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MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA

SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERA« O E TRANSFORMA« O MINERAL CPRM - SERVI«O GEOL”GICO DO BRASIL

GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

SECRETARIA DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO ECON‘MICO - SEDEC-RN FUNDA« O DE APOIO ¿ PESQUISA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE - FAPERN

GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

TEXTO EXPLICATIVO DOS MAPAS GEOLÓGICO E DE RECURSOS MINERAIS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

ESCALA 1:500.000

Luiz Alberto de Aquino Angelim Júlio de Rezende Nesi Hélton Héleri Falcão Torres Vladimir Cruz de Medeiros Carlos Alberto dos Santos José Pessoa Veiga Junior Vanildo Almeida Mendes

Organizado por:

Luiz Alberto de Aquino Angelim

Recife, 2006

CONVÊNIO CPRM/SEDEC-RN/FAPERN

GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL. CONV NIO DE COOPERA« O E APOIO T…CNICO - CIENTÕFICO CPRM - COMPANHIA DE PESQUISA DE RECURSOS MINERAIS/SECRETARIA DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO ECON‘MICO DO RIO GRANDE DO NORTE/ FUN- DA« O DE APOIO ¿ PESQUISA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

A582

Angelim, Luiz Alberto de Aquino

Geologia e recursos minerais do Estado do Rio Grande do

[et

Norte - Escala 1:500.000. / Luiz Alberto de Aquino Angelim

al.]. - Recife: CPRM - ServiÁo GeolÛgico do Brasil, 2007. 119 p. : il. color.; 21x29,7 cm + 2 mapas.

PublicaÁ„o do Programa Geologia do Brasil - PGB.

1. Geologia Regional - Rio Grande do Norte. 2. Recursos Minerais - Rio Grande do Norte. 3. Rio Grande do Norte. I. Nesi, J˙lio de Rezende. II. Torres, Helton HÈleri Falc„o. III. Medeiros, Vladimir Cruz de. IV. Santos, Carlos Alberto dos. V. Veiga Junior, JosÈ Pessoa. VI. Mendes, Vanildo Almeida. VII. TÌtulo.

CDD 558.132

MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA

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GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

SECRETARIA DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO ECON‘MICO - SEDEC-RN FUNDA« O DE APOIO ¿ PESQUISA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE - FAPERN

GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA SILAS RONDEAU CAVALCANTE SILVA Ministro

SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL CL£UDIO SCLIAR Secret·rio

CPRM - SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL AGAMENON S…RGIO LUCAS DANTAS Diretor-Presidente

MANOEL BARRETTO DA ROCHA NETO Diretor de Geologia e Recursos Minerais

JOS… RIBEIRO MENDES Diretor de Hidrologia e Gest„o Territorial

FERNANDO PEREIRA DE CARVALHO Diretor de RelaÁıes Institucionais e Desenvolvimento

£LVARO ROG…RIO ALENCAR SILVA Diretor de AdministraÁ„o e FinanÁas

EDILTON JOS… DOS SANTOS Chefe do Departamento de Geologia

REINALDO SANTANA CORREIA BRITO Chefe do Departamento de Recursos Minerais

IN£CIO DE MEDEIROS DELGADO Chefe da Divis„o de Geologia B·sica

JO O HENRIQUE GON«ALVES Chefe da Divis„o de Geoprocessamento

SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE RECIFE JOS… WILSON DE CASTRO TEMOTEO Superintendente Regional

J⁄LIO DE REZENDE NESI Chefe do N˙cleo de Apoio de Natal

ADEILSON ALVES WANDERLEY Gerente de Geologia e Recursos Minerais

JOS… PESSOA VEIGA JUNIOR Gerente de RelaÁıes Institucionais e Desenvolvimento

LUIZ ALBERTO DE AQUINO ANGELIM CARLOS ALBERTO DOS SANTOS Supervisores da GerÍncia de Geologia e Recursos Minerais

GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE WILMA MARIA DE FARIA Governadora

SECRETARIA DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO ANTONIO THIAGO GADELHA SIMAS NETO Secret·rio

JOS… RUFINO JUNIOR Secret·rio Adjunto

OTACÕLIO OZIEL DE CARVALHO Coordenador de Desenvolvimento de Recursos Minerais

FRANCISCO ASSUERO BEZERRA DE FRAN- «A Subcoordenador de Desenvolvimento de Recursos Minerais

FUNDAÇÃO DE APOIO À PESQUISA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE JOS… LACERDA ALVES FELIPE Presidente

EVERTON MACIEL COSTA Coordenador de Acompanhamento e AvaliaÁ„o de Projetos

MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA

SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERA« O E TRANSFORMA« O MINERAL CPRM - SERVI«O GEOL”GICO DO BRASIL

GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

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GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

TEXTO EXPLICATIVO DOS MAPAS GEOL”GICO E DE RECURSOS MINERAIS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

Escala 1:500.000

CRÉDITOS TÉCNICOS Edilton JosÈ dos Santos Coordenador Nacional do Programa Geologia B·sica

Adeilson Alves Wanderley Coordenador Regional do Programa Geologia B·sica

Luiz Alberto de Aquino Angelim Supervisor de Geologia

EQUIPE EXECUTORA Luiz Alberto de Aquino Angelim J˙lio de Rezende Nesi Helton HÈleri Falc„o Torres Vladimir Cruz de Medeiros Carlos Alberto dos Santos JosÈ Pessoa Veiga Junior Vanildo Almeida Mendes Roberto Gusm„o de Oliveira Maria AngÈlica F. Sampaio Roberto Vieira Ara˙jo

REVISÃO FINAL DA NOTA EXPLICATIVA In·cio de Medeiros Delgado

COLABORADORES Edilton JosÈ dos Santos - CPRM In·cio de Medeiros Delgado - CPRM Jo„o Henrique GonÁalves - CPRM JosÈ Domingos Alves de Jesus - CPRM AntÙnio Rabelo Sampaio - CPRM Dalvanise da R. S. Bezerril - CPRM Josias Barbosa de Lima - CPRM Carlos Alberto Cavalcanti Lins - CPRM Ernesto Von Sperling de Lima - CPRM Francisco Assuero Bezerra de FranÁa - SEDEC-RN CornÈlio BenÈvolo Xavier - SEDEC-RN JosÈ Maria do RÍgo - SEDEC-RN AntÙnio Arruda Aquino - SEDEC-RN Jorge Luis da Costa - DNPM

APOIO TÉCNICO DIGITAL - SUREG-RE Robson de Carlo da Silva Ana Paula Rangel Jacques Francisco de A. B. de Moraes Alan DionÌsio de Barros Paulo Roberto S. de AssunÁ„o JosÈ Pessoa Veiga Junior Claudio Scheid Vladimir Cruz de Medeiros

CRÉDITOS DE AUTORIA

Cap. 1 Luiz Alberto de Aquino Angelim Cap. 2 Helton HÈleri Falc„o Torres Cap. 3

3.1 Helton HÈleri Falc„o Torres, Luiz Alberto de Aquino Angelim e Carlos Alberto dos Santos

3.2 Luiz Alberto de Aquino Angelim, Helton HÈleri Falc„o Torres e Carlos Alberto dos Santos

3.3 Helton HÈleri Falc„o Torres, Luiz Alberto de Aquino Angelim e Carlos Alberto dos Santos

3.4 Luiz Alberto de Aquino Angelim, Helton HÈleri Falc„o Torres e Carlos Alberto dos Santos

3.5, 3.6 e 3.7 Luiz Alberto de Aquino Angelim

3.8.1 Luiz Alberto de Aquino Angelim e JosÈ Pessoa Veiga Junior

3.8.2 Luiz Alberto de Aquino Angelim

3.9 Luiz Alberto de Aquino Angelim

3.10 Luiz Alberto de Aquino Angelim e JosÈ Pessoa Veiga Junior

Cap. 4

4.1 Helton HÈleri Falc„o Torres

4.2 Vladimir Cruz de Medeiros e Luiz Alberto de Aquino Angelim

Cap. 5 J˙lio de Rezende Nesi

5.6.5 Vanildo Almeida Mendes e J˙lio de Rezende Nesi

Análises Petrográficas Maria AngÈlica Fonseca Sampaio e Roberto Vieira Ara˙jo Referências Bibliográficas Dalvanise da Rocha S. Bezerril Digitalização de Figuras Alan DionÌsio de Barros Mapa Geológico Geologia Luiz Alberto de Aquino Angelim e Vladimir Cruz de Medeiros Recursos Minerais J˙lio de Rezende Nesi Mapa de Recursos Minerais Recursos Minerais J˙lio de Rezende Nesi Geologia Luiz Alberto de Aquino Angelim Cartografia Digital Robson de Carlo da Silva, Ana Paula Rangel Jacques, Francisco de A. B.

de Moraes, Alan DionÌsio de Barros, JosÈ Pessoa Veiga J˙nior, Paulo Roberto S. de AssunÁ„o e Vladimir Cruz de Medeiros Editoração Eletrônica Claudio Scheid

PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL - PGB

ConvÍnio Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais - CPRM Secretaria de Estado do Desenvolvimento EconÙmico do Rio Grande do Norte - SEDEC-RN FundaÁ„o de Apoio ‡ Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte-FAPERN

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

APRESENTAÇÃO

O MinistÈrio de Minas e Energia, atra- vÈs da Secretaria de Geologia MineraÁ„o e TransformaÁ„o Mineral - SGM e do ServiÁo GeolÛgico do Brasil - CPRM; e o Governo do Estado do Rio Grande do Norte, via Secreta- ria de Estado do Desenvolvimento EconÙmico (SEDEC-RN) e da FundaÁ„o de Apoio ‡ Pes- quisa do Estado do Rio Grande do Norte (FAPERN) tÍm a grata satisfaÁ„o de disponi- bilizar ‡ sociedade potiguar, ‡ comunidade tÈcnico-cientÌfica e aos empres·rios do setor mineral, o estado da arte da Geologia e Re- cursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte. Aqui est„o reunidas informaÁıes atualizadas do subsolo do estado, contendo o mapa geolÛgico e o mapa de recursos mine- rais, na escala 1:500.000 e texto explicativo em formato PDF, estruturados em Sistema de InformaÁıes Geogr·ficas. Com este passo, o Estado sistematiza e organiza o conhecimento geolÛgico de seu territÛrio, compilado em um sistema digital de f·cil atualizaÁ„o, dando um salto de qualidade na infra-estrutura local voltada para a gest„o do meio fÌsico. Agora o Rio Grande do Norte

passa a contar com um poderoso instrumento de fomento ‡ pesquisa mineral, ofertando aos investidores potenciais, um orientador de estratÈgias confi·vel, garantindo no mÈdio e longo prazo, retorno positivo na geraÁ„o de riquezas. AlÈm disso, o conhecimento geolÛ- gico constitui indispens·vel ferramenta para o planejamento do ordenamento e ocupaÁ„o territorial, em bases sustent·veis, aspecto que, por si sÛ, sobreleva a import‚ncia do presente trabalho, especialmente nessa regi- „o do paÌs, ainda t„o carente de investimen- tos.

A vocaÁ„o mineira do Nordeste Orien- tal do Brasil, e em particular do Rio Grande do Norte, foi revelada na dÈcada de 40, du- rante a Segunda Guerra Mundial, quando se descobriram, na regi„o, subst‚ncias minerais de uso na fabricaÁ„o de artefatos bÈlicos. Dentre os principais bens minerais potenciais e em explotaÁ„o no Estado destacam-se as ·guas minerais, as gemas (·gua marinha, ametista, esmeralda, turmalina, quartzo rÛ- seo, etc.); metais nobres (ouro); os metais ferrosos (ferro, molibdÍnio e tungstÍ-

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

nio/scheelita); os metais n„o ferrosos e se- mimetais (berilo, tantalita-columbita, lÌ- tio/ambligonita e espodumÍnio, etc.); os mate- riais de uso na construÁ„o civil (areia, argila, cascalho, pedra britada, rocha ornamental e pedra de cantaria); as rochas e minerais in- dustriais (amianto, barita, caulim, diatomita, feldspato, gipsita, mica, quartzo, rochas car- bon·ticas, sal marinho, etc.); e os recursos minerais energÈticos (tÛrio, ur‚nio, petrÛleo, g·s natural e turfa). Face ‡ diversidade e potencialidade dos recursos minerais do Estado e o tempo decorrido desde o lanÁamento em 1998 do ˙ltimo mapa geolÛgico do Rio Grande do Norte na escala 1:500.000, elaborado pela parceria UFRN / DNPM / PETROBRAS / Go- verno do Estado, uma nova ediÁ„o do mapa estadual, contemplando o estado da arte da geologia regional fazia-se premente. Com mais este lanÁamento, o ServiÁo GeolÛgico do Brasil segue dando cumprimen- to ‡ polÌtica governamental de atualizar o

conhecimento geolÛgico do paÌs, seja atravÈs da retomada dos levantamentos geolÛgicos b·sicos, nas escalas 1:250.000 e 1:100.000, seja atravÈs das integraÁıes estaduais, 1:1.000.000 ou 1:500.000, contribuindo dessa forma, com o resgate da infra-estrutura de desenvolvimento regional, como subsÌdio

importante ‡ formulaÁ„o de polÌticas p˙blicas

e apoio nas tomadas de decis„o de investi-

mentos. Em termos macropolÌticos, este pro- duto resulta do Programa Geologia do Brasil,

do Plano Plurianual 2004-2007, cujo objetivo

È patrocinar aÁıes que incrementem o co-

nhecimento geolÛgico e hidrolÛgico do territÛ- rio brasileiro. Ao ensejo, enaltecemos a import‚ncia dessa frutÌfera parceria institucional, visando n„o sÛ ‡ geraÁ„o de mapas estaduais, mas ‡

consolidaÁ„o de uma verdadeira polÌtica geo- lÛgica nacional, na certeza de que o exemplo cooperativo persistir·, para alÈm dos interes- ses transitÛrios, como marco de um novo tempo na geologia do Brasil.

Agamenon Sérgio Lucas Dantas Diretor-Presidente do ServiÁo GeolÛgico do Brasil

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

RESUMO

O Estado do Rio Grande do Norte

localiza-se geotectonicamente na ProvÌncia Borborema, SubprovÌncia Setentrional. Seu

substrato È constituÌdo por rochas precambri- anas que ocupam cerca de 65% de sua ·rea territorial e por rochas sedimentares meso- cenozÛicas que recobrem a porÁ„o restante.

O substrato precambriano compreende trÍs

domÌnios tectonoestruturais, o DomÌnio Ja- guaribeano, a oeste, o DomÌnio Rio Piranhas- SeridÛ, parte central e o DomÌnio S„o JosÈ do Campestre, a leste, limitados por duas impor- tantes zonas de cisalhamento brasilianas, a oeste a zona de cisalhamento Portalegre e a leste a zona de cisalhamento PicuÌ-Jo„o C‚-

mara.

O DomÌnio Jaguaribeano, pouco re-

presentativo no estado, congrega predomi- nantemente rochas metaplutÙnicas migmati- zadas do Complexo Jaguaretama do Riacia-

no, uma seq¸Íncia metassedimentar com metavulc‚nicas subordinadas correspondente

ao Grupo Serra de S„o JosÈ e o magmatismo

anorogÍnico da SuÌte Serra do Deserto, estas ˙ltimas unidades do Estateriano.

O DomÌnio Rio Piranhas-SeridÛ en-

cerra um embasamento de idade riacia- na/orosiriana com prov·veis remanescentes arqueanos, denominado de Embasamento Rio Piranhas e uma cobertura de rochas su-

pracrustais ediacaranas que constituem a Faixa SeridÛ, filiada ‡ OrogÍnese Brasiliana.

O Embasamento Rio Piranhas È constituÌdo

pelo Complexo CaicÛ, o qual encerra unida- des metavulcanossedimentar e metaplutÙni- ca, e pela suÌte sin a tardiorogÍnica PoÁo da Cruz. A Faixa SeridÛ, formada pelo Grupo SeridÛ, consta de uma seq¸Íncia inferior metavulcanossedimentar designada de For- maÁ„o Serra dos Quintos, das unidades de rochas silicicl·sticas e carbon·ticas de ambi- ente plataformal representadas pelas forma-

Áıes Jucurutu e Equador e, no topo, de uma

seq¸Íncia turbidÌtica flyschÛide pertencente ‡ FormaÁ„o SeridÛ.

O DomÌnio S„o JosÈ do Campestre

apresenta um bloco paleo-meso-neoar- queano, o N˙cleo Bom Jesus-Presidente Juscelino, em torno do qual se aglutinam unidades litoestratigr·ficas do Riaciano. O n˙cleo arqueano congrega o Metatonalito Bom Jesus que constitui o fragmento de cros- ta mais antigo da plataforma Sul-americana (3,5-3,4 Ga), o Complexo Presidente Jusceli- no formado por ortognaisses e migmatitos de afinidades TTG, o Complexo Brejinho que se caracteriza por incluir rochas peraluminosas

de composiÁ„o TTG, o Complexo Senador ElÛi de Souza composto por uma associaÁ„o

de rochas metam·ficas, e por ˙ltimo o Grani- tÛide S„o JosÈ do Campestre que congrega rochas subalcalinas constituindo os termos petrogr·ficos mais evoluÌdos e diferenciados do n˙cleo arqueano. As unidades litoestrati- gr·ficas paleoproterozÛicas re˙nem os com- plexos Jo„o C‚mara, Santa Cruz e Serrinha- Pedro Velho.

O Rio Grande do Norte foi palco de

expressivo plutonismo brasiliano de idade ediacarana, cujo episÛdio principal ocorreu no intervalo de 580-570 Ma (idades U-Pb), re- presentado pelas suÌtes intrusivas: a) S„o Jo„o do Sabugi, de composiÁ„o m·fica a intermedi·ria e afinidade quÌmica shoshonÌti- ca; b) Itaporanga, caracterizada pela textura de megacristais de feldspatos pot·ssicos, afinidade calcialcalina de alto pot·ssio e por apresentar feiÁıes de mistura de magmas; c) Dona InÍs, constituÌda por leucogranitÛides de granulaÁ„o fina a microporfirÌtica e afinida- de calcialcalina de alto pot·ssio; d) Catinguei- ra, formada por granitos alcalinos e e) Umari- zal, caracterizada por apresentar f·cies char- nockÌtica, de afinidade subalcalina e alcalina.

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

Inclui ainda corpos granÌticos de quimismo indiscriminado. A atividade granÌtica brasilia- na È encerrada pela intrus„o dos diques de pegmatito de idade cambriana (514-509 Ma), que È sucedido pelo plutonismo granÌtico anorogÍnico ordoviciano de ca. 450 Ma, re- presentado pelo stock do granito Flores. No Cret·ceo Inferior ocorreu a sedi- mentaÁ„o das bacias Potiguar, Gangorra, Rafael Fernandes e Cel. Jo„o Pessoa a partir da abertura de gr·bens relacionada ‡ abertu- ra do Atl‚ntico Sul. A Bacia Potiguar, de mai- or express„o territorial, por ter evoluÌdo de uma bacia rifte para uma bacia de margem passiva, est· representada na porÁ„o emersa pela formaÁ„o silicicl·stica AÁu e pela forma- Á„o carbon·tica/evaporÌtica JandaÌra. O embasamento cristalino e os sedi- mentos cret·ceos s„o recobertos em parte por diversas unidades silicicl·sticas do Pale- Ûgeno/NeÛgeno tais como o Grupo Barreiras, as formaÁıes Serra do Martins, Potengi e Tibau, e pelos sedimentos inconsolidados do NeÛgeno. Entre o Cret·ceo Inferior e o PaleÛ- geno est„o registrados no Rio Grande do Norte trÍs eventos de magmatismo b·sico intraplaca: o enxame de diques b·sicos Rio Cear·-Mirim associado ‡ movimentaÁ„o transtracional que deu origem ao rifte Poti- guar, e os magmatismos Serra do CuÛ e Ma- cau posteriores a sedimentaÁ„o da Bacia Potiguar e de algumas das formaÁıes conti- nentais cenozÛicas.

O Estado do Rio Grande do Norte de

conhecida vocaÁ„o mineral marcou, a partir da dÈcada de 1940, a sua participaÁ„o na histÛria da ind˙stria extrativa mineral do paÌs, como o primeiro produtor de gipsita, o maior produtor nacional de concentrado de scheelita

e de sal marinho, grande produtor do Nordes-

te de caulim prim·rio e de concentrado de berilo. O seu potencial mineral levou a desco- berta de centenas de ocorrÍncias, garimpos, depÛsitos minerais e minas, de subst‚ncias minerais diversas, grande parte delas, atual- mente integradas ao sistema produtivo. Atualmente o estado destaca-se no cen·rio nacional como o primeiro produtor de sal marinho, o segundo produtor de petrÛleo (primeiro em terra) e o quarto produtor de g·s natural. Na regi„o nordeste È o maior produ- tor de telhas e grande produtor de minerais e rochas industriais, notadamente feldspato, caulim, mica, calc·rio e gemas, destacando- se a ·gua-marinha e a turmalina. Esta per- formance coloca o Rio Grande do Norte como

o quarto maior produtor mineral do paÌs. Foram listados 1.993 jazimentos mi- nerais entre minas, depÛsitos minerais, ga- rimpos e ocorrÍncias, abrangendo mais de 30 subst‚ncias minerais, cuja grande maioria situa-se no DomÌnio Rio Piranhas-SeridÛ e, em segundo plano, no DomÌnio S„o JosÈ do Campestre, alÈm das mineralizaÁıes associ- adas ‡s coberturas sedimentares cret·ceas e cenozÛicas.

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

ABSTRACT

Geotectonicaly, the State of Rio Grande do Norte is located in the Borborema Province, Northeastern Brazil, constituted by Precambrian rocks that occupy 65% of the territorial area, and by sedimentary meso- Cenozoic rocks recovering the remaining por- tion. The Precambrian substratum compre- hends three tectonostructural domains, to the west the Jaguaribeano Domain, the Rio Pira- nhas-SeridÛ Domain to the central portion, and the S„o JosÈ do Campestre Domain to the the east, limited by two important Brasili- ano aged shear zones, the Portalegre shear zone to the west, and the PicuÌ-Jo„o C‚mara shear zone to the east. The Jaguaribeano Domain, of minor representation in the state, dominantly con- gregates migmatized metaplutonic rocks of the Jaguaretama Complex, of Rhyacian age, a metasedimentary sequence with subordi- nate metavolcanics, corresponding to the Serra de S„o JosÈ Group, and an anorogenic magmatism of the Serra do Deserto Suite, both of Statherian age. The Rio Piranhas-SeridÛ Domain con- tains a basement of Rhyacian/Orosirian age with possible Archean remnants, called Rio Piranhas Basement, and a recovering of Ediacaran supracrustal rocks constituting the SeridÛ Belt, affilliated to the Brasiliano Orogeny. The Rio Piranhas basement is con- stituted by the CaicÛ Complex, which contains metavolcanosedimentary and metaplutonic units, and by the syn to late orogenic PoÁo da Cruz Suite. The SeridÛ Belt, formed by the SeridÛ Group, consists of a lower metavolca- nosedimentary sequence designated as Serra dos Quintos Formation, of the siliciclastic and carbonatic rock units of platform environment, represented by the Jucurutu and Equador formations, and on top by a turbiditic flyschoid sequence belonging to the SeridÛ Formation.

The S„o JosÈ do Campestre Domain presents a paleo-meso-neo-Archean block, the Bom Jesus-Presidente Juscelino Nucleus, circled by Rhyacian litostratigraphic units. The Archean nucleus congregates the Bom Jesus meta-tonalite, that constitutes the oldest crust fragment of the South American platform (3,5- 3,4 Ga); the Presidente Juscelino Complex, formed by orthogneisses and migmatites of TTG affinity, the Brejinho Complex, character- ized by the inclusion of peraluminous TTG rock composition, the Senador ElÛi de Souza Complex, formed by an association of metamafic rocks, and at last, the S„o JosÈ do Campestre Granitoid, that congregates subal- kalin rocks, constituting the more developed and differentiated petrographic terms of the Archean nucleus. The paleoproterozoic litos- tratigraphic units embrace the Jo„o C‚mara, Santa Cruz and Serrinha-Pedro Velho com- plexes.

An expressive Brasiliano plutonism of Ediacaran age, took place in the State of Rio Grande do Norte, whose main episode oc- curred in the 580-570 Ma (ages U-Pb) inter- val, represented by the intrusive suites: a) S„o Jo„o do Sabugi, of mafic to intermediate

composition and shoshonitic chemical affinity;

b) Itaporanga, characterized by potassic feld-

spar megacrystal texture, high potassium calc-alkaline affinity and presenting magma mixture features; c) Dona InÍs, constituted by fine granulated to microporphiritic leucograni-

toids and high potassium calc-alkaline affinity;

d) Catingueira, formed by alkaline granites;

and e) Umarizal, characterized by the pres- ence of charnockitic facies, of sub-alkaline and alkaline affinities. There are also granitic bodies of undiscriminated chemistry. The Brasiliano granitic activity closes its cycle with the pegmatitic dike intrusions of Cambrian age (514-509 Ma). This event is succeeded

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

by an anorogenic Ordovician granitic pluton- ism, circa 450 Ma, represented by the Flores stock granite. The deposition of the Potiguar, Gan- gorra, Rafael Fernandes and Coronel Jo„o Pessoa basins, of Lower Cretaceous age, started with the graben opening related to South Atlantic Ocean opening. The Potiguar Basin, of larger territorial expression, for hav- ing developed from a basin rift to a passive margin basin, is represented in the emerged portion by the AÁu siliciclastic formation and by the JandaÌra carbonatic/evaporitic forma- tion.

The crystalline basement and the Cre- taceous sediments are partialy recovered by several Paleogene/Neogene siliciclastic units, like the Barreiras Group, Serra do Martins, Potengi and Tibau formations, and by uncon- solidated Neogene sediments. In the Rio Grande do Norte State, dur- ing Lower Cretaceous and Paleogene, there are the registry of three events of basic intra- plate magmatism: Rio Cear·-Mirim basic dyke swarms associated to the transtractional movement that created the Potiguar rift, and the Serra do CuÛ and Macau magmatism events, subsequent to the Potiguar Basin sediments and to some continental Cenozoic formations.

The well known mineral vocation tradi- tion of the State of Rio Grande do Norte, dur- ing 1940ís decade marked the participation in the history of Brazil extractive mineral indus- try, as the first gypsum producer, the largest national scheelite concentrate and sea salt producer, great primary kaolin producer and beril concentrate. The mineral potential led to the discovery of hundreds of occurrences, mineral deposits and mines, the greatest part of them is now integrated to the productive system.

Nowadays the state stands out in the national scenery as the first sea salt producer, the second oil producer (first on earth) and the fourth producer of natural gas. In the north- east area it is the largest ceramics producer, consisting of tiles and producer of minerals and industrial rocks, likely feldspar, kaolin, muscovite, limestone and gems (aquamarine and tourmaline). This performance places the Rio Grande do Norte State as the fourth larg- est mineral producer of the country. A sum of 1,993 occurrences were listed, embracing more than 30 mineral sub- stances, the great majority located in the Rio Piranhas-SeridÛ Domain and, secondly, in the S„o JosÈ do Campestre Domain, besides mineralizations associated to the cretaceous and cenozoic sedimentary recoverings.

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO

01

1.1 Metodologia

04

1.2 Produtos Gerados

04

2 DIVISÃO TECTONOESTRUTURAL

07

3 UNIDADES LITOESTRATIGRÁFICAS

15

3.1

DomÌnio Jaguaribeano (DJ)

15

3.1.1 Complexo Jaguaretama (PP2j)

17

3.1.2 Grupo Serra de S„o JosÈ (PP4sj)

17

3.1.3 SuÌte Serra do Deserto (PP4γs)

17

3.2

DomÌnio Rio Piranhas-SeridÛ (DPS)

17

3.2.1 Complexo CaicÛ (PP2caivs/PP2γcai/PP2cai)

17

3.2.2 SuÌte PoÁo da Cruz (PP3γpc)

19

3.2.3 Grupo SeridÛ (NP3s)

20

3.2.3.1 FormaÁ„o Serra dos Quintos (NP3sq)

21

3.2.3.2 FormaÁ„o Jucurutu (NP3sju)

22

3.2.3.3 FormaÁ„o Equador (NP3se)

23

3.2.3.4 FormaÁ„o SeridÛ (NP3ss)

23

3.3

DomÌnio S„o JosÈ do Campestre (DSJ)

24

3.3.1 Metatonalito Bom Jesus (A2bj)

24

3.3.2 Complexo Presidente Juscelino (A2j1/A23j2)

25

3.3.3 Complexo Brejinho (A3br)

26

3.3.4 Complexo Senador ElÛi de Souza (A3γes)

26

3.3.5 GranitÛide S„o JosÈ do Campestre (A4γjc)

26

3.3.6 Complexo Jo„o C‚mara (PP2jc)

27

3.3.7 Complexo Serrinha - Pedro Velho (PP2sp1/PP2sp2/PP2sp3/PP2sp4)

27

3.3.8 Complexo Santa Cruz (PP2sc)

28

3.3.9 SuÌte InharÈ (PP2 β i)

28

3.4

Magmatismo Sin a PÛs-OrogÍnico Brasiliano, do Ediacarano

29

3.4.1 SuÌte intrusiva S„o Jo„o do Sabugi (NP3 δ2s)

29

3.4.2 SuÌte intrusiva Itaporanga (NP3γ2it)

31

3.4.3 SuÌte intrusiva Dona InÍs (NP3γ2di)

32

3.4.4 SuÌte intrusiva Catingueira (NP3 λ 2ct)

33

3.4.5 SuÌte intrusiva Umarizal (NP3γ4u)

33

3.4.6 GranitÛides indiscriminados (NP3γi)

34

3.5

Magmatismo PÛs-OrogÍnico Cambriano

34

3.5.1

Diques de Pegmatito

34

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

3.6

Magmatismo AnorogÍnico Ordoviciano

36

3.6.1

Granito Flores (O3γf)

36

3.7 Quartzito S„o Fernando (NP3qf)

36

3.8 Bacias Sedimentares Cret·ceas

36

3.8.1

Bacia Potiguar

37

3.8.1.1 FormaÁ„o AÁu (K12a)

39

3.8.1.2 FormaÁ„o JandaÌra (K2j)

41

3.8.2

Bacias Interiores

41

3.8.2.1 Bacia Gangorra

41

3.8.2.2 Bacia Rafael Fernandes

41

3.8.2.3 Bacia Cel. Jo„o Pessoa

42

3.9

Magmatismo B·sico Meso-CenozÛico

42

3.9.1 Basalto Rio Cear·-Mirim (K1β cm)

42

3.9.2 Basalto Serra do CuÛ (K2β c)

43

3.9.3 Basalto Macau (E3β m)

43

3.10 Coberturas Continentais CenozÛicas

43

3.10.1 FormaÁ„o Tibau (E3N1t)

43

3.10.2 FormaÁ„o Serra do Martins (ENsm)

45

3.10.3 Grupo Barrreiras (ENb)

48

3.10.4 FormaÁ„o Potengi (ENpt)

50

3.10.5 DepÛsitos col˙vio-eluviais (N23c)

51

3.10.6 DepÛsitos de mangues (N23m)

51

3.10.7 DepÛsitos aluvionares antigos (N3a)

51

3.10.8 DepÛsitos fl˙vio-marinhos (N34fm)

51

3.10.9 DepÛsitos fl˙vio-lacustrinos (N34flc)

51

3.10.10 DepÛsitos eÛlicos litor‚neos de paleodunas (N34elp)

51

3.10.11 DepÛsitos litor‚neos de praias e dunas mÛveis (N4lpd)

52

3.10.12 DepÛsitos aluvionares (N4a)

52

4

EVOLUÇÃO TECTÔNICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

53

4.1 EvoluÁ„o TectÙnica Precambriana

53

4.2 EvoluÁ„o TectÙnica Meso-CenozÛica

58

5

RECURSOS MINERAIS DO RIO GRANDE DO NORTE

63

5.1 £guas Minerais

64

5.2 Gemas

65

5.3 Metais Nobres

67

5.4 Metais Ferrosos

70

5.4.1 MinÈrio de Ferro

70

5.4.2 MinÈrio de MolibdÍnio (Molibdenita)

72

5.4.3 MinÈrio de TungstÍnio (Scheelita)

72

5.5

Metais N„o Ferrosos e Semimetais

75

5.5.1 Berilo, Columbita-Tantalita, Ambligonita e EspodumÍnio

75

5.5.2 MinÈrio de Cobre

76

5.5.3 MinÈrio de Tit‚nio e ZircÙnio

76

5.6

Materiais de Usos na ConstruÁ„o Civil

77

5.6.1 DepÛsitos de Areia

77

5.6.2 DepÛsitos de Cascalho

79

5.6.3 Argila e Argilito

79

5.6.3.1 DepÛsitos de Argila

79

5.6.3.2 DepÛsitos de Argilito

81

5.6.4 Pedras Britadas

82

5.6.5 Rochas Ornamentais

83

5.6.5.1 Aspectos EconÙmicos e Financeiros do Setor

83

5.6.5.2 Quadro de Reservas

84

5.6.5.3 Rochas em ExplotaÁ„o e seu Controle GeolÛgico

84

5.7

Minerais e Rochas Industriais

87

5.7.1

Amianto

87

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

 

5.7.3 Caulim

88

5.7.4 Diatomito

89

5.7.5 EnxÙfre Nativo

90

5.7.6 Feldspato

90

 

5.7.7 Fluorita

93

5.7.8 Gipsita e Celestita

93

 

5.7.8.1 Gipsita

93

5.7.8.2 Celestita

94

5.7.9

Marga DolomÌtica

94

5.7.10 Mica e Quartzo

94

5.7.11 Rochas Carbon·ticas Sedimentares e MetamÛrficas

94

5.7.11.1 Rochas Carbon·ticas Sedimentares

94

5.7.11.2 Rochas Carbon·ticas MetamÛrficas

96

5.7.12 Sal Marinho

98

5.7.13 Talco e Vermiculita

99

5.8 Recursos Minerais EnergÈticos

100

5.8.1 MinÈrio de TÛrio

100

5.8.2 MinÈrio de Ur‚nio

100

5.8.3 PetrÛleo e G·s Natural

100

5.8.4 Turfa

103

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

105

APÊNDICE 1 Quadro das dataÁıes U-Pb no Estado do Rio Grande do Norte

APÊNDICE 2 Listagem dos Jazimentos Minerais

ANEXOS

Mapa GeolÛgico do Estado do Rio Grande do Norte - Escala 1:500.000

Mapa de Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte - Escala 1:500.000

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

RELAÇÃO DAS FIGURAS

Figura 1.1 Mapa de localizaÁ„o geogr·fica do Projeto Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

Figura 1.2 Carta estratigr·fica internacional, segundo International Commission on Stratigraphy (Gradstein et al., 2004). Siglas das unidades segundo Rename et al. (2000). Adaptada de Bizzi et al., 2003

Figura 1.3 Principais fontes cartogr·ficas utilizadas

Figura 2.1 DomÌnios tectÙnicos e principais estruturas da ProvÌncia Borborema Compilado de Delgado et al. (2003)

Figura 2.2 Mapa aeromagnÈtico do Estado do Rio Grande do Norte ressaltando os domÌnios tectonoestruturais Dados levantados pelos projetos aerogeofÌsicos: SeridÛ (DNPM/CNEN/CPRM), Bacia Potiguar (PETROBRAS) e EsperanÁa (NUCLEBRAS)

Figura 2.3 ArcabouÁo tectonoestrutural do Estado do Rio Grande do Norte Modificado de Delgado et al. (2003)

Figura 3.1 Mapa de distribuiÁ„o dos granitÛides brasilianos no Estado do Rio Grande do Norte

Figura 3.2 Mapa de distribuiÁ„o dos principais pegmatitos mineralizados no Estado do Rio Grande do Norte

Figura 3.3 ArcabouÁo estrutural do rifte Potiguar Amaral (1990), adaptado de Creminini et al. (1996)

Figura 3.4 SeÁ„o geolÛgica esquem·tica na Bacia Potiguar (parte marinha), mostrando o arca- bouÁo estrutural e estratigr·fico das seq¸Íncias sinrifte e pÛs-rifte. Mohriak (2003), modificado de Bertani et al. (1990)

Figura 3.5 SeÁ„o geolÛgica esquem·tica na Bacia Potiguar (parte terrestre), mostrando o arca- bouÁo estrutural e estratigr·fico das seq¸Íncias sinrifte e pÛs-rifte. Mohriak (2003), modificado de Bertani et al. (1990)

Figura 3.6 Carta estratigr·fica da Bacia Potiguar Sousa (2002), compilado de Araripe e FeijÛ (1994); Pessoa Neto (1999)

Figura 3.7 SeÁ„o colunar na regi„o de Tibau (CE), caracterizando as f·cies na seÁ„o tipo da FormaÁ„o Tibau; seÁ„o colunar na localidade de Barreiras (CE), mostrando o empilhamento de f·cies para a FormaÁ„o Potengi Compilado de Sousa (2002)

Figura 3.8a Perfis faciolÛgicos da FormaÁ„o Serra do Martins nas serras Portalegre, Martins e Santana. Compilado de Menezes (1999)

Figura 3.8b Legenda dos perfis faciolÛgicos da FormaÁ„o Serra do Martins nas serras Portale- gre, Martins e Santana. Compilado de Menezes (1999) Figura 3.9 Mapa faciolÛgico para o Grupo Barreiras entre Recife (PE) e Natal (RN) Sousa (2002), compilado de Alheiros e Lima Filho (1991)

Figura 3.10 SeÁıes colunares esquem·ticas do Grupo Barreiras, ilustrando o empilhamento das f·cies que caracterizam esta unidade Sousa (2002), compilado de Alheiros e Lima Filho (1991)

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

Figura 4.1 Modelo geodin‚mico para geraÁ„o da protocrosta continental (Complexo CaicÛ) no Embasamento Rio Piranhas Compilado de Jardim de S· (1994)

Figura 4.2 Modelo do regime sincolisional D1/D2 da OrogÍnese Brasiliana no DomÌnio Rio Pi- ranhas-SeridÛ (RN). Compilado de Hackspacher et al. (1997)

Figura 4.3 Contraste de estilo em transpress„o e transtraÁ„o na Faixa SeridÛ (FSE)/DomÌnio S„o JosÈ do Campestre (DSJ). Compilado de Jardim de S· (1994)

Figura 4.4 Perfil esquem·tico Riachuelo-Ielmo Marinho, representando a estrutura em flor posi- tiva na zona de cisalhamento transpressiva PicuÌ-Jo„o C‚mara e o car·ter extensional (trans- trativo) dos metassedimentos da FormaÁ„o SeridÛ na regi„o de Taipu. Compilado de Dantas

(1997)

Figura 4.5 ReconstruÁ„o prÈ-deriva aptiana dos continentes Africano e Sul-americano, segundo Matos (1999)

Figura 4.6 Modelo de evoluÁ„o estrutural mesozÛica, segundo Szatmari et al. (1985 e 1987)

Figura 4.7 EvoluÁ„o estrutural mesozÛica segundo modelo de Matos (1999)

Figura 4.8 Mapa da ProvÌncia Borborema (porÁ„o centro-norte), destacando os principais line- amentos estruturais. NÛbrega (2002), modificado de Matos (1992)

Figura 4.9 Bacias sedimentares interiores relacionadas ‡ falha Portalegre e subsidi·rias: Rio do Peixe (PB), Icozinho (CE), Cel. Jo„o Pessoa, Rafael Fernandes e Gangorra (RN). Compilado de NÛbrega et al. (2005)

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

RELAÇÃO DOS QUADROS

Quadro 3.1 RelaÁıes tectonoestratigr·ficas das unidades litoestratigr·ficas do Paleoarqueano ao Ordoviciano no Estado do Rio Grande do Norte

Quadro 3.2 DataÁıes U-Pb em granitÛides da SuÌte Itaporanga no Estado do Rio Grande do Norte

Quadro 3.3 RelaÁıes tectonoestratigr·ficas das unidades litoestratigr·ficas meso-cenozÛicas no Estado do Rio Grande do Norte

Quadro 5.1 ProduÁ„o de £gua Mineral - 2000/2005

Quadro 5.2 Reserva de Turmalina contida em pegmatito - 2004

Quadro 5.3 ProduÁ„o de Turmalina - 2000/2005

Quadro 5.4 ProduÁ„o de Ouro - 2000/2005

Quadro 5.5 Reserva de MinÈrio de Ferro - 2004

Quadro 5.6 ProduÁ„o de MinÈrio de Ferro - 2000/2005

Quadro 5.7 Reserva de MinÈrio de TungstÍnio - 2004

Quadro 5.8 ProduÁ„o de Concentrado de Scheelita - 2000/2004

Quadro 5.9 ProduÁ„o de Areia Aluvionar - 2000/2005

Quadro 5.10 ProduÁ„o de Argila Comum - 2000/2005

Quadro 5.11 Reserva de Argila Pl·stica - 2004

Quadro 5.12 Reserva de Pedra Britada - 2004

Quadro 5.13 ProduÁ„o de Pedra Britada - 2000/2005

Quadro 5.14 ProduÁ„o de Rocha Ornamental - 2000/2005

Quadro 5.15 Reserva de Rocha Ornamental - 2004

Quadro 5.16 Reserva de Caulim - 2004

Quadro 5.17 ProduÁ„o de Caulim - 2000/2005

Quadro 5.18 Reserva de Diatomita - 2004

Quadro 5.19 ProduÁ„o de Diatomita Beneficiada - 2000/2005

Quadro 5.20 Reserva de Feldspato - 2004

Quadro 5.21 ProduÁ„o de Feldspato - 2000/2005

Quadro 5.22 Reserva de Calc·rio Sedimentar CalcÌtico - 2004

Quadro 5.23 ProduÁ„o de Calc·rio Sedimentar CalcÌtico - 2000/2005

Quadro 5.24 ProduÁ„o de Calc·rio Sedimentar DolomÌtico - 2000/2005

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

Quadro 5.25 Reserva de M·rmore CalcÌtico - 2004

Quadro 5.26 Reserva de M·rmore CalcÌtico - Currais Novos - 2004

Quadro 5.27 ProduÁ„o de Sal Marinho - 2000/2005

Quadro 5.28 Reserva Provada de PetrÛleo - 2000/2004

Quadro 5.29 Reserva Provada de G·s Natural - 2000/2004

Quadro 5.30 ProduÁ„o de PetrÛleo - 2000/2005

Quadro 5.31 ProduÁ„o de G·s Natural - 2000/2005

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

RELAÇÃO DAS FOTOGRAFIAS

Foto 5.1 InstalaÁıes de ·gua mineral da Hidrominas Santa Maria (Parnamirim)

Foto 5.2 Garimpo de ·gua marinha do Talhado (Tenente Ananias)

Foto 5.3 Shaft de acesso ‡ mina de turmalina de Quintos de Baixo (Parelhas)

Foto 5.4 Cava de explotaÁ„o abandonada de ouro prim·rio da mina S„o Francisco (Currais Novos)

Foto 5.5 Vista do shaft de pesquisa de ouro da mina Bonfim (Lajes)

Foto 5.6 Cava de extraÁ„o do minÈrio de ferro da mina Jucurutu/Pico do Bonito (Jucurutu)

Foto 5.7 P·tio de estocagem do minÈrio de ferro extraÌdo da mina Jucurutu/Pico do Bonito (Ju- curutu)

Foto 5.8 Galeria de acesso a explotaÁ„o do minÈrio de tungstÍnio. NÌvel superior (escarnito A), setor L3 da mina BrejuÌ (Currais Novos)

Foto 5.9 Rejeito de fraÁ„o areia remanescente da explotaÁ„o de scheelita na mina BrejuÌ (Cur- rais Novos)

Foto 5.10 Lavra de areia aluvionar em leito seco do rio Apodi (MossorÛ)

Foto 5.11 Lavra de areia em l‚mina dí·gua, atravÈs de draga flutuante no rio Potengi (Igreja Nova, S„o Paulo do Potengi)

Foto 5.12 InstalaÁıes fÌsicas da empresa de cer‚mica de revestimento (porcelanato) da ItagrÈs (MossorÛ)

Foto 5.13 Frente de lavra de granito para a produÁ„o de brita. Mina Serrinha (S„o GonÁalo do Amarante)

Foto 5.14 P·tio de unidade de britagem e de classificaÁ„o granulomÈtrica da brita. Mina Serri- nha (S„o GonÁalo do Amarante)

Foto 5.15 Frente de lavra do metaconglomerado da FormaÁ„o Equador (Boqueir„o, Parelhas)

Foto 5.16 Frente de lavra do granito pegmatÛide de Boqueir„o (Parelhas)

Foto 5.17 Garimpo de feldspato na regi„o de Santana do SeridÛ

Foto 5.18 P·tio de estocagem e instalaÁıes de beneficiamento de feldspato da empresa AR- MIL (Parelhas)

Foto 5.19 Frente de lavra de calc·rio da mina da Itapetinga Agro-Industrial (MossorÛ)

Foto 5.20 Frente de lavra de calc·rio da mina da Kical (Gov. Dix-Sept Rosado)

Foto 5.21 P·tio de estocagem de sal marinho. Salina da Salinor (Macau)

Foto 5.22 Embarque de sal marinho no porto Ilha da Areia Branca

Foto 5.23 Vista panor‚mica do PÛlo Industrial de GuamarÈ

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

O Projeto Geologia e Recursos Mine-

rais do Estado do Rio Grande do Norte - Es- cala 1:500.000, faz parte do Programa Geo- logia do Brasil - PGB, £rea IntegraÁıes Geo- lÛgicas Regionais, executado pela CPRM - ServiÁo GeolÛgico do Brasil. O projeto foi desenvolvido atravÈs de um convÍnio de co- operaÁ„o e apoio tÈcnico-cientÌfico celebrado entre a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais - CPRM e o Governo do Estado do Rio Grande do Norte atravÈs da FundaÁ„o de Apoio ‡ Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte - FAPERN, com a interveniÍncia da Secretaria de Estado do Desenvolvimento EconÙmico - SEDEC-RN.

O Estado do Rio Grande do Norte lo-

caliza-se na Regi„o Nordeste do Brasil, na

sua porÁ„o oriental, com uma superfÌcie de aproximadamente 53.166 Km 2 . A figura 1.1 mostra a localizaÁ„o geogr·fica do Rio Gran- de do Norte no ‚mbito da Regi„o Nordeste e em relaÁ„o ao Brasil.

O ˙ltimo mapa geolÛgico do estado,

na escala 1:500.000, foi elaborado em 1998 pela UFRN/DNPM/PETROBRAS/Governo do Estado do Rio Grande do Norte, que teve como produto final um mapa geolÛgico, con- templando o estado da arte da geologia do territÛrio norte-riograndense naquele momen- to.

O Estado do Rio Grande do Norte situa-se entre os principais pÛlos mineiros do nordeste brasileiro, sendo portador de diver- sos recursos minerais de valor econÙmico atuais e potenciais, tais como petrÛleo, mine- rais de pegmatito, minÈrio de ferro, minÈrio de tungstÍnio, calc·rio/m·rmore, dolomito, ouro, rochas ornamentais, britas, areias, argilas, etc. Por outro lado È bastante significativa a

1

INTRODU« O

produÁ„o de novas informaÁıes geolÛgicas, registradas em trabalhos tÈcnicos de diversas entidades e dissertaÁıes e teses de v·rias universidades. Em face desta diversidade e potencia- lidade dos recursos minerais, aliada a vasta produÁ„o de novos trabalhos tÈcnico- cientÌficos, n„o contemplados na ˙ltima edi- Á„o do mapa geolÛgico do estado (1998), e aos avanÁos tecnolÛgicos no armazenamento

e na disponibilizaÁ„o ao p˙blico destas infor- maÁıes em bancos de dados (GEOBANK/ CPRM, ambiente SIG), tornou-se imperativo uma ediÁ„o atualizada dos mapas geolÛgico

e de recursos minerais do Rio Grande do Norte.

O SIG (Sistema de InformaÁıes Geo-

gr·ficas) do Projeto Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte - Escala 1:500.000 tem como objetivo dotar o estado de uma base de dados e informaÁıes geolÛgicas e de recursos minerais do seu territÛrio, visando subsidiar o planejamento de aÁıes governamentais e da iniciativa privada no setor mineral, e tambÈm em outras ·reas, como as ligadas ‡ construÁ„o civil, ind˙stria, gest„o territorial, preservaÁ„o do meio ambi- ente, agricultura, irrigaÁ„o, transporte e ener- gia.

A coluna estratigr·fica adotada neste

trabalho (figura 1.2) foi adaptada da Carta Estratigr·fica Internacional (International Stra- tigraphic Chart; Gradstein et al., 2004), apro- vada pela International Comission on Strati- graphy (ICS) e ratificada pela International Union of Geological Sciences (IUGS). As siglas utilizadas das idades s„o aquelas da International Stratigraphic Chart, compilada por Remane et al. (2000), publicada pela

1

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

Unesco e IUGS no ano de 2000. H· exceÁ„o no tocante ao Eon Arqueano, onde as siglas originais do Paleo ao Neoarqueano (EA, PA, MA e NA) foram substituÌdas pelas siglas correspondentes A1, A2, A3 e A4, utilizadas pela CPRM (Bizzi et al., 2001; Schobbenhaus

et al., 2004). TambÈm nas …pocas Pleistoce- no e Holoceno, as siglas Q1 e Q2, foram substituÌdas, respectivamente, por N3 e N4 do NeÛgeno. Os nomes traduzidos do Fane- rozÛico foram compilados de Bizzi et al.

(2003).

34 36 38 4 40 42 4 MossorÛ CEAR£ RIO GRANDE DO NORTE NATAL 6
34
36
38
4
40
42
4
MossorÛ
CEAR£
RIO GRANDE DO NORTE
NATAL
6
6
Currais Novos
Santa Cruz
CaicÛ
Juazeirinho
PIAUÕ
PARAÕBA
FRANCISCO
RIO
Campina
SÃO
JO O
PESSOA
Grande
8
8
RECIFE
PERNAMBUCO
Caruaru
Arcoverde
Petrolina
ALAGOAS
MACEI”
Juazeiro
10
10
Rio Itapicuru
BAHIA
SERGIPE
ARACAJU
12
12
Rio Jaguaribe
O
C
E
A
N
O
OCITN¬LTA

MAPA DO BRASIL

MAPA DO BRASIL
LEGENDA Capitais Cidades Limite interestadual
LEGENDA
Capitais
Cidades
Limite interestadual

Figura 1.1 - Mapa de localizaÁ„o geogr·fica do Projeto Geologia e Recursos Minerais do Esta- do do Rio Grande do Norte.

2

3

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte
Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

1.1 - Metodologia

Os procedimentos metodolÛgicos seguiram a sistem·tica do PGB para os traba- lhos de integraÁıes geolÛgicas regionais, tais como: aquisiÁ„o do acervo bibliogr·fico em entidades diversas, compilaÁ„o, consistÍncia e integraÁ„o destas informaÁıes (dados geo- lÛgicos, geofÌsicos, geoquÌmicos, geocronolÛ- gicos, cadastramento de recursos minerais, fotografias aÈreas, imagens de satÈlites, etc., muitos deles compondo a base de dados do GEOBANK/CPRM); elaboraÁ„o da base car- togr·fica e do mapa geolÛgico preliminar; campanha de campo em ·reas problem·ticas e/ou carentes de informaÁıes geolÛgicas; elaboraÁ„o dos produtos finais (mapas, texto explicativo e SIG). As principais fontes cartogr·ficas utilizadas na integraÁ„o geolÛgica est„o indi- cadas na figura 1.3. S„o essencialmente tra- balhos de cunho regional nas escalas 1:100.000, 1:250.000, 1:500.000 e 1:1.000.000, ‡ exceÁ„o dos dados da PE- TROBRAS e da ANP. Alguns trabalhos de mapeamento geolÛgico na escala 1:25.000 (relatÛrios de graduaÁ„o da UFRN), embora n„o constem nesta figura, foram citados no texto.

A base cartogr·fica digital utilizada

nos mapas geolÛgico e de recursos minerais impressos e no SIG foi elaborada pela Em- presa Terra e Mar SoluÁıes em Geologia e GeofÌsica Ltda., sob a supervis„o da C- PRM/SUREG-RE, a partir de base digitaliza- da pela Secretaria de Recursos HÌdricos (SERHID) do Estado do Rio Grande do Norte, obtida atravÈs de folhas da SUDENE (1970/71/72/85), escala 1:100.000, contidas nos limites do territÛrio norte-riograndense. A base foi ajustada ‡s imagens do Mosaico GeoCover, imagens Landsat 7 ETM+ resul- tante da fus„o das bandas 7, 4, 2 e 8, com

resoluÁ„o espacial de 14, 25 metros, ano 2000, ortorretificado e georreferenciado se- gundo o datum WGS-84. A atualizaÁ„o dos topÙnimos referen-

tes ‡s localidades e ‡s serras foi obtida do IBGE (2001) e a atualizaÁ„o da rede rodovi·- ria do DNIT (2002). Todos os temas da base cartogr·fica foram tambÈm revisados/atua- lizados pela equipe de geoprocessamento da SUREG-RE.

O mapa geolÛgico preliminar foi obti-

do a partir da compilaÁ„o e integraÁ„o dos mapas da figura 1.3., alÈm de outros mapas

4

de ·reas restritas em escalas maiores, com a adiÁ„o de ·reas fotointerpretadas a partir de aerofotos na escala 1:70.000 e de imagens de satÈlite Landsat 7 ETM+. Toda a ·rea do projeto foi cartografada sobre as bases plani- altimÈtricas da SUDENE, escala 1:100.000, com informaÁıes, em mÈdia, compatÌveis com a escala 1:250.000. As folhas 1:100.000 (mapas de servi- Áo) foram escaneadas, georreferenciadas, digitalizadas e, apÛs a junÁ„o das mesmas para a confecÁ„o do mapa na escala 1:500.000, os contatos geolÛgicos e os traÁos estruturais foram ajustados ‡s imagens Geo- Cover e ‡ base cartogr·fica digitalizada. As campanhas de campo foram reali- zadas atravÈs de perfis geolÛgicos expeditos em ·reas com cartografias conflitantes e/ou com carÍncia de informaÁıes. Foi dada prefe- rÍncia ao setor oeste do embasamento paleo- proterozÛico (Complexo CaicÛ) e ‡s rochas supracrustais neoproterozÛicas remanescen- tes do Grupo SeridÛ que repousam discor- dantemente sobre este embasamento.

1.2 - Produtos Gerados

Os produtos finais do projeto constam de um Mapa GeolÛgico e de um Mapa de Recursos Minerais na escala 1:500.000, de um texto explicativo e do SIG. Os mapas e o texto explicativo est„o disponÌveis em exem- plares impressos e em arquivos digitais em CD-ROM para impress„o e consulta em for- mato PDF. O SIG, gerado atravÈs do software ArcGis a partir do banco de dados de geolo- gia e recursos minerais do projeto, cujos re- sultados podem ser visualizados atravÈs do software ArcExibe, distribuÌdo no CD, inclui diversos temas disponibilizados em arquivos tipo shape file, como sejam: base cartogr·fica

digital, unidades litoestratigr·ficas, estruturas, recursos minerais, batimetria e estruturas oce‚nicas, dataÁıes geocronolÛgicas, geo- quÌmica de sedimentos de corrente, de solos

e de rochas, e poÁos tubulares do Rio Gran- de do Norte.

O mosaico GeoCover, o modelo digi- tal de terreno (SRTM), o mapa aeromagnÈtico

e o mapa gravimÈtrico do Rio Grande do Nor-

te, todos em formato raster (SID), tambÈm fazem parte deste acervo tÈcnico. Os diver- sos temas que compıem o SIG est„o associ- ados a um banco de dados com informaÁıes relevantes ao projeto.

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

5

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte 5

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

2

DIVIS O TECTONOESTRUTURAL

O Estado do Rio Grande do Norte compreende, em sua maior parte, rochas precambrianas da ProvÌncia Borborema as quais s„o recobertas por sedimentos fanero- zÛicos da ProvÌncia Costeira e Margem Con- tinental, conforme definido por Almeida et al.

(1977).

A ProvÌncia Borborema (figura 2.1) È constituÌda por seq¸Íncias metassedimenta- res e metavulc‚nicas de idades meso e neo- proterozÛicas, com blocos de embasamento de idade paleoproterozÛica, com alguns re- manescentes do Arqueano, configurando um cintur„o orogÍnico meso-neoproterozÛico, envolvendo microplacas e terrenos/domÌnios mais antigos. Sua evoluÁ„o culminou com uma colagem tectÙnica brasiliana/panafricana de ca. 600 Ma (Brito Neves et al., 2000), a qual foi acompanhada de um importante plu- tonismo granÌtico. Diversos modelos de compartimenta- Á„o tectÙnica foram elaborados para a Pro- vÌncia Borborema, com base na subdivis„o em faixas dobradas/supracrustais e maciÁos medianos, ou em domÌnios estruturais, entre os quais, os de Brito Neves (1975 e 1983) e os de Santos e Brito Neves (1984). Estas propostas tÍm como uma das principais ca- racterÌsticas considerar as faixas de supra- crustais como de evoluÁ„o monocÌclica, do- minantemente de idade neoproterozÛica, relacionadas ao ciclo brasiliano/panafricano, enquanto os maciÁos medianos ou embasa- mento teriam uma evoluÁ„o policÌclica. Ar- chanjo e Salim (1986), Caby (1989) e Caby et al. (1991), entre outros, admitem que a se- quÍncia basal de algumas destas faixas, se- jam de idade paleo ou mesoproterozÛicas, entretanto deformadas apenas no Brasiliano.

Em contrapartida, inicialmente, Jardim da S· (1984) e Jardim de S· et al. (1988), entre outros, advogam a presenÁa de algumas fai- xas supracrustais policÌclicas, filiadas ‡ oro- gÍnese TransamazÙnica e retrabalhadas pelo evento brasiliano. Jardim de S· e Macedo (1990), Jar- dim de S· et al. (1992) e Jardim de S· (1994) tambÈm subdividiram a ProvÌncia Borborema em domÌnios estruturais/faixas de dobramen- to, em grande parte, delimitados por expres- sivos lineamentos/zonas de cisalhamento brasilianas, destacando-se os lineamentos Patos e Pernambuco, de direÁ„o E-W. A pre- senÁa de anomalias gravimÈtricas, rochas vulc‚nicas de arco, rochas ultrab·sicas, eclo- gitos, entre outros aspectos, levaram esses autores a sugerirem a presenÁa de suturas delimitando terrenos alÛctones em algumas regiıes da provÌncia, em conson‚ncia com Santos et al. (1994) e Brito Neves et al.

(1995).

A utilizaÁ„o do modelo de terrenos tectonoestratigr·ficos para a ProvÌncia Borbo- rema foi proposta inicialmente por Davison (1987) na Faixa Sergipana, que depois revi- sou esta concepÁ„o, abandonando o uso do termo (Davison e Santos, 1989). Essa pro- posta foi retomada por Jardim de S· et al (1992), Jardim de S· (1994) e Santos (1995). Propostas melhores elaboradas puderam ser concebidas a partir de novos dados U-Pb e dados inÈditos de Sm-Nd obtidos inicialmente por Van Schmus et al. (1995). Com base nes- tes resultados Van Schmus et al. (1997) divi- diram a provÌncia em trÍs domÌnios tectÙnicos fundamentais: o DomÌnio Norte, situado a norte da zona de cisalhamento Patos, carac- terizado por uma forte contribuiÁ„o de crosta

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Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

arqueana e paleoproterozÛica; o DomÌnio Central compreendido pelas zonas de cisa- lhamento Patos a norte e a zona de cisalha- mento Pernambuco a sul, correspondente ao DomÌnio da Zona Transversal (Ebert, 1962; Jardim de S·, 1994), e o DomÌnio Sul, entre a zona de cisalhamento Pernambuco e o Cr·- ton do S„o Francisco. Nestes dois ˙ltimos, predominariam terrenos meso e neoprotero- zÛicos. Estes trÍs domÌnios foram renomea- dos respectivamente como SubprovÌncia Se- tentrional, SubprovÌncia da Zona Transversal e SubprovÌncia Meridional por Delgado et al. (2003), e ora adotados (figura 2.1). Sucessivos trabalhos continuaram advogando o modelo de terrenos tectonoes- tratigr·ficos quer para toda a provÌncia (San- tos, 1996), quer, especialmente, para a Sub- provÌncia da Zona Transversal (Santos et al., 1997 e Santos e Medeiros, 1999), entre ou- tros. Em uma an·lise abrangendo toda a Pro- vÌncia Borborema (Santos 1999, 2000) e Brito Neves et al. (2000) propuseram a existÍncia de superterrenos/domÌnios, separados por descontinuidades crustais brasilianas, que podem ou n„o representar suturas, com o lineamento Patos representando um limite de primeira ordem. Eles individualizaram terre- nos de afinidade oce‚nica, consolidaram o reconhecimento de um evento colisional me- so-neoproterozÛico na SubprovÌncia da Zona Transversal (evento Cariris Velhos) e elenca- ram os sucessivos episÛdios de acresÁ„o juvenil, sedimentaÁ„o e vulcanismo em terre-

nos e Èpocas distintas, entre outras contribui- Áıes. Assim, de acordo com esses autores, pode-se reconhecer, na provÌncia, uma evo- luÁ„o em um padr„o de ciclo acrescion·rio envolvendo acresÁ„o, colis„o e dispers„o de terrenos.

O substrato precambriano do Estado

do Rio Grande do Norte, situado integralmen- te a norte do lineamento Patos (SubprovÌncia Setentrional), estaria, em sua maior parte, inserido no DomÌnio (superterreno) Rio Gran- de do Norte daqueles autores, o qual seria constituÌdo pelos terrenos S„o JosÈ do Cam- pestre, SeridÛ, Rio Piranhas e Granjeiro, e em menor proporÁ„o pelo Terreno OrÛs- Jaguaribe, do DomÌnio Cearense, sendo os trÍs primeiros correspondentes ‡ Faixa SeridÛ de Jardim de S· et al. (1992) e Jardim de S·

(1994).

A interpretaÁ„o dos dados geofÌsicos,

efetuada por Oliveira et al. (2001), determina-

ram assinaturas aeromagnÈticas distintas em diversos segmentos/terrenos da ProvÌncia Borborema, sobretudo, separando de modo inequÌvoco os domÌnios/superterrenos situa-

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dos a norte e a sul do Lineamento Patos, salientando a import‚ncia desta estrutura, reforÁando a compartimentaÁ„o proposta

pelos autores anteriormente citados. Outros mÈtodos de abordagem foram tambÈm utilizados para a avaliaÁ„o do mode-

lo de terreno tectonoestratigr·fico, como, por

exemplo, a partir da interpretaÁ„o de dados isotÛpicos Nd-Sr efetuado por Torres et al.

(2003) em enclaves diorÌticos associados a granitos calcialcalinos de alto pot·ssio, brasi- lianos, situados em um segmento da Subpro- vÌncia da Zona Transversal (Terreno Alto Paje˙, de Santos, 1995). Segundo Torres et al. (2003), n„o a- penas os dados isotÛpicos, mas tambÈm os elementos traÁos e menores, sugerem uma assinatura mantÈlica distinta daquela apre- sentada por outros plutons quimicamente similares, dois deles tambÈm situados em terrenos da SubprovÌncia da Zona Transver- sal e os demais em diferentes tratos da Pro- vÌncia Borborema, conforme discutido por Mariano et al. (2001). Este fato È indicativo da presenÁa de segmentos crustais com diferen- tes mantos litosfÈricos, sugerindo a presenÁa de diferentes terrenos tectonoestratigr·ficos, pelo menos nesta subprovÌncia. Medeiros (2004), em estudo efetuado na porÁ„o ocidental da SubprovÌncia da Zona Transversal, com apoio de sensoriamento remoto, incluindo imagens aerorradiomÈtricas

e aeromagnÈticas, identificou diferentes pro- fundidades de enraizamento para as zonas

de cisalhamento regionais, propondo um limi-

te distinto daquele sugerido por Santos (1995)

para os terrenos Alto Paje˙ e PiancÛ-Alto BrÌgida. Aquele autor reconheceu nesta sub- provÌncia a presenÁa de unidades pertinentes ao evento Cariris Velhos (ca 1,1-0,9 Ga), se

bem que, n„o identifica a assinatura estrutural

a ele correlata, atribuindo este fato ‡ sua obli- teraÁ„o pelas deformaÁıes subseq¸entes. Esta assinatura estrutural seria consubstanci- ada por uma foliaÁ„o de baixo ‚ngulo, pre- sente na SubprovÌncia da Zona Transversal e na SubprovÌncia Meridional, retrabalhada pela deformaÁ„o transcorrente brasiliana (Brito Neves et al., 1995; Santos, 1995; Santos e Medeiros, 1999, entre outros). A associaÁ„o desta foliaÁ„o de baixo ‚ngulo ao evento Cariris Velhos È contestada com base em dataÁıes geocronolÛgicas efetuadas em gra- nitos e ortognaisses da SubprovÌncia da Zona Transversal, que contÍm essa foliaÁ„o de baixo ‚ngulo e que forneceram uma idade brasiliana (Leite et al., 2000; Neves e Maria- no, 2001, Medeiros, 2004).

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

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Adicionalmente, outros dados estrutu-

rais e petrolÛgicos, aliados a ausÍncia de um evento orogÍnico meso-neoproterozÛico em cinturıes Brasilianos/Panafricanos correlatos, levou Neves e Mariano (2001) a considera- rem o evento Cariris Velhos como um episÛ- dio de rifteamento, com a invers„o da bacia ocorrendo apenas durante o Brasiliano.

A presenÁa de terrenos tectonoestra-

tigr·ficos na ProvÌncia Borborema tambÈm È objeto de contestaÁ„o por diferentes pesqui- sadores (Mariano et al., 2001; Neves e Mari- ano, 2001, entre outros) usando diferentes linhas de argumentaÁ„o, consolidadas e su- marizadas em Neves e Mariano (2003). Entre estes argumentos pode-se enumerar a ocor- rÍncia de eclogitos e rochas vulc‚nicas de arcos de ilhas limitados ou ausentes, as simi- laridades petrolÛgicas e geoquÌmicas entre granitÛides calcialcalinos de alto pot·ssio brasilianos situados em diferentes subprovÌn- cias e os dioritos brasilianos, tambÈm de dife- rentes subprovÌncias, com assinatura geo- quÌmica e isotÛpica (Nd) similar, sugestivo de uma origem a partir de um manto litosfÈrico continental metassomatizado, indicando a presenÁa de uma relativamente homogÍnea e contÌnua litosfera continental em boa parte da ProvÌncia Borborema, consolidada na orogÍ- nese TransamazÙnica. TambÈm È alegada a ausÍncia de elementos que corroborem os lineamentos Patos e Pernambuco como limi- tes de primeira ordem, posto que, apenas retrabalham uma foliaÁ„o de baixo ‚ngulo. No atual trabalho utilizou-se para a compartimentaÁ„o tectÙnica do Estado do Rio Grande do Norte, inserido na SubprovÌncia Setentrional, o conceito de domínio para a

subdivis„o tectonoestrutural de primeira or- dem, com as seguintes entidades: DomÌnio Jaguaribeano (DJ), DomÌnio Rio Piranhas- SeridÛ (DPS) e DomÌnio S„o JosÈ do Cam- pestre (DSJ) (figuras 2.2 e 2.3).

O Domínio Jaguaribeano (DJ) corres-

ponde ‡s faixas OrÛs e Jaguaribe de Jardim de S· (1994), correspondentes aos cinturıes homÙnimos de S· (1991), ou ainda ao Terre- no Jaguaribe-W Potiguar de Brito Neves et al

(2000).

A Faixa OrÛs, que n„o aflora no Esta-

do do Rio Grande do Norte, compreende uma entidade tectÙnica tipo rifte, sendo constituÌda por uma associaÁ„o metavulcanossedimen- tar/metaplutÙnica de idade ca. 1,79 Ga (U-Pb em zirc„o, S·, 1991; Cavalcante, 1999), mo- nocÌclica, o Grupo OrÛs (Braga e MendonÁa, 1984; S·, 1991) e seu embasamento. Na Faixa Jaguaribe domina um em- basamento gn·issico-migmatÌtico, policÌclico,

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de idade paleoproterozÛica (Complexo Jagua- retama - Gomes e Vasconcelos, 2000; Ferrei- ra e Santos, 2000). Nele acham-se incluÌdas faixas de rochas metavulcanossedimentares, definidas originalmente por MendonÁa e Bra- ga (1987), de car·ter monocÌclico, e de ambi- ente dominantemente continental ou de mar- gem passiva (Campelo, 1999), que constitu- em o Grupo Jaguaribe (Cavalcante, 1999). Dados geocronolÛgicos destas metavulc‚ni- cas (U-Pb em zirc„o, Figueiredo Filho, 1994) forneceram uma idade de 1,75 Ga, sendo elas, portanto, correlacion·veis ao Grupo OrÛs.

Na borda leste da Faixa Jaguaribe ocorre rochas supracrustais melhor individua- lizadas, tambÈm de car·ter monocÌclico, que compreendem quartzitos, nÌveis de metacon- glomerados, micaxistos, paragnaisses e me- tavulc‚nicas ·cidas, constituindo o denomi- nado Grupo Serra de S„o JosÈ. DataÁıes Pb- Pb efetuadas por Cavalcante (1999) tambÈm forneceram uma idade de ca. 1,77 Ga para vulc‚nicas deste grupo. S· (1991), obteve uma idade de ca. 1,67 Ga (U-Pb em zirc„o) para augen-gnaisses anorogÍnicos dominan- temente granÌtico de tendÍncia alcalina, que ocorrem em toda Faixa Jaguaribe, precoce ou cronocorrelato ‡ deposiÁ„o das supracrustais desta faixa, o qual, foi detalhado e denomina- do por Cavalcante (1999) de SuÌte Magm·tica Serra do Deserto. O Domínio Rio Piranhas-Seridó (DPS) corresponde ‡ porÁ„o da Faixa SeridÛ de Jardim de S· (1994) situada ‡ oeste da zona de cisalhamento PicuÌ-Jo„o C‚mara, ao Ter- reno SeridÛ de Campelo (1999) e aos terre- nos Rio Piranhas e Faixa SeridÛ de Brito Ne- ves et al. (2000). Est· limitado tectonicamente a oeste pelo DomÌnio Jaguaribeano atravÈs da zona de cisalhamento Portalegre, conside- rada como uma sutura transcorren- te/transformante brasiliana, e a leste pelo DomÌnio S„o JosÈ do Campestre por meio da zona de cisalhamento PicuÌ-Jo„o C‚mara. Compreende um embasamento, ora referido como Embasamento Rio Piranhas (ERP) e uma cobertura de rochas supracrustais cor- respondente ‡ Faixa SeridÛ (FSE). O Embasamento Rio Piranhas est· exposto predominantemente a oeste da Faixa SeridÛ em contados tectÙnicos ou discordan- tes. … constituÌdo por uma seq¸Íncia meta- vulcanossedimentar intrudida por um cortejo de metaplutÙnicas gn·issicas/migmatÌticas, de idade paleoproterozÛica (Complexo Cai- cÛ). Segundo Jardim de S· (1994) a maioria destes ortognaisses representam magmas juvenis extraÌdos de um manto metassomati-

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zado acima de zonas de subducÁ„o, de modo que, a evoluÁ„o do Complexo CaicÛ deu-se atravÈs de sucessivas amalgamaÁıes de seq¸Íncias tipo arco, entre 2,3 e 2,1 Ga (U- Pb, Pb-Pb e Rb-Sr; Hackspacher et al., 1990, Dantas, 1992 e Jardim de S·, 1994) culmi- nando com uma colis„o entre 1,9 e 2,0 Ga e

intrus„o da suÌte sin a tardicolisional PoÁo da Cruz de ca. 1,99 Ga (Jardim de S·, 1994).

A Faixa SeridÛ (FSE) ocorre princi-

palmente na parte leste do DomÌnio Rio Pira- nhas-SeridÛ, segundo uma faixa de direÁ„o NE-SW. Compreende metassedimentos pla- taformais a turbidÌticos, com meta-vulc‚nicas subordinadas, pertencentes ao Grupo SeridÛ. Com base em dataÁıes U-Pb de zircıes detrÌticos e idade modelo Sm-Nd, Van Schmus et al. (1995, 1996 e 2003)

determinaram uma idade neoproterozÛica para este grupo. Segundo Van Schmus et al. (2003) o Grupo SeridÛ pode ter sido formado em um curto ciclo tectÙnico (entre 700 e 600 Ma) contemplando um ambiente extensional tipo back-arc adjacente a uma margem

continental, ou envolvendo um rifteamento intracontinental mais distante de uma margem continental seguido pelo fechamento de uma pequena bacia oce‚nica durante o Brasiliano/Panafricano.

O Domínio São José do Campestre

(DSJ) corresponde ‡ porÁ„o da Faixa SeridÛ de Jardim de S· (1994) situada ‡ leste da zona de cisalhamento PicuÌ -Jo„o C‚mara, ao terreno homÙnimo de Santos (1996), Campe- lo (1999) e Brito Neves et al. (2000) e ao Ma- ciÁo S„o JosÈ do Campestre (Dantas et al., 2004). Est· limitado a oeste com o DomÌnio Rio Piranhas-SeridÛ pela zona de cisalha- mento PicuÌ-Jo„o C‚mara e a leste e a norte È recoberto por sedimentos fanerozÛicos. Inclui a mais antiga crosta da plataforma sul- americana, o Metatonalito Bom Jesus, com uma idade de, pelo menos, ca. 3,4 Ga. Com- preende, ainda segundo Dantas (1997) um

n˙cleo arqueano denominado N˙cleo Bom

Jesus-Presidente Juscelino (Bizzi et al., 2001) circundado por terrenos paleoproterozÛicos. O n˙cleo arqueano apresenta raros exemplos de rochas supracrustais e rochas m·ficas/ultram·ficas, sendo constituÌdo, do- minantemente, por ortognaisses tipo TTG, que se tratam dos tipos mais antigos, e uma suÌte mais granÌtica, culminando com sieno- granitos com tendÍncia alcalina, oriundos de trÍs diferentes perÌodos de magmatismo, 3,4, 3,2 e 2,7 Ga (U-Pb em zirc„o). Idades modelo Sm-Nd mostram dois diferentes perÌodos de geraÁ„o de crosta juvenil durante a evoluÁ„o arqueana deste segmento crustal, em ca. 3,2

e 3,4-3,7 Ga e um episÛdio mais novo de

refus„o de crosta mais antiga em ca. 2,7 Ga. Segundo Dantas (1997) os terrenos paleoproterozÛicos s„o representados pelo terreno/complexo Jo„o C‚mara, Santa Cruz e Serrinha-Pedro Velho. Os dois primeiros compreendem migmatitos/ortognaisses de tendÍncia calcialcalina e/ou trondhjemÌtica, ‡s vezes de vocaÁ„o aluminosa, e poderiam corresponder a arcos magm·ticos compar·- veis aos modernos ambientes sin-colisionais com forte componente de reciclagem de cros- ta arqueana. O Complexo Serrinha-Pedro Velho tem uma origem relacionada a crosta continental juvenil que poderia corresponder a arcos de ilhas, com migmatitos e ortognaisses do tipo tonalÌtico/trondhjemÌtico e represen- tantes de rochas crustais anatÈticas. Enxame de diques de rochas m·ficas (anfibolitos) ocorre, preferencialmente, entre os terrenos/blocos crustais de idades diferen- tes.

O desenvolvimento da orogÍnese pa- leoproterozÛica no DomÌnio S„o JosÈ do

Campestre deu-se entre ca. 2,3-2,0 Ga, com

a cratonizaÁ„o ocorrendo entre ca. 2,0 e

1,9 Ga. Gnaisses e micaxistos do Grupo Se- ridÛ s„o encontrados no interior deste terreno em contatos milonitizados, devendo tratar-se de fatias alÛctones.

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UNIDADES LITOESTRATIGR£FICAS

As unidades litoestratigr·ficas pre- cambrianas cartografadas no Mapa GeolÛgico do Estado do Rio Grande do Norte, que com- pıem o embasamento cristalino, s„o descri- tas neste capÌtulo nos itens 3.1 a 3.3, segun- do as suas associaÁıes com os domÌnios tectonoestruturais da ProvÌncia Borborema identificados no territÛrio norte-riograndense, conforme È mostrado na figura 2.3 e no qua- dro 3.1.

As demais unidades litoestratigr·fi-

cas, a seguir discriminadas, s„o descritas de modo seq¸encial:

3.4 - O magmatismo sin a pÛs-orogÍnico bra-

siliano, do Ediacarano representado por v·-

rias suÌtes intrusivas;

3.5 - O magmatismo pÛs-orogÍnico cambria-

no constituÌdo pelos diques de pegmatito, n„o cartografados na escala do projeto, e por alguns diques granÌticos tentativamente corre- lacionados ao mesmo evento, que ocorrem indistintamente nos diversos domÌnios tecto- noestruturais; 3.6 - O magmatismo plutÙnico anorogÍnico representado no Rio Grande do Norte pelo Granito Flores, de idade ordoviciana;

3.7 - O Quartzito S„o Fernando constituÌdo

por muscovita quartzitos resultantes da aÁ„o de soluÁıes hidrotermais atuantes em zonas de cisalhamento brasilianas que afetam ro- chas do embasamento;

3.8 - A sedimentaÁ„o cret·cea da Bacia Poti-

guar (formaÁıes AÁu e JandaÌra) e das pe- quenas bacias correlatas Gangorra, Rafael Fernandes e Cel. Jo„o Pessoa - FormaÁ„o PendÍncia;

3.9 - O magmatismo b·sico meso-cenozÛico das unidades Basalto Rio Cear·-Mirim, Basal- to Serra do CuÛ e Basalto Macau; 3.10 - As coberturas continentais cenozÛicas no Rio Grande do Norte que ocorrem nota- damente numa faixa prÛxima ‡ linha de costa, em parte recobrindo as formaÁıes cret·ceas da Bacia Potiguar. Na regi„o interiorana estes sedimentos ocorrem em topos de serras do embasamento cristalino, como um capeamen- to residual. S„o constituÌdas pelo Grupo Bar- reiras e pelas formaÁıes Tibau, Serra do Mar- tins e Potengi de idades atribuÌdas ao PaleÛ- geno-NeÛgeno e pelos depÛsitos continentais do NeÛgeno mais recente. Os dados geocronolÛgicos pelos mÈ- todos U-Pb, Pb-Pb e Ar-Ar do Rio Grande do Norte, compilados da bibliografia e citados no texto, constam do apÍndice I.

3.1 - DomÌnio Jaguaribeano (DJ)

O DomÌnio Jaguaribeano ocorre em uma estreita faixa de direÁ„o NE-SW no ex- tremo oeste do Estado do Rio Grande do Norte, limitando-se a leste com o DomÌnio Rio Piranhas-SeridÛ (DPS) pela zona de cisalha- mento Portalegre (figuras 2.2 e 2.3). Trata-se de uma entidade tectÙnica do embasamento paleoproterozÛico represen- tada no estado predominantemente por or- tognaisses de idade riaciana do Complexo Jaguaretama (PP2J), incluindo faixas estrei- tas de seq¸Íncia metavulcanossedimentar do Grupo Serra de S„o JosÈ (PP4sj) e corpos de ortognaisses da SuÌte Serra do Deserto (PP4( s), do Estateriano.

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Quadro 3.1 - RelaÁıes tectonoestratigr·ficas das unidades litoestratigr·ficas do Paleoarqueano ao Ordoviciano no Estado do Rio Grande do Norte

das unidades litoestratigr·ficas do Paleoarqueano ao Ordoviciano no Estado do Rio Grande do Norte 16

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3.1.1 - Complexo Jaguaretama (PP2j)

A denominaÁ„o de Complexo Jagua- retama foi usada por Gomes e Vasconcelos (2000) e Ferreira e Santos (2000), para definir uma associaÁ„o litolÛgica metaplutÙnica com intercalaÁıes de rochas supracrustais que ocorre a leste da Faixa OrÛs. O complexo È constituÌdo por ortognaisses bandados e migmatitos de composiÁ„o tonalÌtica a grano- diorÌtica e granÌtica, com intercalaÁıes de bandas de gnaisses anfibolÌticos, anfibÛlio xistos, augen gnaisses e raras rochas calcissilic·ticas. Idade U-Pb (SHRIMP em zirc„o) de 2.187 ± 9 Ma foi obtida por Silva et al. (1997) em um hornblenda-biotita ortognaisse tonalÌti- co da regi„o de V·rzea Nova (CE). Fetter (1999) determinou idade similar de 2.191 ± 9 Ma (U-Pb em zirc„o) em metatonalitos deste complexo a noroeste de Jaguaribe (CE).

3.1.2 - Grupo Serra de S„o JosÈ (PP4sj)

As primeiras referÍncias a esta uni- dade constam dos trabalhos de Jardim de S· et al. (1981, 1986) que consideraram o Grupo Serra de S„o JosÈ como uma seq¸Íncia me- tavulcanossedimentar. Trata-se de uma asso- ciaÁ„o litolÛgica de anfibÛlio e/ou biotita pa- ragnaisses, incluindo nÌveis de metaconglo- merados polimÌctos com fragmentos de gnaisses, m·rmores, micaxistos, quartzitos, rochas calcissilic·ticas, metavulc‚nicas e metatufos. Cavalcante (1999) determinou em an- fibÛlio ortognaisse granÌtico desta unidade uma idade de 1.778 ± 7 Ma (Pb-Pb em mono- zirc„o). Idades similares foram obtidas por Magini (2001) com valores de 1.783 ± 6,7 Ma e 1.754 ± 5,4 Ma, pelo mÈtodo U-Pb em zir- c„o, em amostras de metarriolito e metadaci- to.

3.1.3 - SuÌte Serra do Deserto (PP4((((s)

Definida por Cavalcante (1999) nas faixas OrÛs e Jaguaribe, no Estado do Cear·, inclui os augen gnaisses estudados por S· (1991). A suÌte È formada por rochas de com- posiÁ„o essencialmente granÌtico-grano- diorÌtica ‡ biotita e anfibÛlio, com textura au- gen gn·issica, matriz de coloraÁ„o cinza ou esverdeada, contendo porfiroclastos de mi- croclina que alcanÁam cerca de 4 cm de comprimento. Por vezes os ortognaisses des- ta suÌte apresentam textura granobl·stica mÈdia a grossa.

S· (1991) obteve uma idade de 1673

± 23 Ma (U-Pb em zirc„o) em amostras de augen gnaisses coletadas no Estado do Cea-

r·. Em litotipos similares na regi„o de Jagua- ribe (CE), S· et al. (1997), encontraram pelo mesmo mÈtodo idade de 1.774 ± 24 Ma. Es- ses autores sugerem a possibilidade de que esta idade estateriana mais antiga possa ser um registro de uma outra suÌte.

A SuÌte Serra do Deserto È conside-

rada por S· (1991) e Cavalcante (1999) como um magmatismo anorogÍnico (intraplaca) de tendÍncia alcalina.

3.2 - DomÌnio Rio Piranhas-SeridÛ (DPS)

O DomÌnio Rio Piranhas-SeridÛ ocu-

pa uma extensa ·rea na porÁ„o central do Estado do Rio Grande do Norte, limitado tec- tonicamente a oeste com o DomÌnio Jaguari- beano (DJ) pela zona de cisalhamento Porta- legre e, a leste, com o DomÌnio S„o JosÈ do Campestre (DSJ) por meio da zona de cisa- lhamento PicuÌ-Jo„o C‚mara (figuras 2.2 e

2.3).

O embasamento desse domÌnio È

constituÌdo por rochas metaplutÙnicas e me- tavulcanossedimentares de idade paleoprote- rozÛica-riacina, incluindo possÌveis remanes-

centes de idade arqueana, que caracteriza o Complexo CaicÛ (PP2cai) e por uma suÌte de augen gnaisses granÌticos paleoproterozÛica- orosiriana, denominada de SuÌte PoÁo da Cruz (PP3γpc). A cobertura È constituÌda por um segmento de rochas supracrustais do NeoproterozÛico designada de Faixa de Do- bramentos SeridÛ (Brito Neves, 1975) ou simplesmente Faixa SeridÛ (FSE) (figura 2.3), composta pelo Grupo SeridÛ que engloba as formaÁıes Serra dos Quintos (NP3sq), Jucu- rutu (NP3sju), Equador (NP3se) e SeridÛ (NP3ss) do Ediacarano (quadro 3.1). As unidades paleoproterozÛicas do Embasamento Rio Piranhas (ERP) ocupam preferencialmente o setor ocidental do domÌ- nio, enquanto que as rochas supracrustais neoproterozÛicas da Faixa SeridÛ (FSE) pre- dominam na porÁ„o leste do domÌnio, segun- do uma faixa de direÁ„o NE-SW (figura 2.3).

3.2.1 - Complexo CaicÛ (PP2caivs/PP2 ((((cai/PP2cai)

Definido por Meunieur (1964) e por Ferreira e Albuquerque (1969) como uma seq¸Íncia litolÛgica de alto grau metamÛrfico, constituÌda, basicamente, por gnaisses e migmatitos, que incluem indistintamente litoti- pos do Grupo S„o Vicente de Ebert (1969).

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Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

Jardim de S· (1994), define o Complexo Cai- cÛ como um embasamento gn·issico- migmatÌtico, incluindo supracrustais mais antigas, em car·ter subordinado. Ferreira e Santos (2000) descrevem este complexo como uma associaÁ„o de ortognaisses ban- dados fÈlsico-m·ficos, ortognaisses diorÌticos a granÌticos e migmatitos, com intercalaÁıes de rochas metam·ficas e subordinadamente rochas supracrustais constituÌdas principal- mente por biotita paragnaisses. Esses ˙ltimos autores tambÈm individualizam o Complexo S„o Vicente como uma unidade de ortognais- ses e migmatitos de protÛlitos m·ficos. Neste trabalho o Complexo CaicÛ foi definido segundo concepÁ„o de Jardim de S· (1984, 1994), entre outros, em duas associa- Áıes litoestratigr·ficas distintas: 1- unidade inferior de origem vulcanossedimentar; 2- unidade metaplutÙnica mais jovem corres- pondente aos granitóides G1 de Jardim de S· et al. (1981). Parte do Complexo CaicÛ foi subdividido cartograficamente em duas uni- dades, a Unidade metavulcanossedimentar (PP2caivs) e a Unidade de ortognaisse (PP2( cai) e, outra parte do complexo conti- nuou indivisa, a Unidade indivisa (PP2cai). As duas primeiras unidades coincidem com as associaÁıes litoestratigr·ficas desses auto- res, enquanto a terceira corresponde a uma associaÁ„o litolÛgica de mapeamento que inclui indistintamente as duas unidades litoes- tratigr·ficas referidas, alÈm dos gnaisses bandados (PP2caib), das rochas anfibolÌticas (PP2caia) e das lentes de m·rmores (PP2caim), que constituem litotipos mape·- veis de posicionamento estratigr·fico duvido- so.

A Unidade metavulcanossedimentar (PP2caivs) est· pobremente representada na cartografia regional, visto que se trata de uma unidade remanescente migmatizada, preser- vada de forma descontÌnua no ‚mbito dos ortognaisses PP2( cai, muitas vezes confun- dida com os paragnaisses sobrepostos da FormaÁ„o Jucurutu, quando estes est„o en- volvidos por forte migmatizaÁ„o. Esta unidade est· cartografada a norte de CaicÛ, no extre- mo sudoeste do estado e na regi„o da serra do Feiticeiro. Jardim de S· (1984) faz referÍncia ‡ regi„o a leste da cidade de Assu, onde ocorre um exemplo relativamente preservado desta seq¸Íncia. Segundo esse autor se distinguem camadas de anfibolitos como metabasaltos, em associaÁ„o a anfibÛlio gnaisses com a- camamento preservado, sugestivo de tufos intermedi·rios a fÈlsicos e espessa unidade de metapelitos representada por granada-

biotita gnaisses ± muscovita ± sillimanita. A norte de S„o Vicente esse autor reconhece esta seq¸Íncia j· afetada por forte migmati- zaÁ„o, transformando-se com a deformaÁ„o em gnaisses bandados heterogÍneos de composiÁ„o mÈdia ìgranodiorÌticaî. Ainda na regi„o de S„o Vicente, Hackspacher e S· (1984) e Hackspacher et al. (1986), se reportam a uma seq¸Íncia vul- canossedimentar, a norte da cidade, credita- da ao Grupo S„o Vicente. A associaÁ„o lito- lÛgica È composta por rochas de natureza m·fica representadas por anfibÛlio gnaisses e anfibÛlio gnaisses bandados e por rochas aluminosas intercaladas representadas por biotita gnaisses bandados, granada-biotita gnaisses bandados e granada-biotita xistos com contatos gradativos. Em mapeamentos detalhados reali- zados na regi„o de CaicÛ, Borges (1991) e Magini (1991), individualizaram uma seq¸Ín- cia metassedimentar, com a ocorrÍncia de raros corpos lenticulares de hornblenditos e de metaultram·ficas associados, ent„o de- nominada de Complexo S„o Vicente, distinta dos ortognaisses do Complexo CaicÛ. Barba- lho (1991) em mapeamento na regi„o La- jes/serra do Feiticeiro, na escala 1:25.000, individualizou uma unidade metavulcanosse- dimentar constituÌda por gnaisses quartzo- feldsp·ticos com intercalaÁıes de gnaisses xistosos, gnaisses calcissilic·ticos, camadas

e soleiras de anfibolitos e raros metadacitos,

de posicionamentro estratigr·fico inferior aos ortognaisses do Complexo CaicÛ. Por sua vez Dantas (1992), em dis- sertaÁ„o de mestrado na estrutura dÙmica de S„o Vicente-Flor‚nia, se refere a uma se- q¸Íncia metavulcanossedimentar similar ‡ descrita por Hackspacher e S· (1984) e Hackspacher et al. (1986), a qual faria parte

do Grupo S„o Vicente juntamente com uma suÌte de ortognaisses. Por ˙ltimo Negr„o et al. (2005), reconheceram na regi„o do pico Cabugi, notadamente na fazenda Santa Luzi- a, uma seq¸Íncia metavulcanossedimentar associada a migmatitos composta por rochas calcissilic·ticas, anfibolitos e BIFs. A Unidade de ortognaisse (PP2( cai)

È a unidade predominante no subdomÌnio do

Embasamento Rio Piranhas. Trata-se de uma suÌte magm·tica expandida com composiÁ„o gabrÛica, tonalÌtica, granodiorÌtica e granÌtica, com predomin‚ncia dos termos tonalÌtico- granÌticos. As rochas granitÛides apresentam coloraÁ„o cinza ‡ esbranquiÁada, granulaÁ„o mÈdia a grossa, tambÈm com textura augen

microporfirÌtica, contendo biotita e/ou horn- blenda, por vezes parcialmente migmatiza-

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Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

das, e tambÈm migmatitos. A estrutura gn·is- sica mostra bandamento metamÛrfico de es- pessura centimÈtrica, por vezes pouco desta- cado, podendo conter enclaves estirados de dioritos e anfibolitos. Os corpos de hornblen- da metaleucogranitos (PP2( cail) da regi„o de CaicÛ foram incluÌdos nesta unidade, embora alguns autores como Silva (2000) consideram esses granitos de anatexia gerados durante o evento brasiliano (item 3.3). As rochas metaplutÙnicas do Com- plexo CaicÛ s„o corpos intrudidos concordan- temente ou truncando o bandamento gn·issi- co das supracrustais da unidade inferior. Se- gundo Jardim de S· (1984) na regi„o de Assu as feiÁıes de injeÁ„o est„o preservadas, en- quanto em outros locais de alto strain esse conjunto litolÛgico adquire uma feiÁ„o de gnaisse bandado. O Complexo Caicó indiviso (PP2cai) È uma unidade de mapeamento aplicada ‡s ·reas onde se tem conhecimento da presen- Áa das unidades PP2caivs e PP2( cai, embora n„o individualizadas na escala do mapa, co- mo no setor S„o Vicente-Pedro Avelino ou em ·reas com significativa freq¸Íncia de cor- pos lenticulares paraderivados e/ou anfiboli- tos, a exemplo da regi„o de S„o Jo„o do Sabugi, ou ainda em alguns setores carentes de informaÁıes geolÛgicas. Foram incluÌdos nesta unidade corpos lenticulares cartografa- dos de anfibolitos, prov·veis metabasitos (PP2caia), e de m·rmores (PP2caim). Os corpos de gnaisses bandados (PP2caib), interpretados como rochas metassedimenta- res, foram tambÈm incluÌdos nesta unidade, visto que podem incluir indistintamente rochas metaplutÙnicas. A principal ·rea de gnaisses bandados cartografada se encontra no n˙cleo dÙmico de Campo Grande (ex-Augusto Seve- ro). Juntamente com os gnaisses bandados ocorrem biotita gnaisses, muscovita-biotita gnaisses xistosos granadÌferos, lentes de anfibolitos e, na porÁ„o central do domo, migmatitos. As rochas do Complexo CaicÛ apre- sentam extensivamente uma foliaÁ„o de bai- xo ‚ngulo. Segundo Dantas (1992), os termos plutÙnicos constituem uma suÌte calcialcalina de mÈdio pot·ssio. Os litotipos plutÙnicos dominantes foram gerados a partir de mag- mas juvenis (?) extraÌdos de cunhas do manto metassomatizado, acima de zonas de sub- ducÁ„o (Jardim de S·, 1984). Foram determinadas trÍs idades U-Pb em zirc„o na regi„o de S„o Vicente-Flor‚nia, com os seguintes resultados: 2.156,1 ± 5,6Ma em biotita augen gnaisse granodiorÌti- co, 2.151,7 ± 7,6 Ma em metagabro e 2.146,5

± 4,4 Ma em hornblenda-biotita ortognaisse

tonalÌtico, interpretadas como idades de cris- talizaÁ„o das rochas (Dantas, 1992). Idade de 2.181 ± 24 Ma (Pb-Pb em monozirc„o, anali- sado por tÈcnica de evaporaÁ„o) foi conside- rada como estimativa mÌnima para o posicio- namento do pluton por Macedo et al. (1991). Legrand et al., 1991a e Legrand et al. (1997), determinaram idades U-Pb em zirc„o com valores de 2.242 ± 6 Ma e 2.250 ± 91 Ma, interpretadas, respectivamente, como idades de cristalizaÁ„o dos protÛlitos dos ortognais- ses.

Dentre as diversas mineralizaÁıes associadas ao Complexo CaicÛ destacam-se aquelas que ocorrem no extremo oeste do

estado do Rio Grande do Norte, onde se de- senvolve atividade garimpeira ligada ‡ extra- Á„o de ·gua marinha de boa qualidade em pegmatitos. Moraes (2000), faz citaÁ„o de ocorrÍncias de esmeralda em flogopitito en- caixados concordantemente nos ortognaisses

e uma ocorrÍncia de cÛrindon (rubi). TambÈm

s„o assinaladas v·rias ocorrÍncias de amian- to em rochas anfibolÌticas e serpentinÌticas deste complexo.

3.2.2 - SuÌte PoÁo da Cruz (PP3((((pc)

DesignaÁ„o de Ferreira (1998) para descrever uma suÌte de augen ortognaisses, correspondentes aos gnaisses facoidais de Lima et al. (1980) e aos granitÛides G 2 de Jardim de S· (1978) e Jardim de S· et al.

(1981).

Os litotipos desta suÌte ocorrem no subdomÌnio do Embasamento Rio Piranhas (ERP), sempre associado ao Complexo CaicÛ e, em grande parte, posicionados prÛximos aos contatos tectÙnicos embasamento paleo- proterozÛico/supracrustais neoproterozÛicas, associados a zonas de cisalhamento com- pressionais. Constituem corpos tabulares (sheets) de espessuras bastante vari·veis ou plutons de dimensıes batolÌticas. S„o rochas de composiÁ„o quartzo monzonÌtica a granÌtica, leucocr·ticas, folia- das, de granulaÁ„o grossa, contendo porfiro- clastos rÛseos de microclina, imersos em matriz quartzo-feldsp·tica, com biotita e anfi- bÛlio em variadas proporÁıes e raramente muscovita. Na regi„o de Serra Negra do Nor- te os augen de K-feldspato variam de 2 cm a 7 cm de comprimento. Corpos de rocha diorÌ- tica deformada ocorrem em associaÁ„o com a litof·cies fÈlsica desta suÌte. Segundo Jardim de S· (1994) e Ferreira (1998) seus contatos com o Complexo CaicÛ, dos quais possui xenÛlitos, s„o aparentemente concordantes

19

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

ou tectÙnicos. Esse ˙ltimo autor cita ainda a presenÁa de xenÛlitos de supracrustais atribu- Ìdas ao Complexo Serra dos Quintos e desta- ca a assinatura gravimÈtrica distinta do Com- plexo CaicÛ. Ferreira e Santos (2000) ressal- tam que os padrıes magnÈticos desta regi„o indicam a presenÁa de uma vasta massa de rochas n„o magnÈticas, presumivelmente atribuÌdas a esta suÌte. Segundo Gonzalez e Villas (1984), nos augen gnaisses de Serra Negra do Norte, regi„o limÌtrofe com a ParaÌba, as litof·cies de natureza granÌtica e quartzo-monzonÌtica tÍm um car·ter levemente peraluminoso. Medeiros et al. (1991), em relaÁ„o ao ambien- te tectÙnico destas rochas na regi„o de AÁu, ressaltam a semelhanÁa com os padrıes de granitos orogÍnicos, especialmente os sino- rogÍnicos. Para Ferreira (1998) esses grani- tos situam-se entre os campos dos granitos sin a tarditectÙnicos. Macedo et al. (1991) ressaltam que os augen gnaisses desta suÌte apresentam caracterÌsticas sinorogÍnicas, afinidade calcialcalina pot·ssica e derivam de fonte mantÈlica. Os granitos G 2 foram inter- pretados por Jardim de S· et al (1981) como granitos colisionais transamazÙnicos, porÈm Caby e Arthaud (1986) propıem uma origem anorogÍnica paleoproterozÛica, com defor- maÁ„o atribuÌda ao Ciclo Brasiliano. Legrand et al. (1991a) se reportam a uma idade de cristalizaÁ„o U-Pb em zirc„o de 1.934 ± 12 Ma para o augen gnaisse (G 2 ) de Angicos, porÈm esses autores desconsidera- ram geologicamente a idade definida pelo intersepto superior, concluindo que a an·lise sÛ permite afirmar que a rocha foi intrudida durante o PaleoproterozÛico Inferior e foi pos- teriormente milonitizada e retrometamorfisada durante a fase tangencial da tectÙnica brasili- ana.

Jardim de S· (1994) obteve uma ida- de de 1990 ± 10 Ma para o augen gnaisse a nordeste de Cerro Cor· (Pb-Pb em zirc„o pela tÈcnica de evaporaÁ„o). A partir da an·- lise das diversas dataÁıes Rb-Sr e U-Pb, esse autor considera o intervalo 1,95 ± 0,05 Ma como a melhor estimativa para a intrus„o dos protÛlitos granitÛides, sintectÙni- cos ‡ fase principal do evento transamazÙni- co.

Neste trabalho a SuÌte PoÁo da Cruz È considerada como uma unidade litoestrati- gr·fica sin a tarditectÙnica ao evento transa- mazÙnico de acordo com Jardim de S· (1994), embora persistam d˙vidas em relaÁ„o ‡ idade da foliaÁ„o de baixo ‚ngulo encontra- da nos augen gnaisses desta suÌte (orogÍne- se TransamazÙnica ou Brasiliana).

3.2.3 - Grupo SeridÛ (NP3s)

O Grupo SeridÛ constitui a Faixa de Dobramentos SeridÛ de Brito Neves (1975), comumente denominada de Faixa SeridÛ, que ocorre na porÁ„o central do Estado do Rio Grande do Norte, associada ‡ OrogÍnese Brasiliana/Panafricana. Sua ·rea de exposi- Á„o est· compreendida entre os limites tectÙ- nicos do DomÌnio Rio Piranhas-Faixa SeridÛ (figura 2.3). Ferreira e Albuquerque (1969) defi- nem o Grupo SeridÛ como constituÌdo pelas formaÁıes Equador (base), Jucurutu e SeridÛ (topo), cabendo a Jardim de S· e Salim (1980) e Jardim de S· (1984) o empilhamento estratigr·fico atualmente aceito, com a For- maÁ„o Jucurutu (NP3sju), na base da se- q¸Íncia, sucedida pelas formaÁıes Equador (NP3se) e SeridÛ (NP3ss), no topo. AlÈm das unidades litoestratigr·ficas do Grupo SeridÛ, j· consagradas na literatura geolÛgica regional, Ferreira e Santos (2000) descreveram uma seq¸Íncia metavulcanos- sedimentar denominada de FormaÁ„o Serra dos Quintos (NP3sq) que estaria na base do grupo, anteriormente definida por Ferreira (1998) como um complexo de idade paleopro- terozÛica. Para Jardim de S· (1984, 1994) e Jardim de S· et al. (1987), entre outros, o Grupo SeridÛ foi alvo de trÍs principais fases de deformaÁ„o: a primeira (D 1 ) È respons·vel pelo bandamento composicional (S 1 //S 0 ), melhor preservado na f·cies xisto verde; a segunda (D 2 ) gerada em um regime contra- cional, È representada pelos empurrıes e dobramentos recumbentes e/ou isoclinais inclinados e transporte de massa para NW, sendo ambas as deformaÁıes (D 1 e D 2 ) de idade transamazÙnica, e a terceira (D 3 /S 3 ) que promoveu a verticalizaÁ„o dos estratos, a formaÁ„o de dobras abertas, por vezes isocli- nais, e uma foliaÁ„o NNE-SSW, associadas a uma cinem·tica transcorrente de idade brasi- liana, com zonas de cisalhamento, ora dex- trais, ora sinistrais, com trend NE-SW. Uma quarta fase de fraca penetratividade, com trend NW-SE, foi descrita por Hackspacher e S· (1984). Hackspacher et al. (1987), reconhece- ram as mesmas fases de deformaÁ„o descri- tas por Jardim de S· e colaboradores, atribu- indo-lhes uma idade brasiliana, em um con- texto progressivo de transiÁ„o entre um regi- me tangencial e um regime transcorrente.

20

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

 

O

metamorfismo varia da f·cies xisto

cia metavulcanossedimentar pertencente ao

verde (M 2 ) atÈ anfibolito baixo a anfibolito alto, localmente atingindo a f·cies granulito (M 3 ).

Grupo SeridÛ, estratigraficamente inferior ‡ FormaÁ„o Jucurutu, correlacionada, portanto,

 

O

reconhecimento das relaÁıes estra-

‡ Unidade Ipueira de Rocha da Rocha (1986).

tigr·ficas internas do Grupo SeridÛ, e deste com o embasamento, s„o em parte dificulta- das pela deformaÁ„o e metamorfismo supe- rimpostos. Em muitos casos, o alto strain oblitera as estruturas prim·rias mascarando a identificaÁ„o do topo das camadas, assim como, a justaposiÁ„o tectÙnica de unidades de caracterÌsticas reolÛgicas contrastantes, que dificulta o estabelecimento das relaÁıes originais entre os litotipos envolvidos. Van Schmus et al. (2003), baseados

Nas ·reas cartografadas esta unidade pode incluir litotipos mais antigos pertencentes ao Complexo CaicÛ, assim como rochas mais jovens da FormaÁ„o Jucurutu, em funÁ„o do trabalho de integraÁ„o geolÛgica de cunho regional ora realizado. Suas ·reas de ocorrÍncia no Rio Grande do Norte, ora cartografadas, est„o restritas ‡ regi„o da serra da Formi- ga/fazenda Saquinho-serra do Cruz/sÌtio Ria- ch„o, ao quartzito ferrÌfero da Mina Jucurutu

em dataÁıes U-Pb SHRIMP em zirc„o detrÌti-

(Pico do Bonito), e ‡s regiıes de S„o Jo„o do

co das formaÁıes Jucurutu e SeridÛ, admitem

Sabugi e de Parelhas, ·reas limÌtrofes com a

a

possibilidade de que todo o Grupo SeridÛ

ParaÌba.

seja mais jovem que 650 Ma. TambÈm base- ados na idade de ca. 600 Ma para a deforma- Á„o e metamorfismo destas unidades, esses autores sugerem a possibilidade de uma de- posiÁ„o para o grupo entre 640-620 Ma.

Na regi„o de S„o Jo„o do Sabugi, Rocha da Rocha (1986) descreve esta forma- Á„o como a Unidade Ipueira, posicionando-a no Grupo SeridÛ, estratigraficamente inferior ‡ FormaÁ„o Jucurutu. Segundo esse autor esta associaÁ„o litolÛgica È constituÌda pre-

3.2.3.1

-

FormaÁ„o

Serra

dos

Quintos

dominantemente por biotita gnaisses e gnais-

(NP3sq)

 

ses quartzo-feldsp·ticos, com intercalaÁıes centimÈtricas a mÈtricas de biotita xistos,

 

A

denominaÁ„o de Complexo Serra

m·rmores, anfibolitos, rochas calcissilic·ticas,

dos Quintos foi utilizada por Ferreira (1998), para individualizar uma seq¸Íncia de gnais- ses e micaxistos, localmente migmatizados, que incluem lentes de quartzitos ferruginosos, formaÁıes ferrÌferas, muscovita quartzitos, anfibolitos, m·rmores e skarns, na regi„o de

formaÁıes ferrÌferas bandadas e mais rara- mente clorita-actinolita xistos. As formaÁıes ferrÌferas est„o intercaladas por finos nÌveis de biotita gnaisses, anfibolitos e clorita- actinolita xistos. Possuem um bandamento marcado pela altern‚ncia de leitos ricos em

Santa Luzia (PB). Essa seq¸Íncia seria parte integrante do Complexo CaicÛ definido por Torres e Andrade (1975). Afora a ·rea-tipo, onde possui maior representatividade, Ferrei- ra (1998) tambÈm reconheceu pequenos segmentos aflorantes desta unidade no flanco

grunerita/hematita e quartzo. A FormaÁ„o Serra dos Quintos no flanco leste da serra da Formiga, foi pesqui- sada por Hackspacher e OsÛrio (1981), que a correlacionaram ‡ FormaÁ„o Equador, ent„o posicionada na base do Grupo SeridÛ. Se-

leste da serra da Formiga, regi„o de Flor‚nia,

gundo esses autores esta unidade È constitu-

na regi„o nordeste de Timba˙ba dos Batis- tas.

e

Ìda por quartzitos ferruginosos, itabiritos com hematita e/ou magnetita, camadas de hemati-

Posteriormente, Ferreira e Santos (2000) reclassificaram a unidade como for- mação, considerando-a parte integrante do Grupo SeridÛ, correlacion·vel ‡ FormaÁ„o Jucurutu. Os referidos autores reconheceram outros sÌtios dispersos dessa associaÁ„o litolÛgica, no ‚mbito dos ortognaisses do em-

ta e/ou magnetita compacta, formaÁ„o ferrÌfe- ra bandada, granada-tremolita xistos, musco- vita quartzitos, gnaisses e actinolita xistos com magnetita. Os nÌveis de granada- tremolita xistos e de actinolita xistos por ve- zes gradam lateralmente para itabiritos. Lo- calmente os nÌveis de actinolita xistos variam

basamento paleoproterozÛico a norte de Cai- cÛ, no pico do Bonito em Jucurutu, e na regi- „o de S„o Jo„o do Sabugi.

concordantemente para clorita xistos no topo. Segundo esses autores a unidade aflora nos morros CabeÁo da Mina, Caatinga dos Ver-

 

A

associaÁ„o litolÛgica denominada

dadeiros e CabeÁo Vermelho, com direcio-

de FormaÁ„o Serra dos Quintos È considera- da por diversos autores como pertencente ‡ porÁ„o inferior da FormaÁ„o Jucurutu. Neste trabalho, ‡ semelhanÁa de Santos e Ferreira (2000) ela È interpretada como uma seq¸Ín-

namento NW e cotas proeminentes sobre a planÌcie de litotipos do embasamento do Complexo CaicÛ. Sua espessura m·xima aparente seria de 15 metros (CabeÁo da Mi- na), com uma espessura real da ordem de

21

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

5 metros. Em perfil geolÛgico executado por este projeto na estrada de acesso ‡ mina de ferro da fazenda Saquinho observou-se uma seq¸Íncia de rochas supracrustais, sobrepos- tas aos augen gnaisses paleoproterozÛicos (SuÌte PoÁo da Cruz), composta por metam·- ficas finas anfibolitizadas (metabasaltos), biotita gnaisses, biotita xistos, metavulc‚nica andesÌtica, muscovita quartzitos e m·rmores. Capeando a seq¸Íncia aparecem nÌveis de gnaisses e m·rmores da FormaÁ„o Jucurutu. Na extremidade noroeste desta faixa, regi„o da serra do Cruz/sÌtio Riach„o, a se- q¸Íncia est· representada por nÌveis de for- maÁıes ferrÌferas, paragnaisses e lentes de clorita-tremolita xistos esverdeados (metab·- sicas). O contato da formaÁ„o ferrÌfera com m·rmores e gnaisses da FormaÁ„o Jucurutu sobreposta È estruturalmente concordante. O contato inferior com o Complexo CaicÛ n„o foi observado. No flanco sudoeste desta faixa ocorre a unidade de metabasaltos/leucortognaisses (NP3sqmb), que estrutura a serra da Formiga, ora considerada como a unidade inferior da FormaÁ„o Serra dos Quintos nesta faixa, embora n„o se descarte a possibilidade des- sa associaÁ„o litolÛgica pertencer ao Emba- samento Rio Piranhas. Trata-se de uma se- q¸Íncia de leucortognaisses granÌticos com intercalaÁıes subordinadas de metam·ficas (actinolita xistos ± granada) observada na extremidade sudeste da serra, regi„o da fa- zenda GenezarÈ. Em todas as ·reas de ocorrÍncia car- tografadas da FormaÁ„o Serrra dos Quintos nota-se a mesma relaÁ„o espacial, com a unidade compreendida entre o embasamento do Complexo CaicÛ/augen gnaisses da SuÌte PoÁo da Cruz, na base, e a FormaÁ„o Jucuru- tu, no topo, com contatos estrutural ou estra- tigr·fico concordantes. Para Hackspacher e OsÛrio (1981) a variaÁ„o de nÌveis de actinolita xistos para clorita xistos sugere uma seq¸Íncia vulc‚nica com tufos na parte superior. Jardim de S· (1984) descreve na mina Saquinho nÌveis de quartzitos ferruginosos que seriam relaciona- dos a chertes ferruginosos, concluindo por uma possÌvel origem vulcano-exalativa para o conjunto. Santos et al. (2002), na regi„o de Santa Luzia (PB), sugerem uma seq¸Íncia vulcanossedimentar com caracterÌsticas de sedimentaÁ„o imatura associada a sedimen- tos quÌmico-exalativos e a um vulcanismo provavelmente toleÌtico de arco magm·tico. A idade ediacarana sugerida est· de acordo com a possÌvel correlaÁ„o com a FormaÁ„o Jucurutu.

Como recursos minerais a unidade contÈm nÌveis de m·rmores e de formaÁıes ferrÌferas, como os expressivos depÛsitos de ferro da mina Saquinho e da mina Jucurutu (Pico do Bonito), ambos em explotaÁ„o.

3.2.3.2 - FormaÁ„o Jucurutu (NP3sju)

Foi definida por Ferreira e Albuquer- que (1969) para englobar, aproximadamente,

o que Ebert (1969) denominou de formaÁıes

Flor‚nia, Quixaba e Equador. Para aqueles autores, a FormaÁ„o Jucurutu consta, essen- cialmente, de gnaisses de cor cinzento-

azulada com lentes de epidoto, uniformemen-

te distribuÌdas e que podem evoluir atÈ formar

tactitos, muitas vezes scheelitÌferos, com abundantes intercalaÁıes lenticulares de m·rmores, ‡s vezes associados a tactitos scheelitÌferos. Ela ocorre no interior da faixa dobra- da como estreitas camadas bordejando plu- tons granÌticos como no batÛlito de Acari ou localmente bordejando braquiantiformes da FormaÁ„o Equador, por vezes aflora em es- truturas dÙmicas como na estrutura a leste de Currais Novos, e na zona de charneira da antiforme da serra das Queimadas (quartzito da FormaÁ„o Equador) em uma janela erosi- va. Na borda oeste do segmento NE-SW, regi„o de S„o JosÈ do SeridÛ-S„o Vicente- Pedra Preta, aflora continuamente entre o embasamento do Complexo CaicÛ a oeste e os metassedimentos superpostos da Forma- Á„o SeridÛ a leste. TambÈm ocorre recobrin- do grandes extensıes do Complexo CaicÛ, preenchendo estruturas sinformais, em conta- tos discordantes tectÙnicos ou de n„o con- formidade sobre os litotipos deste embasa- mento.

Segundo Jardim de S· (1994) apesar da intensa deformaÁ„o e metamorfismo su- perpostos, em locais de baixo strain, podem ser observados afloramentos ou setores di- agnÛsticos das relaÁıes estratigr·ficas inter- nas do Grupo SeridÛ, e deste com o emba- samento. A discord‚ncia entre o embasamen- to representado pelo Complexo CaicÛ e a FormaÁ„o Jucurutu d·-se, em alguns locais, por metaconglomerados polimÌctos, a exem- plo do riacho dos Grossos, sudeste de S„o Jo„o do Sabugi, e, em outros, por seixos esparsos de rochas granito-gn·issica e lo- calmente por metaconglomerados monomÌti- cos (seixos de quartzo). Neste trabalho foram interpretados segmentos alÛctones isolados da FormaÁ„o Jucurutu, a leste da faixa dobrada, sobre em- basamento gn·issico-migmatÌtico do DomÌnio

22

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

S„o JosÈ do Campestre, a partir de informa- Áıes de Amaral (1990). No interior da faixa dobrada podem ser observados contatos gradacionais, por

altern‚ncia de camadas ou variaÁ„o compo- sicional, entre as formaÁıes Jucurutu/SeridÛ e Jucurutu/Equador. Na regi„o da serra da Garganta/serra Vermelha o contato entre esta formaÁ„o e a FormaÁ„o SeridÛ, sobreposta, d·-se pela altern‚ncia de camadas.

A FormaÁ„o Jucurutu est· constituÌda

principalmente por biotita ± epidoto ± anfibÛlio paragnaisses, com intercalaÁıes de m·rmo- res (m), rochas calcissilic·ticas e skarns (Sa-

lim, 1993), micaxistos, quartzitos (qt), forma- Áıes ferrÌferas, metavulc‚nicas dominante- mente b·sicas e intermedi·rias (v), alguns metaconglomerados basais e possÌveis nÌveis de metachertes (ch). Inclusos nos paragnais- ses ocorrem nÌveis e nÛdulos de rochas cal- cissilic·ticas e de metagrauvacas (bastante feldsp·ticas) com aspecto maciÁo. Para Jardim de S· (1994) os m·rmo- res e as formaÁıes ferrÌferas da FormaÁ„o Jurucutu, junto com a tendÍncia calcÌtica- quartzÌtica dos paragnaisses, indicam um ambiente de deposiÁ„o marinho raso. Alguns nÌveis de quartzitos e metaconglomerados basais podem representar depÛsitos conti- nentais (associaÁ„o de vulc‚nicas bimodais- arcÛseos-conglomerados). Van Schmus et al. (2003) em dataÁ„o pelo mÈtodo U-Pb SHRIMP em zirc„o detrÌti- co desta formaÁ„o, encontraram em amostra de paragnaisse (EC-61), localizada na cidade de Jucurutu, uma populaÁ„o de zircıes mais jovens de ca. 650 Ma com uma idade mÌnima de 634 ± 13 Ma, sinalizando, portanto, uma prov·vel idade ediacarana ou mesmo crioge- niana ( 650 e >610 Ma) para a sedimentaÁ„o desta seq¸Íncia.

A esta unidade associam-se os prin-

cipais depÛsitos de scheelita (CaWO 4 ), da ProvÌncia ScheelitÌfera do Nordeste, hospe- dados em skarns. Associados aos skarns ocorrem alÈm de W, mineralizaÁıes de Au e Mo. Na mina Bonfim a mineralizaÁ„o aurÌfera est· associada a rochas calcissilic·ticas (me- taultram·ficas?). Ressaltam-se ainda os es- pessos horizontes de m·rmore da unidade.

3.2.3.3 - FormaÁ„o Equador (NP3se)

Ebert (1966) denominou de Quartzito Equador um pacote de quartzitos mic·ceos ou conglomer·ticos (itacolomito), o qual foi posteriormente elevado ‡ categoria de forma- ção por Ebert (1969). Ela ocorre principal- mente na porÁ„o central da faixa constituindo

23

serras alongadas na direÁ„o NE-SW, tais como serra das Queimadas e da Umburana que constituem estruturas braquiantiformes, ou como cristas de extensıes quilomÈtricas como a serra do Feiticeiro.

… constituÌda predominantemente por

muscovita quartzitos com f·cies arcoseanas,

contendo intercalaÁıes de metaconglomera- dos (NP3secg), rochas calcissilic·ticas e mi- caxistos. Os quartzitos s„o esbranquiÁados atÈ cremes e cinzas, finos a mÈdios, com foliaÁ„o bem desenvolvida. Os metaconglo- merados s„o mono ou polimÌctos, com matriz de coloraÁ„o cinzenta a esverdeada, predo- minantamente quartzosa. Eles ocorrem mais freq¸entemente em direÁ„o ao topo, prece- dendo a deposiÁ„o dos micaxistos da Forma- Á„o SeridÛ. Os contatos desta unidade com as formaÁıes Jucurutu (sotoposta) e SeridÛ (sobreposta) d·-se pela altern‚ncia de cama- das ou variaÁ„o composicional progressiva entre elas.

O quartzito, como parte de uma asso-

ciaÁ„o do tipo QPC, pode representar uma sedimentaÁ„o marinha rasa. As principais mineralizaÁıes associa- das ‡ FormaÁ„o Equador constam de garim- pos de caulim em pegmatitos e da extraÁ„o, para pedra ornamental, de quartzitos e de metaconglomerados.

3.2.3.4 - FormaÁ„o SeridÛ (NP3ss)

A designaÁ„o Micashistos do Seridó

foi utilizada originalmente por Moraes (1924) para uma sequÍncia de micaxistos biotÌticos atravessados por abundantes diques de pegmatitos, posteriormente denominada de FormaÁ„o SeridÛ por Ebert (1969).

A FormaÁ„o SeridÛ constitui a princi-

pal unidade litoestratigr·fica da faixa dobrada em ·rea de afloramento, ocorrendo tambÈm como segmentos alÛctonos isolados, a leste da faixa dobrada, sobre o embasamento gn·issico-migmatÌtico do DomÌnio S„o JosÈ do Campestre. Sua litologia dominante consta de mi- caxistos feldsp·ticos ou aluminosos de f·cies de mÈdio a alto grau metamÛrfico, com sÌtios restritos de f·cies de baixo grau metamÛrfico. A fácies de médio a alto grau metamórfico È representada notadamente por biotita xistos granadÌferos, podendo conter ± estaurolita ± cianita, ± andalusita ± cordierita ± sillimanita, localmente com elevado teor de feldspato ou de quartzo. Na porÁ„o inferior da formaÁ„o ocorrem intercalaÁıes de m·rmores, rochas calcissilic·ticas, paragnaisses, rochas meta- vulc‚nicas b·sicas, quartzitos e metaconglo-

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

merados (NP3ss). A fácies de baixo grau metamórfico (NP3ssc) ocorre em algumas ·reas restritas n„o cartograf·veis na escala do projeto, com exceÁ„o de uma extensa ·rea de direÁ„o NE-SW a oeste do batÛlito de Acari, limitada a sul pela cidade de Ouro Branco e estendendo-se para norte, alÈm da

Van Schmus et al. (2003) em dataÁ„o

(cassiterita), Li (ambligonita) e Bi (bismutini- ta), alÈm dos n„o met·licos, turmalina, quart- zo, micas, feldspato e caulim. Na regi„o de Currais Novos, na mina S„o Francisco, ocorre mineralizaÁ„o de ouro associada a veios de quartzo sulfetados em zona de cisalhamento transcorrente.

cidade de Cruzeta. Suas rochas s„o de colo- raÁ„o cinza-claro a esverdeada, granulaÁ„o fina, com acamamento (S 0 ) preservado, cons- tituÌdas preferencialmente por sericita-clorita-

3.3 - DomÌnio S„o JosÈ do Campestre (DSJ)

biotita xistos, podendo conter sericita-clorita

O

DomÌnio S„o JosÈ do Campestre

xistos, filitos e metassiltitos.

comporta um domo arqueano com cerca de

A unidade de baixo grau metamÛfico

6.000

km 2 , denominado de N˙cleo Bom Je-

(NP3ssc) foi considerada por Ferreira (1998) como uma bacia sedimentar mais jovem, distinta dos metassedimentos da FormaÁ„o

sus-Presidente Juscelino (NBJ; Bizzi et al., 2001), em torno do qual est„o amalgamados segmentos crustais paleoproterozÛicos (figura

SeridÛ (NP3ss), sendo ent„o designada de

2.3).

Seq¸Íncia Metassedimentar de Cruzeta.

O

N˙cleo Bom Jesus-Presidente Jus-

Jardim de S· (1994) interpreta os mi- caxistos como uma seq¸Íncia turbidÌtica, haja vista, a preservaÁ„o de feiÁıes de estratifica- Á„o gradacional, continuidade lateral dos estratos, preservaÁ„o de ciclos de bouma e, mais raramente, estruturas de slump. Quanto ao ambiente tectÙnico, esses turbiditos po- dem representar depÛsitos de plataforma distal ou talude, associados ‡ fase de subsi- dÍncia termal da bacia, num contexto de margem continental passiva. Todavia, ainda para esse autor, a ocorrÍncia de estruturas

celino È formado por rochas de idades paleo, meso e neoarqueana, que correspondem ‡s seguintes unidades litoestratigr·ficas: Meta- tonalito Bom Jesus (A2bj), Complexo Presi- dente Juscelino (A2J1, A23j2), Complexo Brejinho (A3br), Complexo Senador ElÛi de Souza (A3( es) e GranitÛide S„o JosÈ do Campestre (A4( jc). No entorno do n˙cleo arqueano est„o dispostos os complexos pa- leoproterozÛicos de idade riaciana: Jo„o C‚- mara (PP2jc), Santa Cruz (PP2sc) e Serrinha- Pedro Velho (PP2sp1, PP2sp2, PP2sp3,

contracionais e dados geoquÌmicos condu-

PP2sp4).

zem a interpret·-los como depÛsitos flyschói- des (ambiente de margem ativa, associaÁ„o grauv·quica-greenstone, com ampla domi- n‚ncia do componente sedimentar). Os con- tatos desta unidade com o complexo paleo- proterozÛico CaicÛ, no limite oeste da faixa NE-SW, e com os complexos paleoprotero- zÛicos Jo„o C‚mara e Serrinha-Pedro Velho (este fora da ·rea do projeto), a leste, s„o tectÙnicos. Com as unidades internas do gru- po os contatos s„o gradacionais ou tectÙni- cos.

pelo mÈtodo U-Pb SHRIMP em zirc„o detrÌti- co da FormaÁ„o SeridÛ, encontraram em amostra de micaxisto da regi„o de Pedra Preta (BR 95-104) uma populaÁ„o de zircıes mais jovens de ca. 650 Ma com uma idade mÌnima de 628 ± 16 Ma, sinalizando, portan- to, uma prov·vel idade ediacarana ou mesmo criogeniana ( 650 e >610 Ma) para a sedi-

As rochas do n˙cleo arqueano e dos complexos paleoproterozÛicos s„o intrudidas por enxame de diques m·ficos do Riaciano- Orosiriano pertencentes ‡ SuÌte InharÈ (PP2β i) (quadro 3.1). Todas as unidades litoestratigr·ficas do n˙cleo arqueano e dos segmentos paleo- proterozÛicos foram definidas originalmente por Dantas (1997) a exceÁ„o do Complexo Presidente Juscelino. Os crÈditos das informaÁıes utiliza- das nas descriÁıes das unidades litoestrati- gr·ficas (denominaÁ„o, litologia, petrografia, quÌmica, dataÁıes geocronolÛgicas - todas idades U-Pb em zirc„o, outros dados isotÛpi- cos, etc.) do DomÌnio S„o JosÈ do Campestre pertencem a Dantas (1997). Eventuais infor- maÁıes de outros autores est„o com as res- pectivas citaÁıes bibliogr·ficas no texto.

3.3.1 Metatonalito Bom Jesus (A2bj)

mentaÁ„o desta seq¸Íncia. Do ponto de vista econÙmico esta u- nidade torna-se importante por abrigar in˙me- ros corpos pegmatÌticos com mineralizaÁıes metalÌferas e gemas tais como, Be (berilo e ·gua marinha), Ta/Nb (tantalita/columbita), Sn

A denominaÁ„o de Metatonalito Bom Jesus foi usada por Bizzi et al. (2001) em substituiÁ„o ao nome original de Unidade Bom Jesus. Este ortognaisse ocorre como um pequeno corpo prÛximo ‡ cidade homÙnima,

24

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

localizado no centro do n˙cleo arqueano. Congrega hornblenda ortognaisses tonalÌticos migmatizados com leucossomas de composi- Á„o tonalÌtica a granodiorÌtica, localmente contendo enclaves de anfibolitos boudinados segundo a direÁ„o NW-SE. N„o foram obser- vados os contatos destes ortognaisses tonalÌ- ticos com as unidades litoestratigr·ficas adja- centes.

A assinatura geoquÌmica dos ortog-

naisses mostra que se trata de rochas de afinidade qÌmica calcialcalina com baixo po- t·ssio (Dantas et al., 2004) de natureza pera- luminosa.

A idade U-Pb em zirc„o obtida em

uma amostra de ortognaisse tonalÌtico (BR- 57) considerando todas as fraÁıes de zircıes analisadas no c·lculo È de 3.449 ± 90 Ma. Entretanto a grande dispers„o dos pontos no diagrama concÛrdia evidencia perturbaÁ„o no sistema isotÛpico desta rocha. Com apenas as fraÁıes que n„o mostram grande pertur- baÁ„o isotÛpica obteve-se um melhor alinha- mento da discÛrdia, cuja idade de 3.412 ± 8 Ma foi interpretada como a mais prov·vel idade de cristalizaÁ„o destas rochas (Dan- tas,1997). As fraÁıes de zircıes da mesma amostra foram posteriormente analisadas pelo mÈtodo U-Pb SHRIMP em zirc„o obten- do-se idade m·xima de 3,5 Ga com uma po- pulaÁ„o dominante em 3,4 Ga (Dantas et al.,

2004).

As idades modelo (T DM ) variam de 3,8

a 4,0 Ga, com valores de Є Nd (3,45 Ga) vari- ando de -1,9 a -5,0, o que evidencia deriva- Á„o a partir de uma antiga crosta si·lica.

O Metatonalito Bom Jesus constitui

assim o fragmento de crosta mais antigo da plataforma Sul-americana.

3.3.2 - Complexo Presidente Juscelino:

Unidade de Ortognaisse (A2j1); Unidade de Migmatito (A23j2)

Deve-se a Gomes et al. (1981) a defi- niÁ„o do Complexo Presidente Juscelino ten- do como localidade-tipo o trecho da BR-226 entre as cidades de MacaÌba-Serra Caiada (anteriormente designada de Presidente Jus- celino)-Tangar·. Entretanto, o estudo mais detalhado desta unidade com a redefiniÁ„o do seu patrimÙnio litoestratigr·fico e da sua ·rea de afloramento mais restrita foi realizado por Dantas (1997). Este complexo constitui a principal u- nidade litoestratigr·fica do n˙cleo arqueano, em ·rea de ocorrÍncia (cerca de 3.000 km Dantas et al. 2004), e limita o prÛprio n˙cleo com os v·rios segmentos litolÛgicos paleopro-

,

2

25

terozÛicos circum-adjacentes. As duas unida- des litoestratigr·ficas em que foi dividido o Complexo Presidente Juscelino se caracteri- zam principalmente pelos diferentes est·gios de migmatizaÁ„o que est„o envolvidas. Os litotipos do Complexo Presidente Juscelino mostram em geral coloraÁ„o cinza e esbran- quiÁada, granulaÁ„o mÈdia a grossa, equi- granular e bandamento milimÈtrico, com ge- raÁ„o de migmatitos bandados (metatexitos) a migmatitos nebulÌticos (diatexitos) de com- posiÁ„o TTG. As rochas da Unidade de Ortognaisse (A2j1) possuem coloraÁ„o cinza e esbranqui- Áada, granulaÁ„o mÈdia a grossa, banda- mento milimÈtrico bem desenvolvido, varian- do petrograficamente desde biotita ortog- naisses granodiorÌticos a biotita ortognaisses granÌticos, podendo conter ainda hornblenda. Observa-se a presenÁa de xenÛlitos de or- tognaisses tonalÌticos nesta unidade do Complexo Presidente Juscelino. Os termos mais fÈlsicos s„o tardios e geralmente pre- enchem zonas de cisalhamento. ¿s vezes s„o afetados por migmatizaÁ„o a qual de- senvolve tipos estrom·ticos e dobrados com altern‚ncia entre leucossomas trondhjemÌti- cos a tonalÌticos. Ocorrem localmente dobramentos in- trafoliais transpostos e complexas figuras de interferÍncia entre as diferentes fases de de- formaÁ„o que afetam essas litologias. Na Unidade de Migmatito (A23j2) os leucossomas atingem espessuras mÈtricas, formando fronts de migmatizaÁ„o que a ca- racterizam como unidade mape·vel. Inclui os tipos estrom·ticos e flebÌticos evoluindo atÈ migmatitos nebulÌticos. Os leucossomas ge- rados tÍm a composiÁ„o tonalÌtica a granÌti- ca, com plagiocl·sio dominante e bastante granadÌferos. Intercrescimento mesopertÌtico nos K-feldspatos indica condiÁıes de alta temperatura e press„o na geraÁ„o destes migmatitos, em condiÁıes limite entre a f·- cies anfibolito e granulito. Verifica-se a ocorrÍncia de intercala- Áıes de m·rmores, formaÁıes ferrÌferas (BIFs), metachertes, rochas calcissilic·ticas e anfibolitos gnaisses que formam pequenas faixas dispersas entre os ortognaisses e migmatitos arqueanos. Os protÛlitos de parte destes migmatitos podem ser rochas metas- sedimentares (Dantas et al., 2004). Os litotipos do Complexo Presidente Juscelino apresentam uma tendÍncia geo- quÌmica do tipo TTG, s„o muito ricos em Si-

O 2 (>70%), com altas razıes Na 2 O/K 2 O e variam de peraluminosos a metaluminosos.

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

Foi obtida em biotita ortognaisse gra- nodiorÌtico da unidade A2j1 (amostra CE-118) uma idade U-Pb em zirc„o de 3.255 ± 4 Ma, interpretada como a idade de cristalizaÁ„o dos ortognaisses (Dantas, 1997) e de 3.251 ± 44 Ma (Dantas et al. 2004). Para os leucos- somas trondhjemÌticos desta unidade (amos- tra BR-62) foi determinada uma idade de

3.086 ± 4 Ma, interpretada como a idade de

cristalizaÁ„o do leucossoma destes migmati- tos (Dantas, 1997) e de 3.042 ± 87 Ma (Dan- tas et al. 2004).

As idades de cristalizaÁ„o dos leu- cossomas nos migmatitos estrom·ticos da unidade A23j2 (amostra EC-76) variam entre

2.814 ± 64 Ma e 2.310 ± 94 Ma (Dantas,

1997). Uma hipÛtese prov·vel para explicar o comportamento do sistema isotÛpico dos zircıes desta rocha, seria uma forte evidÍncia de fonte sedimentar envolvida na geraÁ„o dos migmatitos. As idades modelo (T DM ) do Complexo

Presidente Juscelino s„o caracterizadas por valores em torno de 3,4 - 3,6 Ga e εNd (3,25 Ga) com valores negativos entre -3 e -1. Es- tes valores sugerem para essas rochas uma fonte crustal arqueana retrabalhada.

3.3.3 - Complexo Brejinho (A3br)

Situa-se na borda SE do n˙cleo ar- queano, constituÌdo por granada-biotita ortog- naisses tonalÌticos, trondhjemÌticos, granodio- rÌticos e monzogranÌticos, com variados graus de migmatizaÁ„o. S„o rochas leuco a meso- cr·ticas, equigranulares, composicionalmente homogÍneas. As rochas deste complexo tÍm afini- dade geoquÌmica trondhjemÌtica peralumino- sa, com baixo a mÈdio pot·ssio, enriquecen- do-se em CaO em direÁ„o ao limite com o domÌnio paleoproterozÛico. TrÍs fraÁıes de zircıes euhedrais da amostra BR-72 definem uma idade de cristali- zaÁ„o de 3.178 ± 8 Ma (Dantas, 1997) e de

rochas melanocr·ticas esverdeadas e com- posiÁıes variadas, com granulaÁ„o grossa e car·ter Ìgneo preservado nos plagiocl·sios, deformadas e com forte bandamento meta- mÛrfico verticalizado. Trata-se de uma as- semblÈia caracterizada por apresentar clinopi- roxÍnio como uma das suas principais fases minerais. O termo menos diferenciado È um hedenbergita-oligoclasio gnaisse, o qual È associado a metagabros, metaleuconoritos e metanortositos granatÌferos. Anfibolitos ban- dados s„o tambÈm encontrados. EvidÍncias de desmistura nos plagiocl·sios s„o os res- pons·veis pela coloraÁ„o esverdeada da rocha.

A caracterizaÁ„o de um metamorfis- mo de alta temperatura e press„o È evidenci- ada pela recristalizaÁ„o din‚mica envolvendo hornblenda e hedenbergita, plagiocl·sio e, localmente, microclina. As rochas deste complexo possuem uma afinidade quÌmica calcialcalina com ten- dÍncia metaluminosa. Os ETRs, tanto para os oligoclasitos quanto para os metagabros evi- denciam cogeneticidade entre ambos. Uma idade U-Pb em zirc„o de 3.033 ± 3 Ma foi obtida por Dantas (1997) em uma amostra de oligoclasito (EC-74) interpretada como a idade de cristalizaÁ„o do complexo. Dantas et al. (2004) obtiveram para a mesma amostra uma idade U-Pb em zirc„o de 3.076 ± 100 Ma. Os valores de εNd (t) s„o negativos e as idades modelo (T DM ) situam-se em torno de 3,6 Ga. Dantas (1997) sugere como hipÛ- tese mais prov·vel uma origem a partir de rochas granulÌticas antigas, que representari- am zonas de raÌzes de material crustal pro- fundo, intrudido em diferentes nÌveis crustais atravÈs de colisıes mais jovens. Os dados isotÛpicos evidenciam, para as rochas deste complexo, uma origem a partir do retrabalhamento de uma crosta con- tinental paleoarqueana.

3.333

± 77 Ma (amostra BR-68, Dantas et al.

3.3.5 - GranitÛide S„o JosÈ do Campestre

2004).

(A4((((jc)

As rochas do complexo possuem ida- des modelo (T DM ) em torno de 3,2 Ga e valo- res de εNd (t) que variam de +1,0 atÈ +1,5, dados estes indicativos de uma crosta juvenil retrabalhada no Mesoarqueano.

3.3.4 - Complexo Senador ElÛi de Souza

(A3((((es)

Ocorre em uma faixa estreita com di- reÁ„o geral NW-SE na porÁ„o central do n˙- cleo arqueano. O complexo È composto por

26

Esta unidade foi definida originalmen- te em um corpo a norte da cidade de S„o JosÈ do Campestre sob a denominaÁ„o de Sienogranito S„o JosÈ do Campestre e re- nomeada de GranitÛide S„o JosÈ do Cam- pestre por Bizzi et al. (2001). … composta por ortognaisses monzogranÌticos a sienogranÌti- cos, de granulaÁ„o grossa, coloraÁ„o aver- melhada, com estrutura gn·issica acentuada nas margens e menos evidente em direÁ„o ao centro do corpo. Sua composiÁ„o minera-

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

lÛgica inclui microclina, quartzo, hornblenda e hastingsita, fenocristais de alanita, com plagi- ocl·sio intersticial, alÈm de raro clinopiroxÍ- nio. Um outro corpo desta unidade foi inferido na circunvizinhanÁa da cidade de Boa Sa˙de (ex Janu·rio Cicco) a partir das informaÁıes de Dantas (1997) e da fotointerpretaÁ„o da ·rea.

S„o rochas metaluminosas, subalca- linas com tendÍncia alcalina, semelhantes aos modernos granitÛides sin a tardi orogÍni- cos. Essas rochas constituem os termos mais evoluÌdos e diferenciados das unidades ar- queanas do N˙cleo Bom Jesus-Presidente Juscelino. DataÁıes geocronolÛgicas em duas amostras desta unidade, obtidas por Dantas (1997) definem idades de cristalizaÁ„o U-Pb em zirc„o de 2.683 ± 7 Ma (amostra CE-116 de sienogranito a 5 km norte de S„o JosÈ do Campestre) e de 2.655 ± 4 Ma (amostra EC- 80 de sienogranito a 1 km oeste de Boa Sa˙- de). Dantas et al. (2004) obtiveram para a amostra CE-116, pelo mesmo mÈtodo, uma idade de 2.685 ± 9 Ma, e para a amostra EC-80 a mesma idade de Dantas (1997). As idades modelo (T DM ) em torno de 3,2 Ga, com valores de εNd (2,7 Ga) ao redor de ñ3, s„o sugestivos de uma geraÁ„o de crosta neoarqueana a partir de uma crosta mais antiga retrabalhada.

3.3.6 - Complexo Jo„o C‚mara (PP2jc)

O complexo ocorre entre as cidades de Jo„o C‚mara e PoÁo Branco, a norte, e entre as cidades de S„o Paulo do Potengi e Ielmo Marinho, a sul. Trata-se de uma asso- ciaÁ„o de migmatitos, que inclui hornblenda migmatitos, diatexitos rÛseos e metatexitos intensamente dobrados, mostrando estruturas flebÌticas, estrom·ticas, nebulÌticas e schlie- ren. Ocorrem ainda, gnaisses bandados, hornblenda-biotita ortognaisses, anfibolitos, leucogranitos, e subordinadamente rochas metam·ficas/ultram·ficas (tremolita-actinolita xistos). Os migmatitos apresentam leucosso- mas de textura pegmatÛide e s„o essencial- mente granÌticos, com predomin‚ncia de bioti- ta, e raramente, muscovita. Os n˙cleos de mobilizados rosados s„o dobrados e redo- brados, gerando novos neossomas em planos de transposiÁ„o e redobramentos. Os leucogranitos possuem tendÍncia calcialcalina de alto pot·ssio, s„o metalumi- nosos, definem um trend monzogranÌtico, assemelhando-se a rochas subalcalinas de ambientes modernos sincolisionais. Os dife- rentes padrıes de ETR dos litotipos mais

27

representativos desta unidade sugerem magmas de fontes diferentes para as assem- blÈias de migmatitos e dos ortognaisses (leu- cogranitos). Foram obtidas idades de 2.250 ± 50 Ma para os leucogranitos (amostra EC-31), e de 2.312 ± 16 Ma para os migmatitos (amos- tra EC-38). As idades modelo (T DM ) situadas en- tre 3,5 e 3,4 Ga para os migmatitos e 2,5 Ga para os leucogranitos, e os valores de εNd (t) entre -7 e -3, denotam car·ter evoluÌdo e forte contribuiÁ„o de crosta arqueana retrabalhada.

3.3.7 - Complexo Serrinha-Pedro Velho (PP2sp1/ PP2sp2/ PP2sp3/ PP2sp4)

Definido originalmente como Terreno Serrinha-Pedro Velho, composto pelas unida- des Serrinha e Pedro Velho que foram subdi- vididas em cinco associaÁıes litolÛgicas n„o nomeadas. Posteriormente, Santos et al. (2002) reclassificaram este terreno na catego- ria de complexo, conforme adotado no proje- to. Esses autores consideraram o Complexo Serrinha-Pedro Velho formado por trÍs asso- ciaÁıes litolÛgicas (sp1, sp2 e sp3) a partir das descriÁıes de Dantas (1997). Angelim et al. (2004a, b) individualizaram mais uma das associaÁıes litolÛgicas de Dantas (1997) do referido complexo. As unidades PP2sp2/PP2sp4 correspondem ‡s associa- Áıes litolÛgicas da Unidade Serrinha, enquan- to as unidades PP2sp1/PP2sp3 integram a Unidade Pedro Velho. O Complexo Serrinha-Pedro Velho ocorre no extremo sudeste do Estado do Rio Grande do Norte, encerra as cidades de Ser- rinha, Nova Cruz e Pedro Velho e estende-se para sul alÈm das fronteiras do territÛrio poti- guar. Constitui um segmento crustal de alto grau metamÛrfico formado por migmatitos e ortognaisses diversos. A Unidade PP2sp1 compıe-se pre- dominantemente por biotita ortognaisses trondhjemÌticos parcialmente migmatizados, incluindo pequeno corpo de hedenbergita- granada-hornblenda ortognaisse trondhjemÌti- co que aflora a norte da cidade de Pedro Ve- lho. A Unidade PP2sp2 est· constituÌda por hornblenda-biotita migmatitos bandados, com mesossoma tonalÌtico a granodiorÌtico e leu- cossoma granÌtico, com lentes intercaladas de anfibolitos. A Unidade PP2sp3 È formada por biotita ortognaisses granÌticos, migmati- zados, e, finalmente, a Unidade PP2sp4 re- presentada por biotita leucortognaisses gra- nodiorÌticos a granÌticos, migmatizados, pera- luminosos.

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

As idades variam de 2.183 ± 5 Ma (amostra EC-81) a 2.187 ± 8 (amostra BR 95) Ma para os hornblenda-biotita ortognaisses tonalÌticos Serrinha, e de 2.273 ± 47 Ma (a- mostra BR 93-18) a 2.203 ± 4 Ma (amostra BR 76) para o granada-hedenbergita ortog- naisse trondhjemÌtico Pedro Velho (Dantas, 1997). Esses dados sugerem que parte do Complexo Serrinha-Pedro Velho possa per- tencer ao Complexo Santa Cruz. As idades modelo (T DM ) variam de 2,3

a 2,4 Ga, para as unidades PP2sp1/PPsp3

(Pedro Velho) e 2,5 a 2,6 Ga para as unida- des PP2sp2/PP2sp4 (Serrinha). Algumas amostras das unidades PP2sp1/PP2sp3 (Pe- dro Velho) mostram εNd positivo em 2,2 Ga, indicando acresÁ„o de material juvenil, asso- ciado com a produÁ„o de grande quantidade de rochas crustais anatÈticas.

CE-105), 2.230 ± 33 Ma para os augen gnais-

ses (amostra EC-23) e 2.069 ± 22 Ma para os

leucortognaisses granÌticos (amostra EC-19)

(Dantas, 1997). As idades modelo (T DM ) desta unida- de variam de 2,5 a 2,6 Ga, com exceÁ„o de uma amostra de augen gnaisse com (T DM ) de

2,9 Ga. Os valores de εNd (2,2 Ga) s„o nega-

tivos entre -1 e -3. Os dados indicam que as

rochas deste complexo s„o provenientes de retrabalhamento de uma fonte crustal arque- ana.

3.3.9 - SuÌte InharÈ (PP2β i)

A SuÌte InharÈ corresponde a um en- xame de diques e soleiras de rochas m·ficas

(anfibolitos e meta-hornblenditos) que aflora na ·rea e j· reconhecida em v·rios segmen-

 

tos

transamazÙnicos da ProvÌncia Borborema

3.3.8 - Complexo Santa Cruz (PP2sc)

por diversos autores, entre eles Dantas

xantes, ao passo que as soleiras afloram

Este segmento crustal foi classificado originalmente como terreno, porÈm Santos et al. (2002), lhe atribuÌram a categoria de com- plexo conforme adotado neste projeto. O complexo ocupa uma grande ·rea que envol-

a

porÁ„o mais evoluÌda do complexo. Na re-

(1992). Os diques est„o dispostos subparale- lamente ao trend principal das rochas encai-

como corpos de geometria subcircular, com di‚metros de aproximadamente 1 Km de ex- tens„o. Eles ocorrem preferencialmente na

ve parte do estado do Rio Grande do Norte

regi„o de contato entre segmentos crustais

(regi„o de Nova Cruz, Japi, Tangar·, Santa

de

diferentes idades (Arqueano/ Paleoprote-

Cruz e Lages Pintadas) e parte da ParaÌba (regi„o de PicuÌ e Barra de Santa Rosa). Esta unidade foi correlacionada ao Complexo Cai- cÛ, por Jardim de S· (1984). Compreende grande variedade de or- tognaisses cuja caracterÌstica principal È a

rozÛico). Regionalmente s„o identificadas duas geraÁıes de anfibolitos: os anfibolitos I que possuem granulaÁ„o fina, estrutura ban- dada, fortemente dobrada e redobrada, con- tendo caracteristicamente biotita; os anfiboli- tos II que cortam a primeira unidade e s„o

presenÁa de feiÁıes Ìgneas parcialmente preservadas. Predominam biotita-hornblenda

classificados como meta-hornblenditos, con- tendo fenocristais de hornblenda com atÈ 5

ortognaisses granodiorÌticos, biotita augen

cm

de di‚metro. As relaÁıes de campo, com

gnaisses granodiorÌticos e biotita-hornblenda

os

diques de meta-hornblenditos truncando

ortognaisses tonalÌticos. Metagabros e meta- quartzodioritos ocorrem como xenÛlitos nos metatonalitos. Em alguns locais dominam leucortognaisses granÌticos que representam

os diques de anfibolitos, sugerem que o pri- meiro magmatismo seja mais jovem. Estes ˙ltimos s„o toleÌticos, enriquecidos em FeO, MgO e CaO, enquanto os anfibolitos ‡ biotita, possuem tendÍncia mais alcalina. Os padrıes

gi„o de Santa Cruz o complexo mostra-se algo zonado com os termos tonalÌticos dis- postos preferencialmente no n˙cleo do domo, enquanto os litotipos mais ·cidos ocupam as bordas.

de ETR de ambas as unidades s„o mais su- gestivos de basaltos continentais, embora um maior n˙mero de an·lises quÌmicas se faz necess·rio para uma interpretaÁ„o mais con- fi·vel.

O contato com as rochas metassedi- mentares do Grupo SeridÛ, a oeste, e com o Complexo Presidente Juscelino, a leste, d·-

A idade U-Pb em zirc„o obtida por Dantas (1997) para os anfibolitos ‡ biotita (anfibolitos I) È de 1.977 ± 35 Ma (amostra Br

se atravÈs de zonas de cisalhamento. Quimicamente s„o rochas de afinida-

70), enquanto que a idade dos meta- hornblenditos (anfibolitos II) È de 2.189 ± 10

de calcialcalina de mÈdio a alto pot·ssio,

Ma

(amostra EC-18). Os dados geocronolÛgi-

metaluminosas, constituindo uma tÌpica suÌte de arco magm·tico maduro. Foram obtidas idades de 2.184 ± 16 Ma para os ortognaisses tonalÌticos (amostra

cos mostram uma aparente contradiÁ„o visto que os meta-hornblenditos revelam idade mais antiga do que os anfibolitos ‡ biotita, contradizendo as indicaÁıes das relaÁıes de

28

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

campo. Assim o significado destas idades ainda È um problema em aberto. As idades modelo (T DM ) de 3,56 Ga e os valores de εNd (0) de -9, obtidos nos meta- hornblenditos, e de 3,2 Ga com εNd (0) de - 17 nos anfibolitos ‡ biotita, sugerem diferen- tes fontes arqueanas nas geraÁıes destas rochas.

A SuÌte InharÈ representa um evento

extensional ocorrido em torno 2,0 Ga, apÛs o

final da colagem transamazÙnica, no DomÌnio S„o JosÈ do Campestre.

3.4 - Magmatismo Sin a PÛs-OrogÍnico Brasiliano, do Ediacarano

O NeoproterozÛico, no Rio Grande do

Norte, foi palco de expressivo plutonismo

brasiliano, cujo episÛdio principal ocorreu no intervalo de 580-570 Ma, segundo dataÁıes geocronolÛgicas obtidas pelo mÈtodo U-Pb, disponÌveis na literatura.

A nomenclatura desses granitÛides se

baseia na classificaÁ„o original de Almeida et al. (1967), definida na SubprovÌncia da Zona Transversal, posteriormente estendida como suítes para os diversos domÌnios da provÌn- cia, acrescidas de novas classificaÁıes geo- quÌmicas e agrupamentos em supersuÌtes por diversos autores entre os quais Sial (1986), Jardim de S· (1994), Ferreira et al. (1998), Santos e Medeiros (1999), Guimar„es et al (1999, 2005), Santos e Ferreira (2002), Brito Neves et al. (2000), Nascimento et al. (2000), Delgado et al. (2003), Angelim et al. (2004a, b) e Kosin et al. (2004). Assim as denominaÁıes aqui adota- das para as suÌtes levam os nomes dos grani- tÛides-tipo j· consagrados por Almeida et al. (1967), alÈm de outras denominaÁıes de plutons representativos de suÌtes posterior- mente definidas por autores diversos. A clas- sificaÁ„o em supersuÌtes segue o modelo de Bizzi et al. (2001) para a ProvÌncia Borbore- ma, baseada nas classificaÁıes de autores retromencionados. Algumas das suÌtes e/ou supersuÌtes desses autores n„o tÍm repre- sentatividade no Rio Grande do Norte. As suÌtes intrusivas brasilianas do Rio Grande do Norte foram assim agrupadas:

SupersuÌte sin a tardiorogÍnica - SuÌte intrusi- va S„o Jo„o do Sabugi (NP3δ2s), SuÌte intru-

siva Itaporanga (NP3( 2it), SuÌte intrusiva Dona InÍs (NP3 ( 2di) e SuÌte intrusiva Catin- gueira (NP3 82ct) e SupersuÌte pÛs-orogÍnica (?) - SuÌte intrusiva Umarizal (NP3( 4u). Di-

29

versos plutons granÌticos de quimismo inde- terminado s„o denominados de GranitÛides indiscriminados (NP3 ( i) (quadro 3.1 e figura

3.1).

Esses granitÛides est„o em geral as- sociados ‡s zonas de cisalhamento transcor- rentes D 3 , exibindo uma foliaÁ„o de forte mergulho, alojados em zonas de cisalhamen- to transcorrente/transpressional ou ocupando sÌtios transtracionais e extensionais e trun- cando f·bricas tangenciais mais antigas (Jar- dim de S·, 1994). Os granitÛides do Rio Grande do Nor- te, incluindo os de idade cambriana e ordovi- ciana s„o rochas potencialmente promissoras de abrigar jazimentos de rochas ornamentais, com destaque para os granitos pegmatÛides atualmente explotados e considerados como uma rocha exÛtica. Essas rochas granÌticas se prestam ainda como material para a cons- truÁ„o civil tais como pedras britadas, parale- lepÌpedos, meios-fios e lajes.

3.4.1 - SuÌte intrusiva S„o Jo„o do Sabugi

(NP3δ2s)

DesignaÁ„o deste projeto para as ro- chas plutÙnicas b·sicas a intermedi·rias, anteriormente conhecidas pelas denomina- Áıes de SuÌte b·sica a intermedi·ria ou sim- plesmente K-dioritos (Jardim de S·, 1994), SuÌte diorÌtica-tonalÌtica/SuÌte gabro-diorÌtica (Ferreira, 1998; Ferreira e Santos, 2000), SuÌte ShoshonÌtica (Nascimento et al., 2000) e SuÌte intrusiva M·fica a Intermedi·ria (Bizzi et al., 2001). Os plutons desta suÌte tÍm ampla dis- tribuiÁ„o no DomÌnio Rio Piranhas-SeridÛ, sendo mais raros nos demais domÌnios tectÙ- nicos contidos no estado. Ocorrem em corpos isolados, a exemplo dos plutons de S„o Jo„o de Sabugi e Quixaba, entre outros, ou mais freq¸entemente associados a corpos dos granitÛides porfirÌticos da SuÌte Itaporanga como nos plutons Acari, TotorÛ e Cardoso. Ocorre tambÈm associado ao pluton alcalino Japi, da SuÌte Catingueira (figura 3.1). S„o rochas de cor cinza a preta, de granulaÁ„o fina a mÈdia, grossa nos termos gabrÛides, em geral estrutura isotrÛpica, com orientaÁ„o nas bordas, fortemente deforma- das no pluton de S„o Jo„o do Sabugi. Petro- graficamente s„o representadas por gabros, gabro-noritos, dioritos, quartzo-dioritos, mon- zodioritos, monzonitos, quartzo monzonitos, tonalitos e granodioritos, contendo como mi-

30

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte
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nerais m·ficos biotita e/ou anfibÛlio e por vezes clinopiroxÍnio (augita, menos comu- mente diopsÌdio) e hiperstÍnio a exemplo dos gabronoritos de TotorÛ e dos dioritos de S„o Jo„o do Sabugi (Jardim de S·, 1994). As rochas desta suÌte quando associ- adas aos granitÛides da SuÌte Itaporanga (NP3( 2it), exibem feiÁıes de campo indicati- vas de contemporaneidade entre os magmas m·fÌcos e os magmas fÈlsicos, sugerindo a existÍncia de processos de mixing e mingling. As rochas da SuÌte S„o Jo„o do Sa- bugi apresentam afinidade quÌmica shoshonÌ- tica, assinaturas isotÛpicas de Sr e Nd com caracterÌsticas crustais, e com idade modelo T DM variando em torno de 2,0 Ga, com valores extremos de ca. 1,65 e ca. 2,5Ga. ConsideraÁıes petrogenÈticas apon- tam para uma origem a partir de um manto litosfÈrico enriquecido, metassomatizado. Jardim de S· (1994) e Hollanda et al. (2003) atribuem uma idade de ca. 2,0 Ga para este evento de metassomatismo do manto, o qual estaria associado a subducÁ„o TransamazÙ- nica. Para esses autores a fonte de calor pode ter sido fluidos astenosfÈricos percolan- do atravÈs de zonas de cisalhamento em um ambiente intracontinental. Os dados geocronolÛgicos dessa suÌ- te, no estado, se resumem a estudos isotÛpi- cos U-Pb em zirc„o no pluton diorÌtico de S„o Jo„o do Sabugi e em um enclave diorÌtico no monzogranito porfirÌtico de Acari, cujos dia- gramas concÛrdia apresentam idades simila- res para ambos os corpos de 579 ± 7 Ma (Leterrier et al, 1994).

3.4.2 - SuÌte intrusiva Itaporanga (NP3((((2it)

A denominaÁ„o original de ìGranitos tipo Itaporangaî foi usada por Almeida et al. (1967) para englobar um conjunto de rochas granÌticas, sinorogÍnicas brasilianas, associ- adas a rochas m·ficas a intermedi·rias, com abundantes fenocristais de feldspato pot·ssi- co, ocorrente na Faixa PiancÛ-Alto BrÌgida. Sial (1986), Mariano et al (1996) e Ferreira et al. (1998) classificaram quimicamente os gra- nitÛides do tipo Itaporanga como de afinidade calcialcalina de alto pot·ssio, reconhecendo- os nos diversos domÌnios da ProvÌncia Borbo- rema, embora ressaltem algumas diferenÁas em termos de caracterÌsticas mineralÛgicas e geoquÌmicas entre os pl˙tons dos diferentes segmentos crustais. Diversos autores passa- ram a adotar ent„o a denominaÁ„o de SuÌte calcialcalina de alto pot·ssio. Nascimento et al. (2000) usaram para esta suÌte a designa- Á„o de SuÌte PorfirÌtica Calcialcalina Pot·ssi-

31

ca. A denominaÁ„o atual de SuÌte intrusiva Itaporanga foi utilizada por Angelim et al. (2004 a, b) e Kosin et al. (2004). Esta suÌte constitui o principal evento magm·tico brasiliano na ProvÌncia Borborema

e tambÈm no territÛrio norte-riograndense, em

freq¸Íncia de corpos plutÙnicos e volume de magma representado por extensos batÛlitos (figura.3.1). Esta suÌte tem como principal caracterÌstica uma textura porfirÌtica grossa a muito grossa, constituÌda por megacristais de feldspato pot·ssico que podem atingir atÈ cerca de 10 cm de comprimento. Petrografi- camente ela È representada por anfibÛlio- biotita ou biotita monzogranitos, variando a quartzo monzonitos, sienogranitos ou grano- dioritos.

Como citado no item anterior s„o fre-

q¸entes as associaÁıes dos granitos porfirÌti- cos com rochas diorÌticas da SuÌte S„o Jo„o do Sabugi, sugerindo coexistÍncia (mingling)

e mistura (mixing) de magmas. A mistura em

grande escala promove a formaÁ„o de rochas hÌbridas, enquanto o processo com domin‚n- cia de mistura mec‚nica (mingling) o ìlÌquido diorÌticoî constitui os enclaves microgranula- res.

Alguns plutons creditados ‡ SuÌte Ita- poranga no DomÌnio S„o JosÈ do Campestre, mesmo contendo caracterÌsticas texturais, mineralÛgicas/petrogr·ficas e a associaÁ„o com rochas b·sicas a intermedi·rias, apre- sentam interpretaÁıes mais precisas quanto as suas filiaÁıes quÌmicas. Estudos executa- dos por Antunes et al (2000) no pluton Monte das Gameleiras revelaram que as rochas porfirÌticas tÍm car·ter metaluminoso, afinida- de quÌmica subalcalina/monzonÌtica e s„o classificadas como granitos sin a tardicolisio- nais. Galindo et al. (2005) em trabalho no pluton Barcelona, chegaram a conclusıes similares, como seja, os granitÛides porfirÌti- cos deste pluton s„o rochas peraluminosas a metaluminosas, de quimisimo transicional entre associaÁıes alcalina e calcialcalina de alto pot·ssio, plotando no campo dos granitos colisionais. Pode-se supor ent„o que alguns plutons granÌticos do DomÌnio S„o JosÈ do Campestre, no Rio Grande do Norte, entre os quais Monte das Gameleiras e Barcelona, creditados ‡ SuÌte Itaporanga (calcialcalina de alto pot·ssio), possam ser enquadrados na Suíte Trans-Alcalina de Guimar„es et al. (2005) e Guimar„es et al. (2006). DataÁıes U-Pb em zirc„o e titanita em alguns corpos desta suÌte, no ‚mbito do projeto, variam entre 573 Ma e 580 Ma, a exceÁ„o de uma idade de 555 Ma (quadro 3.2). Essas idades corroboram as feiÁıes de

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campo e sugerem que esta suÌte È aproxima- damente contempor‚nea ao plutonismo b·si- co a intermedi·rio associado.

Quadro 3.2 - DataÁıes U-Pb em granitÛides da SuÌte Itaporanga no Estado do Rio Grande do Norte.

 

IDADE U-Pb,

 

PLUTON

em zirc„o

(Ma)

REFER NCIA

BIBLIOGR¿FICA

   

(Legrand et al,

Acari

555

± 5

1991b)

   

Ketcham et al.

S„o Rafael

575*

(1997)

   

Trindade et al.

Tour„o

580

± 4

(1999)

   

Trindade et al.

Cara˙bas

576

±24

(1999)

Serrinha

576

± 3

Galindo et al. (2005)

Monte das

   

Gameleiras

573

± 7

Galindo et al. (2005)

* U-Pb em titanita

Galindo et al. (2005) interpretam as idades U-Pb em zirc„o de 573 ± 7 Ma e 576 ± 3 Ma, obtidas nos plutons Monte das Game- leiras e Serrinha, respectivamente, como de cristalizaÁ„o e posicionamento dos referidos plutons. Ambos os corpos est„o associados a uma zona de cisalhamento transcorrente bra- siliana (figura.3.1), daÌ esses autores sugeri- rem a idade de 573-576 Ma como a mais prov·vel para o ˙ltimo evento de cisalhamen-

to d˙ctil no DomÌnio S„o JosÈ do Campestre.

Na regi„o de CatolÈ do Rocha (PB), no batÛlito homÙnimo, Medeiros (2006) obte- ve uma idade de 571 ± 3 Ma (U-Pb em zirc„o) para esta suÌte em sienogranito porfirÌtico da f·cies Brejo dos Santos.

3.4.3 - SuÌte intrusiva Dona InÍs (NP3γγγγ2di)

Termo usado por Angelim et al. (2004 a, b) para designar as rochas plutÙnicas cor- respondentes ‡quelas da SuÌte de Leucogra- nitos de Jardim de S· (1994) e da SuÌte Cal- cialcalina Pot·ssica Equigranular de Nasci- mento et al. (2000). Os pl˙tons desta suÌte ocorrem prefe- rencialmente como corpos isolados, tais como

o de Dona InÍs (PB), PicuÌ (PB/RN), Angicos

32

e Taipu, sob a forma de sheets, diques e sills, ou associados a algum corpo da SuÌte Itapo- ranga como no batÛlito de Acari (figura 3.1). Trata-se de uma suÌte sin a tardi-tectÙnica, cuja colocaÁ„o È controlada pelas zonas de cisalhamento transcorrentes e localmente associada a zonas de cisalhamento extensio- nal. Segundo Jardim de S· (1994) esta suÌte

È tardia ou no m·ximo contempor‚nea ‡s

suÌtes Itaporanga e S„o Jo„o do Sabugi. Os plutons da SuÌte Dona InÍs s„o encontrados nos domÌnios S„o JosÈ do Campestre, Rio Piranhas-SeridÛ e Jaguaribeano, intrudindo diferentes litologias. … composta de monzo a sienogranitos, equigranulares de granulaÁ„o

fina a mÈdia com variaÁıes a microporfirÌtica,

e f·cies com textura grossa transicionando

para pegmatÌtica, tendo como minerais m·fi- cos a biotita e menos freq¸entemente o anfi- bÛlio.

F·cies com muscovita prim·ria e gra- nada s„o relativamente raras. Alguns corpos do pluton PicuÌ (Silva, 1993), do pluton Maca- Ìba (Dantas, 1997) e do pluton Dona InÍs-PB (McMurry et al., 1987), contÈm granada. Esta suÌte È praticamente desprovida de enclaves b·sicos, sendo comum a ocorrÍncia de schli- eren biotÌticos, geralmente representando ìfantasmasî das encaixantes, com as quais mostram contatos bruscos a gradacio- nais/migmatÌticos (Jardim de S·, 1994). S„o rochas transicionais entre os tipos metalumi- nosos e peraluminosos, plotando no campo subalcalino, calcialcalino alto pot·ssico, no prolongamento do trend monzonÌtico e coinci- dente com o campo dos leucograni- tos/mobilizados crustais. Os leucogranitos evoluÌram a partir de uma fonte mista, com fraÁıes do Complexo CaicÛ e dos micaxistos da FormaÁ„o SeridÛ, em f·cies anfibolito alto a granulito (Jardim de S·, 1994). A classificaÁ„o sin a tardi-orogÍnica para a SuÌte Dona InÍs foi determinada em funÁ„o do posicionamento estrutural dos seus plutons, haja vista a carÍncia de dataÁıes geocronolÛgicas por mÈtodos modernos mais confi·veis. Dantas (1997) obteve no pluton Ma- caÌba uma idade U-Pb em zirc„o de 628 ± 11 Ma. Este stock ocorre na porÁ„o nordeste do DomÌnio S„o JosÈ do Campestre, juntamente com outros setes pl˙tons, entre eles o batÛlito de Taipu (figura 3.1). Estes plutons est„o associados a uma zona de cisalhamento ex- tensional, sendo considerados como tardi- tectÙnicos por Jardim de S· (1994). Idade bem mais jovem de 541 ± 4 Ma (idade de cristalizaÁ„o U-Pb em zirc„o) foi obtida por

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Medeiros (2006) em monzogranito leucocr·ti- co do stock Capuxu (PB), creditado ‡ SuÌte Dona InÍs. Esta idade È compatÌvel com o valor da isÛcrona Rb-Sr de 544 ± 16 Ma obti- da por McMurry et al. (1987) no pluton Dona InÍs, tambÈm na ParaÌba. As duas idades U- Pb, com valores t„o diferentes demonstram a necessidade de estudos mais detalhados para um melhor posicionamento/definiÁ„o desta suÌte.

3.4.4

(NP388882ct)

-

SuÌte

intrusiva

Catingueira

A denominaÁ„o de Granito Catinguei- ra foi utilizada por Almeida et al. (1967) para congregar os granitos alcalinos em forma de diques que ocorrem associados ao Lineamen- to Patos, na sua margem sul, Estado da Pa- raÌba. Deve-se a Sial (1986) a determinaÁ„o de sua natureza quÌmica peralcalina. A desig- naÁ„o de SuÌte intrusa Catingueira foi utiliza- da por Angelim et al. (2004 a, b) para nomear

o magmatismo alcalino/peralcalino que ocorre

num trend ENE, a partir do Granito Catinguei- ra, a oeste (margem sul do lineamento Patos) atÈ o DomÌnio S„o JosÈ do Campestre, a leste (norte deste lineamento), definido por Ferrreira et al. (1998). Os plutons que defi-

nem esta suÌte no DomÌnio S„o JosÈ do Campestre est„o tambÈm associados a zo- nas de cisalhamento brasilianas, incluindo os plutons/diques alcalinos Caxexa, Serra do Algod„o, Serra do Boqueir„o e Japi (Ferreira et al., 1998). Destes, apenas o ˙ltimo pluton ocorre em territÛrio potiguar. AlÈm do stock Japi, ocorrem ainda como representantes desta suÌte no Rio Grande do Norte, o pluton Serra Negra do Norte, no DomÌnio Rio Pira- nhas-SeridÛ, o pluton Bonito e dois outros stocks no DomÌnio Jaguaribeano, todos eles associados a zonas de cisalhamento trans- correntes brasilianas (figura 3.1). Segundo Nascimento et al. (2000), a SuÌte Catingueira ou a SuÌte Alcalina desses autores, no DomÌnio S„o JosÈ do Campestre,

È composta por ·lcali-feldspato granitos leu-

cocr·ticos, finos, equigranulares, contendo subordinadamente quartzo-·lcali-feldspato sienitos. Aegirina-augita e hedenbergita s„o os minerais m·ficos principais, tambÈm gra- nada tipo andradita pode ser observada nos plutons Caxexa, Serra do Algod„o e Serra do Boqueir„o (PB). No stock Japi esta suÌte o-

corre associada ‡ suÌte b·sica a intermedi·ria

e aos granitos porfirÌticos, com indicaÁ„o de

fenÙmenos de mixing e mingling (Hollanda et al., 1997). Os plutons de Serra Negra do Nor- te e Bonito s„o constituÌdos por anfibÛlio leu-

33

cogranitos finos, isotrÛpicos, orientados nas bordas.

Galindo e S·. (2000) em estudo no pluton Catingueira verificaram que o conjunto dos dados petrogr·ficos e geoquÌmicos das rochas deste corpo granÌtico demonstram a sua similaridade com os demais granitÛides alcalinos/peralcalinos da ProvÌncia Borbore- ma. Contudo esses autores ressaltam algu- mas particularidades entre estes diferentes plutons. Para esses autores as pequenas diferenÁas particulares entre esses granitÛi- des alcalinos/peralcalinos, em dois domÌnios distintos da ProvÌncia Borborema (SubprovÌn- cia da Zona Transversal, a sul do lineamento Patos e DomÌnio S„o JosÈ do Campestre da SubprovÌncia Setentrional, a norte deste line- amento) implicam em pequenas diferenÁas na(s) fonte(s) dos magmas desses granitÛi- des e/ou diferenÁas durante a evoluÁ„o des- ses magmas. S„o corpos sintectÙnicos ‡ deforma- Á„o transcorrente D 3 (Jardim de S· et al., 1999) associados a zonas de cisalhamentos transcorrentes dextrais ou sinistrais, ou a zonas de cisalhamentos extensionais ou es- truturas em flor negativa (Hollanda et al., 1997; e Jardim de S· et al., 1999). Para Nas- cimento et al. (2001) estes granitÛides estari- am colocados em uma crosta continental j· relativamente estabilizada, durante os even- tos tardios da orogÍnese brasiliana, controla- dos pela reativaÁ„o ou instalaÁ„o de zonas de cisalhamento transcorrentes extensionais. Brito Neves et al. (2003) obtiveram uma idade de 573 ± 45 Ma (U-Pb em zirc„o) para as rochas do pluton Catingueira (PB), porÈm eles reconhecem a necessidade de pontos adicionais para aprimoramento do resultado, em raz„o do alto valor do erro. Para o pluton Caxexa (PB), Nascimento et al. (2001) determinaram uma isÛcrona Sm-Nd, com amostras de andradita e hedenbergita, obtendo uma idade de 578 ± 14 Ma, interpre- tada como uma idade mÌnima de cristalizaÁ„o do magma.

3.4.5 - SuÌte intrusiva Umarizal (NP3 ((((4u)

DenominaÁ„o usada por Ferreira e Santos (2000) para agrupar as rochas granÌti- cas do batÛlito Umarizal e de diversos peque- nos stocks similares tanto petrogr·fica como quimicamente definido por Galindo (1993), que ocorrem nas circunvizinhanÁas do muni- cÌpio homÙnimo, centro-oeste do Rio Grande do Norte (figura 3.1), tambÈm nomeada de SuÌte CharnoquÌtica Alcalina por Nascimento et al. (2000).

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

 

Segundo Galindo (1993) a suÌte apre-

3.5 Magmatismo PÛs-OrogÍnico Cambria-

senta trÍs f·cies petrogr·ficas, como sejam, Umarizal, AÁ„o e Lagoa. A primeira, dominan-

no

te

no corpo principal, trata-se de quartzo-

O magmatismo plutÙnico brasiliano de

Alguns diques de rochas granÌticas

3.5.1 - Diques de Pegmatito

monzonitos e quartzo-sienitos de cor rÛsea a verde escura ou cinzenta, com brechas mag- m·ticas associadas, sendo constituÌda por

idade cambriana no Rio Grande do Norte est· representado pelo enxame de diques de pegmatito que se constituem nos ˙ltimos es-

fayallita ou ferro-hiperstÍnio, hedenbergita, ferro-edenita e biotita, com alanita, magnetita, ilmenita, zirc„o e apatita como minerais aces- sÛrios. A f·cies AÁ„o È constituÌda por sieno- granitos, localmente com fenocristais de feldspato pot·ssico, com textura tipo ìRapaki-

t·gios magm·ticos deste evento. Ele compıe parte da ProvÌncia PegmatÌtica Borborema- SeridÛ (Silva e Dantas, 1984). Apesar da import‚ncia metalogenÈtica dos pegmatitos, eles n„o foram individualizados nos mapas como corpos intrusivos fora da escala, devido

viî,

com ferro-edenita e biotita, e zirc„o, apati-

a exuberante freq¸Íncia de ocorrÍncia dos

ta,

alanita, ilmenita e titanita como fases a-

mesmos. Entretanto, est„o representados no

cessÛrias. A f·cies Lagoa È formada por

monzogranitos, com simplectitas de quartzo- hornblenda, sendo, em geral, semelhante ‡ f·cies anterior. Nenhuma destas f·cies apre- senta orientaÁ„o magm·tica, tampouco de- formaÁ„o em estado sÛlido. Trata-se, segundo Galindo (1993), de rochas de assinatura geoquÌmica subalcalina

mapa geolÛgico e no mapa de recursos mine- rais do projeto por meio dos principais jazi- mentos minerais a eles associados. A figura 3.2 mostra a distribuiÁ„o dos corpos de peg- matitos mineralizados contidos nos referidos mapas.

que ocorrem na regi„o Santana dos Matos-

e

alcalina, do tipo A, intraplaca, pÛs-

Cerro Cor· foram tentativamente correlacio-

orogÍnica. Os dados isotÛpicos sugerem forte contribuiÁ„o de uma fonte crustal antiga para esta suÌte (Galindo et al., 1995).

nados ao pulso magm·tico dos pegmatitos.

A presenÁa de pequenos stocks da

SuÌte Umarizal intrusivos em granitos porfirÌti- cos da SuÌte Itaporanga no batÛlito Tour„o- Cara˙bas (de idades U-Pb em zirc„o 580 ± 4 Ma e 576 ± 24 Ma, Trindade et al, 1999),

mostram que a primeira suÌte È mais jovem do que a segunda (figura 3.1).

A idade geocronolÛgica desta suÌte

ainda est· indefinida. Galindo et al. (1995) se

reportam a uma idade de 545 ± 7 Ma (isÛcro-

na Rb-Sr em rocha total) para esta suÌte,

compatÌvel com as relaÁıes de campo e as interpretaÁıes geoquÌmicas. Por outro lado McReath et al. (2002) se referem a uma idade

U-Pb em zirc„o de 592.6 ± 5 Ma, portanto bem mais velha do que a obtida pelo mÈtodo Rb-Sr. Entretanto, esta an·lise est· em pro- cesso de revis„o (informaÁ„o verbal do Dr.AntÙnio Carlos Galindo).

3.4.6 - GranitÛides Indiscriminados (NP3((((i)

Correspondem aos corpos granitÛides

de composiÁ„o diversa, que por carÍncia de

dados geoquÌmicos e por vezes petrogr·ficos n„o foram enquadrados em nenhuma das suÌtes intrusivas descritas.

34

Dentro dos limites do territÛrio poti- guar os pegmatitos se concentram predomi- nantemente na Faixa SeridÛ, encaixados preferencialmente nos micaxistos da Forma- Á„o SeridÛ, onde ocorrem em forma de cris- tas que se destacam na topografia. TambÈm nas ·reas de embasamento arquea- no/paleoproterozÛico È expressiva a presenÁa destes corpos filonianos, inclusive contendo mineralizaÁıes importantes. Os pegmatitos s„o corpos filoneanos constituÌdos por megacristais de microclina, plagiocl·sio, quartzo e muscovita e, menos freq¸entemente, biotita. Eles se subdividem em dois grandes grupos, que s„o os pegmati- tos homogÍneos e os heterogÍneos. Um ter- ceiro tipo de ocorrÍncia mais restrita corres- ponde aos pegmatitos mistos. Baungartner et al. (2006), obtiveram em pegmatitos, idades U-Pb em monazita de 514 ± 1,1 Ma e 509 ± 2,3 Ma. Entre as suas mineralizaÁıes desta- cam-se ·gua marinha, turmalina, feldspato, caulim, quartzo, mica, berilo, columbita- tantalita, cassiterita, espodumÍnio e ambligo- nita.

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

35

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte 35

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

3.5.2 - Diques de Rochas GranÌticas ( ε((((g)

Os diques de rochas granÌticas carto- grafados, em n˙mero de trÍs, ocorrem na porÁ„o central do estado, delimitados atravÈs de fotointerpretaÁ„o e compilaÁ„o bibliogr·fi- ca. S„o corpos de direÁ„o NE-SW, que po- dem atingir atÈ cerca de 12 km de compri- mento.

3.6

- Magmatismo AnorogÍnico Ordovicia-

no

3.6.1

- Granito Flores (O3((((f)

O Granito Flores (figura 3.1), definido

por Maia (2004), corresponde a um pequeno stock de forma subcircular ocupando uma

·rea de cerca de 30 Km 2 , localizado a sul da cidade de Afonso Bezerra, regi„o centro-norte do Rio Grande do Norte. Compıe-se, segun- do esse autor, de biotita monzogranitos leu- cocr·ticos, de coloraÁ„o rÛsea, granulaÁ„o fina a fina-mÈdia, homogÍneo, contendo es- truturas de fluxo magm·tico.

O Granito Flores È o ˙nico corpo gra-

nÌtico reconhecido como pertencente ao magmatismo anorogÍnico no Rio Grande do Norte. Dantas et al. (2005) determinaram uma idade U-Pb em zirc„o de ca. 450 Ma, interpre- tada como a idade de intrus„o do pluton.

3.7 - Quartzito S„o Fernando (NP3qf)

A unidade de mapeamento ora de-

nominada informalmente de Quartzito S„o Fernando corresponde aos muscovita quartzi- tos que ocorrem nas circunvizinhanÁas da cidade de S„o Fernando, regi„o centro-sul do Rio Grande do Norte, tambÈm conhecidos pela designaÁ„o de quartzitos tectônicos. Eles se apresentam em forma de corpos len- ticulares ou faixas alongadas com extensıes mÈtricas a quilomÈtricas e espessuras apa- rentes que podem atingir algumas dezenas

de metros. Constituem elevaÁıes topogr·fi- cas tais como as serras dos Patos, do Rodri- gues e do Sabugi. Alguns desses corpos es- t„o exagerados na escala do mapa. Esses muscovita quartzitos foram du- rante muito tempo considerados como unida- des metassedimentares relacionadas ‡ For- maÁ„o Equador do Grupo SeridÛ. Borges (1991), Magini (1991) e Legrand e Magini (1992) verificaram em zonas de cisalhamento que afetam os augen gnaisses paleoprotero- zÛicos da SuÌte PoÁo da Cruz (PP3γpc) e outras rochas metaplutÙnicas do Complexo CaicÛ, na regi„o de CaicÛ-S„o Fernando, a

transformaÁ„o desses litotipos metaplutÙnicos em muscovita quartzitos. Para os autores retromencionados essa transformaÁ„o È fun- Á„o principalmente da atuaÁ„o de soluÁıes hidrotermais circulantes nas zonas de cisa- lhamento. Diversos outros autores posterior- mente estudaram este fenÙmeno, entre eles, Souza et al. (1995) e Silva (2000). AlÈm de muscovita quartzitos, Silva (2000) registra nesta regi„o diversos outros litotipos n„o cartografados neste projeto, tais como micaxistos, rochas calcissilic·ticas e m·rmores gerados pelo mesmo processo a expensas de outras litologias, inclusive dos paragnaisses da FormaÁ„o Jucurutu. Legrand et al. (2006) em mapeamento na Folha Jar- dim do SeridÛ, na escala 1:100.000, conside- ram parte dos corpos lenticulares de muscovi- ta quartzitos inseridos na Faixa SeridÛ, como quartzitos tectÙnicos hidrotermalizados. Em relaÁ„o ao evento tectÙnico gera- dor dos quartzitos hidrotermalizados S„o Fernando, Jardim de S· et al (1995) conside- ram sua associaÁ„o a zonas de cisalhamento transcorrentes como tardi a pÛs-D 2 (paleopro- terozÛica) ou prÈ a cedo-D 3 (neoproterozÛi- ca). Esses autores sugerem ainda que os fluidos hidrotermais que originaram os quartzitos da regi„o de S„o Fernando podem estar relacionados ao plutonismo neoprotero- zÛico presente na regi„o. Para Silva (2000) a geraÁ„o desses quartzitos estaria associada ‡s zonas de cisalhamentos da deformaÁ„o neoproterozÛica progressiva D 2 /D 3 da Faixa SeridÛ. Em termos metalogenÈticos esses quartzitos tectÙnicos da regi„o de S„o Fer- nando se revestem de import‚ncia por abriga- rem mineralizaÁıes aurÌferas hidrotermais como a de Ponta da Serra, de Simp·tico e da serra dos Patos, bem como mineralizaÁıes de barita.

3.8 - Bacias Sedimentares Cret·ceas

As bacias sedimentares cret·ceas do Estado do Rio Grande do Norte, bacias Poti- guar, Gangorra, Rafael Fernandes e Cel. Jo„o Pessoa (figura 2.2 e quadro 3.3), tÍm sua evoluÁ„o tectÙnica relacionada aos esfor- Áos extensionais durante o Cret·ceo Inferior (Neocomiano), com conseq¸ente rifteamento que culminou com a separaÁ„o das placas sul-americana e africana. Elas fazem parte do Sistema de Riftes do Nordeste Brasileiro, juntamente com as bacias do RecÙncavo, Tucano, Jatob·, Araripe, Rio do Peixe, Iguatu, Pernambuco-ParaÌba e Sergipe-Alagoas, alÈm de diversas outras pequenas bacias interioranas.

36

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

Quadro 3.3 - RelaÁıes tectonoestratigr·ficas das unidades litoestratigr·ficas meso-cenozÛicas no Estado do Rio grande do Norte.

meso-cenozÛicas no Estado do Rio grande do Norte. 3.8.1 - Bacia Potiguar A Bacia Potiguar situa-se

3.8.1 - Bacia Potiguar

A Bacia Potiguar situa-se no extremo

nordeste do Brasil, em sua maior parte, no territÛrio norte-riograndense, com pequena porÁ„o no Estado do Cear·. Geologicamente a bacia È limitada a sul, a leste e a oeste pelo embasamento cris- talino, estendendo-se para norte atÈ a isÛbata

de 2.000 m. A plataforma de Aracati define seu limite oeste com a Bacia do Cear· (Sub- bacia de Munda˙), enquanto a plataforma de Touros define seu limite leste com a Bacia Pernambuco-ParaÌba (figura 3.3). A bacia abrange uma ·rea de cerca de 60.000 km 2 , dos quais, 24.000 km 2 se encontram emersos e 36.000 km 2 submersos.

A Bacia Potiguar È controlada por fa-

lhas profundas (Matos, 1989), que continuam na direÁ„o da plataforma continental, onde se

desenvolve uma sedimentaÁ„o de margem passiva (figuras 3.4 e 3.5).

O arcabouÁo estrutural da bacia (figu-

ra 3.3), È constituÌdo por um conjunto de gr·-

bens assimÈtricos (Apodi, Umbuzeiro, Gua- marÈ e Boa Vista), de direÁ„o NE-SW, leve-

37

mente oblÌquos aos principais lineamentos do embasamento cristalino. Os gr·bens s„o separados por altos do embasamento forma- dos por litotipos diversos, soerguidos por falhas normais, denominados de Canudos, Quixaba, MossorÛ, Serra do Carmo e Macau. Esta estrutura denominada de Rifte Potiguar

È limitada a leste e a oeste pelas falhas Car-

naubais e Areia Branca, respectivamente, que constituem um duplo sistema de falhas lÌstri- cas normais, que teriam se desenvolvido du- rante a reativaÁ„o mesozÛica de zonas de cisalhamento neoproterozÛicas (Matos,

1987).

A sedimentaÁ„o da bacia se compıe de trÍs megasseq¸Íncias: sinrifte I e II, tran- sicional e pÛs-rifte. A megasseq¸Íncia sinrifte

I consta dos depÛsitos fl˙vio-delt·icos e la-

custres da FormaÁ„o PendÍncia do Cret·ceo Inferior (Berriasiano/Barremiano). A segunda fase sinrifte, que se desenvolve localmente na porÁ„o submersa da bacia, como uma reati- vaÁ„o da primeira fase, È representada pela FormaÁ„o Pescada do Barremiano-Aptiano Inferior.

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Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte Figura 3.3 - ArcabouÁo estrutural

Figura 3.3 - ArcabouÁo estrutural do rifte Potiguar. (1) Alto dos Canudos, (2) Alto de Quixaba, (3) Alto de MossorÛ e (4) Alto da Serra do Carmo. A - alto, B - baixo, G - gr·ben e F- falha. Amaral (1990), adaptado de Creminini et al. (1996).

- falha. Amaral (1990), adaptado de Creminini et al. (1996). Figura 3.4 - SeÁ„o geolÛgica esquem·tica

Figura 3.4 - SeÁ„o geolÛgica esquem·tica na Bacia Potiguar (parte marinha), mostrando o arcabouÁo estrutural e estratigr·fico das seq¸Íncias sinrifte e pÛs-rifte.

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Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte Figura 3.5 - SeÁ„o geolÛgica

Figura 3.5 - SeÁ„o geolÛgica esquem·tica na Bacia da Potiguar (parte terrestre), mostran- do o arcabouÁo estrutural e estratigr·fico das seq¸Íncias sinrifte e pÛs-rifte.

A megasseq¸Íncia transicional com-

preende a seq¸Íncia transicional a marinha da FormaÁ„o Alagamar, de idade aptiana. A megasseq¸Íncia pÛs-rifte, fase termal de subsidÍncia, È caracterizada por sedimentos fl˙vio-marinhos do Cret·ceo Inferior/Superior numa fase transgressiva - FormaÁ„o AÁu, com sedimentos proximais, e sedimentos silicicl·sticos a carbon·ticos das formaÁıes Ponta do Mel, Quebradas, JandaÌ- ra e Ubarana, esta ˙ltima representando a

f·cies distal (Matos, 1993). A figura 3.6 mos- tra a coluna cronoestratigr·fica, as seq¸Ín- cias deposicionais e a evoluÁ„o tectÙnica da Bacia Potiguar.

A litoestratigrafia da parte terrestre a-

florante da Bacia Potiguar engloba as forma- Áıes AÁu do Albiano-Cenomaniano (K12a) e JandaÌra do Turoniano a Eocampaniano (K2j) do Grupo Apodi (Oliveira e Leonardos, 1943), que constituem parte da seq¸Íncia pÛs-rifte.

3.8.1.1 - FormaÁ„o AÁu (K12a)

Foi definida por Kreidler e Andery (1949) para designar os arenitos finos e gros- sos que repousam sobre o embasamento da Bacia Potiguar, na sua porÁ„o aflorante. A seÁ„o-tipo È nas proximidades da cidade de AÁu, localizada na margem esquerda do rio Piranhas ou AÁu.

39

A formaÁ„o se caracteriza por cama- das espessas de arenitos mÈdios a muito grossos de cor esbranquiÁada, com intercala- Áıes de folhelhos, argilitos verdes claros e siltitos castanho-avermelhados. Vasconcelos et al. (1990) baseados em an·lise de perfis elÈtricos, subdividiram a formaÁ„o em quatro unidades, denominadas informalmente de AÁu 1, 2 3 e 4, das quais apenas as unidades 3 e 4 afloram. Ainda com base em dados geofÌsicos, aliados ao exame de afloramentos e testemunhos, esses auto- res identificaram os seguintes ambientes de- posicionais para esta formaÁ„o: leques aluvi- ais (unidade 1), sistemas fluviais entrelaÁados e meandrantes (unidades 2 e 3) e um sistema estuarino (unidade 4). Esses sedimentos est„o sotopostos concordantemente ‡s rochas carbon·ticas da FormaÁ„o JandaÌra (K2j) e sobrepostos dis- cordantemente, na porÁ„o submersa da baci- a, aos sedimentos da FormaÁ„o Alagamar (Grupo Areia Branca). Sua espessura pode alcanÁar atÈ 1.000 m na parte submersa da bacia.

Os polimorfos encontrados na forma- Á„o apontam para uma idade cret·cea (Albia- no-Cenomaniano). A FormaÁ„o AÁu È o prin- cipal aq¸Ìfero da Bacia Potiguar. Suas ·guas, explotadas como ·gua mineral, s„o utilizadas em hotÈis, para abastecimento p˙blico e na agricultura irrigada.

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Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte Figura 3.6 - Carta estratigr·fica

Figura 3.6 - Carta estratigr·fica da Bacia Potiguar (Sousa, 2002, compilado de Araripe e FeijÛ (1994) e Pessoa Neto (1999).

40

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

3.8.1.2 - FormaÁ„o JandaÌra (K2j)

Proposta por Sampaio e Schaller (1968) para designar a seÁ„o de rochas car-

bon·ticas de alta energia sobreposta aos arenitos da FormaÁ„o AÁu (K12a). A seÁ„o- tipo È o intervalo de 0 a 300m do PoÁo PA-1-

RN

(Panela do Amaro n 0 1) do DNPM, perfu-

rado na Vila de JandaÌra. A FormaÁ„o JandaÌ- ra È composta tipicamente por calcarenitos biocl·sticos com foraminÌferos bentÙnicos, por vezes associados a algas verdes. Tam- bÈm ocorrem calcilutitos com marcas de raÌ- zes, dismicrito, alÈm de dolomitos e, subordi- nadamente, argilitos. Esta formaÁ„o È reco- berta por rochas sedimentares cenozÛicas do Grupo Barreiras (ENb) e das formaÁıes Tibau (E3N1t) e Potengi (ENpt). A deposiÁ„o de suas f·cies est· relacionada aos ambientes de planÌcie de marÈ, laguna rasa, plataforma rasa e mar aberto em uma bacia faminta (Ti- bana e Terra apud Bezerra et al., 2006). A FormaÁ„o JandaÌra È datada como cret·cea (Turoniano ao Eocampaniano), a partir do seu conte˙do fossilÌfero. As mineralizaÁıes associadas a esta formaÁ„o constam de calc·rios calcÌticos e magnesianos, depÛsitos de gipsita e de argili- to. Os calc·rios desta formaÁ„o s„o utilizados na fabricaÁ„o de cimento, enquanto que os dolomitos s„o usados para corretivo de solos na agricultura e como raÁ„o animal. A argila È utilizada na industria de cer‚mica, no fabrico de telhas e tijolos.

3.8.2 Bacias Interiores

S„o pequenas bacias que ocorrem na porÁ„o oeste do Estado do Rio Grande do Norte, implantadas por reativaÁ„o cret·cea, em regime fr·gil, de zonas de cisalhamento transcorrentes brasilianas, de direÁ„o NE- SW, similarmente ‡s bacias do Rio do Peixe (PB) e Iguatu (CE). S„o bacias intracratÙnicas do tipo strike-slip segundo classificaÁ„o de Nielsen e Sylvester (1995) que foram desen- volvidas pelas reativaÁıes meso-cenozÛicas das zonas de cisalhamento Portalegre e cor- relatas, estas desenvolvidas no evento brasi- liano. Elas s„o correlacionadas ‡ fase rifte da Bacia Potiguar. Estas bacias s„o preenchidas por se- dimentos predominantemente silicicl·sticos, que foram correlacionados ‡ FormaÁ„o Pen- dÍncia da Bacia Potiguar, em conson‚ncia com Jardim de S· (1994) e NÛbrega (2002). Por outro lado, diversos outros autores, entre os quais Ferreira (1998), Santos e Ferreira (2002) e Rocha et al. (2006) atribuÌram estes

41

sedimentos ‡ FormaÁ„o Antenor Navarro do Grupo Rio do Peixe da bacia homÙnima, defi- nida por Albuquerque (1970).

3.8.2.1 - Bacia Gangorra

A Bacia Gangorra tem uma forma triangular, alongada na direÁ„o NE-SW com largura m·xima de 5 km na sua porÁ„o nor- deste. Est· situada no MÈdio Oeste Potiguar, 20 km a norte da cidade de Umarizal. As rochas sedimentares da bacia,

segundo NÛbrega (2002), afloram na parte central da estrutura ao longo de drenagens e ravinas. Constam de conglomerados polimÌc- tos de coloraÁ„o avermelhada e esbranquiÁa- da, com estratificaÁ„o cruzada acanalada, seixos constituÌdos por fragmentos de rochas

e de quartzo, pobremente selecionados; are-

nitos conglomer·ticos, avermelhados, maci- Áos, moderada a pobremente selecionados, constituÌdos por quartzo e feldspato com ci- mento argiloso (esmectita); arenitos grossos, esbranquiÁados, maciÁos, com quartzo,

feldspatos e clastos de argila e, no topo, are- nitos finos, cinzas a esbranquiÁados, de estrutura maciÁa. Esse autor advoga para a Bacia Gan- gorra a instalaÁ„o de leques aluviais que po- dem ser identificados nas regiıes de bordas, onde se verifica a presenÁa de depÛsitos conglomer·ticos, com estratificaÁıes cruza- das acanaladas. Estes depÛsitos gradam para arenitos grossos com estratificaÁıes cruzadas acanaladas a tabulares, resultantes da migraÁ„o de barras em fluxo entrelaÁado.

A presenÁa de nÌveis de folhelhos e carbona-

tos, identificados nos perfis de poÁos locali- zados na porÁ„o central da bacia, podem ser interpretados como a implantaÁ„o de um la- go.

Seus estratos mostram acamamento basculado, com direÁ„o N40 E mergulhando para NW e direÁ„o mÈdia de paleocorrentes para SW (Albuquerque, 1970). A profundida- de mÌnima atribuÌda ‡ bacia È de 28 m a su- doeste e 208 m na porÁ„o nordeste (NÛbrega

2002).

3.8.2.2

- Bacia Rafael Fernandes

Descrita originalmente por Srivastava et al. (1989), sob a designaÁ„o de Bacia Pau dos Ferros, foi renomeada como Bacia Rafael Fernandes por Ponte et al. (1990). Possui arcabouÁo estrutural formado por um meio- gr·ben de direÁ„o NE-SW, ocupando uma

. Seu relevo se apresenta

plano a suavemente ondulado.

·rea de 12 km

2

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

Esses ˙ltimos autores reconheceram duas unidades sedimentares. A Unidade A (basal) È constituÌda de arenitos arcoseanos grossos a conglomer·ticos, polimÌctos, de coloraÁ„o variegada, com blocos, fragmentos e seixos de milonitos, granitos, xistos e gnais- ses. As estruturas sedimentares s„o estratifi- caÁıes cruzadas acanaladas, cut-and-fill e imbricaÁ„o de seixos. A Unidade B (superior), de maior distribuiÁ„o na bacia, È composta por nÌveis conglomer·ticos basais, arenitos arcoseanos finos a mÈdios e siltitos argilosos avermelhados, que constituem seq¸Íncias cÌclicas Os siliciclastos mostram sets de es- tratificaÁ„o cruzada acanalada com paleocor- rentes para sudeste e granodecrescÍncia para o topo. As rochas sedimentares tÍm como caracterÌstica paleontolÛgica a presenÁa de troncos silicificados de atÈ 1,2 m de compri- mento.

Em relaÁ„o aos ambientes deposicio- nais esses autores identificaram para a uni- dadade basal f·cies de leques aluviais distais com desenvolvimento de canais pouco sinuo- sos e de barras longitudinais. Para a unidade superior o sistema deposicional se diferencia do anterior por uma maior sinuosidade de canais, atingindo uma fase de canais mean- drantes.

3.8.2.3 - Bacia Coronel Jo„o Pessoa

A Bacia Coronel Jo„o Pessoa, tam- bÈm conhecida como Bacia do Rio NazarÈ, compreende uma ·rea de cerca de 15,5 km 2 . Foi descrita inicialmente por Medeiros Neto (1981), embora haja referÍncia desde 1968 (Albuquerque 1970). Segundo Srivastava et al. (1989) esta

silicificados, evidenciando falhas de afunda- mento. Seus sedimentos representam depÛsi- tos lacustres ou de pequenas depressıes em planÌcie de inundaÁ„o.

As margas e os calc·rios das Unida-

des B e C s„o caracterizadas pelos restos de conchostr·ceos, algas azuis-verdes e ostr·-

codes.

3.9 - Magmatismo B·sico Meso-CenozÛico

O Estado do Rio Grande do Norte foi afetado por um expressivo magmatismo b·si- co intraplaca meso-cenozÛico durante e apÛs a instalaÁ„o da Bacia Potiguar. Este magma- tismo b·sico ocorre na regi„o norte do esta- do, a norte do paralelo de 6 S, com raros registros a sul desta linha. … usualmente co- nhecido na literatura sob as denominaÁıes de Magmatismo Rio Cear· Mirim, Magmatismo Serra do CuÛ e Magmatismo Macau. Neste trabalho ele recebeu designaÁıes informais representadas pela sua litologia predominante como seja: Basalto Rio Cear· Mirim (K1β cm), Basalto Serra do CuÛ (K2β c) e Basalto Macau (E3β m) (quadro 3.2).

3.9.1 - Basalto Rio Cear·-Mirim (K1β cm)

O magmatismo b·sico Rio Cear·-

Mirim ocorre como diques descontÌnuos, ao longo da borda da Bacia Potiguar, intrudidos nas rochas do embasamento cristalino. Os diques apresentam comprimentos mÈtricos atÈ cerca de 10 km de extens„o, com direÁ„o preferencial E-W. AlÈm dos limites oeste do estado, os diques sofrem inflex„o para sudo- este. Eles est„o associados ‡ movimentaÁ„o transtracional que deu origem ao rifte Poti- guar.

bacia È representada por trÍs unidades litoes- tratigr·ficas (A, B e C), a saber:

Petrograficamente s„o constituÌdos por diab·sios e basaltos de afinidade quÌmica

Unidade ìAî (basal) - composta de arenitos mÈdios, grossos e conglomer·ticos com estratificaÁıes cruzadas acanaladas. Estes sedimentos foram depositados em am- biente fluvial (baixa sinuosidade), predomi- nantemente anastomosado, com carga rica em areia grossa e por assoreamento de le- ques aluviais distais. Unidade ìBî (intermedi·ria) ñ constitu- Ìda de siliciclastos finos a mÈdios, ricos em minerais pesados, separada da unidade soto- posta por uma camada de marga ou caliche. … interpretada como um sistema fluvial anas- tomosado com meandros abandonados. Unidade ìCî (superior) ñ caracteriza-

toleÌtica e, secundariamente, alcalina. Ara˙jo et al. (2001) coletaram amos- tras para dataÁıes geocronolÛgicas pelo mÈ- todo Ar/Ar em plagiocl·sio e em rocha total em trÍs horizontes de diques deste magma- tismo b·sico. No horizonte I, imediatamente a sul da Bacia Potiguar, foi datado o plagiocl·- sio de um dique prÛximo ‡ cidade de Jo„o C‚mara, cujo ideograma de trÍs gr„os anali- sados forneceu uma idade de 126 ± 4 Ma. No horizonte II, foi datado um dique (rocha total) localizado a ESE de AÁu, sendo que o ideo- grama para trÍs gr„os analisados forneceu uma idade de 143 ± 4 Ma. No horizonte III, foi analisado o plagiocl·sio de um dique locali-

da

pela presenÁa de camadas de calcimicritos

zado a ESE de Lajes. O ideograma para trÍs

e

oncomicritos, intensamente brechados e

42

Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte

gr„os analisados forneceu uma idade de 113 ± 3 Ma.

Para esses autores as idades Ar/Ar encontradas nos diques de basalto atestam a existÍncia de dois pulsos magm·ticos na geraÁ„o dos diques do Basalto Rio Cear· Mirim, um mais antigo Berriasiano (ca. 143 Ma), e outro mais jovem Barremiano-Aptiano (ca. 126-113 Ma).

3.9.2 - Basalto Serra do CuÛ (K2β c)

A unidade Basalto Serra do CuÛ ocor-

re de forma restrita na regi„o norte do estado

‡s margens do rio Piranhas ou AÁu, a leste da cidade de AÁu, borda da Bacia Potiguar.

… formado principalmente por olivina

basaltos de afinidade quÌmica alcalina que ocorrem em forma de derrames e soleiras. Ara˙jo et al. (2001), analisaram duas amostras de um afloramento desta unidade situado a 10 km a sul de Ipanguassu, pelo mÈtodo Ar/Ar em rocha total, cujo ideograma para dois gr„os analisados forneceu uma idade de 99 ± 2 Ma.

3.9.3 - Basalto Macau (E3β m)

O magmatismo b·sico Macau È o

mais expressivo, em ·rea aflorante, no ex- tremo centro-norte do Rio Grande do Norte, prÛximo ‡ cidade de Macau. Estende-se para SSE atÈ as proximidades da cidade de Lagoa Nova, em forma de pequenos corpos n„o

cartograf·veis na escala do mapa, assinala- dos por asteriscos (*).

Os corpos do vulcanismo Macau car-

tografados/assinalados ocorrem numa exten- s„o de cerca de 100 km. Em termos de relevo se destacam os derrames da serra Preta a

nordeste de Pedro Avelino, borda da Bacia Potiguar e o neck da serra/pico do Cabugi, a oeste de Lajes, no embasamento cristalino.

O vulcanismo Macau compreende

rochas alcalinas tipo olivina basaltos, basani-

tos, ankaratritos e nefelinitos, raros nÛdulos de peridotitos, com granulaÁ„o fina a afanÌti- ca, podendo apresentar textura vesicular. Ocorrem sob a forma de derrames, diques, plugs e necks. As rochas do Basalto Macau est„o topograficamente sobrepostas a FormaÁ„o Tibau (E3N1t), e localmente, intrudidas e/ou intercaladas nos seus sedimentos. Ara˙jo et al. (2001) determinaram duas idades Ar/Ar, em plagiocl·sio, uma na serra/pico do Cabugi, cujo ideograma de duas an·lises forneceu uma idade de 26 ± 2 Ma, e

43

outra na serra Preta, municÌpio de Cerro Co- r·, com uma idade integrada de 29 ± 0,6 Ma.

3.10 - Coberturas Continentais CenozÛicas

As coberturas continentais cenozÛi- cas est„o representadas por sedimentos sili- cicl·sticos do PaleÛgeno-NeÛgeno pertencen- tes ao Grupo Barrreiras e ‡s formaÁıes Ti- bau, Serra do Martins e Potengi, e pelos se- dimentos inconsolidados do NeÛgeno (quadro

3.3).

3.10.1 - FormaÁ„o Tibau (E3N1t)

Campos e Silva (1966) utilizaram este termo para nomear os clastos grossos sobre- postos aos carbonatos da FormaÁ„o Guama- rÈ da Bacia Potiguar. Esta formaÁ„o ocorre na porÁ„o centro-norte do Rio Grande do Norte, a sul da cidade de Macau. A FormaÁ„o Tibau caracteriza-se por arenitos grossos, e se interdigita lateralmente com a FormaÁ„o GuamarÈ e com o Grupo Barreiras. Segundo Araripe e FeijÛ (1994) em raz„o da freq¸ente interdigitaÁ„o com a FormaÁ„o GuamarÈ, muitas vezes, È de difÌcil individualizaÁ„o. Ainda de acordo com esses autores, o ambi- ente deposicional dominante È o de leques costeiros. Sousa (2002) identificou nesta forma- Á„o na regi„o de IcapuÌ (CE), ·rea limÌtrofe com o extremo noroeste do Rio Grande do

Norte, trÍs unidades faciolÛgicas (figura 3.7a). A f·cies inferior È representada por arenitos mÈdios maciÁos, de cor amarelada a esver- deada, contendo nÛdulos de argila e gr‚nulos dispersos em uma matriz argilosa;

A f·cies intermedi·ria caracteriza-se

pela presenÁa de arenitos mÈdios a grossos com estratificaÁıes cruzadas tangenciais na base, contendo nÌveis conglomer·ticos inter- calados, essencialmente quartzosos. Esta f·cies intermedi·ria repousa sobre a f·cies

inferior, em discord‚ncia erosional;

A f·cies superior compreende areni-

tos com granulometria de areia fina de colo- raÁ„o esverdeada, contendo estratificaÁıes plano-paralelas. Possui uma matriz argilosa de coloraÁ„o esverdeada, possivelmente de clorita, que ocorre de forma dispersa entre os gr„os.

Para Sousa (2002), as litof·cies iden- tificadas est„o associadas a depÛsitos que integram um sistema de leques costeiros em conson‚ncia com Araripe e FeijÛ (1994). As unidades faciolÛgicas individuali- zadas na FormaÁ„o Tibau ocorrem lateral-

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Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte Figura 3.7 - SeÁ„o colunar

Figura 3.7 - SeÁ„o colunar na regi„o de Tibau (CE), caracterizando as f·cies na seÁ„o tipo da FormaÁ„o Tibau (a); seÁ„o colunar na localidade de Barreiras (CE), mostrando o empilhamento de f·cies para a FormaÁ„o Potengi (b). Compilado de Sousa (2002).

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mente associadas com uma f·cies de colora- Á„o avermelhada do Grupo Barreiras que ocorre na ·rea, evidenciando uma passagem lateral entre ambas as unidades. Essa passa- gem vem corroborar com o contato interdigi- tado proposto por Araripe e FeijÛ (1994). A FormaÁ„o Tibau est· sobreposta pelo vulcanismo do Basalto Macau (E3β m) e, localmente, intrudida e/ou intercalada pelas rochas b·sicas desta unidade (Sousa, 2002). As relaÁıes de campo entre as duas unida- des sugerem que o Basalto Macau seja mais jovem ou no m·ximo contempor‚neo ‡ For- maÁ„o Tibau.

3.10.2 FormaÁ„o Serra do Martins (ENsm)

A designaÁ„o Serra do Martins foi u- sada inicialmente por Moraes (1924) para os sedimentos arenosos e argilosos que ocorrem na serra homÙnima, os quais denominou de Série Serra do Martins. Mabesoone (1966)

estudando os sedimentos cenozÛicos do nor- deste brasileiro reclassificou, na categoria de formação, os sedimentos que capeiam diver- sas serras interioranas, correlatos ‡queles ocorrentes na serra do Martins. As principais ocorrÍncias destes depÛsitos sedimentares no Estado do Rio Grande do Norte se encon- tram nos topos das serras de Portalegre, Mar- tins, Jo„o do Vale, Santana e CuitÈ, esta ˙lti- ma na regi„o limÌtrofe com o Estado da Para- Ìba, na regi„o da cidade de JaÁan„. Esta formaÁ„o ocorre como chapadas de relevo plano a levemente ondulado, com escarpas abruptas e contornos irregulares, apresentando altitudes em torno de 700m. Esses platÙs constituem formas residuais de um antigo capeamento contÌnuo, dissecado e erodido. As espessuras desta unidade litoes- tratigr·fica n„o ultrapassam 50 m nos platÙs de Portalegre, Martins e Santana (Menezes, 1999). Os sedimentos do topo da seq¸Íncia est„o, via de regra, silicificados ou formam uma crosta laterÌtica de cor vermelha a roxa. Esse autor, a partir de estudos deta- lhados nas escarpas dos trÍs platÙs retro- mencionados, definiu seis f·cies sedimenta- res principais nesta formaÁ„o, dispostas da base para o topo:

I - f·cies de arenitos finos/mÈdios/grossos; II - f·cies de arenitos conglomer·ticos;

III - f·cies de arenitos grossos a muito gros-

sos;

IV - f·cies de arenitos mÈdios;

V - f·cies de arenitos finos e

VI

- f·cies de siltitos a argilitos (figura 3.8 a,

b).

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A f·cies I È constituÌda por arenitos

dominantemente finos a siltosos, com hori- zonte de arenitos mÈdios a grossos, de colo- raÁ„o vermelha escura a roxa, geralmente maciÁos. Os litotipos desta f·cies s„o empa- cotados segundo uma geometria tabular e repousam discordantemente sobre o emba- sameno cristalino alterado. Sua ocorrrÍncia foi registrada apenas em alguns pontos do platÙ de Portalegre.

A f·cies II congrega arenitos conglo-

mer·ticos com seixos de quartzo, subarre- dondados a arredondados, sustentados por uma matriz arenosa muito grossa a gr‚nulos,

de cor castanha (serras de Portalegre e Mar- tins) e creme (serra de Santana), onde s„o mais caulÌnicos e ocorrendo em forma de pacotes tabulares.TambÈm s„o observados arenitos conglomer·ticos formados por clas- tos argilo-siltosos, comumente vermelhos, arredondados a elipsoidais, dispersos em matriz areno-siltosa, vermelha acastanhada, e, localmente, com clastos brancos, com ma- triz creme-esbranquiÁada, caulÌnica, de geo- metria lenticular.

A f·cies III re˙ne arenitos grossos a

muito grossos, por vezes, conglomer·ticos, castanhos avermelhados a esbranquiÁados, com estratificaÁıes cruzadas acanaladas de grande porte, ou totalmente maciÁos, com seixos e gr‚nulos de quartzo e clastos de argilas definindo os festoons das estratifica-

Áıes. Formam pacotes de geometria ondula-

da a tabular e, localmente, estruturas de corte e preenchimento de canal.

A f·cies IV È formada por arenitos

mÈdios a grossos, castanhos claros e es- branquiÁados, com estratificaÁıes cruzadas acanaladas de mÈdio e pequeno porte, ou tangenciais, em pacotes de forma levemente sigmoidal e arenitos mÈdios a grossos, tam- bÈm mÈdios a finos, com estratificaÁıes de baixo ‚ngulo e geometria em forma de cunha. A f·cies V consta de arenitos finos, de coloraÁ„o castanha avermelhada, com estrati- ficaÁıes cruzadas e plano-paralelas nos es- tratos mais arenosos, ou laminaÁıes cruza- das (climbing ripples) e estratificaÁıes incipi- entes nos estratos mais siltosos. A geometria dos pacotes È tipicamente tabular. Para o topo desses pacotes ocorrem geralmente bioturbaÁıes, estruturas em chama ou gretas de contraÁ„o preenchidas. Estruturas de es- cape de fluidos tambÈm est„o localmente presentes e as camadas possuem geometria tabular.

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Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte Figura 3.8a - Perfis faciolÛgicos

Figura 3.8a - Perfis faciolÛgicos da FormaÁ„o Serra do Martins nas serras Portalegre, Martins e Santana. Compilado de Menezes (1999). Obs.: Legenda na figura 3.8b.

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Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte Figura 3.8b - Legenda dos

Figura 3.8b - Legenda dos perfis faciolÛgicos da FormaÁ„o Serra do Martins nas serras Portalegre, Martins e Santana. Compilado de Menezes (1999).

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A f·cies VI È constituÌda por siltitos e

argilitos vermelhos escuros, maciÁos, com raros gr‚nulos de quartzo e pequenos seixos dispersos (< 5 mm). … comum a presenÁa de

marcas de raÌzes e de bioturbaÁ„o, dispostas de forma caÛtica no interior das camadas. Planos irregulares de deslizamentos tambÈm est„o presentes. As camadas apresentam geometria tabular.

A partir da caracterizaÁ„o das f·cies

retromencionadas, assim como da associa- Á„o vertical e/ou lateral das mesmas, Mene- zes (1999) reconheceu nas serras Portalegre, Martins e Santana, quatro depÛsitos fluviais distintos: fundo de canal, preenchimento de canal, transbordamento de canal e planície de inundação. De acordo com esse autor as litof·- cies arenosas a conglomer·ticas (II, III e IV) constituem os pacotes de maior express„o nos perfis faciolÛgicos e est„o distribuÌdas por toda a porÁ„o sul dos platÙs, indicando o domÌnio dos depÛsitos de preenchimento de canal e fundo de canal nessa parte de cada serra retromencionada. As litof·cies de areni- tos finos (V) e de siltitos e argilitos (VI) encon- tram-se na parte norte destas serras, locali- zadas preferencialmente no topo das mes- mas, onde parece dominar os depÛsitos de planÌcie de inundaÁ„o e transbordamento de canal.

Os depÛsitos se integram em um mo- delo de sistema fluvial entrelaÁado a mean- drante grosso, instalado sobre o embasamen- to cristalino. As paleocorrentes indicam senti- do do fluxo principalmente para NNE e NNW. Seu car·ter afossilÌfero, bem como a falta de dataÁıes radiomÈtricas, tÍm dificulta- do a determinaÁ„o de uma idade mais preci- sa. Sua idade foi atribuÌda em funÁ„o de rela- Áıes com a pediplanizaÁ„o Sul Americana de King (1956), ou o Pd2 de Bigarella e AbíSaber (1964), que aconteceu no intervalo entre o Oligoceno Superior e o Mioceno Inferior.

3.10.3 Grupo Barreiras (ENb)

Moraes Rego (1930) denominou ori- ginalmente de Série Barreiras as camadas de argila de cores variegadas, com leitos de areias inconsistentes e concreÁıes ferrugino- sas que ocorrem desde o vale do rio Amazo- nas atÈ a costa norte, nordeste e leste brasi- leira. Mabesoone et al. (1972) sugerem que o Grupo Barreiras seja constituÌdo por trÍs uni- dades edafo-estratigr·ficas, incluindo a for- maÁ„o interiorana Serra do Martins. Bigarella (1975) mantÈm o Grupo Bar- reiras sem a FormaÁ„o Serra do Martins.

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Kegel (1957), Alheiros et al. (1988) entre ou- tros autores usaram a denominaÁ„o de For- maÁ„o Barreiras para os sedimentos do lito- ral.

Neste trabalho optou-se pela denomi- naÁ„o de Grupo Barreiras a exemplo de ou- tros autores tais como Jardim de S· (1998), Santos et al. (2002) e Bizzi et al. (2001). Os sedimentos do Grupo Barreiras ocorrem ao longo de uma faixa prÛxima ao litoral potiguar em forma de tabuleiros, por vezes constituindo falÈsias litor‚neas. Eles recobrem indistintamente litotipos do emba- samento precambriano e do Grupo Apodi da Bacia Potiguar. Os estudos detalhados desta unida- de, a seguir descritos, constam de trabalhos de Alheiros et al (1988), na regi„o entre Reci-

fe (PE) e Jo„o Pessoa (PB), e Alheiros e Li-

ma Filho (1991) que estenderam os estudos deste grupo ao Estado do Rio Grande do Norte atÈ a cidade de Natal. Os autores retromencionados reco- nheceram nesta unidade a presenÁa de f·cies

tÌpicas de um sistema fluvial entrelaÁado e de f·cies transicionais para leques aluviais e planÌcies litor‚neas (fl˙vio-lagunares).

A f·cies de leques aluviais ocorre en-

tre Recife (PE) e Mamanguape (PB) (figura 3.9). … composta por arenitos de granulome- tria grossa a conglomer·tica, com cores vari- adas (vermelho, roxo e creme), com seixos e gr‚nulos subangulosos de quartzo e blocos

de argila retrabalhada, em corpos de geome- tria tabular a lenticular com atÈ 1 m de espes- sura. IntercalaÁıes de camadas subordinadas de natureza sÌltico-argilosa determinam para

o conjunto estratificaÁ„o paralela bem mar-

cante (figura 3.10a). Elas representam a por- Á„o distal dos leques aluviais, construÌdos por fluxos de detritos afogados nos perÌodos de inundaÁıes.

A f·cies fluvial entrelaÁada dominante

na ·rea pesquisada (figura 3.9), pode ser

subdividida em duas. A f·cies mais dominan-

te ocorre preferencialmente prÛximo aos rios

de grande porte, È formada por depÛsitos contendo cascalho e areias grossas a finas, em geral feldsp·ticas, com coloraÁ„o esbran- quiÁada, creme amarela a avermelhada. In- tercalam-se microclastos sob a forma de ca- madas, filmes e lentes de argila/silte. Predo- minam estratificaÁıes cruzadas acanaladas de grande e pequeno porte e de mÈdio e bai- xo ‚ngulo, com sets granodecrescentes inici-

ados por cascalhos quartzo-feldsp·ticos e seixos da argila. Ocorrem intercalaÁıes de barras flu- viais longitudinais com atÈ um metro de es-

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Geologia e Recursos Minerais do Estado do Rio Grande do Norte Figura 3.9 - Mapa faciolÛgico

Figura 3.9 - Mapa faciolÛgico para o Grupo Barreiras entre Recife (PE) e Natal (RN). Sousa (2002), compilado de Alheiros e Lima Filho (1991).

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