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r

Coleção PERSPECTIVAS DO HOMEM Volume 35 Série Política

1

I

I

I

ANTONIO GRAMSCI

e o

Maquiavel,

a Política

Estado Moderno

6~ Edição

Tradução de

LUIZ MÁRIO GAZZANEO

civilização

brasileira

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

••

I

o Moderno Príncipe

Notas sobre a polltica de Maquiavel. O caráter fundamen-

Notas sobre a polltica de Maquiavel. O caráter fundamen- taI do Príncipe consiste em que ele

taI do Príncipe consiste em que ele não é um ttllbaDio sJS!e-

mático~ > mas um livro "vivo" em que a ideologia política e a

ciência política fundem-se na forma dramática do "mito", En-

tre a utopia e o tratado escolástico, as formas através das quais se configurava a ci~oIftica até Maquiavel, este deu à sua . concepção a forma fantástica e artística, pela qual o elemento doutrinaI e racional incorpora-se num condottiero, que repre- senta plasticamente e "antropomorficamente" o símbolo da "von- tade coletiva", O processo de formacão de uma determinada vontade coletiva, para um determinado fim 01 ico, é represen-

o nao a rav s e 1

lSIÇoeSe c aSSl cações pedantescas de

"

I

:

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

princípios e critérios de um método de ação, mas como quali- dades, traços característicos, deveres, necessidades de uma peSsOa

cÕl1creta, tudo o quê faz trabalhar a fantasIa arhshca de quem

quer convencer e dar forma mais concreta às paixões políticas,' O Príncipe de Maquiavel poderia ser estudado como uma ' exemplificação histórica do "mito" soreliano, isto é, de uma I

ideologia política que se apresenta não como fria utopia, nem

como raciocínio doutrinário, mas como uma criação' da fantasia I

concreta que atua sobre um povo disperso e pulvenzado para

despertar e organizar a sua

vontade coletiva. O caráter utó.

'plc6 do Prlnclpe consiste em que O Príncipe não existia na realidade histórica, não se apresentava ao povo italiano com características de imediatismo objetivo, mas era uma pura

abstração doutrinária, o símbolo do chefe, do condol/iero ideal; mas os elementos passionais, míticos, contidos em todo o livro, com ação dramática de grande efeito, juntam-se e tornam"se reais na conclusão, na invocação de um príncipe "realmente existente", Em todo o livro, Maquiavel mostra como deve ser

do novo Estado, e

o Príncipe para levar um povo à fundação

o desenvolvimento é conduzido com rigor lógico, com relevo

científico; na conclusão, o próprio Maquiavel faz-se povo, con. funde-se com o povo, mas não com um povo "genericamente" entendido, mas com o povo que Maquiavel convenceu ,com o

qual ele se torna e se sente

seu desenvolvimento anterior,

do

consciência e expressão, com o qual éle sente-se identificado:

ce ue todo o trabalho "Ió 'co" não passa de uma reflexão

o

popu

povo, um raclOcInÍo interior que se a

a a num gn o

'

ma

o, Imediato,

es a na

' li

parx o,

aê rãciocmlo sobre Si mesma, transforma em Uafeto", febre,

se

fanatismo de ação. Eis por que o epilogo do Príncipe não é qualquer coisa de extrínseco, de "impingido" de fora, de re- tÓTico, mas deve ser explicado como elemento necessário da

1 Verificar entre os escritores politicos anteriores a Maquiavel se exis~ tem textos configurados como o Príncipe. Também O final do Príncipe está ligado a este caráter "mítico" do livro; depoIs de ter representado

o condottiero ideal, Maquiavel, num trecho de grande eficácia artística,

invoca o condottiero real que o personifique historicamente: esta invo- cação apaixonada reflete-se em todo o livro, conferindo-lhe exatamente

o caráter dramático. Em Prolegornenl

nominado o ~

aparece, inclusive, a expres~

são "mito", mas não preCIsamente com o sentido acima indicado.

de L. Russo, Maquiavel

é de--

e uma vez

4

obra mais ainda como aquele elemento que lança a sua ver- dadeira luz sobre' toda a obra e faz dela um "manifesto político", Pode-se estudar como Sorel, a partir da concepção da ideologia-mito, não tenha alcançado a com:pr~ensão do, p~rtido político, ficando apenas na concepção do smdlcato profiSSional. Na verdade, para Sorel O "mito" n~o e,:contrava a sua expres- são maior no sindicato como orgamzaçao de uma vontade co- letiva mas na ação prática do sindicato e de uma vonta~e coleti~a já atuante, ação prática cuja maior realização deve~la

ser a

dizer, de caráter negativo e preliminar (o cará~er poslllvo só ,é

dado pelo acordo alc~nçado nas vo~ta~es "as 7 ocladas), um~ a,~I' vidade que não preve uma fase propna atl~a e construtiva, ' Em' Sorel, portanto, chocavam-se duas necessidades: a do mIto

greve geral, isto é, uma Hatividade passiva", ~?r aSSIm

e a da crítica do mito, na medida em que "cada plano

preesta.

belecido é utópico e reacionário", A solução era abandonada ao impulso do irracional, do "arbitrário" (no sentido bergso- niano de uimp'ulso vital"), da "espontaneidade". 1 Mas, pode um mito ser "não-construtiyo'\ p.ode-se imagi- nar na ordem de intuições de Sorel, que seja efetivamente pro- dutivo um instrumento que deixa a vontade coletiva na sua fase primitiva e elementar de mera formação, por distinção (por "cisão"), embora com violência, isto é, destruindo a,s relaç~es morais e jurídicas existentes? Mas esta vontade coletiva, a~sl!U formada elementarmenle não deixará imediatamente de eXIstir, pulverizando-se numa huinidade de v~nta~es individuais, que em virtude da fase positiva seguem dlreçoes diversas e c<:n- trastantes? Além do que, não pode existir destruição, negaç~o, sem uma implícita construção, afirmação, e não em sentido

1

Nota-se aqui uma contradiçlio implícita do modo com o qual Croce

dos fatos ~oclals

apresenta o seu problema de Hist6ria e ant!;His~óriaco~. ou~~osmodos de pensar de erace: a sua aversfo r.elos partidos pohticos e o ~e:t

modo de apresentar a questão da 'previsibilidade"

(cf. Conversaziont crlticne, primeira série, págs

livro de LUDOVICO

LIMENTANI,

. La previsione d~1 jattJ sOCt~lí, Tun~,

.150.1,52, r,ecensao ,do

Bocca, 1907): se os fatos sociais são imrrevisívels e o própno con~elto

de previsão é um puro som) o irraci?n~ n~o pode de!~ar de d.o~.l.n~r, e cada or~anização de homens é anti~hist6nca, é um preconceIto,

resta resolver um a um, e com critérios imediatos, os pr?blemas práti-

cos colocados

Ó

pelo desenvolvimento histórico. ( Cf. o artIgo de CROCE,

II parltto come"gtudizio e come pregiudizio, em Cultura e vila morale.)

Assim, O oportunismo torna-se a única linha possivel.

5

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

I

,

L

"metafísico", J?las praticamente, isto é, poHticamente, como pro- grama de partIdo. Neste caso, supõe-se por trás da espontanei- dade um .puro mecanicismo, por trás da liberdade (arbítrio- Impulso vItal) um máximo de determinismo, por trás do idea- lismo um materialismo absoluto.

<;> moderno. príncipe, o mito-príncipe, não pode ser uma

pe~soa real, um mdlVJduo concreto; s6 ,gõde ser Um organismo; um elemento com lexo de sociedade no -qual á tenha se Imeia-

o a coneretizaç o e uma von a e co etIva recon eel a e

_ aamentada patcfalmeute na açao. ESte organismo é deter-

mi,nad.o pelo desenvolvImento

pnmelra célula na qual se aglomeram ermes de vontade cole-"

)iva

moderno, Suma

ereto; a raplde~ s.ó pode tornar-se ~ecessária em virtude de um

la novamente e fortalecê-Ia, e não que se deva criar uma von- tade coletiv~ e~ novo, original, e orientá.la para metas con- cretas e raCIOnaIS,mas de uma concreção e racionalidade ainda não verificadas e criticadas por uma experiência histórica efe- tiva e universalmente conhecida, O caráter "abstrato" da concepção soreliana do Hmito" deriva da aversão (que aSSUme a forma passional de uma re- pulsa ética) pelos jacobinos, que certamente-"'1õrãm uma

"encarnação categórica" do Príncipe de Maqu(avel. Om leJi"" h1Sfõrico, é o partido político: a
"encarnação categórica" do Príncipe de Maqu(avel. Om
leJi""
h1Sfõrico, é o partido político:
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SlgnrfICado mtegral que esta noção teve historidamente
deve
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o mundo
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tamente e. atuou uma vontade coletiva que, pelo menos por
açao IS rIco-polftica imediata e iminente
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bém definIr a vontade coletiva e a vontade política em geral
no sentidõ moderno; a vontade como consclencla atuante da
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necessi fi3e ' lst'rica,
rico real e efetivo.
como orotagOI!lsta . e um drama hIst .
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Oma das primeiras partes deveria precisamente ser dedica-
da à "vontade coletiva", apresentando a questão deste modo:
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restauração e reorganização, e não
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de
novos Estados e. de novas estm.
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descendente
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ue en em a se tornar umversllls

".0 :,:íncipe, deve ter uma parte dedicada ao \jacobinismo (no ~

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ter conceitualmente), para exemplificar como se formou concre- N\oí1""-

I 'r:

!.J\'tSl

cara~terizada pela necessidade de um procedimento rápido ~ NI~ .-rfI' \ A""<P"~ 0JP

fulmmante, pode-se encarnar mlticamente num indivíduo con. \ \ , :.'1 U' .~o{! \"'.~

alguns asp,eetos, foi criação ex novo, original. lL'p'reciso tam-~~ fII''tor1' ~

grande pengo Immente, grande perIgo que efetivamente leve a ". # ~

um despertar fulminante das paixões e do fanatismo, aniquilan- ~

do o senso crítico e a corrosividade irônica que podem destruir

o caráter "carismático" do condol/iero (o que ocorreu na aven- \ ""'\

lura de Boulanger) . Mas uma ação imediata de tal gênero nao o ¥

po~e ser, pela sua própri.a natureza, ampla e de caráter orgânico:

sera. quase s~mpre de tIpo de tIpo p~cu~ar à fu~~ação

luras nacIOnaISe socIaIs (como no caso do Príncipe de Maquia-

"Quando ~ possível dizer 'lue existem as condicões para que) possa surlQr e desenvolver-se uma vontade coletiva nacional- pop.!!lar?" Portanto, uma análise histórica (econômica) da es- trutura social de um determinado país e uma representação "dramática" das t~ntativas feitas através dos séculos para suscitar esta vontade e as razões dos sucessivos fracassos. Por que não houve a monarquia absolutista na Itália no tempo de Maquia- vel? :e, necessário remontar ao Império Romano (questão da língua, dos intelectuais, etc,), compreender a função das co- mu~as medievais, o significado do catolicismo. etc,; deve-se, enfIm, fazer um bosquejo de toda a história italiana, sintético mas exato. A razão dos sucessivos fracassos das tentativas de criar un;a vo~tade coletiva nacional-popular deve ser procurada na eXIstênCIa de determinados grupos sociais que se' formam a par-

rece, se colocado I'"Jxatamenteno clima do Humanismo e do Renasci- mento. No Livro VII da Arte della guerra lê-se: "Esta província (8 I~á]ja) parece ter nascido para ressuscitar as coisas mortas, como se VIU pela poesia, pela pintura e pela escultura" porque então não ne. cessitatia a virtude mHftar?", etc. Reagrupar' as outras citações do mesmo gênero para estabelecer o. seu caráter exato,

vel, em que o aspecto de restauração era s6 um elemento "If'J'--

retórico, isto é, ligado ao conceito literário da Itália

de Roma, que devia restaurar a ordem e a potência de Roma)'.

Será de tipo ud:à~o'~ e não criador original, em que se 8U- \

põe que uma von oletiva já existente tenha-se enfraque- cido, disseminado, sofrido um colapso perigoso e ameaçador mas não decisivo e catastrófico que torne necessário concentrá-

1, Além do modelo exemplar dado pelas grandes monarquias absolú .• llst?~ da França e da Espanha, Maquiavel foi levado à SUB concepção pohtJca da necessidade de um Estado unitário italiano pela evocação do. p~ssado de Roma. Deve-se ressaltar, porém, que nem por isso Ma•. qmavel deve ser confundido com 8 tradição literária-ret6rica. Inclusive porqu~ este elemento não é exclusivo e nem ao menos dominante, e a necessidade de um grande Estado nacional não é deduzida dele. E também porque o pr6prio apelo a Roma é menos abstrato do que pa-

6

7

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

tir da dissolução da burguesia comunal, no caráter particular de outros grupos que refletem a função internacional da Itália Como sedc da Igreja e depositária do Sagrado Império Romano, etc, Esta função e a posição conseqüente determinam uma situação interna que pode ser chamada "econômico-corporati- va", isto é, politicamentc, a pior das formas dc sociedade feudal, ,., a forma menos progressista e mais estagnante, Faltou sempre, \ _~ f não podia constituir-se, uma força jacobina eficiente, exata.

• <,c-- í' mente a forç,a que ~as outras naçoes suscito,! e organizou a vontade coleliva nacIOnal-popular e fundou os Estados moder-

Finalmente, existem as condIçoes para esta vontade,' ou

1\ Séfa, qual é a relação atual entre estas condições e as forças que se opõem a ela? Tradicionalmente, as forças oponcntes fo- ram a aristocracia latifundiária e, em geral, o latifúndio no scu

,""

,()'-

~~-v!

nos.

conjunto, com o seu traço característico italiano: uma "bur. guesia rural" especial, herança de parasitismo legada aos tcm. pos modernos pela ruína, como classe, da burguesia comuna) (as cem cidades, as cidades do silêncio). As condições positivas devem ser localizadas na existência de grugos sociais urbanos

convenientemente desenvolvidos no cam o' a rodu ão indus-

tna,

PO Itica, A formaçao

e uma von a e co e va naclOn -popular

é impossível se as grandes massas dos camponeses cultivadorcs não irrompcm simultaneamente na vida polltiea, Maquiavel'

pretendia isto através da reforma' da milícia, como os jacobinos

o fizeram na Revolução Francesa. Deve-se .identificar nesta compreensão um jacobinismo precoce de Maquiavel, o germe (mais ou menos fecundo) da sua concepção da revolução na-

, de 1815, mostra o esfor o das

cional. Toda a His' classes tradicionais

econOlnJco-cor o-

rativ "

erá ser

co

ue

can aram um determma o

vel de cultura histórico-

ara im edir a orma ao e uma vontadc

ara mantcr o

aSSlVO,

e Iva

o er ist ma internaclOna de equilí no

do mo erno

ênero

Uma parte importante

ríncipe

dedicada questão de uma reforma inw,lectual e moral i isto é,

~ questãQ rehgiOsa ou de uma coocepç Q do mundQ. hambém

neste campo encontramos na tradição ausência de jacobinismo

e medo do jacobinismo (a última expressão filosófica de tal

medo é a atitude malthusiana de B, Croce em relação à reli.

gião).

propagandista e

ode deixar de ser o

e

m~

O moderno Príncipe deve e não

or

e uma re orma lOte ectua

O que slgnilíca cnar o terreno para um desenvolvimento

J!.lterior da vontade coletiva nacional-popular no sentido de

-alcançar uIíla funhá supenor e toLãl de clv1Í1iaçád moderna.

, ontos fundamentaIS: ormaçao e ma vonta.)

de coletiva naclOna - opu ar,

a

ua o mo erno

nnclpc C ao

O empo O .orgamza or e a expressão aliva e a uan e, e refórma mtelectual c morã!, aevenam constitUir a estrutura do

trabalho, Os pontos programáticos concretos devem ser incor-

poradl>s na primeira parte, isto é, deveriam, "dram'atlcamente",

resultar do discurso, não ser uma fria e pedante exposição de argumentos, Pode haver reforma cultural, elevação civil das camadas mais baixas da sociedade, sem uma precedente reforma econô-- mica e uma modificação na posição social e no mundo econô- mico? Eis por que uma reforma intelectual e moral não pode deixar de estar ligada a um programa de reforma econômica, E mais, o ro ama de reforma econômica é exatamente o mo- do concreto através do qual se a resen a o a e o n e ec-

t mora . mo erno nnclpe desenvolvendo-se subverte

todo o sistema de relações intelectuai

qü~ o seu aesenvo vlmento Slgni 'ca de fato que cada ato é con- bê iao como uhI ou' prejudicial, como virtuoso ou criminoso;

rais na medid

ma

I

a

e IefeI ência o

pr

m

erno Príncipe e serve ara acentuar o se

er ou

con ras - O,

r nClpe toma

co sciências da

divin-

a e ou

o Im e a IVOcatégórico, torna-se a base de um laicis-

a a VI a c e

mo mo emo e to as as re açoes de costume.

e uma alclza ao com leta

e t

I ncia da política A inovacão fundamental introduzida

\ pela

n

s

18 na ciência da política e da Hist6da é a

L,~~a', demonstração de que não existe uma "natureza humana" abstra-

1~~,~1I'"\1'\a, ,fixa e imutável (concedo que certamente denva do pensa. oi' ',? . Jnénto religioso e da iranscendência); mas que a natureza hu-

••

1 ~

J'lW

\

mana na~a~ isto é, um fato hist nco comprov ve,

ltmltes, através dos métodos da filologia e da crítica, Portanto,

c' ên ' (e tam

a

.u t das rela ões sociais historicamente determi-

• ,

cebida no seu

entro

e certos

conteúdo concreto um or~anlsmo cm

, m na sua formulação I gJca como

desenvolvimento. Todavia, deve-se observar que aorma dada por Maquiavel à questão da política (isto é, a afirmação implí.

••••••••••••• ••••••••••••••••••••••••••••••••••••

cita nos seus escritos de que a

ma, com seus

rclrgtao .9POSiÇllll-Qlle ellHlm gran e a cance I os ICO,Põi~

olític

_rsos"da~"dlj.moral--~

no-

. cí ias e leis'

i"'!f'l1cttamentc inovã-loda a concepção do mundo) é ainda hoje ctíScutida e contraditada, não conseguiu tomar-se "senso co- mum". Qual o significado disto? Apenas que a revolução inte- lectual e moral, cujos elementos estão .contidos in nuce no pen- samento de Maquiavel, ainda não se efetivou, não se tomou forma pública e manifesta da cultura nacional? Ou será que só tem um mero significado político atual, serve para indicar apenas a separação existente entre governantes e governados, para indicar qnc existem duas culturas: a dos governantes e a dos governados; e que a classe dirigente, como a Igreja, tem uma atitude sua em relação aos simples, ditada pela necessi- dade de não afastar-se deles, de um lado; e, de outro, de man- tê-Ias na convicção de que Maquiavel nada mais é do que uma aparição diabólica? Coloca-se, assim, o problema do significado que Maquiavel tcve no seu tempo e dos fins que ele se propunha escrevendo os seus livros, especialmente o Príncipe. A doutrina de Maquia- vel não era, no seu tempo, Uma coisa puramente "livresca", um monopólio de pensadores isolados, um livro secreto que circula entre iniciados. O esmo de Mnquiavel não é o de um tratadista sistemático como os tinha a Idade Média e o Humanismo, abso- lutamente; é estilo de homem de ação, de quem quer impulsio-

nar a ação; é estIlo de ftiânlfustó

mtcrpre!açao 'morabsÍtca" dada por Foscolo é errada; todavia,

de parhdo. Cêrtâmente, a

é vcrdade que Maquiavel revela algnma coisa, e não s6 teorizou sobre o real. Mas, qual era o objetivo da revelação? Um obje- tivo moralístico ou político? Costuma-se dizer que as normas de Maquiavd para a atividade pOlítica "são aplicadas, mas não são ditas"; os grandes políticos - diz-se _ começam maldi- zcndo Maquiavel, declarando-se antimaquiavélicos, exatamente para poderem aplicar as suas normas "santamente". Não teria sido Maquiavel pouco maquiavélico, um daqueles que "conhe- cem o jogo" c estiJltamente o ensinam, enquanto o maquiave- lismo vulgar ensina a fazer o contrário? A afirmação de Croce de que, scndo O maquiavelismo uma ciência, serve tanto aos reacionários como aos democratas, como a arte da esgrima ser- ve aos nobres e aos bandoleiros, para defender-se e assassinar, e que neste sentido é que se deve entender o juízo de Foscolo,

10

é verdadeira abstratamente. O pr6prio Maquiavel nota que as coisas que ele escreve são aplicadas, e foram sempre aplicadas,

Por isso, não parece que

ele queira sugerir' a quem já sabe, nem o seu estilo é aquele de uma desinteressada atividade científica; nem sc pode pensar que ele tenha chegado às suas teses sobre ciência política atra- vés de especulações filos6ficas, o que no caso desta particular matéria seria algo milagroso no seu tempo, já que, inclusive, hoje ela encontra tanto contraste e oposição.

Pode-se, portanto. " uem não sabe"

não s

tiranos, como parecia entender Foscolo, mas positiva, de quem

deve reconhecer como necessários determinados meios, mesmo

s

supor que Maquiayel tem em vista nde educar ohticamente" uem

pelos maiores homens da Hist6ria.

u . Educação política não-negativa, dos que odeiam

ar ue ese)a e ermma os ms. Quem

nasceu na tradição dos homens e governo, absorvendo todo o complexo da educação do ambiente familiar, no qual predomi- nam os interesses dinásticos ou patrimoniais, adquire quase que automaticamente as características do político realista. Quem,

da época" o

portanto,

"não sabe"? A classc revolucionária

15090" e a "nuçfto' ttaUana, a demociaeta urbãílã qUe se ex-

prime atraves dós Savonarola e dos Pler SOdenm e não dos

Castruccio e dos Valentino, Pode-se deduzir que Maquiavel

pretende persuadir estas forças da necessidade de ter um "chefe" que saiba aquilo que quer e como obtê-lo, e de aceitá-lo com entusiasmo, mesmo se as suas ações possam estar ou parecer em contradição com a ideologia difundida na época: a religião,

'a

osi ão

olítica de Maquiavel repete-sc na filosofia da

se

p.!ªXiS.

e e e

a neceSSl a e. e ser an lm~qUlavélic:o'" de

senvolvendo uma teoria e uma t mca po ticas ue assam ser-

I

 

Vlf suas

pares

em u a, em

ra crem-se que e as termina-

 

rão

ar seMr es eClãImente à

arte

ue "não sabia",

arque

ne a

ue se conSl era eX1SIr a orça ro esslsta

a

IS na.

Efetivamente, obtém-sc de ime lato um resultado: romper a

I

unidade baseada na IdeolOgia tradicional

sem cuja ru tUTa a

orça nova não

aderia ad umr conSCiência da

r maqwave smo servIU para me-

ria

SOn 'dade independente.

er-

lliorar a técnica polÍtica tradicional dos grupos dirigentes con- servadores, assim como a política da filosofia da praxis; isto

I

11

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••• .; ••••••••••

não deve mascarar o seu caráter essencialmente revolucionário que inclusive hoje é sentido e explica todo o antimaquiavelismo' '

daquele dos jesuítas àquele pietista de Paquale Villari.

A política como ciên~ia autônoma', A questão inicial que

deve ser colocada e resolvIda num trabalho sobre Maquiavel é a questão da política como ciência autônoma, isto é, do lugar q.ue a c~enclapohuca ocupa, ou deve ocupar, numa concepção slstemáhca (coerente e conseqüente) do mundo numa filosofia '

da praxis.

. O progresso proporcion~do por Croce, a 'cste prop6sito, aos

estudos sobre Maquiavel e sobre a ciência política, consiste pre- cIpuamente (como em outros campos da atividade crftica ero- ciana) na dissolução de uma série de problemas falsos, incAis- tentes ou mal formulados. Croce baseou-se na sua distinção dos ~omentos do e~~írito e na afirmação de um momento da prá-

t~ca, de .um espmto prático, autônomo e

h~a?o cIrcularmente a toda a realidade pela dialética dos con- trarlOs. Numa filosofia d. praxis, a distinção certamente não será edntre os momentos do Espírito absoluto, mas entre os /1 gra~s_ a ~up~restrutur~,.tratando-se, portanto, de estabelecer a poslçao dIalética da atiVidade política (e da ciência correspon- d~nte) como. de~erminado grau ~upe:estrutural. Poder-se-á

~lzer, como. pOIDelra aceno e aprOXImacaQ, Que. a atividade PQ

hhca é efehvamente O primeiro momento ou primeiro grau, o momento em que a superestrutura está ainda na fa . , de mera a Irmaçao vo un na, m Istmta e e cmentar,

independente, embora

Em

que sentido pode-se IdenhÍ1car a ponhCa e a História

e,

I:'0rtanto, toda a vida e a política? Como, em vista disso, todo

o

slstem~ das superestruturas pode ser concebido como distinções

d~ pollhca e, po:ranto, justifique a introdução do conceito de dlstinçao numa fdosofia da praxis? Mas pode-se falar de dia- lética dos contrários? 'Como se pode ent:nder o conceito de cír-

culo entre os graus da superestrutura? Conceito de "bloco hiS'J)' tórico", isto é, unidade entre a natureza e o espírito (estrutura

e supetestrutura), unidade dos contrários e dos distintos. Pode-se introduzir o critério de distinção também na es- trutura? Como se deverá entcnder a estrutura? Como no siste. ma das relações sociaís será possível distinguir os elementos

"técnica", "trabalho", uclasse", .etc.; entendidos historicamente,

12

e não "metaflsicamente"? Crítica da posição de Croce, para o

qual, no final da polêmica, a estrutura torna-se um "deus as-

coso", um "número" em contraposição às "aparências" da su.

perestrutura. "Aparências" em sentido metafórico e positivo. Por que, "historicamente", e como linguagem, falou-se de

"aparências"?

.s interessante registrar como Croce, partindo desta con- cepção geral, extraiu a sua doutrina particular do erro e da origem prática do erro. Para Croce o erro tem origem numa "paíxão" imediata, de caráter individual ou de grupo; mas o que produzirá a "paixão" de alcance histórico mais amplo, a

paixão 'como "categoria"? A paixão~interes.~e imediato, que é

origem do "erro", é o momento denominado schmutzig-jüdisch

em Glosse ai Feuerbach: mas como a paixão-interesse schmutzig-

;üdisch determina o erro imediato, assim a paixão do grupo social mais vasto determina o "erro" filosófico (intermédio o erro-ideologia, que Croce trata em separado). O importante nesta série "egoísmo (erro imediato) - ideologia-filosofia"é o teimo comum "erro", ligado aos diversos graus de paixão, e t que deve ser entendido não no significado moralístico ou dou- trinário, mas no sentido puramente "histórico" e dialético "da- 1i quilo que é historicamente caduco e digno de cair", no sentido da "não-definitividade" de cada filosofia, da "morte-vida", "ser- ~ não-ser", isto é, do termo dialético a superar no desenvolvi- mento.

O termo "aparente", uaparência", significa exatamente isto,

e nada mais que isto, e se justifica contra o dogmatismo: é a

afirmação da caducidade de todo sistema ideológico, paralela-

mente à afirmação de uma validez histórica de todo sistema, c da necessidade dele. ("No terreno ideológico o homem adquire

consciência das relações sociais": dizer isto não é afirmar a necessidade e a validez <Ias "aparências"?)

A concepção de Croce ,da política-paixão exclui os partidos,

já que não se pode pensar numa "paixão" organizada e perma- nente: a paixão permanente é uma condição de orgasmo c de espasmo, que determina incapacidade de execução. Exclui os partidos e exclui todo "plano" de ação concertado preventiva- mente. Todavia, os partidos existem, e planos de ação são ela- borados, aplicados e muitas vezes realizados em medida notá- vel: há, portanto, um "vício" na concepção de Croce. Nem é preciso dizer que, se os partidos existem, isto não tem grandd

13

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••,

I

importância "teórica", já que no momento da ação o "partido"

que alua não é o mesmo "partido" que existia antes. Em parte,

entre os dois "partidos" as

coincidências são tantas que, na realidade, pode-se dizer que se trata do mesmo organismo. Mas a concepção, para scr válida, deveria aplicar-se tam. bém à "guerra" e, portanto, explicar a existência dos exércitos permanentes, das academias militares, dos eorpos de oficiais. Também o ato da guerra é "paixão", a mais intensa e febril, é um momento da vida política, é a continuação, sob outras for. mas, de uma determinada política; é necessário, pois, explicar

isto pode ser verdadeiro, todavia

como a "paixão" pode-se

tomar

"dever" moral, e não dever

de moral politica, mas de ética. Sobre os "planos políticos" ligados aos partidos como for- mações permanentes, lembrar aquilo que Moltke dizia dos pIa- nos militares: que eles não podem ser elaborados e fixados precedentemente em todos os seus detalhes, mas só no seu nú-

cleo e rasgo central, porque as particularidades da ação depen- dcm, cm certa medida, dos movimentos do adversário. A paixão manifesta-se exatamente nos particulares, mas não parece que

o principio de Moltke sej~ tal que justifique a concepção de

Croce. Em qualquer caso, restaria por explicar o gênero de

"paixão" do Estado-Maior sapaixonadamente" .

que elaborou o plano fria e "de-

Se o conceito crociano da paixão como momento da polí. tica choca-se com a dificuldade de explicar e justificar as for- mações políticas permanentes, como os partidos e mais ainda os exércitos nacionais e os Estados-Maiores, uma vez que não

se pode conceber uma paixão organizada permanentemente sem

que ela se torne racionalidade e reflexão ponderada, isto é, não mais paixão. a solução só pode ser encontrada na identidade entre política e economia. A política é ação permanente e dá origem a organizações permanentes, na medida em que efetiva- mente se identifica com a economia. Mas esta também tem sua distinção, e por isso pode-se falar separadamente de economia

e de política e pode-se falar da "paixão política" como .um

impuiso imediato à ação, que nasce no terreno "permanente e

orgânico" da vida econômica, mas supera-o, fazendd entrar em jogo sentimentos e aspirações em cuja atmosfera incandescente

o próprio cálculo da vida humana individual obedece a leis diversas daquelas do proveito individual, etc.

/4

Ao lado dos méritos do moderno "maquiavelismo", deri- vado de Croce, deve-se assinalar também os "exageros" e os desvios a que deu lugar: Criou-se o hábito de considerar muito Maquiavel como o ."polltico em geral", como O "cientista da política", atual em todos os tempos. :e necessário considerar mais Ma uiavc! como expressão

necessária

o seu tempo c estreitamente

I a o as con IÇ

sua poca, que resultam: 1) das utas mIem as

, não sabia libertar-se dos resíduos comunais-municipais, isto é, de uma forma estorvante de feudalismo; 2) das lutas entre os

Estados italianos por um equilíbrio no âmbito italiano, que er~

dificultado pela existência do Papado e dos outros resíduos

feudais, municipalistas, da forma estatal urbana c não territo-

das lutas dos Estados italianos mais ou menos solidá-

rios por um equilíbrio europeu, ou seja, das contradições entre

as necessidades de um equilíbrio interno italiano e as exigên. cias dos Estados europeus em luta pela hegemonia. Atua sobre Maquiavel o exemplo da França e da Espanha, que alcançaram uma poderosa unidade estatal territorial; Ma- quiavel faz uma "comparação elítica" (para usar a expressão crociana) e deduz as regras para um Estado forte em gcral e italiano em particular. Ma uiavel é inteiramente um homem

da sua é oca; e a sua ClenCla o lttca

seu-teniJ29; que teif e

represen a a I oso ia do

rial; 3)

à XI

da repu Ica

ru u a

rticular do Estado que

orgamzaçao as monarqUias naCIOnais

absolutistas, a forma política que permite e facilita um desen- volvimento das forças produtivas burguesas.
absolutistas, a forma política que permite e facilita um desen-
volvimento das forças produtivas burguesas. Pode-se descobrir
in nucc em l",faquja"el a separação dos poderes e o parlamCR-
tarismo (o regjme repre~tati¥o):
a sua ferocidade dirige-se

contra os resíduos do mundo feudal, não contra as classes pro-

~essistas. O Príncipe deve acabar. com a. anarquia feudal: e isto

é o que faz Valentino na Romanha, apoiando-sc nas classes produtoras, mercadores e camooneses. Em virtude dó caráter militar-ditatorial do chefe do Estado, como se requer num pe- ríodo de luta para 3 fundação e a consolidacão de um novo poder, a indicação de classe contida na A r/e del/a guerra deve ser entendida também para a estrutura do Estado cm geral: sc as classes urbanas pretendem terminar com a desordem interna

e a anarqUia externa devem C!poiar-sc nos camponeses

massa, constituindo uma força armada sep;ura e fiel de tino . inteiramente diferente daquelas de ocasião. Pode-se dizer que a

como

/5

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

concepção essencialmente política é de tal forma dominante em

ele

pensa especialmente na infantaria, cujas massas podem ser ar- roladas com uma ação política e por isso desconhece o signifi- cado da artilharia.

Russo (em Pro/egomeni a Machiavelli) observa justamen- te que a Arte della guerra integra o Príncipe, mas não extrai todas as conclusões da su~ observação. Também na Arte della guer~a Maquiavel deve ser considerado como um político que precisa ocupar-se da arte militar: o seu unilateralismo (com outras "curiosidades", como a teoria da falange, que dão lugar a fáceis chalaças como aquela mais difundida extraída de Ban- delIo) depende do fato de que a questão técnico-militar não

Maquiavel que o leva a cometer erros de caráter militar:

constitui o centro do seu interesse e do seu tra a constryç.ão-!,ohtIca. as nos r
constitui o centro do seu interesse e do seu
tra a
constryç.ão-!,ohtIca.
as
nos
r e
11gãda ao PuÍJrcipe; também Isto,,'

'le

e a a enas na me Ida em que é necessária para a sua

e a guer!9 deve ser

iórennhB, qüe deve efetiva

mentc servir para uma análise das con lções reais italianas e européias das quais derivam as exigências imediatas contidas no. Príncipe.

De uma concepção de Maquiavel mais aderente aos tem- pos deriva, subordinadamente, uma avaliação mais historicista dos chamados "antimaquiavélicos", ou, pelo menos, dos mais

"ingênuos" entre eles. Na realidade, não

q~i~vélicos, mas de olítIcos que expnmem exigências a su

trata de antima~

época ou de condlçoes

Ma

re emlca e uro aCI ente ,terário. O exem-

a ue as

Iversas

ue lU

pICO

lave: a arma po an

es es

ImaqUlav cos parece-me Jean Bodin

(1530-1596), que foi deputado dos Estados Gerais de Blois,

os subsídios so-

licitados para a guerra civil.' Durante as guerras civis na França, Bodin é o expoente do terceiro partido, denominado dos "políticos", que defende o

em 1576, e levou o Terceiro Estado a recusar

1

Obras de

BODJN:

Methodus

ad faellem histor;oNJm cognitlonom

(15tH'), onde assinala a influência do clima sobre n forma dos Estados

acc:n:\ para um~_ idéi:l de progresso, etc.j RJpublique (1576),

expnme as opimoE:'s do

115 su:!s relações com o povo; Heptaplomere$

como expres-

sões diversas das reli~lões naturais, as únicas razoáveis, e todas igual- mente dignas de respeito e de tolerincia.

(inédito até a época mo-

derna), em que examina todas as religiões' o justifica.as

Terceiro Estado sobre a monarquia absoluta e

ond~

16

ponto dc vista do interesse nacional, de um equilibrio interno das classes, de modo que a hegemonia pert~nça ao Terceiro Estado através do monarca. Parece-me evid~nte que classificar Bodin entre os "antimaquiavélicos" seja questão absolutamente extrínseca e superficial. Bodin funda a ciência política na França num terreno muito mais avançado e complexo do que aquole oferecido pela Itália a Maquiavcl. Para Bodin, não se trata de fundar o Estado unitário-territorial (nacional), isto é, de retornar à época de Luís XI, mas de equilibrar as forças sociais em luta dcntro desse Estado já forte e enraizado; não é o momento da força que interessa a Bodin, mas o do consen.

50. A monarquia absolutista te.nde a se desenvolver com Bodin:

O Terceiro Estado tem tal consciência da sua força e da sua dignidade, sabe tão bem que a sorte da monarquia absoluta está ligada à sua própria sorte e ao seu próprio desenvolvimen- to~ que impõe condições para o seu consentimento, apresenta exigências, tende a limitar o absolutismo. Na França, Maquia. vel já servia .u reação, pois podia ser utilizado para justificar que se mantivesse o mundo no "berço" (segundo a expressão de Bertrando Spavcnta); portanto, era necessário ser "pokm;. camente" anti maquiavélico . Deve-se notar que na Itália estudada por Maquiavel não existiam instituições representativas já desenvolvidas e signifi- cativas para a vida nacional como as dos Estados Gerais na França. Quando, modernamente, se observa. de modo tenden- cioso, que as instituições parlamentares na Itália foram impor. tadas do exterior, não se leva cm conta que isto reflete apenas uma condição de atraso e estagnação da história política e social italiana de I 500 a I 700; condição que se devia em grande parte à predominância das relações internacionais sobre as re.

lações internas, paralisadas e entorpecidas.

O fato de que a

estrutura est~tal italiana, em virtude da predominância estran- geira, tenha permanecido na fase' semi feudal de um objeto de suzeraineté estrangeira, seria talvez "originalidade" nacional destrurda pela importação da, formas parlamentares que, ao contrário dão uma forma ao processo de libertação nacional? 'E à passagem ao Estado territorial moderno (independente c naciona!)? No mais, especialmente no Sul e na Sicília, existiram instituições representativas, mas Com caráter muito mais restrito do que na França, em virtude do pequeno desenvolvimento do Terceiro Estado nestas regiões. Isto levava a que os Parlamen-

17

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

tos fossem utilizados como instrumentos para manter a anar-

quia dos barõcs contra as tcntativas inovadoras da monarquia,

a qual devia apoiar-se nos "maltrapilhos", na ausência de uma burguesia,' S compreensivcl que o programa e a tendência a ligar a cidadc ao campo pudessem ter apenas uma expressão

mililar,

sem o pressuposlo da cultura fisioerática, com a sua demons- tração da importância econÔmica e cultural do agricultor. As teorias econÔmicas dc Maquiavel foram estudadas por Gino Arias (cm Annali d'Economia da Universidade Bocconi), mas

é preciso verificar se MAqlliavel teve teorias econômicas. Tra-

Ia-se de ver se a linguagem essencialmente polftiea de Maquia- vcl pode ser traduzida em termos econÔmicos, e a qual sistema ceonÔmico pode ser reduzida. Ver se Maquiavel •. que viveu no período mercantilista, pOliticamente precedeu os tempos e an- tecipou algumas exigências que posteriormente cncontraram sua cxprcssão nos fisiocratas." E/ementar de nolltica. Devc-sc dizer que os primeiros ele- mentos a serem esquccidos foram exatamcnte os primeiros ele- mentos, as coisas mais elementares; estas, por outro lado, re- petindo-sc infinitas vezes, transformam-se nOs pilares da política

e de qualquer aç!o coletiva, Pnmello elemento é a 'xif'ência-Iea!

sabendo-sc que O jacobinismo francês seria inexplicável

de go,YCmados e

governantes, dtrlgent~igidos.

Toda a ciência e 8riêjiõlf-

-----

~-

1 H('conlaf o estudo de ANTONIO PANELLA, ClI antimachiavelllci. pu. hlicIH10 no Marzocco de 1927 (ou tomb~m em 2A?, em onze nrtil{os); ohservnr como Panclla ju]~a Bodin em confronto co.m Maquiavel e como o problema do antimnquinvcllsmo é apresentado em geral. (Os

primeiro!; trê~ nrti~os foram publicndos em 1926, os outros em 1927.

-~.cI.)

:z Housseml

teriu sldu posslvel

sem

n cultura

Eblocmtlen?

N8.o mo PQ~

rr'C{, justo afirmar que os fisiocrntas tenham representado meros intq- n'sscs ngrico!a!: c C'Juc s6 com n economia dósslca aftrmem~se os, {ote rl'sses do capitalismo urhnno, Os fisiocrntns representam a ruptura C'Olll o mercantilismo c com o re~ime das corporações e constituem uma [nsc pnm se chc~ar Õ. ~conomla c1ósslca, Mas. exatamente por Isso. pa- TPcc-mc que eles rC'prescntam uma sociedade futum muito mais com- Jlle~n do que aquela contm o qual combatem e do que aquela que rC'snltn,imcdlatamente das suas afinnaç6es. A sua lfnJtUn~em está bllS" tllnle hgndn à ~pocn e exprime a .contradição imediata entre cidade e c:'tmpa. mas faz prever um alargamento do capitalismo na direçft.o da a~rlculturo. A fórmula do "deixar fazer, deixar passar", isto é, da J1~

berdade industrial c de iniciativa, não estll cerbmente reSses ap;n\rlos,

li~ada a inte-

18

ticas boseia - n 'çoes gcrais).

blema cm si, que deverá ser cstudado em si (pelo menos podcr- se-á e dever-se-á estudar como atenuor c eliminar o fato, modi- ficando certas condições identificáveis como atuontcs neste sen- tido), mas permanece o fato de que existem dirigentes c dirigi-

disto,--resta ver a

possibilidade de como diri '

di~i~.n!~s

tos

tC--ri,sto rcc,samente .cons,ste a nme.lra seção -da ciencl9 e

neste fato rimordial, irreduzivel (cm certas

As origens

este a o eonstituem um pro.

dos, governantes e governados. Em virtu"de

~s,

odo mais cficaz.(dadõS'Cer-

e ,como prepar~r_~E!h_o_r~aneira~çs

ar e po ,lIcas , e co

ITleTl

a

!ll$ de

nela ou tOcl0Áois lora alc:mçar a obcdiênci2-dos

diTlWUos ou g2ver.!!.ados. O or

- e o diri ente, é funda-

mentai a premissa'

nde.se

ue xistam sem r

os

e

necess, a c ess'

n es ou

retende-se criar as cond' õe Isto é, p~se_da prjl-

e

1

a

mIssa a 'VIsão perpétua do gênero humano,-oil crê-sequc.cla ê apenas um talo Iilslónco,. corresponaente. a certas condições?

EíítrclantÕ;-devc~ever -claiáiTiente que aé:livisão entre gover. nados e governantes, embora, em IÍltima análise, refira-se a uma divisão de grupos sociais, todavia existe, em virtude da forma como as coisas são, também no seio do mesmo grupo, inclusive socialmente homogêneo; pode-se dizer, em certo sentido ue

a técnico. Espeeu am so re esta coexistência de motivos todos orqiíe vêem em tudo apenas "técnica", neeessidade "técnica", etc., para não propor-se o problema fundamental, Dado que no mesmo grupo existe a divisão entre gover- nantes e governados, é necessário fixar alguns principios inder- rogáveis. Exatamente neste terreno oeorrem os "erros" mais

graves, isto é, manifestam-se B~ incapacidades mais criminosas,

esta divisão é uma cria ão

\

mais difieeis de endireitar, Crê-se que, éstabrlecido o principio do mesmo grupo, a obediência deva ser automática, deva ocor- rer sem necessidade não s6 de uma demonstração de "necessi- dade" e racíonalidode, mas seja indiscutível (alguns pensam, c isto é o pior, que a obediência "virá" sem ser solicitada, sem que seja indicado o caminho a seguir). Assim, é dificil extirpar

O, cadQmismo dos djrigentes. isto é. a C9Dyjc çâÕ de que uma

eOisa selá feita porque o di .

que e

quem "deveria lazê-Ia", etc. Desse modo, torna-se dificil extir-

sidera justo e racional

ançada sobrc

1

I.

e uao é feita, "a culpa

19

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

p~r o hábito criminoso do desleixo em evitar os sacrifícios inú- tels. Entretanto, o senso comum mostra que a maior parte dos desast~es coletivos (políticos) ocorrem por não ter-se pro- curado eVItar o sacrifício inútil, ou porque se mostrou não l~var em cont~ o sacrifício dos putros, jogando-se com as .sua~ vIdas. Todos Já ouviram oficiais que estiveram nas trincheiras contar ~omo real~ente os soldados arriscavam a vida quando era maIS nece~sárlO. Mas como, ao contrário, se rebelavam quando se sent~a~ aban~onados. Por exemplo: uma companhia er. a cap~z de Jejuar mUItos. dias quando sabia que os víveres nao pod!am chegar por motIvo de força maior; mas amotinava-. se ~e nao recebesse -apenas uma refeição por desleíxo buro-

cratIsmo, etc.

'

. ~~te pri~cípio estende-se a todas as ações que exigem sacn!lclOs. EIs por que antes de tudo é sempre necessário, d~~OlS de q?alquer revés, examinar as responsabilidades dos ~mgent~s" e ISto num sentido restrito (por exemplo: .uma frente e conslItUlda de muitas seções, e cada seção tem os seus diri- gent,:s: E possível que os responsáveis por uma derrota sejam os dIrIgentes de uma seção, mas trata-se de mais e de menos porém jamais de exclusão de responsabilidades para qualque;

um) .

diri-

gentes, governantes e governa os ven Ica-se ue os "partidos" maIS a.Q.~quadop.!ruw elcoa.r os m- ~ntes e a capael a e de diresªº_ (os partidos podem-se apre-

sen!àr ~oll os nomes maIs diversos, mesmo sob o nome de antlpartido e de "negação dos partidos"; na realidade até os

chama.dos "ind!,vidualistas" são homens de partido, só ~ue pre-

tende~,~m ser chefes de partido" pela ImbecIlIdade dos que os seguem) .

" pesenvolvi~ento

. Estabelecido o

rincí ia de que existem diri .dose

graça de Deus uu pela

do conceito geral contido na expressão

esp!nto :stat~l . Esta expressão tem um significado bastante pr~clSO, hlStoncamente determinado. Mas, surge o problema:

eXIste alg<;>semelh~~te ao qu; se .denomina "espírito estatal" ~u~ . mov.lmento seno, que nao seja .a expressão arbitrária de mdlVlduabsmos mais ou menos justificados? Contudo o "espírito estatal" pressupõe a continuidade, tanto no que s~ refere ao passado, à tradição, como no que se refere ao futuro. Isto é:

20

pressupõe cada ato como o momento de um processo complexo, já iniciado e que continuará. A responsabilidade deste processo, de ser ator deste processo, a solidariedade para com forças materialmentc "ignotas", mas que apesa~ disso revelam-se ope- rantes e ativas e que são levadas em conta eomo se foss~m "materiais" e presentes corporalmente, é o que se denomma exatamente, em certos casos, "espírito estatal". É evidente que tal consciência do "tempo" deve ser concreta, e não abstrata, em certo sentido, não deve ultrapassar determinados limites. Admitamos que os limites mais estreitos ~ejam uma ger.ação precedente e uma geração futura, o que nao é poueo, PO's as gerações serno avaliadas, não a contar u!: trinta anos antes c trinta anos depois de hoje, mas orgânicamente, em senti~o. his- tórico, o que em relação ao passado, pelo menos, é faclI ~e compreender. Sentimo-nos solidários com os homens que hOJe são velhíssimos e que para nós representam o "passado" que ainda vive entre nós, que deve ser conhecido e examinado, pois

é

ele um dos elementos do presente e das premissas do futuro;

e

com as crianças, com as gerações que estão nascendo e cres-

cendo, pelas quais somos responsáveis. (t outro o "culto" ~a "tradição" que tem um valor tendencioso. implica uma opçao

e um obj~tivo determinado, baseia-se numa ideologia.) Mas,

se se pode afirmar que um "espírito estatal" rlssim compreen~

dido está em tudo, é necessário lutar permanentementewntra deformações ou desvios que nele se manifestam.

O "gesto pelo gesto", a luta pela luta, etc., e especialmente

o individualism6 estreito e mesquinho, que não passa de uma

satisfação capriehosa de impulsos momentâneos. etc. (Na rea. Iidade, O ponto é sempre aquele do "apolitiei,mo" ita~ia~o,. que

assume esla:s várias formas pitorescas e bizarras.) O mdIvldua-

lismo é apenas apoliticismo animalesco, o sectarismo é "apoli- ticismo". Efetivamente, se se observar bem, o seetarismo é uma forma de "clientela" pessoal na medida em que cstá ausente o

espírito de partido, elemento fundamental do "espírito estatal".

Demonstrar que o espírito de partido é o elemento fundamental Y

do espírito estata! é um dos argumentos mais elevados a serem

sustentaâos e da maior importância; vice-versa, o "individua- lismo" é u~ elemento animalesco, "apreciado pelos forastciros'\

como os atos dos habitantes de um jardim zoológieo.

.

21

e

'

. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

. -a pur!ido polilico .• Afirmou-se que o prota onista do novo Pnnelpe n~o poder!a ser, na época moderna, um her I pess a,

~nas o partido político. Isto é: sempre e nas diferentes relações Internas das diversas nações, áquele deiermlllado partido que pJ!tendc (e está raCIOnal e histoncamente destinado a este fim)

lunêlãt Um )lOVOtipo de Estado.

- £ n~c~ssãflo o?se~var como nos regimes totalitários a fun-

çao tradICional do msUtuto da Coroa é, na realidade absorvida por um determinado partido, que é totalitário exatat'nente por. que assume tal função. Embora cada partido seja a expressão de um ru soci~l _e de um s6 giupo soclãl, ocorre que, em

defernnDa as condJçoes, {' eimtfi'D.d~~laos

representam .J um

gr~pO social .na mCdldã em que exercem uma funSão de equilí- bno e de arbitragem entre os interesses do seu grupo e os outros

~p~

e na medu!a em qUMmscam-fazerCOm que o desenvol-

Vlmen o do 8.rupo representado se lfr.Q::Coemom o consentjmen .•

to ~ ~m a ajuda dos grupos aliados, e muitas vezes .c!QL8I1!pos

ou do

pre'rtcl~nt.e. Clã republica que "reina mas não governa" é a f6r-

mula !ufldlca qu~ exprime. est~ fu~Ção de arbitragem e a preo- cupaça~ dos par!ldos conslltuclonBlS de não "descobrir" a eoroa ou presIdente; as f6rmulas sobre a não-responsabilidade para os ato~ .governa':"~ntai.s do .chefe de Estado, mas sobre a respon- sablhdade mlnlstc:.naJ, sao. a easuística do princípio geral de tutela da concepçao da umdade estatal e do consentimento dos governados à ação estatal, qualquer que seja o pessoal imediato do governo e o seu partido. No. ~aso do partido totalitário, estas f6rmulas perdem o seu slgnl~cado, levando à minimização do papel das instituições que !unclO~avam segundo as referidas f6rmulas; mas a pr6pria funçao é Illcorporada pelo partido, que exaltará o C9)1c,ito abstr~to de "Estadp" e procurará de várias maneiras dar a lID- efiCaz. p~essao de que a função de "força imparcial" eontinua ativa e

de.clclidamcnte Immlgos. A formula conslttucional do rei

Será necessária a ação política (no scntido estrilo) para que se possa falar de "p.artido político"? Observa-se que no mundo mo?erno,. e.m. mUitos países, os partidos orgãnicos e fundamentBls s: diVIdrram, por necessidade de luta ou por qual- qu~r o~tra r~zao, em fra.ÇÕe~que assumiram o nome de "parti- do e, mcluslve,. de .partldo mdependente. Por isso, muitas ve- zes o Estado-MBlor Illtelectual do partido orgânico não pertence

22

a nenhuma das frações, mas opera como se fosse uma força

dirigente superior aos partidos e às vezes reconhecida eomo tal pelo público ,. Esta função pode ser estudada com maior pre-

ue um jornal (ou um ru o e revistas , sao artido" ou "fun£~

um determmado partido". Veja.se a unçao

tam m e es "partido n 11

grupo de 'ornais

cisão se se parte do ponto

de vista de

ou um - es de

uma revista

e

o Times na ln-

gIaterra, a que teve o Corriere de/la Sera na Itália, c também

a função da chamada "imprensa de informação", supostamente

"ap~lltica", e até a função da Imprensa esporÚva e da Imprensa

aspectos interes-

técnIca.

De resto, o fenÔmeno apresenta

santes nos países onde existe um partido único e totali- tário de governo; pois tal partido não desemi'enha mais funções simplesmente políticas, mas s6 técnicas, de propaganda,

de polícia, de influênciá moral e cultural. A função política é indireta, poia se não existem outros partidos legais, existem sempre outros partidos de fato e tendências legalmente incoer- cíveis, contra os quais a polêmica e a luta é travada como se

num jogo de cabra-eega. De qualquer modo, é certo que em

tais

uma linguagem política de jargão: isto é,. as questõe~ pol!tic~s revestem-se de formas culturais e como tal se tornam Insoluve,s. Mas um partido tradicional tem um caráter essencial "indi. reto": apresenta-se explicitamente como puramente "educativo" (lucus, etc.), moralista, de cultura (sic). E. o movimento li. bertário. Inclusive a ehllmada ação direta (terrorista) é con. cebida como "propagarida" através do exemplo. A partir' dai é possível ainda reforçar a opinião d~ que o movimento l~ber. tário não é autÔnomo, mas vive à margem dos outros parhdos,

"para educá-los". Pode-se falar de um "libertarismo" inerente a cada partido org6nico. (O que são os "Hbcrt~rios intelectnai5:

ou cerebrajs" se não um aspecto desse "marginalismo" em rela

ção aos grandes partidos dos grupos sociais dominantes?) A

pr6pria "seita dos economistas" era um aspecto hist6rico deste fenÔmeno.

partidos. as funções culturais predominam, dando lugar a i

Portanto, apresentam-se duas formas de "partido" que,

como tal, ao que parece, fazem abstração da a âo

olíf

.

e-

diata: o artido constituído

 

ma . ,te

e homens de cultura,

ar 1 os a I

que

têm

a

n

o

e

trIglf

o

, da

i

O ogla ger

um

an e m

n

rea.

li

e,

aç es de um mesmo parh

no P~IO o

23

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

mais recente, O partido de não-élile, mas de massas, que .como

massas não têm alilra ftmçãa l'oHtica que a de uma fidelidade

e o mecanismo de coman-

gen nem

ar, a u

I

I1visi-

-Y£!.jJreqüentemente O cen r

do de forças que não desejam mostrar-se a plena luz, mas ape- nas operar indiretamente por interposta pessoa e por "inter- posta ideologia"), A massa é simplesmente de "manobra" e é "conquistada" com pregaçoes moraIS, estímulos sentimentais, mitos messiânicos de expectativa de idades fabulosas, nas quais todas as contradições e misérias do presente serão automatica- mente resolvidas e sanadas.

Para se escrever a hist6ria de um partido político, é neces-

sário enfrentar toda uma série de problemas muito menos sim-

ples do que pensa, por exemplo, Roberto Michels, considerado um especialista no assunto. O que é a hist6ria de um partido? Será a mera narração da vida interna de uma organização polí- tica? Como nasce, os primeiros grupos que a constituem, as polêmicas ideol6gicas através das quais se elabora o seu pro- grama e a sua concepção do mundo e da vida? Tratar-se-ia, neste caso, da hist6ria de grupos intelectuais restritos, e algumas vezes da biografia política de um individuo. Logo, a moldura do quadro deverá ser mais vasta e compreensiva. Dever-se-á escrever a hist6ria de uma detenninada massa de homens que segniu os promotores, amparou-os com a sua confiança, com a sua lealdade, com a sua disciplina, ou que os criticou "realisticamente", dispersando-se ou pennanecendo passiva diante de algumas iniciativas. Mas, será esta massa cons- tuida apenas pelos adeptos do partido? Será suficiente acompa- nhar os congressos, as votações, etc., isto é, todo o conjunto de atividades e de modos de existir através dos quais uma massa de partido manifesta a sua vontade? Evidentemente, será neces- sário levar em conta o grupo social do qual o partido é expressão e setor mais avançado. Logo, a histÓria de um ~a~do não po- derá deixar de ser a história de lJm-detet:m-iD-adô grupo S0.Q31. Mas este grupo não é isolado; tem amigos, afins, adversários,

inimigos. S6 do

estatal. (e ire üentemen e

su tar

aizer que escrever a história de um partido significa exatamente

uadro complexo de todo o. conjunto ~ocial e

. eterminado-PlU'ti o,

aIs re-

--e

a

'st6ria de um

'Bcrever a históna

eral de um

ais de um

onto de. vista

monogr ico, destacando um seu, aspecto caraclenstico.

m

24

partido terá maior ou menor significado e pcso na medida em que a sua atividade particular pese mais 011 menos na determi- nação da hist6ria de um país. Dessa forma, chegamos à conclusão de que do modo de escrever a hist6ria de-um partido resulta o conceIto que se tem

. daqUilo que é e deva .•er um partido,

O sectáno exaltariõs

pequenos fatos internos, que terão para ele um significado eso-

térico, impregnando-o de um entusiasmo místico; o historiador,

mesmo. dando a cada coisa a importância que tem no quadro geral, acentuará sobretudo a eficiência real do partido, a sua força determinante; positiva c negativa, a sua contribuição para criar um acontecimento e também para impedir que outros acontecimentos se verifiquem. O desejo de saber exatamente quando um partido se for- mou, isto é, quando assuiniu uma missão precisa e permanente, dá lugar a muitas discussões e freqüentemente gera também uma forma de baz6fil! que não é menos ridieula e perigosa do que a "baz6fia das nações", à qual Vicose refere. Na verdade ode- se dizer ue um artido 'amais se com Ie _ ti_o e que cada desenvolvimento cria novas misii.ges e en>MgOS

e

no- senbao de que, para determinados partidos, é verdadeiro

o"palad~o de ire e~essó se completam e S.e !or';llam Quando

deixam

e eXls Ir, IS o é,

uando a sua

eXIstencla se tornou

lüs Orl

e

mu.

SSlm,

como ca a

par I o nao

mais

que uma nomenclatura de classe é eVidente ue,

que se prop e anular a divisão em classes, a sua perfeição e "

ar ue 'á não existem

c asses e, portanto, a sua expressão. Mas, no caso presente, re- fenmo-nos a um momento particular deste processo dc desen- volvimento: ao momento posterior àquele em que um fato pode existir e pode não existir, no sentido de que a necessidade da

sua existência ainda não se tornou "peremptória", mas depende

em "grande parte" da existência de pessoas de extraordinário poder volitivo e de extraordinária vontade. Em que momento um partido torna-se historicamente "ne- cessário"? No momento em que as condições do seu "triunfo", da sua infalível transfonnação. em Estado estão, pelo menos, em vias. de formação e levam a prever nórmalmente o seu de- senvolvimento ulterior. Mas quando é . possível dizer, em tais condições, que um partido não pode ser destruído por meios

ara o aruoo

acabamento consIste e

-

a's

25

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••j.i.i.~.

'--------

"

norma}s! Para responder a isto é necessário desenvolver um r~cJOclm~, Para que um partido exista é obri2Atória a conflnên-

segundo elemento não existe, todo raciocínio é vazio), mesmo dispersas, os outros dois inevitavelmente devem-se formar; o primeiro, que obrigatoriamente forma o terceiro como continua- ção dele e seu meio de expressão. Para que isto ocorra é preciso que se tenha criado a con. vicção férrea de que uma determinada solução dos problemas vitais torna-se necessária. Sem esta convicção não se formará

segundo elemento, cuja destruição é mais fácil em virtude do

seu número escasso; mas é necessário que este segundo elemen-

to, se destruIdo, deixe como berança um fermento a partir do qual volte a se formar. E este fermento subsistirá melbor, e ainda melhor se formará, no primeiro e no terceiro elementos, que se homogenizam mais com o segundo. Em virtude disso,

atividade do segundo elemento para constituir este elemento

fundame!)tal. O critério para se julgar este segundo elemento deve ser procurado: 1) naquilo que realmente faz; 2) naquilo

que prepara na hipótese da sua destruição. e difícil dizer qual entre os dois fatos é o mais importante. Já que na luta deve-se sempre prever a derrota, n preparação dos próprios sucessores

um elemento tão importante quanto tudo o que se faz para

A propósito da "bazófia" do partido, pode-se dizer que

ela é pior do que a "bazófia das nações", à qual Vico se refere.

existir, e no fato

de que ela existe é sempre possível, mesmo recorrendo à boa vontade e 'solicitando os textos, achar que a existência é plena

Um \'artido, ao contrário, Jlãl1

pode existir por força própria. ]anuns devemos ignorar quc, na luta entre as nações, cada uma delas tem interesse em que, a outra se enfraqueça através das lutas internas e que os partidos são exatamente os elementos das lutas internas. Portanto, no que se refere aos partidos é sempre posslvel perguntar se oles exis- tem por força própria, como necessidade intrínseca, ou se exis-

tem apenas em virtude de interesses outros (efetivamente, nas polêmicas, este ponto jamais é esquecido; ao contrário, é moti.

vo de insistência, especialmente quando a resposta não é dúbia,

o que significa gue é levado em conta e suscita dúvidas).

claro que quem se deixasse torturar por essa dúvid~ seria um tolo. Politicamente, a questão só tem um relevo momentaneo. Na história do chamado princípio de - nacionalidade, as inter:

venções estrangeiras a favor dos partidos nacionais que pertur-

. ~. ym elemento difuso, de bomens comuns, médios,. cuj~ ela disci r "- ,
. ~. ym elemento difuso, de bomens comuns, médios,. cuj~
ela disci r
"-
,
.
ao
la ar e a tamente organ ',Lativo, Sem eles
o par-
o par-
o
que existc algo quc os centraliza, ar.
a
é
qu~, abandonadas a SI mesmas, representariam zeró ou
é
vencer,
~ verdade que, só, este
Por quê? Porque uma nação nAo pode não
de destino e de significação.
.
3. Um elemento médio, que articule o primeiro com o

cla de tres elementos fundamentais (três gOlpes de elementos)'

partlclpaçao é oferecida

~e

t~do nao eXIStina, é vcrdade; mas também é verdade que

tIdo também não existiria "somente" com eles. Eles constituem

um~ força. n~ O?edida em

ga~lza e dlsclph,na; mas na ausência dessa força eles se disper- sanam c anularIam numa poeira impotente. Não se nega que

cada UJ12desses elementos pode-se transformar numa das forças'

d~ coes~o; ma~ fala~os deles exatamente no .momento em que nao o ,sao e nao .estao eO? condições de sê-lo, e se o são é só num cuculo restnto, pohllcamente ineficiente e inconseqilente. '2 . O elemento de coes lle pRReipal, que centraliza no campo naCIonal, que torna ef!ciente e poderoso um conjunto de

forças

pou~o maIs; es!e elementu é dotado de 'uma fôrça altamente

~oesl~a ce~trahzadQra e djscjplinadora e, também, talvez por

ISto, mvenllva. (se se .entende "inventiva" em' certo sentido, se. gundo determmad~s hnhas de força, determinadas perspectivas,

e

também _determm~das pre~issas),

cle:n ento nao for~an~ o partIdo, embora servisse para formá-lo ~a!s do que o l?nmeuo elemento considerado." Fala-se de ca-, plt~e~ sem exérCIto, mas, na realidade, é mais fácil formar um ~xerc~to do que capitães. Tanto isto é verdade que um exército

J~

tenCla de . um grupo de capitães, unidos, de aCOrdo entre eles,

e~lstente é destruído se faltam os capitães, enquanto a exis.

c?m obJetIVOscomuns, não demora a formar um exército, inclu-

sive onde ele não existe.

segundo ele~:ntoJ colocando_os em contato não s6 Cifísico",

mas moral e mtelectual. Na realidade, para cada partido exis- tcm i:p~?p~rçocs definidas" entre estes elementos, e o máximo d~ eflcl~ncla é alcançado quando tais "p"'porções definidas" sao reahzadas. _ Dadas estas considerações, pode-se dizer que um partido nao pode scr destruido por meios normais quando, existindo necessana~en~e o segund~ elemento, cujo nascim~nto está liga- do à eXlstencla das condIções materiais objetivas (e, se este

26

2.

27

L

_

••••••••••••••••••••••••• •••••••••••••••••••••••

bavam a ordem interna dos Estados antagonistas são numero-

sas, tanto que quando se fala, por exemplo, da polftica "orien- tal" de Cavour, pergunta-se se se tratava de uma "política", isto é, de uma linha de ação permanente, ou de um estratage- ma momentâneo para enfraquecer a Áustria, tendo em vista

de 1870

(exemplo, o fato Barsanti) vê-se a intervenção de Bismarck que, em virtude da guerra com a França e do perigo de uma aliança !talo-francesa, pensava enfraquecer a Itália com con-

flitos internos. Também nos acontecimentos de 1914, alcuns

vêem a intervenção do Estado-Maior austríaco, preocupado ~om

a guerra que estava para vir. Como se vê, os casos são nu-

merosos, e é necessário ter idéias claras a .respeito. Admitindo-

se que, quando se faz qualquer coisa, sempre se faz o jogo de alguém, o importante é procurar de todos os modos fazer bem

o próprio jogo, isto é, vencer completamente. De qualquer for-

ma, é necessário desprezar a "bazófia" do partido e substituí-la por fatos concretos. Quem substitui os fatos concretos pela bazófia, ou faz a política da bazófia, deve ser indubitavelmente suspeito de pouca seriedade. Não é necessário acrescentar que, no que se r~fere aos partidos, é preciso evitar também a aparên- cia "justificada". de que se esteja fazendo o jogo de alguém,

especialmente se este alguém é um Estado estrangeiro; se de- pois ainda se especular sobre isso, ninguém pode evitá-lo. E difícil afirmar que um partido político (dos grupos do- minantes, e também de grupos subalternos) não exerce funções

de polícia, isto é, de tutela de uma determinada ordem política

e legal. Se isto fosse demonstrado taxativamente, a questão d~-

veria ser colocada em outros termos: sobre os modos e as dire-

ções através dos quais se exerce essa função.

pressivo ou difusivo, isto é, reacionário ou progressista? Um determinado partido exerce a sua função de polícia para con. servar uma ordem externa, exirínseca, cadeia das forças vivas da História, ou a exerce num sentido que tende a levar o povo

a um novo nível de civilização, da qual a ordem política e legal

é uma expressão programática? Efetivamente, uma lei en. contra quem a infringe: 1) entre os elementos sociais reacio- nários que a lei destronou; 2) entre os elementos progressistas

que a lei comprime; 3) entre os elementos que não alcançaram

o nível de civilização que a lei pode representar, Portanto, a

função de polícia de um partido pode ser progressL.ta ou rea.

1859 e 1866. Assij11, nos movimentos mazinianos

O sentido é re-

28

cionária: progressista quando tende a manter na órbita da lega-

lidade as forças reacionárias

nível da nova legalidade as massas atrasadas. E reacionária quando tende a comprimir as forças vivas da História e a man- i ter uma legalidade ultrapassada, anti-histórica, tomada extrín- , seca. De resto, o funcionamento de um determinado partido fornece critérios discriminantes: quando o partido é progressista funciona "democraticamente" (no sentido de um centralismo democrático); quando o partido é reacionário funciona "buro- craticamente" (no sentido de um centralismo burocrático). No segundo caso, o partido é pUTOexecutor, não deliberante: então é tecnicamente um órgão de polícia, e o seu nome de "partido político" é uma pura metáfora de caráter mitológico.

alijadas do poder e a elevar ao

Industriais e agricultores. Têm os grandes industriais um

partido político permanente próprio? Na minha opinião, a res-

industriais utilizam alter-

posta deve ser negativa. 0urandes

nadamente todos os artidos extstentes, mas n o te UL.p.ar- ti o pr . Oli
nadamente todos os
artidos extstentes, mas n o te
UL.p.ar-
ti o pr
.
Oli a o ticos : o seu interesse é um e uilíbrio determinado,
a me e refor ando com os seus meios, alterna-
no .
ar isso eles não
ao
lutamente "a
s"
damente, este ou agude parll o
o a u el
po t lCO
exce-
ção, entenda-se, do (mico parlldo antagonIsta, CUIa reforça menta

não pode ser ajudado nem mesmo por manobra tática). En- tretanto, se é verdade que isto ocorre na vida "normal", nos casos extremos, que afinal são aqueles que contam (como a guerra na vida nacional), o partido dos industriais é o mesmo dos agricultores, os quais, ao contrário, têm um partido perma- nente. Poue-se exemplificar esta nota com a Inglaterra, onde O Partido Conservador absorveu o Partido Liberal, tradicional- mente considerado como o partido dos industriais.

A situação inglesa, com as suas grandes Trade Unions, explica éste fato. Na Inglaterra não existe formalmente um partido adversário dos industriais em grande estilo, é certo; mas existem as organizações operárias de massas, e viu-se como elas, nos momentos decisivos, transformaram-se constitucionalmente de baixo para cima, rompendo o invólucro burocrático (exem- plos, em 1919 e 1926). Além do mais, existem estreitos inte- resses permanentes entre agricultores e industriais (especialmen-

29

I •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

le agora que o protecionismo se tornou geral, agrícola e Indus- trial); e é inegável que os agricultores são "politicamente" muito melhor organizados do que os industriais, atraem mais. os intelectuais, são mais "permanentes" nas suas diretrizes, etc. A sorte dos partidos "industriais" tradicionais, como o "liberal- radical" inglês e o radical francês (que sempre se diferenciou muito do primeiro), é interessante (da mesma forma que o "radical iialiano'~, de boa memória). O que representavam eles? Um conjunto de classes, grandes e pequenas, e não apenas uma classe, Daí surgirem e desaparecerem freqUentemente. A massa de "manobra" era fornecida pela classe menor, que sem- pre se manteve em condições diversas no conjunto, até trans- formar-se completamente. Hoje ela fornece a massa aos "par- tidos demagógicos", o que se compreende. Em geral, pode-se dizer que, nesta história dos partidos, a comparação entre os vários países é das mais instrutivas e de- cisivas para se localizar a origem das causas de transformação. O que vale também para as polêmicas entre os partidos. dos países "tradicionais", onde estão representados "retalhos" de todo o "catálogo" histórico. Eis um critério primordial de julgamento tanto para as concepções do mundo, como, e especialmente, para as atitudes práticas: a concepção do mundo ou o ato prático pode ser.

concebido "isolado", ."independente" e assumindo toda a res~

ponsabilidade da vida coletiva; ou isto é impossível, e a con- cepção do mundo ou o ato prático pode ser concebido como

"integração", aperfeiçoamento, contrapeso, etc., de outra con

cepção do mundo ou atitude prática. Refletindo-se, percebe-se que este critério é decisivo para um julgamento ideal sobre os impulsos ideais e os impulsos práticos; percebe-se também que

seu alcance prático não é pequeno.

Uma das criações mais comuns é aquela que acredita ser "natural" que tudo O que existe deve existir, não pode deixar

de existir, e que as próprias tentativas ,de reforma. por pior que

andem, não interromperão a vida; as forças tradicionais pros- seguirão atuando, e a vida continuará. e claro que neste modo

dc pensar há algo de justo; e ai se não fosse' assim! Entretanto,

a partir de um determinado limite, este mbdo de pensar toma-

se perigoso (certos casos da polftiea do pior) e, de qualquer

modo, como se disse, subsiste o critério de julgamento filosó- fico, político e histórico, Na realidade, se se observa a fundQ~

30

determinados movim tos c

margmais: pressupõem um movimento princtpa no qua se in-

serem para reformar determmados males, pretensos ou verda- deiros; ISto é, sao mOVImentos puramente refQmlI~S.

Este princípio tem importância política porque a verdade \ teórica de que cada classe possui apenas um partido é demons- trada, nos momentos decisivos, pela união em bloco de agrupa- mentos diversos que se apresentavam como partidos "indepen- dentes". A multiplicidade existente antes era apenas de caráter

si mesmos a enas com~~'uis-J

':!.

"reformista", referia-se a que~tões parçiais. Em

('erto sentido,

era uma divisão do trabalho político (úlil nos seus limites), mas uma parte pressupunha a outra, tanto que nos momentos decisivos, quando as questões principais foram colocadas em jogo, formou-se a unidade, criou-se o bloco. Daí a conclusão de que, na construção do partido, é necessário se basear num caráter "monolítico", e não em questões.secundárias: daí.a ne- cessidade de se prestar atenção à existência de homogeneidade entre dirigentes e dirigidos, entre chefes e massa. Se, nos mo- mentos decisivos, os chefes passam ao seu "verdadeiro partido", as massas ficam desamparadas, inertes e sem eficácia. Pode-se dizer que nenhum movimento real adquire consciênc' a totalidade de um e, or ex e t ncia sucessiva' isto

é, quando perce e através dos fatos que nada

próprio é natural (no sentido extravagante da palavra), mas existe porque surgem determinadas condições cujo desapareci- mento não permanece sem conseqüências. Assim, o movimento se aperfeiçoa, perde os elementos de arbitrariedade, de. "sim- biose" e torna-se verdadeiramente independente na medida em que, para obter determinadas conseqiiências. cria as premissa, necessárias. Mais ainda, empenha todas as suas forças na cria, ção dessas premissas.

do que lhe é

Alguns aspectos teóricos e práticos do "economismo".

Economismo - movime.nto teórico pela livre troca - sindica- lismo teórico. Deve-se ver em que meaida o sindicalismo te6- rico se originou da teoria da praxis e em que medida derivou das doutrinas econômicas da livre troca, do liberalismo. Por . isso .é necessário ver se o economismo, na sua forma mais acaba- da, não passa de uma filiação direta do liberalismo, tendo mlm- tido, inclusive na sua origem, bem poucas relações com a filo-

31

,;~~

•••••••••••••••••••••••

.Â.- #W-et.adJ.- WtJ-r.£

sofia da praxis; relações de qualquer modo apenas extrínsecas

e puramente verbais. ' A partir deste ponto de vista é que se deve encarar a po- lêmica Einaudi-Croce,' sugerida pelo novo prefácio (1917) ao livro sobre o Materialismo S/orico. A exigência, projetada por Einaudi, de levar em conta a literatura de hist6ria econômica suscitada pela economia clássica inglesa, pode ser satisfeita neste sentido: tal literatura, através de uma contaminação superfi- cial com a filosofia da praxis, originou o economismo; .por isso, quando Einaudi critica' (na verdade, de modo impreciso) algu- mas degenerações economistas, não faz mais do que atirar pe- dras num pombal. O nexo entre ideologias da livre troca e sin-

te6rico é especialmente evidente na Itália, onde é co-

dicalismo

nhecida a admiração devotada a Pareto por sindicalistas como Lanzillo e C. Entretanto, o significado destas duas tendências é bastante diverso: o primeiro é pr6prio de um grupo social dominante e dirigente; o segundo, de um grupo ainda subal- terno, que não adquiriu consciência da sua força e das suas possibilidades e. modos de se desenvolver e por isso não sabe

superar a fase de primitivismo. r.

.•.- A formulação do movinlento da livre trocall2aseia-se num ~

erro te6rico do qual não é difícil identificar a origem prática:

a

distmçao métodica sc transforma e é apresentada como StlO-

sao organica. ASSim, anrma-se

o entre

" dade'

.

a

sociedade civil,' ue de

que a atividade econômica é

própna da sociedade civil e que o Estado não deve íntervir na sua regulamentação. Mas, como na realidade fatual sociedade .J -civil e Estado se identificam, deve-se eonsldérãt que também '1\ ó liberalismo é uma "regulamentação" de caráter estatal, intro- duzida e mantida por caminhos legislativos e coercitivos: é um fato de vontade consciente dos pr6prios fins, e não a expressão espontânea, automática, do fato econômico. Portanto, o libe- ralismo é um programa político, destinado a modificar, quando triunfa, os dirigentes de um Estado e o programa econômico do

pr6prio Estado; isto é, a modificar a distribuição da renda na- cional. tl diferente o caso do sindicalismo te6rico, quando se re- fere a um grupo subalterno. Através desta teoria de é inlpedido de se tornar dominante, de se desenvolver além da fase econô-

, Cf. a Riforma Sociale, julho-agosto 1918, pág. 415. (N .e.1.)

míco-corporativa para alcançar a fase de hegemonia ético-polí- tica na sociedade civil e dominante no Estado. No que se refere ao liberalismo, há o caso de uma fração do grupo dirigente que pretende modificar não a estrutura do Estado, mas apenas a orientação governamental; que pretende reformar a legislação comercial e s6 indiretamente a industrial (pois é inegável que o protecionismo, especialmente nos países de mercado pobre e

restrito, límita a liberdade de iniciativa industrial e favorece o surgimento -de' monop6lios): trata-se de rotação dos partidos dirigentes no governo, não de fundação e organização de uma nova sociedade civil. A questão apresenta-se Com maior com- plexidade no movimento do sindicalismo teórico; é inegável que nele a independência e a autonomia do grupo subalterno que diz exprimir são sacrificadas à hegemonia intelectual do grupo dominante, pois o sindicalismo te6rico não passa de um aspecto do liberalismo, justificado com algumas afirmações mutiladas,

e por isso banalizadas da filosofia da praxis. Por que e COmose

verifica este "sacrifício"? Exclui-se a transformação do grupo

subordinado em dominante, seja porque o problema nem ao menos é formulado (fabianismo, De Man, parte notável do laborismo), ou porque é apresentado sob formas incoerentes e ineficazes (tendências social-democratas em geral) ou porque defende-se o salto imediato do regime dos grupos ao regime da perfeita igualdade e da economia sindical. E pelo menos estranha a atitude do economismo em re-

lação às expressões de vontade, de ação e de iniciativa política

e intelectual, como se estas não fossem uma emanação orgânica

de necessidades econômicas e, mais, a única expressão eficiente da economia; assim, é incoerente que a formulação concreta da questão hegemônica seja interpretada como um fato que subor- dina o grupo licgemônico. o fato da hegemonia pressupõe indu- bitavelmente que se deve levar em conta os interesses e as tendências dos grupos sobre os quais a hegemonia será exercida; que se forme certo equilfurio de compromisso, isto é, que o .grupo dirigente faça sacrifícios de ordem econômico-corpora- tiva. Mas também é indubitável que os sacrifícios e o compro-

se relacionam com o essencial, pois se a hegemonia

misso não

é ético-política também é econômica; não pode deixar de se fundamentar na função decisiva que o grupo dirigente exerce no núcleo decisivo da atividade econômica.

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

o c'conomismo apresenta-se sob muitas outras formas, além do liberalismo c do sindicalismo teórico. Pertencem a ele todas as formas de a~stencionismo eleitoral (~xemplo tfpieo é o abs- tencionismo dos cleneals italianos depois de 1870, que foi

atenuando-se a partir de 1900, até 1919 e à formaçAo do Parti- do Popular. A distinção orgânica que os clericais faziam entre

Itália real e Itália legal era uma reprodução

entre

muitas desde que se admita o semi-abstencionismo, um quarto,

etc. Ao abstencionismo está li ada a órmula do "uanto

melhor c tam

lamentar de algumas trllÇOes de deputados. Nem sempre o economlsmo e eontrAno à ação polftiea e ao partido. polftico, considerado porém um mero organismo educador de tipo sinai.

cal. Ponto de referência para o estudo do eeonomismo e para

compreender as relaeõ~ ;~estrutura

trecho da \Miséria da iUosOiía onde se afirma que um.a fase

importante no desenvolvimento de um grupo social é aquela em que os membros de um sindicato não lutam só pelos seus inte- resses econÔmicos, mas na defesa e pelo desenvolvimento da

própria organização.' Deve-se recordar também a afirmacão de.

Engels de que a economIa só em Ulbma anal

iam

prerácio à Crítica da Economia

mundo econÔmico no terreno das ideologias.

I

Ver n afirmação

exata; a Misdrla

da formação

da filosofia

da

essencial

da como o desenvolvJmento das Tesos subre Fetlerbach, enquanto a

Sa/{rada Famflía é uma fase intennediária

sional, como dão a entender os trechos dedicados

cialmente ao materialismo francês. O trecho sobre o materialismo mn.

uma elaboração te{).

ricil, como (> ~erolmentc Interpretadoi e como história da cultura IJ ndl1lirável. Recordar a observação que n critica contida na Mlsdrla da

Filosofia contra Proudhon e a sua Interpretação da dialética he~ellana

pode ser válida para Giobertl

CI!S é mais um capítulo de história da cultura que

e paro o he,e:elhmtsmo dos liberais mo-

Em várias ocasiões afirmou-se nestas notas' que a filosofia da praxis está m'uito mais difundida do que se pensa. A afir- mação é exata desde que se entenda como difundido o econo- mismo histórico, que é como o Prof. Loria denomina agora as suas concepções mais ou menos desconjuntadas, e que, portanto, o ambiente cultural modificou-se completamente desde o tempo , em que a filosofia da praxis iniciou.a sua luta; poder-se-ia qizcr, com terminologia crociana, que 'a maior heresia surgida no seio da "religião da liberdade" sofreu, também ela, como a religião ortodoxa, uma degeneração.' Difundiu-se como "superstição", isto é, entrou em combinação com o liberalismo e produziu o eeonomismo. Embora a religião ortodoxa tenha se estiolado de- finitivamente, é preciso ver se a superstição herética não ni~nteve sempre um fermento que a fará renascer como religião superior, se as escórias de superstição nao serão facilmente liquida~ tl"'/ Á. 0<-""-

<><-O

da distinção mundo econÔmico e mundo polftico-Iegal), que são , m . rmula da chamada
da distinção
mundo econÔmico e mundo polftico-Iegal), que são
,
m
.
rmula da chamada "intranslg neia" par-
e superestruturas
é o
na busca dos nexos históricos não se õlstingue
a
li
suas
m em Ita lano
cartas sobre a ilosofia da
raxis
ublieadas
a
ua se Iga
Iretamente ao trecho do
O ,tlca, on C se
IZ ue os
I c se vert lcam no

FllosofUz é um momento

da praxisi

pode

ser considera-

indistinta e de origem oca-

a Proudhon e espe-

Alguns pontos caracterlsticos do e",-onomismo histórieQ; 1)

aqUIlo que é

"relativamente permanente" daquilo que é flutuação ocasional; entende-se como fato econÔmico o interesse pessoal oU de um pequeno grupo, num sentido imediato e "sordidamente judaico". Nao se leva em conta as formações de classe econÔmica, com todas as relações inerentes a elas, mas assume-se o interesse mes- quinho e usurário, especialmente quando coincide com formas delituosas contempladas nos códigos criminais; 2) a doutrina segundo a qual o desenvolvimento econÔmico é reduzido à su- cessão de modificações técnicas nos instrumentos de trabalho. O Prof. Loria fez uma exposição brilhantissima desta doutrina aplicada no artigo sobre a influência social do aeroplano, ~u- blicado na Rassegno Contemporanea de 1912; 3) a ,doutnna segundo a qual o desenvolvimento econÔmico e histórico depen- cJe ime'dlatamente das' mudanças n\lm determinado elemento importante da produção, da descooerta de uma nova matéria- prima, de um novo combustlvel, etc., que trazem consigo a aplicação de novos métodos na construção e no acionamento das máquinas. Ultimamente apareceu toda uma literatura sobre o petróleo: pode-se considerar como tlpico um artigo de Antonio

(\crndos italianos em ~crnl:. O paralelo Proudhon.Cfoberti, nlio obstante des representarem fase hist6rico-poHticas não homogêneas. mas exata.

mente por isto, pode ser interessante e fecundo.

1 Vela-s. CI\AMSct,

11 materialismo $Wrú:o e la f/wlJOf/a di B. Cracc

( ed. brasil.lra, A Conccpç6o Dlolélic<l da Histório, trnd. de Carlos

Nelson Coutlnho, Ed. Clvll1zaçlio Brasileira, 1966. N. do T.)

34

35

••••••••••••••••••••••••• •••••••••••••••••••••••

Laviosa publicado na Nuova Antologia de 16 de maio de 1929.

A descoberta de novos combustíveis e de novas energias mO-

trizes, assim como de novas matérias-primas, tem certamente grande importância porque pode modificar a posição dos Es-

lados, mas não determina o movimento histórico, etc. Muitas vezes acontece que se combate o economismo his~

tórico pensando combater o materialismo histórico. Por exem- )

pio, é este o caso de um artigo do A venir de Paris, de

outubro de 1930 (transcrito na Rassegna Setlimanale della Stampa Estera, de 21 de outubro de 1930, págs. 2303-2304), que transcrevemos como típico: "Dizemos há muito tempo, mas

sobretlllio de.pois do guerra, que aS"questões de interesse domi-

nam os povos e fazem o mundo avançar. Foram os marxistas

que inventaram esta tese, sob o apelativo um pouco doutrinário de "materialismo histórico". No marxismo puro, os homens tomados em conjunto não obedecem às paixões, mas às neces- sidades econômicas. A política é uma paixão. A pátria é uma paixão. Estas duas idéias exigentes s6 des<:mpenham na Hist6-

ria uma função de aparência, porque na realidade a vida dos

povos, no curso dos séculos, é explicada através de um jogo cambiante e sempre renovado de causas de ordem material.

A economia é tudo. Muitos filósofos e economistas "burgueses"

10 de

retomaram este estribilho. Eles assumem certo ar para explicar-

nos através do curso do trigo, do petróleo ou da borracha, a grande política internacional. Esmeram-se em demonstrar-nos que toda a diplomacia é comandada por questões de tarifas alfandegárias e de preços de custo. Estas explicações estão muito na moda. Têm uma pequena aparência científica e pro- cedem de uma espécie de ceticismo superior com pretensões a passar por uma elegância suprema. A paixão em política ex-

terna? O sentimento em questões nacionais?

Qual o quê? Esta

mercadoria é boa para a gente comum. Os grandes espíritos,

os iniciados sabem que tudo é dominado pelo dar e pelo receber .• Ora, esta é uma pseudoverdade absoluta. £ completamente falso que os povos s6 se deixam guiar por considerações de interesse e é completamente verdadeiro que eles obedecem sobretudo a considerações ditadas por um desejo e por uma fé ardente de prestígio. Quem não compreende isto não compreende nada."

A continuação do artigo (intitulado La mania dei prestigio)

exemplifica. com a política alemã e italiana, que seria de "pres- tígio"; e não ditada por interesses materiais. O artigo engloba,

36

em poucas linhas, uma grande parte dos elementos mais banais de polêmica contra a filosofia da praxis,. mas, na realidade, a polêmica é contra o economismo desconjuntado de tipo loriano. Além do mais, o escritor não é muito entendido na matéria, inclusive por outros aspectos: ele não compreende que as "pai- xões" podem ser simplesmente um sinônimo dos interesses eco- nômicos e que é difícil sustentar que a atividade política possa ser um estado permanente de exasperação e de espasmo; exata- mente a política francesa é apresentada como de uma "racio- nalidade" sistemática e eoerente, isto é, depurada .de todos os elementos passionais, etc.

Na sua forma mais difundida de superstição economista, ." a filosofia da praxis perde uma grande parte da sua expansivi- J dade cultural na esfera superior do grupo intelectual, tanto quanto adquire entre as massas populares e entre os intelectuais medianos, que não pretendem cansar o cérebro, ma~ pretendem parecer sabidíssimos, etc. Como disse Engels, é comodo para muitos acreditar que podem ter a baixo preço e sem nenhum esforço, ao alcance da mão, toda a História e todo. o saber

político e filos6fico concentrados em algumas formulazmh

ignorância de que a tese segundo a. qual o omcns

consciência dos conflitos fundamentaIs no terreno das Ideologias não é de caráter psicol6gico ou moralista, mas tem um caráter orgânico gnosio16gico, criou a forma mentis de considerar a po-

lítica e,

dupes, um jogo de ilusionismos e de preslJdlgltaç~o. A .atiVI- dade "crítica" reduziu-se a revelar truques, a SUSCItar escanda-

A

.adqulf(;m

portanto, a História, como um c.o~t~nuo_marché . de

los, a tratar das miudezas dos homens representativos.

Olvidou-se assim que, sendo ou presumindo ser, também O "economismo" um cânone objetivo de interpretação (objetivo- científico) a pesquisa no sentido dos interesses imediatos de- veria ser ~álida para toclos os aspectos da Hist6ria, tanto para os homens que representam a "tese" como para aqueles que representam a "antítese". Ignorou-se ainda outra proposição da filosofia da praxis: aquela segundo a qual as "crenças popula- res" ou as crenças do tipo das crenças populares têm a validade

. das forças materiais. Os erros de interpretação no sentido das

é

,=",", '(5

I pesquisas dos interesses "sordidamente judaicos" foram algumas

vezes grosseiros e cômicos, de modo a reagir negativamente sobre

, ,.,U', d. doo."" ";,, •• 1. ,,,",,

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

\,~

?jl oo

'

Iecon~mismo não s6 ~a teoria da historiografia, mas também

especIalmente na teona e na prática políticas. Neste. campo,

e

a luta ode e deve ser conduzida desenvolvendo ~ onceito de

ma orma como OI conduzida praticamente
ma orma como OI conduzida praticamente

~emonia a

no ~esenvolvlmento da teoria do partido político e no desen- volvlmt>nto ráhcõ da vIda de determinado

. cos (a uta contra a teona a c amada revolução permanente, à qual se contrapunha o conceito de ditadura democrático-revolu- c.io~ária, a importância que teve o apoio dado às ideologias cons- tlt~I~:es, et~). Poder-s~-ia realizar uma pesquisa sobre as opmlOes emItidas à medIda que se desenvolviam determinados

movimentos políticos, tomando como tipo o movimento boulan-

gista (de 1886 a 1890), o processo Dreyfus, ou então o golpe

análise do livro clássico

sobre o 2 de dezembro,' para estudar a importância relativa do fator econ~~ico i~e~iato e. o lugar que ocupa O estudo con- creto das IdeologJas). DIante destes acontecimentos, o eco- nomlsmo se pergunta: a quem interessa imediatamente a inicia- tiva em questão?, e responde com um racioc!nio tão simplista quanto paralogístico. Favorece de imediato a Uma determinada fração do grupo dominante, e, para não errar, esta escolha recai sobr~ aquela fração que evidentemente tem uma função pro- gresSISta e de controle sobre o conjunto das forças econÔmicas. Pode-s.e estar seguro de não errar, porque necessarIamente, se o movlll~ento analisado chegar ao poder, cedo ou tarde a fração progressista do grupo dominante acabará controlando o novo governo e o transformará num instrumento para utilizar o apa- relho estatal em seu benefício.

~rata-se,_ portanto, .d.e uma in.falibilidade muito grosseira que nao s6 nao tem slgmflcado te6nco, mas possui escassfssimo

a~cance pOl.ítico e eficácia prática. No geral, s6 produz prega-

de Estado de 2 de dezembro (uma

çoes morahstas e contendas pessoais intermináveis. Quando se verifica um movimento boulangista, a' análise deveria ser con. duzlda reabsticamente segundo esta linha: I) conteúdo social Ú da massa que adere. ~o .movimento; 2) que papel desempenhava esta massa no equJllbno de forças, que vai-se transformando como o novo movimento demonstra através do seu nascimento?

1 o Dezoito Brumário de Luis Bonaparte de Marx (edição brásileira

Editorial Vitória, 1961 - Marx e EnO'cls Obras Escolhidas 10 volume'

(N.doT.)

"'

".

38

3) qual o significado poIítico e social das reivindicações que os dirigentes apresentam e que logo encontram apoio? a que exi- gências efetivas correspondem? 4) exame da conformidade dos meios ao fim proposto; 5) s6 em última auálise, e apresentada sob forma política e não moralista, desenha-se a hipótese de que tal movimento necessariamente será desnaturado e servirá

a outros fins que não aqueles que as multidões de seguidores

esperam. Ao contrário, esta hip6tese é afirmada preventiva-

mente, quando nenhum elemento concreto (que se apresente

como tal através da evidência do senso comum,

e não graças

a

uma análise "científica" esotérica) existe ainda para sufragá-

la,

de modo que ela se manifesta como uma acusação moralista

de dubiedade e má-fé, ou de falta de sagacidade, d. estupidez (para os seguidores). A luta política transforma-se, assim, numa série de choques pessoais entre os espertalhões, que guar- dam o diabo na ampola, e os que não são levados a sério pelos

pr6prios dirigentes e recusam-se a se convencér em virtude da sua tolice. Além do mais, enquanto estes movimentos não

alGançarem o poder, pode-se sempre pensar que falirão, e alguns efetivamente faliram (o pr6prio boulangismo, que faliu como tal e posteriormente foi esmagado pelo movimento dreyfusard;

o movimento de George Valois e o movimento do general

Gayda); logo, a pesquisa orienta-se no sentido da identificação

dos elementos de força, mas também dos elementos de fraqueza que eles contêm no seu interior: a hip6tese "economista" afirma um elemento imediato de força; isto é, a disponibilidade de um~ determinada quota financeira direta ou indireta (um grande jornal que ap6ie o movimento, é também de uma contribuição financeira indireta), e basta. Muito pouco. Também neste caso

a a 'se diversos aus de relação de for as s6 de culmi-

nar na esfera da hegemoma e as re a ões tleo-po ticas.

m e emen o que eve ser acrescenta O como exemplifi

cação das teorias chamadas de intransigência é aquole referente

à rígida aversão de princípio aos .chamados compromissos, que

têm como manifestação subordinada aquela que pode ser inti. tulada . o "medo dos perigos". ];: evidente que a aversão de princípio aos compromissos e~tá. estreitamente vinculada ao eco- nomismo. Quanto à concepção sobre a qual se baseia esta aversão, ela reside indubitavelmente na convicção férrea de que existem leis objetivas para o desenvolvimento hist6rico, com o

mesmo caráter das leis naturais, acrescentada da persuasão de

39

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

j

i

f

um finalismo fatalista semelhante ao fatalismo religioso. Já que as condições favoráveis fatalmente surgirão e, determinarão, de modo um tanto misterioso, acontecimentos revigorantes, não só se revelará inútil, mas danosa, qualquer iniciativa voluntária tendente a predispor estas situações segundo um plano. Ao lado destas convicções fatalistas manifesta-se a tendência a con- fiar "em seguida", cegamente e sem qualquer critério, na vir- tude reguladora das armas, o que não deixa de ter certa lógica

e coerência, pois acredita-se que a intervenção da vontade é

útil para a destruição, não para a reconstrução (já em processo

no exato momento da destruição). A destruição é concebida mecanicamente, não como destruição-reconstrução.

Nestas maneiras de pensar não se leva em cnnta Q fator

"tempo" e, em última análise. a própria "economia" DO sentjdo de não se compreender que os movimentos ideol6&jcQs de mas-

sa estao sempre atrasados em re

ecos econÔmi_

cos e massa e e que, portanto, em determinados momentos, impulso automático dévt<lo ao fator éeofiOIhico é ãfrouxado,

r e ementos 1 e _

ló icos tra IClOnais; e que po ISSO eve haver uta consciente

as exigências da

posição econômica de massa que pode estar em contradição com as diretivas dos chefes tradicionais. Uma iniciativa política apro- priada é sempre necessária para libertar o impulso econômico dos entraves da política tradicional, para modificar a direção política de determinadas forças que devem ser absorvidas para criar um bloco histórico econômico-político novo, homogêneo, sem contradições internas. Já que duas forças "semelhantes" só podem fundir-se num organismo novo através de uma série de compromissos ou pela força das armas, unindo-se num plano

de, ~ liança, ou subordinando uma a outra pelo coerção, a ques~

tão é saber se existe esta força e se é "proveitoso" empregá-la.

Se a união de

ceira, o recurso às armas e à coerção (desde que haja disponi- bilidade) é uma pura hipótese de método, e a única possibili-

dade concreta é o compromisso, já que a força pode

pregada contra os inimigos, não contra uma parte de si mesmos, que Se quer assimilar rapidamente c do qual se requer o entu- siasmo e a "boa vontade".

t va o ou a e es rUI

momen a

e determma a a 1m e que se "compreenda"

duas forças é necessária para derrotar uma ter-

ser em-

40

"

"

~

.,

Previsão e perspectiva. Outro ponto a ser fixado e desen-

volvido é o da "dupla perspectiva" na ação política e na vida

, estatal. Vários são os graus através dos quais pode-se apresen-

tah

plexos. Mas eles podem-se reduzir teoricamente ª dois gra"s

dupla perspectiva, dos mais elementares aos mais com-

fundamentais,

correspondentes à nafureza dúplice do Centauro

I

maqUIavélico, ferina e humana: da força e do consentimento, da

\

autoridade e da' hegemonia, da Via nCla e

, do

)

m

I ua e

o momento universal (da "Igreja" e do

 

"Bstado"),

da agitação e da propaganda, da tática e da estra-

tégia, etc. Alguns reduziram a teoria da "dupla perspectiva" a

uma. coisa mesquinha e banal, a nada mais que duas formas de.

"imediatismo" a se sucederem mecanicamente no tempo com

maior ou menor "proximidade". Ao contrário, pode ocorrer que quanto mais a primeira '''perspectiva'' é "imediatfssima",

elementar/ssima, tanto mais a segunda deve ser "distante" (não no tempo, mas, como relação dialética), complexa, elevada. Assim como na vida humana, em que quanto mais um indivíduo

é obrigado a defender a própria existência física imediata, tanto

mais se coloca ao lado e defende o ponto

de vista de todos os

complexos e mais elevados valores da civilização e da humani- dade.

verdade que prever significa apenas ver bem o presente

e

o passado como movimento: ver bem, isto é, identificar com

exatidão os elementos fundamentais e permanentes do processo. Mas é' absurdo pensar numa previsão puramente "objetiva". Quem prevê, na re~lidade tem um "programa" que quer ver triunfar, e a previsão é exatamente um elemento de tal triunfo. Isto não significa que a previsão deve ser sempre arbitrária e gratuita ou puramente tendenciosa. Ao contrário, pode-sc dizer

\

que só na medida em que o aspecto objetivo da previsão está ligado a um programa, esse aspecto adquire objetividade: I)

 

.

porque só a paixão aguça o intelecto e colabora para a intuição mais clara; 2) porque sendo a realidade o resultado de uma aplicação da vontade humana à sociedade das coisaS (do maqui- nista à máquina), prescindir de todo elemento voluntário, ou calcular apenas a intervenção de vontades outras como ele- mento objetivo do jogo geral mutila a própria realidade. Só quem deseja fortemente identifica os elementos necessários à realização da sua vontade.

\

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

. ~s~im, constit.ui um erro de fatuidade grosseira.e de su- perficIalIdade . consIderar que uma determinada concepção do

mundo ~ da vIda guarda em si mesma uma superior capacidade d.e previsão. claro que uma concepção do mundo está implí- cIta em q,ualquer previs~o; portanto, o fato de que ela seja uma desconexao ?: ato~ arbltrári~s do pe~same"to ou uma rigorosa

e coerente v!sao nao. é sem ImportâncIa. Mas, por isso mesmo,

ela s6 . a~qU1r~.essa Importância no cérebro vivo de quem faz

a prevlsao! vlVlficando-a com a sua vontade forte. Isto pode

ser percebIdo através das previsões feitas pelos "desapaixona- dos": ~Ias est~o ple~as de "ociosidade", de minúcias sutis, de

j

I

ser enten<lido em sentido moralista

sim, a questão não deve .

. nes es termos, é mais eomplexa: trata-se de eon-

siderar se o "dever ser" é um ato arbitrário ou necessário, é. vontade concreta, ou 'veleidade, desejo, sonho. O . e

ação é um criador, um suseitador'

as não eria

azlO

I o

seus dese'os

ada nem I - e~

a re

e

atu

r . Mas, O que

. esta

e realidade fatual?

vez algo de est tico e imóvel, ou não é antes uma relação de forças em continuo movimento e mudança de equilfbrio? Apli- car a vontade à criação de um novo equilfbrio das for~s real-

mente existentes e atuantes, baseando-se numa determinada

elegânCIas CODJcturnlS. Só Q cxistencio no uprcvisor" de Um programa a ser realizado faz com
elegânCIas CODJcturnlS. Só Q cxistencio
no uprcvisor" de Um
programa a ser realizado faz com que ele atenha-se ao essencial
a?~ ~lementos q~e, sendo "organizáveis", suscetíveis de sere~
dmgldos. ou desvIados, são os únicos que, na realidadc, podem
ser prev!stos. Geral.mente se acre<lita que cada ato de previsão
p~essupoe a determmação de leis de regularidade do tipo das
lel~ que regula":, as ciências naturais. Mas como estas leis não
eXIstem no senlido absoluto ou mecânico que se supõe, não se
levam em cont~. as vontades outras e não se "prevê" a sua aplica-
ção. ~go, edlÍlca-sc sobre uma hipótese arbitrária e não sobre
'
força que se considera progressista, fortalecendo-a para levá-la
ao. triunfo, é sempre mover-se no terr.eno da realidade falual,
mas para dominá-Ia e superá-la
(ou contribuir para
isso).
\
Portanto o"
er 5"
con
'.
terpretação' re sta e
s OOCIS
, 'ca in- )
a1idade, é história em açao
e
IDõSófia em açao, e unlcamefite poutica.
". epesição Sawüatola-MaqUlaveJ não é a oposição entre
ser e dever ser (todo o parágrafo de Russo sobre este ponto
é
puro beletrismo), más entre dois "dever ser": o abstrato e
a
realidade.
O "excessiv "
nto su
ficial e mecânico)
Iismo
[
o eva muitas vezes à afirmaçao
e
ue o
orne
e
s
evc
ar no
mito.
a fea I a e atual"
não se
essar com o "de.ver ser I mas
la
a
em .0 tamanho do seu nariz
Este erro levou Paolo
Treves
.conslderar Guicciardini, e não Maquiavel, O "verdadeiro po-
htlco" .
~
M~is do qu~ entre Cldiplomata" e upnlít.ico ' \ é necessário
dlstIngu,r entre CIentista da olftica e polllico prático. O diplo-
mata na~ !Xl e
elxar
e se mover 5
na rea I ade fatual, pois
a
sua atIVIdade específica não é a de criar novos equilfbrios
obscuro de Savonarola e o realista de Maquia¥el, realismo, mes-
mo não tendo se tomado realidade imediata, pois não se pode
pretender que um indivfduo ou um livro modifiquem a reali-
dade; eles só a .interpretam e indicam a linha posslve! da ação.
O limite e a estreiteza de Maquiave! consistem apenas no fato
de ter sido ele uma "pessoa privada", um escritor, e não o
chefe de um Estado ou de' um exército, que também é apenas
uma pessoa, mas tendo à sua <lisposição as forças de. um EstA-
do ou de um exército, e não somente exércitos de palavras.
Nem por isso se pode dizer que Maquiavel tenha sido um
"profeta desarmado": seria um gracejo muito barato. Maquia 0
ve! jamais diz que pensa ou sc propõe ele mesmo a mudar a
.realidade; O que faz é mostrar concretamente como deveriam
atuar' as forças históricas para se tomarem eficientes.
mas A ~'; conse,:,ar dentro de determinados quadros jurídico;
um eqUlhbno ex,stente:. Assim, também Q Cientista deve mo-
ver-se. a ena~ na realIdade fatual como mero CIentista. Mas
lI,1aqu!avel nao .é _um mero cienlista; e e um ornem (le parti-
c'paçao,. de P3lxoes p~derosas, um 110lftico prático. que pre-
tende CrIar novas relaçoes de força e
ue por isso mesmo não
Andlises das situações. Relações de força. O estuuo sobre
po c
clxar
e se ocupar com o "deyer ser", que nao
eve
,
como se deve analisar as "situações", isto é, de como se r::em
u
')
42

•••• ••••••••••••••••••••

.

•••••••••••••••••••••••

;

estabelecer os djversos graus de re1açãe de forças, pode-se pres-

a rev~luçãO italiana tecnicamente impossfvell). A partir desta f:lr a uma exposição elementar sobre ciência
a
rev~luçãO italiana tecnicamente impossfvell). A partir
desta
f:lr a uma exposição elementar sobre ciência e arte políticas,
ti
entendidas como um con'
a ticu ares úteis
'99.,
e
pe a realidade fatual e sus .
ara
des ertar o interess~
s
série de fatos, pode-se chegar à con,:lusão ~e ~ue, fre.quente-
mente o chamado "partido estrangeiro" nao e propnamente
aquel~ que vulgarmente é apontado como tal,. mas exatamente
, artido nacionalista, qne, na realidade, mais do
ue re ,.!':
~ vigorosas.
o mesmo tempo, é preciso expor o que se deve
o
te re-senta a sua
1
lpa~.
entender em política por estraté~ia e tática. por "plano lJ estra- .
-
_
ç. Q e a 's~~I~ao econôm,ca s naçoes
sentar as
d
cões
ou a um grupo
e n':.~
téglco, por pro a anda e a ita ão
or amzaçao e da administra -
r'
'ênc'a.
'hegemôD1c .
-
:a O problema das relações entre
.
estrutura e su erest~tura
Os elementos e o servação empírica que comumente são
apresentados desordenadamente nos tratados de ciência política
(pode-se tomar como exemplar a obra de G. Mosca, E/ementi
di scienza política) deveriam, na medida em que não são ques-
tões abstratas on apanhadas ao acaso, sitnar-se nos vários graus
da relação de forças, a começar pela relação das forças interna-
cionais (em que se localizariam as notas escritas sobre o que
é uma grande potência, sobre os agrupamentos de Estados em
sistemas hegemônicos e, por conseguinte, sobre o conceito de
independência e soberania no qne se refere às pequenas e mé-
dias potências'), passando em seguida às relações sociais objc-
tivas, ao gran de desenvolvimento das fdtças rodnhvas as re-
ne
eve ser Si a o com exa
ao e resolvido para assim se
q,
.
lusta anãlise das forças que atuam na h,st~n!
,
clegax a UIfia
e
e'a o eu re Co
í'
M
de ma detexilitlladOpenúdo e
1
"I
.
o movimentar-se no âmbito de dOIS nnc P'os: .
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e
uma sociedade assu
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a nao eXistam as condiç~s. necessárias
e
sufiCientes, ou
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em vias de aparecer e se desenvol-
v menos fi o ~::m:: anl
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p~ o' e que- íiiii'_uina SOCiedade se dissolve e po e s;:~'
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siíbsÚfuioa antes de desenvolver e completar todas as 10rllJ.as
'-de)'r:;;imp bCll:nas suas relações 2 Da. rel1exao so: estes
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sistemas he e
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ta o
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s re aç es po I Icas Imediatas (ou seja,
'lIols cones po e-se chegar ao desenvolVImento de t a u':la
série de outros principias de metodologia hist6rica. TodaVIa,
deve-se distinguir no estudo de uma estrutura os
_Põtenclalmefile mut!a res ).
or
cos
re a vamen e
ermanentes) dos elementos
ue
0-
.
enominados "de conJun ura
I' T
que se apresentam como
As relações Internacionais precedem ou ~~em
(logica-
em ser
l2
!ebome-
mente) as lelaçoes SOCiaiS fundamentais? Seguem,
indublfáve:t:
ocaSlODalS, unedlalOs quase aCl ênta s '
a~
III os
â'
os
rOda Inovação orgânica na estrutura modifica organicamente as
relações absolutas e relativas no campo internacional, através
ri
e conjuntura epen em,
claro,
e movlment?s o;
mç 1
mas seu Sigo Iça o n o tem um amp o a cance
Ist6nc~: e ~s
';
,
das
suas expressões técnico-militares. Inclusive a posição geo-
dão lugar a uma crlbca pobnca miMa, do ma-a-dla, que mves e

gráfica de um Estado não precede, mas segue (logicamente) as inovações estruturais, mesmo reagindo sobre elas numa certa medida (exatamente na medida .em que as superestruturas rea- gem sobre a estrutura, a política sobre a economia, etc.). Além do mais, as relações internacionais reagem positiva e. ativamente sobre as relações políticas (de hegemonia dos parti4.os). Quan- to mais a vida econômica imediata de uma nação se subordina às relações internacionais, mais um partido determinado repre~ senta esta situação e explora-a para impedir o predominio dos partidos adversários (veja-se o famoso discurso de Nitti sobre

, Ver págs. 138, 162 e seguintes.

.

Uma. rofc:r~ncdia a este e ~dnto~:t=~::so;ublicad~~por G. VOLPE

1

I

1 "repr p:ssivo" rl:~~ener-

1

gias internas ~

e ser encon a a na

1i 22~e, 2~rec~~~~~ d: se t~rem desenvolvido

ó'" de 1932

no Comere ~lla _ Sera

todas as forças pro ~ vas em J

:.li

"Uma formaçao dso~a nao Pelação às quais

ela ainda é suficiente

e

novas e rot altas d~~sma~e~~sd~ existência destas últimas não

du ão não tenham tomado o seu

:~~~ :rc:;' in~ub:d~nn~ próprioi:;Oe~~.r~~~"q~~Cj:J:d~~d~orr;;~l~er~

humanidade ass~me sempre aque

se se observa com mais ÓKUdeza, c~:ga:;se~ncll~materiais para a

á

m re à conclusão

de

~ s~lu~P~Oe:::~~Oo:pe~en~~ est~ em processo de surgimento".

(MAror, lntkdução à Critica da EconomUl Polltlca.)

44

45

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ••••

os pequenos grupos dirigentes e as personalidades imediata- mente responsáveis pelo poder. Os fenômenos orgânicOlLdáo.-

mar em à crítica hist6ric.o,social _ ue.'

p~mentos, aCIma as pessoas imediatamente responsáveis_-HCi •. !!La do pessoal dmgenle, A ImportâncIa dessa grande diferen-

ciação surge quando se estuda um período hlst6rico, Verifica-

-os' andes-

se umirr:cri~~ ue, às vezes, prolonga-se or dezenas de anqs'~on' Esta d raçao excepclOna quer Izer que se reve aram amaau~ G

.

receram con ra lçoés msan vel

ura e que as for as 1

r e

en ro

e ende'

S

e certó~ 'fi ~

olíticas que atuam oSll1vamen e ar

W . na es rotura .esfor am.-se para san - a

Imlte~ e 811 erá-Ias.

. SOl

cverantes~

o,s nen uma forma social 'amais confessar

que 01 supera-

da) ormam o erreno ocasional" sobre o qu se or amzam. s

or as

a oms as,

ue ten em a

emons rar

emonstração

ue, em última an ise, s6 se realiza e é "verdadeira'

uan o

torna nova r

uan o as or

as anta onistas triunfam;

1)1as'lme la amente desenvolve-se uma série de po emlcas Ideo-

lÓgIcas, relIgIOsas, fIlosóficas, políticas. jurídicas etc; cuja con cr.::çao pode ser avalIada pela medida em que conseguem con- tenc7r e deslocam o preeXIstente dispositivo de forças sociais)

sue ]

-exístem

as condições necessárias e suficientes para que

determmados encargos possam e, por conseguinte devam ser

resolvidos historicamente, (e

evem, porque qua'quer vaCIla-

ção em cumprir o dever hist6rico aumenta a desordem necéssá-.

ria e prepara catástrofes mais graves),

.'

~

Nas análiscs hist6rico-políticas, freqUentemente incorj'é'-se .AviJtff'

no erro de não saber encontrar a justa relação entre o que é

orgânico e o que é ocasional. Assim, ou se apresentam como imediatamente atuantes causas que, ao contrário, atuam media- rfiJN'

.,

v --O (

tamente, ou se afirma que as causas imediatas ~ão as únicas causas eficientes. Num caso, manifesta-se o exagero de "eélt- nomismo" oli de doutrinarismo pedantesco; no outro, o excesso de "ideologismo". Num caso, superestimam-se as causas mecâ-

nicas; no outro, exalta-se' o elemento voluntarista e individual.

A distinção entre (movimentos" e fatos

orgânjcos

e movimentos

e fa(<l.~_c!.~:'cQI}.i!J.!!!)J_~a"~

o_uocasionais deve ser aplicada a todos

VJ

#

J

os tIPOS oe situação: não s6 àquelas em que se verifica um processo regressivo ou de crise aguda, mas àquelas em que se verifica um desenvolvimento progressista ou de prosperidade e

46

à uelas em qúe se verifica uma estagn'aç'lto das força~ produtl-

vàs. O nexo dialético

pdrtanto, de pesquisa, dificilmente pode ser estab~lecl~o e~a- tamente; e, se o erro é grave no que se refere à hlStonografla,

m~is grave ainda se torna na arte olítica,

d

pC: sent

é Imediatos constituem a causa' do 'erro na medida em que

s ,bstituem a análise objetiva e imparcial. E isto se verifica não

cbmo "meio" consciente para estimular à ação, mas c~mo auto- 1ngano, Também neste caso a cobra morde o charlatao: o de;

entre as duas ordens de movI '!lento e,

uando se trata não

IS

T re

ssada mas de constrUir a

. f tuca'! Os pr6prios desejos

e paixões ~eteriorantes

ngogo .é n primeir~

'i!i~a

da sWLdemagogia_

Estes critérios metodol6gicos podem adquirir visível e di- daticamente todo o seu significado quando aplicados ao exame de fatos hist6ricos concretos. O que se poderia fazer com utili- dade em relação aos acontecimentos' que se verificaram .na França de 1789 a 1870. Parece-me que para ma}or clareza, da exposição seja necessário abranger todo este penodo. Efel1va- mente ~6 em 1870-1871, com a tentativa da Comuna, esgotam- se hisioricameilte todos os germes' nascidos em 1789. Não s6

a nova classe que luta pelo poder derrota os rc:p:,:sentantes da

velha sociêdade que não quer confessar-se defmll1vamente su- perada, mas derrota também os grupos n?ví~simos que acre~i- tam já ultrapassada a nova estrutura surgtda da .tra~sformaçao iniciada em. 1789. Assim,. ela demonstra a sua VItalIdade tanto em relação ao velho como em relação ao novíssimo. Além do

1 O fato de não se ter considerado o momento imediato das "relações

de força" estA ligado a resíduos da concepção liberal vulg~r, da qual

o sindicalismo é uma manifestação que acreditava ser ma~s avançada

quando, na realidade, rcprcsentnvn um passo lltr6.Sl. Efetivlln'lp.ntp.;. A.

concepção liberal vulgar dando Importância à relação das forças poli-

ticas organizadas nas diversas foqnas de partido (leitores de j~mai5. eleições parlamentares e locais, -organizações de massa dos partidos. e dos sindicatos num sentido estrito), era mais avançada do que o SIn- dicalismo que dava importância primordial à relação fundamental cco~ nômico.s~cial, e s6 a ela. A concepção liberal vulgar também levava em conta impltcitamente esta r~la~ão (como transparec~ através de muitos sinais), mas insistia priontanamente sobre a relaçao das forças políticas que era uma expressão da outra e, na realidade, englobava.a. l£stes re~fduos da concepção liberal vulgar podem ser encontrados em toda uma série de trabalhos que se dizem ligados à filosofia d. pr.xl,

e deram lugar a fonnas infantis de otimismo e a asneiras.

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47

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mais, em virtude dos acontecimentos de .1870-1871, perde Cfi,,"

cácia o conjunto de princípios de estratégia e tática política nas- cidos praticamente em 1789 e desenvolvidos ideologicamente em torno de 1848 (aqueles que se sintetizam na fórmula da "revolução permanente".' Seria interessante estudar os elemen- tos desta fórmula que se manifestaram na estratégia maziniana

- por exemplo, a insurreição de 1853 em Milão - e se isto

ocorreu conscientemente) . Um elemento que demonstra a jus- teza deste ponto de vista é o fato' de que os historiadores de

modo nenhum concordam (e é impossível que concordem) ao fixar os limites daquela série de acontecimentos que constitui a Revolução Francesa. Para alguns (Salvemini, por exemplo), a

Revolução' se completa em Valmy:

a França criou o novo

i

Estado e soube organizar a força político-militar que o sustenta e defende a sua soberania territorial. Para outros, a Revolução continua até TermidQr; mais ainda, eles falam de muitas revo- luções (o lO de agosto seria uma revolução em si, etc.).' A maneira de interpretar Termidor e a obra de Napoleão apre- senta as mais agudas contradições: trata-se de revolução ou de contra-revolução? Para outros, a Revolução continua até 1830, 1848, 1870 e inclusive até a guerra mundial de'1914. Em todas e~tas maneiras de ver há uma parte de verdade. Realmente, as contradições internas da estrutura francesa, que se desenvolvem depois de 1789, só encontram uma relativa com- posição com a Terceira República. E a França. goza sessenta anos de vida poHtica equilibrada depois de oitenta anos de trans- formações em ondas cada vez maiores: 1789,1794,1799,1804, 1815, 1830, 1848, 1870. exatamente o estudo dessas "ondas" de diferentes oscilações que permite reconstruir as relações en- tre estrutura e superstruturas, de um lado, e, de outro, as relações entre o curso do movimento orgânico e o curso do movimento de conjuntura da estrutura. Assim, pode-se dizer que a medi- ção dialética entre os dois princlpios metodológicos enunciados no início desta nota localiza-se na fórmula político-histórica da revolução permanente.

1 Gramsci usa o termo revolução permanente para indicar a interpre~

lação errada de Trotsld (uma transformação política levada a cabo por uma minoria sem o apoio das grandes mAssas) à. fórmula de Karl Marx

Por isso o autor a coloca entre aspas. (N.

e I.)

, Cf. La Réoolution trançoise de A. MATRlEZ. na coleção A. Colin.

Um aspecto do mesmo problema é a chamada '1.uestão das relações de orça. Lê-se com
Um aspecto do mesmo problema é a chamada '1.uestão das
relações de orça. Lê-se com freqüência nas nam(çoes hlslo
, as a expressa0: "relações de forças favoráveis, desfavoráveis
a esta ou aquela tendência." Assim, abstratamente, esta fornlU-
lação não explica nada ou quase nada, pois o que se faz é
repetir o fato que se deve
explicar, apresentando-o uma vez
como fato e outra como lei abstrata e como explicação.
Por-
tanto, o erro tcórico consiste em a resentar um elemento
e
pesqui
e mterpretaçao como causa hist nca
a
Ir 'versos mo-
mento
re
u grau~ que no fundamental são estes:
ecess no
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.-- 1) Uma rela ão
d
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ociais estreitamente ligada à
estrutura, ob' eliva in
e endente da vontade
os
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ser me ida Com os sistemas das CI nClas
cas
esenvo vlmento das forças materiais de
atas o
base do
au de
pro ução estruturam-se os a u amentos SOCiaIS, ca a um
os
quais represen a uma unçao e ocupa uma pOSição e er I
a
na próduçao. Esta relaçaó é a que f!, uma realiàadc tebelde:
"'niflguém pode modificar o número das fazendas e dos seus
agregados, o número das cidades com as suas populações de.
terminadas, etc. Este dispositivo fundamental permite verificar
~ sociedad;= eXistem as cQIldições, necessárjas e suficientes
ra a sua transformação; ermite controlar o grau de reahsmb
('e de vIa 1I ade das
!Versas I eo ogias que e a gerou
ura
o seu curso.
~ momento se
inte é areia
ão das for as
olíticas:
a avalia ão
o
amzação a can
au
e omogeneidade, de autoconsclencla e
o
os
ru os sociais. Por sua
vez, este momento ode ser analisado e diferenciado em vários
graus, ue correspon em aos diversos
en o
. a
.-.E01
C e 1
,
orno se manifestaram na Histórin
ate agora.
O
rImeI
e ementar
o eco
. : um comercIante sente
eve ser so I ário com outro
comerciante, etc., mas o comerciante não se sente ainda SOlidá-
rio com o fabricante. Assim, sente-se a unidade nomogenea do
grupo profissional e o dever de organizá-Ia, mas não ainda a
unidade do grupo social mais amplo. Um sell!!ndo
.
aque
m
ue se adquire a consciência dã
teresses
entre to
s membros
campo
n e econ mIco. Ne
. aried
so . 1 mas ainda no
coloca a
que -
sta o, mas apenas visando a alcançar uma Ig!!!\l'

48

49

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dade político-jurídica com os grupos dominantes: reb1adi;a sc

õãírêito de articipar da legIslaçao e da administração e. talvez

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I 'c - as,

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aueee e 'ue os róprios interess

a consclen

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IVOS.no seu

desenvolvimento atua e uturo su

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in abertamente polltlca

c!rculo co ora

eramente econ mico, e

dem e d

-se os

ses

pos su or ma os. Esta é a fase mais

ue assmala a passagem nítida da estru-

,tura para a es era das su ere ru uras

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e lutam até que uma de as ou

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a a área SOCla,

o

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eos, também a uni-

dade inteleeluãI e ilroral Colgea todas as queStões em tbrnõ<iãS

qÚBlS se acende aJiíta não num plano ,corporativo mas num

a?o "universal". criando, assim a hegemonia de' um grupo soc,al fundamental sobre uma séne de' grupos sDbOldlliãdos. O

a

1

os

n mleos e p

é conce , o como

e um grupo

es-

r as con ,õe

v áveis à ex ansã

es-

e as este desenvolvimento e esta expansão são con-

ce?, os e apresentados como a força motriz de uma expansão universal, de um desenvolvimento de todas as energias "nacio- nais", O grupo dominante coordena-se concretamente com os interesses gcrais dos grupos subordinados, e a, vida estatal é concebida como uma contínua formação e superação de equil!- brios instáveis (no âmbito da lei) entre os interesses do grupo fundamental e os 'interesses dos grupos subordinados; equilfbrios

em que os interesses do grupo dominante prevalecem até um determinado ponto, excluindo o interesse econÔmico-corpora- tivo estreito. Na história real estes momentos se confundem reciproca- mente, por assim dizer horizontal e verticalmente, segundo as atividades econômicas sociais (horizontais) e segundo os terri- tórios (vcrticais), combinando-se e dividindo-se alternadamen- te. Cada uma destas combinações pode ser representadâ por uma expressão orgânica própria. econÔmica e política, Tam- bém é necessário levar em conta que. com estas relações inter- nas de um Estado-Nação, entrelaçam-se as relações internacio- nais, criando novas combinações originais e historicamente con-

50

J

cretas. Uma ideologia nascida num país desenvolvido difunde- se em países menos desenvolvidos, incindindo no jogo loeal das eQmbinações.' Esta relação entre forças internacionais e forças nacionais ainda é complicada pela existência, no interior de cada Estado, de diversas seções territoriais com estruturas diferentes e dife- rentes relações de força em todos os gr~us (a Vandéia era alia. da das forças reacionárias internacionais e representava-as no seio da unidade territorial francesa; bião, na Revolução Fran- cesa, representava um nó particular de 'relações, etc.). 3) O terceiro momento é o da relação das forças militares,

imediatamente decisiva e

esen-)

vo V.lmen o 18 rJ,co oscilo. con't1nuamente entre n primeiro e o.

terceiro momento, com a medlaçao dO segundo).

Mas es>~

momento nAo é algo maIs tinto e que possa ser identificado ime. diatamente de forma esquemática. Também nele podem-se

distinguir dois graus:

o militar,

num

sentido estrito

ou

técnico-militar. óe o grau que pode ser denominado de político-

ií1iIitãi. No curso da História estes dois graus se apresen- iàram com uma grande variedade de combinações. Um exem- plo ((pico; que pode servir como demonstração-limite, é o da relação de opressão militar de um Estado sobre uma nação que procura alcançar a sua independência estatal. A relação não

é puramente militar. mas político-militar. Efetivamente, tal tipo de opressão seria inexplicável se não existisse o estado de de- sagregação social do povo oprimido e a passividade da sua maioria. Portanto. a independência não poderá ser alcançada apenas com forças puramente militares, mas com forças milita-

res e político-militares.

Se a nação oprimida. para iniciar' a,

.luta da independência, tivesse de esperar a permissão do Esta-

A I"f"Jlgião.por exemplo. sempre foi uma fonte dessas combinações ideológico-polltfcas nacionais e internacionais; c, com a religião, as ou. tras fOrmações internacionais: a maçonaria, o Rotary Clube. os judeus, .

1

a diplomacia de carreira, qu~ sugerem expedientes polltlcos d. origem histórica diferente e levam-nas a triunfar em determinados países, .fun- \ cfonando como partido poUtfco n em-

co

:m emaci nais

S. U

otary, etc.

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soe a

os _

a s.J' cu

nção, em escala intemaciono., ~ a de

meêitar os extremos, socializar"'as inovações técnicas que pcnnftem o funcionamento de toda atividade de direção, de excoj:!;itnrcompromissos '

e saldas enlre' ""luç6es extremas.

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51

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••••••••••••••••••••••••• •••••••••••••••••••••••

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, do dominante para organizar o seu exército no sentido estrito

e técnico da palavra, deveria aguardar bastante ,telJlpo (pode

ocorrer que a reivindicação seja concedida pela nação donlinan- te, mas isto siguifica que uma grande parte da luta já foi tra- vada e vencida no terreno político-militar). Logo, a nação oprimida oporá inicialmente à fôrça militar hegemônica uma força que é apen'\s "político-militar"; isto é, oporá uma forma de ação política com a virtude de <ieterminar reflexos de cará-

ter nlilitar no sentido de que: 1) seja capaz de desagregar inti-

mamente a eficiência bélica da nação

força militar donlinante a diluir-se e dispersar-se num grande territ6rio, anulando grande parte da sua eficiência bélica. No

dominante; 2) obrigue a

Risare/menta italiano pode-se notar

a aus8ncia dc!,astcosa de

uma direção político-militar, especialmente no Partido da Ação (por incapacidade congênita), mas também no partido piemon- tês-moderado, tanto antes como depois de 1848. Isto ocorreu não por incapacidade, mas por "malthusianismo econômico-O político", porque não se pretendeu nem ao menos acenar com

a possibilidade de uma reforma agrária e porque ,não se queria

a convocação de uma assembléia nacional constituinte. S6 se

queria que a monarquia piemontesa, sem condições ou limitações de origem popular, se estendesse a tôda a Itália com a simples sanção de plebiscitos regionais.

Outra questão ligada às precedentes é a de se ver se as

iatamente

crises h'

fundamentais são determinad .

.

~ as crises econônlicas. A respos a questão está implIcita-

mente contIda nos parágrafos anteriores, onde as questões tra- tadas constituem outro modo de apresentar o problema ao qual nos referimos agora. Todavia é sempre necessário, por motivos didáticos devidos ao público particular, examinar cada modo sob o qual se apresenta uma mesma questão, como se fosse

um problema independente e novo. In.!£ialmente, pode-se excluir

que, de er si as crises econômicas imediatas roduzam aco -

podem criar um emino fav!'-

r vel difusão e deternlinadas maneIras de pensar, ae'formu-

ja e reso ve

. da vida estatal. De resto, t as as a rmações referentes a peno- ãos ae crIse ou de prosperidade podem dar margem a juizos unilaterais. No seu compêndio de História da Revolução Fran. cesa, Mathiez, opondo-se à história vulgar tradicional, que aprio- risticamente "acha" uma crise para coincidr com as grandes

cImentos fundamentais'~

s uestões q

52

rupturas do equilibrio social, afirma que, por volta de 1789, a situação econômica era mais do que boa, pelo que não se pode dizer que a catástrofe do Estado absoluto tenha sido motivada por uma crise de empobrecimento. Deve-se observar que o Estado estava às voltas com uma crise financeira mortal e devia optar sobre qual das três ordens sociais privilegiadas deveriam

recair os sacrifícios e o peso, destinados a reordenar as finanças estatais e reais. Além do mais, se a posição econômica da bur- guesia era próspera, certamente não era boa a situação das clas-

ses populares das cidades e do campo, especialmente estas,

ator-

mentadas pela miséria endêmica. De qualquer modo, a ruptura do equilIôrio entre as forças não se verificou em virtude ?e causas mecânicas imediatas de empobrecimento do grupo SOCIal interessado em romper o equilíbrio, e que de fato rompeu; mas t verificou-se no quadro de conflitos acima do mundo econômico imediato, ligados ao "prestígio" de classe (interesses econômicos futuros), a uma ebsperação do sentimento de independência, de autonomia e de poder. A questão particular do mal-estar ou do bem-estar econômico como causa de novas realidades his- t6ricas é um aspecto parcial da questão das relações dc força nos seus vários graus. Podem-se verificar novidades, tanto por- que uma situação de bem-estar é ameaçada pelo egoísmo mes- quinho de um grupo adversário, como porque o mal-estar se tornou intolerável c não se perccbe na velha sociedade nenhuma força que seja capaz de minorá-lô e de restabelecer a normali- dade através de medidas legais. Portanto, pode-se dizer que todos estes elementos são a manifestação concreta das flutua- ções de conjuntura do conjunto das relações sociais de força, sobre cujo terreno verifica-se a passagem destas relações para

relações políticas de força, culminando na relação militar de-

um

momento para outro, e ele é essencialmente um processo que tem como atores os homens e a vontade e a capacidade nos homens, a situação mantém-se inerte, podendo dar lugar a con- clusões contradit6rias: a velha sociedade resiste e assegura um período .de "alívio", exterminando fisicamente a élite adversá, ria e aterrorizando as massas de reserva; ou então verifica-se a destruição recíproca das forças em Juta com a instauração da paz dos cemitérios, talvez sob a vigilância de um sentinela es-

trangeiro.

cisiva.

Interrompendo-se este processo de desenvolvimento de

53

•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

,Mas a observa ão mais importante a ser feita a pro ósi o de ua
,Mas a observa ão mais importante a ser feita a pro ósi o
de
ua quer an ise concre
,
esta: tais
e
es'C~e?a um capítUlo da história do passado), mas só 'adquirem
um slglllúcado se servem para justificar uma atividade práti ,
an ISCSna
esm
unta-iAiGiattva e. as 1D lcam quaIs sao os pontos
deIs IS enela onde a força da vontade pode ser aplicada
mais frutIferamente, sugerem as operações táticas imediatas,
indicam a melhor maneira de empreender uma campanha de
agitação política, a linguagem que será melhor compreendida
pelas multidões, etc. O elemento decisivo de cada situação é a
força permanente organizada e antecipadamente predisposta,
que se pode fazer avançar quando se manifestar uma. situação
favorável (e só ~ favorável na medida em que esta força exista
parlamentar, organização jornalística)' refletem-se em todo o
organismo estatal, reforçando a posição relativa do poder da
burocracia (civil e militar), da alta finança, da Igreja e em
geral de todos os organismos relativamente independentes das
flutuações da opinião pública? O processo é diferente em cada
país, embora o conteúdo seja o mesmo. E o <jI}teúdo é a
or ue a
c asse dirigente faliu em determinado grande empreen ,mento
crise de he emonia
classe diri ente
ue ocorre ou
político pelo
ual
ediu ou imôs
ela .for a o cons
mo
a an
como a guerra), ou porque amplas m'!,s-
cialmente de cam oneses e de péquenos bur
eses 10-
telectuais
assaram
e repen e
a passlvl a e
o tlea a ce -
ta- ahvi a e e apresen aram relVln Icaçoes que, no seu COlll-