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PARADIGMAS DE GESTÃO ESCOLAR

Resumo

Paulo Henrique Costa Nascimento 1

O campo de conhecimento da Administração escolar no Brasil é marcado por duas perspectivas teóricas que encaminham os atuais debates acerca do tema: Administração escolar empresarial e Gestão escolar democrática. Através de uma leitura paradigmática deste campo de conhecimento é possível perceber uma mudança na relação teoria e prática que corresponderia respectivamente a uma mudança paradigmática: de paradigma empresarial para paradigma democrático. O paradigma de Administração escolar empresarial é influenciado pela Teoria Geral da Administração e configurou-se como teoria da administração escolar neutra e universal em relação às práticas escolares. O paradigma de Gestão escolar democrática é influenciado pela Sociologia, sobretudo o marxismo, e configurou a teoria da administração escolar como elemento criado socialmente pela humanidade e, portanto, dotada de visões de mundo e intenções políticas. Sendo assim, este trabalho, através de método bibliográfico, tem como objetivo situar um terceiro paradigma, o da multidimensionalidade da Administração escolar, e indicar suas contribuições teórico-metodológicas em relação ao paradigma empresarial e o democrático. Este paradigma situa o conhecimento em administração escolar como sendo construído por múltiplos agentes: aluno, professor, governador, pais, economia, pedagogia, diretor e etc.

Palavras-chave: Conhecimento em Administração escolar no Brasil. Paradigmas de gestão escolar. Paradigma empresarial. Paradigma democrático. Paradigma multidimensional.

1 Este texto foi publicado na forma de trabalho completo em: NASCIMENTO, P. H. C. Paradigmas de Gestão

escolar. In: XV JORNADA PEDAGÓGICA, 10444, 2014, Marília. Anais eletrônicos

Disponível em:< http://www.inscricoes.fmb.unesp.br/publicacao.asp?codTrabalho=MTA0NDQ=>. Acesso em:

16 de maio de 2014.

Marília: Unesp, 2014.

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Introdução

E ste trabalho apresenta parte de resultados de pesquisa que analisou o paradigma multidimensional da gestão escolar e sua relação com as Sociedades de controle de

Gilles Deleuze, com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP, processo 12/13576-5). A pesquisa parte dos eventos e fatos ocorridos na história da Administração escolar no Brasil que apresentam dois momentos principais que fundamentaram o pensamento de autores de todo Brasil. Esses dois momentos traduzidos nos pensamentos destes autores configuram-se como duas grandes perspectivas da história da Administração escolar: empresarial e democrática. A perspectiva empresarial representada, principalmente, pelos pensamentos de Myrtes Alonso (1976) e José Querino Ribeiro (1968) tem por base a Teoria Geral da Administração, estudos behavioristas e a teoria sistêmica. A perspectiva democrática representada, principalmente, pelos pensamentos de Maria de Fátima Félix (1984) e Vitor Henrique Paro (1986) tem por base a crítica aos conceitos e práticas da concepção empresarial, ao modo de produção capitalista e fundamentaram-se nas teorias sociológicas, sobretudo o marxismo e, principalmente, na especificidade da função da escola frente às funções administrativas fabris e corporativas. Estas perspectivas constituem um grande arsenal de ideias e propostas teóricas e práticas de administração escolar que perspectivam, por um lado, uma administração escolar técnica em prol do desenvolvimento do país mediante o estabelecimento e gerencia de índices internacionais de desempenho e, por outro lado, uma administração escolar cidadã que defende o pleno desenvolvimento dos indivíduos apoiada na coletividade e na consciência da escola com problemas e demandas regionalmente situadas. Neste sentido, as ideias e pensamentos destes autores implicam ou trazem consigo visões

de mundo que tentam explicar os fenômenos da realidade e designar as ações práticas das

coletividades nas escolas, ou seja, essas propostas possuem uma potência ideológica sobre quem

lê, fala, pesquisa, debate e vivencia a prática educacional. Portanto, os paradigmas são “[ realizações científicas universalmente reconhecidas, que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência” (KUHN,

as

]

2

É neste contexto que é possível conduzir uma leitura paradigmática do conhecimento em Administração escolar no Brasil:

] [

como nosso pensamento é orientado para perceber o mundo, o que, por isso,

determina o que vemos e o que deixamos de ver, e, em consequência, como reagimos diante da realidade (LÜCK, 2011, p. 34-35).

a concepção de paradigma resulta, portanto, da compreensão do modo

Sendo assim, este trabalho tem como objetivo situar, através de método bibliográfico, um terceiro paradigma na história do pensamento administrativo escolar o paradigma multidimensional elaborado por Benno Sander (2007) por intermédio das leituras paradigmáticas da história da administração escolar no Brasil conduzidas por Miguel Russo (2004) e Heloísa Lück (2011). Para isso, o trabalho focar-se-á nas mudanças das estratégias científicas dos três paradigmas aferindo, relacionando, seus objetos, campo de análise e método. Deste modo, não se trata de pensar um processo de evolução entre os paradigmas, mas sim, processos de ruptura, modificação e redefinição de seus objetos científicos.

Do paradigma empresarial ao paradigma democrático

Para responder a questão central deste trabalho é preciso, primeiro, verificar e edificar as mudanças que se deram no paradigma empresarial para a construção do paradigma democrático. O primeiro caráter da mudança do paradigma empresarial para o democrático no conhecimento

em administração escolar no Brasil tem por base uma redefinição da natureza do objeto analisado pelos autores. No paradigma empresarial a administração escolar era entendida como uma técnica mensurável e probabilística intimamente ligada à eficiência dos resultados a serem alcançados

] administrar uma

que, por sua vez, são válidas para qualquer tipo de instituição e organização: “[

escola é tarefa equivalente à administração de uma empresa qualquer(RUSSO, 2004, p.27-28). Segundo Russo (2004), isso ocorria devido à forte influência da teoria geral da administração (TGA) no pensamento administrativo escolar que, por consequência, carregava

consigo os pressupostos deste campo de pensamento: universalidade e neutralidade

teórica/prática; assim, a administração ou administrar enquanto objeto teórico eram os mesmos tanto para a teoria geral da administração quanto para teoria da administração escolar. Nos anos oitenta isso mudou. Iniciou-se um movimento de crítica à perspectiva

empresarial levando em conta a [

geral da administração produzida para mediar o sistema de exploração da força de trabalho e

incompatibilidade entre o fundamento capitalista da teoria

]

3

maximizar a extração da mais-valia(RUSSO, 2004, p.29) e o fundamento das propriedades

específicas do processo humanizador e libertário da educação. Ou seja, a “[

superação do paradigma de administração empresarial como fundamento da Administração Escolar tem como hipótese a natureza específica do processo pedagógico de produção escolar(RUSSO, 2004, p.29). Isso só foi possível porque a natureza específica do processo pedagógico promove uma ruptura com a universalidade da técnica administrativa, pois não é compatível com os propósitos escolares; e a natureza específica do processo fabril promove uma ruptura com a neutralidade teórica e prática devido ao caráter ideológico defendido pela falta de universalidade levando em conta que a sua meta de exploração da força de trabalho. Estas duas rupturas são condições de possibilidade do objeto da administração escolar, que não é universal e, menos, neutro, mas é fundamentalmente pedagógico. Tendo essa redefinição do objeto como base, o segundo caráter da mudança paradigmática diz respeito à mudança de extensão no campo de análise do paradigma empresarial para o paradigma democrático. Segundo Lück (2011) a especificidade da função da escola, enquanto lugar humanizador, procede por um movimento de responsabilidade coletiva pelo desenvolvimento das atividades escolares proporcionando a conscientização de todos sobre os processos ideológicos do processo administrativo ou educativo. Não mais o diretor, mas a gestão. No paradigma empresarial o diretor era incumbido de administrar e decidir na escola e pela escola. Isso porque a administração escolar, sobre base na teoria geral da administração, analisava somente o perímetro escolar sem levar em conta as forças e influencias vindas de fora da escola. Devido à ruptura com a neutralidade das práticas previstas no modelo empresarial foi possível emergir a convergência entre os meios de produção e a escola: a escola como uma extensão da fábrica produzia indivíduos para o mercado de trabalho de modo a reproduzir ideologicamente as classes sociais. Neste momento a extensão do campo é inerente ao objeto. Desta forma, o interior da escola dá lugar à escola situada, ou seja, a escola em determinado lugar geográfico, em determinada época, sobre o domínio de determinada cultura, sobre tal geração de pais, sobre determinada condição econômica, nesta ou naquela estrutura política e etc. Devido a mudança de objeto a antiga extensão não se sustenta, pois passam a existir dois interesses que, nitidamente vêm de outro lugar e, consequentemente, pressupõem lugares diferentes ou seja, interesses internos e interesses externos. E com a mudança na extensão o

proposta de

]

4

antigo objeto não se sustenta, pois ele se forma por elementos que não estão, necessariamente e só, dentro da escola, mais que, acima de tudo, fazem parte de sua configuração. Nesta relação externo e interno, o paradigma empresarial de administração se sustenta na

sintonia anacrônica e não relacional de suas instâncias, ou seja, quando existe uma neutralidade tanto da política quanto da escola. O paradigma democrático se sustenta na não sintonia entre os interesses externos e os internos, ou seja, quanto não existe neutralidade entre as instâncias e há

um embate ou luta de interesses divergentes: o “[

forças contraditórias e conflitantes” (LÜCK, 2011, p. 100). Portanto, o terceiro caráter na mudança paradigmática aparece. Ele diz respeito ao método relacional ou a maneira pela qual se relacionam as instâncias em ambos os paradigmas – entre o campo de análise e o objeto: é “[ ] necessária interação entre as dimensões políticas e pedagógicas, na construção dos destinos e ações das organizações educacionais” (LÜCK, 2011, p. 37-38). O redirecionamento do objeto, do campo e do método permite redimensionar o campo de conhecimento da Administração escolar no Brasil. Deste modo, a mudança de paradigma empresarial para democrático corresponde, também, a uma mudança de pensamento: de um pensamento racionalista para um pensamento dialético. Mas, será que existe uma redefinição de objeto, campo e método do paradigma democrático para o multidimensional?

que ocorre na realidade é uma dialética de

]

O paradigma multidimensional de Administração Escolar

O paradigma multidimensional de administração escolar é uma ideia que vem sendo refinada desde os anos 80 2 Sander (1982) e tem como nicho os movimentos intelectuais e sociais de efervescência política e crítica no Brasil. Este paradigma foi elaborado através de um resgate da história da administração escolar no Brasil destacando suas características no período colonial, republicano e contemporâneo: um movimento de atualização do conhecimento em Administração escolar no Brasil. No período colonial, segundo Sander (2007), a Administração da educação era pensada através de teorias positivistas de administração e influenciada pelo Direito romano de caráter

2 O que se pode destacar como diferente do paradigma dos anos oitenta, em relação ao paradigma dos anos dois mil, é que a dimensão cultural aparecia como sendo uma dimensão humana, mas significam a mesma coisa na medida em que se destaca o humano como utilizador do paradigma e, portanto, sendo culturalmente relevante na medida em que é humanamente relevante para toda sociedade em geral. Destaca-se também a incorporação da visão kantiana de simultaneidade junto à Einstem , o referencial da complexidade de Edgar Morin e a multirreferencialidade de Jacques Ardoino.

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normativo e dedutivo, cuja preocupação era uma sociedade ordenada em prol do progresso do país.

No período republicano, segundo Sander (2007), a administração escolar passou por quatro

fases: organizacional, comportamental, desenvolvimentista e sociocultural. Cada uma destas fases

constitui modelos teóricos que tiveram pretensão de administrar para algo, pois “[

concebidos à luz da natureza de seu principal critério de desenvolvimento administrativo, respectivamente, eficiência, eficácia, efetividade e relevância” (SANDER, 2007, p. 73 grifos do autor). A fase organizacional administrou para eficiência econômica, isso significa administrar com

mínimo de tempo e recursos obtendo máxima produção; a fase comportamental administrou para eficácia pedagógica, produzir efeito desejado, isso significa sobrepor os objetos pedagógicos aos critérios econômicos; a fase desenvolvimentista administrou para efetividade política, o que significa pensar as instituições como sistema aberto e adaptável que responde às demandas da comunidade, ele pensa a eficiência econômica e eficácia política concomitantemente; a fase sociocultural administrou para relevância cultural, isso significa administração como sistema aberto multicultural que visa o desenvolvimento humano sustentável e a promoção da qualidade de vida humana coletiva, de acordo com a significação dos valores culturais através da participação cidadã. Na contemporaneidade, segundo Sander (2007), encontramo-nos divididos entre duas tendências consideradas opostas: um movimento de efervescência intelectual fortemente crítica que redefine o campo das políticas públicas e administração escolar pensando o pesar político da

movimento sociopolítico dominante na comunidade

atividade humana, porém este “[

são

]

]

acadêmica, nas ultimas décadas do século XX, convive com propostas alternativas, de caráter nitidamente neoliberal” (SANDER, 2007, p.69) associando governabilidade e globalização até os dias atuais como tematizado na introdução deste trabalho: empresarial e democrática. Com essa materialidade histórica em mãos, Sander (2007), guiado pelo movimento sociopolítico contemporâneo, argumenta que ambas as fases do período republicano nos

orientam e nos ajudam a pensar novas formas de Administração e propõe um modelo multidimensional de Administração da educação. Os períodos e fases espalhados pela história da administração escolar são balizados pela ideia de “simultaneidade(SANDER, 2007, p.91 grifos do autor) e configuram-se como as quatro dimensões do paradigma multidimensional, que são interdependentes e simultâneas:

econômica, pedagógica, política e cultural. Sendo assim, o paradigma multidimensional é

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resultado da “[

históricas de administração da educação” (SANDER, 2007, p.91). A relação entre as dimensões do paradigma multidimensional seguem, segundo Sander (2007), a quatro pressupostos básicos. O primeiro: a educação e a administração escolar são “[ ] realidades globais e complexas que, para efeitos analíticos, podem ser constituídas por múltiplas dimensões, simultaneamente articuladas entre si(SANDER, 2007, p.92). O segundo: o sistema educacional tem preocupações substantivas de caráter político e cultural e preocupações técnicas de caráter econômico e pedagógico. O terceiro: o sistema educacional possui preocupações internas de caráter antropológico e pedagógico e preocupações externas de caráter político. Por

último, o ser humano, junto à história, “[

constitui a razão de ser da existência das instituições

análise das confluências e contradições simultâneas entre as quatro construções

]

]

de ensino e das organizações sociais, em geral” (SANDER, 2007, p.93). Os quatro pressupostos seguem a um princípio básico de aplicabilidade: “[

] as dimensões

extrínsecas são subsumidas pelas respectivas dimensões intrínsecas; e as dimensões instrumentais

pelas, pelas substantivas(SANDER, 2007, p.94). Especificamente: “[

pela eficácia; a eficácia e a eficiência são subsumidas pela efetividade; e a efetividade, a eficácia e a

a

relevância cultural é o principal critério norteador da concepção e utilização do paradigma

multidimensional de administração da educação, como instrumento analítico e praxiológico(SANDER, 2007, p.107). Entretanto, este princípio básico não é designado ao acaso. Segundo Sander (2007):

eficiência são subsumidas pela relevância(SANDER, 2007, p.106). Isso porque, “[

a eficiência é subsumida

]

]

] [

sistemas de ensino e professores e diretores de escola estão escrevendo hoje e

continuarão a escrever amanhã a história em curso do pensamento administrativo adotado na educação brasileira (p. 08).

pesquisadores e docentes de ensino superior, dirigentes e técnicos dos

Os agentes formadores da história da administração escolar no Brasil, segundo Sander (2007), é o humano situado na sociedade capaz de pensar e propor melhorias para sua vida e sua organização coletiva em favor dos costumes e condições materiais específicas que o âmbito

a efetividade política,

a eficácia pedagógica e a eficiência econômica da gestão da educação hão de ser valorizadas sempre que forem culturalmente relevantes para a instituição e seus participantes” (SANDER, 2007, p.107). Agrupando todos os elementos e princípios norteadores de sua proposta, Sander (2007)

] mediação

federativo desconhece, em todo seu caráter e amplitude. Neste sentido, [

]

indica que a administração escolar, no âmbito teórico e prático, deve propiciar uma [

dialógica entre as dimensões e o todo, entre o intrínseco e o extrínseco, entre o instrumental e o

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substantivo do processo educacional(p.95 grifos do autor): a função do conhecimento em Administração escolar no paradigma multidimensional é mediar os conflitos entre as dimensões 3 .

Conclusão: situando o paradigma multidimensional

Partindo dos pressupostos de formação e caracterização do paradigma multidimensional é possível aferir as mudanças contidas na relação entre os paradigmas de Administração escolar. Em relação ao paradigma empresarial, no paradigma multidimensional existe uma redefinição no objeto, pois ele é herdeiro do movimento político e crítico dos anos 80 e, portanto, abdica-se da neutralidade e universalidade dos fatos administrativos. O mesmo vale para extensão do campo e o método, já que o objeto é resultado de uma relação dialética entre

interesses distintos e contraditórios advindos do rompimento com a universalidade e neutralidade dos fatos administrativos. Ao contrário do que aconteceu na redefinição do objeto do paradigma empresarial para o democrático e do empresarial para o multidimensional, no democrático para o multidimensional existe um movimento de redefinição por um processo de ramificação ou bifurcação.

O novo campo de análise proposto por Sander (2007) é formado de maneira dialética entre

a dimensão política e a pedagógica, mas não é só isso, essa relação é balizada por uma natureza técnica e outra substantiva. Ou seja, além de haver uma dialética entre a dimensão pedagógica e a política, no paradigma democrático, há no paradigma multidimensional um acréscimo de uma

dialética substantiva e técnica. Sendo assim, a dialética entre a dimensão pedagógica e a política no paradigma democrático equivale à dialética extrínseca e a intrínseca no paradigma multidimensional, cada uma comportando outra relação dialética de natureza técnica e substantiva.

A redefinição por ramificação ou bifurcação do objeto no paradigma multidimensional é

marcada pela emergência do elemento cultural que é resultado de uma dialética entre a dimensão pedagógica e a cultural. Porém, a extensão do campo é a mesma que a do paradigma

democrático equivalendo, assim, à dimensão política e pedagógica, mas é possível encontrar um

3 Cabe ressaltar que além da proposta do paradigma multidimensional, Sander (2007) propõe, também, um enfoque multiparadigmático que consiste na ideia de que as dimensões não são excludentes e podem ser usadas de maneira combinatória utilizando uma, duas ou três dimensões do paradigma dependendo da utilização e necessidade do usuário – nas palavras do autor: “O enfoque multiparadigmático explora as potencialidades heurísticas e praxiolócias, extraídas de distintos modelos, para estudar e resolver problemas específicos de organização e gestão da educação. Essa alternativa apóia-se na idéia de que muitos conceitos dos diferentes modelos de gestão não são necessariamente excludentes ou incomensuráveis, mas que podem ser utilizados seletivamente na teoria ou na prática da educação e de sua administração” (SANDER, 2007, p.90).

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movimento de repartição do campo destas duas instâncias: uma dialética que comporta uma dialética interna pedagógica e cultural e outra externa política e econômica.

O método para análise da administração enquanto atividade complexa é mediar um dialogo

entre as dimensões a fim de contemplar todas as atividades dos agentes que compõem o movimento histórico de formação da Administração escolar no Brasil privilegiando o espaço menos favorecido, porém, mais interessado no processo escolar regional e culturalmente situado. As leituras paradigmáticas de Russo (2004) e Lück (2011) situam os paradigmas empresarial e democrático em administração escolar em paralelo com os dois momentos e perspectivas principais na história da Administração escolar no Brasil. Através desta leitura paradigmática foi

possível fazer emergir elementos teórico-metodológicos que designam os contornos que os fazem convergir e divergir ao longo de seu desenvolvimento.

O paradigma multidimensional situa-se ao lado do paradigma democrático na história da

Administração escolar no Brasil na medida em que emergem no mesmo nicho e se desvinculam, como vimos, dos pressupostos do paradigma empresarial. Neste sentido, o paradigma multidimensional não se diferencia por completo do paradigma democrático, como no caso da relação com o paradigma empresarial, no que se diz respeito a suas visões de mundo. Em suma, a busca pela ruptura do paradigma democrático em relação ao paradigma multidimensional, tal como houve com o paradigma empresarial, não ocorreu.

A proposta de Sander (2007) traz contribuições para a emergencia dos elementos culturais

encontrados no cotidiano escolar explorados principalmente no campo da Didática no que diz respeito ao conhecimento do aluno situado no seu contexto cultural e histórico visando um ensino com significado de uso social dos conhecimentos. Estes elementos trazem grande contribuição para a gestão situada com significado para os agentes de determinada escola. As contribuições do paradigma multidimensional se delineiam, também, em direção dos elementos de análise teórica e prática em seu percurso pela especificação ou multiplicação dos agentes e instâncias dialéticas passando de um pensamento dialético para um pensamento complexo 4 na medida em que entende que as dimensões são simultâneas, contraditórias e não

excludentes.

4 Baseado nos “[

também, “[

mundo e do conhecimento, o conceito de simultaneidade se estabelecem como resultado do conceito de sucessividade de tempos ou etapas de suas correspondentes abordagens(SANDER, 2007, p.91 grifos do autor).

conceitos filosóficos subjacentes na teoria do campo unificado de Einsten (SANDER, 2007, p.91)” e,

no pensamento complexo de Morin(SANDER, 2007, p.91 grifos do autor). “Segundo esta visão do

]

]

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Referências bibliográficas

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