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FACULDADE DE DIREITO UNIVERSIDADE DE LISBOA

DIREITO

PROCESSUAL

PENAL

TRAMITAÇÃO / SUJEITOS PROCESSUAIS / OBfECTO

PARTE I: INTRODUÇÃO E TEORIA DA LEI PROCESSUAL PENAL

1. Conceito de Direito Processual Penal

O

aplicação do direito penal aos casos concretos, ou noutra fórmula, o conjunto das

a

Direito

Processual

Penal

é

o

conjunto

de

normas

jurídicas

que

disciplinam

normas jurídicas que orientam e disciplinam o processo penal.

2. Relação entre o Direito Processual Penal e o Direito Penal

A lei penal necessita do processo para a sua aplicação ao caso concreto; o direito penal substantivo define os crimes, as penas e as medidas de segurança aplicáveis aos seus

aigentes, enquanto que o processo define o modo de proceder para verificar juridicamente a ocorrência de crimes, determinar os seus agentes e aplicar-lhes as

penas e medidas de segurança, quando disso for caso.

• Há, por isso, uma relação de instrumentalidade necessária entre

o direito

penal e o processo penal que os distingue da conexão entre os demais ramos de direito e respectivos processos.

" Daí que o art. 2 CPP disponha que a aplicação de penas e medidas de segurança só pode ter lugar em conformidade com as disposições do Código.

3. Modelos históricos do Processo Penal.

a) Modelo inquisitório

b) Modelo acusatório

c) Modelo misto

4. O CPP '87 e a estrutura acusatória do Processo

O art. 32/5 CRP dispõe que o processo criminal tem estrutura acusatória.

• O sistema acusatório procura a igualdade de poderes de actuação processual entre a acusação a defesa, ficando o julgador numa situação de independência «super-partes», apenas interessado na apreciação objectiva do caso que lhe é

submetido pela acusação. *

A trave

mestra deste sistema é a separação entre a entidade que a

acusa e a entidade que julga - distinção que visa garantir a

imparcialidade do julgador

5. A natureza processual dos crimes.

5.1 . Crimes-Públicos

Crimes cujo processo é iniciado oficiosam ente pelo MP, sem necessidade de intervenção do ofendido ou das outras pessoas.

Nos crimes públicos vigora o princípio da oficialidade (art. 48 e 262/2), ou seja, a

iniciativa e a prossecução processuais pertencem ao

Chegamos à conclusão de que estamos perante um crime pattfeater

causa, não

v

quando,

encontramos referência a nenhuma condição de procedibiíidade num

analisando o preceito do tipo incriminador em

dos seus números nem em qualquer outro preceito que com e(e mantém uma proximidade sistemática.

5.2. Crimes Semi-Púbticos Nos crimes semi-públicos, o procedimento criminal depende de queixa (art. 49)

•Titularidade do direito de queixa: art. 113 CP

5.3. Crimes Particulares

Nos crimes particulares, são quatro as condições de procedibilidade (arts. 50/1,

246/4, 285/1):

A queixa (que é uma declaração de ciência e uma manifestação de vontade1 de

que seja instaurado um processo para averiguação da notícia do crime e procedimento contra ao agente responsável ■Titularidade do direito de queixa: art. 113 CP

b) Declaração, simultânea à queixa, de que deseja constituir-se como assistente - s» ;•

a)

c) Constituição efectiva como assistente

d) Dedução efectiva de acusação particular pelo assistente

* A declaração do queixoso de que se quer constituir como assistente é quase uma mera formalidade, pois a sua falta é cominada com a mera irregularidade e não compromete o avanco do inquérito.

• O prazo para a constituição de assistente é de dez dias, a contar da declaração do queixoso de que se quer constituir assistente (art.

68/ 2)

’ O prazo para a dedução de acusação particular é de dez dias, a contar da notificação do MP, findo o inquérito (art. 285/1)

6.

A relevância constitucional do processo penal. A articulação entre as garantias penais substantivas e as garantias processuais.

6.1. Validade temporal da lei processual penal

O CPP dispõe no art. 5.® que a lei processual penal é de aplicação imediata, sem prejuízo da validade dos actos realizados na vigência da lei anterior.

6.1.1. As normas processuais materiais

A boa doutrina entende que, tratando-se de norm as processuais de natureza

substantiva, isto é, de normas contidas no CPP que condicionam a responsabilidade penal ou contendam com os direitos fundamentais do

arguido ou do recluso, deverá ter-se e"m conta o art. 2/4 CP e art., 29/4 CRP. aplicando-se a lei retroactiva de conteúdo mais favorável ao arguido,

proibindo-se igualmente a reformotío in pejus.

San exemplos de nnrmas processuais materiais:

a) Normas sobre prescrição

b) Normas sobre condições de procedibilidade (queixa e acusação particular):

e.g. conversão de crime público em semi-público ou particular

c) Normas sobre medidas de coacção

1Ao contrário da denúncia, que é apenas uma declaração de ciência.

PARTE II: A TRAMITAÇÃO DO PROCESSO PENAL

1. As formas de processo actuais.

No sistema do CPP de 1987 há duas grandes modalidades de processo: a forma comum e as formas especiais.

As formas especiais são:

a) O processo sumário (art. 381);

b) O processo sumaríssimo (art. 392);

c) O processo abreviado (art. 391-A).

* A utifeação de uma forma de processo quando a lei determinar a utilização

de

urna outra constitui uma nulidade dependente de arguição, nos termos

do

art. 120/2/a).

i

2. O carácter subsidiário da forma de processo comum.

O processo comum tem um carácter subsidiário, ou seja, só se aplica quando não tiver lugar qualquer forma especial.

3. A gravidade dos crimes e as formas de processo.

Tendencialmente os crimes mais graves são julgados na forma de processo comum.

■ Essa é a forma que dá mais garantias de defesa (o que não quer dizer que as outras não as dêem), sendo, por conseguinte, a mais adequada para os crimes mais graves

Por sua vez, os processos especiais estão condicionados pelo gravidade da pena.

* Em processo sumário não pode ser aplicada pena de prisão superior a cinco anos Jart. 381/1 e 2)

■ O processo abreviado só tem lugar em caso de crime punível com pena de ( prisão não superior 3 cinco anos ou com pena de multa (art. 391-A /l) (

■ Em processo sumaríssimo só cabem os casos de crime punível com pena de prisão não superior a cinco anos ou só com pena de multa (art. 392/1)

o Nem sempre, porém, os crimes, menos graves são processados nas formas especiais: por exemplo, se o tribunal ou o arguido não aceitarem a proposta sancionatória do MP para que o facto seja processado em processo sumaríssimo, então terá lugar o reenvio do processo para a forma comum (art. 395/1/c) e 398).

4. A natureza processual dos crimes e as formas de processo. a) Crimes públicos: não têm a respectiva tram itação condicionada de modo algum.

b) Crimes semi-públicos: têm o início do procedimento dependente de queixa do

ofendido (art. 49/1), mas depois podem ser julgados em qualquer foma de processo.

c) Crimes particulares: têm o início do procedimento criminal sucessivamente condicionado por queixa (art. 50/1 e 246/4), declaração, por parte do ofendido

(ou de outros), de que se quer constituir assistente, constituição de assistente (art. 68/2) e acusação particular (art. 285/1), mas só não podem ser-' processados em processo sumário (uma vez que não pode haver, nos crimes particulares, detenção em flagrante delito, que é requisito do processo sumário, nos termos do art. 255/4).

* Actualmente, os crimes particulares podem ser processados em processo sumarfssimo (art. 392/2) e sob a forma de processo abreviado (art. 391-B/3).

5. As fases do processo comum.

Segundo doutrina tradicional, o processo comum obedece a três grandes fases2:

a) O Inquérito (art. 262 ss.)

b) A Instrução (art. 286 ss.)

c) O Julgamento (art. 311 ss.)

* O inquérito e o julgamento são as fases obrigatórias do processo comum (e, claro, o julgamento só é obrigatório se houver acusação ou pronúncia)

■ A instrução é facultativa

5.1. A aquisição da notícia do crime.

O processo começa com a aquisição da notícia do crime (art. 241).

O M P adquire a noticia do crime através de uma das seguintes formas (art. 241):

a) Conhecimento próprio

b) Por intermédio dos órgãos de polícia criminal (cfr. 248)

c) Por denúncia (transmissão ao IVIP do conhecimento de factos com eventual relevância criminal, na forma estabelecida por lei, para efeitos do

procedimento criminal)

■ Distingue-se denúncia obrigatória, que impende sobre os funcionários (art. 242), dos casos de denúncia facultativa (art. 244).

* É admissível a denúncia contra desconhecidos, visto caber nas

finalidades do inquérito a determinação dos agentes da infracção (art.

262/1).

O «problema» da denúncia obrigatória

Nos termos do n.s 3 do art. 242.5 CPP, o regime especial do procedimento criminal

dos crimes semi-públicos e particulares não fica afectado se houver uma denúncia por parte deTuma âuiorldadê publica, pois aihda assim continuará a ser necessário

para o Ministério Público abrir inquérito que o titular do direito de queixa a

apresente .

1 Alguma doutrina (F.CPinto), porém, prefere indicar cinco fases do processo comum: (1) aquisição da notícia do crime (art. 241 ss.); (2) o inquérito; (3) a instrução; (3) o julgamento; (4) e os recursos (art. 399

ss.) 3 0 debate doutrinário em volta dos crimes sujeitos a «denúncia obrigatória» parece ter perdido muito da sua pertinência com a alteração do n.9 3 do art. 242.9 CPP ievada a cabo pela Reforma de 2007.

 

Há aliás uma grande utilidade a favor da tese denúncia obrigatória para os crimes semi-públicos e particulares, que se liga com a questão do auto de notícia (art. 243.® CPP). Admitindo a denúncia obrigatória para os crimes

semi-públicos e particulares, admite-se igualmente que possa ser lavrado

auto de notícia por parte de uma autoridade pública que presenciou um crime de denúncia obrigatória (art. 243.g/ l CPP).

A maioria da doutrina, que nega a denúncia obrigatória pará os crimes semi-públicos e particulares, nega também que deva ser levantado auto de notícia em caso de flagrante delito desses crimes (auto de notícia é um documento lavrado por uma autoridade pública que presenciou um crime

de denúncia obrigatória, nos termos do art. 243/1).

Contra a maioria da doutrina, diz P.S. Mendes que, quando a autoridade pública tenha verificado por conhecimento próprio o cometimento do crime, seja ele semi-público ou particular, continua a ser útil o auto de notícia como meio de conservação da prova, mais ainda se considerarmos o ( seu valor probatório particular (art. 169.s, ex vi art. 99.S/4 CPP).

 

°

Num crime semi-público ou particular em que não haja auto de notícia o ofendido pode ter grande dificuldade de fazer prova do que se passou se não existir este meio de prova especial, demais a mais com o valor que lhe é atribuído.

5.2.

O auto de notícia.

O art. 243/1 dispõe que sempre que uma autoridade judiciária, um órgão de polícia criminal ou outra entidade policial presenciarem qualquer crime de denúncia obrigatória, levantam ou mandam levantar auto de notícia, descrevendo os factos que constituem o crime, entre os outros aspectos.

• No regime actual, o auto de notícia não prova nunca a prática do crime, mas faz prova dos factos materiais dele constantes, enquanto prova bastante qualificada.

5.3. Crimes cujo procedimento crim inal depende de queixa

a) Crimes semi-públicos: quando o procedimento criminal depender de

queixa ou da participação de qualquer autoridade, é necessário que os

respectivos titulares dêem conhecimento do facto qao MP, para que este promova o processo (v. art. 49 CPP e art. 113 CP + normas da Parte Especial).

• Trata-se de uma restrição à promoção autónoma do processo penal por parte do MP (art. 48).

b) Crimes particulares: relativamente a estes crimes, para que o MP possa promover o processo penal é necessário que os ofendidos ou as pessoas especificadas na lei se queixem, declarem que se querem constituir

assistentes no momento em que apresentam a queixa (art. 246), se

constituam assistentes (art. 285 e art. 68/2), e, no final do inquérito, deduzam acusação (particular).

4 Nessa medida, o auto de notícia só pode ser lavrado nos casos de detenção em flagrante delito «strietu sensu». Fora desses casos, o auto de notícia estará sempre ferido de falsidade ideológica.

e

«

A

queixa,

declaração

de

que

se

quer

constituir

assistente,

constituição

de

assistente

e

acusação

particular

são,

assim,

condições de procedibílidade, a satisfazer nos diferentes momentos do processo em que são devidas; do seu cumprimento depende a legitimidade do MP.

5.4. As medidas cautelares e de polícia.

Os arts. 249 a 253 tratam das medidas cautelares e de polícia, que podem ser necessárias tanto anteriormente ao processo como durante o desenvolvimento do mesmo.

■ Os OPC devem praticar todos os actos cautelares necessários e urgentes para preservar os meios de prova, mesmo antes de receberem ordem da autoridade judiciária competente {art. 249/1). ■ Porém, estes actos de polícia só serão integrados no processo mediante validação da autoridade judiciária competente

Entre as várias medidas cautelares e de polícia contam-se:

a).

Identificação de pessoas (art. 250)

b):

Revistas e buscas, em caso de urgência (art. 251)

c)

Buscas domiciliárias por sua iniciativa aquando de detenção em flagrante delito por crime a que corresponda pena de prisão (art. 174/5/c))

d)

Apreensões (art. 178)

e)

Remessa de qualquer correspondência nas estações de correios e de telecomunicações (art. 252/3)

5.5.

Detenção.

Finalidades da detenção

A detenção não diz respeito apenas aos suspeitos de um crime; estes não são os únicos susceptíveis de serem detidos.

■ Qualquer pessoa pode ser detida desde que essa detenção seja necessária para assegurar a sua presença num acto processual presidido por um juiz, em qualquer fase processual (art. 116/2)

5.5.1. Detenção em flagrante delito

Trata-se de uma medida cautelar precária, relativamente à fuga ou perigo de fuga do eventual agente do crime, de curtíssima duração (por oposição à prisão preventiva, que pode durar anos; verificados os pressupostos legais, a detenção

pode «transformar-se numa prisão preventiva, por despacho de um juiz - art.

254/1/a)).

■ Nos crimes particulares não há lugar à detenção em flagrante delito,

mas apenas à identificação do infractor (art. 255/4). * A detenção em flagrante delito também não tem lugar relativamente a crimes que sejam punidos só com pena de multa (art. 255/1).

■ Dever de comunicação ao MP; art. 259

As 3 acepções de flagrante delito

1. Flagrante delito

«strictu sensu»

2. Quase flagrante

delito

3. Presunção de

Flagrante delito

À luz do disposto no art. 256/1 CPP, é «flagrante delito todo o crime que se está cometendo ou se acabou de cometer».

uma

aproximação clara ao conceito de actos de

execução previsto nas 3 alíneas do n.® 2 do art. 22.8 CP

A 2- parte do art. 256/1 - «acabou de cometer» - diz respeito ao quase flagrante-delito.

No art. 256/2 prevê-se uma presunção de flagrante delito, motivada pelo conhecido

A

redacção

da

norma

sugere

«clamor público»

5.5.2.

Detenção fora

de flagrante delito

í

Em regra, só pode ser

efectuada por mandado do juiz (art. 257/1)

'

» 0 MP pode ordenar a detenção nos casos em que for admissível prisão preventiva (art. 2S7/1). * As autoridades de polícia criminal podem também ordenar a detenção fora de flagrante delito, por iniciativa própria, se se

verificarem cumulativamente os requisitos das alíneas do n.s 2 do

art. 257.

5.6. A fase de inquérito. 0 inquérito é uma fase de investigação obrigatória na forma de processo comum.

5.6.1. A decisão de abertura do inquérito.

Consagração do princípio da legalidade: ressalvadas as excepções previstas no CPP (crimes semi-públicos e particulares, ou processo sumário), o notícia do crime dá sem pre lugar ò abertura do inquérito (art. 262/2). (

* O conceito de legalidade aqui utilizado consiste na ideia de que a ( actividade do MP se desenvolve sob o signo da estreita viricuíação à

lei, não obedecendo a razões políticas, económicas ou outras.

* O fundamento do princípio é a igualdade na aplicação do Direito.

A avaliação do MP O MP tem de avaliar se a denúncia constitui ou não uma notícia do crime, devendo a seguir decidir, em função disso, se é de abrir ou não inquérito (art.

38/1/a) e d), e art. 246/4/a}), não obstante todas as denúncias ficarem

registadas, mesmo as manifestamente infundadas.

■ Nessa medida, não se pode dizer que o M P tem de abrir inquérito face a

qualquer denúncia, mesmo a mais inconsistente.

• Porém, a avaliação do MP não deve ser confundida com o juízo de

oportunidade.

5.6.2.

O acto de abertura do inquérito.

O inquérito inicia-se com um despacho do MP a determinar a sua abertura.

*

Este despacho do MP é o primeiro octo do procedimento e, sem ele, o processo é nulo (art. 119/b)), por falta de promoção do MR, que é quem tem legitimidade para promover o processo penal, nos termos do art.

48.

5.6.3.

Âmbito e finalidade do inquérito.

Nos termos do art. 262/1, o inquérito tem por finalidade investigar a existência

de um crime, descobrir quem foram os seus agentes e recolher as provas, em

ordem à decisão sobre a acusação.

5.6.4. A direcção do inquérito.

O MP tem

coadjuvado pelos OPC (art. 263/2)

o «dominus» sobre o inquérito (art. 48 e 263/1) ainda que seja

5 .6 .4 .I. intervenção do Juiz de Instrução Criminal. A outra faceta do inquérito é a salvaguarda dos direitos dos cidadãos que estão a ser investigados.

■ Sempre que certos actos possam contender com direitos fundamentais do arguido tem de haver intervenção de um Juiz de Instrução Criminal (JIC), assim actuando como juiz de garantias.

o É exemplo disso a aplicação de medidas de coacção, que

são requeridas pelo MP na fase do inquérito, mas que só podem ser aplicadas pelo juiz (art. 194/1). o Muitos outros actos (cfr. 268 e 269) têm de ser ordenados ou autorizados pelo juiz de instrução.

5.6.5. Os prazos do inquérito.

Os prazos do inquérito vêm previstos no art. 276 e ss.

* São em regra de 6 meses, mas em situações excepcionais podem

ir de 8 a 12 meses (art. 276)

■ Incidente de aceleração processual para o caso de terem sido excedidos os prazos (art. 108).

M era irregularidade da ultrapassagem dos prazos

Não advém, contudo, qualquer efeito para a validade do processo pelo facto de

o MP não dar por encerrado o inquérito nos prazos legalmente fixados.

Porém, para evitar a ultrapassagem dos prazos de duração máxima do

inquérito, foram criados alguns mecanismos:

a) Obrigação de o magistrado titular do processo comunicar ao superior hierárquico imediato a violação de qualquer prazo, indicando as razões do

atraso e o período necessário para concluir o inquérito (art. 276/4)

b) Possibilidade de o superior hierárquico avocar o processo (art. 276/5)

c) Fim do segredo de justiça, salvo se o JIC determinar, a requerimento do

MP, que o acesso aos autos seja adiada por um período máximo de três meses (86 e 89/6).

5.6.6. A constituição de arguido na fase de inquérito

É obrigatória a constituição de arguido, antes do final do inquérito (ou seja, antes da constituição de arguido por efeito de acusação ou requerimento de instrução, nos termos do art. 57), sempre que:

a) Correndo inquérito contra pessoa determinada, esta prestar

declarações perante qualquer autoridade judiciária ou órgão de polícia criminai (art. 58/1/a))

b) Seja aplicada uma medida de coacção (art. 58/1/b) e art. 192)

c)Utn suspeito seja detido (art, 58/l/c)), ou dado como agente de um crime em auto de notícia (art. 58/1/d))

d) Um inquirido se torne suspeito (art. 59)

5.6.7. G segredo de justiça na fase de inquérito

Com a Reforma de 2007, o processo penal passou a ser, em princípio, público

(art. 86/1).

5.6.8. A conclusão do inquérito.

O inquérito pode terminar das seguintes m aneiras:

a)

Despacho de acusação - art. 283;

faj

Despacho de arquivamento (simples) - art. 277.

c)

Arquivamento err. caso de dispensa de pena - art. 280.

d)

Suspensão

provisória do processo - a rt. 281.

e)

Envio para a forma de processo sumaríssimo —art. 392.

5.6.3.1. O despacho de acusação

Quando o MP tiver recolhido «indícios suficientes»s de que foi cometido

crime e tiver identificado os seus agentes, tem de deduzir acusação (art.

283/1)

Indícios suficientes

«Consideram-se suficientes os indícios sempre que deles resultar uma possibilidade razoável de ao arguido vir a ser aplicada, por força deles, em

julgamento, uma pena ou uma medida de segurança » - art. 283/2.

* O critério para o MP se decidir pela acusação deve apontar para um juízo categórico: o MP tem de estar convencido de que, se houver

julgamento, o arguido em questão será condenado.

o O facto de a lei falar numa «possibilidade razoável» não

significa que o MP não tenha de estar convencido disso. ■ O critério da «possibilidade razoável» não é probabilístico: o MP deve estar convencido de que há razões para a condenação e pronuncia um iuízo categórico com base nas provas recolhidas.

5 NSo confundir com os «fortes indícios» exigidos no art. 202/I/a), a propósito da prisão preventiva {digamos, 75% de probabilidade}

o

Segundo Castanheirà Neves, esse juízo releva (ou deve revelar) um «grau de convicção equivalente ao do juiz do momento em que pronuncia a sentença» - só que o material probatório recolhido pelo MP na fase de inquérito não é, por definição, tão completo quanto as provas disponíveis no momento do julgamento; é, no entanto, um grau de

convicção semelhante,

o

João Caíres, considerando que a tese anterior é muito boa

na teoria, mas impraticável na prática (nunca se acusava ninguém quase!), considera que os «indícios suficientes» devem reflectir uma probabilidade raiana da certeza.

Acusação e Natureza dos Crimes Uma vez obtido tol grau de convicção, o MP deve acusar, excepto nos crimes particulares que têm um reqime especial.

CRIMES

Uma vez terminado o inquérito, o IVIP pode acusar.

PÚBLICOS

CRIMES

SEMI-

Neste caso, uma vez terminado o inquérito, o MP pode

CP).

PÚBLICOS

acusar, ainda que estivesse inicialmente dependente

CRIMES

da condição de procedibilidade que era a apresentação da queixa, mas nesta fase isso já não interessa, a menos que o queixoso desista da queixa (art. 116/2

Neste caso também é necessária a queixa e,

PARTICULARES

juntamente com esta, a declaração da vítima de que se pretende constitui assistente (art. 246/4), que tem de se constituir efectivamente como tal antes do fim do inquérito para que não haja arquivamento, mais exactamente no prazo de 10 dias a contar daquela

declaração (art. 68/2).

* De notar ainda que, apesar de ser um crime particular, é sempre o MP que faz o inquérito,

desde logo porque é eie que tem o monopólio do exercício da acção penaí(art. 219/1CRP). ■ Se houver acusação particular, nos termos do art. 285/4 o MP pode acusar pelos mesmos factos, por parte deles ou por outros que não

constituam uma ASF.

o

0

MP pode, o que não quer dizer que

deva: o MP não tem nenhuma obrigação

de acompanhar a acusação do particular;

até pode ter uma posição contrária,

o

0 processo continua e nas fases subsequentes o MP, que só está comprometido com a descoberta da

verdade, pode inclusivamente estar

contra a posição da acusação particular

A posição do MP em relação ao arguido

De resto, o MP pode em qualquer processo sentir que tem de tom ar a posição de defesa do arguido.

Até na fase dos recursos, o MP pode recorrer no exclusivo interesse do arguido.

■ Isto compreende-se porque vai mudando o conhecimento da matéria de facto ao longo do processo, não sendo o M P uma parte interessada na condenação, pois só está comprometido com a descoberta da verdade e deve pautar a sua actuação por critérios de estrita legalidade/objectividade.

"

o Há mudanças que advêm de o próprio agente do M P em cada uma das fases do processo não ser o mesmo, podendo ter visões diferentes do objecto do processo.

5.6.3,2. O despacho de arquivamento (simples).

Na fa lta de «indícios suficientess, o MP decide-se pelo arquivamento do | inquérito (art. 277).

" Deste arquivamento cabe a possibilidade de intervenção hierárquica, por iniciativa do superior hierárquico ou a

requerimento do assistente ou do denunciante (art. 278).

o O MP é uma magistratura hierarquizada, logo, pode haver

uma intervenção hierárquica ■ Prazo de 40 dias: 20 dias para requerimento de abertura de

instrução mais 20 dias a contar dessa data (art. 278 e 287).

o Depois de passado o prazo de 20 dias durante o qual poderia

haver intervenção hierárquica, e o prazo de 20 dias a contra

da notificação do arquivamento em que poderia haver

requerimento para abertura da instrução (art. 287/1), a possibilidade de reabertura do inquérito só existe nos termos do art. 279.?: ou seja, quando houver novos elementos de prova, sob pena de violação do princípio ne bis in idem.

Os efeitos do despacho de arquivamento

Actualmente, o conceito de arquivamento simples (art, 277) inclui também os casos em que, no direito anterior, o processo ficava a aguardar a produção de melhor prova.

* Aliás, atentando agora no teor do art. 279/1, pode mesmo dizer-se

que o arquivamento simples passa agora, todo dele, a ser um arquivamento à espera de melhor prova, pois que, com base numa

interpretação declarativa do preceito agora mesmo citado, o inquérito só pode ser reaberto se surgirem novos elementos de

prova que invalidem os fundamentos invocados pelo MP no despacho de arquivamento

o Quer isto dizer que, mesmo naqueles casos em que o MP

tenha porventura concluído que não houve crime ou que não fo i o arguido a praticá-lo (art. 277), o inquérito poderia,

primeira

à

prova.

vista,

ser

reaberto

com

novos

elementos

de

A paz jurídica do arguido Que é feito então, na lei actual, do interesse em assegurar a paz jurídica do

arguido? ■ Em função do cenário legal vigente, parece, infelizmente, que se tornou mais difícil defender a antiga doutrina que via no arquivamento negador da responsabilidade do arguido {mutatis mutandis, actual art. 277/1) um arquivamento definitivo (obviamente, sem não tiver sido

requerida a abertura de instrução e o despacho de arquivamento não tiver sido revogado pelo superior hierárquico). » Há-de convir-se, porém, que não se pode aceitar agora que o arguido seja, sem mais, lançado num limbo de indefinições, suportando as contínuas ameaças contra a sua liberdade e a sua segurança à conta da inatacável possibilidade de reabertura do inquérito, oficiosamente ou a requerimento. " Seguramente, não lhe pode ser vedada a possibilidade de requerer diligências idóneas a pôr cobro à indefinição da sua situação: como? ■=> Não se vê que tais diligências possam ser coisa diversa de um requerimento poro abertura da instrução, com vista à obtenção de um despacho de não pronúncia, o qual tem o carácter de acto jurisdicional e, por isso mesmo, deve ter a força de caso julgado

(art. 308/1/porte finai), pese embora no actual CPP não surja qualquer alusão ao caso julgado

^ Porém, e para máxima surpresa de P.S.Mendes, o legislador limita as hipóteses de requerimento do arguido para abertura de instrução aos casos em que tenha sido contra ele deduzida acusação pelo MP (ou pelo assistente, em caso de procedimento dependente de acusação particular), nos term os do art. 287.-/l/a). <=> Taís limites legais ao requerimento do arguido para abertura da

instrução, diz P.S.Mendes, padecem de inconstitucionalidode material, por violação das garantias de processo criminal (art. 32 CRP), seja porque não pode ser vedado ao arguido o direito ao recurso, quando nisso haja um legítimo interesse (como é sabido, o requerimento para abertura de instrução é, materialmente, um

recurso ), seja porque ele tem o direito a ser julgado (leia-se: tem o direito à definição da sua situação) no mais curto prazo compatível

com as garantias de defesa.

5.6.9. A criminalidade bagatelar e a necessidade de critérios de oportunidade

No nosso sistema processual penal, temos uma dominância do princípio da legalidade temperada por algumas expressões de oportunidade.

* As soluções de processo penal que respeitam o princípiuo da legalidade

passam geralmente pela criação de formas processo abreviadas ou

aceleradas.

■ As soluções de processo penal orientadas pelo princípio da

oportunidade passam pela busca do consenso, informalidade, eficácia, celeridade, falta de publicidade, diversão e ressocialização.

o No actual CPP de 1987, foram consagradas várias expressões de oportunidade:

a) Processo sumaríssimo (art. 392 ss.)

b) Arquivamento em caso de dispensa de pena [art. 280)

c) Suspensão provisória do processo (art. 281)

■ Estas expressões de oportunidade rendem homenagem à nova atitude

inspirada da ideia de «diversdo do processou, provinda do legado científico do labelling opproach, de modo a poupar o arguido à

«cerimónia degradante» da audiência de julgamento, amplificadora das sequelas da estigmatização.

5.6.9.I. O arquivamento em caso de dispensa de pena.

O art. 280 CP consagra um mecanismo de diversão penal aplicável a crimes

de menor gravidade, nas situações em que a própria lei penal substantiva reconhece que pode não haver, não obstante a declaração de culpa do arguido, atribuição concreta de sanção.

“ A dispensa de pena consiste na atribuição de culpa ao agente, sem fixação, contudo, de uma pena concreta, nos termos do art. 74/1 CP.

“ A decisão do arquivamento no âmbito do art. 280 é da competência conjunta do MP e do juiz de instrução.

Caracterização

O arquivamento do processo em caso de dispensa de pena é um dos

conteúdos possíveis da decisão do MP, findo o inquérito, quando estiverem reunidos indícios suficientes de se ter verificado crime de quem foi o seu

agente, mediante a verificação dos pressupostos fixados no art. 280/1. * O MP depara-se com uma situação perante a qual deduziria

acusação, nos termos do art. 283/1, mas, uma vez verificados os requisitos da dispensa de pena, a lei permite-lhe que, ao invés de

introduzir os factos em julgamento, arquive o processo.

■ Idêntica faculdade assiste ao JIC se tiver tido início a instrução:

perante a reunião de indícios suficientes da verificação dos pressupostos da aplicação ao arguido de uma pena ou medida de segurança, que conduziria, em princípio, a que o juiz de isntrução

despachasse a pronúncia do arguido (art. 307/1), a lei permite-lhe, até ao final daquela fase do processo, ao invés de pronunciar o

arguido, arquivar o processo, se estiverem verificados os pressupostos da dispensa de pena e o arguido concordar nisso.

& Arquivamento simples

0 arquivamento em caso de dispensa de pena pressupõe que foram reunidos indícios suficientes da prática do crime de que quem foi o

seu agente.

 

"

o arquivamento simples tem

lugar quando o MP

mão

reuniu

indícios suficientes para acusar.

Natureza da decisão (arquivamento em caso de dispensa de pena VS.

Sentença que condena, mas dispensa de pena)

a) No arquivamento em caso de dispensa de pena, não há condenação ou absolvição do arguido com trânsito em juígado - essa compete, em

exclusivo, ao tribunal de julgamento, finda a fase nobre do processo, por imposição da lei processual penal.

b) Sentença do tribunal de julgamento que dispense o arauido de pena é, ainda, uma sentença condenatória, na medida em que o declara culpado (cfr. art. 375/3) ■Daí a afirmação de que a aplicação dã figura do arquivamento em caso de dispensa de pena pressupõe que foram reunidos indícios suficientes de se ter verificado crime e de quem foi o seu agente •=!> Caso contrário, o MP tem de proceder ao arquivamento simples do processo (art. 277/2 e 3).

Pressupostos de aplicação

O

Para que o MP, findo o inquérito, possa decidir pelo arquivamento o

processo, impõe o art. 280/1, que se encontrem preenchidos os pressupostos da dispensa de pena.

o

Nesses casos, o MP pode arquivar o processo, com o acordo do JIC (juiz de instrução empresta o seu «carácter jurisdicional» à

 

decisão do MP).

O

Na Instrução, pode o Juiz, obtido o acordo do MP e do arguido, decidir o

arquivamento do processo, com base na verificação dos mesmos

pressupostos.

Insusceptibilidade de Impugnação A decisão do MP ou do JIC no sentido do arquivamento, quando estejam preenchidos os pressupostos enunciados no art. 280 não é susceptível de

impugnação.

■O

assistente

não

pode,

portanto,

quando

a

decisão

do

arquivamento seja legal, impugnar essa decisão.

Porém, nos casos em que a decisão tenha sido tomada em violação dos

requisitosfixados no art. 280, a decisão é Impugnável:

a) Nos casos em que ela é tomada, durante o inquérito, pelo MP sem o acordo do JIC, e;

Nestes casos, a forma adequada para impugnar a decisão do MP será, exactamente, o requerimento para abertura da Wt

 

instrução, provocando os sujeitos processuais a apreciação da decisão do MP pelo juiz de instrução, nos termos em que

m

a lei o impõe.

b)

Nos casos em que o JIC procede ao arquivamento durante a instrução, sem a concordância do MP ou do arguido. Nestes casos, nada obsta à recorribílidade do despacho, valendo a regra geral consagrada no art. 399.

B C

O caso dos crimes particulares

Uma vez que nos crimes particulares o procedimento não está na disponibilidade do MP, findo o inquérito, o MP nada pode decidir; não

B Z

pode, portanto, mesmo em caso de dispensa de pena, arquivar o inquérito,

y

\

tal como não pode arquivá-lo por insuficiência de indícios ou acusar quando ( j ; aqueles sejam suficientes (só poderá acusar se o assistente o fizer, e em termos puramente subordinados àquela acu sa çã o -a rt. 285/3). B C ^

Apenas tem de notificar o assistente constituído para que deduza

acusação, nos termos do art. 285/1.

^

Se o assistente não acusar, o MP arquivará o processo com

E

fundamento no art. 277/1, parte final, porque o procedimento é legalmente inadmissível •Assim , ou o assistente entende que ao arguido deve ser aplicada

£ -

uma pena, e acusa, ou entende o contrário, e não o faz, pelo que o processo é arquivado sempre com fundamento no art.

íf c

277/1 (ainda que o assistente concordasse que ao caso caberia uma dispensa de pena.

m

O

Conclui-se, deste modo, que nunca cabe recurso ao expediente consagrado no art. 280.® quando esteja em causa um crime particular.

(

B Z

5.6.9.2. A suspensão provisoria do processo.

A

regras de conduta (art. 281).

suspensão provisória do processo é um arquivam ento contra iniuncões e

Requisitos da suspensão provisória do processo

a) Em primeiro lugar, nos termos do art. 281.2/1, é necessário que o crime

seja punível com peno de prisão máxima não suoerior a cinco anos, em

termos de medida legal da pena, ou com sanção diferente da prisão (no

fundo, que o crime tenha uma gravidade correspondente à ideia de pequena criminalidade).

b) Em segundo lugar, é necessário que o arguido não tenha sido alvo de

aplicação anterior de condenação ou suspensão provisória do processo

por crime da mesma natureza.

■=

S C

jj» .

B Z

B =

ff~"

“ Neste caso, o MP, decidindo-se oficiosamente (poderia também fazê lo a requerimento do arguido ou do assistente) pela suspensão

provisória do processo, deve obter do juiz de instrução a sua concordância quanto à aplicação desta «medida de diversão», i.e., a decisão do MP carece do «empréstimo» de jurisdicionalidade de que

são próprias as decisões judiciais (no fundo, a concordância do juiz de

instrução com o pedido do MP garante a jurisdicionalização da solução de consenso). Assim, na medida em que se exige a intervenção e concordância do juiz de instrução, conclui-se que a

«reconciliação» entre o arguido e o assistente é promovida de uma forma jurisdicionalizada. c) Em terceiro lugar, é necessário que não haja lugar a medida de segurança de internamento. d) Em quarto lugar, e por último, requer-se igualmente que a culoa tenha carácter diminuto e se/q de prever que não ficam prejudicados os fins de prevenção aeral.

=>

Encontrando-se reunidos todos os requisitos para que esta medida possa ter lugar, ao arguido serão oponíveis uma série de injunções ou regras de conduta.

o Porém, nenhuma delas poderá ofender a dignidade do arguido

(a rt. 2 8 1 .S /3 )6.

. Solução de consenso Verificados os pressupostos acima elencados, o MP, oficiosamente ou a requerimento do arguido ou do assistente, pode decidir-se, com a concordância do juiz de instrução, pela suspensão provisória do processo. “ O que significa, na medida em que se exige a intervenção e a concordância do juiz de instrução, que a «reconciliação» entre o arguido e o assistente é promovida de uma forma jurisdicionalizada. • Note-se que a concordância do juiz de instrução com o MP não se situa no mesmo plano do requisito da al. a) do art. 281/1, que trata da concordância do arguido e do assistente.

o

É verdade que tem de haver a concordância destes três sujeitos processuais, mas a concordância do juiz de instrução com o pedido do MP garante a jurisdicionalização da soluçõo de consenso, ao passo que a concordância do arguido e do assistente é a manifestação do próprio consenso entre o

arguido e a vítima,

o

Repare-se que na al. a) do art. 281/1 se diz «assistente»:

portanto, é preciso que o ofendido se tenha constituído como

tal7.

s Cabe perguntar: seré a castração química da íibido uma injunção atentatória da dignidade do arguido?

Parece-nos óbvio que sim (o que nos permitimos questionar, porém, é se n lo deverá mesmo ser atentatória da dignidade do arguido - pense-se, por exemplo, no caso dos pedófilos). De resto, o nosso

sistema revela a sua aversão a sistemas jurídicos que cominem sanções criminais (aqui não se trate verdadeiramente de uma pena) de que resulte lesão irreversível da integridade física (v. arts. 33.2/6, 24,b e 25.2 CRP).

Sua constitucionalidade

Um dos argumentos no sentido da inconstitucionalidade da suspensão provisória do processo é de que as injunções ou regras de conduta previstas no art. 281/2 são autênticas penas em sentido material, e nesse sentido, o

MP estaria a aplicar penas sem que tivesse havido julgamento.

g™

a=

y

■ P.S.Mendes não crê, porém, que o argumento seja válido se as E injunções oponíveis ao arguido respeitarem a sua Uberdade

■ Aqueles que atacam esta medida de diversão com base num argumento de respeito pela autonomia ética do arguido, nada mais

d

deixam como alternativa senão o recurso às tradicionais medidas de resolução do conflito, impedindo o processo penal de integrar I Z

quaisquer soluções de consenso para a pequena criminalidade.

5.6.9.3. O envio para a form a de processo sum aríssim o.

Tem lugar nos termos do art. 392.? e ss

5.7. A fase de instrução.

Do despacho de acusação ou de arquivamento do inquérito não cabe recurso:

materialmente

instrução,

prevista no art. 286.

o

recurso

é

dado

pela

fase

subsequente,

que

é

a

» A fase da instrução é uma fase facultativa.

Finalidades da instrução

a) A instrução serve para apreciar o «bondade» da decisão anterior do M P de

acusar ou de arquivar o inquérito ou, no caso dos crimes particulares, a

m

B=

tt:

bondade da decisão anterior do assistente, em caso de acusação particular.

 

E

b) A instrução pode servir, a título complementar, para reform ular o próprio objecto do processo («OP»l.

 

p p

,

,

■ Este aspecto é muito importante: o princípio do acusatório estipula £

e

acusa e aqueloutra que julga, mas também que deve haver fixação da matéria que é submetida a julgamento por uma entidade diferente daquela que julga.

não só que deve haver separação entre a entidade que investiga

E

E

E

g —

o

o

Se a entidade que julga pudesse adicionar novos factos ao objecto do processo, ela mesma estaria assim a assumir

funções de investigação,

No processo penal, tem de haver fixação do objecto do I C

processo, de tal maneira que, quando se chega à fase do

julgamento, o objecto do processo é aquele e não outro,

e

o

Este princípio da vinculação temática cumpre uma função

de garantia dos direitos de defesa do arguido, pois assim ele

sabe de que factos é que tem de se defender

7 No entanto, a prática tem demonstrado que o MP, quando propõe esta medida, geraimente tem o

cuidado de se munir da concordância do ofendido, mesmo nos casos em que ele n lo se constituiu como assistente.

ff™

wz

E

IP

is:

* =

“ Tendencialmente, o objecto do processo («OP») fixa-se no fim do inquérito com a acusação do MP

o

A matéria que é objecto de investigação pelo MP quando abre o inquérito ainda é muito fluida: aquilo que vai constituir o objecto do processo («OP») é o resultado da delimitação da matéria em bruto que existia no início da investigação e que se fixa com a acusação,

o

Mas o objecto do processo pode ainda vir a ser alargado através do requerimento para abertura de instrução do assistente, como adiante veremos.

5.7.1. O requerimento para abertura da instrução do arguido.

O arguido pode requerer a abertura da instrução, nos termos do art. 287/1/a), «relativamente a factos pelos quais o MP ou o assistente, em caso de procedimento dependente de acusação particular, tiverem deduzido

acusação».

■ Ou seja, o arguido pode suscitar o tal controlo jurisdicional da bondade da acusação do MP (ou do assistente, em caso de acusação particular).

o E não se deve, de maneira nenhuma, impor grandes limites a esta faculdade de abertura de instrução (I), sob pena de se violar o preceito constitucional que diz que a instrução visa a garantia

dos direitos de defesa.

Âmbito

No entanto, a a), a) do art. 287/1 parece circunscrever o requerimento do

arguido à discussão dos factos (o mesmo se inferindo do N.s 2 - «razões de facto e de direito»). Este «e» parece significar que o arguido não pode requerer instrução somente

para discutir a matéria de direito.

o P.S.Mendes, contudo, contesta esta posição, e considera haver argumentos importantes a justificar que o arguidoo possa requerer a abertura da

instrução só para discutir questões de direito:

a) Pensando na desejável igualdade de armas entre o arguido e o assistente, verificamos, porém, que o assistente tem oportunidade de discutir, se quiser, só questões de direito, na medida em que,

aderindo à acusação do MP, pode relarivamente aos factos constantes da mesma proceder a qualificações jurídicas diversas, o que já não teria nada de paralelo na situação do arguido, se lhe negássemos o direito a requerer a abertura de instrução só para discutir questões de direito.

b) Por outro lado, pensando no despacho de acusação do MP, poderíamos fazer um raciocínio nestes termos: a regra é que cabe recurso de todos os despachos cuja irrecorribilidade não estiver

prevista na lei (art. 399). É verdade que não há recurso do despacho de acusação, mas isso só acontece porque o recurso é,

materialmente, a própria instrução.

E

Mas então estar-se-ia a impedir o arguido de poder materialmente «recorrer» da acusação se não se permitisse o seu requerimento E

para abertura de instrução só para discutir razões de direito, apesar

de uma distinta qualificação jurídica dos factos poder acarretar

consequências importantes para o arguido em fase de julgamento.

1=

=>

De resto, o próprio art. 287 não veda de todo essa possibilidade

^

o

Na verdade, a al. a) do n.81 do art. 287 não diz senão «relativamente

a factos»: ora, em relação com os factos está a questão probatória,

mas também a qualificação jurídica.

Conclusão:

arguido

O arguido pode no requerimento para abertura de instrução:

abertura

o

conteúdo

do

requerimento

para

de

instrução

do

E Z

E=

c t

:

:

a)

indicar quais as diligências de tipo probatório que entende que o juiz de

instrução deve levar a cabo (ainda que nada o obrigue a solicitar tais^ — '

diligências)

c

b)

c)

Atacar os factos, ou

E

Atacar as qualificações jurídicas da acusação.

O

requerimento para abertura da instrução do assistente.

^

5.7.2.

O assistente pode requerer a abertura da instrução se o procedimento criminal

não depender de acusação particular, nos termos do art. 287/1/b).

“ Nos casos em que o procedimento criminal não dependa de acusação particular pode o assistente requerer abertura de instrução «relativamente a factos pelos quais o MP não tiver deduzido acusação». K

£ -

Legitimidade do assistente

a)

Em primeiro lugar, se tiver havido arquivamento do inquérito pode o assistente requerer a abertura de Instrução

b)

Em segundo iugar, se tiver havido despacho de acusação, requerer

abertura de instrução, em certos casos

0 assistente pode entender que há factos pelos quais o MP não acusou

E

jg"

áT.

e deveria ter acusado: podem ser factos totalmente independentes ou

não daqueles que constam da acusação

o Dai que a instrução possa servir para reformular o objecto do processo: se o assistente requerer a abertura da instrução j j ;

relativamente a factos que não constam da acusação do MP, embora tenha havido acusação, o juiz de instrução terá de K -

debruçar-se sobre os factos que constam da acusação do MP e sobre os fartos que constam do requerimento para abertura de

instrução do assistente, podendo assim, no final da mesma, B I emitir um despacho de pronúncia que incide sobre todos estes

factos, o que é um objecto mais vasto do que aquele que

constava inicialmente da acusação do MP. ( J ;

m

m

m

m

I P

Âmbito

numa

discordância sobre a qualificação jurídica dos de factos feita pelo MP na acusação (questões de direito)? ■=> Não, isto porque, se os factos forem os mesmos, o assistente tem sempre a faculdade de acusartambém, nos termos do art. 284.

Pode

o

assistente

requerer

a

abertura

da

instrução

com

base

 

o

Se

os

factos

são

aqueles

e

o

assistente

não

concorda com a

 

qualificação jurídica feita pelo MP, di-lo-á na sua própria acusação

(acusação subordinada),

 
 

o

Nessa

medida, entende-se

que

o requerimento

para

abertura

de

 

instrução por parte do assistente só pode ser baseado em factos.

 

Depois, pode haver factos que constituem uma ASF e factos

que

constituem

uma ANSF; veremos esta

matéria

mais à

frente.

5.7.3.

Da instrução em geral

 

Na fase de instrução só podem intervir os sujeitos processuais, a saber:

a) O tribunal

b) O MP

c) O arguido

d) O defensor do arguido

e) O assistente

■ A intervenção das partes civis, que são os lesados que têm direito a uma indemnização, está excluída pela própria lei, nos termos do art. 289/1.

O debate instrutório (princípio do contraditório)

A instrução, ao contrário do inquérito, obedece ao princípio do contraditório. *

Ou seja, implica sempre a realização de um debate oral e contraditório nos termos do art. 289/1: «a instrução é formada pelo conjunto dos actos de instrução que o juiz entenda levar a cabo e, obrigatoriamente, por um debate instrutório, oral e

contraditório».

Prazos

Os prazos de duração máxima da instrução constam do art. 306/1: dois meses,

se

houver arguidos presos, ou quatro meses, se os não houver.

O

prazo de dois meses pode ser elevado para três nos casos do art. 306/2.

5.7.4.

O encerramento da instrução: o despacho de pronúncia e o despacho

de não pronúncia.

No fim da instrução, a decisão instrutória pode ser uma de duas (art. 307/1):

a) Despacho de pronúncia

b) Despacho de não pronúncia

m

Recorribilidade do despacho de pronúncia Havendo despacho de pronúncia, nem sempre cabe recurso do mesmo. Há que distinguir duas situações: quer o despacho seja (1) válido, quer o despacho seja (2) nulo.

i

a) Despacho de pronúncia nulo: nos termos do art. 309/1, «a decisão é nula na parte em que pronunciar o arguido por fartos que constituam alteração substancial dos descritos na acusação do MP ou do assistente ou no requerimento para abertura da instrução».

 

w

.

 

Quando o juiz de instrução lavra um despacho de pronúncia no qual inclui factos que constituem uma alteração substancial do processo, esse despacho é nulo.

B C

 
 

Esta nulidade é sanável, nos termos do art. 309/2, porque tem de ser «arguida no prazo de oito dias contados da data da decisão». Ô despacho de pronúncia nulo não é recorrível, é antes redam ável.

a

^

^

 

"

A reclamação é para a própria entidade que proferiu

a decisão.

I E

A entidade que proferiu o despacho pode deferir ou indeferir a

 
 

&

reclamação. Se tivermos um

despacho de

indeferimento da reclamação

da

| j p

 
 

nulidade, este sim, é um despacho recorrível, com base no art. 310/38: «é recorrível o despacho que indeferir a arguição da nulidade cominada no artigo anterior».

 
 

o

O despacho aqui mencionado não é já o despacho de pronúncia nulo, mas sim o despacho de indeferimento da reclamação da nulidade do despacho de pronúncia

 

J g ;

 

b) Despacho de pronúncia válido: é válido o despacho que pronunciar o arguido por factos que constem do objecto do processo, ou seja, em que não há pronúncia por factos que constituem alteração substancial.

 

'

 

" Mais concretamente: é válido o despacho de pronúncia que incide:

 

(

 

1)

Sobre factos constantes da acusação do MP;

 

B C

 

2) Sobre factos constantes da acusação particular (nos crimes particulares)

 

mz

3) 5obre factos constantes do requerimento para abertura da instrução do assistente e que não constem da acusação do

y

 

m p

m

 
 

4)

Sobre

factos

que

constituem

alteração

do

objecto

do

 

processo, mas que não constituem uma alteração substancial

 

m

 
 

" São,

portanto,

quatro

hipóteses

em

que

o

despacho

de

 

pronúncia do juiz de instrução é válido.

 

.

 

^

-------

- ---------------------

 

‘ O n.2 3 do art. 310 vem arrumado num local errado. Sistematicamente, este n.s 3 faria todo o sentido como o n.s 3 do art. 309.8 Mais: talvez nem sequer fosse necessário de todo. Na verdade, não é mais do que uma manifestação da regra geral do art. 399.

 

.

 

22

 

e

■=> Nos termos do art. 310/1 (excepção em relação ao art. 399), a lei determina que o despacho não é recorrível, se a pronúncia incidir sobre factos constantes dá acusação do MP (a chamada «dupla conforme», por referência às duas decisões, coincidentes de duas autoridades judiciárias diferentes).

'í’ O despacho de pronúncia válido é, porém, recorrível quando incidir

sobre factos que não constam da acusação do MP.

* O art. 310/1 é uma regra excepcional, que não admite interpretação enunciativa a contrario: fora do caso do art.

310/1, o despacho de pronúncia válido é recorrível (é essa a regra geral, nos termos do art. 399). e.g.: quando incidir sobre fa ctos que constam da acusação particular e o M P não tenha acompanhado a acusação particular; ou sobre factos que constam do requerimento para abertura de instrução do assistente por factos pelos quais o MP não tinha acusado, ou sobre

factos que constituem uma alteração não substancial e que, portanto, não constavam da acusação do MP.

c) Despacho de não pronúncia: é recorrível nos termos do art. 399.

5.8. A fase de julgamento.

A fase de julgamento divide-se em três momentos essenciais:

a) Os actos preliminares

b) A audiência de julgamento; e

c) A sentença

Os actos preliminares

a) O primeiro dos actos preliminares é o saneamento do processo, que vem previsto no art. 311.5

■ A verificação pelo juiz presidente das nulidades e outras questões prévias ou incidentais do processo tem sempre lugar, quer tenha havido ou não instrução, não obstante tais questões já deverem ter

sido conhecidas pelo juiz de instrução no despacho de pronúncia (art. 308/3). Mas pode suceder que tenham passado despercebidas ou então que tenham surgido ou sido suscitadas apenas depois da pronúncia.

b) Rejeição judicial de acusação: caso não tenha havido instrução, o juiz pode

a considerar manifestamente infundada, nos

rejeita ra acusação, mas só se

termos da al. a) do n.s 2 do art. 311.

* As alíneas do n.s 3 do art. 311 admitem vários casos:

i) Falta de efectiva direccão do inquérito pelo M P, designadamente por causa da realização de diligências investigatórias pelas

entidades policiais sem a determinação e a orientação directa por banda do MP

* =

 

ii)

Quase todos os problemas relativos à definição do crime e ò aplicação da pena, como por ex.: a atipiddade da conduta, a

 

I S

justificação do fa cto ou a exclusão da

culpa do agente, a falta

de

condições de punibiiidade ou até a fa lta de m eras condições

de

=

procedibilidade ou, inclusivamente, obstáculos ò punição do tipo

 

y

*

da amnistia ou do decurso de prazos de prescrição. •=> O despacho que rejeita a acusação é recorrível nos termos gerais

 
 

(art. 399)

 

Efeitos da decisão

 

S E

i) Rejeição que apenas considere que a acusação sofre de nulidades que podem ser eliminadas mediante a repetição de

 

m

certos actos (art. 122/2): neste caso, o juiz rem ete o processo para a fase de inquérito para que o MP possa proceder ao seu saneamento, prosseguindo posteriormente.

J p ;

   

í.

 

ii) Rejeição que põe term o ao processo: é uma decisão final que produz efeitos de caso julgado material, e não apenas de caso. julgado formal (i.e., efeitos meramente endoprocessuais).

Nota 0 despacho proferido ao abrigo do art. 311/2/b) tem por fim o controlo da legalidade da acusação subordinada, dado não ter havido lugar a

 

E

instrução.

 

E

 

o

Tanto abrange a acusação do assistente como, nos crimes particulares, a do MP.

 

£ _

 

c

 

c)

Resolvidas estas questões, o juiz presidente marca dia, hora e local para a

 

audiência (art. 312/1) “ Este despacho não é susceptível de recurso (art. 313/4)

 

g

 

d)

A partir da notificação do despacho que designa dia para a audiência

í

í

começa a contar o prazo de 20 dias, nos term os do art. 315/1, para o arguido apresentar contestação, bem como para juntar o rol de testemunhas

apresente só a contestação ou só o rol de testemunhas.

G

■A contestação não é obrigatória, além de que nada impede que o arguido

q

 

o

A contestação não está sujeita a formalidades especiais (art. 315/2).

 

£

o

Em princípio, o rol de testemunhas não pode ultrapassar as 20 (art.

 
 

283/3/d) e 7, ex vi art. 315/4).

 

C

 

w

A audiência de julgamento A audiência de julgamento está regulada pormenorizadamente no art. 321 e ss

 

A

audiência obedece a uma série de princípios,

a saber:

-

 

a)

Princípio da publicidade (art. 321/1 e 206 CRP): é uma garantia do arguido

 

*

contra a arbitrariedade na aplicação do Direito “ Restrições ao Princípio da publicidade (art. 86/1)

 

^

b) Princípio do contraditório (art. 327/2 e 32/5 CRP): com o contraditório, a

acusação e a defesa têm pleno acesso a todos os elementos do processo,

conhecem as opiniões e argumentos que se confrontam, indicam os elementos de facto e de direito que fundamental as suas posições e produzem as respectivas provas.

• Principio fortemente ligado à produção de provas (matéria regulada nos arts. 340 e ss.).

c) Princípio da concentração: significa que o conjunto de actos processuais

que constituem a fase da audiência deve praticar-se tanto quanto possível concentrados no tempo "Concretização: a data da audiência deve ser marcada para a data mais próxima possível (art. 312), a deliberação seguir-se-á ao encerramento da discussão

(art. 365), a elaboração da sentença tem lugar imediatamente após a deliberação (art. 373), mas a manifestação mais importante do princípio manifesta-se na continuidade da audiência (art. 328).

d) Princípio da imediação: traduz-se essencialmente no contracto pessoal

entre o juiz e os diversos meios de prova “ A prova válida para formar a convicção do juiz há-de ser produzida ou examinada em audiência (art. 355.s)

e) Princípio da oralidade: a oralidade permite que a instrução, discussão e julgamento se façam seguidamente, com o menor intervalo possível, realizando-se assim maior contacto entre o julgador e as provas.

f) Princípio da identidade do juiz: impõe que os juizes que participam na audiência sejam os mesmos do princípio ao fim e sejam também eles próprios a decidir dos factos considerados provados e não provados

A sentença

A sentença é um texto que obedece aos requisitos do art. 374.

-

■Para a produção da sentença é preciso todo um procedimento que envolve, designadamente, a avaliação da questão da culpabilidade (art. 368.

■O crime é, na sua definição formal, uma acção típica, ilícita, culposa e punível

o Todas estas questões vêm referidas no art. 368/2:

a) Verificação

dos

(tipicidade);

«elementos

constitutivos

do tipo

de

crime»

b) A questão de saber «se o arguido praticou o crime ou nele participou» (autoria e com participação);

c) A questão de saber «se o arguido actuou com culpa» (imputabiiidade);

d) A verificação de «alguma causa que exclua a ilicitude ou a culpa» (cousos de justificação do fa cto ou de exclusão da culpa);

e) A questão de saber «se se verificaram quaisquer outros pressupostos de que a lei faça depender a punibiiidade do

agente ou a

aplicação a este de

uma

medida de segurança»

 

(condições de punibiiidade)

 

g -

f)

Saber «se se

verificaram

os pressupostos

de

que depende

o

arbitramento da indemnização civil».

 

E Z

" A questão

da determ inação da sanção vem prevista no art. 369.

o A determinação da sanção pode implicar uma intervenção do IRS através de um relatório social sobre 3 personalidade e o carácter do arguido (art. 370).

SP

Form as de processo especiais.

6.1. O processo sumário.

Nos termos do art. 381, tem lugar o processo sumário quando se encontrarem preenchidos os seguintes requisitos:

a j O agente ser detido em flagrante delito (nos term os do arts. 255.^ e 256.“

,

CPP) por uma entidade policial;

\

■_

 

'

•*“

■ P.S.Mendes considera qué a expressão «flagrante delito» utilizada a propósito dos requisitos do processo sumário rem ete em bloco para o art. 256, pelo que abrange as três formas de flagrante delito contidas no art.

y

256/1 e 2 (ou seja, flagrante delito strictu serisu, quase-flagrante delito e presunção de flagrante delito)

B P

b) O

pena

privilegiado (art. 133.B CP) não ser superior a 5 anos;

limite

máximo

da

de

prisão

aplicável

ao

crime

de

homicídio

c) A audiência pode iniciar-se no máximo de 48h após a detenção, ou, em caso de adiamento da audiência, até ao limite do 30.s dia posterior à detenção (art. 387.5 CPP)910. Verificados os pressupostos para a submissão do arguido a julgamento em processo sumário, deve ser promovido o julgamento nessa forma processual. I C

.

Breves Notas

 

"

A fase de investigação é reduzida ao mínimo indispensável (art. 386)

l

 

Não pode haver instrução

Tramitação acelerada e julgamento simplificado (art. 389)

Nos termos do art. 389/2, o MP pode substituir a acusação pelo Auto de Notícia (quanto o mesmo exista, evidentemente)

 

* Pode haver processo sumário nos crimes públicos e nos crimes semi- públicos, mas nunca nos crimes particulares, uma vez que quanto a estes não pode haver detenção (cfr. art. 255/4)

 

6.2.

O processo abreviado.

■=

Ç

‘É =

E

l

9 Quando o agente tenha sido detido em fiagrante delito e o julgamento não puder efectuar-se sob a forma de processo sumário, considera-se haver provas «simples e evidentes» para efeitos de tramitação

sob a forma de processo abreviado (v. arts. 390.2/b) e 391.?-A/3/a) CPP). 10 DÚVIDA: a alteração do art. 381.5/1 CPP {em que deixou de constar o prazo máximo para a realização de audiência) tem algumas consequências? À primeira vista parece que não, atento o disposto nos arts.

387.» e 390.2 CPP.

0

processo abreviado só tem lugar em caso de crime punível com pena de prisão

não superior a cinco anos ou com pena de multa (art. 391-A/l), havendo provas simples e evidentes (cfr. art. 391-A/3)

” A dedução de acusação pode ser feita, no todo ou em parte, por remissão para o auto de notícia ou para a denúncia (art. 391-B/l)

6.3. O processo sumaríssimo.

0 processo sumaríssimo (art. 392 e ss.) acaba por ser uma «médida de diversão»,

destinada a evitar que o arguido passe por essa «cerimónia degradante» que é o

julgamento.

* O processo sumaríssimo tem lugar mediante requerimento do MP (art. 392/1), quando este considera que não deve ser aplicada pena de prisão.

o

Rejeição do requerimento (art. 395): o processo é reenviado para outra forma que lhe caiba,

o

Este despacho é irrecorrível (art. 395/4)

o

Requerimento do MP converte-se em acusação (art. 395/3)

* Oposição do arguido (art. 396)

Breves Notas

■ Não tem uma audiência formal e solene de julgamento, no sentido pleno do termo.

* A decisão do Tribunal é um despacho baseado no requerimento do MP e no acordo do arguido (art. 396)

PARTE III: OS SUJEITOS PROCESSUAIS

1. A teoria dos sujeitos processuais: intervenientes no processo penal e sujeitos

processuais. Se quisermos descobrir no CPP alguma parte geral, como a do CP, então é a de que trata dos sujeitos processuais - já dizia F. Dias.

Sujeitos processuais: são aqueles participantes a quem pertencem direitos autónomas

de conformação da concreta tramitação como um todo, em vista da sua decisão final

(F.

Dias).

m

( £

No actual processo penal português, F.Dias defende que há cinco sujeitos processuais:

a) O Tribunal

b) O Ministério Público

c)

d)

e)

O arguido

O defensor

O assistente

B I

y

.

c *

2. O Tribunal: organização, estatuto jurídico e competência.

Os tribunais são órgãos do Estado através dos quais é exercida a função soberana de

B -

administração da ju stiç a -a chamada função iurisdicionol (art. 110/1 e 202/1 CRP)

* A jurisdição penal está exclusivamente atribuída aos tribunais judiciais ou comuns (art. 211 CRP), salvo a competência do Tribunal Constitucional em sede

E

de fiscalização da constitucionalidade (arts. 221 a 224 CRP)

■ A medida de jurisdição atribuída a cada tribunal chama-se de com petência.

2.1. Princípios constitucionais

a) Princípio da independência judicial: o Tribunal só está submetido à Lei, a qual os juizes devem aplicar dentro dos limites da própria consciência (art.

203 CRP)

■ A independência judicial é garantida através da independência pessoal e

E Z

objectiva do próprio juiz, na medida em que os magistrados, embora

sujeitos a responsabilidade disciplinar, nunca são sujeitos a supervisão

(

*

administrativa (art. 216/2 CRP)

f

y

■ disso, os magistrados, em princípio, são indestituíveis e

Além

inamovíveis contra a sua vontade (art. 216/1 CRP)

b) Princípio da publicidade: consiste na atribuição a qualquer pessoa do direito de assistência às audiências dos tribunais (arts. 206 CRP e 321/1 CPP), complementado pelo direito de narração, com restrições, dos actos processuais ou reprodução dos seus termos através dos meios de

comunicação social (arts. 86/2/b) e 88/1) e pelo direito de consulta dos autos

e obtenção de cópias, extractos e certidões de quaisquer partes deles (arts.

86/2/c) e 90)

' I C

;I =

; j

c) Princípio do juiz natural ou legal: segundo o qual nenhuma causa pode ser '.B—

subtraída ao Tribunal cuja competência esteja fixada em lei anterior, o que

tem por finalidade evitar a designação arbitrária ou política de um Tribunal

ou juiz para resolver um caso determinado (art. 32/9 CRP)

■ A concretização do juiz natural ou legal passa pela determinação do

Tribunal competente para o julgamento

* =

i

i S

8

=

I

2.2. Regras dé competência

2.2.1.

A competência funcional, a competência territorial.

material e a competência

A) A COMPETÊNCIA FUNCIONAL: determinação do tribunal competente em função da/ose processual em que o processo se encontre (engloba também competência em razão da hierarquia: art. 17 LOFTJ e distribuição de

entre tribunais do mesmo grau nas diferentes fases do

competência

processo)

Regra: serão competentes os tribunais judiciais de 1.* instância, saivo se for competente o STJ ou os TR (o contrario sensu arts. 11, 12 CPP e 33 a 37; 55 e 56 da LOFTJ)

Delimitação em função da fase processual

i) Inquérito e instrução: tribunal de competência especializada criminal (arts. 17 e 18), nomeadamente os:

a. Tribunal de instrução criminal (TIC): arts. 78/a, 79, 77/1/b) e 131 LOFTJ; ou

b. Tribunal central de instrução criminal (TCÍC): arts. 79; 80/1 LOFTJ e art. 47/1 da Lei n.s 60/98

* Especialidade:

em

função

competente nesta fase:

de

certas

qualidades

do

arguido,

será

a. STJ: art. 11/7 CPP e art 36/j) LOFTJ

b. TR: art. 12/6 CPP e art. 56/1 LOFTJ

ii) Julgamento: em regra serão competentes os tribunais judiciais de l.s instância, salvo se for competente o 5TJ ou os TR (o contrario sensu arts. 11,12 CPP e 33 a 37; 55 e 56 da LOFTJ)

» Especialidade:

em

função

competente nesta fase:

de

certas

qualidades-

do

arguido,

será

a. 11/3 e 5/a)

STJ: art.

CPP

e art 35/1/a) e 36/b)

LOFTJ

b. TR: art. 12/3 CPP e art. 56/1/c) LOFTJ

iii) Recursos: são competentes como tribunais de recurso:

a .

STJ: arts. 11/3/b), 11/4/b) CPP e 44/a), 35/b) e 36 LOFTJ

b.

TR: art. 12/3/b) e 56/1/a) LOFTJ

iv) Execução de penas: é competente o tribunal de execução de penas

-

art. 18 CPP e art. 91 a 92 LOFTJ

B) A COMPETÊNCIA MATERIAL

Determinação do tribunal competente em função da matéria dos processas e/ou da qualidade dos arguidos. Assim:

i) Da qualidade de certos agentes (e.g.: PR perante o STJ): art. 11/3/a) e 35/1/a) LOFTJ

ii) De certas matérias específicas (e.g.: Habeas Corpus perante o STJ): art.

11/4/c) CPP e 36/f) LOFTJ

^

iii) Dos tipos de crimes e respectivas penas (rectius: da medida da pena

abstractamente aplicável)

^ Competência residual: tribunal de comarca de competência genérica: art. 62 LOFTJ

c

g a

c

■=> Tribunais de competência específica criminais: art. 64/1 e 2 LOFTJ:

a. Tribunal de jú ri: arts. 207 CRp, LOFTJ

13 CPP,

67/1

e

110 a

111

b. Tribunal colectivo: art. 14 CPP

 

'

•Vara Criminal: 98 LOFTJ ■Vara Mista: art. 96/2 LOFTJ

 

c.

Tribunal singular: art. 16 CPP, que pode ser quanto aos tribunais de competência específica:

 

•Juízo criminal: art. 100 LOFTJ

 

Competência residual

 

•O juizo de pequena instância criminal: art. 96 e 102 LOFTJ

 

Competente para os processos especiais.

 

e

Tribunais de competência especializada criminal: art. 64/1 e 2 LOFTJ:

 

■Juízo de competência especializada crim inal: arts.

93 e 95 LOFTJ

(

 

Quando

houver

este

não

outros

(.

(competência para instrução e julgamento)

e

£ "

^

£

C

£

P

t=

£

C

C) COMPETÊNCIA TERRITORIAL: trata-se da delimitação da competência de cada tribunal (da mesma espécie) com base na sua localização geográfica

a. Regra geral: art. 19

i. Lugar da consumação: art, 19/1

ii. No caso do crime conter «como elemento do tipo a morte de uma pessoa, é competente o tribunal em cuja área o agente actuou ou, em caso de omissão, deveria ter actuado»: art.

19/211

■Em face deste preceito, todos os crimes dos quais faça parte do tipo a

morte de uma pessoa (incluindo os crimes agravados pelo resultado)

11 Solução de aplaudir por se encontrar conforme com o princípio gerai que preside à escolha do iugar da consumação como regra geral: proximidade dos meios de prova.

são da competência territorial do tribunal da área onde o agente actuou ou deveria ter actuado * Crê-se que a mesma solução, por maioria de razão, deverá impor-se aos crimes com condições objectivas de punibiiidade.

iii. Quanto aos crimes habituais (e.g. lenocínio p.e.p. no art. 169 CP): lS/i/prim eira parte -tribunal da área do crime onde se tiver praticado o último acto;

iv. Quanto aos crimes permanentes ou duradouros (e.g. sequestro p.e.p. no art. 158 CP): 19/3/última porte - tribunal da área onde tiver cessado a consumação

v. Local do último acto preparatório (no caso de não

actos

consumação

preparatórios: 19/4

do

crime

e

punibiiidade

daqueles

b. Regras especiais: art. 20 a 23

* Deve começar-se por indagar primeiro da eventual aplicabilidade dos

esgotar

aos

critérios

especiais,

e

após

os

mesmos,

atender-se-á

critérios gerais. => No âmbito da determinação da competência territorial há ainda que considerar os mapas anexos ao Regulamento da LOFTJ.

2.2.2. O tribunal do júri, o tribunal colectivo e o tribunal singular. A distribuição da competência material. As reservas de competência m aterial. Excluindo a competência do STJ ou dos TR, a competência material e fundonal está atribuída aos tribunais judiciais de primeira instância (residualmente competentes). * Esta competência está repartida por três espécies de tribunais: o Tribunal do Júri, o Tribunal Colectivoe o Tribunal Singular.

A) RELATIVAMENTE AO TRIBUNAL 0 0 JÚRI

O tribunal do júri será competente nos seguintes dois casos:

a. 1.* Grupo: nos crimes previstos no art. 13/1 CPP (critério qualitativo), quando requerida a sua intervenção; tais crimes correspondem:

i.

Aos crimes contra a identidade Cultural e integridade Pessoa! - arts. 236 a 246 CP

ii.

Aos crimes contra a Segurança do Estado - arts. 308 a 346 CP

 

iii.

Aos

crimes

previstas

na

Lei

31/3004:

Violações

do

Direito

Internacional Humanitário

* Conflito: nesta área há coincidência entre o art. 13/1 (atribuição de competência ao Tribunal de Juri) e o art. 14/1 (atribuição de competência ao T.Colectivo)

o Tratando-se ambos de critérios qualitativos, deverá ser dada prioridade ao T. Júri, em função da sua natureza e estrutura:

legitimidade

própria e directa na CRP; constituição

mediante

 

* =

 

requerimento (o que significa que caso não exista requerimento as suas causas têm de estar atribuídas a outros tribunais) e o facto de a própria ordem sistemática do CPP não ser aleatória

 

C fc = —

Assim,

caso

não

seja

requerido

T.Juri,

sérâ

competente

o

8

=

T.Coiectivo ex vi art. 14/1

 

K

-

 

1

b. 2 .a Grupo: crimes com pena máxima, abstractamente aplicável, superior a

 

mr~

8 anos de prisão (art. 13/2 - critério quantitativo), quando tenha sido

 

j r

;

requerida a sua intervenção ■Pena máxima, abstractamente aplicável, exigida

pelo art. 13/2, pode

 

decorrer da imputação ao arguido de vários crimes, ainda que cada

 

=

crime isoladamente considerado não o permita (art. 15) " Conflitos:

 

í

o

o

13/2 vs, 14/2/b): prevalece o T.Juri, quando tenha sido requerido.

também o T Ju ri; o critério

13/2 vs. 14/2/a):

prevalece

(

.1

,

qualitativo não prevalece face ao art. 13/2, dada a natureza do

se constantando que a prevalência de critérios

qualitativos não é absoluta I)

T.Júri (assim

K

g n

=> Reserva de competência legal do art. 14/2/a) vale apenas

perante o T. Singular e não face ao T. Júri

KiZ

Exclusão da com petência do T Ju ri para os crimes de terrorism o e criminalidade altamente organizada: proibição fundada na protecção

do próprio tribunal e dos jurados «não togados» que ficariam sujeitos a

uma eventual pressão (evitável)

Exclusão de com petência do

TJu ri dos crimes cometidos por titulare.

de cargos políticos (art. 40 da Lei 34/87)

W “~

m

.

m z

Notas:

}

requerim ento, quer nos casos do art. 13/1 quer no caso do art. 13/2, por gfr- parte do MP, do assistente ou do arguido Regime do Júri: DL 387-A/87 (Trib. Júri composto pelos 3 juizes que f lU

Intervenção do Trib. Júri não é automática! É sempre n ecessário (

í "

constituem o Trib. Colectivo - que haveria de ser competente se não tivesse

sido requerida a sua intervenção, sendo estes designados vulgarmente por «jurados togados») e por 4 jurados efectivos e 4 suplentes (sendo estes os

«jurados não togados»)

o O júri intervém quer nas questões da culpabilidade, quer na

determinação da sanção a aplicar

m

r

B) RELATIVAMENTE AO TRIBUNAL COLECTIVO

O tribunal colectivo (ou seja, a vara criminal ou a vara de competência mista ou, na JJg

sua falta, o Tribunal de Comarca de competência genérica que julgará erT> -«. Colectivo) será competente nos seguintes três casos:

*

a. 1.5 Grupo: crimes previstos no art. 14/1 (critério qualitativo, peto que é irrelevante a moldura da pena), quando não tenha sido requerida a

crimes

intervenção

correspondem:

do

Trib.

Júri

nos

termos

do

art.

13/1;

tais

/.

Aos crimes contra a identidade Cultural e integridade Pessoal - arts. 236 a 246 CP

ii.

Aos crimes contra a Segurança do Estado - arts. 308 a 346 CP

 

ili.

Aos

crimes

previstos

na

Lei

31/3004:

Violações

do

Direito

Internacional Humanitário

b. 2.9 Grupo: crimes previstos no art. 14/2/a) (critério qualitativo)

/

íj

Crimes dolosos quando for elemento do tipo a morte de uma pessoa (tais requisitos são cumulativos!)

“ e.g.: crime de homicídio simples (art. 131 CP); excluído fica, como é óbvio, o homicídio negligente (art. 137 CP)

ii.'

Crimes agravados pelo resultado quando for elemento do tipo a morte de uma pessoa

* e.g.: crime de ofensa à integridade física simples agravada pelo resultado (art. 143 e 147/1 CP)

Âmbito do 2.S Grupo

“ Todos os homicídios, incluindo os privilegiados (arts. 133, 134, 136: todos são dolosos e a morte duma pessoa é elemento do tipo)

” A forma tentada de todos os crimes que integram o art. 14/2/a): a tentativa é sempre dolosa e necessariamente a morte é elemento do tipo

Crime de incitamento ou ajuda ao suicídio (art. 135 CP):

ainda que este crime contenha condições objectivas de punibilidade (tentativa ou consumação do suicídio), deverá,

ainda assim considerar-se que integra o art. 14/2/a), por

que

a fronteira entre a autoria mediata de homicídio e a ajuda ao suicídio nem sempre é muito nítida e apenas comprovável mediante prova em julgamento que, por garantia de defesa do arguido, deverá efectuar-se em sede de T.Colectivo.

analogia (admissível porque in bonam partem ), uma vez

o A mesma solução se impõe, por identidade de razão,

para os crimes (dolosos) agravados pelo suicídio da vítima (art. 177/4 CP)

■ Crime de participação em rixa (art. 151 CP): a complexidade de prova neste casos também justifica o tratamento idêntico aos casos anteriores; em síntese, por analogia (In bonam

partem), crê-se ser de integrar no art. 14/2/a) este crime

quando do mesmotenha resultado a morte de uma pessoa,

o Crime de aborto (art. 140/2 e 3 CP): não cabe na competência do T. Colectivo nos termos do art.

14/2/a), uma vez que pessoa não é vida intra-uterina e não parece que as consequências ético-jurídicas tenham sido atendidas como critério de competência

» Acresce que não se deduz a complexidade de

prova da sua eventual dificuldade; mais: a dificuldade de prova não é fundamento de atribuição de competência, mas antes a sua complexidade. * Nestes termos, o crime de aborto será da competência do T. Singular, ex vi art. 16/2/b).

c. 3.° Grupo: crimes previstos no art. 14/2/b) (critério quantitativo): crimes com pena máxima, abstractamente aplicável, superior a 5 anos de prisão (mesmo quando, nos termos do art. 15.a, no caso de concurso de infracções, seja inferior o limite máximo correspondente a cada crime).

* Englobam-se neste critério todos os crimes com penas superiores a 5 anos de prisão que não sejam integrados no art. 13/1,14/1, bem

como no art. 14/2/a).

» Reserva de competência do T. Colectivo perante o T. Juri: art. 14/2/b) engloba crimes, cujas penas sejam superiores a 5 anjos, de terrorismo e criminalidade altamente organizada, que, por imposição constitucional (art. 207 CRP), não podem ser julgados pelo T. Júri.

o Nota: porém, se a pena abstractamente aplicável for igual ou inferior a 5 anos, será competente o T. Singular nos termos do art. 16/2/b) (e.g.: corrupção activa p.e.p. no art. 374 CP, punível com pena de 6 meses a 5 anos de prisão)

C) RELATIVAMENTE AO TRIBUNAL SINGULAR

O Tribunal singular (ou seja, o Juízo de Competência Especializada Criminal - que, se houver,

será o tribunal competente para todos os processos atribuídos ao T. Singular - ou o juízo de pequena instância criminal - competente para os processos especiais - ou o Juízo Criminal - competente para a forma de processo comum - ou, na falta destes, o tribunaI de comarca de

competência genérica que julgará em singular) será com petente nos seguintes quatro

casos:

a. l.s Grupo: crimes previstos no art. 16/2/a) (critério qualitativo): integra os crimes contra a Autoridade Pública - p.e.p. nos arts. 347 a 358 CP

fíatio: suposta simplicidade de prova

■ Concurso entre dois crimes do catálogo do art. 16/2/a): v. p.

b. 2 .9 Grupo: crimes previstos no art. 16/2/b) (critério quantitativo): integra todos os crimes punidos com pena de prisão, abstractamente aplicável, igual ou inferiores a 5 anos, desde que não estejam integrados em nenhum

critério qualitativo (leia-se: arts. 13/1; 14/1/; 14/2/a) e 16/2/a)).

* Integra a parte dos casos de criminalidade altamente organizada

(cfr. art. l/m )), nomeadamente nos casos cuja pena máxima não

seja superior a 5 anos de prisão (e.g.: associação criminosa p.p. no

art. 299/1 CP, cuja pena é de 1 a 5 anos)

o Recorde-se que por imperativo constitucional (art. 207/1 CRP) estes crimes não podem ser julgados pelo T. Júri.

* Aplica-se o art. 15 aos casos do art. 16/2/b: sempre que se tratar de dois crimes, em concurso de infracções, quando a soma das

respectivas penas máximas não for superior a 5 anos de prisão

o Quando for superior, será competente o T. Colectivo (art. 14/2/b) e art. 15)

c. 3.s Grupo: requerimento do MP nos termos do art. 16/3 (critério especial

de determinação concreta da competência - mais próximo dos critérios

qualitativos)

* O

competência se determina de acordo com a previsão da pena que possa vir a ser aplicada {medida da cena concreta)12

o A medida da pena em causa pode ser aferida mesmo em concurso de infracções, nos termos do art. 16/3.

■ Desta forma, o T. Singular será competente nos casos em que o

seria

tiver requerido, mediante um juízo de prognose e de acordo com

critérios de estrita objectividade, o julgamento com intervenção do T. Singular, dado considerar que não será aplicado naqueles casos concretos, penas superiores a 5 anos de prisão.

o T. Colectivo (e apenas nos casõs do art. se o MP

a

legislador

criou

aqui

um

mecanismo

através

do

qual

o

Sempre que a pena abstracta mínima for superior a 5 anos de prisão, o MP nunca poderá submeter o processo a

julgamento do T. Singular por via do art. 16/3, sob pena de óbvia violação do princípio da legalidade das penas.

o

Objectivo deste mecanismo: descongestionamento dos T. Colectivos.

o

e.g.: crime

de_furjp

^qualificado (art. 204/2/a) CP, punido

com pena de prisão de 2 a 8 anos).

■ Posição do Juiz de instrução:

o

Interpretação conforme à CRP não exige acordo de todos os sujeitos.

o

A independência dos tribunais, a estrutura acusatória e a legalidade das penas, parece impor que o requerimento do MP é uma proposta, pelo que o ju iz pode recusar (se discordar), remetendo o processo para o T . Colectivo, quer

tal suceda antes ou depois da audiência de julgamento

(embora antes da sentença)

■ Exemplo de articulação entre art. 16/3 e art. 13/2

o e.g.: crime se sequestro (art. 158/2/a) CP) - MP requer

julgamento pelo Tribunal Singular (art. 16/3); Arguido

11 Quem considera este mecanismo constitucional invoca os princípios do juiz natural ou legal, da reserva de lei, da Independência dos tribunais e da estrutura acusatória.

requer intervenção do Júri (art. 13/2); Assistente opõe-se a tudo, pretendendo que o arguido seja julgado pelo T.

Colectivo (art. 14/2/b) O art. 16/3 prevalece sobre o art. 13/2/b)

^ Conteúdo da ressalva do art. 13/2 apenas abrange o art. 16/2/a), pelo que seria competente para julgar este processo o T. Júri.

d. 4.- Grupo: nos crimes que não couberem na competência dos tribunais de outra espécie - art. 16/1 (critério de competência residual)

• Face à delimitação dos critérios quantitativos previstos nos arts. 14/2/b) e 16/2/b), a com petência residual do T. Singular èstá

«reduzida» apenas aos crimes puníveis apenas com pena de multa.

2.2.3. A competência por conexão.

Organizando-se um processo autónomo por cada crime (e, quando existam pluralidade de agentes, um processo por cadá um), bem se compreende que por vezes há processos em que há toda a conveniência na apreciação coniunta devido à estreita ligação entre os respectivos objectos processuais (conexão).

Requisitos para a conexão

a)

Pluralidade de processos Ireal ou hipotéticali3

bj

Pluralidade de tribunais com petentes

c)

Verificação de uma situação típica de conexão - objectiva ou subjectiva

(arts. 24 e 251. resoeitando-se os limites à conexão (art. 261

d)

Tramitação concomitante art. 24/2u

Situações típicas de conexão

Os casos que obrigam à conexão de processos estão descritos nos arts. 24 e 25:

podemos organizá-los em três grupos, a saber:

a) Conexão de natureza objectiva (em que o agente comete vários crimes relacionados entre si); e.g.: 24/1/a), que prevê situações de concurso ideal

efectivo de crimes praticados pelo mesmo agente

n A conexão não pressupõe necessariamente a existência de processos pendentes, pois pode verificar- se logo originariamente, antes da instauração de qualquer processo e, a ocorrer assim, determinará

desde iogo a organização ab initio de um sá processo (art. 29). u Considera-se não haver tramitação concomitante, por exemplo quando num processo só falta a leitura do acórdão e no outro vai começar o julgamento - deixou de haver utilidade da conexão; mais:

ela poderia retardar Injustificadamente a leitura da primeira sentença.

b) Conexão de natureza subjectiva (em que é a relação entre os agentes relativamente a um crime que determina a conexão de vários processos); e.g.: art. 24/1/c) ou d)

c) Conexão de natureza mista (em que a lei atende aos agentes e a conexão entre os crimes); e.g.: art. 24/1/a) e 25.

Efeitos da conexão

a) Apensação: art. 29

b) Prorrogação da competência (ainda que cesse a conexão): art. 31/b)

Regime

a) Apensação de Processos: quando, da determinação da competência para cada processo, o tribunal competente seja o mesmo (material, funcional e

territorialmente), e se estiverem preenchidos os demais requisitos de conexão, haverá lugar apenas à apensação dos processos, não sendo necessário determinar o tribunal competente nos termos dos arts. 27 e 28, bastando a apensação do art. 29

Ou seja, nestes casos, haverá conexão e a consequente apensação, mas não a determinação da competência por conexão

b) Determinação do tribunal competente para todo o processo enfí virtude da conexão: quando, da determinação da competência para cada processo, se inferir que há diversidade de tribunais competentes, haverá que proceder à determinação do tribunal competente para todo o processo em virtude da conexão, nos termos dos arts. 27 e 28. ■=!> Admitindo-se o preenchimento dos requisitos da conexão, será competente o tribunal de espécie mais elevada. =* Sendo de igual espécie, é necessário recorrer ao art. 28.

Visão derrogativa ou conexão como critério autónomo de competência

uma k v í s õ o derrogativa», isso significa que o art. 27

«escolheria» um dos tribunais potencialmente competentes, quer material, quer territorialmente competente.

■ Ou seja, o art. 27 funcionaria como regra geral de resolução de conflitos

b) Caso se defenda a conexão como «critério autónomo de com petência», o

a) Caso de adopte

art. 27 apenas afere a competência material, e o art. 28 a competência material

É esta a posição adoptada por João Caires.

Conexão nos casos do art. 16/2/a) e 14/2/b)

Admite-se a conexão, sendo competente o T. Colectivo, por ser este o T. de espécie mais elevada e mais garantístico em termos de apreciação plural de prova.

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* Em alternativa, teria de fundamentar-se que o art. 16/2/a)

constitui um limite negativo implícito à conexão, posição que não

se adopta.

Separação de processos Quando a conexão deixe de representar os seus desideratos (e constitua um entrave ao invés duma vantagem) ou quando haja requerimento para intervenção do T. Júri, o sistema tem , como válvula de escape, a possibilidade de pôr termo à conexão.

Neste caso, seoaram-se os respectivos processos (art. 30) e faz-se cessar a respectiva prorrogação de competência (art. 31).

2.2.4. A dedaração de incompetência.

A preterição das regras de competência constitui uma nulidade insanável (art.

119/e))

■í1 Nos termos do art. 32/1, conduz à rem essa para o tribunal

com petente, é

de conhecimento oficioso, em qualquer fa se do processo (até

ao trânsito em

J

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julgado da decisão final), sendo aproveitados todos os actos praticados perante o tribunal incompetente que o tribunal competente decida aproveitar de acordo com o máximo aproveitamento dos actos

Princípio do máximo aproveitamento dos actos

O critério legal para que o tribunal competente aproveite os actos anteriores é

fundado num juízo de prognose: se o tribunal competente houvesse de praticar

os actos se o processo tivesse corrido perante si, valida os mesmos

■ No caso inverso, anula os actos anteriormente praticados e ordena a repetição dos actos necessários.

Regime:

■ O próprio tribunal incompetente mantêm competência para (

praticar os actos urgentes (art. 33/2), por exemplo, medidas de '(

conservação da prova ou que afectem ou possam lesar de modo dificilmente reparável o estatuto processual dos sujeitos

processuais.

o A ideia do máximo aproveitamento útil é assegurada, nos

termos do art. 33/4, com uma especialidade: os m edidas de coacção decretadas pelo tribunal incompetente

m antém-se válidas, porém carecem de validação (ou não)

por parte do tribunal competente no mais breve prazo

» No caso de preterição das regras de com petência territorial, esta só pode ser deduzida e declarada até ao início do debate instrutório ou até ao inicio da audiência de julgamento (art. 32/2)

2.2.5. Conflitos de competência.

São competentes para decidir os conflitos de competência os TR (art. 12/2/a) e

5/a)) ou o STJ (art. 11/2/a) e 11/6/a)).

38

2.3. Impedimentos e suspeições

A imparcialidade do juiz deve ser garantida a todo o custo. Para isso a lei prevê

situações de:

a) Impedimento: o juiz é impedido de julgar se tiver uma relação de parentesco ou outro tipo de proximidade com algum dos participantes processuais (arts. 39 e 40) '

“ Os impedimentos devem ser declarados oficiosamente (art. 41/1), embora a declaração possa também ser requerida pelo MP, pelo arguido, pelo assistente ou pela parte civil (art. 41/2)

b) Suspeição: sempre que houver «motivo sério e grave, adequado a gerar desconfiança sobre a sua [do juiz] imparcialidade» (art. 43/1), o juiz também pode ser recusado.

c) Escusa: o juiz pode pedir escusa nos termos do art. 43/4.

3. O Ministério Público.

O MP é o órgão de Estado encarregado de exercer a acção penal (art. 219/1 CRP).

3 .1 . Estatuto do MP

No

desempenho dessa função, o MP apresenta as seguintes características:

a) Enquanto órgão de Estado, é um órgão judiciário, na medida em que colabora com o Tribunal na administração da justiça b) Constitui uma magistratura autónoma (art. 219/2 CRP), no sentido de que goza de autonomia funcional, guiando-se por critérios de legalidade e estrita objectividade, a que se junta uma autonomia orgânica, dada pela exclusiva competência do PGR para nomeação, transferência e desenvolvimento na carreira dos representantes do MP (art. 219/5 CRP) c) É integrado • por magistrados responsáveis que são, no entanto, subordinados hierarquicamente (art. 219/4 CRP), na medida em que têm

de observar directivas, ordens e instruções, mas devem recusá-las se forem ilegais e podem recusá-las com fundamento em grave violação da consciência jurídica

 

O superior hierárquico pode avocar o processo ou redistribuí-lo a outro subordinado.

3.2.

O MP como parte acusadora?

O MP, no quadro da estrutura acusatória do processo penal, é essencial ao

contraditório, mas não é «parte» no processo, já que não tem um interesse directo em demandar, mas prossegue apenas o interesse da justiça.

Quando muito, o MP é parte em sentido form al, enquanto titular do

direito processual de acção, mas não parte em sentido material,

enquanto titular de um interesse jurídico próprio.

* Se quisermos, o MP é como que uma «parte imparcial»15.

3.3. Atribuições do IVIP no processo

Ao MP compete exercer a acção penal (art. 48)

15 Expressão de M anuel Cavaleiro de Ferreira.

 

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Mais concretamente, as atribuições do MP vêm no art. 53/2.

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3.3.1. Restrições ao exercício da acção penal pelo MP

 

A promoção da acção penal pelo MP depende

da natureza processual dos

crimes

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a) Nos crimes públicos; o MP exerce a acção penal com total autonomia, ainda que os ofendidos, ou os seus representantes, possam tom ar a

 

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posição de assistentes para

influenciar o curso do processo (art. 48)

g= .

b) Nos crim es semi-públicos:

a promoção do procedimento criminal pelo

MP depende de queixa ou de participação do ofendida (art. 49/1), seguindo no resto o regime do procedimento nos crimes públicos, a menos que haja desistência de queixa, seguida de homologação pela entidade competente, o que fará cessar a intervenção do MP no

processo {art. 51)

de

queixa ou de participação do ofendido, além de que depende ainda da constituição de assistente e da dedução de acusação particular por parte

deste (art. 50/1) ■Quanto

particulares, rege o art. 52. •Quanto a crimes cometidos por titulares de certos cargos

c) Nos crim es particulares: o procedimento criminal também depende

ao

concurso

de

crim es

públicos,

semi-públicos

ou

políticos, há também restrições ao exercício da acção penal pelo

MP (arts. 130 e 157 CRP).

3,4. A intervenção dos Orgãos de Polícia Criminal Ao MP, enquanto detentor da acção penal, cabe a direcção do inquérito, assistido

pelos OPC, enquanto auxiliares das autoridades judiciárias (arts. 53/2/b) e 263/1)

■ Os OPC actual sob directo orientação do MP e na sua dependência funcional (arts. 56 e 263/2)

As relações entre o MP e os OPC

a) As polícias não podem, por iniciativa própria, abrir inquérito relativamente a nenhuma notícia de crime que tenham adquirido b) O Código não tolera sequer a realização de «inquéritos policiais» prelim inares que envolvam a realização de diligências de investigação; pelo

contrário, a lei manda que a notícia do crime adquirida pelos OPC, por conhecimento próprio ou mediante denúncia, seja transmitida ao MP no

mais curto prazo, que não pode exceder 10 dias (arts. 241, 242/1, 243/3, 245

e 248/1) * Note-se que os OPC devem transmitir ao MP todas as notícias de crime, mesmo as manifestamente infundadas, assim como as denúncias anónimas, pois não têm competência para decidir quais devem, ou

não, dar lugar à abertura do inquérito (arts. 246/5, 6 e 7 e art. 248/2)

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o Na sequência, o MP procederá ao registo da denúncia (art.

247/2) - abrangendo os autos de notícia, pois valem como denúncia - e fará a abertura do inquérito (art. 262/2).

c) A delegação genérica de competência na PJ, ou noutro OPC, para a realização de diligências de investigação relativamente a certos tipos de crime (art. 270/4) não pode, de maneira nenhuma, ser confundida com autorização para a realização de «inquéritos policiais» preliminares, à

margem da comunicação da notícia do crime ao MP.

d) As polícias têm competência própria para tomar medidas cautelares e de polícia, ditadas pela urgência e pelas necessidades de conservação da prova (art. 248 e ss.)

"M as são actos fora do processo, que depois têm de ser validados por autoridade judiciária (art. 174/6, por exemplo)

e) As polícias têm, essencialmente, a chamada competência de coadjuvação, que depende da direcção funcional da autoridade judiciária competente. "Ao MP caberá, portanto, um poder de orientar a investigação e às polícias caberá coadjuvar o MP nesta missão, mas tal não significa que o MP faça a investigação material, já que a experiência e o saber criminalísticos, bem como os instrumentos técnico-científicos adequados pertencem aos OPC.

"A direcção funcional do inquérito pelo MP implica, isso sim, poderes de directiva e de controlo relativamente aos OPC, o que é distinto do poder de dar ordens, já que as directivas deixam a decisão sobre a forma e os meios de execução de quem as recebe

 

o

Mais concretamente, o MP tem poder para pedir informação sobre as diligências de investigação e exigir outras, definir a

 

estratégia e dar orientações de investigação e, inclusive, avocar ou redistribuir o processo, mas nunca podendo decidir qual o OPC que lhe deve dar assistência, pois tal é definido por lei.

4.

O Arguido.

 

Arguido:

é

a

pessoa

que

é form almente

constituída

como

sujeito

processual

e

relativam ente

constitvi objecto do processo

a

quem

corre processo

como

eventual responsável pelo

crime

que

# Suspeito: nos termos do art. l/ e ),

suspeito é «toda a pessoa relativamente à

qual exista indício de que cometeu ou se prepara para cometer uym crime, ou que nele participou ou se prepara para participar». * O suspeito não é um sujeito processual, pois não beneficia de um estatuto processual específico; mesmo assim, o suspeito, enquanto tal,

goza de certos direitos, a saber:

caso algum, ser

obrigado a fornecer provas ou a prestar declarações auto-

incriminatórias. o Em processo penal, o direito ò nSo auto-lncriminaçõo (nemo tenetur se ipsum accusare), incluindo o direito ao silêncio, é uma

Seja qual for a origem

da suspeita,

não pode,

em

decorrência essencial das garantias de defesa; logo, deve estender-se ao próprio sujeito,

o

E obrigatória a constituição de arguido logo que «durante qualquer inquirição feita a pessoa que não é arguido, surgir fundada suspeita de crime por ela cometido» (art. 59/1), o que implica o direito ao silêncio

o

Por outro lado, a «própria pessoa sobre quem recair a suspeita de ter cometido um crime tem direito a ser constituída, a seu pedido, como arguido sempre que estiverem a ser efectuadas diligências, destinadas a comprovar a imputação, que

pessoalmente a afectem (art. 59/2)

i Lesado: aquele que sofre danos com o crime.

4.1. A constituição de arguido.

O arguido é uma pessoa formalmente constituída como sujeito processual e contra quem corre um processo penal.

■ Têm capacidade jurídica passiva as pessoas físicas maiores de 16 anos

(art. 19 CP) e as pessoas jurídicas, neste caso quanto aos crimes pelos quais possam ter de responder (art. 11 CP).

o Porém, a capacidade para ser arguido não se define exactamente pela imputabili