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RESPONSABILIDADE SOCIAL E SUSTENTABILIDADE UNIDADE I DIMENSÃO SOCIAL UNIDADE II DIMENSÃO AMBIENTAL UNIDADE III
RESPONSABILIDADE SOCIAL E SUSTENTABILIDADE UNIDADE I DIMENSÃO SOCIAL UNIDADE II DIMENSÃO AMBIENTAL UNIDADE III
RESPONSABILIDADE SOCIAL E SUSTENTABILIDADE
RESPONSABILIDADE
SOCIAL
E SUSTENTABILIDADE

UNIDADE I

DIMENSÃO SOCIAL

UNIDADE II

DIMENSÃO AMBIENTAL

UNIDADE III

DIMENSÃO ECONÔMICA

Professora Mestre

Bianca Burdini Mazzei

Professora Mestre

Mirian Aparecida M. Struett

ORGANIZAÇÕES e sociedade:

contexto econômico

GESTÃO AMBIENTAL ORGANIZACIONAL
GESTÃO
AMBIENTAL
ORGANIZACIONAL

Características da dimensão econômica e sua relação com a sustentabilidade

GESTÃO AMBIENTAL ORGANIZACIONAL Características da dimensão econômica e sua relação com a sustentabilidade
Reitor Wilson de Matos Silva Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande

Reitor

Wilson de Matos Silva

Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos. A busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualida- de, novas habilidades para liderança e solução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho. Cada um de nós tem uma grande responsa- bilidade: as escolhas que fizermos por nós e pelos nossos farão grande diferença no futuro. Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar – assume o compromisso de democra- tizar o conhecimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos brasileiros. No cumprimento de sua missão – “promo- ver a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cida- dãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” –, o Centro Universitário Cesumar busca a integração do ensino-pesquisa-extensão com as demandas

palavra do reitor

institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que contribua para o desen- volvimento da consciência social e política e, por fim, a democratização do conhecimento aca- dêmico com a articulação e a integração com

a sociedade. Diante disso, o Centro Universitário Cesumar almeja ser reconhecida como uma instituição univer- sitária de referência regional e nacional pela qualidade

e compromisso do corpo docente; aquisição de com-

petências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; consolidação da extensão univer-

sitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e

a distância; bem-estar e satisfação da comunidade

interna; qualidade da gestão acadêmica e adminis- trativa; compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como também pelo compromisso e relacionamento permanente com os egressos, incentivando a edu-

cação continuada.

com os egressos, incentivando a edu- cação continuada. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância:

C397

Responsabilidade Social e Sustentabilidade/ Bianca Burdini Maz- zei, Mirian Aparecida M. Struett.

Maringá - PR, 2012. 110 p.

“Pós-graduação Núcleo Comum - EaD”.

1. Sustentabilidade. 2. Responsabilidade Social . 3. EaD. I. Título.

CDD - 22 ed. 658.421 CIP - NBR 12899 - AACR/2

NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná | unicesumar.edu.br | 0800 600 6360

DIREÇÃO UNICESUMAR

Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva, Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.

NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Direção de Operações Chrystiano Mincoff, Coordenação de Sistemas Fabrício Ricardo Lazilha, Coordenação de Polos Reginaldo Carneiro, Coordenação de Pós-Graduação, Extensão e Produção de Materiais Renato Dutra, Coordenação de Graduação Kátia Coelho, Coordenação Administrativa/Serviços Compartilhados Evandro Bolsoni, Gerência de Inteligência de Mercado/Digital Bruno Jorge, Gerência de Marketing Harrisson Brait, Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nalva Aparecida da Rosa Moura, Supervisão de Materiais Nádila de Almeida Toledo, Direção de Arte Editorial Jaime de Marchi Junior, Revisão Textual Ana Paula da Silva, Hellyery Agda, Karen Pardini e Nayara Valenciano, Fotos Shutterstock.

Pró-Reitor de EaD Willian Victor Kendrick de Matos Silva boas-vindas Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à

Pró-Reitor de EaD

Willian Victor Kendrick de Matos Silva

boas-vindas

Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Comunidade do Conhecimento. Essa é a característica principal pela qual a UNICESUMAR tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, atemporal, global, de- mocratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais. De fato, as tecnologias de informação e comunicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da edu- cação por meio da conectividade via internet, do acesso wireless em diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram a informa- ção e a produção do conhecimento, que não reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em segundos. A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das desigualdades, propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a co- nhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está disponível. Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modificou toda uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas fer- ramentas, equipamentos e aplicações estão mudando a nossa cultura e transformando a todos nós. Priorizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos em informações e interatividade. É um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que a EAD da UNICesumar se propõe a fazer.

sobre pós-graduação

a importância da pós-graduação

O Brasil está passando por grandes transformações, em especial

nas últimas décadas, motivadas pela estabilização e crescimento da economia, tendo como consequência o aumento da sua impor- tância e popularidade no cenário global. Esta importância tem se refletido em crescentes investimentos internacionais e nacionais

nas empresas e na infraestrutura do país, fato que só não é maior devido a uma grande carência de mão de obra especializada. Nesse sentindo, as exigências do mercado de trabalho são cada vez maiores. A graduação, que no passado era um diferenciador da mão de obra, não é mais suficiente para garantir sua emprega- bilidade. É preciso o constante aperfeiçoamento e a continuidade dos estudos para quem quer crescer profissionalmente. A pós-graduação Lato Sensu a distância da UNICESUMAR conta hoje com 16 cursos de especialização e MBA nas áreas de Gestão, Educação e Meio Ambiente. Estes cursos foram planejados pensando em você, aliando conteúdo teórico e aplicação prática, trazendo informações atualizadas e alinhadas com as necessida- des deste novo Brasil. Escolhendo um curso de pós-graduação lato sensu na UNICESUMAR, você terá a oportunidade de conhecer um conjun-

to de disciplinas e conteúdos mais específicos da área escolhida,

fortalecendo seu arcabouço teórico, oportunizando sua aplicação no dia a dia e, desta forma, ajudando sua transformação pessoal

e profissional.

Professor Dr. Renato Dutra

Coordenador de Pós-Graduação , Extensão e Produção de Materiais NEAD - UNICESUMAR

Missão “Promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que

Missão

“Promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária”

Professora Mestre

Bianca Burdini Mazzei

Professora Mestre

Mirian Aparecida M. Struett

apresentação do material

Olá, Aluno(a)! É com muito prazer que apresen- tamos a você o livro que fará parte da disciplina Responsabilidade Social e Sustentabilidade. Somos as professoras Bianca Burdini Mazzei e Mirian Aparecida Micarelli Struett. Preparamos mais esse material com empenho e carinho para que você adquira conhecimentos sobre a Sustentabilidade e suas dimensões sociais, ambientais e econômicas. Sou a professora Bianca Burdini Mazzei, gra- duada e mestre em Administração, professora e pesquisadora da área social e confesso que sou apaixonada pelo tema e muito interessada em con- tribuir para a efetivação das práticas sociais das organizações. Sou a professora Mirian Aparecida Micarelli Struett, minha formação é em administração, tanto na graduação como no mestrado. Sou gestora pública, professora e pesquisadora da dimensão econômica da sustentabilidade e por isso acre- dito poder contribuir para a discussão sobre esse importante tema. Nosso objetivo ao escrever mais esse livro não foi apresentar um modelo pronto de Sustentabilidade, até porque estando no campo das ciências sociais aplicadas, não existe uma certeza matemáti- ca que nos permita emitir receitas de sucesso. O que pretendemos aqui foi discutir o real papel das organizações na sociedade e a partir disso, sua conscientização sobre uma atuação em prol do de- senvolvimento sustentável, como atualmente tem sido valorizado por todos os grupos interessados

na organização, desde consumidores, fornecedores,

a

comprovação do seu comprometimento

parceiros e organizações públicas (stakeholders). Para tanto, será necessário também muito

social por meio da divulgação de suas ações, implicando em uma transparência para com

empenho de sua parte para a realização desse

a

sociedade;

intenso trabalho. No decorrer de suas leituras procure interagir com os textos, fazer anotações, responder às atividades de autoestudo, anotar suas dúvidas, ver as indicações de leitura e realizar novas pesquisas sobre os assuntos tratados, pois, com certeza não será possível esgotá-lo em apenas um livro. Para nortear nosso trabalho, utilizamos o modelo Triple Botton Line que considera a Sustentabilidade como um conjunto de três dimensões essen- ciais: social, ambiental e econômica. Desse modo, nosso livro foi organizado da seguinte forma: na primeira unidade, discutimos a dimensão social e a responsabilidade social; na segunda unidade, discutimos a dimensão ambiental; e, por fim, na terceira unidade, tratamos a dimensão econômi- ca da sustentabilidade. Na unidade I, faremos uma contextualização da dimensão social empresarial, desde sua com- preensão inicial como filantropia, até seu contexto atual de integração de valores como responsabili- dade social, no qual se baseia:

e, por fim, a busca pela promoção do desen- volvimento sustentável utilizando os recursos atualmente disponíveis de maneira a preser- vá-los para as próximas gerações.

Assim, é possível compreender a atual concepção de responsabilidade social que implica em muito mais do que meras ações sociais, mas em uma direção organizacional pautada para esses valores. A fim de apoiar a operacionalização da res- ponsabilidade social apresentamos também os instrumentos de gestão social recomendados pelo Instituto Ethos (Indicadores Sociais), pelo GRI – Global Reporting Initiative (Relatório de Sustentabilidade), e pelo IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Balanço Social). Na unidade II, a sustentabilidade é discutida sob sua dimensão ambiental e, para isso, resgatou o conceito elaborado na década de 80, que foi fun- damental para que os governos e a sociedade de maneira geral começassem um processo reflexivo

a orientação de suas ações sobre os valores éticos de respeito e construção do bem comum, incluindo os demais integrantes da vida em sociedade;

sobre o uso do meio ambiente, transformando-o no modelo de desenvolvimento sustentável que atualmente tem sido reconhecido como o grande alvo para a humanidade.

Nessa unidade, destaca-se ainda que na di- mensão ambiental, vários progressos ocorreram em decorrência da aplicação por parte de governos das decisões tomadas nos vários eventos interna- cionais promovidos pela ONU, mas também por conta de grandes acidentes ambientais que au- mentaram a pressão da opinião pública. A criação do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), que almeja gerenciar as ativi- dades de proteção ambiental, é certamente um grande passo nesse caminho, cuja trajetória histó- rica é apresentada. Além disso, trata-se também da questão das Políticas Ambientais desenvolvidas em nosso país, juntamente com os instrumentos de Gestão Ambiental, através de alguns indicadores de desempenho ambiental, normas, certificações

e estratégias de gestão ambiental. Por fim, serão apresentadas novas possibilidades, formas de atuação e a produção. Na terceira unidade, a discussão é sobre a di- mensão econômica da sustentabilidade, pois sem

a busca pelo econômico, organização alguma con-

segue sobreviver no atual mercado, uma vez que até as organizações sem fins lucrativos precisam

do fator econômico para sobreviver e alcançar seus fins sociais. No entanto, a busca pelo econômico deve aparecer indissociável das dimensões sociais

e ambientais da organização. Para isso, a análise segue no sentido de que a busca pelo econômico

também interfere no ambiente organizacional e suas práticas precisam ser responsáveis. Também buscando a compreensão das possibilidades da dimensão econômica da sus- tentabilidade, são apresentadas as ferramentas econômicas mais utilizadas como: o Balanço Social e

indicadores do Instituto Brasileiro de Análises Sociais

e Econômicas (IBASE), os indicadores de terceira

geração do Instituto Ethos, os indicadores de sus- tentabilidade utilizados pelas Empresas filiadas ao Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o protocolo e diretrizes dos

indicadores do Global Reporting Iniatiave (GRI), os

indicadores de sustentabilidade Dow Jones (DJSI)

e os Indicadores de Sustentabilidade Empresarial

(ISE) utilizados pela Bolsa de Mercadorias e Futuro

e Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBOVESPA). Dessa forma, buscamos mostrar a interrelação social, ambiental e econômica necessários para a sustentabilidade, bem como os principais instru- mentos para sua operacionalização empresarial. Para corroborar com o seu aprendizado, dedica- mos ao final de cada unidade um estudo de caso que representasse a dimensão social, ambiental e econômica de uma organização. Esperamos assim, contribuir para possibilitar a transformação das ex- pectativas, que ainda atuam mais no campo do discurso, em práticas empresariais sustentáveis, como tem avançado nesse sentido.

01

SUSTENTABILIDADE A DIMENSÃO SOCIAL

01 SUSTENTABILIDADE A DIMENSÃO SOCIAL 14 17 24 as organizações e a sociedade responsabilidade social e

14

17

24

as organizações e a sociedade

responsabilidade social e a sustentabilidade a responsabilidade social como instrumento de gestão

02

SUSTENTABILIDADE A DIMENSÃO AMBIENTAL

02 SUSTENTABILIDADE A DIMENSÃO AMBIENTAL 26 40 52 57 65 eixos da responsabilidade social meio ambiente

26

40

52

57

65

eixos da responsabilidade social

meio ambiente e gestão ambiental

políticas públicas ambientais

gestão ambiental organizacional

novas possibilidades e oportunidades ambientais

03

SUSTENTABILIDADE A DIMENSÃO ECONÔMICA

ambientais 03 SUSTENTABILIDADE A DIMENSÃO ECONÔMICA características da dimensão 77 econômica e sua

características da dimensão

77

econômica e sua relação com outras dimensões da sustentabilidade

82

gestão empresarial e organizacional

87

a dimensão econômica e o lucro

modelos dos principais indicadores

89

econômicos de responsabilidade social e sustentabilidade

1
1

SUSTENTABILIDADE – A DIMENSÃO SOCIAL

Professora Me. Bianca Burdini Mazzei

Objetivos de Aprendizagem

• Compreender o papel das organizações na sociedade.

• Contextualizar o ambiente organizacional a partir das principais demandas socioeconômicas atuais.

• Entender o conceito de responsabilidade social e seu papel para a sustentabilidade.

• Analisar os aspectos que compõem a responsabili- dade social.

• Compreender a responsabilidade social como um ins- trumento de gestão.

• Refletir sobre a responsabilidade social e a gestão.

Plano de estudo

A seguir, apresentam-se os tópicos que você estu-

dará nesta unidade:

• As organizações e a sociedade

• Atual contexto socioeconômico

• Responsabilidade social e a sustentabilidade

• Aspectos da responsabilidade social

• A responsabilidade social como instrumento de gestão

• Reflexões sobre a responsabilidade social

• Gestão social

Caro(a) aluno(a), nesta unidade, você estudará a dimensão social da sustentabilidade sob a ótica da

Caro(a) aluno(a), nesta unidade, você estudará a dimensão social da sustentabilidade sob a ótica da responsabilidade social, um assunto muito importante que vai ajudar você a refletir sobre suas práticas gerenciais. Nela, busco a compreensão do papel social das organiza- ções e a necessidade da atuação dos gestores com essa orientação estratégica pela sustentabilidade. Vale destacar que o conceito de responsabilidade social vem so- frendo mudanças ao longo do tempo, acompanhando as mudanças sociais e econômicas vividas pelas organizações. Começou timidamente na década de 1970 e, conforme as prá- ticas organizacionais foram mudando, por meio do processo de Industrialização, foi se incorporando ao papel das organizações do mundo todo. A princípio, tinha um caráter mais filantrópico e assistencialista até chegar ao modelo atual em que para assumí-lo as organizações se propõem a operar preocupando-se também com os demais pú- blicos envolvidos (stakeholders). Institucionalizando-se como uma prática de gestão, passou a ser necessária a criação de instrumentos de operacionalização e di- vulgação (como o balanço social e o relatório de sustentabilidade), instituições de suporte e certificação específicos (IBASE, Instituto Ethos, GRI, entre outros), que são abordados nesta unidade. Os princípios e pilares que determinam a responsabilidade social também são apresentados e discutidos nesta unidade. O propósito é apresentar sua estrutura de composição de maneira a permitir maior possibilidade de operacionalização pelas organizações. Para finalizar, apresento uma pequena reflexão sobre o real papel da responsabilidade social e a possibilidade de sua abrangência por meio da gestão social.

reflexão sobre o real papel da responsabilidade social e a possibilidade de sua abrangência por meio
reflexão sobre o real papel da responsabilidade social e a possibilidade de sua abrangência por meio

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

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as organizações e a

sociedade

A palavra organização possui dois sen- tidos, sendo ambos usados pela administração. Organização no

sentido de colocar ordem conforme algum critério está relacionado com a função es- trutural da gestão, ou seja, determinar a estrutura e os recursos necessários para a rea- lização dos processos e tarefas. Outro sentido da palavra organização se refere ao objeto de estudo e atuação da administração, ou seja, os grupos de pessoas, sistematicamente reu- nidos com objetivos comuns. Dessa forma,

temos três tipos de organizações:

• empresas (privadas com objetivo de gerar lucro aos seus proprietários);

• públicas (empresas estatais, órgãos públicos, autarquias, entre outros.);

• sem fins lucrativos (pertencentes ao terceiro setor, como associações, ONGs, institutos, entre outros).

Conforme Lacombe e Heilborn (2008, p. 13) “são as organizações que executam todas as atividades da vida moderna”, e representam

um dos elementos mais importantes da so- ciedade atual. Por isso, as organizações possuem um

papel social tão importante, e são elas as res- ponsáveis pela sociedade em que atuam e pelo seu entorno. Isso implica em dizer que as organizações existem em função da socie- dade. Em análises estratégicas, é primordial que as organizações considerem o ambien- te em que atuam, com suas peculiaridades e necessidades, e por isso também é necessá- rio preocupar-se com esse ambiente externo

e interno a cada organização. Para Estigara et al. (2009, p. 09), a empresa

é “uma instituição capaz de transformar e di-

namizar a sociedade, através de sua atuação nos campos sociológico, jurídico e econô- mico, alterando de forma radical o modo de agir da humanidade”. Para as autoras, a empresa é muito mais do que estrutura para produção de bens e serviços, com função econômica, é também uma instituição que deve atuar como protagonista na“realização das demandas sociais”. Em uma sociedade como a em que vivemos, que é organizada por especialidades de funções, de maneira que cada organização desempenha sua função específica (compe- tências essenciais pelas quais ela foi criada), existe uma interdependência, uma solidarie- dade mecânica, como já sinalizava Durkheim, como sua engrenagem em que cada ator social faz uma parte para que a sociedade funcione adequadamente. Caso um desses atores não cumpra sua parte, todo o restan- te passa a ser prejudicado.

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Assim, as organizações possuem esse im- portante papel social, como atores sociais, e também cabe a elas a responsabilidade pela sociedade em que atuam, no sentido de sua preservação e do seu desenvolvimento.

contexto

socioeconômico

Com a abertura da economia, que se deu no mundo por volta dos anos 1980, o fe- nômeno da globalização se instaurou em todas as relações comerciais. A partir desse momento, as relações comerciais come- çaram a se dar sem muitas barreiras, pelo mundo todo. O aumento da possibilidade de comercialização entre as nações também promoveu o aumento da competitividade entre as organizações. Essa competição, cada vez mais acirrada, faz com que as empresas precisem cada vez mais buscar a eficiência (usar a menor quan- tidade de recursos) e a eficácia (ter menores custos e maiores lucros). A disputa pelos mer- cados passa a ser cada vez maior, uma vez que grande parte das empresas mundiais consegue atuar na maior parte do mundo. Essa competição acaba por estimular a lógica da acumulação, assim as grandes po- tências mundiais acabam por acumular mais capital, e, por sua vez, cada vez mais conse- guem aprimorar suas técnicas de produção com qualidade, entrando num contínuo de acumu- lação. Por outro lado, as pequenas organizações

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

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acabam por perder mais espaço no mercado, ficando assim com menor capacidade de con- correr, em qualquer espaço que seja. Com o aumento acirrado da competição, que provoca a lógica da acumulação, acaba-se por promover o que alguns autores chamam de hegemonia de poder (DUPAS, 2000; SINGER, 2002; SANTOS, 2003). Isso faz com que apenas algumas grandes potências econômicas acabam por ditar o mercado, deixando espaço apenas para as pequenas organizações que es- tiverem a serviço das maiores. As demais ficam à margem da economia, promovendo assim vários problemas sociais. O maior problema social acaba por se ca- racterizar pela exclusão social, que neste livro irei tomar como referência um dos modelos de Dupas (2000), retratado como a falta de acesso à cadeia produtiva, que por sua vez compromete o acesso à renda para obter bens e serviços essenciais para a sobrevivên- cia humana em sociedade. Para o autor, essa dinâmica de mercado da globalização provoca duas dialéticas:

• Concentração versus Fragmentação – de um lado a concentração de forças das empresas gigantes mundiais e de outro a fragmentação do

 
   
   
 
A lógica da economia global e a ex- clusão social - Gilberto Dupas

A lógica da economia global e a ex- clusão social - Gilberto Dupas

<http://www.scielo.br/pdf/ea/v12n34/

v12n34a19.pdf>

 

processo produtivo por empresas menores que alimentam a cadeia central (terceirizações, franquias e informalidade); • Exclusão versus Inclusão - o mesmo sistema econômico que causa acesso a bens e serviços a uma camada da população por meio do barateamento dos custos de produção causa uma enorme falta de acesso de bens e serviços básicos a outra camada da população, que não tem acesso à renda, ficando à margem do mercado.

Segundo o professor Dupas (2000), para esse mercado altamente competitivo e excluden- te, seria necessário um poder público muito forte para dar suporte aos problemas sociais causados por ele. No entanto, as práticas têm mostrado que não existe um Estado com tamanha capacidade de atuação para resol- ver todas essas mazelas sociais. É nesse contexto que as empresas são chamadas a atuar de forma responsável, uma vez que os maiores problemas sociais são oca- sionados pela dinâmica atual do mercado em que elas são os atores do processo, também são chamadas a agir de maneira sustentável em busca do desenvolvimento da sociedade. Para isso, as práticas empresariais preci- sam ser norteadas não apenas pela busca do crescimento econômico, mas pela busca do desenvolvimento, que possui como base o tripé: econômico, social e ambiental, na busca pela sustentabilidade.

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responsabilidade social e a

sustentabilidade

A atuação social empresarial surgiu no início do século XX, com a filan- tropia. Com o desenvolvimento da

sociedade pós-industrial e a mudança da visão do papel das organizações, o conceito evoluiu, incorporando os anseios de agentes sociais nos negócios das organizações. Dessa forma, além da filantropia, adotou-se concei- tos como voluntariado empresarial, cidadania corporativa, responsabilidade social corpora- tiva e desenvolvimento sustentável (TENÓRIO et al., 2006). Segundo os autores, no primeiro período que corresponde ao início do século XX até a década de 1950, influenciadas pelo libe- ralismo econômico, as empresas tinham como foco apenas o crescimento econômi- co, e por isso buscavam maximizar os lucros, gerar empregos e pagar impostos. Quanto ao papel social, estavam apenas voltadas para

o capital, ou seja, usavam seus recursos para

aumentar seus lucros dentro de uma compe- tição livre e aberta, sem enganos ou fraude. E

a responsabilidade social limitava-se apenas

à filantropia. Contudo, essa busca pelo crescimen- to econômico levou a uma degradação da qualidade de vida, intensificou os problemas ambientais e precarizou as relações de traba- lho, que por sua vez levou a uma mobilização da sociedade pressionando o governo e as empresas a buscarem soluções para os pro- blemas gerados pela industrialização. Então, passou-se a incorporar ao conceito de res- ponsabilidade social o cumprimento de obrigações legais referentes a questões tra- balhistas e ambientais (TENÓRIO et al., 2006). O segundo período analisado pelos autores acontece a partir da década de 1950 até os dias atuais. Segundo Tenório et al. (2006),

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

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esse período é marcado pela intervenção do

Estado na economia que vai até 1970, em que se começa a questionar o objetivo da maxi- mização de lucros das empresas e amplia-se

o conceito de responsabilidade social. Na sociedade pós-industrial, passou-se

a valorizar o aumento da qualidade de vida,

a valorização do ser humano, o respeito ao

meio ambiente, a pluralidade dos objetivos

empresariais e a valorização das ações sociais, tanto das empresas quanto dos indivíduos. Dessa forma, esses são os valores da socie- dade pós-industrial que passam a direcionar

a responsabilidade social (TENÓRIO et al.,

2006).

É por isso que as empresas passam a adotar um novo papel na sociedade mais comprometido com seu entorno, não apenas focado no crescimento econômico, mas também nos aspectos sociais e ambientais,

o que forma o desenvolvimento sustentável. Essa nova postura empresarial acontece em função de uma mudança no mercado, que no período pós-revolução industrial se torna cada vez mais competitiva, obrigan- do as empresas a se tornarem cada dia mais atrativas aos seus consumidores. Esse concei- to passa a se chamar teoria dos Stakeholders. São chamados de stakeholders todos aqueles grupos que tenham algum interes- se na organização, que por sua vez também se interessa pela imagem que representa a eles. Podem ser chamados de stakeholders os trabalhadores, os acionistas, o Estado em suas diversas esferas, os fornecedores, os consumidores, a comunidade do entorno

organizacional, entre outros. Dessa forma, as organizações, cada dia mais preocupadas com sua imagem frente aos stakeholders, incorporam um novo papel social, agora mais voltado para os

novos valores sociais, e se vêem preocupa- das em contribuir para o desenvolvimento sustentável. Na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), realizada em 2001, foram consideradas as seguintes obrigações como pilares para a Responsabilidade Social Empresarial (ESTIGARA et al., 2009):

• Obrigações para com a promoção de desenvolvimento;

• Respeito aos Direitos Humanos;

• Proteção do Consumidor;

• Proteção do Meio Ambiente;

• Ética na Administração e Governança Corporativa;

• Democracia e participação sociopolítica.

A nova definição do conceito de responsa- bilidade social empresarial passa a ser:

de responsa- bilidade social empresarial passa a ser: ] [ relação ética e transparente da empresa

] [

relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvi- mento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as ge- rações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais (INSTITUTO ETHOS, 2012, on line).

a forma de gestão que se define pela

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aspectos da

responsabilidade social

Conforme o conceito de responsabilidade

social orientado pelo Instituto Ethos, que é considerado uma importante organização responsável pela mobilização, sensibilização

e ajuda as empresas brasileiras a gerirem de

forma responsável seus negócios, a respon- sabilidade social está plantada sob o tripé da ética, da transparência e do desenvolvimento sustentável. Por isso, discutiremos cada um desses aspectos separadamente.

ética

Conforme Barbieri e Cajazera (2009, p. 85), “o substantivo feminino ética indica o estudo a respeito da moral, por isso também é conhe- cido como filosofia moral ou ciência moral”. Isso implica em dizer que a moral é o objeto da ética, por isso o estudo da ética equivale

à reflexão das questões morais. Ainda conforme os autores, moral é um substantivo que se refere ao conjunto de normas e valores aceitos por uma socieda- de, que orienta a conduta dos seus cidadãos. Para Stoner e Freeman (1999, p. 77), a ética

é um termo geral que envolve tanto relacio- namentos internos como externos, e pode ser definido“como o estudo do modo pelo qual

nossas decisões afetam as outras pessoas”. Assim, pode-se dizer que o que deve nortear a conduta das organizações atuais são aqueles valores já apresentados como pós industriais, adotados pela sociedade moderna, como:

• aumento da qualidade de vida;

• a valorização do ser humano;

• o respeito ao meio ambiente;

• a pluralidade dos objetivos empresariais;

• a valorização das ações sociais tanto das empresas quanto dos indivíduos.

Acredito que uma boa orientação para uma conduta organizacional ética seja aquela nor- teada por decisões que não prejudiquem nenhum dos envolvidos no processo e ainda se preocupe com a sociedade e seu entorno. Vale a pena ressaltar que algumas práti- cas, apesar de legalmente aceitas, podem se

 
 
 
A ética das organizações

A ética das organizações

<http://www.youtube.com/

watch?v=1d4OP1TI76c>

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

20

o
o

planeta é super explorado pela

humanidade, ocasionando catástrofes sociais

e ambientais.

caracterizar como antiéticas, uma vez que podem trazer prejuízos para alguns. Essa é uma reflexão que merece ser feita no dia a dia empresarial. Por isso, Araya (2003 apud DIAS, 2011, p. 173) traz uma ampliação no concei- to de responsabilidade social quando diz que “promove um comportamento empresarial que integra os elementos sociais e ambien- tais que não necessariamente estão contidos na legislação, mas que atendem as expec- tativas da sociedade em relação à empresa”. Stoner e Freeman (1999) destacam ainda os quatro níveis das questões éticas que pre- cisam ser geridas na empresa:

1.Sociedade - preocupação com as ações que causam impacto social; 2.Stakeholders - preocupação em como lidar com grupos afetados pela organização; 3.Políticas internas - preocupação com a natureza das relações da empresa para com as pessoas, e das pessoas para com a empresa; 4.O indivíduo – preocupação com a forma de tratamento entre as pessoas que compõem uma organização.

Segundo os autores, cabe a cada organização

fazer a gestão da orientação para a aplicação da ética em todos os seus comportamen- tos, incluindo cada uma das pessoas que a compõe. Essa institucionalização dos valores éticos adotados pode ser feita por meio de vários instrumentos, como:

• Delimitação dos valores norteadores da empresa, que estão presentes em seus documentos internos, bem como na missão e visão da empresa;

• Estabelecimento de um código de ética/conduta empresarial;

• Comitê de ética;

• Escritórios de ombudsman (funcionário encarregado de ouvir reclamações do povo, e quando justas, buscar atendimento pela organização ou pelo governo);

• Programas de treinamentos éticos;

• Auditorias sociais.

Outra sugestão interessante dos autores é

a orientação das questões para exame da

ética, em decisões empresariais, conforme

o quadro I.

1. Você definiu o problema com precisão?

2. Como você definiria o problema caso estivesse do outro lado da cerca?

3. Como essa situação aconteceu da primeira vez?

4. A quem você é leal como pessoa e como membro da empresa?

5. Qual é a sua intenção ao tomar essa decisão?

6. Como essa intenção se compara com os resultados prováveis?

7. A quem sua decisão ou ação poderia prejudicar?

8. Você pode discutir o problema com as partes afetadas antes de tomar a decisão?

9. Você tem confiança em que sua decisão será válida por um longo período de tempo, tanto quanto parece válida agora?

10. Você poderia revelar sem qualquer escrúpulo sua decisão ou ação ao seu chefe, à sua família e à sociedade?

11. Qual é o potencial simbólico de sua ação caso ela seja compreendida? Ou caso seja mal- entendida?

12. Sob que condições você permitiria exceções à sua posição?

Quadro I: Questões para exame da ética em uma decisão empresarial Fonte: adaptado de Nash (1981 apud STONER)

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21

E ainda, conforme o Instituto Ethos (2012), as organizações precisam adotar a postura de compor uma economia

praticada segundo padrões éticos elevados, que implicam em:

• Combate à corrupção e à impunidade;

• Valorização da integridade e da transparência;

• Estímulo à concorrência leal;

• Estímulo à cooperação;

• Respeito às leis e às regras de negócio;

• Respeito aos direitos das diferentes comunidades, etnias e grupos sociais de se aproximar, em seu próprio ritmo, do estilo de vida contemporâneo.

Essa economia, com visão de sustentabili- dade, se completa com o compromisso de não sobrepor os interesses privados aos in- teresses públicos, mantendo esses padrões em qualquer investimento e estabelecendo relações éticas independente das exigências (INSTITUTO ETHOS, 2012).

independente das exigências (INSTITUTO ETHOS, 2012). Plataforma por uma Economia Inclu- siva, Verde e
independente das exigências (INSTITUTO ETHOS, 2012). Plataforma por uma Economia Inclu- siva, Verde e

Plataforma por uma Economia Inclu- siva, Verde e Responsável

<http://www3.ethos.org.br/wp-con-

tent/uploads/2012/06/Plataforma-por-

uma-Economia-Inclusiva-Verde-e-Re-

spons%C3%A1vel.pdf>.

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

22

transparência

A transparência refere-se à divulgação das

ações empresariais tanto para a sociedade como para os seus trabalhadores. Já que, con- forme Tenório et al (2006), a responsabilidade social nasce do compromisso da organização com a sociedade, cabe às empresas presta- rem contas de sua ações a essa sociedade. Existem alguns relatórios de divulgação dessa responsabilidade social da empresa, que serão mais detalhados na parte em que discutiremos os instrumentos de gestão, no entanto, já vou adiantar que um importante modelo conhecido atualmente é o Balanço

desenvolvimento sustentável

O movimento em prol do desenvolvimento

sustentável acontece em função da limita- ção da capacidade do planeta, que é super explorado pela humanidade, ocasionando catástrofes sociais e ambientais. Segundo Estigara et al (2009, p. 18), esse movimen- to mundial ganha força em 1987, por meio da publicação do relatório Nosso Futuro Comum, em que traz sua definição como “o desenvolvimento que satisfaz as neces- sidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”.

Social, institucionalizado pelo Betinho em sua campanha Ação da Cidadania contra Fome,

a Miséria e pela Vida, que começou em 1993, que desde então tem sua gestão realizada

pelo IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas. É por meio da prestação de contas de suas ações sociais que a empresa abre o espaço para a participação da sociedade em geral, em suas atividades, possibilitando também

a articulação entre os demais atores sociais que a compõem (governo, ONGs, outras em- presas etc.).

Ainda para as autoras, esse movimento em torno do desenvolvimento sustentável foi reforçado e internacionalizado a partir da Conferência da ONU – Organização das Nações Unidas, sobre meio ambiente e de- senvolvimento, realizada no Rio de Janeiro no ano de 1992, popularmente conhecida como Rio-92. Segundo Barbieri e Cajazeira (2009), o desenvolvimento sustentável se apoia nos seguintes pilares:

• Sustentabilidade social – equidade na distribuição dos bens e da renda

para melhorar os direitos e condições da população e reduzir as distâncias entre os padrões de vida das pessoas;

• Sustentabilidade econômica – distribuição e gestão eficiente dos recursos produtivos, bem como fluxo regular de investimentos público e privado;

• Sustentabilidade ecológica – busca pelo aumento da capacidade de carga do planeta e para evitar danos ao meio ambiente, principalmente causados pelos processos do crescimento econômico;

• Sustentabilidade espacial – refere- se ao equilíbrio do assentamento humano rural/urbano;

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23

 
   
   
 
A Economia Criativa – A dimensão cul- tural da Sustentabilidade.

A Economia Criativa – A dimensão cul- tural da Sustentabilidade.

<http://www2.cultura.gov.br/site/

wp-content/uploads/2012/08/livro_

web2edicao.pdf>.

 

• Sustentabilidade cultural – respeito pela pluralidade de soluções particulares específicas a cada ecossistema, cada cultura e cada local.

Considerando esses cinco pilares do desen- volvimento sustentável, é comum que eles sejam apresentados divididos em três dimen- sões essenciais: social, econômica e ambiental, conforme está organizado este livro.

divididos em três dimen- sões essenciais: social, econômica e ambiental, conforme está organizado este livro.

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

24

a responsabilidade social como

instrumento de gestão

S egundo Estigara et al (2009), a respon-

sabilidade social traz várias vantagens

para uma organização, pois além de

promover um amadurecimento de suas es-

tratégias de manutenção e crescimento no mercado, possibilita ainda:

• Redução de carga tributária – incentivos fiscais dos quais a empresa pode se valer;

• Forma alternativa de recolhimento de alguns impostos – possibilitando a reversão desse capital em benefício dela mesma e dos seus stakeholders;

• Criação de uma política permanente para a empresa, como as ações de responsabilidade social, exige um planejamento estratégico e permanente, acaba por contribuir pela elevação da qualidade de vida e inclusão social no médio e no longo prazo;

• Incremento do marketing social – incremento na imagem da empresa perante seus stakeholders, reforçando

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25

e agregando valor e credibilidade à

marca, o que por sua vez contribui

para a formação de parcerias e redes;

• Redução dos custos operacionais

e melhoria dos indicadores de

produtividade e qualidade – maior comprometimento dos seus

trabalhadores;

• Lealdade dos clientes – que optam por manter um relacionamento com empresas socialmente comprometidas, podendo até

significar um diferencial competitivo;

• Divulgação do Balanço Social e dos Indicadores de Desempenho – adapta a empresa em seu perfil social

e aumenta sua credibilidade frente ao

mercado;

• Obtenção de certificados e selos –

que ampliam ainda mais a visibilidade da marca e atestam a boa prática

empresarial;

• Preferência nas licitações e contratações com o Poder Público .

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

26

Redução de tributos Redução dos custos

Redução de tributos

Redução de tributos Redução dos custos

Redução dos custos

Destaque da marca Lealdade dos clientes

Destaque da marca

Destaque da marca Lealdade dos clientes

Lealdade dos clientes

Política permanente Preferência em licitações

Política permanente

Política permanente Preferência em licitações

Preferência em licitações

Marketing social Selos e certificados

Marketing social

Marketing social Selos e certificados

Selos e certificados

Figura: Vantagens da Responsabilidade Social / Fonte: Estigara et al. (2009)

eixos da responsabilidade social

Ainda segundo as autoras, para o gerenciamento da Responsabilidade Social, uma organização precisa desenvolver suas ações voltadas para seis eixos estabelecidos pela Iniciativa Global 300, outro importante movimento liderado pela ONU.

PESSOAS DEMOCRACIA envolvimento com os clientes e trabalhadores da empresa, preocupando- se quanto à saúde,
PESSOAS
DEMOCRACIA
envolvimento com os clientes e
trabalhadores da empresa, preocupando-
se quanto à saúde, à segurança,
à formação e desenvolvimento, à
diversidade, à compensação, ao
voluntariado, à satisfação e ao acesso
aos bens e serviços.
PRINCÍPIOS
elemento indispensável para
determinar os valores que norteiam
as ações empresariais, bem
como sua real implementação,
acompanhamento e
monitoramento.
a cultura de responsabilidade
social e envolve critérios como
a participação democrática, a
educação e a formação.
PRODUTOS E SERVIÇOS
COMUNIDADE
processo de produção voltado
para a sustentabilidade.
AMBIENTE
preocupação com todos os
aspectos ecológicos.
realização de iniciativas locais e
nacionais quanto à educação, ao
emprego, à cultura, ao esporte,
e apoio à ações de ONGS e de
Governos.

Fonte: Estigara et al. (2009)

N a gestão da responsabilidade social,

um fator importante é a aferição para

o acompanhamento da própria or-

ganização e também da sociedade como um todo, das ações sociais realizadas. Por isso os relatórios e certificações garantem a transparência necessária para que a respon- sabilidade social de uma empresa aconteça. Os principais instrumentos de aferição da dimensão social são: o Balanço Social, Indicadores Sociais, GRI – Global Reporting

Initiative, SA 8000.

Nesta unidade, trabalharei apenas a dimensão social de cada um dos instrumen- tos citados, pois as dimensões Ambiental e Econômica serão exploradas nas próximas unidades deste livro.

o balanço social

Conforme Caetano (2006), o Balanço Social surgiu nos Estados Unidos há algumas décadas, mas espalhou-se pelo mundo a partir da década de 1970. Para o autor, o Balanço Social pode ser de- finido como um instrumento de gestão e de informação que visa divulgar as ações econô- micas, sociais e ambientais que são realizadas por uma organização, aos seus diferentes usuá- rios, dentre eles, os seus trabalhadores. Embora

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27

não seja obrigatório, ele deve ser transparente quanto às descrições das informações. O Balanço Social é composto por indica- dores previamente definidos referentes aos aspectos sociais, ambientais e econômicos da organização. Os indicadores sociais internos à organi- zação, ou seja, que refletem as ações sociais voltadas para os trabalhadores da empresa, levam em consideração fatores como: ali- mentação, encargos sociais compulsórios, previdência privada, saúde, segurança e medicina do trabalho, educação, cultura, ca- pacitação e desenvolvimento profissional, participação nos lucros e resultados. Os indicadores sociais externos à organi- zação, ou seja, que descrevem as ações sociais voltada para o público externo a empresa, consideram fatores como: educação, cultura, saúde e saneamento, habitação, esporte, lazer e diversão, creches, alimentação. Os indicadores do corpo funcional retra- tam o relacionamento da organização com seu público interno, quanto à utilização de serviços de terceiros, à valorização da diver- sidade e da inserção em cargos de chefia por grupos historicamente discriminados (negros, mulheres, portadores de deficiência). Os indicadores relevantes quanto à cida- dania empresarial retratam as relações com os demais públicos de interesse da organi- zação e com o desenvolvimento sustentável.

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

28

Balanço Social Anual / 2008

 
Balanço Social Anual / 2008  

Empresa:

2

- Indicadores Sociais Internos

 

Valor (mil)

 

% sobre FPB

 

%

sobre RL

 

Valor (mil)

 

% sobre FPB

 

%

sobre RL

Alimentação

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Encargos sociais compulsórios

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Previdência privada

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Saúde

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Segurança e saúde no trabalho

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Educação

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

#DIV/0!

 

#DIV/0!

 

Cultura

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Capacitação e desenvolvimento profissional

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Creches ou auxílio-creche

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Participação nos lucros ou resultados

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

#DIV/0!

 

#DIV/0!

 

Outros

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Total - Indicadores sociais internos

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

#DIV/0!

 

#DIV/0!

3

- Indicadores Sociais Externos

 

Valor (mil)

 

% sobre RO

 

%

sobre RL

 

Valor (mil)

 

% sobre RO

 

%

sobre RL

Educação

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

 

Cultura

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Saúde e saneamento

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

 

Esporte

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Combate à fome e segurança alimentar

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

 

Outros

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Total das contribuições para a sociedade

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Tributos (excluídos encargos sociais)

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

Total - Indicadores sociais externos

 

0

 

#DIV/0!

   

#DIV/0!

 

0

 

#DIV/0!

 

#DIV/0!

5

- Indicadores do Corpo Funcional

 

20XX

   

20XX-1

Nº de empregados(as) ao final do período

 

0

 

0

Nº de admissões durante o período

 

0

 

0

Nº de empregados(as) terceirizados(as)

 

0

 

0

Nº de estagiários(as)

 

0

 

0

Nº de empregados(as) acima de 45 anos

 

0

 

0

Nº de mulheres que trabalham na empresa

 

0

 

0

%

de cargos de chefia ocupados por mulheres

 

0,00%

   

0,00%

Nº de negros(as) que trabalham na empresa

 

0

 

0

%

de cargos de chefia ocupados por negros(as)

 

0,00%

   

0,00%

Nº de pessoas com deficiência ou necessidades especiais

 

0

 

0

- Informações relevantes quanto ao exercício da cidadania empresarial

6

 

20XX Valor (Mil reais)

   

Metas 20XX+1

 

Relação entre a maior e a menor remuneração na empresa

 

0

 

0

Número total de acidentes de trabalho

 

0

 

0

Os projetos sociais e ambientais desenvolvidos pela empresa foram definidos por:

 

(

) direção

(

 

) direção e gerências

 

(

) todos(as)

 

(

) direção

(

) direção e gerências

 

(

) todos(as)

empregados(as)

 

empregados(as)

Os pradrões de segurança e salubridade no ambiente de trabalho foram definidos por:

 

(

) direção e gerências

 

(

) todos(as) empre- gados(as)

 

(

) todos(as)

 

(

) direção e gerências

(

) todos(as) empre- gados(as)

 

(

) todos(as)

     

+ Cipa

   

+ Cipa

Quanto à liberdade sindical, ao direito de negociação coletiva e

 

(

) não se envolve

 

(

) segue as normas da OIT

 

(

) incentiva e segue a OIT

(

) não se envolverá

(

) seguirá as normas da OIT

 

(

) incentivará e seguirá a OIT

à representação interna dos(as) trabalhadores(as), a empresa:

   

A previdência privada contempla:

 

(

) direção

(

 

) direção e gerências

 

(

) todos(as)

 

(

) direção

(

) direção e gerências

 

(

) todos(as)

empregados(as)

 

empregados(as)

A participação dos lucros ou resultados contempla:

 

(

) direção

(

 

) direção e gerências

 

(

) todos(as)

 

(

) direção

(

) direção e gerências

 

(

) todos(as)

empregados(as)

 

empregados(as)

Na seleção dos fornecedores, os mesmos padrões éticos e de responsabilidade social e ambiental adotados pela empresa:

(

) não são consid- erados

 

(

) são sugeridos

(

) são exigidos

 

(

) não serão

 

(

) serão sugeridos

(

 

) serão exigidos

considerados

Quanto à participação de empregados(as) em programas de trabalho voluntário, a empresa:

 

(

) não se envolve

 

(

) apóia

 

(

) organiza e incentiva

(

) não se envolverá

 

(

) apoiará

 

(

) organizará e incentivará

Número total de reclamações e críticas de consumidores(as):

 

na empresa

 

no Procon

   

na Justiça

 

na empresa

 

no Procon

 

na Justiça

%

de reclamações e críticas atendidas ou solucionadas:

 

na empresa

 

no Procon

   

na Justiça

 

na empresa

 

no Procon

 

na Justiça

 

%

 

%

 

%

 

%

%

 

%

Valor adicionado total a distribuir (em mil R$):

 

Em 20XX:

   

Em 20XX-1:

 

Distribuição do Valor Adicionado (DVA):

 

%

governo

%

colaboradores(as)

 

%

acionistas

 

%

governo

%

colaboradores(as)

 

% terceiros

 

%

retido

 

%

acionistas

% terceiros

%

retido

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29

 
   
   
 
O Desafio da Transparência e Modelo de Balanço Social

O Desafio da Transparência e Modelo de Balanço Social

<http://www.balancosocial.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm>.

indicadores sociais Com o intuito de orientar as empresas

indicadores sociais

Com o intuito de orientar as empresas

A

metodologia de indicadores consis-

no sentido de socialmente responsável,

te

em aplicação de um questionário

o Instituto Ethos criou os indicadores de

de modelo único, referente aos temas

responsabilidade social, de acordo com

acima relacionados, de maneira a permitir

parâmetros de pesquisas internas e com

a

comparação do nível de comprometi-

base nas normas e certificações ISO 9000, ISO 14000, SA 8000 e AA 1000 (ESTIGARA et al, 2009). Conforme as autoras, para realizar o diagnóstico sobre a Responsabilidade Social das empresas, foram criados indi- cadores que abrangem sete temas:

a. Valores e transparência;

b.Comunidade interna; c.Meio ambiente;

d.Fornecedores;

e. Consumidores;

f. Comunidade;

g.Governo e sociedade.

mento social entre as diferentes empresas. Conforme as autoras, esse questionário permite também a autoavaliação. Para tanto, o questionário respondido

é enviado ao Instituto Ethos, que após a análise, entra em contato com a empresa.

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

30

GRI – Global Reporting Initiative

A Global Reporting Initiative – GRI foi consti-

tuída em 1997, por meio de uma parceria

entre a Coalition for Environmentally Responsible

Economics (CERES) e o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas. Com o objetivo de que a elaboração de

relatórios de desempenho econômico, social

e ambiental se tornem rotineiros, a GRI indica 103 indicadores amparados nas dimensões social ambiental econômico, preconizando

a sustentabilidade (ESTIGARA et al., 2009). O Relatório encontra-se estruturado em sete conteúdos padrões:

1.Estratégia e Análise; 2.Perfil Organizacional; 3.Aspectos Materiais Identificados e Limites; 4.Engajamento de Stakeholders; 5.Perfil do Relatório;

6.Governança;

7.Ética e Integridade.

A categoria social do Relatório subdivide-se

em quatro subcategorias:

• Práticas trabalhistas e trabalho decente;

• Direitos humanos - discriminação, liberdade de associação, trabalho

 
   
   
 

Princípios para relato e conteúdos padrão (parte 1). Disponível em: (parte 1). Disponível em:

<https://www.globalreporting.org/

resourcelibrary/Brazilian-Portu-

guese-G4-Part-One.pdf>.

 

Manual de Implementação <https://www.globalreporting.org/

resourcelibrary/Brazilian-Portu-

guese-G4-Part-Two.pdf>.

 
 
   
   
 

Relatório de Sustentabilidade – Met- odologia GRI- Walmart    http://www.walmartbrasil.com.br/sus- tentabilidade/relatorios-e-cases/

http://www.walmartbrasil.com.br/sus-

tentabilidade/relatorios-e-cases/

infantil, trabalho forçado, práticas disciplinares, práticas de segurança e direitos indígenas;

• Sociedade - comunidade, contribuições políticas, competição e preço, corrupção;

• Responsabilidade pelo produto – saúde e segurança do consumidor, produtos e serviço, respeito à privacidade.

SA 8000

Para Estigara et al. (2009), a SA 8000 foi lançada em 1997 e trata-se de um casamento entre as convenções da OIT – Organização Internacional do Trabalho e da ONU – Organização das Nações Unidas, com foco na defesa dos di- reitos humanos, da criança, das mulheres e da organização internacional do trabalho. Os objetivos de maior destaque, de acordo com Estigara et al (2009), são:

• Melhorar as condições do trabalho e promover o respeito aos direitos do trabalhador;

• Proporcionar a padronização em todos os setores e em todos os países;

• Realizar parcerias com organizações que atuam em defesa dos direitos humanos pelo mundo todo;

• Incentivar o equilíbrio nas relações entre empresas e consumidores, de modo que ambos ganhem com o processo;

• Prover uma base única para auditorias.

De acordo com Estigara et al. (2009), os prin- cipais benefícios para as organizações, em função dessa certificação, são:

• Melhoria na moral dos empregados;

• Melhoria na qualidade e na produtividade;

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31

• Comprovação de práticas de Responsabilidade Social com os empregados;

• Redução na rotatividade;

• Melhoria na reputação da empresa;

• Facilidade no recrutamento e na retenção de bons profissionais;

• Melhores relações com o governo, sindicatos, ONGS e empregados.

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

32

reflexões sobre a

responsabilidade social

e a gestão social

Após apresentada a responsabilidade social, sob a dimensão social da sustentabilidade, vale a pena elaborar uma reflexão sobre seu papel e a realidade das práticas. Como já citado nesta unidade, a respon- sabilidade social empresarial só ganhou essa abrangência a partir da cobrança da socie- dade (teoria dos stakeholders). Isso significa que em um mercado altamente competiti- vo, faz a diferença aquela organização que atende às expectativas da sociedade, causan- do uma boa imagem perante ela. Portanto, é correto dizer que uma organização social- mente comprometida possui um diferencial competitivo e que isso é utilizado inclusive como uma estratégia de Marketing. Não há nada de errado em buscar e adicionar valor à sua marca por meio da divulgação das ações sociais realizadas pela empresa. A reflexão deve ser feita no sentido de que:

• as ações são realizadas porque a empresa reconhece seu papel

social e por isso desenvolve a responsabilidade social no seu todo?

• ou simplesmente faz algumas ações sociais pontuais a fim de desenvolver uma imagem institucional ou conseguir alguns benefícios fiscais?

• ou pior ainda, “faz de conta” que é socialmente comprometida, mas na realidade possui ações antiéticas com seus trabalhadores, fornecedores, consumidores, entre outros?

Assim, é importante ressaltar que a ação social não é a mesma coisa que responsa- bilidade social. Para Oliveira (2008, p.66), “a responsabilidade social das empresas envolve atitudes, ações e relações com um grupo maior de partes interessadas (stake- holders) como consumidores, fornecedores, sindicatos e governo.” Isso quer dizer que responsabilidade social não significa apenas realizar ações sociais, mas implica em uma postura

organizacional voltada para o bem-estar coletivo. Sob essa ótica, a Gestão Social amplia ainda mais a atuação das organizações, uma vez que, conforme Fischer (2010, p. 3),

organizações, uma vez que, conforme Fischer (2010, p. 3), Entende-se a gestão social como o ato

Entende-se a gestão social como o ato relacional capaz de dirigir e regular pro- cessos por meio da mobilização ampla de atores na tomada de decisão (agir co- municativo) que resulte em parcerias intra e inteorganizacionais, valorizando as estruturas descentralizadas e participati- vas, tendo como norte o equilíbrio entre

considerações finais

Para concluir esse estudo, vamos relembrar os principais aspectos discutidos na unidade I. Começamos discutindo o papel social das organizações pautado na sua compre- ensão como membro de uma sociedade e, portanto, também responsável por ela. Ou seja, as organizações existem em função da sociedade, e por isso precisam contribuir para seu crescimento e desenvolvimento. A partir desse entendimento, buscamos apresentar um pouco sobre os problemas sociais atualmente encontrados, e dinâmi- ca organizacional econômica que leva a eles. Para então enfatizar ainda mais a necessidade de uma postura socialmente comprometida pelas organizações.

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33

a racionalidade em relação a fins e em

relação a valores, alcançar enfim um bem coletivamente planejado, viável e sustentá- vel a médio e longo prazo. O que se exige

do gestor, então, é que ele tenha visão de conjunto, ajude na transformação socio-

cultural, mas também simbólico-valorativa,

e que se mantenha vigilante ante os me- canismos de auto-regulação.

Essa mobilização social preocupada com o seu entorno, que norteie todas as práticas organizacionais e proporcione parcerias em função do coletivo, é que podemos chamar de futuro da gestão.

No momento seguinte, fizemos uma breve contextualização do conceito de responsabilidade social percebido pelos di- ferentes momentos históricos, nitidamente influenciado pelo processo de industriali- zação adotado ao longo dos tempos, até chegar ao atual modelo em que se pauta na busca pela sustentabilidade. A partir daí, desmembramos os três principais aspectos que compõem a respon- sabilidade social, sob a ótica da teoria dos Stakeholders: - uma postura organizacional pautada nos princípios éticos da constru- ção do bem comum; - a divulgação desse comportamento ético e comprometido, ga- rantindo a transparência dessa postura; - a

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

34

adoção de práticas de utilização dos recur- sos atuais de maneira a preservá-los para as futuras gerações, em busca do desenvolvi- mento sustentável. Assim, para garantir a operacionalização da responsabilidade social pelas organiza- ções, apresentamos alguns instrumentos de gestão institucionalizados por reco- nhecidas organizações do setor, como: o modelo de indicadores / Instituto Ethos, o Relatório de Sustentabilidade / GRI e o Balanço social / IBASE.

atividades de autoestudo

Para finalizar, concluímos a discussão com uma reflexão sobre o verdadeiro fundamento da responsabilidade social, utilizada apenas como prática de sustentação de imagem ou como real compreensão do papel organiza- cional, mostrando ainda a possibilidade de ampliação da atuação organizacional para uma gestão verdadeiramente social. Espero que com as discussões propostas nesta unidade tenhamos colaborado com o seu conhecimento acerca da dimensão social da responsabilidade.

1. Considerando o que dizem Lacombe e Heilborn (2008, p. 13), que “são as organizações que executam todas as atividades da vida moderna”e representam um dos elementos mais importantes da sociedade atual. Escreva sobre a importância das organizações na sociedade quanto à dimensão social da sustentabilidade.

2. A partir da definição do Instituto Ethos, em que a responsabilidade social está planta- da sob o tripé da ética, da transparência e do desenvolvimento sustentável, relacione as principais dificuldades para se implementar a responsabilidade social em uma or- ganização atual, e apresente alternativas para resolvê-las.

Pós-Graduação | Unicesumar 35 DUPAS, Gilberto. Economia global e exclusão social: pobreza, emprego, estado e

Pós-Graduação | Unicesumar

35

DUPAS, Gilberto. Economia global e exclusão social: pobreza, emprego, estado e o futuro do capitalismo. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001.

FISCHER, Tania. Gestão do desenvolvimento e poderes locais: marcos teóricos e estratégias de avaliação. Salvador: Casa da Qualidade, 2002.

SCHROEDER, Jocimari Tres; SCHROEDER, Ivanir. Responsabilidade social corporativa: limites e possibilidades. RAE electrônica, São Paulo, v. 3, n. 1, jun. 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=s- ci_arttext&pid=S1676-56482004000100002&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 02 fev. 2012.

SOUZA, Washington J.; TEIXEIRA José Rubens M.; FERREIRA, Luciano A.; WELLEN, Henrique A. R. Entre a racionalidade instrumental e a ra- cionalidade substantiva: estudo sobre o dilema central do trabalho cooperativo. Disponível em: <http://www.rizoma.ufsc.br/pdfs/96-of3-st1. pdf>. Acesso em: 02 fev. 2012.

vídeopdf>. Acesso em: 02 fev. 2012. SESI RESPONSABILIDADE SOCIAL

SESI RESPONSABILIDADE SOCIAL

<http://www.youtube.com/watch?v=A-0n4W1_q2Y>

RESPONSABILIDADE SOCIAL

<http://www.youtube.com/watch?v=B2cjHc3YPII&feature=related>

ISO 26000 A NORMA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL Está surgindo em todo o mundo e promete ser um marco na Responsabilidade Social Empresarial (RSE). Para promover seus princí- pios, foi lançado um vídeo que exibe os valores e crenças da norma e do que se propõe a ser.

<http://www.youtube.com/watch?v=kYV5ZYdx2L4 >

PALESTRA: ÉTICA NAS EMPRESAS - MARIO PERSONA Empresas podem ser boicotadas por seus próprios colaboradores quando estes percebem que o discurso sobre ética e valores não condiz com a realidade.

<http://www.youtube.com/watch?v=yY0PHWpvCuo>

CONFLITO DE VALORES E ÉTICA Este vídeo retrata e chama a atenção de certas empresas e entidades que se dizem éticas, mas na verdade são demagogas e ferem de forma mais profunda os níveis de ética profissional.

<http://www.youtube.com/watch?v=o6dyLHxMevI>

Gestão de Negócios

36

relato de caso
relato de caso
relato de
caso
relato de caso

Relações com organizações locais

O Projeto Viver foi implemen-

tado pela Associação Viver em Família para um Futuro Melhor na comunidade do Jardim Co- lombo a partir de fevereiro de 2002. A Associação Viver em Família para um Futuro Melhor, entidade sem fins lucrativos, constituída pelos executivos e funcionários do Banco Votoran- tim, BV Financeira, Votorantim Asset Management e empresas parceiras, tem como missão a busca de melhorias nas condi-

ções de vida de famílias de co- munidades carentes. O Projeto Viver conta com a participação voluntária de funcionários da empresa, que atuam como ar- ticuladores de parcerias para a solução das necessidades das famílias atendidas. A comuni- dade do Jardim Colombo foi escolhida como alvo do Proje-

to Viver considerando-se aspec-

tos como o grau de organização da comunidade, a liderança da união de moradores, a facilida- de de acesso, o índice de violên- cia e o interesse da comunidade em participar de um projeto de melhorias da própria realidade em que se insere.

Para a implementação do Projeto Viver, que tem como

público alvo as 4.500 famílias da comunidade do Jardim Colombo, foi considerado de fundamental importância o envolvimento das organiza- ções locais. Por isso, o primei- ro passo do Projeto Viver foi o estabelecimento de parceria com a União dos Moradores da Favela do Jardim Colom- bo, quando foram definidas atribuições e responsabilida- des com relação às atividades promovidas, além de princí- pios e valores que nortearão as ações de ambas as partes. Estabelecida a parceria, com o objetivo de recolocar em fun- cionamento a Creche Primave- ra, a associação e a União dos Moradores da Favela do Jardim Colombo buscaram apoio do poder público, formalizando um convênio com a Secretaria de Assistência Social.

Para as demais ações promovi- das na comunidade do Jardim Colombo, a associação sempre procura envolver entidades, equipamentos públicos e or- ganizações comunitárias locais que, além de se interessarem pelo desenvolvimento local, têm facilidade de acesso e de atuação na comunidade.

Grupo Votorantim

RESULTADOS / BENEFÍCIOS GERADOS

A associação considera que,

ao auxiliar a União dos Mora- dores da Favela do Jardim Co- lombo na criação de uma rede de parcerias com organizações

locais para ampliar e otimizar a ação da União dos Moradores a favor da própria comunidade, está contribuindo para o de- senvolvimento da autonomia e sustentabilidade da entidade.

As ações resultaram no desenvol-

vimento da comunidade, o que pode ser constatado pela cres- cente participação da União dos Moradores da Favela do Jardim Colombo no processo de gestão das creches, assumindo o seu papel como responsável pela manutenção e conservação do convênio firmado com o poder público; pelo reconhecimento, por parte da direção da União dos Moradores da Favela do Jar- dim Colombo, da importância do cumprimento das obrigações tra-

balhistas e legais; pela austerida-

de na gestão dos recursos finan-

ceiros repassados pela Secretaria de Assistência Social, permitin- do o funcionamento adequado de duas creches; pelo crescente respeito aos horários e regras de

Pós-Graduação | Unicesumar

37

relato de caso
relato de caso
relato de
caso
relato de caso

funcionamento estabelecidos para os eventos promovidos pe- los Voluntários do Projeto Viver; pelas demonstrações de agrade- cimento e reconhecimento por oportunidades oferecidas pelo Projeto Viver; pelo apoio e par- ticipação voluntária da comuni- dade na realização dos eventos promovidos pelos Voluntários do Projeto Viver; pelo crescente in- teresse no retorno aos estudos e busca de qualificação profissional pelos beneficiários pelo projeto; pelo reconhecimento da parceria estabelecida entre a União dos Moradores da Favela do Jardim Colombo e a Associação Viver em Família para um Futuro Melhor; pela comunicação frequente en- tre a diretoria da União dos Mora- dores da Favela do Jardim Colom- bo e a equipe responsável pelo Projeto Viver, visando esclarecer dúvidas, solicitar orientações e fundamentar decisões da própria diretoria da União.

MOTIVAÇÕES

Estabelecer redes de parce- rias potencializa a ação iso-

lada de cada entidade ou organização comunitária e promove o desenvolvimento de todas as partes envolvidas. Na implantação do Projeto Vi- ver a associação buscou esta- belecer parcerias com organi- zações locais, contribuindo para o desenvolvimento da própria comunidade e garantindo a sustentabilidade das melhorias alcançadas.

APRENDIZAGENS

Ao fomentar redes de parcerias entre entidades e organizações locais deve-se estabelecer uma relação de respeito às caracte- rísticas de cada uma das partes envolvidas, além de incentivar a troca de experiências, conside- rando a realidade de cada enti- dade e o conhecimento de sua clientela. Por vezes, uma solu- ção adequada para uma escola pública não se aplica integral- mente a uma organização so- cial. É necessário considerar es- pecificidades de cada uma das partes e buscar a adequação à realidade para que os resultados

sejam alcançados. Respeitar as

diferenças e a realidade de cada entidade é indispensável para

a construção de uma verdadei-

ra parceria entre organizações locais.

RECOMENDAÇÕES PARA A REPLICAÇÃO DA PRÁTICA

Para o estabelecimento de par- cerias com organizações locais

é fundamental o respeito às es-

pecificidades, valores e princí- pios de cada uma das partes envolvidas, de forma que a par- ceria seja positiva para todos os participantes. Muitas vezes,

a visão empresarial para análi-

se de problemas e tomada de decisões é diferente da visão de uma união de moradores: a so- lução ideal para o voluntário de programas corporativos nem sempre é a melhor alternativa para um morador de uma co- munidade carente. Por isso, é importante o diálogo e o exer- cício de empatia, procurando uma alternativa que atenda aos interesses e necessidades de ambas as partes.

Retirado de Instituto Ethos – Práticas de Responsabilidade Social nas Empresas Fonte: http://www.uniethos.org.br/docs/conceitos_praticas/banco_praticas/popup.

asp?cod_pratica=268&area=praticas&cor=000099

2
2

SUSTENTABILIDADE - DIMENSÃO AMBIENTAL

Professora Me. Bianca Burdini Mazzei / Professora Me. Mirian Aparecida Micarelli Struett

Objetivos de Aprendizagem

• Compreender a contextualização e evolução histó- rica sobre os problemas ecológicos e a busca pela consciência ambiental.

• Conhecer e entender a legislação voltada à dimensão ambiental, os acordos e as políticas públicas neces- sárias para mitigar esses problemas.

• Conhecer as principais ferramentas e modelos de gestão ambiental utilizadas para minimizar os efeitos da degradação ambiental.

• Compreender a atuação do Marketing e consumo na atualidade, as novas formas de produção/case eco- nomia solidária e reciclagem.

Plano de estudo

A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:

• Meio Ambiente e Gestão Ambiental

• Políticas Públicas Ambientais

• Gestão ambiental organizacional

• Novas possibilidades e oportunidades ambientais

Esta dimensão ambiental foi uma das primeiras a serem discutidas no mundo, apesar de ser

Esta dimensão ambiental foi uma das primeiras a serem discutidas no mundo, apesar de ser a nossa segunda unidade neste livro. Ela é muito importante e esperamos que você possa compreender, por meio da sua evolução histórica, os problemas ecológicos dos primei- ros manifestos sobre a degradação da natureza e da biodiversidade percebidos e sentidos pela sociedade, compreender como ocorrer- ram os movimentos em busca da conservação, preservação e da consciência ambiental que culminaram em formas legais, acordos e políticas públicas necessárias para mitigar esses problemas, bem como estratégias, modelos e ferramentas para uma atuação mais responsável por parte dos atores da sociedade mundial. A legislação, os acordos e as políticas públicas são fundamen- tais, mas outras ferramentas de gestão ambiental são necessárias para o alcance do desenvolvimento sustentável e a busca da sus- tentabilidade empresarial. Por isso, é preciso conhecer as principais ferramentas e modelos de gestão ambiental utilizadas para mini- mizar os efeitos da degradação ambiental. Para tanto, as empresas buscam, por meio de certificações e selos ambientais, para demons- trar que estão atuando a favor da natureza, promover qualidade de vida para a sociedade. Não obstante, outras ferramentas e novas possibilidades podem se apresentar na construção deste caminho para que ele se torne sustentável. Dentre as ferramentas, estão o Marketing e as novas formas de consumo na atualidade, bem como as novas formas de produção, por exemplo, a economia solidária.

e as novas formas de consumo na atualidade, bem como as novas formas de produção, por
e as novas formas de consumo na atualidade, bem como as novas formas de produção, por

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

40

meio ambiente e

gestão ambiental

De modo geral, a preocupação com a conservação e a preservação da quali- dade socioambiental é relevante e está presente nos debates mundiais e regio- nais, resultado da evolução histórica de problemas gerados ao longo dos anos, particularmente pela operação dos processos industriais gue geraram e geram degradação do ambiente. Uma série de condicionantes histó- ricos induziu o ser humano a repensar seu modelo de desenvolvimento, principalmente no que tange ao seu crescimento econômico, o qual vinha re- legando em segundo plano as questões socioambientais. Surge a alternativa do desenvolvimento sustentável, cujo con- ceito foi amadurecendo durante longos anos e a partir de diversas visões, tendo como pano de fundo várias convenções mundiais, até chegarmos ao termo sus- tentabilidade, o que exige cada vez mais uma melhor gestão ambiental.

Pós-Graduação | Unicesumar

41

contexto histórico do

desenvolvimento

sustentável

Foi a partir da década de 60 que houve uma

mudança significativa em relação à emissão de poluentes. Alguns recursos passaram a ser mais valorizados, principalmente com

a preocupação em relação ao aumento da

população e o seu consumo. Foi visualizado, nesse contexto, o esgotamento de recur- sos, como petróleo, madeira, água, dentre outros recursos importantes, e a ocorrência de alguns grandes acidentes que alertariam a humanidade para a magnitude das agressões

à natureza e suas repercussões sobre a vida. Diversos eventos, principalmente os que causaram impactos ambientais, induziram a perceber esses problemas e a buscar solu- ções, levam a analisar criticamente o atual modelo de crescimento econômico de modo a melhor orientá-lo para a sustentabilidade. O contexto histórico a seguir retrata essa busca.

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

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quadro resumo das mudanças ocorridas a partir da década de 60 até década de 90

60

70

Descoberta (Rachel Carson) – Livro a Primavera Silenciosa, expondo os perigos do DDT (Dicloro Difenil Ticloetano). Disfunção na formação dos ovos pela fêmea (problemas no metabolismo de fixação de cálcio), os quais eram esmagados ao serem chocados. Esse exemplo deixa claro como o homem apresentava um nível de conhecimento muito baixo em relação às dinâmicas ambientais de produtos químicos, como inseticidas e herbicidas no ambiente e seu desenvolvimento.ocorridas a partir da década de 60 até década de 90 60 70 Criado o Clube

Criado o Clube de Roma, liderado pelo industrial italiano Pecceie, pelo cientista escocês Alexander King e formado por 36 cientistas e economistas. Estudos sobre os impactos globais das interações dinâmicas entre a produção industrial, a população, o dano ao meio ambiente, o consumo de alimentos e o uso de recursos naturais (TINOCO; KRAEMER, 2004).inseticidas e herbicidas no ambiente e seu desenvolvimento. 1962 1968 Ocorre a primeira manifestação mundial -

1962

1968

Ocorre a primeira manifestação mundial - Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano – Suécia – Estocolmo. Os países desenvolvidos defendiam um programa internacional voltado para a conservação dos recursos enquanto os países em desenvolvimento argumentavam que se encontravam assolados pela miséria, graves problemas de moradia, saneamento básico entre outras necessidades. Foram discutidos também os poten- ciais efeitos nocivos das mudanças climáticas globais e agendadas futuras reuniões internacionais – gerou um plano de ação mundial e foi criado o PNUMA (Programa das Nações Unidas sobre o meio ambiente) e nos EUA passou a se exigir o EIA (Estudos dos Impactos Ambientais) como pré-requisito para instalação de objetos poluidores (Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável - FBDS).uso de recursos naturais (TINOCO; KRAEMER, 2004). 1962 1968 1972 Demonstraram projeções do crescimento populacional,

1972Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável - FBDS). Demonstraram projeções do crescimento populacional, nível

Demonstraram projeções do crescimento populacional, nível de poluição e esgotamento dos recursos naturais

da terra. O relatório previa tendências que conduziriam a uma escassez catastrófica dos recursos naturais e

1972

O Clube de Roma publicou um livro denominado“Limits to grow”elaborado por Dennis Meadows.

 

a

níveis perigosos de contaminação em um prazo de 100 anos (MOURA; 2002).

primeira estratégia Mundial para a Conservação (IUCN), com a colaboração do PNUMA e doWorldWildlife1980 A

1980

A

Fund (WWF). Marcada por grande número de Leis (regulamentações). EIA-RIMA – estudos de impacto ambiental e da necessidade de relatórios de impactos ao meio ambiente, e, na construção de um plano de longo prazo para a conservação dos recursos biológicos do planeta (MOURA , 2002). Neste documento, pela primeira vez aparece o conceito de Desenvolvimento Sustentável (DIAS, 2006).

80

É formada pela ONU e a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) presidida

por Gro Harlem Brundtland. Iniciativas com o objetivo de examinar as relações entre o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, buscando apresentar propostas viáveis para a solução dos problemas (TINOCO; KRAEMER, 2004).

No Canadá surge o programa para atuação responsável (responsible c a r e p r o g r a m ) , considerado responsible care program), considerado o primeiro modelo de gestão ambiental formal. Esse programa surgiu pela iniciativa da Chemical Manufactures Association (CMA). Programa voluntário e

que tinha como requisitos seis códigos para aqueles que participam do CMA: conscientização da comunidade

1983que participam do CMA: conscientização da comunidade 1984 e programa de emergência; prevenção da

1984

e

programa de emergência; prevenção da poluição; segurança de processos; distribuição de produtos; saúde

e

segurança ocupacional; responsabilidade por produtos (TINOCO; KRAEMER, 2004).

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1987Pós-Graduação | Unicesumar 43 Esse relatório apontava para a desigualdade existente entre os países e para

Esse relatório apontava para a desigualdade existente entre os países e para a pobreza como uma das principais causas dos problemas ambientais, contribuindo assim para disseminar o conceito de“Desenvolvimento Sustentável”, onde se introduz a ideia de que o desenvolvimento econômico de hoje deve se realizar sem comprometer as necessidades das futuras gerações. Chamado de Brundtland em homenagem à coordenadora da comissão (FERNANDES, 2005).

1986em homenagem à coordenadora da comissão (FERNANDES, 2005). Estabeleceram-se restrições amplas à produção e uso de

Estabeleceram-se restrições amplas à produção e uso de CFCs, por exemplo. Posteriormente, em virtude de graves impactos causados pelas movimentações de resíduos perigosos entre países, principalmente os subdesenvolvidos. Trata sobre substâncias que reduzem a camada de Ozônio (FERNANDES, 2005).

Conferência em Basileia (Suiça). 105 países e a Comunidade Europeia assinaram a Convenção de Basiléia, para o controle dos Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e sua disposição (FERNANDES, 2005). Esta década evidenciou os problemas relacionados ao clima e à sobrevivência dos ecossistemas. Houveque reduzem a camada de Ozônio (FERNANDES, 2005). grande impulso em relação à consciência ambiental e

grande impulso em relação à consciência ambiental e a expressão qualidade ambiental passou a fazer parte do cotidiano das pessoas. A partir desta década, muitas empresas passaram a se preocupar com a raciona- lização do uso de energia e de matérias-primas, além de darem maior empenho e estímulos à reciclagem

É publicado o“Relatório de Brundtland”com a intitulação“nosso futuro comum”(Our common future).

É assinado em 24 países e pela Comunidade Europeia o protocolo de Montreal.

1988

e reutilização, evitando os desperdícios (DIAS, 2003).

Genebra - Conferência Mundial sobre Clima. Promovida pela Organização Mundial de Meteorologia, em que se discutiu a questão dos desequilíbrios climáticos globais (DIAS, 2003).e reutilização, evitando os desperdícios (DIAS, 2003). Norma Internacional de Proteção Ambiental – ISO 14001.

Norma Internacional de Proteção Ambiental – ISO 14001. Proposta como referência organizacional em 1992 durante a ECO. A Organização Internacional (International Organization Standartization) tem como objetivo promover a abordagem comum à gestão ambiental semelhante à gestão de qualidade em organizações, porém com o enfoque ambiental (DIAS, 2006).dos desequilíbrios climáticos globais (DIAS, 2003). 1991 Baseando-se no informe de Brundtland, preconizando um

1991organizações, porém com o enfoque ambiental (DIAS, 2006). Baseando-se no informe de Brundtland, preconizando um

Baseando-se no informe de Brundtland, preconizando um reforço dos níveis políticos e sociais na construção de uma sociedade mais sustentável (DIAS, 2006).

1992de uma sociedade mais sustentável (DIAS, 2006). A Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente

A Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), denominada“cúpula

da terra”, Eco 92 ou Rio 92, realizou-se no Rio de Janeiro. Realizou-se no Rio de Janeiro em 1992, reunindo 103 chefes de Estado de um total de 182 países, aprovando

1990

1991

II Estratégia Mundial para a Conservação (IUCN, PNUMA e WWF).

cinco acordos oficiais Internacionais: Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; Agenda 21

90

e os meios de implementação; Convenção – quadro sobre mudanças climáticas; Convenção sobre Diversidade Biológica; Declaração de Florestas (ASSUNÇÃO apud PEDRINI).

Berlim – Conferência das Partes (Convenção sobre mudanças climáticas).Declaração de Florestas (ASSUNÇÃO apud PEDRINI). A adesão voluntária fracassa e é emitido um Mandato de

A adesão voluntária fracassa e é emitido um Mandato de Berlim, convocando as nações industrializadas para estabelecerem objetivos específicos para a redução de suas emissões (DIAS, 2003).

Acordo entre União Europeia, G8 em Denver-Colorado. Representantes da União Europeia (UE) e ambientalistas declaram-se decepcionados com a decisão dos Estados Unidos da América (EUA) de não oferecer objetivos numéricos para a redução de emissões de poluentes. Em outubro de 1997, o Presidente do EUA, Bill Clinton, anuncia a posição de seu país para a Conferência de Kyoto: estabilizar as emissões dos níveis de 1990 até o ano de 2012.para a redução de suas emissões (DIAS, 2003). O Protocolo de Kyoto foi assinado na 6ª

O Protocolo de Kyoto foi assinado na 6ª Conferência das partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças

Climáticas (COP6), realizada no Japão em 1997, reunindo 166 países para discutir aquecimento global. O Protocolo funciona como uma espécie de adendo à Convenção do Clima, com meta para 38 países industrializados, para a reduzirem suas emissões em 5,2% no período de 2008 até 2012, em relação aos níveis de 1990 (DIAS, 2003).

1995

1997

Fonte: adaptado de SEIFFERT (2009.)

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

44

   
     
     
 
Trinta anos se passaram e próximo ao

Trinta anos se passaram e próximo ao

século XXI parece que o caminho para

o Desenvolvimento Sustentável, enfim,

é trilhado.

 

Em 2000, a Assembleia Geral das Nações Unidas resolveu que a cúpula do Desenvolvimento Sustentável (CDS) serviria de Órgão Central da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (CMDS), conhecida como Rio + 10, que ocorreria em Johannesburgo, África do Sul (2002), com o objetivo de avaliar a situação do meio ambiente global em função de medidas adotadas pela CNUMAD. Desse evento, resultaram dois documen- tos: a Declaração política, com o título “O compromisso de Johanesburgo por um Desenvolvimento Sustentável”, estruturada em seis grandes temas, e o plano de imple- mentação (DIAS, 2006 apud SEIFFERT, 2009).

1. Desde as nossas origens até o futuro.

2. Desde os princípios do Rio até o com- promisso de Johanesburgo por um Desenvolvimento Sustentável.

3. Os grandes problemas que devemos resolver.

4. O compromisso de Johanesburgo por um Desenvolvimento Sustentável.

5. O multilateralismo é o futuro.

6. Como lográ-lo.

Entrou em vigor, em 2003, o Protocolo de Cartagema, de biossegurança. Ele trata dos

movimentos dos transgênicos entre os países, assegurando que a manipulação dos orga- nismos vivos pela biotecnologia não cause efeitos danosos à diversidade ambiental e à saúde do ser humano. Entendendo que o comércio é necessário para o desenvolvimen- to dos países e que os organismos nocivos poderiam ser levados de um país a outro, esse protocolo propõe uma série de regras que entrou em vigor no Brasil em 2004. Essa conferência discutiu, também, pobreza, rele- vância global, que resultou na promessa dos países em aumentar percentualmente ajuda a outros países mais pobres. De acordo com Seiffert (2009), em 2005, Vladimir Putin, presidente da Rússia, ratifi- cou o Protocolo de Kyoto por 180 países. Os signatários do Protocolo de Kyoto estarão sujeitos às punições, se não cumprirem com suas metas de corte de emissão de poluentes. Para entrar em vigor, precisaria da ratificação de um número de 55% do total de emissões no mundo. Os países como Canadá e Rússia permitiam sua implantação. Os países que ratificaram representaram 37,4% das emis- sões, apesar disso, os EUA, que respondiam por 25% do total de emissão mundial e sendo considerado o maior poluidor do planeta (36,7%), colocaram em dúvida sua eficácia de implantação. A partir desse momento, criou-se o con- texto necessário para a comercialização de créditos de carbono entre os diversos países, como apontaram Stadler e Maioli (2011) e, em virtude desses eventos, foi moldada uma percepção mais crítica em relação ao modelo

Pós-Graduação | Unicesumar

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Pós-Graduação | Unicesumar 45 os signatários do Protocolo de Kyoto estarão sujeitos às punições se não

os signatários do Protocolo de Kyoto estarão sujeitos às punições se não cumprirem com suas metas de corte de emissão de poluentes

de crescimento econômico. De acordo com Seiffert (2009), disseminados para membros da sociedade, seus princípios gerais são: cres- cimento econômico ilimitado é uma quimera sob a ótica socioambiental; necessidade da implantação de comando e autocontrole, no processo de gestão ambiental; impor- tância do controle de natalidade por meio

 
   
   
 
Calcule a sua pegada de carbono. En- tenda, diminua ou neutralize a sua

Calcule a sua pegada de carbono. En- tenda, diminua ou neutralize a sua

pegada pessoal, organizacional ou corporativa. A Sustanaible Carbon ajuda você a entender qual é o seu impacto no ambiente. Assista ao Vídeo expli- cativo, disponível em: <http://www. sustainablecarbon.com/Quem-Somos/

Noticias/calcule-a-sua-pegada-de-car-

bono/>

Calculadora. Disponível em: < http://

www.sustainablecarbon.com/calcula-

tor/?lang=br>

 

do planejamento familiar das populações da educação ambiental para o alcance da sustentabilidade. Em 2007, de acordo com Seiffert (2009),

se desenrolou o Painel Intergovernamental

de Mudanças Climáticas (Intergovernmental

Panel of Climatic Changes – IPCC) em Paris,

com a participação de 500 especialistas.

Dessa forma, 46 países pediram a criação de uma agência ambiental nas Nações Unidas mais atuantes e com poderes mais abrangentes que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA.

A proposta foi feita no encerramento da

conferência “Cidadãos da Terra”, da qual discordavam EUA, assim como a China e a

Índia. Dentre as informações contidas no relatório divulgado pelo IPCC, confirma- vam-se várias previsões alarmantes sobre

as consequências do aquecimento global,

do ecossistema e da qualidade de vida do homem.

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

46

resumo das conferências do

clima no mundo

COP 1 – Berlim, 1995 Definidos os compromissos legais de redução de emissões, que fariam parte do protocolo de Kioto, no mesmo ano é divulgado o segundo relatório do IPCC (SOUZA; MARTINS, 2010).

COP 2 – Genebra, 1996 Fica definido que os relatórios do IPCC nortea- rão decisões futuras (SOUZA; MARTINS, 2010).

COP 3 – Kyoto, 1997 Passa para a história, como a convenção em que a comunidade internacional firmou um amplo acordo de caráter ambiental, apesar das divergências entre EUA e UE. O instru- mento sugere a redução dos GEEs nos países signatários, grandes poluidores, sendo 5,2% em média, de acordo com parâmetros de 1990. Teria de ser ratificado entre países de desenvolvimento, cuja soma de CO2 repre- sentava 55% do total. São criados o MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo a partir da proposta brasileira - certificados de carbono (SOUZA; MARTINS, 2010).

COP 4 – Buenos Aires, 1998 Iniciam-se as discussões sobre um cronogra- ma para implementar o Protocolo de Kyoto (SOUZA; MARTINS, 2010).

COP 5 – Alemanha, 1999 As discussões sobre a implementação con- tinuam (SOUZA; MARTINS, 2010).

COP 6 – HAIA, 2000 Aumenta a tensão entre EUA e UE, levando a impasses as negociações. George Bush não ratifica o protocolo, sendo um entrave para as negociações. Com a saída, o protocolo correria grande risco de perder seu efeito (SOUZA; MARTINS, 2010).

COP 7 – Bonn, Alemanha, 2001 O IPCC convoca uma COP extraordinária para divulgar o terceiro relatório, em que fica cada vez mais evidente a interferência do homem nas mudanças climáticas. A tensão entre os países industrializados diminui na COP7 em Marrakesh (SOUZA; MARTINS, 2010).

COP 8 – Nova Déli, 2002 Pede ações mais objetivas para a redução de emissões, de forma que os países entrem em ação sobre as regras do MDL. A questão do desenvolvimento sustentável entra em foco (SOUZA; MARTINS, 2010).

COP 9 – Milão, 2003 Aprofundam-se as diferenças entre os países industrializados e o resto do mundo, ficando clara a falta de lideranças comprometidas ao acordo, entra em pauta o assunto florestas (SOUZA; MARTINS, 2010).

COP 10 – Buenos Aires, 2004 Iniciam-se discussões informais sobre novos compromissos a longo prazo, a partir de 2012,

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47

quando vence o primeiro protocolo de Kyoto (SOUZA; MARTINS, 2010).

concordem em diminuir suas emissões (SOUZA; MARTINS, 2010).

COP 11 – Montreal, 2005

COP 14 – Poznan, 2008

Fica clara a necessidade de um amplo acordo internacional, ajustado à nova realidade mundial. Brasil, China e Índia tornaram-se emissores importantes. É proposta ao Brasil

Continuam as costuras para um acordo amplo em Copenhagen sem muitos avanços. O Brasil lança o PNMC – Plano Nacional sobre Mudança do Clima, incluindo metas para a redução do

a

negociação em dois trilhos: o pós Kyoto

desmatamento. Apresenta ainda o fundo da

e

outra paralela entre grandes emissores, o

Amazônia, iniciativa para captar recursos para

que inclui os EUA (SOUZA; MARTINS, 2010).

projetos de combate ao desmatamento e de

COP 12 – Nairobi, 2006

promoção e conservação e uso sustentável da região (SOUZA; MARTINS, 2010).

A vulnerabilidade dos países mais pobres fica

evidente. Repercute o relatório Stern, lançado na Inglaterra no mesmo ano, considerado o estudo econômico mais complexo e abran- gente sobre os prejuízos do aquecimento global. O Brasil apresenta a proposta de um mecanismo de incentivos financeiro para ma- nutenção de florestas, o REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) (SOUZA; MARTINS, 2010).

COP 13 – Bali, 2007 Foi criado o mapa do caminho, com cinco pilares de discussão para facilitar a assinatura de um compromisso internacional em Copenhagen: visão compartilhada, mitigação, adaptação, transferência de tecnologia e suporte financeiro. Ficou acertado que seria criado um fundo de recursos para os países em desenvolvimento e as Namas (Ações de Mitigação Nacionalmente Adequadas), modelo ideal para os países em desenvol- vimento, que mesmo sem obrigação legal,

COP 15 – Copenhagen, 2009 Essa foi a maior reunião diplomática que re- sultou em frustrações. Teve como objetivo a difícil missão de líderes de 190 países entra- rem em um consenso sobre o novo acordo climático, para complementar o protocolo de Kyoto, depois de 2012. O desafio incluiu a conciliação de interesses entre países em desenvolvimento, para chegar à redução de níveis dos GEEs, que evitem o colapso do planeta. Apesar das frustrações, o mundo toma conhecimento do problema, sendo os maiores poluidores EUA e China, que agora concordam em participar do acordo e esta- belecerem metas. O Brasil é considerado um dos líderes mundiais, no que tange ao aque- cimento global (SOUZA; MARTINS, 2010).

COP 16 – Ban Ki-moon, 2010 Negociadores do clima da ONU apresenta- ram um texto-base que sinaliza concessões de países ricos e pobres a respeito da emissão de

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

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GEEs. A China fica insatisfeita com as discus- sões sobre formas de mensurar os GEEs, por receio de que o método interfira em assuntos nacionais. Nada se define sobre o protoco- lo de Kyoto. O Brasil e Reino Unido ficam responsáveis por discutir formas de solucio- nar os impasses das nações em definir pelo menos a aprovação de um pacote modesto de medidas. Houve desistência de pesquisadores para o próximo relatório do IPCC. O Fundo de US$ 100 bilhões não saiu do papel. <http://

www.ecodesenvolvimento.org/cop16>

COP 17 – Durban, África do Sul, 2011 Houve um novo acordo global para reduzir a poluição, junto a 200 países signatários. Considerado o maior avanço na política cli- mática, desde a criação do protocolo de Kyoto, a partir do documento“plataforma de Durban para ação aumentada”, apontou-se uma série de medidas a serem implementadas. O que mudou é o único acordo legalmente vinculan- te (obrigatório) para reduzir as emissões que se iniciava em 2013 e tem prazo para terminar em 2017 ou 2020. O Tratado não compreende os EUA, um dos principais poluidores, e não obriga ações imediatas de países em desen-

volvimento, como China, Índia e Brasil. <http://

g1.globo.com/natureza/noticia/2011/12/

entenda-o-que-foi-aprovado-na-conferen-

cia-do-clima-de-durban.html>

COP 18 – Qatar, 2012 Aprova a extensão do protocolo de Kyoto entre os 193 países que integram a con- venção do quadro das nações unidas sobre

mudanças climáticas (UNFCCC). A discus- são define que os países ricos irão financiar países em desenvolvimento na luta contra as mudanças climáticas, sem avanço, já que os governos dizem não ter dinheiro, devido à crise financeira. Engajados na criação de um novo tratado para substituir o protocolo de Kyoto, a partir de 2020, o Acordo foi formu- lado até 2015. Ficou estabelecida a criação de um segundo período do Protocolo de Kyoto, que passará a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2013, com previsão de término para 2020. Foi solicitado aos países que tentassem reduzir suas emissões entre 25% e 40%. Houve a reafir- mação da promessa dos US$ 100 bilhões anuais até 2020, mas não houve a indicação clara de que o dinheiro vai aumentar paulatinamente

até 2020. Ficou estabelecido criar seguros inter- nacionais para atender prejuízos sofridos por países pobres atingidos pelas mudanças climá- ticas a ser negociado no próximo encontro de negociações. < http://g1.globo.com/natureza/

noticia/2012/12/entenda-o-que-foi-aprovado-

-na-conferencia-do-clima-de-doha.html>

COP 19 – Varsóvia, 2013 Foi solicitado aos governos que prepa- rem contribuições que serão integradas ao novo acordo global, para cortar GEEs em vez de compromissos. O novo protocolo de Kyoto deverá ser aprovado em Paris, em

2015, no COP 21. Aprovou a criação do me- canismo chamado “loss and damage”(danos

e perdas). Aprovaram, sob consenso, des-

bloquear o debate sobre o financiamento

a longo prazo para as medidas climáticas,

©climatedevlab.org

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com o propósito, desde COP 15, de criar um fundo de 100 bilhões anuais e, após 2020, destinar aos países pobres. De acordo com WWF, as decisões não são suficientes para cumprir metas ou frear a elevação da temperatura global a 2 graus C até 2100. Houve saída voluntária em massa de ONGs que participavam do evento, além da de- missão do Ministro do Meio ambiente da Polônia Marcin Norolec. Voltam-se as dis- cussões sobre o financiamento de projetos voltados à proteção de florestas em países

em desenvolvimento (REED+) <http://

g1.globo.com/natureza/noticia/2013/11/

paises-reunidos-na-cop-19-aprovam-acor-

do-para-frear-mudanca-do-clima.html>

 
   
   
 
A COP 20 no Peru talvez seja, mais uma vez, marcada como uma conferência de

A COP 20 no Peru talvez seja, mais uma vez, marcada como uma conferência de Transição, ou seja, somente uma preparação para o COP 21 em 2015.

seja, mais uma vez, marcada como uma conferência de Transição, ou seja, somente uma preparação para
seja, mais uma vez, marcada como uma conferência de Transição, ou seja, somente uma preparação para
seja, mais uma vez, marcada como uma conferência de Transição, ou seja, somente uma preparação para
seja, mais uma vez, marcada como uma conferência de Transição, ou seja, somente uma preparação para
seja, mais uma vez, marcada como uma conferência de Transição, ou seja, somente uma preparação para
seja, mais uma vez, marcada como uma conferência de Transição, ou seja, somente uma preparação para
seja, mais uma vez, marcada como uma conferência de Transição, ou seja, somente uma preparação para

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

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Stadler e Maioli (2011) citam os principais pro- blemas ambientais enfrentados atualmente:

• Mudança Climática, nome dado pelo WWF para Aquecimento Global decorrente do aumento exagerado dos GEEs – Gás do Efeito Estufa, con- tribuindo para o desaparecimento de geleiras, que ocasionam o aumento dos oceanos, aumento de temperatu-

ra do planeta, irregularidade de chuvas

e secas, gerando diversos problemas.

Segundo IPCC, é possível revertermos

o processo de aquecimento global se

diminuir de 50% a 85% das emissões de CO2 até 2050.

• Crescimento desordenado da população é tratado como um pro-

blema ambiental, pois se prevê que

o aumento de 9 bilhões de habitan-

tes em 2050 não tenha como se auto sustentar de forma equânime, dado à concentração de pessoas em países subdesenvolvidos. O crescimento de- mográfico está relacionado a fatores positivos, como diminuição da na- talidade, por exemplo. Entretanto, essa população está inserida, geral- mente, em problemas relacionados à desnutrição, analfabetismo, doenças, pobreza, dentre outros.

• Novas doenças, que causam epide- mias, como a doença dos legionários, SARS, AIDS, dengue, febre amarela, doença de chagas, são indicações dos desequilíbrios entre seres humanos e natureza e que de acordo com a fácil mobilidade, pode se configurar em pandemias.

• Superexploração dos recursos traz desequilíbrios, pois consumimos cerca de 30% mais do que a capacidade de produção. Desde 2008, apresenta-se uma exploração dos recursos marinhos, hídricos, florestais, e, é preciso lembrar que esses recursos não são finitos.

• A extinção das espécies, antes causada por desastres naturais ou cósmicos, agora ocorre pela interfe- rência humana, levando à extinção, e muitas dessas espécies são estudadas pela ciência. Por exemplo, a Ariranha Azul foi estimada em 60 exemplares espalhados pelo mundo, considerada extinta da natureza, desde 2002 pelo IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente. O pau Brasil, xaxim e pi- nheiro do Paraná são outros exemplos. Atualmente, há preocupação com a recuperação, através de plantio de novas mudas.

• A falta de água é problema mundial, e, segundo a ONG Tearfund, a cada três pessoas, duas poderão ficar sem água até 2025. Com a falta de água, inclusive na agricultura, faltarão ali- mentos, ocasionando aumento nos custos. Concomitantemente a isso, o aumento da população, acresce ainda mais aos problemas desta escassez.

• A desigualdade e a pobreza, frutos de uma sociedade desigual em que há um profundo desequilíbrio na dis- tribuição de riquezas, inclusive as naturais, bem como a inferência po- lítica de outras nações nos destinos dos países que contribuem ou não para o seu desenvolvimento. Dessa forma, a inclusão dessas pessoas passa por uma formulação de polí- ticas adequadas, acesso ao crédito, oportunidades de crescimento entre outros fatores.

• Outros problemas, já conhecidos por todos, estão contribuindo para a destruição do planeta: escassez de alimentos, desertificação, saliniza- ção do solo, destruição de florestas, aumento de poluição, introdução de novas espécies, concentração de pro- dutos químicos no solo, erosão, falta

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de energia, despejo de esgoto em oceanos, entre outros, sentidos prin- cipalmente por esta geração.

Conforme compreendemos, os assuntos abordados, em sua maioria, estão atrelados ao meio ambiente e à qualidade de vida das pessoas, e também à diversidade so- cioeconômica e cultural entre países. Face à distribuição desigual entre os recursos oriundos de toda a riqueza produzida e aos problemas ambientais pelos quais os seres vivos passam no planeta, são necessárias in- tervenções governamentais, programas e políticas públicas que visem a apoiar essa transição para a redução de desigualdades e o desenvolvimento sustentável dos países. Além disso, para as organizações, as estraté- gias empresariais e as formas de ação mais solidárias são comumente citadas na literatu- ra como alternativas para o desenvolvimento sustentável.

 
   
   
 
Mais de cinquenta anos se passaram desde o início das discussões sobre o meio ambiente.

Mais de cinquenta anos se passaram desde o início das discussões sobre o meio ambiente.

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

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políticas públicas

ambientais

E m relação à dimensão ambiental da sustentabilidade, o Estado aparece como um importante ator, que atua

principalmente criando e implementando políticas públicas que delimitam e regula- mentam a ação das empresas, de maneira a preservar o ambiente natural. Para Barbieri (2007, p.71) “a gestão ambiental pública é a ação do poder público conduzida segundo uma política pública ambiental”, que por sua

vez, refere-se ao “conjunto de objetivos, di- retrizes e instrumentos de ação que o poder público dispõe para produzir efeitos desejá- veis sobre o meio ambiente”. Muitos são os questionamentos sobre o papel do Estado nesse processo, e apesar dos questionamentos sobre as políticas de regu- lamentação a serem utilizadas, os principais estudos têm mostrado a importância dessa regulamentação pública. Barbieri (2007)

aponta várias razões para essa intervenção pública:

• Atua como pressão para o desenvolvimento de inovações tecnológicas ambientalmente superiores.

• Melhora a qualidade ambiental do processo produtivo quando não há viabilidade de investimentos em inovações tecnológicas.

• Educa e alerta as empresas e a sociedade sobre as ineficiências e os potenciais.

• Cria consciência e demanda pelo aprimoramento ambiental.

• Contribui para o nivelamento do jogo, durante o período de transição, até que a consciência ambiental não tenha sido instaurada.

Podemos dizer que a grande maioria das políticas públicas ligadas à preservação ambiental está dividida em duas grandes preocupações: cuidados com a extração dos recursos naturais de maneira a não esgotá- -los e cuidados com a geração de resíduos e poluição. Segundo Barbieri (2007), essas políticas são classificadas como explícitas ou implícitas. As explícitas se referem àquelas políticas públicas criadas com um fim am- biental, como uma política específica sobre a preservação dos rios ou do solo, entre outras. Enquanto as políticas implícitas são aquelas voltadas para outros fins, mas que acabam por trazer benefícios ambientais, por

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exemplo, uma política pública de mobilida- de urbana que incentive o uso do transporte coletivo, assim acaba por reduzir os resídu- os químicos do ar, originados da queima de combustíveis, por meio da redução da cir- culação de veículos. Inicialmente, as políticas públicas não se preocupavam com os aspectos ambientais que apareciam apenas de maneira implícita. Assim, seus resultados somente aconteciam de maneira indireta. As poucas iniciativas governamentais eram pontuais, fragmen- tadas e quase exclusivamente com caráter corretivo. Somente a partir da década de 1970, é que os países começaram a desen- volver políticas ambientais específicas, com caráter integrado e sob uma abordagem preventiva (BARBIERI, 2007). Três são as principais formas de categori- zação da atuação do Estado no que se refere às políticas públicas ambientais: instrumen- tos de comando e controle, instrumentos econômicos e outros instrumentos. Os instrumentos de comando e controle “objetivam alcançar ações que degradam o meio ambiente, limitando ou condicionando o uso de bens, a realização de atividades e o exercício de liberdades individuais em bene- fício da sociedade como um todo”(BARBIERI, 2007, p. 72). Para o autor, esses padrões podem ser categorizados em quatro tipos:

• Padrões de qualidade ambiental: se referem à determinação de níveis máximos de poluentes admitidos para cada segmento (água, ar e solo).

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

54

Responsabilidade Social e Sustentabilidade 54 somente a educação ambiental e o desenvolvimento científico e

somente a educação ambiental e o

desenvolvimento científico e tecnológico poderão apresentar melhorias para as práticas ambientais

• Padrões de emissão: estabelecem os padrões aceitáveis de emissão de cada tipo de poluente por fonte poluidora específica, ou por uma unidade de tempo.

• Padrões ou estados tecnológicos:

determinação de melhores padrões de tecnologia disponíveis, conforme os critérios técnicos de cada segmento.

• Outros: proibições ou banimento, ou o estabelecimento de cotas da produção, comercialização e uso de produtos. O licenciamento ambiental para atividades potencialmente poluidoras, e ainda, o zoneamento das atividades produtivas por categorias.

Os instrumentos econômicos procuram in- fluenciar o comportamento humano e organizacional com base em medidas que significam custo ou benefício. Eles são divi- didos em fiscais e de mercado. Os primeiros se baseiam em transferência de custos ou be- nefícios entre os agentes públicos e privados, podendo ser tributos ou subsídios. A cobran- ça de tributos objetiva internalizar os custos ambientais produzidos pelo setor privado, en- quanto os subsídios são oferecidos em forma

de renúncia ou transferência de receita para os agentes privados, para que reduzam seus níveis de degradação ambiental (BARBIERI, 2007). Para o autor, os instrumentos públicos de mercado tratam-se de transações entre agentes privados, mas são regulados pelo setor público. É o caso das permissões de emissões transferíveis, em que o Estado de- limita um padrão de emissão permitida em troca da colocação de certificados de per- missões transferíveis de um determinado poluente à venda em um mercado de títulos. Os sistemas de depósito-retorno também são classificados como instrumentos de mercado, pois se referem aos valores depositados na aquisição de certos produtos que são de- volvidos quando retornarem ao ponto de armazenagem, tratamento e reciclagem. Segundo Barbieri (2007), os mecanis- mos econômicos atuam sobre a estrutura de custos das organizações, incentivando

a adoção de controles ambientais contínu-

os. Por sua vez, os mecanismos de comando

e controle são medidas emergenciais ado-

tadas para conseguir a proteção ambiental

no curto prazo. Para longo prazo, somente

a educação ambiental e o desenvolvimento

científico e tecnológico poderão apresentar melhorias para as práticas ambientais.

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Todas essas práticas de administração pública ambiental estão sistematizadas no quadro abaixo, extraído de Stadler e Maioli (2011, p.126-127).

ÍTEM

DESCRIÇÃO

Padrão de Emissão

Relaciona-se à quantidade de poluentes emitidos pela produção de determinados produtos ou fornecimento de determinados serviços.

Padrão de Qualidade

Relaciona-se às características individuais e quantidades emitidas de fontes poluidoras.

Padrão de Desempenho

Relaciona-se a substâncias que são mais econômicas, porém mais poluidoras, necessitando de substituição.

Padrões Tecnológicos

Relaciona-se à determinação legal, referente a indicações a serem seguidas na forma de utilizações de determinados equipamentos, instalações etc.

Proibições e restrições sobre produção, comercialização e uso de produtos e processos.

Relaciona-se à determinação legal, que indica formas adequadas de produzir, comercializar e utilizar determinados produtos.

Licenciamento Ambiental

Relaciona-se ao fato de que qualquer empreendimento de vulto, que vá gerar qualquer tipo de poluição, necessitará de aprovação e de licenciamento ambiental específico, que restringirá geograficamente a organização e condicionará alguns de seus itens para aprovação.

Zoneamento Ambiental

Relaciona-se a determinados processos fabris que não podem ser realizados em alguns pontos considerados ambientalmente sensíveis, sendo deslocados para outros pontos mais acessíveis.

Estudo prévio de impacto ambiental

Relaciona-se ao estudo realizado por consultorias especializadas, necessário para aprovação de determinados projetos.

Tributação sobre poluição. Tributação sobre uso de recursos naturais. Incentivos fiscais para reduzir emissões e conservar recursos. Remuneração pela conservação de serviços ambientais. Financiamentos em condições especiais. Criação e sustentação de mercados de produtos ambientalmente saudáveis. Permissões negociáveis. Sistemas de depósito-retorno. Poder de compra do Estado.

Abrangem os itens em que o governo joga todo seu poder de barganha com a legislação, ou com seu poder econômico, para influenciar formas com que as organizações cumpram seus padrões de exigências e contemplem os instrumentos regulatórios exigentes. Valendo os princípios de poluidor pagador, o governo pode criar inúmeros tributos sobre as emissões de poluentes.

Apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico. Educação Ambiental. Unidades de conservação. Informações ao público.

São os instrumentos utilizados pelo governo para melhorar a qualidade ambiental, educar e divulgar as ações da importância de gestão ambiental para empresas e públicos em geral.

Quadro: Resumo das políticas públicas ambientais. / Fonte: Stadler e Maioli (2011, p.126-127).

Para Barbieri (2007, p. 91), é por meio dos acordos voluntários que as organizações privadas se comprometem a realizar ações para a promoção de melhorias ambientais.

realizar ações para a promoção de melhorias ambientais. Os acordos voluntários públicos são contratos firmados

Os acordos voluntários públicos são contratos firmados entre um agente ambiental governamental representante do poder público nacional ou local e uma empresa, grupo de empresas ou entidade empresarial, com objetivo de resolver problemas ambientais específicos de modo colaborativo.

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

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Veja o caso (saiba mais) do programa federal dos Estados Unidos criado para promover o

uso consciente da energia elétrica e para es- timular a redução do uso de combustíveis fósseis. Já no Brasil, é somente a partir de 1930 que o poder público começa a se preocu- par com a questão ambiental. Por se tratar de um país com grande extensão territo- rial, com abundância de recursos naturais e terras férteis, não havia a preocupação com

a escassez desses recursos. Além de disso, a

preocupação com o progresso econômico justificava toda forma de exploração da na- tureza, e chegava a ser muito bem-vinda por

muitos políticos e cidadãos. Assim, até a oficia- lização da Constituição Federal de 1988, o país passou por três fases de gestão pública am- biental. A primeira delas tem como referência

o ano de 1934, quando foram promulgados

os códigos de Caça, Florestal, de Minas e das Águas. As iniciativas públicas dessa fase se deram por meio de políticas públicas setoriais. A segunda fase tem início em 1972, com a Conferência de Estocolmo, quando a poluição industrial ainda era vista como forma de pro- gresso, as preocupações ambientais se tornam

 
   
   
 
PROGRAMA FEDERAL NORTE AMERI- CANO ENERGY STAR: criado para pro- mover o uso consciente da

PROGRAMA FEDERAL NORTE AMERI- CANO ENERGY STAR: criado para pro- mover o uso consciente da energia elétrica e para a redução dos com- bustíveis fósseis. <https://www.energystar.gov/>

mais intensas, embora o governo militar do momento priorizasse o desenvolvimento eco- nômico. Somente em 31 de agosto de 1981,

por meio da Lei 6.938 é que foi estabelecida

a Política Nacional do Meio Ambiente, dando

início à terceira fase. Nesse momento, o meio ambiente passa a ser considerado um patri- mônio público que deve ser protegido para

o uso público. (BARBIERI, 2007). Para o autor, com a Constituição Federal de 1988, outro avanço ambiental foi per- cebido, pois ela estabeleceu a defesa do Meio Ambiente como um princípio a ser observado para as atividades econômicas e incorporado ao conceito de desenvolvi-

mento sustentável. A CF atribui o capítulo VI exclusivamente ao Meio Ambiente, e confere

a qualquer cidadão o direito de propor ação

popular em defesa do meio ambiente. Assim,

a CF de 1988 passou a ser chamada como uma constituição socioambiental. Desse modo, o poder público precisa

fazer seu papel de oferecer limites ambien- tais à gestão das organizações de maneira

a promover a busca do econômico aliado à

Gestão Ambiental Empresarial, a fim de pro- mover a sustentabilidade buscada por todos.

 
   
   
 

Veja o Capítulo VI, artigo 225 da Constituição Federal Brasileira, sobre os direitos cidadãos e o dever do Esta- do à preservação do Meio Ambiente.

<http://www.planalto.gov.br/>

 

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gestão ambiental

organizacional

P ara fazer frente a uma série de proble-

mas de ordem ambiental, as empresas

passam a adotar estratégias para a re-

solução de problemas. Um dos casos mais conhecidos é a 3M, que implantou a polí- tica ambiental conhecida por 3P (Pollution Prevention Pays) em 1975, como forma de prevenir a poluição gerada pelas unidades de negócios. Como o programa foi bem su- cedido, a ONU convidou-a, em 1976, para divulgar a metodologia a outras empresas. Segundo a 3M, ela deixou de poluir em 30 anos, 1,1 milhão de toneladas de poluentes da natureza e esse programa gerou uma eco- nomia na ordem de US$ 1 bilhão (STADLER; MAIOLI, 2011). De acordo com os autores Stadler e Maioli (2011), na Alemanha, desde 1977, a certifica- ção blaue Angel, considerado o mais antigo dos selos e atuação no mercado, está ligada a mais de 3.600 produtos certificados. Em 1990, a Green Seal, uma ONG dos EUA, cria padrões ambientais para testar produtos. Em 1992, o parlamento Europeu criou a Ecolabel, selo válido para toda a União Europeia, mais exigida para produtos importados. No Brasil,

a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT - criou o selo de qualidade ambien- tal que certifica os produtos disponíveis no mercado, considerando seu ciclo de vida. A partir da década de 90, as organizações passaram a utilizar uma nova maneira de ge- renciar seus resíduos, a partir da técnica dos 4 Rs: redução, reutilização, reciclagem e re- cuperação, buscando uma melhor geração de resíduos, recuperação de materiais e des- carte correto. Na área Ambiental, as empresas têm buscado a diferenciação no mercado, por meio da rotulagem ambiental ou selos verdes, para certificarem seus produtos e na forma de descarte ambientalmente corretos para se adequarem às exigências dos consumidores. Uma certificação ambiental mais tra- dicionalmente conhecida é a International

Organization for Standartization – ISO 14000.

Composta por uma série de normas e dire- trizes, certifica a empresa que possui gestão ambiental, contemplando controle am- biental, registros e divulgação aos órgãos de controle ambiental, mercado e à socie- dade (SAVI, 2012).

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

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Responsabilidade Social e Sustentabilidade 58 Internacional Organization for Standardization Essa certificação possui

Internacional Organization for Standardization

Essa certificação possui uma série de elementos que envolvem gestão, audito- ria, avaliação e desempenho ambiental, rotulagem e análise do ciclo de vida, con- templadas pelas derivações: a) ISO 14001:

sistemas de gestão ambiental (especifica- ção e diretrizes); b) ISO 14004: sistemas de gestão ambiental (diretrizes gerais sobre princípios e técnicas de apoio); c) ISO 14010:

diretrizes de auditoria ambiental (princí- pios gerais); d) ISO 14011: diretrizes para auditoria ambiental (procedimentos para

auditoria de sistemas de gestão ambien- tal); e) ISO 14.012: diretrizes para auditoria ambiental: critérios para qualificação de au- ditores ambientais (HARRINGTON; KNIGHT, 2001, p. 31). De acordo com a ABNT, outras normas são apontadas: as de rotulagem ambiental (ISO 14020 a 14024) e de avaliação (ISO 14031 e 14032) e as de Análise do Ciclo de vida (ISO 14.040 a 14043). A figura a seguir demonstra a estrutura da ISO 14000.

GESTÃO AMBIENTAL NORMAS PARA A ORGANIZAÇÃO NORMAS PARA PRODUTOS E PROCESSOS sistema de normas para
GESTÃO AMBIENTAL
NORMAS PARA A ORGANIZAÇÃO
NORMAS PARA PRODUTOS E PROCESSOS
sistema de
normas para
gestão
produtos e
ambiental
processos
avaliação do
auditoria
rotulagem
desempenho
ambiental
ambiental
ambiental
aspectos
ambientais
em normas de
produtos

termos e definições

Fonte: Estrutura das normas ISO 14000 (Fonte: Barbieri, 2009)

N o mundo todo, organizações e em-

presas que possuem atuação global

utilizam os selos verdes e certifi-

cam seus produtos e serviços de forma que atendam às necessidades dos consumidores. Dentre eles, o Nordic Swan (1988, países nór- dicos), o Environmental Choice (Canadá, 1988), Eco Mark (Japão, 1989 e Índia, 1991), dentre outros (STADLER; MAIOLI, 2011). A seguir, são apresentados alguns selos verdes, certificações nacionais e interna- cionais mais conhecidos e utilizados pelas organizações, empresas e eventos no Brasil.

Selo Carbon Free

empresas e eventos no Brasil. Selo Carbon Free Este selo atesta que determinada atividade teve suas

Este selo atesta que determinada atividade teve suas emissões de gases do efeito estufa inventaria- das (metodologia GHG Protocol) e compensadas por meio do restauro da mata atlântica. Quem adere ao programa, recebe o selo que pode ser utilizado como forma de comunicação e publicidade e nele constam o número de árvores plantadas e a quan- tidade de GEEs neutralizadas <www.iniciativaverde.org.br>.

selos verdes e certificações nacionais e internacionais

verdes e certificações nacionais e internacionais Pós-Graduação | Unicesumar 59 Forest Stewardship Council

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Forest Stewardship Council (FSC)

| Unicesumar 59 Forest Stewardship Council (FSC) Este selo tem como objetivo a certificação da prática

Este selo tem como objetivo a certificação da prática sustentável e o manejo sustentável dos produtos florestais. Certificadora internacional, desde 1993 possui três certificados: manejo florestal (manejo sustentável), cadeia de custódia (em toda a cadeia) e madeira controlada (controle da fonte de madeira). As normas podem ser consultadas no site:

<www.br.fsc.org>.

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

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Selos do Conselho Nacional de Defesa Ambiental (CNDA)

Certificações de Produtos Orgânicos

Ambiental (CNDA) Certificações de Produtos Orgânicos O selo verde é a ecoetiqueta que atesta a quali-
Ambiental (CNDA) Certificações de Produtos Orgânicos O selo verde é a ecoetiqueta que atesta a quali-
Ambiental (CNDA) Certificações de Produtos Orgânicos O selo verde é a ecoetiqueta que atesta a quali-

O selo verde é a ecoetiqueta que atesta a quali- dade ecológica, socioambiental do produto ou serviço que tem o apoio da sociedade civil, é for- necida por empresas que comprovam, por meio de laudos técnicos, que seus ciclos de vida são ami- gáveis ao planeta. As ecoetiquetas institucionais premiam os esfor- ços de ajustamento de conduta e participações em campanhas que apoiam movimentos socio- ambientais. Os selos premiam os amigos do meio ambiente, amigo do paciente etc. <www.cnda.org.br>.

A certificação de produtos orgânicos atesta por

escrito que determinado produto, processo ou serviço obedece às normas e práticas orgânicas (MAPA tem a lista das acreditadas).

Certificação por Auditoria – Concedido pela SisOrg

é feita por uma certificadora pública ou privada cre- denciada no Ministério da Agricultura, e obedece

a procedimentos e critérios reconhecidos in-

ternacionalmente, além dos requisitos técnicos estabelecidos pela legislação brasileira.

Sistema Participativo de Garantia – Caracteriza-se pela responsabilidade coletiva dos membros do sistema, que podem ser produtores, consumido- res, técnicos e demais interessados. Controle Social na Venda Direta – A legislação brasileira abriu uma exceção na obrigatoriedade de certificação dos pro- dutos orgânicos para a agricultura familiar. Exige-se, porém, o credenciamento em uma organização de controle social cadastrado em órgão fiscalizador oficial. Com isso, os agricultores familiares passam

a < www.organicsnet.com.br/>.
a
< www.organicsnet.com.br/>.
familiares passam a < www.organicsnet.com.br/>. fazer parte do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos.

fazer parte do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos.

familiares passam a < www.organicsnet.com.br/>. fazer parte do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos.
familiares passam a < www.organicsnet.com.br/>. fazer parte do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos.

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Certificações para Construções Sustentáveis

LEED Liderança em Energia e Design Ambiental

Sustentáveis LEED Liderança em Energia e Design Ambiental A certificação LEED foi lançada em 2009, e

A certificação LEED foi lançada em 2009, e desen-

volvida pela USGBC (Green Building Council dos EUA) para medir o desempenho ambiental de design, construção e manutenção de edifícios. Utiliza-se a

soma de créditos e, de acordo com a pontuação, a organização pode alcançar o standart de certifi- cada, Silver, Gold ou Platinum. <www.gbcbrasil.org.br>.

AQUA alta qualidade ambiental

AQUA alta qualidade ambiental O AQUA é um processo de gestão total do projeto, que

O AQUA é um processo de gestão total do projeto,

que engloba a qualidade de vida do usuário, eco- nomia de água, energia, disposição de resíduos

e manutenção, contribuição para o desenvolvi-

mento socioeconômico e ambiental da região. É uma adaptação para o Brasil da “Démarche HQE”,

da França <www.vanzolini.org.br>.

O GBC Brasil (Green Building Council) e a Fundação

Vanzolini são alguns dos organismos que condu- zem certificações no Brasil - respectivamente, os selos Leed e Aqua. Um edifício pode ser certifica-

do por um ou mais selos.

PROCEL Eficiência Energética em edificações

selos. PROCEL Eficiência Energética em edificações O selo PROCEL é um selo brasileiro de eficiência ener-

O selo PROCEL é um selo brasileiro de eficiência ener-

gética, e atua de forma conjunta com os ministérios de Minas e Energia, Ministério das Cidades, universidades, centros de pesquisa e entidades não governamentais, tecnológicas, econômicas e de desenvolvimento. São considerados três quesitos: iluminação, condiciona-

mento de ar e envoltória (fachada, vidros, janelas etc.)

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e

Social (BNDES) lançou linha de crédito especial para hotéis em construção ou em reforma para a COPA <www.procelinfo.com.br>. Ele também está presente nas edificações da COPA 2014 e Olimpíada.

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

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Selo PROCEL

Responsabilidade Social e Sustentabilidade 62 Selo PROCEL Este selo tem como objetivo orientar o consu- midor

Este selo tem como objetivo orientar o consu- midor no ato da compra, indicando os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro de cada categoria, proporcionan- do, assim, economia na conta de energia elétrica. Também estimula a fabricação e a comercialização de produtos mais eficientes, contribuindo para o desenvolvimento tecnológico e a preservação do meio ambiente. Diversas empresas utilizam esse selo para seus equipamentos (bombas, coletores solares, condicionadores de ar, lâmpadas, lavadoras de roupa, geladeiras, reatores, reservatórios, tele- visores etc). Esse selo foi instituído por Decreto em 1993, concedido pelo Programa Nacional de Conservação e Energia Elétrica (PROCEL), coordena- do pelo Ministério das Minas e Energia e Eletrobrás.

LIFE - Lasting Initiative for Earth

e Energia e Eletrobrás. LIFE - Lasting Initiative for Earth Criado em 2009 pela Fundação AVINA,

Criado em 2009 pela Fundação AVINA, o boticário

e proteção à natureza, Posigraf e Sociedade de pes-

quisa em vida selvagem e ambiental (SPVS), tem como objetivo administrar uma certificação es- pecializada em biodiversidade, em organizações públicas e privadas. A LIFE se propõe a avaliar os im- pactos à biodiversidade por parte da organização

e a subsequente mitigação ou compensação dos

referidos impactos, através de uma gama de ações

concretas para a conservação da biodiversidade, que são contempladas com base em prioridades.

A organização deve demonstrar que tem atendido

aos critérios mínimos da metodologia.

<www.institutolife.org.br>

Marcovitch (2012), em sua leitura crítica e objetiva sobre certificações e sustentabilida- de, revelou um cenário com as mais diversas métricas geradas em organizações sociais e adotadas em empresas por vários países, e, todas relacionadas ao ambientalismo, um dos maiores legados éticos do século XX. Em contraponto com a eloquência nas questões ambientais, a sociedade civil tem tentado formas verificáveis de controle nessa área. Os exemplos referenciados no saiba mais ao lado são muito importantes, pois fornecem uma visão crítica do uso dessas certificações. Salientamos, entretanto, que um único caso representado por uma organização ou pes- quisa de um único sujeito não representa a opinião da maioria. Conforme apresentamos, esses foram alguns dos principais selos e certificações, porém, também podem apresentar proble- mas, principalmente quando as empresas e organizações obtêm o certificado, sem ter realmente um modelo de gestão ambiental sustentável, principalmente porque muitas dessas empresas são de pequeno ou médio porte e alguns modelos apresentados, como a ISO 14001, são muito onerosos para as organizações. Além desta forma de atuação, vários indicadores de ecoeficiência são aponta- dos pelo Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável – CEBDS,

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CERTIFICAÇÃO E SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL: ISO 14001 e sustentabili- dade e, Certificação FSC e sua eficácia

CERTIFICAÇÃO E SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL: ISO 14001 e sustentabili- dade e, Certificação FSC e sua eficácia Organizado por Jacques Marcovitch. Certificação e Sustentabilidade: uma análise crítica (2012), disponível em:

<http://goo.gl/VLf92h>.

 

Relatórios da sustentabilidade da Petrobrás, 2012. No estudo de caso da Petrobrás (final da unidade 3) sobre a sustentabilidade, são relatados também alguns desses indicadores ambientais. Porém, para conhecê-los na íntegra, acesse:

http://goo.gl/cvpFi2

 

Relatórios da sustentabilidade demonstram o uso dos indicadores de ecoficiência, além de outros indica- dores nas dimensões social, ambiental e econômica. <http://cebds.org.br>.

analisando o valor do produto ou serviço versus o impacto ambiental e são utilizados pelas organizações em seus relatórios de susten- tabilidade. Desde 1997, vem aperfeiçoando seus relatórios, de forma que as empresas associadas expõem suas ações nas áreas de ecoeficiência e responsabilidade social, de- monstrando sua visão estratégica de condução dos negócios (CEBDS, 2014, online). Um dos modelos mais utilizados, ser- vindo como modelo para o CEBDS e outros indicadores de sustentabilidade que iremos apresentar na unidade 3 deste livro,

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

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é o internacionalmente conhecido Global

Reporting Iniatiative – GRI, com o qual você

já teve um primeiro contato na unidade 1 deste livro. Neste âmbito, iremos nos dedicar ao conjunto de protocolos de indicadores do meio ambiente, baseado ainda no GRI3. Os indicadores de desempenho ambien- tal GR4 são relacionados a materiais (peso, volume e materiais provenientes de recicla- gem), energia (consumo direto e indireto, economia, iniciativas para reduzir consumo), água (total de retirada de água por fonte, fontes hídricas, reciclada e reutilizada), biodi- versidade (localização, tamanho das áreas de preservação, descrição dos impactos signifi- cativos das operações da empresa, habitats protegidos ou restaurados, números de es- pécies na lista vermelha da IUCN e listas nacionais), emissões (total de emissões diretas, indiretas, reduções, NOx, SOx e outras

 
   
   
 
Diretrizes da GR4 completas:

Diretrizes da GR4 completas:

Princípios para relato e conteúdos pa- drão (parte 1). Disponível em:

<http://goo.gl/pHGVA1>.

 

Manual de Implementação (parte 2):

<http://goo.gl/4lglgT>.

 

emissões), efluentes e resíduos (descarte de água, peso de resíduos, derramamentos), produtos e serviços (iniciativas para mitigar impactos ambientais, percentual de emba- lagens recuperados), conformidade (valor monetário de multas), transporte (impactos significativos) e aspecto geral (total de inves- timento e gastos em proteção ambiental, por tipo), avaliação e ambiente dos fornecedo- res e mecanismos de queixas e reclamações relativas a impactos ambientais (GRI, 2014).

A Global Reporting Initiative (GRI) lançou

em maio de 2013 o GR4, apresentado na Conferência Global em Amsterdã, lançan- do um novo desafio para as empresas que publicam balanços de socioambientais. Em sequência, o GR3 lançado em 2011 traz uma série de mudanças. Agora, as empresas, ao declararem em sua adesão ao GRI que estão “in accordance”(de acordo ou em conformida- de), com duas subdivisões: “core” relatando o que é mais relevante ou “comprehensive”(para quem opta por publicar os 91 indicadores das diretrizes), ou optar por uma matriz de materialidade robusta, com publicações de indicadores essenciais, mais enxuta. A GRI estabeleceu um prazo máximo de dois anos para a adoção do novo instrumento, confor- me apontou o portal <http://goo.gl/qtyb1s>.

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novas possibilidades e

oportunidades ambientais

O problemas ambientais tratados

na primeira parte desta unidade

s

e

amplamente divulgados pelos

diferentes veículos de comunicação, jun- tamente com a campanha de educação ambiental realizada pelas políticas públicas de conscientização ambiental, tratadas na segunda parte da unidade, têm promovi- do uma mudança de comportamento do cidadão que atualmente passa a valorizar as ações empresariais de respeito e preser- vação ao meio ambiente.

Assim, os consumidores também passam

a valorizar os produtos das empresas que

atuam de forma ambientalmente compro- metida e as ferramentas de Gestão Ambiental empresarial, especialmente aquelas que pro- movem a transparência dessas ações, como os

relatórios de sustentabilidade (GRI), balanço social, certificações e selos, que acabam se revelando como uma grande oportunidade mercadológica para as organizações, con- tribuindo para sua valorização econômica

e alimentando o ciclo da Sustentabilidade.

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

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Estudos têm mostrado que, considerando pouca variação de preço e qualidade, o con- sumidor tem dado preferência para produtos de empresas socioambientalmente compro- metidas, e até no mercado de capitais essas empresas têm alcançado maior valor para suas ações. Essa valorização organizacional também tem ocorrido na Administração dos Recursos Humanos da empresa, pois, como podemos perceber pelo caso apresentado ao final da capítulo, as ações ambientais podem pro- mover maior identificação e realização para o trabalhador, que passa a se dedicar ainda mais em suas funções, aumentando a produ- tividade do processo, além de projetar essa imagem positiva para seus familiares e seu círculo de amizades. Isso revela uma oportunidade de mercado, pois a gestão ambiental passa a significar uma possibilidade de diferencia- ção competitiva com reconhecido valor pelo consumidor. Por isso, na prática empresarial, a gestão ambiental passa a significar também uma ferramenta de marketing ambiental. O Marketing pode ser conceituado como um processo social que envolve uma relação de troca entre a organização e seus consu- midores, a fim de melhor atendê-los e, assim, atingir os objetivos organizacionais. Isso sig- nifica que, no Marketing ambiental ou verde, esse processo de troca está permeado por ações ambientalmente comprometidas. Dessa forma, as principais ferramentas do marketing tradicional – produto, preço, distribuição e co- municação, passam a ter como pré-requisito

a incorporação de valores e ações de respei- to e preservação ao meio ambiente. Esses argumentos são fortalecidos por

Dias (2007), quando apresenta alguns fatores que destacam a necessidade de uma atuação ambientalmente comprometida:

• Aumento de consumo e da utilização de matérias-primas naturais.

• Aumento na produção levou ao aumento de resíduos como embalagens e restos de bens consumidos.

• Aumento do fluxo de informações ecológicas que leva a uma sociedade com maior exigência de bens ambientalmente corretos.

• Aumento do segmento de consumidores com exigência para produtos não nocivos ao meio ambiente.

• Aumento de consumidores que buscam produtos orgânicos e sem agrotóxicos.

• Legislação ambiental tem se tornado mais rigorosa.

• Aumento da pressão sobre as empresas para uma atuação socioambiental correta e comprometida.

 
   
   
 
Gestão ambiental pode tornar negócios mais rentáveis - Sebrae e a conscientização dos empresários.

Gestão ambiental pode tornar negócios mais rentáveis - Sebrae e a conscientização dos empresários.

<http://goo.gl/nFxLxG>.

 

Assim, para o autor, a literatura tem apre- sentado algumas razões para as empresas adotarem um marketing verde: