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Mecânica dos Sólidos 2003/2004

Curso de Engenharia Mecânica

21ª Aula

Duração - 2 Horas Data - 11 de Dezembro de 2003

Sumário: Tensões de Corte devidas à Torção em perfis tubulares de paredes delgadas. Método das Diferenças Finitas. Objectivos da Aula: Apreensão de Conceitos Associados à torção de perfis de paredes delgados fechados e mistos e do método das diferenças finitas para efeitos do cálculo da função de Prandtl.

Resumo do Conteúdo da Aula

1- Fórmulas de Bredt para Perfis Tubulares de Paredes Delgadas

Para os perfis tubulares de paredes delgadas Bredt, 1896, apresentou uma teoria aproximada suficientemente precisa para todas as formas da secção. Considere-se o perfil tubular representado na figura 21.1, as tensões tangenciais ou de corte nos contornos exterior e interior são tangentes ao contorno e ao longo da espessura pode admitir-se que as tensões são uniformemente distribuídas e que são paralelas às tensões no contorno. Considerando duas secções de corte, as secções a-a e b-b, a resultante das tensões por unidade de comprimento do tubo é designada por f e representa o fluxo das tensões de corte.

ds

r O τeds b a b a
r
O
τeds
b
a
b
a
a b a b τe τ e 1 1
a
b
a
b
τe
τ e
1
1

Figura 21.1: Perfil Tubular de Paredes Delgadas

Considerando que o troço do tubo entre a-a e b-b está em equilíbrio pode concluir-se que f é constante, ou seja

f

e

= τ e

1

1

=constante

(21.1)

No elemento da secção de dimensão ds actua uma força resultante das tensões que é igual

a τeds, o momento desta força em relação ao ponto O é τerds, o momento resultante em toda a secção é

M

t

=

C

sendo

τ

erds

C

rds

e

C

rds

igual

ao

dobro

da

área

interior

à

linha

média

da

consequentemente a fórmula 21.2 toma a forma

M

t =

2

τ

Se

M t τ= 2Se
M
t
τ=
2Se

que representa a 1ª fórmula de Bredt.

(21.2)

secção,

2S,

(21.3)

A espessura e é muitas vezes variável e consequentemente a distorção γ = τ/G não é constante para todos os elementos ao longo do comprimento l da figura 21.2.

τeds e τeds γ l
τeds
e
τeds
γ
l

Figura 21.2: Elemento de Comprimento l

Para se obter o ângulo de torção por unidade de comprimento é necessário considerar o princípio de conservação de energia, ou seja igualar o trabalho exterior num troço

unitário da barra à energia de deformação interna no mesmo troço. O trabalho por unidade de comprimento da barra é

w

=

M

t

θ

e 2

(21.4)

A energia de deformação interna num troço de comprimento unitário é

w

i

=

1

C

τγ

e

ds

=

τ

2G

c

1

2

2

eds =

1

 

M

2

t

 

M

2

ds

eds =

t

2G

4

22

Se

 

8G

S

2

e

C

C

(21.5)

Igualando os dois trabalhos 21.4 e 21.5 obtém-se

θ =

M

t

C

ds

4G

S

2

e

que representa a 2ª fórmula de Bredt. A rigidez torsional C é

C =

G I

p

4G S

2

=

ds / e

C

(21.6)

(21.7)

No caso da espessura ser constante, o integral estendido ao contorno de ds é igual ao perímetro da linha média da secção e as fórmulas 21.6 e 21.7 tomam a forma

θ=

M

P

t

fP

=

4G

S

2

e

2GSe

e

C

=

G

I

p

=

4G

S

2

e

P

(21.8)

onde P representa o perímetro da linha média e f=τe.

2- Secção Tubular constituída por dois materiais

Considere-se a barra tubular constituída por dois materiais sendo a secção com a forma representada na figura 21.3. Este veio tem uma secção de espessura constante e a 1ª fórmula de Bredt é aplicável sem alteração, ou seja

τ =

Mt

2Se

No que respeita à 2ª fórmula de Bredt ela não se aplica com a forma anteriormente deduzida, uma vez que o módulo de rigidez distorcional não é constante. Neste caso a energia de deformação interna é

 

1

τ

2

eds

1

22

ττ

eds

eds

w

i

==

2G

C

2

 

∫∫

C

A

G

A

+

B

G

B

   =

   

M

2

t

1

ds

+

1

ds

 

 

= 8

SG  

2

A

C

A

ee G

B

C

B

(21.9)

Igualando a energia de deformação interna ao trabalho exterior 21.4 obtém-se

θ

2  M 1 ds 1 ds t   ∫ + ∫  2
2
M
1
ds
1
ds
t
+
2
= 4
SG  
ee G
A
B
C
C
 
A
B
Material A
Material B
Figura 21.3: Veio Constituído por dois materiais

(21.10)

No caso da secção tubular da figura 21.4 a 1ª fórmula de Bredt não se aplica directamente, neste caso o fluxo de tensões f é:

f =+= τ e τ e

AA

BB

M

t

2S

(21.11)

sendo S a área limitada pela linha média. Para que haja continuidade entre os dois materiais é necessário que a distorção seja a mesma nos dois materiais, ou seja

γ=

τ

A

=

τ

B

ou

τ

G

A

G

B

A

=

G

A

G

B

τ

B

(21.12)

Substituindo esta expressão, 21.12 na relação 21.11, obtém-se

τ

e

B

=

G

B

M t

2S(G

A

e

A

+

Ge

BB

)

(21.13)

τ

A

=

G

A

M t

2S(G

A

e

A

+

Ge

BB

)

(21.14)

Para determinar θ considera-se a energia interna que é

w

i

=

1

2

C

(

τ

ee + τ

AA

BB

)

γ= ds

1

c

 

τ

2

A

e

τ

2

B

2

G

A

A

G

B

+

e

B

 

ds

Substituindo 21.14e 21.13 em 21.15 e igualando ao trabalho exterior que é

se

θ =

M 1 t ∫ ds 2 4S G A e + Ge C A B
M
1
t
ds
2
4S
G
A e
+ Ge
C
A
B
B
Material B

Material A

Figura 21.4: Secção Composta

1 2 M

(21.15)

t θ , obtém-

(21.16)

3- Secção Tubular constituída por dois Canais

Considere-se a secção tubular com dois canais representada na figura 21.5, os fluxos nas três paredes são constantes e são

ffeeef == ττ = τ

1211

2

2

3

33

(21.17)

No ponto de convergência dos fluxos, o equilíbrio obriga a que seja

f 3

=

ff12

(21.18)

Aplicando a 1ª fórmula de Bredt a cada um dos canais obtém-se

MffS

t121

2

=

+

S

2

2

(21.19)

O ângulo

consequentemente considerando a fórmula 21.8 obtém-se

de

torção

por

unidade

de

comprimento

θ=

1

 

fP

11

+

fP

33



 =



1

fP

2

2

fP

33

2G

3

2G

S

2

e

2

e

3

See

11

 

θ

deve

ser

igual

nos

canais

 

(21.20)

Considerando o sistema constituído pelas equações 21.18, 21.19 e 21.20 obtém-se os

fluxos

ff ,

12

e

f

. 3 f 2 A1 f 3 A2
.
3
f 2
A1
f 3
A2

Figura 21.5: Secção tubular com dois Canais

4- Método da Diferenças Finitas

As equações fundamentais para a solução do problema de torção de secções simples são

2

φ

2

φ

2

x

y

2

+

φ = 0

=−

2G

θ

na área da secção

no contorno

(21.21)

Considerando o domínio bidimensional representado na figura 21.6 e considerando uma função f(x,y) cujos valores são conhecidos nos pontos em que se considera dividido o domínio as fórmulas de diferenças finitas centrais para as 1ªs e 2ªs derivadas são

(

f

x

)

n

;

(

f

n1

+

f

n1

f

2x

y

)

n

ff

m

o

2y

(21.22)

 

2

f

f

n1 +

−+

n

2

ff

n1

2

f2

f

m

ff

−+

n

o

2

x

 

n

2

x

;

y

2

n

2

y

(21.23)

A equação de Poisson por diferenças finitas toma a forma seguinte no caso de ser x=y=h,

φ

+

n1

+ φ

n1

+ φφ+

m

o

4

φ

=−

n

2G

θ

h

2

sujeita às condições de fronteira φ=0.

(21.24)

y m ∆y n-1 n n+1 o x Figura 21.6: Diferenças Finitas
y
m
∆y
n-1
n
n+1
o
x
Figura 21.6: Diferenças Finitas

No caso de se considerarem intervalos desiguais o que às vezes é útil para pontos junto da fronteira as fórmulas a utilizar são

(



f

x

)

n

(

)

≅≅ f f

n1

+−

n1

;

h

n

1,n

+

h

+−

n

1,n

y

n

−−

f

ff

m

hh +

m,n

o

o,n

 

ou

(

f

x

2

f

 

2



f

n1

+

   

 

f

n

f

n

f

n

1

2

x

2

f

 

n

hh +

n

1,n

+−

n

1,n

2







f

m

h

n

+

f

n

1,n

h

n

1,n

   

;

 

f

n

f

   
 



o

 

y

2

n

hh

m,n

+

o,n



h

m,n

h

o,n

 

)

n

f

n1

+

f

n

h

n

+

1,n

etc

(21.25)

(21.26)

A equação de Poisson por diferenças finitas toma neste caso a forma

2

 φ





− φ

n

φ

n

− φ

n1 +

n1

2  φ   − φ n φ n − φ n1 + n1 −

hh

n

+−

n

1,n

+

1,n

2

hh

m,n

+

o,n

 φ





m

h

h

n

+

− φ

n

1,n

m,n

φ

h

n

− φ

h

o,n

o

n

1,n

≈−

+

2G

θ

(21.27)

Esta equação tem de verificar-se em todos os pontos do interior do domínio da secção e na fronteira tem de considerar-se a condição φ = 0.

5- Problemas Propostos Para Solução na Aula

1. Considere a secção tubular representada na figura 21.7 constituída por dois materiais o

material A e o material B. Considere os módulos de distorção seguintes

G

A

=

2G;

G

B

=

1.25G

Determine as tensões máximas e o ângulo de torção por unidade de comprimento, admitindo que o momento torsor aplicado é T.

h

h/20 h/25 2h
h/20
h/25
2h

Material A

Figura 21.7: Secção Tubular Composta

2. Considere a secção representada na figura 21.8 constituída por um perfil tubular de

secção quadrangular e por um perfil em rigidamente ligados entre si e sujeita a um momento torsor 1kN.m. Determine a tensão máxima na secção e o ângulo de torção por

unidade de comprimento.

10mm 120mm
10mm
120mm
90mm
90mm

Figura 21.8: Secção Mista

3. Considere uma secção rectangular de dimensões a×2a e considere o método das diferenças finitas para efeitos de cálculo das tensões tangenciais na secção, admita que a secção está sujeita a uma rotação por unidade de comprimento θ. O módulo de rigidez torsional é G.

6- Leituras a Efectuar nas Horas de Estudo

- V. Dias da Silva, Mecânica e Resistência dos Materiais, Ediliber Editora, 1995, - Carlos Moura Branco, Mecânica dos Materiais, Teoria e Aplicação, McGraw-Hill,

1989.

- J. F. Silva Gomes, Apontamentos de Mecânica dos Sólidos, Editorial de Engenharia.