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ISSN 1517-5545 Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva 1999, Vol. 1, n° 1, 83-93 Cognic&o: contato com contingéncias e regras! Lorismario Ernesto Simonassi Universidade Catélica de Goids Departamento de Psicologia - Apoio CNPq 301.881-88-0 Resumo Sto descritas e comparadas concepebes diversas sobre a consciéncia enquanto um evento cogni- tivo, Discute-se na literatura se @ descricao de uma contingéneia deve vir antes ou depois da ‘ocorréncia de uma discriminagao. Sao discutidos dados empiricos da literatura que procuram fundamentar os seguintes pontos: 1) possibilidade de sujeitos que solucionam problemas, sem que 08 descrevam; 2) se & necessétio que a descrigdo de contingéncias ocorra antes da solugao do problema; 3) se o aumento da freqiéncia do comportasnento ocorre antes ou depois da descricdo. Descrevem-se experimentos que coneluem ser possivel a solugao de problemas sem prévia descrigao das contingéncias em vigor Palavras chaves: cogni¢fo, consciéncia, contingéncia, regra ¢ resoluglo de problema, Summary Cognition: rules and contact with contingencies (study article followed by questions). Ditterent ‘conceptions about consciousness as a cognitive event are described and compared. The literature about possible relationships between stimulus discrimination and description of the contingency involved is reviewed. Data concerning: 1. the possibility of human subjects solving problems without being able to describe them; 2. the description of a contingency as a pre-requisite for the occurance of problem solving; 3, whether an increase in problem solving behavior rates occurs before or after the description of a contingency are presented. Experimental data that indicate the possibility of solving problems without previous description of the contingencies involved are presented. Key words: cognition, consciouness, contingency, rule ¢ problem solving behavior. Introdugao Conceitos sobre os assuntos chamados de psicoldgicos sao importantes, pois sem que tais eventos sejam conceituados no é possivel especificar as operacdes que possibilitario a observacdo direta, quando pos réncias sobre as es entre tais eventos (Harzem e Miles, 1978; Skinner, 1945) el, ou infe- 1. Antigo didético, acompanhado de 5 questdes de stud, 83 Otermo cognicdoé utitizado em uma cate- gorizagdo que implicou uma variedade de eventos, entre eles, 05 comportamentos conscientes que podem ser analisados como comportamentos verbais (regras) que fazem parte de uma série de relagdes funcionais nfo lineares das contingén- cias particulares, és quais as pessoas sto expastas, Devemios nos lembrar, que 20 operacionalizar alguns comportamentos chamados de conscien- {es nfo tornamos 0 fendmeno “consciéncia” passivel de andlise a0 longo de toda a sua coniceituagiio possivel (Harzem e Miles, 1978). Lorismario Emesto Simonassi Apontadas as questdes da conceituacao © operacionalizagao, vamos observar como asserges sobre o evento cognitive consciéneia ou camo a defini¢io de consciéncia é feita por alguns autores de livros-textos: “Um certo numero de teorias diferentes foi sugerico no que se refere a0 papel funcional das atividades simbélicas, que geralmente & incluido no termo geral *consciéncia’ no pro- ‘cesso de madificagdio do comportamento.~ (Bandura, 1979, p. 333) “Os provessos de modificagao do compot- tamento so afetados peta consciéncia que pessoa tem dos estimulos que a atingem, das respostas que exibem, das conse- Uéncias dos seus comportamentos e das contingéncias que existem entre estes Alimos eventos." (Bandura, 1979, p. 333) “O termo consciéncia tem significado rmiltiplo, Utizamos a palavra para nos referir a0 total estado de consciéncia de uma pessoa (1) @ fou o seu estado normal de vigiia (2). (Davidoff, 1983, p.256) “Apesar da reemergéncia da consciéncia na psicologia, ainda ndo existe um consenso sobre uma definigo do termo. Resumindo, a consciéncia envolve (a) _monitoramento de nés mesmos e de nosso ambiente, de modo que impressées perceptivas, recordagées @ pensamentos sejam representados na mente cénscia; € (b) controle de nés mesmos e de nosso ambiente, para que sejamos capazes de Iniciar @ terminar as atividades compor- tamentais @ cognitivas." (Atkinson, C. Alkinson, Smith @ Bern, 1995, p. 168-169) “Estamos conscientes do que estamos fazendo, quando descrevemos @ topo- grafia de nosso comportamento. Estamos conscientes de porque o fazemos, quando descrevemos variaveis relevantes, tals como aspectos importantes da ocasiso ou o reforgo". (Skinner, 1980, p. 364) 84 “Ento, como aauto-observacao também & ‘um produto de contingéncias discrimina- tivas, e se uma discriminago néo pode ser reforgada pela comunidade, pode ndo ‘parecer nunca. Por mais estranho que ‘eja, 6a comunidade que ensinaindividuo ‘se conhecer.” (Skinner, 1967, p. 150) “Nao precisamos descrever as conti géncias de reforgo a fim de sermos afeta- dos por elas.” (Skinner, 1988, p. 114) *O comportamento verbal nunca teria evoluido se tivesse feito contato somente com outro comportamento verbal algum ponto, ele deve fazer contato com 08 eventos ambientais. Chamamos esse contato de fato; um fato 6 uma resposta verbal ocasionada por um estimulo discri- minativo (cf. Skinner, 1957)." (Catania, 1999, p.259-260) “O comportamento verbal, como qualquer outro evento pode ser tateado. Nenhum novo tipo de relacdo esta envot vido, mas as complexidades geradas quando 0 comportamento verbal & construido a partir de outro comporta- mento verbal exige um comentario espe- cial. 0 comportamento verbal que depende de outro comportamento verbal e que modifica os efeitos de outro comportamento verbal ¢ chamado de autocitico,” (Catania, 1999, p. 267) “Os autoctticos descrtivos dependem de ciscriminagdes do nosso proprio comporta- mento verbal, e sabernos apenas um pouco acerca de como eles 880 aprendios ou po- cdemser ensinados (Catania, 1999, p.270) "E notavel que nés consideremos a percepoao como uma atividade de processamento do qual o individuo tem nogdo consciente, @ esta hipétese tem sido compartithada pela maioria dos psi célogos interessados em percepsaio” (Eysenck e Keane, 1994, p, 72) ‘Cognicao: contato com contingéncias e regras “Um dos principais fendmenos dentro do € porque elas controlam certos comporta- paradigma de dupla tarefa é a melhora ‘mentos (manutenedo). dramatica que o treino geralmente tem Quero deixar claro que, ao adotar esta sobre 0 desempenho. Varias definigoes de “automacidade” ja definigao para estudar um dos chamados processos cognitivos (consciéneia), tal empreen- dimento, de forma alguma, engloba todo conceito, nem mesmo exclui outros tipos de foram propostas, mas existe a concor- dancia generalizada sobre alguns dos principais crtérios. * processos automaticos sao velozes * processos autométicos nao podem ser acessados pelo consciente, (Eysenck procedimentos utilizados para estudo. e Keane, 1994, p. 108) Nés discriminamos porque nés “Estas rs intancas de comportamento _deserevemos out descrevemos porque do pensamenio so iiteis para que se . : ilustre varios aspectos gerais do discriminamos? pensamento, Primeiro, que todos os pedagos envolvem individuos que tm consciéncia de seus pensamentos. (Eysenck e Keane, 1994, p. 324) Nao ria ser desdobrada para as seguintes formas: go de palavras. A questi pode- 1. Para que as pessoas discriminem, & necessirio que, antes elas descre- As afirmativas (conceitos ou descrigdes) vam? feitas sobre consciéncia nos itens 1,2, 3,4, 5 ¢6 2. Para que as pessoas descrevam, é ne- acima indicam a diversidade do uso do termo cessario que, antes elas discriminem? consciéncia feito por behavioristas © cogniti- vistas. Diante de tal diversidade de interpretagiio é stas questdes sifo fundamentais para muito dificil haver concordancia sobre uma que se adote uma posigio mediacional ou néo forma de proceder para se estudar 0 proceso mediacional quanto a fungi DISCRIMINATIVA. em questao. Porém, para efeitos de trabalho, ¢ DESCRITIVA e, conseqiientemente, adotar vamos definir “consciéncia” como a descrigdo uma posigiio em que descri¢do & causa das do préprio comportamento e das condigies que discriminagdes ou que a descricéio é efeito de produziram tal comportamento. causa(s) comum(s). Para relembrar, voltemos a Adefinigaoacima, esta mais proximadas —_definigdo de “consci como definigao de sentengas agrupadas em 1e 4, porém partitham trabalho: de aspectos comuns também nas sentengas contidas em 3, Se 6, “Consciéncia é a descrigao do préprio Como definicdo de trabalho, a definicfo ——comportamento e das condigdes que produ- proposta pode ser bastante itil, pois se torna possivel analisar, bem como realizar, estudos sobre exposigfio As contingéncias e formulagio “ai tal comportamento Esta definigéo permite uma resolugdio empirica, Portanto, vejamos. Quem descreve, descreve algumm acontecer. O que é descrito 60 proprio comportamento da pessoa que se de regras. Quanto a formulagao de regras, pode- mos falar de como as regras so aprendidas (aquisicdo) e ainda depois de aprendidas, como 85 Lorismario Emesto Simonassi comporta ao fazer algo. Quando se faz alguma coisa, se faz em relagao a: 1. Estimulos antecedentes (presentes ou passados), 2. Estimulos conseqilentes que sto apresentados ou retirados. Também, & bom citar que 1 ¢ 2 acima podem ser descritos. Ao se analisar relagdes entre ‘nossos préprios comportamentos os estimulos antecedentes e conseqlientes, estamos diante da possibilidade de se analisar a contingéncia de trés termos e a tesposta que descreve estas relacdes. Esta resposta de descrever, descreve os estimulos discriminativos (verbais ou no), @ esposta-solucao (seja tal resposta publica ou privada) e as conseqiiéneias (sejam imediatas ow remotas). Portanto, a descri¢ao dos termos da contingéncia seria um comportamento verbal a mais a ser analisado, De forma mais especifica, tal desericéio, com os estimulos antecedentes —indicadores de respostas que tenham suas probabilidades modificadas — dé-se 0 nome de REGRA. Estou me referindo & aquisigdio de REGRAS, que apés terem sido formuladas passam a ser estimulos discriminativos para 0 ouvinte no episédio falante-ouvinte. Uma regra, apés formulada pode facilitar 0 desempenho exigido em uma situagio problema. Sera que existem respostas empiricas ao conjunto de afirmativas feitas acima? Tenta- se estiver em acordo remos classificar alguns achados empiricos relativos aos seguintes pontos: 1. Possibilidade de sujeitos que solucio- ‘nam problemas, sem que os descrevam, 2. E necessitio que a descrigao ocorra antes da solugao do problema? . Ocorréncia de aumento da freqiiéncia antes ou depois da descrigdo? 86 Possibilidade de sujeitos que solucionem problemas, sem que 0s deserevam Talvez, o primeiro estudo contundente relativo a solugéo de problemas e descrigao, tenha sido feito por Hefferline, Keenan e Harford em 1959, Heffferline ¢ col. (1959) fizeram um arranjo experimental em que sujeitos humanos terminavam ou pospunham estimulos aversivos sonoros com uma resposta de distender o miisculo de um dos dedos da mao através de um eletromidgrafo. O mais interes- sante € que quando foi solicitado aos sujeitos que descrevessem os eventos que eles proprios modificavam, nao foram capazes de relaté-los, isto & nfo relataram nem os seus proprios comportamentos ¢ nem os seus efeitos. Infeliz- mente, Hefferline e col, (1959) nao citam como foram medidas as informa edes sobre a propria descrigio, Em outro estudo muito antigo, feito por Greenspoon (1955) reforgava aos sujeitos com um HUM! HUM! contingentemente a classe de palavras especificas e estas se tornaram mais freqiientes. Os sujeitos “nao notaram a relagao entre 0 seu comportamento verbal ¢ as condigdes de reforgamento”. Apesar destes dois estudos antigos demonstrarem que € possivel um aumento na freqiiéncia do responder, independentemente das descri¢des das contingéncias, tais estudos no so citados, Por exemplo, Bandura (1979) citou resultados de experimentos em que a descricdo & condigdo necesséria para aumento da fieqiiéneia do comportamento, embora cite também experimentos em que a freqtiéncia da resposta aumentou independentemente da descrigdo, Bandura (1979) aponta que problemas metodolégicos podem ser os responsiveis por tais resultados discrepantes. Entre os problemas, dois deles merecem atengio Cognicdo: contato com contingéncias e regras "A consciéncia (descrigdo) geralmente é tratada como um fendmene de tudo ou nada‘, quando de fato ela pode variar desde uma determinacao correla, por hipo- teses parcialmente correlacionadas a Nnogées altamente erréneas da razéo pela qual osujeito esta sendo reforpado,"(p. 337) 2. “Aconsciéncia & inferida das respostas a uma série de questées de entrevista? progressivamente mais sugestivas Portanto, © numero de sujeltes julgados conscios é determinado, em certa exten- 0, pelo numero ¢ natureza das pistas Informativas veiculadas pela sondagem nas entrevistas.*? Para (entar resolver estas questdes de medidas © questdes de outra natureza temas conduzido no Laboratério de Andlise Experi- mental do Comportamento da Universidade Catélica de Goids, uma série de experimentos e estudos conceituais sobre comportamentos cénscios (Simonassi, de Oliveira e Sanabio, 1994; Simonassi, Froes e Sanabio, 1995; Simo- nassi, 1997; Simonassi, de Oliveira e Gosch, 1997; Simonassi, de Oliveira, Gosch e Carvalho, 1997; além do estudo feito por de Oliveira (1998), Um breve resumo dos resultados dos experimentos citados ¢ apresentado a segu a, nenhum dos sujeitos em todos os experimentos formulou a regra (descreveu) antes de ser exposto contingéncias. O conjunto de experimentos utilizou ao todo 167 sujeitos; b. a freqiiéncia média de acertos (medi- da pelo mimero de tentativas) aumen- tou para 15 de 19 sujeitos antes da formulagao da regra, (Simonassi, de Oliveira e Sanabio,1995), Em outro *2, Grifo meu, 87 experimento houve aumento da freqiténcia de acertos para 8 de 10 sujeitos que formularam a regra (Simonassi, Froes e Sanabio, 1995). onze sujeitos mesmo nao tendo formulado a regra, tiveram aumento na freqiiéncia média de accrtos. Apenas 2 sujeitos ndo tiveram aumento na freqiiéneia média de acer~ tos (Simonassi, de Oliveira e Sanibio, 1995). Em outro experimento (Simo: nassi, Froes ¢ Sandbio, 1994) 3 dos 4 sujeitos que nao formularam a regrae solucionaram o problema aumen- taram a fieqiténcia de acertos; sempre as regras foram formuladas por etapas (Simonassi, Froes e Sané- bio, 1995; Simonassi, de Oliveira e Sanabio, 1994), independendo da complexidade das contingéncias (de Oliveira, 1998); as formulagbes de regras foram influenciadas pelas contingéncias a que as pessoas foram expostas e pelas instruges que receberam (Simo- nassi, de Oliveita e Gosch, 1994), as propriedades dos estimulos discri- minativos afetaram as descrigdes das contingéncias (Simonassi, de Oliveira e Gosch,1997). nos experimentos de 1995 observou-se que a solugio do problema proposto ocorreu para 3 dos 16 sujeitos utiliza dos, sem terem descrito as contin- géncias (formulago de regras). No experimento de 1994, ocorreu 0 mesmo para 13 sujeitos, isto é, solu- cionaram 0 problema, porém sem descrever as contingéncias. Estes resultados tém sido sistematicamente encontrados em demonstragdes expe- rimentais feitas a alunos do curso de Psicologia da Universidade Catélica de Goi Lorismario Ernesto Simonassi Como conclusao, os resultados mostram queé possivel que humanos solucionem proble- mas, sem que os descrevam. E necessario que a descrigio ocorra antes da soluco do problema? Resultados empiricos permitem que afirmemos que nfo. Os livros-textos contém experimentos que relatam tais tipos de resulta- dos (cf. Catania, 1999; Bandura, 1979; Millen- son,1979). Ainda mais: 0 que dizer dos estudos com infra-humanos, que no apresentam comportamento verbal como definido por nés € que solucionam problemas? © que dizer do homosapiens, antes de colocar sua musculatura vocal sob controle operante? Seré que solucio- navam problemas? E bom salientar que 0 termo solugao de problemas ¢ aplicado aos casos em que diante de um conjunto de estimulos, nio existe no repertério do solucionador, resposta solugdo disponivel. Seré que podemos especular um pouco? Vocé alguma vez ja se envolveu com as brinca- deiras chamadas de quebra-cabecas? Se j, deve ter observado que em alguns casos, vacé conse- gue resolver 0 problema, porém, quando vai ensinar a outra pessoa como fazé-lo, torna-se mais eficiente demonstrando (fazendo na presenca do aprendiz) do que verbalizando, O exemplo dos dois pregos dobrados e superpos- tosé um caso muito bom de ser experimentado. Quiro ponto relevante é que empirica- mente pode-se demonstrar que a resolucdo de um problema envolve uma resposta solugao, queé final de um elo que pertencea uma cadeia de respostas, que depende de respostas precar- tentes. Portanto, a solugao de problemas nao é tum processo do tipo tudo ou nada, Desta forma, nao € necessirio que os comportamentos precorrentes sejam descritos para que a solugio ocorra. (cf. Moroz, 1991; Silva Santos, 1998; Cavalcante, 1999). 88. Ocorréneia de aumento da freqiiéncia antes ou depois da descrigio? Esta pergunta poderia ser formulada de ; “Seriam as regras (descrigdes das contingéncias — consciéncia) sirias para que a freqiiéncia das respostas aumentem? outra maneira, ou s¢j net Os resultados dos experimentos citados na subseeao 2.1 indicam que para alguns sujeitos(a maioria deles) nao foinecessdrio que verbalizagses ocorressem antes de se iniciar 0 aumento da freqiiéncia das respostas. Ha no entanto, na literatura (ef, Bandura, 1979) relatos indicativos de que “as descrigdes das respostas exigidas para reforgamento, geralmente acusam um aumento substan ial das respostas apropriadas.” A afirmativa precedente, esté em acordo com tuma das principais flungties do comporta- mento verbal segundo Baum (1999), Catania (1999), que éa de modificar o comportamento do outro organismio. A quest2o primordial, ereio que seja, nfo em saber se descrigdes facilitam a solu- gf0 de problemas, mas sim se deserigdes de expo- sig soluedo, uma vez. que uma pessoa pode também descrever os estimulos antecedentes € respostas que ndio estio correlacionados com a solucao, ¢ portanto ao seguir suas proprias regras iri ser seguido de punigto, Conseqtientemente, 0 seu comportamento de descrever nfo aumentaré em freqiiéncia. O que pode ocorrer & que uma regra (descrigdo) facilite a solugiio do problema ou 0 aumento da freqiiéncia como citam Spielberger e De Nike (1966), no sentido de que a descricao faz com que 0 aumento seja abrupto como demons- ‘varam Philbrick e Postman (citado em Bandura, 1979). No entanto, antes do salto abrupto as resposias jé estavam aumentando sua freqiiéncia, 0 ds contingéncias discriminadas facilitam a Quero ainda chamar a atengao que estudos sobre aquisic&o de regras (descrigdo) implicam em um procedimento de discrimi- Cogni¢ae: contate com contingéncias e regras nago com respostas correlacionadas ao esti- mulo discriminative que levam ao reforgo com respostas correlacionadas aos estimulos que no levam ao reforgo. Um procedimento de discriminagio simples, e que os sujeitos ao discriminarem, relatam os seus proprios comportamentos € as condigdes que os produ- ziram (de Oliveira, 1998; Simonassi, de Oliveira ¢ Sanabio, 1994), fazendo assim, com que discriminag6es complexas operem na situa- gio (Cerutti, 1989). Este ponto seré tratado no ptoximo t6pico. Ainda mais, que os relatos dos termos das contingéncias as quais os parti- cipantes foram expostos so mais freqiten- temente feitos aos estimulos discriminativos e respostas ¢ em seguida aos reforgadores (LAEC, 1994-1999), Em relacio ao titulo do tépico 2, os dados parecem indicar que a relagdo funcional significativa é de relatos as partes da contingén- cia que esto relacionadas ao reforgo, porém, que os relatos so sobre partes das contingén- cias as quais os participantes foram expostos suas respectivas discriminagdes. Nao ha casos de descrigao sem exposigdo as contingéncias. Seria impossivel. Comportamento verbal de descrever conting&ncias e comportamento verbal de seguir instrugdes. Possibilidade de integracio de atividades cognitivas Podemos afirmar, portanto, que uma pessoa exposta a uma contingéncia, emite comportamentos verbais discriminados, ou soja, ela pode falar sobre si mesma (seus -verbais) ¢ as condigdes comportamentos na *3. Dados colhidos ao longo dos anos de 1994 até 1999, no LAEC-UCG, porém ainda néo publicados. 89 geradoras © mant nedoras (estimulos diserimi- nativos conseqiiéncias) relacionadas entre si, ou seja, é possivel relatar o ambiente © as respostas da continggncia colateral (Cerutti, 1989). O nome contingéncia colateral é utiliza- do para designar os estimulos discriminativos, respostas e conseqiiéneias a que os participantes so expostos em conti posigo A continggneia instrucional, que € composta da instrugao (um estimulo discriminativo), uma resposta (a resposta de seguir a instruc) ea conseqiiéncia social (aprovacao ou desaprovacao). Estas duas ncias podem ou no interagir, depen- dendo de quais variaveis iréo ser manipuladas nos experimentos em que existe aquisis regras. De importancia ¢ 0 terceiro termo da 0 de contingéncia instrucional (conseqiiéncia social), pois introduz.na interacdo das contingéncias, a comunidade verbal. Esta comunidade verbal 6a responsiivel por manter as descrigdes (regras comportamentos cénscios). Assim, a0 analisarmos as contingéncias colaterais e as contingéncias instrucionais esta- ‘mos aptos relatar eventos destas duas contingén- cias, sempre baseados em eventos observveis ou potencialmente observaveis em ocasibes Futuras, dependendo das contingéncias sociais que produ- zitio a publicizacgdo de possiveis respostas precomentes momentaneamente privadas (Simo- nassi, Tourinho, da Silva, Gosch, de Oliveira, S Santos, Froes e Sanabio, 1997) Os es como os eventos das contingéncias colaterais, quemas abaixo ilustram a forma instrucionais e derivadas (Parte a) podem ser analisados diretamente, Na contingéncia cola- teral oseventos (Sde-> Re * Ce) podem ser di- retamente observados e registrados, bem como os eventos (Sdi> RL > Ccv) da contingéncia instrucional. Desta interago de contingéncias ‘ocorrem novos eventos (estimulos, respostas ¢ conseqiiéncias). Lorismario Ernesto Simonassi Esquema: Parte a 4. ConingniaClateral Sit ——> te ———— te Alevaslnimens} fonueratea sensi) (nto wea 2. Contngéncia Instrucional si ——> Ll ———> ter (asiuies) ——ferinstugo © fayagi soci) soguia} 4. Coningdncadeiada oD 0 3 ht rte (Sic> Rete e Sie RL Cox) (eye) (aprons) Na parte a do esquema esto exemplifi- cados como estimulos discriminativos letras € , como resposta tocar uma tela de um monitor de computador e como consequlénciaas palavras certo ou errado que aparecem na tela do computador. Tais eventos sto parte de um conjunto de eventos estudados dos programas FORMRULES | 2 disponiveis no LAEC-UCG exemplo € estendivel a quaisquer outros nimero procedimentos de discriminagao que se possa realizar com participantes humanos De interesse especial é a Resposta de Deserever (-Regra-R D) que vai fazer parte de uma nova contingéneia, chamada de contin- génciaderivada. Observando-se os eventos das duas primeiras contingéncias, verifica-se que a resposta de descrever da contingéncia derivada (a regra) surge da interago dos eventos que compée as contingéncias colaterais e instrucio- nais. Esta é uma forma de andlise em que fodos os eventos de fadas as contingéncias s4o direta- mente observaveis em momentos diferentes, pelo menos nas situagGes de experimentago. 90 A parte b do esquema, ilustra como a regra (Resposta de Descrever) entra como evento verbal observavel no episédio verbal falante-ouvinte (cf. Skinner, 1978). Esquema: Parte b. 1. Sonnet coningénianstca) era rip eanla > C(-seuirn sou oben S* (Que eta ovina) 2.(Regre) ta a comuriade vera ovine para area. 4. Conseqiéacia (Seqimento ou no da regra pea comunidad verbal, Sempre € bom lembrar que estamos falando de participantes que estio adquirindo repertério verbal na presenea das contingéneias colateraise instrucionais. Ao se observar a parte b do esquema, a partir do momento que a resposta de descrever (regra) ocorrer, existe a possibilidade de que tal resposta adquira propriedades funcionais discriminativas para os outros membros da comunidade € para proprio falante, Nao se deve esquecer que 0 falante pode, sob certas condigdes, tornar-se seu préprio ouvinte, j4 que ambos pertencem & mesma comunidade verbal (cf. Skinner, 1978; 1989; Hayes e Hayes, 1989; Baum, 1979; Zettle e Hayes, 1982). Podemos pensar nos termos (estimulos, respostas € conseqtiéneias) dos trés tipos de contingénci vadas), principalmente nos estimulos discrimi- nativos € respostas, como eventos que, em s (colaterais, instrucionais e di Cogn muitos casos so acessiveis apenas a propria pessoa (cf. Matos, 1997; Tourinho,1997). O fato de eventos serem acessiveis & propria pessoa, no os torna “mentais”, mas sim que: 1 podem ter sido piiblicos no passado (depen- dendo dos arranjos disponiveis dos termos das contingéncias sociais), 2. estio momentanea- mente inacessiveis a outras pessoas (como ou- vintes de uma mesma comunidade verbal), 3 poderao permanecer inacessiveis para sempre — € neste caso nd entrardo em relagio funcional com partes do ambiente, a nfo ser do ambiente privado — ow se tomarem piblicos. Vamos exemplificar o que foi afirmado acima com base em uma suposigao. Imagine que uma pessoa tenha assaltado um banco e fugido, sem que jamais tivesse sido identificada, Neste caso, a deserigéio de como foi o assalto poderia ser feita pelo assaltante a todo momento em voz alta ou para si mesmo. Se o relato for feito em voz alta, comegam aparecer possiveis consequiéncias sociais (prisZo, julgamento etc.). No entanto, se forem feitos sé para si mesmo, no ocorrerao tais sangdes sociais, e o assaltante poderd morrer sem ser descoberto (obviamente, trata- se aqui de um assalto perfeito). Relatar para si mesino no € um exemplo de evento mental mas sim de comportamento verbal, tipicamente operante, portanto sensivel as conseqléncias. (ef. Staats, 1973; Skinner,1976; Baum,1999; Burns e Staats, 1991; Spradtin, 1985), Algumas especulacées e suposigdes teéricas Caso falar parasi, seja um operante e que tenha a possibilidade de que também partilhe de contingéncias tipicamente reflexas (Burns e Staats, 1991; Staats e Staats, 1993) & possivel que falar para si (no caso de uma regra) possa o 10: contato com contingéncias e regras gerar respostas tipicamente emocionais, ou que o falar para si possa ser conseqilenciado e que a freqiiéncia deste comportamento possa ser modificada, Pode ocorrer também que ao ser consegilenciado, gere os subprodutos dos estimulos reforgadores, como por exemplo a alegria, ou dos estimulos aversivos, como por exemplo a ansiedade, conforme foi sugerido por Skinner (1967, 1971). E possivel ainda que © falar para si, elicie comportamentos emocionais, isto é, palavras eliciem respostas emotivas, como ja foi demonstrado em experimentos com procedimentos que possi- bilitem o estudo das interagées de processos operantes-reflexos. (Veja em Rescorla,1977; Peterson,1975, procedimentos eficazes para 0 estudo de interagdes operantes-reflexas, tanto em infra-humanos como em humanos. Também podem ser encontradas referéncias a medidas reflexas, relatives & exposigiio a estimulos verbais em Wolpe, 1976, especialmente nos capitulos 6 € 7). As afirmativas acima, esperam por procedimentos especificos que as suportem, uma vez.qu comportamento verbal que o abordam da forma integrada operante-reflexa. sto poucos os experimentos sobre Referéncias Atkinson, R.L.; Atkinson, R.C.; Smith, E, E, e Bem, D. J. (1994). Iniroducio & psivologia (trads Batista), Porto Alegre: Artes Medicas. Bandura, A. (1969). Modificagio do comportamento (trads E, Nick). 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