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CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO Disciplina de pesquisa mineral DEPÓSITOS MINERAIS MAGMÁTICOS São aqueles formados por

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DEPÓSITOS MINERAIS MAGMÁTICOS

São aqueles formados por processos endógenos, exclusivamente magmáticos, seja durante intrusões ou extrusões, podendo estar relacionados ao fracionamento de elementos, diferenciação ou ainda imiscibilidade de líquidos diferentes, ou mesmo pelo processo de simples cristalização. As rochas ígneas hospedam depósitos minerais de distintas associações metálicas e tais associações estão de alguma forma relacionadas ao ambiente gerador do magma, cujas características composicionais resultantes são herdadas de seus vários ambientes. É vastamente reconhecido, por exemplo, que muitos elementos calcófilos e siderófilos, tais como Ni, Co, Pt, Pd e Au são mais comumente associados com rochas máficas, enquanto concentrações de muitos elementos litófilos, tais como Li, Sn, Zr, U e W são tipicamente encontradas em associação com rochas félsicas ou alcalinas. Isto tem implicação para a gênese do minério e, consequentemente, alguns dos fatores relacionados a essas diferenças são discutidas abaixo.

Depósitos associados a rochas máficas e ultramáfica plutônicas Estes tipos de depósitos encontram-se geneticamente ligados à evolução de magmas alojados em câmaras magmáticas (Figura 1), sejam em crosta continental ou oceânica, onde processos de cristalização fracionada e segregação magmática geram uma diversidade de rochas, as quais empilhadas umas sobre as outras, originam um aspecto acamadado. Tal aspecto deu origem à denominação de complexos máfico- ultramáficos acamadados (layered complexes), onde alguns exemplos clássicos são representados pelos complexos de Bushveld (África do Sul), Stillwater (USA), Grande Dique (Zimbábue) e Sudbury (Canadá), ambos alojados em crosta continental (Figura 2).

(Canadá), ambos alojados em crosta continental (Figura 2). Figura 1 – Representação esquemática de uma câmara

Figura 1 Representação esquemática de uma câmara magmática. Seu limite superior é feito com derrames de basalto do Eoceno (verde) e lateralmente por gnaisses arqueanos (rosa). A escala em metros é apresentada no lado esquerdo inferior da figura. Câmaras magmáticas podem se desenvolver em profundidades de 1 a 10 km. A porção em amarelo representa a porção líquida do magma, enquanto que as cores frias ao redor já mostram o arranjo acamadado das rochas cristalizadas. As fotos ao lado mostram o aspecto de campo das rochas (complexos de Skaegaard e Niquelândia, respectivamente).

CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO Disciplina de pesquisa mineral Figura 2 – Bloco diagrama esquemático do

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CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO Disciplina de pesquisa mineral Figura 2 – Bloco diagrama esquemático do complexo

Figura 2 Bloco diagrama esquemático do complexo de Bushveld apresentando a extensão do Merensky Reef, nível rico em EGP. Notar a escala gráfica para visualizar a dimensão do complexo.

Rochas ou complexos acamadados formam a parte basal da pseudoestratigrafia de crosta oceânica, onde nestas câmaras magmáticas são relatadas algumas ocorrências minerais, mas que não potencializam depósitos econômicos. Crosta oceânica antiga, juntamente com manto litosférico oceânico, são por vezes reconhecidos em áreas continentais, registrando assim eventos de colisão continental e, consequentemente, fechamentos de oceanos (zonas de sutura). Para esta associação de litosfera oceânica em crosta continental dá-se o nome de ofiolito, e por vezes em sua sequência mantélica ocorrem depósitos de cromita podiforme (tendo algum EGP associado), os quais são formados por processo de cristalização fracionada e mistura de magmas. Os principais tipos de depósitos encontrados em complexos acamadados alojados em crosta continental são de minerais do grupo dos óxidos, contendo Cr, Ti, V e Fe, ou minerais do grupo dos sulfetos, contendo Ni, Cu e EGP (elemento do grupo da platina), conforme apresentado na Tabela 1. Tais depósitos tem sua gênese ligada à processos magmáticos, tais como segregação magmática e imiscibilidade de líquidos. Os corpos de minério tendem ser tabulares ou lenticulares, paralelos a estrutura acamadada da rocha encaixante.

Complexo

Localização

Área em

Equivalente circular em diâmetro (km)

Idade

Depósitos

km 2

minerais

Stillwater

USA

194

15,7

2,7 Ga

EGP (Pt)

Sudbury

Canadá

1.342

41,3

1,84 Ga

Ni, Cu, EGP

Grande Dique

Zimbábue

3.265

64,4

2,6 Ga

EGP (Pt)

Bushveld

África do Sul

6.340

292,8

2,05 Ga

EGP, Cr

Lac Tio

Canadá

4.640

 

2 Ga

Ti-Fe

Santa

Brasil

   

0,6 Ga

Ti-Fe

Bárbara

CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO Disciplina de pesquisa mineral Tabela 1 – Exemplos de complexos acamadados

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Tabela 1 Exemplos de complexos acamadados e seus depósitos minerais associados.

A seguir serão descritos alguns dos principais tipos de depósitos magmáticos em intrusões acamadadas e complexos ofiolíticos.

Depósitos de cromita estratiforme Grandes complexos máfico-ultramáficos, tais como Bushveld, Stillwater e Great Dyke, apresentam camadas de cromita (cromititos) que variam em espessura (centimétricas até 5 metros), sendo formadas na base de camadas de composição ultramáfica (ortopiroxenitos e dunitos) ou em camadas de rocha gabro- anortosítica (Figura 3). As camadas de cromitito podem se estender por várias dezenas de quilômetros e os cristais de cromita variam de milimétricos a centimétricos (até 1 cm) e são facetados, correspondendo de 50% a mais de 95% do minério, o qual pode ainda conter olivina, piroxênio e plagioclásio, todos mostrando textura cumulática. Este tipo de depósito corresponde a 90% das reservas mundiais, tendo o minério caráter metalúrgico (baixo teor de Al 2 O 3 <30%). No Brasil, o complexo máfico-ultramáfico acamadado de Medrado-Ipueiras na Bahia constitui-se como principal depósito de cromita. Ocorrências não econômicas são vastamente encontradas em outras localidades brasileiras, tais como no complexo Niquelândia (GO).

A B
A
B

Figura 3 A. Camada de cromitito de espessura centimétrica no complexo máfico-ultramáfico de Niquelândia (GO), posicionada em camadas ultramáfica (dunito). B. Camadas centimétricas de cromitito hospedadas em rocha anortosítica do complexo de Bushveld, África do Sul.

Depósitos de cromita podiforme Estes depósitos são formados na seção ultramáfica mantélica de complexos ofiolíticos e possuem formas variadas (pods, lentes ou camadas), onde os grãos de cromita são comumente nódulos arredondados (sem facetas), o que gera a denominada textura nodular (Figura 4). Estes pods comumente apresentam um envelope dunítico em meio a rochas harzburgíticas e variam em dimensão (de poucos metros a centenas de metros). O minério de cromo é do tipo refratário (teor de Al 2 O 3 entre 25 e 32%). Ocorrências deste tipo são encontradas em complexos ofiolíticos da Faixa Araguaia, na região centro-norte do Brasil, como por exemplo, no complexo ofiolítico Quatipuru, sudeste do Pará. A maior jazida do mundo deste tipo de depósito está localizada no distrito de Kempirsai, no Cazaquistão, contendo >100 Mt cromita, onde os corpos de minério chegam atingir 1500 m em extensão e 100 a 150 m de largura.

CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO Disciplina de pesquisa mineral As maiores reservas mundiais de cromita encontram-se

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As maiores reservas mundiais de cromita encontram-se assim distribuídas: Cazaquistão (26,1%), África do Sul (15%), Índia (3,2%) e outros países (59%) (Gonçalves, 2007).

A
A
B
B

Figura 4 A. Aspectos texturais de cromitas nodulares do complexo ofiolítico Quatipuru. B. Cromita nodular com estrutura de sobrecarga, denotada pelo arqueamento do nódulo inferior (indicado pela seta) mostrando que o mesmo ainda estava em estado plástico e foi deformado pelo assentamento do nódulo superior.

Depósitos de sulfetos de Ni-Cu-Co e EGP Os exemplos clássicos destes tipos de depósitos estão localizados no Complexo de Bushveld (África do Sul) e Stillwater (USA). Tais depósitos são formados pelo fracionamento (isolamento) de uma porção de líquido sulfetado da massa silicática principal de magma. Este fracionamento faz com que os elementos calcófilos tais como Ni, Cu e Co, se combinem com o enxofre (S) e cristalizem minerais como pentlandita e calcopirita, de forma disseminada ou maciça, gerando assim concentrações econômicas, de espessuras métricas (< 5 m) e não tendo uma extensão lateral grande. Os EGP de maneira similar ao Ni e Cu tem preferência de se combinar com enxofre, formando minerais como esperrylita (PtAs 2 ), braggita (PtPdNiS), cooperita (PtS), entre outros. Neste caso, formam disseminações de sulfeto (2 a 4%) que estão associados a níveis de cromitito (p. ex. cromitito UG2 em Bushveld) ou a níveis de piroxenito pegmatóides, caso do Merensky reef* de Bushveld, ou a troctolitos (rocha com olivina+plagioclásio) no caso do J-M reef de Stillwater, que possui 0,5 a 2% de sulfeto disseminado. O teor em EGP para o Merensky reef varia de 5 a 7 g/ton (Figura 5), por mais de 100 km ao longo da direção da camada (rever Figura 2).

* reef- termo que se refere a zona de minério estatiforme portadora de sulfetos ricos em EGP.

A B
A
B

Figura 5 A. Camadas de cromitito (faixas subhorizontalizadas mais escuras) ricos em EGP do depósito de Platreef. B. Amostra do Merensky Reef onde a porção superior marrom corresponde a piroxenito pegmatóide, com sulfetos disseminados de EGP, a porção média cinza azulada corresponde a cromitito e a porção branca a gabro-anortosito.

CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO Disciplina de pesquisa mineral Um importante depósito de sulfeto de Ni

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Um importante depósito de sulfeto de Ni está localizado no Canadá sendo relativo a um complexo acamadado formado pelo impacto de meteorito. O complexo de Sudbury apresenta forma elipsoidal e zonada, consistindo de uma subcamada marginal de noritos finamente granulados, recoberta por rochas mais grossas noríticas, gabróicas e granofíricas. Os sulfetos encontram-se na base da intrusão, representados por michenerita (PdBiTe), moncheita (PtTe 2 ), sperrylita (PtAs 2 ), sudburyta (PdSb) e froodita (PdBi 2 ) e niggliita (PtSn). O contato basal com as rochas encaixantes é altamente irregular e caracterizado por embayments, brechas e diques radiais. O conteúdo em Ni e PGE, que são similares aqueles de minérios formados a partir de magmas basálticos, sugere que os sulfetos foram segregados de material magmático derivado do manto, que ascendeu em resposta a descompressão produzida pelo impacto do meteoro. A saturação e segregação são atribuídas a processo de mistura de magma derivado do manto com 30 a 50% de magma félsico produzido pelo impacto. O processo de formação de minério de Sudbury parece ser único no mundo e não parece factível de ser aplicado a outras intrusões acamadadas formadas por magmatismo continental.

Depósitos de Fe-Ti-V São depósitos magmáticos estratiformes (semiconcordantes) de grandes dimensões de ilmenita e magnetita dentro complexos diferenciados de gabro-anortosito-norito. As rochas comumente associadas incluem diorito, diabásio e rochas intrusivas ultramaficas basais. São caracterizados pelas texturas magmáticas primárias que podem incluir cumulática, ofítica, subofítica, intergranular, equigranular e raras texturas pegmatíticas. Camadas de cumulados estão presentes frequentemente. Os dois subtipos mais gerais são:

- a ilmenita (Ti, Fe) hospedada em rochas anortosíticas;

- a magnetita titanífera (Fe-Ti), hospedada em gabro-anortosito. Os depósitos podem ocorrer como lentes maciças, camadas, pods, sills, diques e intrusões irregulares e como disseminações. Intercrescimentos por exsolução de ilmenita e magnetita são característicos. Os principais minerais incluem ilmenita, Fe-ilmenita, Ti e V magnetita, magnetita e titanohematita. Os minerais acessórios podem incluir rutilo, titanita, espinélios, apatita, sulfetos e granada. Por exemplo, o depósito de Lac Tio, Canadá (aprox. 120 Mt) corresponde a grandes massas lenticulares de ilmeno-magnetita diferenciadas dentro de anortositos. Os contatos são geralmente bruscos, mas também podem ser gradacionais. A cobertura da massa mineralizada é representada por uma rocha com bandas alternadas de ilmenita pura e de anortosito com ilmenita disseminada. Análogos exemplos brasileiros deste tipo de depósito são representados pelos corpos de magnetita titanífera do complexo gabro-anortosítico de Santa Bárbara (GO) e do complexo anortosítico do Rio Piau (BA).

Depósitos associados a rochas graníticas As rochas graníticas representam do ponto de vista petrológico um grupo de rochas extremamente interessantes com relação às suas interações com a evolução geológica e pelo fato delas atuarem como indicadoras dos diversos tipos de ambientes tectônicos presentes no planeta. Além disso, elas são importantes do ponto de vista metalogenético em virtude da significativa diversidade de mineralizações (Cu, Mo, Ta, Sn, W, Li, Be, Au, etc.) a elas associadas.

CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO Disciplina de pesquisa mineral A associação genética entre o magma granítico

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A associação genética entre o magma granítico e os depósitos minerais está geralmente relacionada à composição do magma. No geral os granitos são divididos em granitos do tipo I e do tipo S, refletindo o material parental que sofreu fusão parcial para geração do mesmo, se de fonte ígnea (I), ou sedimentar (S). Os granitos tipo I tendem a ser metaluminosos e representados por composições tonalíticas (ou quartzo-dioríticas) a granodioríticas, enquanto os granitos tipo S são frequentemente peraluminoso e tem coposições adamelíticas (ou quartzo-monzoníticas) a graníticas. As intrusões peralcalinas podem trazer em seu bojo mineralizações de Zr, Nb e ETR, enquanto mineralizações de Sn, Mo e B associam-se a sistemas mais aluminosos e enriquecidos em flúor. Em relação ao estado de oxidação dos magmas graníticos pode-se indicar que o Sn e o W têm tendência de se associar com magmas, reduzidos enquanto o Cu, Au e Mo estão mais associados com magmas mais oxidados (maior oxidação, maior quantidade de oxigênio). Tal tendência tem relação direta com a mineralogia encontrada nos granitos associados a essas mineralizações, respectivamente, ilmenita (FeTiO 2 ) e magnetita (Fe 3 O 4 ). Alterações, em virtude de processos hidrotermais relacionados a fluidos graníticos, são sempre reconhecidas nos depósitos de filiação granítica. As mineralizações podem ter caráter proximal ou apical e distal ou periférica. As mineralizações proximais englobam as de Au, Mo, Cu, W, Sn e metais raros, geralmente disseminadas nas partes apicais do corpo intrusivo. Os depósitos distais, que apresentam as mineralizações nas partes periféricas do corpo, compreendem os depósitos epitermais, escarnitos, pegmatitos, de filões/veios e sulfetos maciços.

Depósitos do tipo pórfiro Os depósitos de Cu-pórfiro, em linhas gerais, são os depósitos apicais contendo Cu, Cu-Mo, Mo, Cu- Au, Sn e W, onde os mais importante são os tipos Cu-porfiríticos. Estes depósitos, genericamente classificados como do tipo cobre porfirítico são aqueles contendo acumulações de minério de Cu e de Mo disseminado, disseminado-stockwork e em vênulas e que se encontram intimamente relacionadas, temporal e espacialmente, com as intrusões graníticas de textura porfirítica. Encontram-se associados a zonas de subducção relacionadas tanto a margens continentais ativas quanto a arcos de ilha. Geralmente correspondem a depósitos onde a mineralização disseminada constitui grandes volumes de minério com baixos teores (0,4 a 1% de cobre). Os depósitos mais conhecidos encontram-se nas zonas orogênicas modernas, particularmente na região circumpacífica e em termos de idades são mesozóicos e cenozóicos, embora também ocorram exemplos mais antigos (Arqueano). A maioria dos depósitos conhecidos desenvolve um zoneamento tanto da mineralização quanto da zona de alteração que envolve a jazida. Essa alteração do minério forma um envoltório ou cinturão de forma aproximadamente cilíndrica sobre um núcleo com baixo teor de cobre e molibdênio. O cinturão é envolvido por auréolas piritosas onde o teor de pirita decresce sucessivamente, sendo que a zona periférica superior da zona piritosa pode conter mineralizações de Pb, Zn, Au e Ag, além da calcopirita. A magnetita envolve a parte inferior do cinturão mineralizado (Figura 6). A circulação de água da superfície ou subterrâneas pode interagir com os fluidos plutônicos.

CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO Disciplina de pesquisa mineral Figura 6 – Perfil de um depósito

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CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO Disciplina de pesquisa mineral Figura 6 – Perfil de um depósito tipo

Figura 6 Perfil de um depósito tipo Cu-pórfiro mostrando as zonas de alteração e de minério.

Depósitos associados aos carbonatitos

Os carbonatitos representam complexos ultrabásicos-alcalinos que intrudem a crosta terrestre a partir de um mecanismo do tipo hot spot (plumas mantélicas) responsável pela geração de magma e que, aproveitando-se de falhamentos profundos existentes na crosta terrestre (áreas extensionais) que funcionariam como condutos, permitiriam o emplacement dessas rochas. De modo geral, os complexos carbonatíticos possuem formas aproximadamente circulares, dimensões e idades variáveis. Processos metassomáticos, denominados de fenitização, relacionados ao complexo transformam as rochas encaixantes (independentemente da composição química e mineralógica) em tipos alcalinos sieníticos. Aos complexos alcalinos ultrabásicos, no geral, associam-se micaperidotitos e micapiroxenitos, glimeritos, dunitos e carbonatitos, sienitos e traquitos. Os carbonatitos estão associados à parte mais central da estrutura e podem ocorrer na forma de veios. No geral, o magmatismo carbonatítico apresenta uma 1ª fase sovítica ou cálcica. A esta pode suceder uma 2ª fase beforsítica ou magnesiana seguida de uma 3o fase siderítica ou ferrosa. Aos carbonatitos encontram-se associados depósitos de P (apatita), Nb (pirocloro), ETR, Fe (magnetita), Ti (anatásio) e flogopita-vermiculita. Para a formação desses depósitos há a necessidade da atuação de uma série de processos exógenos que irão permitir a acumulação econômica do minério. Por isso, tais depósitos também serão tratados no capítulo dos depósitos resultantes de concentração residual. Há depósitos, entretanto, como o de Jacupiranga, onde a jazida de concentração residual se esgotou desde a década de 70 do século passado, em que o teor de 5 % de P 2 O 5 no carbonatito já permite considerá-lo como minério, sendo feita a explotação do mesmo.

CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO Disciplina de pesquisa mineral Depósitos associados a kimberlitos e lamproítos Kimberlito

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Depósitos associados a kimberlitos e lamproítos

Kimberlito é uma rocha ígnea, ultrabásica, potássica, rica em voláteis que ocorre como pipes, diques e soleiras. Em linhas gerais, corresponde a uma brecha com uma matriz constituída principalmente por olivina, flogopita, calcita, serpentina, diopsídio, monticelita, apatita, espinélio titanífero, perovskita, cromita e ilmenita. Apresenta grandes cristais arredondados a anedrais de olivina (os macrocrysts) além de cristais de ilmenita magnesiana, piropo titanífero (baixo Cr) diopsídio subcálcico, enstantita, dentre outros, que constituem os discrete nodules (nódulos distintos), além de diversos tipos de xenólitos, de tamanho centimétrico (15-30cm), subangulares a arredondados principalmente de lherzolitos/harzburgitos (suíte peridotito-piroxenito) e eclogitos. A rocha sã tem cor cinza-esverdeada, cinza escura ou preto-azulada. Quando intensamente alterado, por estar próximo à superfície (20-30 metros ou mais), transforma-se em uma massa argilosa amarelada (yellow ground dos mineiros sul-africanos). Mais abaixo, a zona em um estágio intermediário de alteração, onde já se consegue distinguir fragmentos da rocha kimberlítica inalterada, recebe a denominação de blue ground. Lamproíto é uma rocha ígnea ultrapotássica, peralcalina, rica em magnésio e constituída por flogopita titanífera, richterita, olivina forsterítica, diopsídio, sanidina e leucita. Como minerais acessórios ocorrem a enstantita, priderita, apatita, wadeíta, cromita, ilmenita, perovskita. Os lamproítos diamantíferos são representados pelos olivina-lamproíto, leucitalamproíto e leucita-olivina-lamproíto. Em virtude da sua elevada temperatura de formação o lamproíto tem uma baixa capacidade de preservação dos xenólitos eventualmente capturados, por conseguinte, eles são raros e quando presentes são principalmente de dunito e o seu tamanho é pequeno (até 3 cm). As intrusões kimberlíticas apresentam-se como cones invertidos chamados de pipes ou diatremas (Figura 7). São representadas por três fácies principais: a mais superficial denominada de fácies cratera (a mais enriquecida em diamantes) constituída por material kimberlítico associado a sedimentos lacustrinos; a fácies diatrema, bastante rica em xenólitos não só do manto superior bem como das rochas encaixantes capturadas pelo kimberlito durante a sua passagem em direção à superfície e uma fácies hipoabissal (pouco mineralizada em diamantes) que caracteriza a zona de raiz do kimberlito e é formada por abundantes diques e soleiras. Os lamproítos têm forma de taça de champagne com uma fácies de cratera (mais enriquecida em diamantes) recoberta na superfície por sedimentos fluvio-lacustrinos e material vulcânico piroclático (tufos, tufos brechados, tufos arenosos com lapillis, tufos brechados com xenólitos) associado a uma fácies ígnea tardia com menos voláteis e, portanto, menos explosiva.

CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO Disciplina de pesquisa mineral Figura 7 – Perfil esquemático de uma

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CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO Disciplina de pesquisa mineral Figura 7 – Perfil esquemático de uma intrusão

Figura 7 Perfil esquemático de uma intrusão kimberlítica.

Referências bibliográficas Textos retirados ao todo ou em parte das seguintes fontes:

Pereira, R. M. Caderno de apoio Geologia Econômica I. Setor de geologia Econômica e Prospecção Mineral DGAP/FGEL/UERJ.

Robb, L.J. 2005. Introduction to ore-forming processes. Blackwell Science Ltd. 343 p.