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FATEB – FACULDADE DE TELÊMACO BORBA


CURSO DE ENGENHARIA QUÍMICA
LABORATORIO DE ENGENHARIA QUÍMICA I
PROFª.: RUBIANE G. MARQUES

RELATÓRIO: PRÁTICA 1 - 2° BIMESTRE


MEDIDORES DE TEMPERATURA

Acadêmicos 6° Período:
Alexandre M. de Almeida
Alisson Pinheiro
Pâmila H. de Melo
Rodrigo da Silva

Telêmaco Borba - PR
Laboratório de Engenharia Química I – Experimento: Medidores de Temperatura 2

Outubro 2007

RESUMO

Em todas as instalações industriais, a medição da temperatura é de extrema


importância, permite a medição de níveis de energia térmica, conhecer a eficiência
dos equipamentos térmicos e assim poder corrigir as suas condições de
funcionamento, bem como conhecer a eficiência de ciclos termodinâmicos.
Os termopares são os sensores de temperatura preferidos nas aplicações
industriais, seja pela sua robustez, seja pela simplicidade de operação. Entretanto,
para que as medições de temperatura com termopar sejam significativas e
confiáveis, é fundamental conhecer não somente os princípios básicos de operação,
como também as condições que o usuário deve proporcionar para que esses
princípios sejam válidos.
Este relatório apresenta a definição e classificação de termopares, construção de um
termopar para verificação da f.e.m. da ordem de milivolts formada, como também um
método de calibração de termopares.
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SUMÁRIO

PARA A CALIBRAÇÃO DOS PARES TERMOELÉTRICOS, SEGUIU-SE OS SEGUINTES PASSOS EXPERIMENTAIS:...20

1. INTRODUÇÃO
A temperatura é a segunda grandeza mais medida no mundo, perdendo
apenas para o tempo. Só por isso, já temos uma idéia da sua importância na vida
das pessoas e na produção industrial. Monitoramento ambiental; meteorologia;
investigação de novos combustíveis; aproveitamento da energia solar;
desenvolvimento de motores para automóveis; cuidados médicos; qualidade final de
um produto e conservação de alimentos nas gôndolas dos supermercados são
alguns exemplos da influência da temperatura no dia-a-dia das pessoas. E
praticamente todo o processo industrial está sobre os efeitos dessa grandeza.
Ao contrário da pressão, a medição da temperatura não depende da
quantidade do material que se pretende avaliar. Por esse motivo, foram muitas as
dificuldades em se criar um instrumento capaz de medi-la corretamente. Galileu
Galilei é considerado o primeiro inventor de um termômetro, em 1592. Depois dele,
vários modelos foram desenvolvidos. Santorio Santorre criou o termoscópio a base
de ar e equipado com uma escala para leitura, em 1612. Só em 1714, um fabricante
holandês de instrumentos de precisão chamado Gabriel Fahrenheit desenvolveu os
primeiros termômetros de mercúrio precisos e repetitivos. Em 1821, Thomas
Seebeck descobriu o termopar, mais importante sensor industrial de temperatura.
O Sistema Internacional de Unidades (SI) classifica a temperatura universal
em Kelvins. Porém, admite-se que essa escala não é adequada para o uso diário.
Assim, foi estabelecida a seguinte proporção: t / ºC = T / K – 273,15. Atualmente, a
medição de temperaturas por meio de termômetros de platina é muito importante
nos processos de controle industrial. O maior objetivo da monitoração de variáveis e
controle em processos industriais é obter produtos de alta qualidade, com melhores
condições de rendimento e segurança, com custos de produção compatíveis com a
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grande competitividade do mercado globalizado. Mas, a influência da temperatura


não pára por aí, ela pode ser responsável também pela eficácia dos processos de
esterilização; tratamento térmico de metais; refino de aço e conservação de
alimentos, como também em processos de fabricação de celulose e papel, onde a
temperatura influencia diretamente o processos de cozimento da madeira ou outro
material celulósico.

2. OBJETIVOS EXPERIMENTAIS
Os experimentos aqui relatados possuem os seguintes objetivos
específicos:

• Constatar a veracidade do surgimento de uma f.e.m. em um termopar cujas


junções são submetidas a temperaturas diferentes;

• Calibrar um par termoelétrico e adquirir conhecimento suficiente para, a partir


da manipulação dos dados obtidos, construir a curva de calibração de um par
termoelétrico.

3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA – TERMOPARES


Termopar é um tipo de sensor de temperatura muito simples, robusto,
barato e de fácil utilização. O dispositivo gera eletricidade a partir de diferenças de
temperatura. Dois fios condutores de eletricidade, por exemplo, o cobre e uma liga
de cobre/níquel chamada constantã, quando unidos em uma de suas extremidades,
geram uma tensão elétrica, que pode ser medida na outra extremidade, se existir
diferença de temperatura entre elas. Como a diferença de potencial é proporcional à
diferença de temperatura entre suas junções, este princípio, denominado efeito
Seebeck em homenagem ao cientista que o descreveu, é amplamente utilizado para
medir temperatura na indústria, em muitos tipos de máquinas e equipamentos.
Em 1821, o físico alemão Thomas Johann Seebeck observou que, unindo
as extremidades de dois metais diferentes “Fe” e “Cu” (Figura 1), e submetendo as
junções “1” e “2” a temperaturas diferentes T1 e T2, surge uma f.e.m. (força
eletromotriz, normalmente da ordem de mV) entre os pontos A e B, denominada
“tensão termoelétrica”.
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A B

Cobre Cobre

Ferro

Junção 1 Junção 2

Figura 1 – Par termoelétrico e junções.


Este fenômeno é conhecido por "Efeito Seebeck". Em outras palavras, ao se
conectar dois metais diferentes (ou ligas metálicas) do modo mostrado na Figura 1,
tem-se um circuito tal que, se as junções “1” e “2” forem mantidas em temperaturas
diferentes T1 e T2, surgirá uma f.e.m. termoelétrica e uma corrente elétrica “i”
circulará pelo chamado "par termoelétrico” ou "termopar".
Qualquer ponto deste circuito poderá ser aberto e nele inserido o
instrumento para medir a f.e.m. (Figura 2). Uma conseqüência imediata do efeito
Seebeck é o fato de que, conhecida a temperatura de uma das junções, pode-se
saber a temperatura da outra junção através da f.e.m. produzida. A medição de
temperatura é, na realidade, a maior aplicação do termopar (que também pode ser
usado como conversor termoelétrico, embora apresente baixo rendimento),
bastando para isso que se conheça a relação f.e.m. x variação de temperatura na
junção do termopar. Esta relação pode ser conseguida através de uma “calibração”,
ou seja, uma comparação com um padrão.

A
C
Junção de
Medição
Voltímetro

C
B

Junção de
Referência
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Figura 2 – Circuito para medir o potencial de Seebeck compreendendo dois fios diferentes (A e
B), duas junções e um voltímetro.

A tensão de circuito aberto através da junção de referência é a chamada


tensão de Seebeck e aumenta à medida que a diferença de temperatura entre as
junções aumenta. O termopar tem como princípio geral de funcionamento as leis que
seguem abaixo:
• Lei das Temperaturas Sucessivas: Estabelece a correspondência entre as
forças eletromotrizes obtidas para diferentes temperaturas de referência.
Permite, em conseqüência, compensar ou prever dispositivos que
compensam mudanças de temperatura da junta de referência.
• Lei dos Metais Intermediários: A força eletromotriz de um termopar não será
afetada se em qualquer ponto de seu circuito for inserido um metal genérico
desde que as novas junções sejam mantidas a temperaturas iguais.
Existe uma variedade de meios em que o termopar pode ser incorporado
como um sensor capaz de medir temperatura de um sistema físico. É necessário
garantir que a junção de medição esteja numa condição isotérmica, daí a
importância de imergir o termopar a uma profundidade adequada (grosseiramente
entre 10 a 20 vezes seu diâmetro externo – incluindo as proteções). Pelo fato de o
transdutor responder a um gradiente de temperatura, ele deve ser conectado a dois
sistemas físicos em duas temperaturas diferentes.
A junção de referência deve ser isotérmica para propiciar uma temperatura
conhecida e auxiliar na obtenção de uma interface do sinal, que isola o sensor da
instrumentação. Os fios de transmissão do sinal da junção de referência até o
instrumento estão freqüentemente em um meio mais controlado do que aquele de
outros sensores de temperatura, especialmente se a junção de referência estiver
dentro do instrumento. Se o instrumento for um voltímetro, a interpretação dos dados
requererá informação extra a respeito da temperatura de referência e da tabela do
termopar, caso contrário esta informação pode estar incluída no instrumento e a
temperatura ser indicada diretamente.
Todas as tabelas normalizadas dão os valores da tensão de saída do
termopar considerando que a segunda junção do termopar (a junção fria) é mantida
a exatamente a zero grau Celsius. Antigamente isto se conseguia conservando a
junção em gelo (daí o termo compensação por junção fria). Contudo, a manutenção
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do gelo nas condições necessárias não era fácil, e logo se optou por medir a
temperatura da junção fria e compensar a diferença para zero grau Celsius.
Normalmente, a temperatura da junção fria é medida por um transmissor de
precisão. A leitura desta segunda temperatura, em conjunto com a leitura do valor da
tensão do próprio termopar, é utilizada para o cálculo da temperatura verificada na
extremidade do termopar. Em aplicações menos exigentes, a compensação da
junção fria é feita por um semicondutor sensor de temperatura, combinando o sinal
do semicondutor com o do termopar. É importante a compreensão da compensação
por junção fria, pois qualquer erro na medição da temperatura da junção fria irá
ocasionar igualmente erros na medição da temperatura da extremidade do termopar.
Conforme visto na Figura 3.

+
T1

Isothermal Ice Bath


Region T = 0°C

Figura 3 – Esquema de calibração com temperatura de referência.

O instrumento de medida tem de ter a capacidade de lidar com a


compensação da junção fria, bem como com o fato de a saída do termopar não ser
linear. A relação entre a temperatura e a tensão de saída é uma equação polinomial
de 5ª a 9ª ordem, dependendo do tipo do termopar. Alguns instrumentos de alta
precisão guardam em memória os valores das tabelas dos termopares para eliminar
esta fonte de erro.
Ao se medir a f.e.m. termoelétrica de um par termoelétrico em função da
temperatura, obtém-se, em geral, uma relação do tipo mostrado no gráfico da Figura
4. A curva mostrada no gráfico é denominada de curva de calibração do par
termoelétrico. A relação da f.e.m. termoelétrica com a temperatura, normalmente,
não é linear, mas para algumas faixas de temperatura, pode ser considerada como
se o fosse (veja a reta 1 da Figura 4).
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ε Reta 1

∆ε
P=
ε2 ∆T
∆ε
∆T
ε1
T1 T2 T3 T

Figura 4 - Curva de calibração de um par termoelétrico.


A partir do gráfico pode-se definir uma grandeza denominada de potência
termoelétrica do termopar, dada por:

P= (1)
dT
A potência termoelétrica representa a sensibilidade de resposta ( dε ) do par
termoelétrico com a variação de temperatura (dT).
A tensão termoelétrica v0 é uma função não linear da temperatura, que pode ser
representada por uma equação empírica como sendo:
v0 = C1 (T1 − T2 ) + C 2 (T12 − T22 ) (2)
Onde C1 e C2 são constantes termelétricas dependentes do material usado
na junção e T1 e T2 são as temperaturas das junções.

3.1 TERMOPARES COMERCIAIS


Os termopares disponíveis no mercado têm os mais diversos formatos,
desde os modelos com a junção descoberta que têm baixo custo e proporcionam
tempos de resposta rápidos, até os modelos que estão incorporados em sondas.
Quando se procede à escolha de um termopar, deve-se ponderar qual o
mais adequado para a aplicação desejada, segundo as características de cada tipo
de termopar, tais como: a gama de temperaturas suportada, a exatidão e a
confiabilidade das leituras, entre outras. A escolha de um termopar para um
determinado serviço deve ser feita considerando todas as possíveis variáveis e
normas exigidas pelo processo. A seleção do termopar (ou dos materiais que o
constituem) é feita para:
• Oferecer alta estabilidade em níveis maiores de temperatura;
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• Garantir compatibilidade com a instrumentação disponível;


• Minimizar custo;
• Maximizar sensitividade sobre a faixa de operação (μV /°C).
Existem três categorias de tipos de termopares: termopares padronizados
de metal nobre (R, S, B); termopares padronizados de metal base (K, J, N, E, T) e
termopares não definidos por letras. Na prática a distinção entre “base” e “nobre” é
que metais nobres contêm platina e metais base contêm níquel. Os termopares
possuem a seguinte classificação de acordo com a norma:
• Termopar Tipo K (Cromel/Alumel): O termopar tipo K é um termopar de uso
genérico. Tem um baixo custo e, devido à sua popularidade, estão
disponíveis variadas sondas. Cobrem temperaturas entre os -250 e os 1250
ºC, tendo uma sensibilidade de aproximadamente 41μV/°C. Termopares tipo
K são recomendados para uso contínuo em atmosferas inertes ou oxidantes,
em temperaturas de até 1250°C. Sua resistência à oxidação faz com que
esses termopares sejam preferidos, principalmente nas temperaturas
superiores a 540°C. Podem também ser utilizados para medições de –250°C
até 0°C, porém seus limites de erro foram estabelecidos somente para
temperaturas superiores a 0°C.
Os termopares tipo K não devem ser utilizados em:
1) atmosferas redutoras ou alternadamente oxidantes e redutoras, a menos que
estejam devidamente protegidos com tubos de proteção adequados;
2) atmosferas sulfurosas, a menos que devidamente protegidos. O enxofre ataca
ambos os elementos, causando sua rápida corrosão;
3) vácuo, exceto por períodos curtos, pois ocorre vaporização do cromo no
elemento positivo, alterando substancialmente a calibração do termopar;
4) atmosferas que provocam corrosão “green-rot” do elemento positivo. Esta
corrosão resulta da oxidação do cromel, quando uma determinada quantidade de
oxigênio (O2) existente na atmosfera envolve o termopar. Isto pode ter como
conseqüência grandes erros e é mais preocupante em temperaturas na faixa de
820 a 1040°C. Corrosão “green-rot” ocorre freqüentemente quando os
termopares são utilizados com longas proteções de pequeno diâmetro, sem
ventilação interna. O efeito pode ser minimizado com a utilização de tubos de
maior diâmetro ou ventilando internamente tais proteções. Outra técnica é manter
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a quantidade de oxigênio, no interior do tubo de proteção, abaixo do nível que


promove oxidação. A introdução de um “getter” (elemento metálico de absorção
de gases, tungstênio) para absorver o oxigênio em tubos de proteção fechados
também é indicada.

• Termopar Tipo E (Cromel/Constantã): Este termopar tem uma elevada


sensibilidade (68 μV/°C), que o torna adequado para baixas temperaturas.
Termopares tipo E são recomendados para uso em faixas de temperatura
entre 0 – 870°C, em atmosferas oxidantes ou inertes. Em atmosferas
redutoras, alternadamente oxidantes e redutoras e no vácuo, estes
termopares estão sujeitos às mesmas limitações dos termopares tipo K. São
utilizados também para medições em temperaturas abaixo de 0°C, pois não
estão sujeitos à corrosão em atmosferas úmidas. Porém, seus limites de erro
para temperaturas abaixo de zero não estão normalizados. Apresentam como
vantagem as maiores potências termoelétricas em relação a outros tipos de
termopares, motivo pelo qual muitas vezes são preferidos.

• Termopar Tipo J (Ferro/Constantã): A sua gama limitada de temperaturas (-


40 a 750 °C) é a responsável pela sua menor popularidade em relação ao tipo
K. Aplica-se, sobretudo, com equipamento já antigo que não é compatível
com termopares mais modernos. A utilização do tipo J acima dos 760 ºC leva
a uma transformação magnética abrupta que lhe estraga a calibração. Estes
termopares são apropriados para medição em vácuo e atmosferas oxidantes,
redutoras e inertes, em temperaturas que chegam até 760°C. A taxa de
oxidação do ferro é alta a partir de 540°C, em que são recomendados
elementos de bitola maior. Não é recomendado o uso deste termopar com
elementos nus em atmosferas sulfurosas acima de 540°C.

• Termopar Tipo N (Nicrosil/Nisil): A sua elevada estabilidade e resistência à


oxidação em altas temperaturas tornam o tipo N adequado para medições a
temperaturas elevadas, sem recorrer aos termopares que incorporam platina
em sua constituição (tipos B, R e S). Foi desenhado para ser uma “evolução”
do tipo K. Os termopares tipo B, R e S apresentam características
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semelhantes. São os termopares mais estáveis, contudo, devido à sua


reduzida sensibilidade (da ordem dos 10 μV/°C), utilizam-se apenas para
medir temperaturas acima dos 300 ºC. Note-se que devido à pequena
sensibilidade destes termopares, a sua resolução de medida é também
diminuta. Termopares tipo N são recomendados para uso em faixas de
temperatura de 0 a 1260°C. Comparado com o termopar tipo K é melhor
alternativa em função de maior resistência à oxidação, melhor estabilidade
em temperaturas altas e aumento da vida útil. Substitui o termopar tipo K em
atmosferas em que este apresenta o problema denominado “greenrot”.
• Termopar Tipo B (Platina/Ródio-Platina): Adequado para medição de
temperaturas até aos 1800 ºC. Contra aquilo que é habitual nos outros
termopares, este origina a mesma tensão na saída a 0 e a 42 ºC, o que
impede a sua utilização abaixo dos 50 ºC. Os termopares tipo B são
recomendados para uso contínuo em atmosferas inertes ou oxidantes, à
temperatura limite de 1800°C. São também indicados para operar no vácuo
até sua temperatura limite. Não é aconselhado o uso destes termopares em
ambientes redutores ou que contenham vapores, a menos que devidamente
protegidos com tubos de proteção não metálicos. Sob condições adequadas
de temperatura e ambiente, os termopares tipo B demonstram menos
desgaste a menores desvios de calibração. Os termopares tipo B apresentam
vantagens sobre os termopares tipos S e R, em relação à não necessidade
de utilização de cabos de compensação específicos.

• Termopar Tipo R (Platina/Ródio-Platina): Adequado para medição de


temperaturas até aos 1600 ºC. Reduzida sensibilidade (10 μV/°C) e custo
elevado.

• Termopar Tipo S (Platina/Ródio-Platina): Adequado para medição de


temperaturas até aos 1600 ºC. Reduzida sensibilidade (10 μV/°C), elevada
estabilidade e custo elevado.

• Termopar Tipo T (Cobre/Constantã): É dos termopares mais indicados para


medições na gama dos -270°C a 400°C. Note-se que a escolha de um
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termopar deve assegurar que o equipamento de medida não limita a gama de


temperaturas que consegue ser medida. Estes termopares são resistentes à
corrosão em atmosferas úmidas e indicados também para a medição de
temperaturas abaixo de zero. Pode ser utilizado em atmosferas oxidantes,
redutoras ou inertes. Este é o único termopar cujos limites de erro estão
estabelecidos para temperaturas abaixo de zero.

A tabela abaixo apresenta as características para termopares convencionais


aplicados industrialmente.

Tabela 1 – Características dos principais termopares comerciais.

Termopar
Algumas
Faixa de Uso Vantagens: Desvantagens:
Aplicações:
Aconselhada

J -Têmperas; -Devem ser usados


Ferro/Constantã -Recozimento; -Baixo Custo; tubos de proteção
-40 a 750 °C -Fornos Elétricos; para T 480 °C

-Tratamento
-Adequado para
K Térmico;
atmosferas oxidantes; -Vulnerável a
Cromel/Alumel -Fornos;
-Boa resistência mecânica atmosferas redutoras
-200 a 1200 °C -Fundição;
em altas temperaturas
-Banhos;

-Resiste a atmosferas
-Estufas;
corrosivas;
T -Banhos;
-Resiste a atmosferas -Oxidação do cobre
Cobre/Constantã -Fornos Elétricos
redutoras e oxidantes; acima de 315 °C
-270 a 400 °C para Baixa
-Utilizável em
Temperatura;
temperaturas negativas

-Vidros; -Contamina facilmente


ReS -Pode operar em
-Fornos em atmosfera não
Platina/13 e 10% atmosfera oxidante;
(T>1300°C); oxidante;
Ródio -Operar numa faixa maior
-Fundição; -Fragiliza em altas
-18 a 1600 °C que o tipo K
-Alto Forno; temperaturas

3.2 ERROS EM MEDIÇÕES COM TERMOPARES


Existe uma variedade de meios em que o termopar pode ser incorporado
como um sensor capaz de medir temperatura de um sistema físico. Alguns detalhes
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da sua instalação são fundamentais para garantir a correta indicação da


temperatura, evitando assim, erros grosseiros nas medições:
• É necessário garantir que a junção de medição esteja numa condição
isotérmica, daí a importância de imergir o termopar a uma profundidade
adequada (grosseiramente entre 5 e 15 vezes seu diâmetro externo –
incluindo as proteções);
• Pelo fato de o transdutor responder a um gradiente de temperatura, ele deve
ser conectado a dois sistemas físicos em duas temperaturas diferentes;
• A junção de referência deve ser isotérmica para propiciar uma temperatura
conhecida e para auxiliar na obtenção de uma interface do sinal, que isola o
sensor da instrumentação.
Pode-se estimar a temperatura correta de um gás medido por um termopar
em um poço cilíndrico inserido em uma corrente de gás, através dos seguintes
dados:
• T1 = 260 °C – temperatura indicada pelo termopar;
• Tp = 175 °C – temperatura da parede;
• h = 680 W/m2°C – coeficiente de transferência de calor;
• k = 105 W/m°C – condutividade térmica da parede do poço;
• y = 2 mm – espessura da parede do poço;
• L = 60 mm – comprimento do poço.
Onde a instalação deste termopar segue como na figura a seguir:
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Fios do termopar para potênciometro


+ -

Tp – Temperatura da Parede

Corrente de Gás

60

Parede do Poço

Junção do Termopar a Temperatura T 1

Figura 5 – Instalação de um termopar em uma corrente de gás.

A espessura da parede y da parede do poço está em contato com a


corrente de gás por um dos lados apenas, e a espessura é pequena quando
comparada ao diâmetro. Portanto a distribuição de temperatura ao longo dessa
parede será aproximadamente a mesma que aquela ao longo de uma barra de
espessura 2y, em contato com a corrente gasosa dos dois lados.
Considerações que devem ser feitas afim de encontrar o valor
correto da temperatura do gás em questão:
• T é função de x apenas;
• Nenhum calor é absorvido pelas áreas final e lateral;
• O fluxo térmico na superfície é dado por q x = h(T − T∞ ) , onde h é
constante e T depende apenas de x.
Fazendo-se o balanço de energia sobre um segmento ∆x, tem-se:
q x | x − q x | x +∆x −h 2∆xW (T −T∞ ) = 0 (3)

Dividindo por ∆x:


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q x | x − q x | x + ∆x
− h2W (T − T∞ ) = 0 (4)
∆x
Passando o limite quando ∆x tende a zero, tem-se:
q x | x − q x | x +∆x
lim − h2W (T − T∞ ) (5)
∆x →0 ∆x
O primeiro termo é a definição de derivada, levando-se em consideração o sinal,
tem-se:
dq x
− = h 2W (T − T∞ ) (6)
dx
Inserindo a lei de Fourier para condução de calor, (qx = -AkdT/dx). E supondo k
constante:
d  dT 
−  − 2 yWk  = h 2W (T − T∞ ) (7)
dx  dx 

d 2T
2 yWk = h 2W (T − T∞ ) (8)
dx 2
d 2T h
= (T −T∞ ) (9)
dx 2 yk

A equação deve ser resolvida com as seguintes equações de contorno:

em x = 0 ⇒ T = Tp
dT
em x = L ⇒ =0
dx

Fazendo-se Θ = (T − T∞ ) e m 2 = h / yk , tem-se:

d 2Θ h
2
= Θ (10)
dx yk

Temos, então, que a solução geral da equação (10) é:


Θ = C1e −mx + C2 e mx (11)
Tomando, então, a segunda condição de contorno para encontrar C1 e C2, temos:

em x = 0 ⇒ Θ = Θp

em x = L ⇒ =0
dx
Aplicando-se as condições de contorno, tem-se:
Θp = C1 + C 2
0 = m( −C1e −mL + C 2 e mL )

Resolvendo-se o sistema obtêm-se as constantes C1 e C2:


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Θp × e 2 mL Θp
C1 = ; C2 =
1+ e 2 mL
1 + e 2 mL
Substituindo os valores das constantes na solução da equação diferencial (10) e
manipulando a equação, tem-se:
Θpe 2 mL e −mx Θpe mx
Θ= + (12)
1 + e 2 mL 1 + e 2 mL
Θ e −mx e mx
= + (13)
Θp 1 + e 2 mL 1 + e 2 mL
Θ cosh[ m( L − x )]
= (14)
Θp cosh( mL )

Substituindo os valores na solução geral (14), tem-se:


 h 
cosh  ( L − L)
T1 −T∞
=  y ×k 
(15)
Tp − T∞  h 
cosh 
 y ×k L 

 
 680 
cosh  ( 0,06 − 0,06 ) 
260 − T∞
=  0,002 × 105 
175 − T∞  680 
cosh  0,06 
 0, 002 × 105 
260 − T∞ 1
=
175 − T∞ 15,2136
248,49725
T∞ = = 266 °C → temperatur a real do gás
0,93427

Portanto, o erro relativo encontrado para esta instalação de termopar é encontrado


através da seguinte expressão:
T∞ −T1
ER = ×100 (16)
T∞

266 °C − 260 °C
ER = ×100 = 2,25 %
266 °C

A seguir são apresentados os limites de erro dos termopares comerciais de acordo


com a norma padrão.

Tabela 2 – Limites de erro para termopares, de acordo com ASTM E-230 (com junção de
referência a 0 ºC).

LIMITES DE ERRO
MATERIAL CÓDIGO DE FAIXA DE
TIPO ANSI STANDARD ESPECIAL
CONDUTOR COR ANSI USO
CLASSE 2 CLASSE 1
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Ferro (Magnético) (+) Branco


± 2,2°C ou ± 1,1°C ou
J 0 - 760°C
0,75% 0,40%
Constantã (-) Vermelho

Cromel (+) Amarelo


± 2,2°C ou ± 1,1°C ou
K 0 - 1250°C
0,75% 0,40%
Alumel (Magnético) (-) Vermelho

Cobre (+) Azul


± 1,0°C ou ± 0,5°C ou
T 0 - 370°C
0,75% 0,40%
Constantã (-) Vermelho

Cromel (+) Púrpura


± 1,7°C ou ± 1,0°C ou
E 0 - 870°C
0,50% 0,40%
Constantã (-) Vermelho
± 2,2°C ou ± 1,1°C ou
N Nicrosil (+) Laranja 0 - 1260°C
0,75% 0,40%
Nisil (-) Vermelho
Platina; Ródio 10%
Preto
(+) ± 1,5°C ou ± 0,6°C ou
S 0 - 1450°C
0,25% 0,10%
Platina (-) Vermelho
Platina; Ródio 13%
Preto
(+) ± 1,5°C ou ± 0,6°C ou
R 0 - 1450°C
0,25% 0,10%
Platina (-) Vermelho
Platina; Ródio 30%
Cinza
(+)
B 0 - 1700°C ± 0,50% ± 0,25%
Platina; Ródio 6% (-) Vermelho

4. MATERIAIS E MÉTODOS
Para o experimento da verificação do surgimento de uma f.e.m. em um
termopar e para o experimento da calibração dos termopares, foram utilizados os
seguintes materiais:
• 01 multiteste com suas ponteiras (será usado como milivoltímetro);
• 02 pinos banana para derivação com aperto por rosca;
• 01 lamparina com capuchama;
• 01 fio de Al com 300 mm;
• 02 fios de Cu com 300 mm;
• 01 fio de Fe com 300 mm;
• 01 chave de fenda;
• 01 alicate universal;
• 01 caixa de fósforos;
Laboratório de Engenharia Química I – Experimento: Medidores de Temperatura 18

• 01 lixa fina;
• 03 alinhadores sindais pequenos (com parafusos);
• 01 béquer com água quente;
• 01 suporte com associações em série;
• 01 suporte com frascos calorimétricos EQ088.01;
• 01 conexão de fio vermelha com pinos banana;
• 01 conexão de fio preta com pinos banana;
• 01 suporte II – com o par termoelétrico desejado;
• 02 termômetros - 0 a 100 °C;
• 01 seringa de 60 cc;
• 01 mini funil de vidro;
• 01 pinça de Mohr;
• 01 copo becker de 250 ml;
• 01 proveta graduada de 50 ml;
• 01 recipiente isolante para cubos de gelo;
• Cubos de gelo;
• 01 garrafa com 600 ml de água destilada a temperatura ambiente (esta água
será utilizada no transcorrer do experimento);
• 01 garrafa térmica com água quente.
4.1 MONTAGEM DOS EQUIPAMENTOS
Para a montagem dos equipamentos para o experimento da
construção de pares termoelétricos e verificação da f.e.m. segue-se as
figuras abaixo:

Figura 6 – Termopar conectado a um milivoltímetro.


Laboratório de Engenharia Química I – Experimento: Medidores de Temperatura 19

Figura 7 – Experimento de medição de ddp entre os pontos da placa de associação.

Para a montagem do módulo experimental para calibração dos termopares,


segue-se a figura abaixo:

Figura 8 – Sistema de calibração de um termopar.

4.2 PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS


Para construção de pares termoelétricos e medida da f.e.m. termoelétrica,
seguiu-se os seguintes passos experimentais:
a) Construção de um par termoelétrico de cobre x alumínio:
• Lixar as extremidades (1 mm) dos fios de cobre (Cu) e de alumínio (Al);
• Introduzir um dos extremos de cada fio, através do alinhador pequeno,
deixando ultrapassá-lo uns 15 mm e apertar os dois parafusos auxiliares do
alinhador reforçando a união e o contato elétrico dos dois metais, torcendo
suas extremidades entre si com o auxilio do alicate;
• Prender as extremidades livres do termopar aos pinos banana para derivação
com aperto por rosca;
• Conectar as extremidades livres do par termoelétrico cobre e alumínio aos
terminais do milivoltímetro;
Laboratório de Engenharia Química I – Experimento: Medidores de Temperatura 20

• Aqueçer o termopar com a lamparina até a voltagem se tornar constante;


• Procedendo semelhantemente, construir mais dois pares termoelétricos,
agora utilizando ferro x alumínio e ferro x cobre, repitindo o experimento.
b) Medida da f.e.m. termoelétrica em diferentes pontos de uma associação de
constantã, ferro e cobre:
• Após a verificação do zero, conectar os cabos de conexão aos terminais do
instrumento, adaptando nos extremos livres as garras jacaré;
• Utilizar o suporte II-A (associação em série de constantã, ferro e cobre) e
verificar as diferenças de potencial entre os pontos 1, 2, 3 e 4.

Para a calibração dos pares termoelétricos, seguiu-se os seguintes passos


experimentais:

• Montar o módulo experimental para calibração de termopares, conforme


mostrado na figura;
• Inserir gelo no recipiente para a fonte fria, mantendo a temperatura constante,
preferencialmente em 0 °C;
• Inserir água quente no recipiente para a fonte quente afim de realizar as
medições de temperatura e as variações da f.e.m.;
• Após a montagem do módulo, iniciar as medições de temperatura e
milivoltagem, utilizando um mínimo de 10 pontos para a construção das
curvas de calibração de cada termopar.

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1 CONSTRUÇÃO DE PARES TERMOELÉTRICOS E MEDIDA DA
F.E.M. TERMOELÉTRICA
Os resultados encontrados das medições de ddp dos pares termoelétricos
após aquecimento com a lamparina de uma das junções, foram os seguintes:

• Associação de Cobre e Alumínio: 0,04 mV;

• Associação de Cobre e Ferro: 0,17 mV.


Sendo assim, pode-se observar que, unindo as extremidades de dois metais
diferentes “x” e “y” e submetendo suas junções “a” e “b” a temperaturas diferentes T 1
Laboratório de Engenharia Química I – Experimento: Medidores de Temperatura 21

e T2 – no caso do experimento, foi a temperatura imposta pela lamparina e a


temperatura ambiente – surge uma f.e.m. (força eletromotriz, da ordem de mV) entre
os pontos a e b, denominada “tensão termoelétrica”. Este fenômeno é conhecido por
"Efeito Seebeck". Em outras palavras, ao se Conectar dois metais diferentes (ou
ligas metálicas), tem-se um circuito tal que, se as junções “a” e “b” forem mantidas
em Temperaturas diferentes T1 e T2, surgirá uma f.e.m. termoelétrica e uma corrente
elétrica “i” circulará pelo chamado "par termoelétrico” ou "termopar". Qualquer Ponto
deste circuito poderá ser aberto e nele inserido o instrumento para medir esta f.e.m..
A media da f.e.m. termoelétrica a partir da placa de associação em série
não apresentou nenhum valor de ddp, pois não havia nenhuma força motriz para a
ocorrência de ddp, que seria a temperatura, comprovando a 1ª Lei da Termoelétrica,
que diz que: “A força eletromotriz " ε " de um termopar depende somente da
natureza dos condutores e da diferença de temperatura entre as junções de
contato”. A partir da 1ª Lei da termoelétrica, observa-se alguma conseqüências
importantes:
• Se as junções estiverem à mesma temperatura, a f.e.m. gerada pelo termopar
é nula;
• A f.e.m. gerada pelo termopar independe do ponto escolhido para medir o
sinal. Por isso, ao confeccionar o termopar, numa das junções não é realizada
a solda, introduzindo-se ali o instrumento;
• A f.e.m. do termopar não será afetada se em qualquer ponto do circuito for
inserido um terceiro metal, desde que suas junções sejam mantidas a mesma
temperatura. Esta propriedade é chamada, por alguns autores, de "Lei dos
Metais Intermediários”.

5.2 CALIBRAÇÃO DOS PARES TERMOELÉTRICOS


A seguir é apresentado os resultados dos valores de f.e.m. dos pares
termoelétricos em função da variação da temperatura na fonte quente, como
também as curvas de calibração plotadas com os dados da Tabela 3, com o
respectivo ajuste linear pelo método dos mínimos quadrados.

Tabela 3 – Valores de f.e.m. dos pares termoelétricos em função da variação de temperatura.


Laboratório de Engenharia Química I – Experimento: Medidores de Temperatura 22

Temperatura Temperatura
Medidas FEM (mV)
Fonte Quente (°C) Fonte Fria (°C)
Termopar 1 – Cobre/Constantã
1 70,0 1,0 2,2
2 67,0 1,0 2,1
3 65,0 1,0 2,0
4 63,0 1,0 1,9
5 61,0 1,0 1,8
6 58,0 1,0 1,6
7 53,0 1,0 1,4
8 50,0 1,0 1,3
9 45,0 1,0 1,1
10 41,0 1,0 0,9
Termopar 2 - Ferro/Cobre
1 73,0 4,0 0,7
2 64,0 4,0 0,6
3 59,0 4,0 0,5
4 54,0 4,0 0,4
5 49,0 4,0 0,3
6 38,0 4,0 0,2
7 33,0 4,0 0,1
8 32,0 4,0 0,1
9 31,0 4,0 0,1
10 28,0 4,0 0,1
Termopar 3 Ferro/Constantã
1 69,0 4,0 3,1
2 65,0 4,0 2,8
3 61,0 4,0 2,6
4 57,0 4,0 2,4
5 53,0 4,0 2,2
6 50,0 4,0 2,0
7 47,0 4,0 1,9
8 44,0 4,0 1,8
9 41,0 4,0 1,7
10 36,0 4,0 1,5
Laboratório de Engenharia Química I – Experimento: Medidores de Temperatura 23

Term
3,5
Figura 9 – Curvas de calibração dos pares termoelétricos.

Verificou-se, através dos resultados apresentados acima, que todos os


termopares apresentaram uma resposta linear dentro da faixa de utilização (20 a 80
°C). A melhor configuração linear foi a do termopar 1 (Cobre/Constantã). Pode-se
verificar, também, que o termopar 2 (Ferro/Cobre) apresentou uma pequena
variação da f.e.m., sendo este termopar recomendado, então para a aplicação em

3,0
medições de altas temperaturas.
No entanto, a temperatura na fonte fria não foi de 0°C, devido a falta de
tempo para execução dos experimentos, mantendo-se constante em 1°C
(Cobre/Constantã) e 4°C (Ferro/Cobre e Ferro/Constantã). Sendo assim, a
temperatura da junção fria é uma grande fonte de erro para a calibração dos
termopares. Outra fonte de erro é a baixa precisão do voltímetro para medição da
milivoltagem provocada pela ddp, onde não foi possível uma verificação mais
precisa da f.e.m. em função da variação de temperatura da junção quente. Esse
fator teve grande influencia na calibração do termopar 2 (Ferro/Cobre), onde a

2,5
Laboratório de Engenharia Química I – Experimento: Medidores de Temperatura 24

variação da temperatura provocou uma pequena variação na ddp, necessitando


assim, de um multímetro de maior precisão para a leitura correta dessa variação.
Para se medir temperatura com termopares, são necessários dois tipos de
medição: a tensão do termopar e a temperatura da junção de referência. A
necessidade de se conhecer a temperatura da junção de referência complica a
instrumentação para termopares e muitos métodos podem ser adotados para tornar
esses instrumentos convenientes para o uso. Infelizmente existem métodos bons e
ruins e o usuário raras vezes tem informações para avaliá-los. Para garantir
confiança na medição com termopar os seguintes passos devem ser cumpridos pelo
usuário ou por funções automáticas do instrumento:
• Estabelecer uma junção de referência isotérmica;
• Conhecer a temperatura da junção de referência;
• Usar as tabelas padronizadas ou as funções de referência para determinar a
tensão Seebeck na temperatura da junção de referência;
• Fazer uma medição exata da tensão Seebeck do termopar;
• Somar as duas tensões;
• Usar as tabelas padronizadas ou as funções de referência para determinar a
temperatura medida.
Portanto, afim de se obter um maior desempenho na calibração dos
termopares pode-se fazer as seguintes sugestões:
• Manutenção da fonte fria de referência em 0°C, através de banho em gelo,
antes de iniciar as medições de temperatura da fonte quente, através da
aplicação da norma NBR da ABNT para preparação da junção de referência;
• Utilização de um sistema eletrônico de compensação da junção fria para 0°C;
• Utilização de um voltímetro ou multímetro de maior precisão, com pelo
menos 3 casas decimais, afim de se verificar as variações de ddp em função
de pequenas variações de temperatura.
Laboratório de Engenharia Química I – Experimento: Medidores de Temperatura 25

6. CONCLUSÃO
Através dos experimentos, pôde-se verificar que houve o surgimento de
uma f.e.m. nos termopares quando submetido a variações de temperatura,
mantendo-se a junção fria isotermicamente.
Pode-se concluir, também, que cada termopar calibrado apresentou um
comportamento diferente, o que determina a faixa de sensibilidade e aplicação
destes termopares. Através das curvas geradas pela calibração dos termopares,
consegue-se aplicar estes termopares industrialmente como medidores de
temperatura com um erro relativo aceitável.
Laboratório de Engenharia Química I – Experimento: Medidores de Temperatura 26

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Par termoelétrico e junções.

Figura 2 – Circuito para medir o potencial de Seebeck compreendendo dois fios

diferentes (A e B), duas junções e um voltímetro.

Figura 3 – Esquema de calibração com temperatura de referência.

Figura 4 - Curva de calibração de um par termoelétrico.

Figura 5 – Instalação de um termopar em uma corrente de gás.

Figura 6 – Termopar conectado a um milivoltímetro.

Figura 7 – Experimento de medição de ddp entre os pontos da placa de associação.

Figura 8 – Sistema de calibração de um termopar.

Figura 9 – Curvas de calibração dos pares termoelétricos.

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Características dos principais termopares comerciais.

Tabela 2 – Limites de erro para termopares, de acordo com ASTM E-230 (com

junção de referência a 0 ºC).

Tabela 3 – Valores de f.e.m. dos pares termoelétricos em função da variação de

temperatura.
Laboratório de Engenharia Química I – Experimento: Medidores de Temperatura 27

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

[1] Kreith, Frank & S. Bohn, Mark. Princípios de Transferência de Calor. Editora
Thomson Learning. São Paulo. 2003.

[2] WWW.GESTE.MECANICA.UFRGS.BR/MEDTERM/TRABALHOS%202006-
1/PROJETO_DE_TERMOPARES.PDF

[3] WWW.HERMES.UCS.BR/CCET/DEMC/VJBRUSAM/INST/TERMOPAR.PDF

[4] WWW.CPDEE.UFMG.BR/~PALHARES/EXPERIMENTOS_INSTRUMENTAC
AO.PDF

[5] WWW.EQUIPE-TERMOPAR.COM.BR/TERMOPARES.HTML#

FUNCIONAMENTO DOS TERMOPARES É BASEADO


NESTE FENÓMENO, QUE É CONHECIDO COMO
EFEITO DE SEEBECK. EMBORA PRATICAMENTE
SE POSSA CONSTRUIR UM TERMOPAR COM
QUALQUER COMBINAÇÃO DE DOIS METAIS,
UTILIZAM-SE APENAS ALGUMAS COMBINAÇÕES
NORMALIZADAS, ISTO PORQUE POSSUEM
TENSÕES DE SAÍDA PREVISÍVEIS E SUPORTAM
GRANDES GAMAS DE TEMPERATURAS.