetos
e Luis Gustavo
Paisagismo),
Luis Felipe
da Folha
Projeto:
paisagistas
MosTra
A união de cores e muitas folhagens deu a esta área de estar ao ar livre um tom aconchegante e alegre, típico do brasileiro
Charme e cor
Por Bia Abreu
A arquiteta paisagista Bia Abreu tentou retratar a hospitalidade característica do povo brasileiro em uma sala de estar ao ar livre equipada com mesa, cadeiras e pufes coloridos. “A sensação é de que sempre é possível receber mais um”, explica. Para tornar o ambiente mais aconchegante, a profissional investiu no cultivo de muitas folhagens tropicais, como o filodendro-lua- clara (Philodendron ‘Imperial Green’) (1) – que
O jardim vertical,
responsável por inserir
verde no espaço, contrasta
com o capim-do-texas-
rubro cultivado em vaso
ganhou ainda mais destaque ao ser cultivado em vasos brancos. No jardim vertical, a combinação de samambaias (Phlebodium aureum) (2) e samambaias-boston (Nephrolepis exaltata ‘Bostoniensis’) (3) deu acabamento à área do pergolado. O piso combina dois revestimentos: pedriscos bege na área central, onde ficam os móveis, e seixos verdes nas laterais, bordando os canteiros.
Sala de estar compacta
Por Folha Paisagismo
Este cantinho que os arquitetos paisagistas Luis Felipe e Luis Gustavo projetaram em parceria com o arquiteto Fábio Morozini é a prova de que, mesmo em espaços compactos, dá para criar áreas de estar ao ar livre cercadas de muito verde. Para compor a saleta rústica de 6 m², os profissionais apostaram em um jardim vertical de 2,40 m x 2 m repleto de samambaias (4) de diversas espécies, todas com folhagem verde. Já o capim-do- texas-rubro (Pennisetum setaceum ‘Rubrum’) (5), cultivado em um vaso com acabamento em cobre, tem folhas arroxeadas para contrastar com o painel. A madeira presente na mesa de centro e na gamela fixada à parede dá um toque rústico ao
ambiente, enquanto as cadeiras pretas e o deque em PVC cinza que imita madeira reforçam o estilo contemporâneo do projeto.
Projeto: Daniel Nunes (arquiteto paisagista), tel.: (19) 3295-4447
Mostra
A junção de plantas com características bem distintas é o diferencial do projeto que preza pela naturalidade
Mistura natural
Por Daniel Nunes
A combinação de texturas e cores foi o grande trunfo de Daniel Nunes para elaborar o extenso canteiro que ladeia uma das áreas de circulação da mostra paulistana. No trecho retratado acima, por exemplo, foram misturadas espécies arbustivas, como a folha-de- prata (Leucophyllum frutecens) (1); floríferas – caso da primavera (Bougainvillea spectabilis) (2); e capins, a exemplo da barba-de-bode (Eragrostis curvula) (3).
Projeto: Juliana Freitas (arquiteta paisagista), tel.: (11) 3876-4090; e João Jadão (paisagista), tel.: (11) 3263-0360
52 Natureza
Elas contrastam entre si não apenas por conta da sobreposição de tons de verde, rosa e cinza, mas também por apresentarem diferentes alturas e formatos. O modo como as plantas foram dispostas também contribui para o resultado final. “Apesar de haver um projeto preestabelecido, a posição de cada planta é definida no momento do plantio para que o efeito seja natural”, explica o profissional.
Sucesso internacional
Por Juliana Freitas e João Jadão
O ambiente projetado por Juliana
Freitas e João Jadão é uma recriação do
jardim que eles mesmos fizeram para o Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima, em Portugal (veja mais
informações no Painel Verde, página 86). O trabalho tem o objetivo de chamar atenção para o uso consciente da água.
O ponto central do jardim de 821 m²
é a escultura em aço que emoldura a representação de uma molécula de água e a fórmula química H2O. Foram escolhidas para o ambiente espécies que necessitam de pouca água, como a palmeira-camurça (Dypsis lastelliana) (4) e dracena-arco- íris (Dracaena reflexa var. angustifolia ‘Colorama’) (5).
Um pouco de verde
em meio ao cinza
Quatro amigos criaram um projeto que ensina, com cursos e oficinas, como viver de forma autossuficiente nas metrópoles
TexTo marina gabai
Natureza
N a Rua Sebastião de Freitas, zona norte de São Paulo, uma casa se destaca pela grande quantidade de verde que salta aos olhos por cima do muro. É a número 561, onde fica a
sede do ArboreSer, projeto que ensina às pessoas como viver de forma harmoniosa na cidade. No local, quatro amigos – os educadores ambientais Julhiana Costal, Camila Costal, Daniel Ribeiro e Isaque Gomes Pedro – cultivam um horta orgânica e promovem cursos e oficinas que ensinam técnicas de permacultura – prática que busca criar ambientes humanos sustentáveis e produtivos, em equilíbrio com o meio ambiente; agricultura urbana; compostagem doméstica; e alimentação consciente. O espaço também abre suas portas para visitas ecoeducativas, onde as pessoas conferem, na prática, que é possível uma casa no meio de uma metrópole funcionar de acordo com o ciclo da Natureza.
Quatro vidas dedicadas à Natureza
“O ArboreSer foi criado há dois anos com o intuito de trocar informações com os moradores de São Paulo sobre meio ambiente, produção de alimentos sem agrotóxicos, qualidade de vida e consumo responsável”, explica Julhiana Costal. A relação de seus idealizadores com a Natureza, porém, vem de longa data: todos já trabalhavam com agroecologia, eram adeptos da
os educadores ambientais daniel ribeiro, camila costal, isaque Gomes Pedro e Julhiana costal, criadores do projeto arboreser
No arboreser, as pessoas aprendem a viver em harmonia com a Natureza e a reaproveitar todo tipo de recipiente para o cultivo de hortaliças, ervas e temperos. um copo velho de liquidificador, por exemplo, pode servir de vaso para a menta
permacultura e haviam participado do programa Escola Estufa, que promovia cursos sobre agricultura. A casa da Rua Sebastião de Freitas, com seu quintal cheio de árvores nativas, foi escolhida como sede do projeto e se tornou praticamente o quinto elemento do grupo. Segundo Julhiana, o objetivo dos quatro amigos
é incentivar as pessoas a colocar a mão na massa
e reaproveitar materiais. “Sempre exaltamos que para montar uma horta em casa não é preciso comprar praticamente nada: os recipientes podem ser encontrados nas ruas, o adubo, feito em composteiras com a matéria orgânica da cozinha e, com o passar do tempo, dá até para deixar de comprar sementes
e mudas e passar a produzi-las no local, tornando o
sistema da casa ainda mais autossuficiente”, diz ela. A horta na sede do ArboreSer é prova disso. Lá o grupo cultiva em pneus, caixotes, baldes e até copos de liquidificador vegetais como berinjela, tomate, couve- flor, brócolis, cenoura, rabanete, couve, almeirão e alface, além de diversas ervas e temperos. O composto orgânico usado como substrato é feito no local, e os alimentos produzidos são usados no preparo de lanches para os alunos dos cursos ou doados para amigos.
sem comPlicações
Os cursos e oficinas promovidos no espaço abordam assuntos variados, como captação de água da chuva, germinação – o cultivo de alimentos para serem consumidos em sua fase de brotos –, telhado verde, desidratação solar de alimentos, plantas medicinais e plantas alimentícias não convencionais, as chamadas “PANC”. As oficinas mais curtas
do adubo orgânico às sementes usadas no plantio, tudo é produzido no local, sem impacto no meio ambiente
duram de três a cinco horas e o curso mais longo é o Extensivo de Agricultura Urbana, que dura um mês. Eles são ministrados na sede do ArboreSer e em SESCs por todo o estado, e os preços variam de R$ 40 a R$ 320.
para saber mais: projeto arboreser, tels.:
(11) 92328-8825 e (11) 97392-4236, www.arboreser.eco.br
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curiosidades
Flores de
inverno
TexTo laura neaime FoTos Valerio romahn
Conheça algumas plantas que decidem florir quando as demais espécies preferem se esconder no jardim
O inverno é a estação em que, para economizar energia, muitas plantas deixam de florir e até paralisam o crescimento. Algumas espécies, no entanto, vão
na contramão: amantes do frio, elas escolhem justamente esta época para exibir toda a alegria de suas flores. Sorte de quem as cultiva no jardim, que topa com uma paisagem colorida mesmo na estação gelada. É claro que o comportamento delas – assim como o das plantas que se enchem de flores em outros períodos – pode variar dependendo da região onde são cultivadas. O rododendro (Rhododendron arboreum) (1), que no Brasil floresce no final do outono e no inverno, se comporta de outra forma
nos países de clima temperado. Lá, as flores rosa despontam na primavera que, por sinal, tem temperaturas bem mais baixas que as do inverno brasileiro. A acácia-mimosa (Acacia podalyriifolia) (2) e a camélia (Camellia japonica) (3) são outras duas espécies cujas floradas alegram o jardim entre os meses de junho e setembro. O espetáculo proporcionado por suas flores vistosas – elas são, respectivamente, amarelas e vermelhas –, porém, só pode ser apreciado nas regiões serranas, no Sul e no Sudeste do Brasil. É que nas demais áreas do país, onde as temperaturas são mais elevadas, a florada costuma ser menos intensa e, em alguns casos, os botões nem sequer se formam.
O rododendro e a acácia-mimosa são duas espécies que, no Brasil, revelam a exuberância de suas floradas nos meses frios
Os pompons amarelos
da acácia-mimosa
começam a despontar
no fim do outono e
colorem o jardim
durante todo o inverno
Natureza
Além de ornamentar os jardins, as belas floradas do jasmim-de- inverno e do manacá-de-cheiro ainda exalam um perfume intenso
Natureza
Flores e perfume
Para aqueles que buscam mais do que beleza, a Natureza criou algumas espécies cujas flores, além de enfeitarem o jardim no inverno, perfumam os ambientes. Uma delas é o jasmim-dos-poetas (Jasminum polyanthum) (1), conhecido também como jasmim-de-inverno. Suas flores brancas com o cálice róseo são minúsculas, mas intensamente perfumadas, e surgem aos montes entre o outono e o inverno. A espécie trepadeira é uma ótima opção para arrematar arquinhos e caramanchões e, por ser bastante ramificada, é capaz de cobrir rapidamente as estruturas no jardim. Entre as plantas arbustivas, o manacá-de- jardim (Brunfelsia uniflora) (2) – ou de- cheiro – é uma das opções para quem quer um jardim florido e perfumado nos meses frios. Suas flores de aroma intenso mudam de cor com o tempo: elas despontam azul- arroxeadas e vão ficando esbranquiçadas com o passar dos dias. O efeito proporcionado pela mistura de tons é belíssimo.
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Friozinho dos trópicos
Entre as espécies tropicais, que como o nome indica adaptam-se melhor a regiões de clima mais quente, também existem aquelas que escolhem o inverno para florescer. Uma delas é o cipó-de-são- joão (Pyrostegia venusta) (3), uma planta nativa do Brasil. Com sua florada escandalosa, a trepadeira pinta de amarelo os jardins tropicais nos meses frios e ainda atrai beija-flores e maritacas. A eritrina-candelabro (Erythrina speciosa) (4), que é tão atraente para a avifauna quanto o cipó-de-
A vivacidade das espécies tropicais também pode ser apreciada durante o inverno com as floradas do cipó-
de-são-joão e da eritrina- candelabro (à esquerda)
são-joão, é outra espécie tropical que mostra todo o seu esplendor quando as temperaturas ficam mais amenas. O curioso é que a árvore de até 5 m de altura se enche de flores ao mesmo tempo em que despe-se de sua folhagem, o que destaca ainda mais o vermelho das inflorescências. A espécie é originária das regiões litorâneas do Sul e do Sudeste brasileiro e, por conta de seu crescimento rápido, costuma ser usada na composição de cercas vivas e na formação de renques.
Com flores em um tom vistoso de amarelo, o cipó-de-são-joão atrai beija-flores e maritacas para o jardim
Natureza
Usar orquídeas para ornamentar interiores ou o jardim é uma forma de florir os ambientes em todas as estações, inclusive no inverno
Orquídeas vistosas até no frio
As orquídeas produzem algumas das flores mais bonitas da Natureza e, para sorte dos amantes dessas plantas, são muitas as espécies que escolhem os meses mais gelados para florescer. No caso do cimbídio (Cymbidium hybrid) (1), que é originário de regiões de altitude, como Himalaia, o apreço pelo frio é tão grande que regar a planta com água gelada potencializa a florada no inverno. Entre as orquídeas nativas do Brasil, duas espécies muito ornamentais escolhem essa estação para mostrar sua bela florada:
a catleia (Cattleya walkeriana ‘Carmen’) (2) e o sapatinho-de-vênus (Paphiopedilum hybrid) (3). Enquanto as flores da primeira começam a despontar no outono e duram até o inverno, as do sapatinho-de-vênus só começam a se abrir no final da estação fria.
conSultoria: Erwin Bohnke (orquidólogo)
piscina
Como ondas
NaturezaNatureza
Linhas sinuosas emolduram esta área de lazer compacta com piscina e cozinha gourmet integradas
TexTo NaNcy Weber FoTos LeaNdro Farchi projeTo aquiLes NícoLas KíLaris paisagismo aLexaNdre GaLheGo Decoração iara KíLaris
P ara surpreender e homenagear a mulher, uma carioca saudosa da terra natal, o proprietário desta casa em um condomínio
fechado em Campinas, interior de São Paulo, propôs um desafio ao arquiteto Aquiles Nícolas Kílaris: projetar uma área de lazer que lembrasse a Praia de Copacabana, com suas águas azuis e vegetação leve. O resultado foi este ambiente de 130 m² com piscina, jardim e cozinha gourmet integrados. As linhas em forma de ondas vão definindo o cenário, que tem como ponto central a piscina com spa e queda d’água. O solário foi revestido com piso em tom areia, e as palmeiras- imperiais (Roystonea oleracea) (1) , as tamareiras-de-jardim (Phoenix roebelenii) (2) e as demais plantas tropicais complementam o clima praiano.
Natureza
piscina
Piscina e spa estão totalmente
integrados à varanda da casa,
onde foi construída uma
elegante cozinha gourmet
Lazer total
Atração principal do jardim, a piscina pode ser observada por quem está no espaço gourmet, no solário e até na varanda no piso superior. Ela tem 40,40 m² e 1,5 m de profundidade, mas dá a impressão de ser mais profunda devido ao uso de pastilhas em três tons de azul – leblon, búzios e viscaya – no revestimento interno. Na borda, a opção foi pelo mármore branco jateado. A prainha ocupa uma área de 7,25 m² e o spa, 2,54 m². Já a queda d’água de 1,80 m de altura foi integrada ao pergolado – ele acompanha o desenho curvo da piscina – para parecer uma cachoeira. Parcialmente encoberto pela trepadeira sapatinho- de-judia (Thunbergia mysorensis) (1 ), o pergolado faz uma leve sombra sobre o deque de legno Ypê, da Solarium, onde foi acomodada uma chaise longue com estofado revestido por tecido naval. Entre as espécies usadas para trazer aconchego a este cantinho estão a alpínia (Alpinia purpurata) (2) e o fórmio (Phormium tenax) (3) . Na varanda gourmet equipada com churrasqueira e forno de pizza, um balcão de mármore nero marquina integrado à pia e ao coocktop foi ladeado por cadeiras de fibra sintética com estofado em couro.
NaturezaNatureza
O desenho curvo do pergolado acompanha a sinuosidade da piscina. A estrutura serve de suporte para a cascata de 1,80 m
O espaço gourmet tem churrasqueira e forno para pizza embutidos e mesa de refeições em forma de balcão
No mobiliário predomina o revestimento em fibra sintética com estofados em couro naval para resistir às intempéries
Natureza
piscina
Show de luzes
Quando a noite cai, é a vez de uma preferência do proprietário dar um show à parte. Antenado com as novidades tecnológicas – a ponto de ter solicitado a automação de todos os aparelhos eletrônicos da residência –, ele solicitou ao arquiteto um projeto luminotécnico para a área de lazer que transforma a piscina em um espetáculo de luzes e cores alternadas. A iluminação usa fibra ótica e spots focais para destacar palmeiras, canteiros e as linhas curvas do projeto de Aquiles Nícolas Kílaris. O resultado é um cenário agradável e sofisticado para as pessoas apreciarem da varanda enquanto saboreiam refeições ou simplesmente jogam conversa fora.
Projeto: Aquiles Nícolas Kílaris, tels.: (19) 3462-3674 e (19) 3406-7173; paisagismo: Alexandre Galhego (engenheiro agrônomo e paisagista), tel.: (19) 3294-9836
Luminárias cuidadosamente distribuídas valorizam as linhas do projeto e destacam algumas plantas cultivadas no jardim
Natureza
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Biblioteca Natureza
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do Jardim
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garimpo
Na trilha do verde
Nosso colaborador descobriu espécies curiosas em viveiros pelo Brasil. Veja o que ele encontrou
TexTo e foTos Murilo SoareS
Primavera-variegada (Bougainvillea ‘Raspberry Ice’)
N ativa do Brasil e ainda pouco cultivada por aqui, essa primavera obtida através de cruzamentos da
Bougainvillea spectabilis faz muito sucesso na Europa, Ásia e Estados Unidos. Seu principal diferencial são as folhas coloridas – elas podem ser branco-amareladas ou branco-rosadas – que destacam ainda mais as inflorescências cor-de-rosa da planta. A espécie floresce praticamente o ano todo, especialmente quando recebe pouca água, já que o
Natureza
estresse hídrico estimula a floração. De crescimento rápido, ela pode atingir 4 m de altura, mas adquire uma forma mais compacta quando cultivada em vasos. A primavera-variegada adapta-se ao clima de todo o Brasil e aprecia sol pleno, devendo ser cultivada em solo rico em matéria orgânica, bem drenado e adubado a cada três meses com NPK 4-14-08. Mudas custam a partir de R$ 18 na Floricultura Rosevale (www.rosevale.com.br).
Capuchinha variegata (Tropaeolum majus ‘Variegata’)
A s flores grandes e amarelas vibrantes, cujas pétalas alegram o jardim e ainda podem ser
consumidas em saladas, são iguais às da capuchinha tradicional, uma herbácea originária do Brasil e do Peru. Porém, esta variedade híbrida chama ainda mais atenção nos vasos e jardineiras por conta das manchas esbranquiçadas que exibe em suas folhas arredondadas e cerosas. Com forma mais compacta que a capuchinha comum, a espécie se desenvolve melhor em regiões de clima mais fresco e deve ser mantida sob sol pleno, em solo rico em matéria orgânica e úmido. Cartelas com oito sementes são vendidas por R$ 8 na Sambalina Sementes
(www.sambalinasementes.com.br).
Flor-de-cera (Hoya ciliata)
C onsiderada uma planta relativamente rara no Brasil, esta variedade de flor-de-cera está
sendo cada vez mais procurada por colecionadores. Seu principal diferencial são as flores cerosas e em formato de estrela, com coloração amarelo- avermelhada e levemente aromatizadas. Elas despontam durante a primavera e o verão em meio à ramagem repleta de folhas suculentas e verde-claras. Nativa do sudeste da Ásia, a espécie normalmente é cultivada em vasos e pequenas estruturas, como treliças e grades. Deve ser mantida sob meia-sombra, em solo bem poroso e úmido, e não suporta clima muito frio. A produtora Ilma Lima da Bahia
(ilmalimasantos@gmail.com) comercializa mudas da planta por R$ 40 cada.
crescer saudável, mantenha-a em substrato rico em matéria
orgânica e poroso. Na Ceasa de Campinas (www.mercadodeflores.com.br), vasos da espécie custam R$ 40.
Natureza
garimpo
Camélia-sasanqua
(Camellia sasanqua ‘Setsugekka’)
C om porte, folhas e flores mais compactos, esta camélia ainda é pouco conhecida no Brasil e pode ser cultivada tanto como arbusto no jardim quanto em vasos e jardineiras. A variedade aqui
retratada apresenta flores brancas, mas também é possível encontrar a planta em outras cores.
A camélia-sasanqua floresce no outono e no
inverno e, por não suportar climas quentes e secos, se adapta melhor à região Sul do Brasil. Deve ser mantida sob sol pleno, em solo rico em matéria orgânica. Por R$ 30, é possível adquirir mudas bem formadas e com flor na Ceagesp (www.feirade flores.com.br).
Melão-gaúcho (Cucumis melo)
P ouco são os fãs do melão que conhecem esta
espécie. De crescimento rápido e ciclo de 85 dias, ela
tem ramos que podem passar dos 4 m de comprimento. Seus frutos, de formato globular alongado e gomados, atingem 18 cm de diâmetro, 40 cm de altura e pesam entre 1 kg e 2,5 kg. O amarelo-alaranjado da casca
contrasta com a polpa salmão-claro e de sabor adocicado.
O melão-gaúcho pode ser cultivado em todo o Brasil,
porém, na região Sul, o ideal é plantá-lo apenas nas estações mais quentes, sempre sob sol pleno. O solo deve ser rico em matéria orgânica. Envelopes com sementes da planta custam R$ 1 na Toca do Verde (www.tocadoverde.com.br).
Natureza
Vanda-híbrida (Vanda Robert’s Delight ‘Black’)
F ruto do trabalho de hibridizadores asiáticos, esta belíssima orquídea importada da Tailândia pode
passar de 60 cm de altura. Suas folhas em forma de leque chegam a 30 cm de comprimento e as flores roxo- escuras, que surgem em longas hastes florais, alcançam 10 cm de diâmetro e duram até 30 dias. Cultivada sob meia-sombra, em ambientes úmidos e arejados, a espécie floresce o ano todo em regiões de clima quente. Para intensificar a floração, jamais pode as raízes e adube a planta a cada 15 dias com adubos foliares para orquídeas. Mudas já florescendo podem ser adquiridas com o Sr. Wu Ke Chia, da WK Flora, na Ceasa de Campinas (www.mercadodeflores.com.br), a preços a partir
de R$ 150.
garimpo
Minilírio-amarelo (Hemerocallis ‘Bitsy’)
O formato compacto e as belas flores amarelas são o que mais chama a atenção nesta herbácea
desenvolvida nos Estados Unidos e trazida para o Brasil pelo produtor Dario Bergemann. Sua folhagem perene e verde-clara atinge 30 cm de altura e, durante a primavera e o verão, flores de 3,5 cm de diâmetro despontam no ápice de hastes florais de até 46 cm de altura. Após a florada – e também no início da primavera – a folhagem deve ser podada para estimular um bom florescimento seguinte. A Agrícola da Ilha (www.hemerocallis.com.br) vende mudas da espécie por R$ 3 cada.
76 Natureza
Schuterstock
Paula Fratin
Valerio Romahn
pomar
No prato e
no Jardim
Com sabor marcante e aparência delicada, o manjericão é fácil de cuidar e conta com mais de 160 cultivares
TexTo marina gabai | produção beth macedo
I ngrediente indispensável na pizza margherita, no molho pesto e em tantas outras receitas, o manjericão é um dos temperos mais usados no mundo e presença praticamente obrigatória em qualquer horta. Mas seu uso no jardim não se limita ao cantinho dos temperos:
com folhas ornamentais e aromáticas e flores delicadas, ele pode ser integrado ao paisagismo e ganhar lugar de destaque em canteiros e vasos. Difícil é escolher apenas um entre tantos manjericões, pois existem mais de 160 cultivares com variações no sabor, aroma, aparência e até na origem. O mais famoso – conhecido como manjericão comum – é o manjericão-italiano (Ocimum basilicum) (1), originário da Ásia tropical. Também muito conhecido,
O manjericão- italiano-roxo é um dos que mais encantam e se destaca no jardim com suas folhas e flores roxas
Natureza
mas de folhas menores e mais lisas, há o manjericão- limoncino (Ocimum x africaum), que antes era chamado de Ocimum x citriodorum e tem sabor cítrico. Para o preparo do molho pesto, os manjericões mais tradicionais são o Ocimum basilicum ‘Genovese’ – antigo ‘Perfume Basil’, que é muito parecido com o manjericão comum –, e o manjericão-folha-de-alface (Ocimum basilicum ‘Napolitano’) – antes chamado de Ocimum basilicum var. crispum. Quando o assunto é colorir o jardim, fica difícil competir com o manjericão-roxo (Ocimum basilicum var. purpurascens) (2), de folhas e inflorescências roxas. Há também o manjericão-zaatar (Ocimum sp), nativo do Oriente Médio, e o manjericão-anis (Ocimum
Paula Fratin
Natureza
pomar
Manjericão-italiano
No paisagismo, o manjericão pode ser usado em vasos e canteiros, como planta isolada ou em composição com outras espécies
flexuosum) (6), nativo do Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela e do México. Pouco conhecido por aqui, o primeiro tem sabor que lembra o do tomilho e, por isso, pode ser usado como substituto dessa especiaria no preparo do zaatar, uma mistura de condimentos inventada no Oriente Médio. Já o manjericão-anis é usado na preparação de chás.
delicadeza no jardim
Mesmo diferentes em vários aspectos, as espécies de manjericão seguem as mesmas regras de cultivo. O mais importante é manter a muda em local arejado e que receba de duas a quatro horas de sol por dia. Para plantá-la a partir das sementes, Sthephânia Handler, da
Isla Sementes, recomenda colocar dois ou três grãos em um recipiente com terra vegetal e regar duas vezes ao
dia com borrifador. Se o plantio for feito na primavera ou verão, o tempero estará pronto para colher em 50 ou
60 dias. No outono e no inverno é preciso esperar mais:
de 70 a 90 dias. Quem preferir comprar mudas já formadas, deve plantá-las em berços de 20 cm x 20 cm x 20 cm preenchidos com uma mistura de partes iguais de terra do local e composto orgânico. A adubação pode ser feita com aplicações de húmus de minhoca a cada
30 dias no caso dos vasos e a cada 40 dias em canteiros.
As regas costumam ser diárias, desde que o substrato esteja seco.
Paula Fratin
pomar
Manjericão-zaatar
Com tantas espécies diferentes, o manjericão pode ser usado no tradicional molho pesto, em pratos quentes e até em chás
O mais comum é cultivar o manjericão no jardim, onde ele pode aparecer em vasos e em canteiros, sozinho ou acompanhado de outras espécies, sejam elas temperos ou plantas ornamentais. Mas quem quiser também pode plantá-lo em pequenos vasos em varandas e janelas, desde que o local receba bastante sol. A herborista Sabrina Jeha, da Sabor de Fazenda, ressalta que, embora as inflorescências do manjericão sejam muito bonitas, elas devem ser cortadas quando a espécie é cultivada para o consumo das folhas. Isso porque as flores acabam roubando o vigor da folhagem.
bom para a tosse
O manjericão é um poderoso aliado da saúde. Ele é rico em magnésio, potássio, ferro e, por ter flavonoides em sua composição – que têm ação anti-inflamatória, antioxidante e auxiliam na absorção de vitamina C – , ajuda na recuperação e prevenção de resfriados. É também muito usado como ingrediente de xaropes e em gargarejos para aliviar a dor de garganta. Mas o melhor mesmo é consumi-lo como tempero nas variadas receitas. Até porque, segundo a nutricionista Milena Matias, o manjericão vai bem não só em pratos quentes, mas também em saladas, chás e vitaminas.
82 Natureza
CoNSULToRiA: Sabrina Jeha (herborista da Sabor de Fazenda), tel.: (11) 2631-4915, www. sabordefazenda.com.br; Sthefânia Handler (isla Sementes), tel.: (51) 2136-6600, isla.com.br; Milena Matias (nutricionista), tel: (11) 3849-0592 ou (11) 3849-8512, www.milenamatias.com.br
AlmAlm AA nn AAqueque
Campinas Decor
Para comemorar o 20º aniversário, a mostra está de endereço
novo e terá tempo recorde de duração texto marina gabai | Fotos Paula Fratin
A inda dá tempo de visitar a Campinas Decor, uma das mais
tradicionais mostras de arquitetura, decoração e paisagismo do interior paulista. O evento, que abriu as portas no dia 14 maio e vai até 2 de agosto, será mais longo que o
normal para comemorar sua 20ª edição.
O local de exposição também mudou: em vez de ser ambientada em
prédios históricos, como era tradição, em 2015 a mostra foi transferida para uma área de 1.500 m² dentro do Shopping Iguatemi Campinas, o que proporcionou aos profissionais a possibilidade de trabalhar ambientes mais amplos e com pé-direito alto. Ao todo, são 52 espaços com trabalhos de 78 profissionais entre arquitetos, decoradores, designers de interiores, engenheiros e paisagistas.
JArdins verticAis Com a escolha de um local fechado para a mostra, os jardins a céu aberto perderam espaço. Mas a Natureza continua presente na forma de paredes verdes, hortas verticais e até vasos distribuídos em estantes.
Na sala de jantar gourmet criada pela arquiteta e designer de interiores Adriana Bellão, por exemplo, a principal atração é um jardim vertical de 4 m de altura assinado pela arquiteta paisagista Rafaela Novaes. Nele, são cultivadas plantas como ripsális, samambaia-americana, samambaia- paulista, aspargo-preto, asplênio, monstera e moreia.
Já o Espaço Zen, feito em parceria pelo paisagista Edson Cardoso
de Oliveira, o Guga, e a arquiteta e urbanista Katy Costa, mostra que é possível criar um ambiente cheio de verde mesmo dentro de casa. O mobiliário de cores cruas, como bege e marrom, se mistura ao verde das plantas colocadas em vasos cilíndricos, criando um ambiente claro, simples e ideal para relaxar.
como a mostra acontece em um ambiente fechado, os profissionais apostaram nos jadins verticais e vasos para incluir as plantas em seus projetos
AlmAnAque
| notAs |
Mais árvores em Campinas
Inaugurado em junho, o novo trecho da Avenida Mackenzie, em Campinas, tem tudo para ser uma das mais belas vias arborizadas
do país. Ao longo de seus 6,5 km de extensão, foram criadas quatro faixas ajardinadas – duas nas laterais e duas no canteiro central – que receberam 9.500 mudas de árvores, palmeiras
e arbustos. Os ipês amarelos, brancos e roxos, em particular,
prometem dar um espetáculo entre os meses de junho e outubro, época de sua florada. O paisagismo leva a assinatura do arquiteto paisagista Marcelo Novaes e foi implantado sob a coordenação do engenheiro florestal Murilo Soares.
foi o marsala, um vinho fechado que puxa um pouco para o marrom. Elegante, intenso e sofisticado, ele vai muito bem em arranjos, como este que a florista Camila Kuramoto criou usando calas (Zanthedeschia hybrid) e cimbídios (Cymbidium hybrid). Outras flores que exibem essa cor são a orquídea Oncidium ‘Sharry Baby’ e a dracena-vermelha (Cordyline terminalis).
Natureza
Alm A n Aque
| Notas |
Devolvendo o verde
Uma área degradada de 320 mil metros quadrados no município de Salesópolis, SP, onde nascem o Rio Tietê e alguns outros rios, está sendo reflorestada. O projeto, que tem como objetivo recuperar a vegetação no entorno das nascentes para evitar a perda de água e a erosão do solo, prevê o plantio de 50 mil mudas de árvores nativas até o final de 2015. A iniciativa é uma parceria entre a The Nature Conservacy (TNC), organização mundial de conservação ambiental, e a marca de papel higiênico Neve.
Irrigação inteligente
A estudante brasileira
Mariana Vasconselos desenvolveu um sistema de irrigação para jardins e áreas de produção agrícolas que promete reduzir em até 60% o consumo de água. O equipamento – que recebeu o nome de Agrosmart – usa
sensores para detectar se o solo está seco e envia as informações para um aplicativo instalado em smartphones. Com base nessas informações e em dados meteorológicos, o app monitora o espaço, indica quando deve ser feita a irrigação e a quantidade de água necessária, evitando assim o desperdício.
O
Agrosmart foi o vencedor do concurso Call
to Innovation 2015, da Faculdade de Informática e
Administração Paulista, a FIAP, e já está à venda pelo site www.agrosmart.com.br. O preço varia conforme o tamanho da área monitorada.
Leitura nas férias
F érias são época de a criançada brincar mais horas no jardim e, em dias de chuva, se divertir dentro de casa. Reserve também algumas horinhas para seu pequeno jardineiro colocar a leitura em dia.
Ao escolher os títulos, procure diversificar os temas e, é claro, incluir alguns livros que falem de ecologia e sustentabilidade. Confira algumas boas opções. Tem até um livro que ensina as crianças a desenhar.
PRAIA lImPA é A mInhA PRAIA Educativo, o livro chama atenção para a sujeira deixada pelas pessoas nas praias. • Preço: R$ 24,64 na www.ciadoslivros.com.br • Autor: Fábio Araujo • Ilustrações: Samara Silva • Editora: Vieira & Lent
A lIÇÃO DAS ÁRVORES
Escrita pelo autor italiano Roberto Parmeggiani, a história reflete sobre a relação entre árvores, frutos e o comportamento das crianças. • Preço: R$ 32,31 na americanas.com.br • Editora: DSOP
O lIVRO DA AnImAÇÃO
A obra mostra como funcionam os desenhos animados e os 12 princípios fundamentais dessa arte. Ensina também técnicas simples para quem quer começar a desenhar. • Preço: R$ 29,90 • Autor: César Cavelagna , com colaboração do mestre da animação Daniel Messias. • Editora: Europa, tels.: 0800 8888-508 e (11) 3038-5050 (SP) ou www.europanet.com.br
Alm A n A que
| cursos e eventos |
Mande informações de seu curso, workshop ou palestra para natureza@europanet.com.br até o dia 5 do mês anterior ao evento
| nota |
Cura pelos Vegetais
Este lançamento da Editora Europa mostra como as plantas podem ajudar na prevenção e no combate a doenças. Ele traz um compilado de pesquisas científicas e informações sobre os vegetais mais indicados para evitar colesterol alto,diabetes,pressão alta, AVC, gastrite,estresse e câncer. O livro custa R$ 19,90 e já está disponível nas bancas e livrarias.Também é possível adquiri-lo por meio do site www.europanet. com.br e dos telefones 0800 888 508 e (11) 3038-5050 (São Paulo).
cORREIO
Tire suas dúvidas
nossos consultores
Marina ToMioka Engenheira agrônoma formada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, SP. É fera em desvendar ataques de pragas e de doenças.
Natureza
Valerio roMahn Fotógrafo da natureza há mais de 20 anos, dedica-se à busca de novas plantas durante suas viagens, para testá-las no jardim de sua casa.
Marcello Manzano Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal, SP. Dedica-se à adubação e aos cuidados com plantas.
erwin Bohnke Orquidólogo há mais de 20 anos, dá palestras e cursos sobre orquídeas no Brasil e no exterior. Descobriu muitas espécies, que ganharam seu nome.
Murilo SoareS Formado em Engenharia Florestal, hoje administra o segundo maior parque público de Campinas, SP, e dá aulas de jardinagem e de educação ambiental.
luiS Bacher Apaixonado por plantas, é diretor comercial da Dierberger, viveiro com mais de 115 anos. Bacher se especializou em frutíferas e plantas ornamentais.
Valerio Romahn
cORREIO
Bromélia x dengue
Moramos em uma chácara com muitas bromélias e estamos preocupados com a água que se acumula na planta. Ela pode atrair os mosquitos da dengue? Elizabetti e Oto José Antonio de Souza
| Marina Tomioka responde |
Não, isso é um mito. A água que fica armazenada na roseta das bromélias é um verdadeiro ecossistema, bem diferente da água parada que serve de criadouro para o Aedes aegypti. Protegidos pelas folhas, vários organismos, como pequenos animais e insetos, vivem nesse ambiente reduzido, o que dificulta a sobrevivência das larvas do mosquito que transmite a dengue.
Várias mudas de uma semente
Plantei duas sementes de jambo-rosa e uma delas deu origem a quatro brotos. Devo separá-los e replantar em outros recipientes? Irineu Gonzaga
| Marcello Manzano responde |
Sim, o ideal é deixar apenas duas hastes de jambo- rosa (Syzygium samarangense) em cada recipiente. Quando as mudas crescerem um pouco, transplante- as para canteiros com solo arenoargiloso acrescido de matéria orgânica. A adubação com fertilizantes ricos em micro e macronutrientes também ajuda no bom desenvolvimento da planta.
96 Natureza
cORREIO
Planta curiosa
Encontrei esta espécie diferente em Guarapari e adoraria saber seu nome. Celso Mariano dos Santos
| Marina Tomioka responde |
A espécie que você encontrou é a Yucca gigantea, mais conhecida como iúca-elefante ou vela-de-pureza. Nativa do México e da Guatemala, ela é uma suculenta semilenhosa, de crescimento lento, que pode medir até 10 m de altura. Escultural e pouco ramificada, ela tem folhas longas, estreitas e pontiagudas que se agrupam formando rosetas nas pontas dos ramos. No verão, despontam as inflorescências compostas por inúmeras flores brancas e cerosas. A espécie pode ser cultivada em vasos; em canteiros, de forma isolada ou em grupos; e até compor cercas vivas. Típica de clima tropical árido, deve ser mantida sob sol pleno, em solo arenoso, acrescido de matéria orgânica e regado a intervalos.
Cacto doente
Meu cacto está com uma mancha marrom que vem crescendo. Temo que seja irreversível. O que posso fazer? Maristela Lima
| Marina Tomioka responde |
Essa mancha é causada por uma bactéria que leva ao apodrecimento da planta. A infecção geralmente ocorre quando o cacto sofre alguma lesão. Como a mancha tende a ir subindo, o melhor a fazer é dividir a planta em duas, descartar a parte afetada e replantar a boa. O corte deve ser feito logo acima da mancha para que não sobre nenhum resquício da doença. Espere o pedaço sadio cicatrizar – ele deve ser mantido na sombra – e só então plante-o em solo bem drenado e rico em matéria orgânica.
Na página da Revista Natureza no Facebook, você fica por dentro das novidades do mundo das plantas, confere os bastidores da redação e ainda pode compartilhar com outros leitores fotos de seu jardim.
Bela orquídea
A publicação que fez mais sucesso entre os
seguidores da Revista Natureza no último mês foi
a foto da orquídea cimbídio (Cymbidium hybrid)
que a produtora Aida Lima clicou para registrar os bastidores da capa da revista Orquídeas da Natureza n o 11. Os leitores se encantaram com a quantidade e beleza das flores amarelas.
gaLERIa DO LEITOR
Amarilis exuberante
Compartilho com vocês as lindas flores do meu amarilis (Hippeastrum hybridum). | Maria Fernanda Oliveira |
100 Natureza
Cantinho caprichado
Me inspirei na Revista Natureza para fazer o jardim da minha amiga Mirian. | Sonia Negri |
SHOPPING NATUREZA
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NATUREZA
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consultoriA: Gerardus olsthoorn (produtor da Exótica cactus e succulentas), tel.: (19) 3802-1283
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