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Direito Constitucional IT EXERCICIO DIP 1 48 EXERCICIO DIP 1 Em Outubro de 2001 decorre em Helsinquia uma conferéncia internacional com vista 4 criagio de uma orgenizagdo intemacional de cooperago em matéria de preservagio do patriménio cultural, na qual participam 36 paises, entre os quais Portugal, que se fez epresentar pelo seu embaixador na Finlandia. O texto final da conveneo que institui a organizagao intemacional em causa é aprovado com 22 votos a favor € 14 votos contra, ¢ € assinado pelos representantes de 24 dos Estados presentes, entre os quais se contou 0 representante de Portugal Entre outras disposigdes, esta convengio prevé deveres de informagio para os Estados na matéria e 0 acesso dos agentes da organizagao intemacional relativamente aos projectos de obras piblicas que pudessem afectar a integridade ou insergo paisagistica de monumentos classificados nos termos da convengio. Em 22-01-2002, 0 Conselho de Ministros aprova a convengdo em causa, @ remete 0 correspondente decreto ao Presidente da Repiiblica, para assinatura, O Presidente da Repablica, tendo dirvidas quanto conformidade da conven¢o com a Constituigo e com @ Lei de Bases do Patriménio Cultural, solicitou ao Tribunal Constitucional a fiscalizagao preventiva da constitucionalidade das suas normas. O Tribunal Constitucional pronunciou-se pela inconstitucionalidade das normas da convenga0, pelo que 0 Presidente a devolveu a0 Govemo, que a reaprovou, em Conselho de Ministros, por unenimidade. Tendo o decreto sido novamente enviado ao Presidente da Republica, este recusou, no entanto, a sua assinatura, Em Abril de 2002, a organizagdio intemacional, tendo tido conhecimento da aprovagio de um projecto de expansio da Base Agrea de Beja que poria em isco um conjunto de ruinas romanas situadas na sua proximidade, pede ao Govemo portugués que a informe dos temos daquele projecto e que autorize uma visita ao local. Esse pedido € recusado pelo Governo portugués, que argumenta que a sua satisfagdo poderia pér em causa a seguranga nacional © nao € permitida pela Lei do Segredo de Estado, publicada no més anterior, Com a resposta, © Governo portugués remete & organizagio intemacional uma reserva, que excluia do ambito de aplicagio da convengao as obras pilblicas respeitantes a instalagées militares Responda as seguintes questdes: 1) Aprecie, em todos os seus aspectos, a regularidade dos processos de formagiio da convengao interacional e de vinculagao de Portugal a mesma (8 valores); 2) © Estado portugués poderia ter recusado, com 0 fundamento que invocou, 0 pedido apresentado pela organizacdo internacional? (4 valores); 3) Poderia o Tribunal Constitucional ter, neste caso, verificado a existéncia de desconformidade da convengao com a Constituigdo, mas nfo se ter pronunciado pela sua inconstitucionalidade? (4 valores) TOPICOS DE RESOLUCAO: Questo 1): 1. Plenos poderes para representar o Estado: plano imernacional (7° CV) € plano interno (197% CRP): 2. Aprovacdo (para a adopetio do texto) (9° CV); 3. Efeitos da assinatura do texto pelo representante (10° ou 12° CV): 4. Tipificagdo da convengéo; 5. Aprovagiio pelo Conselho de Ministros (197% e 161% CRP); 6. Fiscalizagdo preventiva Carlos Fernandes — 2004/2005 Direito Constitucional 1 EXERCICIO DIP1 9 6.1. Da constitucionalidade; 6.2. Da legalidade; 7. Reaprovagéio (confirmagdo) pelo Conselho de Ministros; 8. Assinatura ou ratificagao pelo PR (134°, 135°e 137° CRP). 1. Plenos poderes : plano internacional e plano interno I — No plano intemo, o embaixador pertence a Administragdo directa do Estado, pelo que, agindo como representante acteditado, é 0 Governo que age através dele, E 0 Governo ‘tem competéncia (exclusiva) para negociar e ajustar conveng&es intemacionais ~ art. 197°/b) RP. II — Relativamente ao plano intemacional, para que possa representar 0 Estado 0 Embaixador da Finlandia necessita de ter plenos poderes adequados, quer estes sejam conferidos por carta para essa negociagio especifica, quer estes resultem da natureza das fungoes que exerce. Nos termos do art. 72.6) da ConvengZo de Viena (CV), os chefes de missio diplomética so considerados representantes do Seu Estado para a adope3o de um texto entre Portugal e 0 Estado receptor, i., a Finlandia, No entanto, no é disso que aqui se trata, pois zo caso sub judice pretende-se criar uma organizagaio intemacional numa conferéncia levada a efeito com esse fim. Teremos que recorrer, assim, ao art. 7'/2.¢) da CV: caso o embaixador estivesse dovidamente acreditado nessa conferéncia intemacional, nfo necessitaria de apresentar carta de plenos poderes; caso contririo, teria de fazé-lo, conforme estipulado no art. 7°/1.a) da CV, a no ser que se enquadrasse na previsio da alinea seguinte, Nada no texto nos permite concluir num ou noutro sentido. 2. Aprovacao (para a adopeao do texto) I —A regra que vigora quanto & aprovagao do texto de convengées intemacionais é a da unanimidade. Contudo, logo na parte final do art. 9°/1 se remete para as excepgdes previstas no n° 2 do mesmo artigo. ‘Ao abrigo deste n° 2 ~ aplicavel ao caso sub judice por se tratar de uma conferéncia intemacional — 0 texto da convengo poderé ser aprovada em derrogago a regra da imanimidade por uma das seguintes vias: a) Aprovagdo por maioria de 2/3 dos Estados presentes ¢ votantes; b) Através da forma que for escolhida por 2/3 dos Estados presentes e votantes. IL — No caso, diz-nos 0 enunciado — erradamente ~ que 0 texto da convengo foi aprovado por 22 votos a favor e 14 contra, De facto, o que suceden foi que 0 texto foi rejeitado © nfo aprovado, uma vez que nao respeitou qualquer das regras aplicaveis: nfio obteve o voto favoravel de 2/3 dos Estados presentes ¢ votantes (Total de Estados votantes 36; Total de Estados presentes: 22+14=36; 2/3 de 36 = 24; votos a favor = 22; 22-24 =~2), ‘Visto 0 texto nfo ter sido aprovado, haveria que prosseguir as negociagdes até se ‘encontrar uma solugio que fosse do contento de, pelo menos, 24 Estados, II — Dizmos © texto, contudo, que o texto foi assinado por 24 Estados. Que significado podera ter esta assinatura no que tange & aprovago do texto? Como valorar @ incoeréncia do comportamento daqueles que nio aprovaram 0 texto da convengio e, depois, conferem a esse texto, com a sua assinatura, 0 caricter de auténtico e definitive? Carlos Fernandes ~ 2004/2005 Direito Constituional IT EXERCiCIO DIP1 50 ‘A assinatura por uma maioria diferente da que votou a favor da aprovag0 — que, como se viu, foi insuficiente — nfo convalida o acto, ie., 0 texto foi rejeitado e assim continua. Néo podemos ler nesta assinatura qualquer adesdo ticita ao conteiido do texto, pois todo este acto é irregular: quer daqueles que votaram a favor quer dos que votaram contra. Se o texto nao foi aprovado, nada hé para assinar; 0 que hé a fazer, como ja referido, 6 continuar as negociagdes. 3. Bfeitos da assinatura I—A ser regular, quais seriam os efeitos daquela assinatura? Podem ser de dois tipos: representar apenas a simples autenticagao do texto € a sua caracterizagio como definitivo, nos termos do art. 10° da CV; ou pode significar que o Estado presta, por esta via, 0 seu consentimento em ficar vinculado pela convengao, conforme estipulado no art, 12° ara que a assinatura possa produzir este ultimo tipo de efeitos, é necessirio que: a) A convengao preveja que a assinatura produzira esse efeito; b) Ou que os Estados tenham acordado em que @ assinatura terd esse efeito; ©) Ou que essa intengo resulte dos plenos poderes do representante ou fenha sido manifestada no decurso da negociagao. Tl — Neste caso, nada ha no texto que nos permita extrair a conclusio de que o Estado portugués pretendia ficar vinculado pela assinatura do seu representante, Nem tanto seria possivel, de resto, face ds normas de Direito interno que regulam a matéria. Desde logo, ha que chamar a colagio o que nos diz a Resalugo do Conselho de Ministros N° 17/88, de 11-05-1988 em matéria de negociagao e assinatura de convengées internacionais: 1) Obrigagtio de manter 0 Ministro dos Negécios Estrangeiros permanentemente informado, desde a fase de intengo ou do recebimento de qualquer proposta de negociagio até 4 sua conclusiio, independentemente dos departamentos envolvidos; 2) 0 inicio da fase de negociagao depende de prévio enquadramento a prestar pelo MNE; 3) A rubrica ou assinatura de acordos intemacionais carece de prévie aprovaciio pelo Conselho de Ministros, que desde logo delega essa competéncia no Primeito- Minisiro (n° 3). 4. Tipificagao da convencio I — As convengSes internacionais podem ser Tratados (em forma solene ou Tratados fout court) ou Acordos (em forma simplificada). No entanto, s6 no plano interno esta distingaio assume relevncia, sendo que na ordem intemacional se fala indiferenciadamente de Convengao, Tratado ou Acordo. Segundo o Prof. Jorge Miranda, deverdo obrigatoriamente assumir a forma de tratado as convenges intemacionais que versem sobre as seguintes matérias: a) As referidas no art, 161°/i da CRP: b) As especificamente contempladas em preceitos de reserva de convengao (cidadania, exercicio em comum de poderes necessarios A integrago europeia, extradi¢gao, etc.); ©) As que envolvam decistio politica relevante ou priméria (ex. decisio sobre transferéncia da soberania de Macau para a China) Carlos Fernandes — 2004/2005 Direito Constitucional IT __EXERCiCIO DIP 1 51 IE — Seguindo a tipificagio do Prof Jorge Miranda, nfo restam dividas de que a matéria de que trata a convengdo em andlise ~ participagio de Portugal numa organizagio internacional ~ deveria ter assumido a forma de tratado, por se integrar na previsio do art. 161%, sendo a aprovagao da competéncia exclusiva da Assembleia da Republica. No entanto, 6 facto de ter sido aprovado pelo Conselho de Ministros e 0 uso do termo “decreto” no § 3° do ‘enunciado denotam claramente que néo foi esta a forma escolhida para esta conveng%o, mas sim a de Acordo. Quais as consequéncias? Deveremos considerat que, devendo ter sido adoptada a forma de tratado (solene) e nfo de acordo, deverd ser o regime daquele a aplicar-se daqui por diante? Esta seria uma tentago em que facilmente se poderia cair, mas que redundaria num erro crasso: 0 facto de dever ter sido uma e ndo outra a forma escolhida nao muda 0 que temos entre mios. Se é de um acordo que se trata, ainda que ferido de inconstitucionalidade formel, ser como acordo que devera ser olhado para o futuro. 5. Aprovacio pelo Conselho de Ministros I —Da resposta ao ponto anterior resulta ja que a competéncia para aprovar convengSes relativas & participagao de Portugal em organizagdes intemacionais & da competéncia exclusiva da Assembleia da Repiblica e devera tomar a forma de Tratado (solene), por forga. do art. 161° da CRP, assumindo essa aprovagao a forma de resolugao (166"/5 CRP). ‘Ainda que esta norma nfo existisse, sempre teriamos de averiguar se a matéria de que trata a convengiio nao estaria abrangida pela reserva legislativa da Assembleia da Republica nos termos do art, 165°/1.2) da CRP (limitada as bases do sistema de protecgao /..) do patriménio cultural). I — Esta possibilidade levanta uma nova questiio: poderia ser concedida autorizagao para aprovagtio de convengdes em matéria de competéncia reservada da Assembleia da Republica, a semelhanga do que sucede com as autorizagbes legislativas existentes no direito jintemo? E a resposta é um rotundo nao: em direito intemacional nfo ha qualquer possibilidade de autorizacdo para aprovago de tratados ou acordos em matéria reservada. II — Conforme expressamente referido no enunciado, nfo foi a Assembleia da Repiblica quem aprovou o acordo, mas sim o Conselho de Ministros. © Governo s6 tem competéncia para aprovar acordos intemacionais cuja aprovagio nao seja da competéncia da Assembleia da Repiiblica ou que a esta ndo tenham sido submetidos, nos termos do art. 197"/c CRP, sendo esta aprovagao feita em Conselho de Ministros, nos termos do art, 200°/I.d CRP. Por conseguinte, nfo podia ter aprovado a convengao de que trata o presente caso, pelo que existe inconstitucionalidade organica. 6, Fiscalizacio preventiva: 6.1. Da constitucionalidade 1 —Diz-nos o texto que o Presidente da Repiblica solicitou a fiscalizago preventiva das normas da convengao por fer ditvidas quanto sua conformidade com a Constituigao com a Lei de Bases do Patriménio Cultural A possibilidade de fiscalizagaio preventiva da constitucionalidade de normas de tratado intermacional ou de acordo intemacional cujo decreto lhe tenha sido remetido para assinatura (o que era o caso) esté prevista no art, 278°/1 da CRP. Quanto a este aspecto nao se oferecem Carts Fernandes - 2004/2005 Direito Constitucional IT EXERCICIO DIP 1 52 davidas de maior: o Presidente da Repiblica tem competéncia e ¢ livre para pedir ou nao pedir a fiscalizag&o da constitucionalidade destas normas. Deveria o Presidente da Repiiblica, no entanto, indicar as normas violadoras ¢ as ‘normas parmetro, nos termos do art. 51°/1 da LTC, o que nao fez. Tal falta nao 6, no entanto, grave, podendo ser suprida nos termos do art, 51°/3 da LTC. Il — A propésito da assinatura dos decretos de aprovao de acordos intemacionais levantou-se alguma discusso doutrindria entre os que defendiam que esta era um acto vinculado do Presidente da Repiblica, que no podia recusé-la, e os que propugnavam pela aplicago de um regime idéntico ao que vigora para a ratificagao. Entre os primeiros contava~ se 0 Prof. Jorge Miranda, o qual, no entanto, mudou de posi¢ao ¢ defende agora que a assinatura de deeretos de aprovagao de acordos interacionais é um acto livre 4 semelhanga da ratificagdo de tratados. De entre as varias razdes apontadas para esta mudanga de opinio, cremos ser de destacar, precisamente, a possibilidade de o Presidente da Repiblica suscitar a fiscalizagao preventiva das normas destes acordos, 0 que mal se coadunaria com a vinculatividade do acto. TI — Outra questio néo isenta de diividas é a que se refere a fiscalizagio dos acordos intemacionais aprovados pela Assembleia da Republica: como se vé da leitura do art. 278°/1, ali apenas se refere a acordos intemacionais “cujo decreto de aprovagao Ihe tenha sido enviado para assinatura”, nada se dizendo quanto aqueles cuja «resolugaio» de aprovacao Ihe tenham sido remetidos para os mesmos efeitos. Face a tal omissio, poderia questionar-se se 0 legislador constituinte teria pretendido afastar os acordos aprovados por resolugio da Assembleia da Repiblica da fiscalizago preventiva. Mas n&o & assim. Uma leitura sistematica permite-nos compreender isso: basta conjugar 0 disposto no art. 134° com o art. 278°/1 e facilmente a diivida se vé dilucidada, 6.2, Dalegalidade I — Nao hé, nfo pode haver, fiscalizago da legalidade de normas de convengSes intemacionais, independentemente da forma que adoptem: tratado ou acordo em forma simplificada. Desde logo porque, nos termos do art. 8%2, as normas de convengées intemacionais regularmente ratificadas ou aprovadas vigoram na ordem interna apds a sua publicagio oficial e enquanto vincularem intemacionalmente o Estado Portugués” (sublinhado 1n0ss0). Quer isto dizer que, independentemente de qualquer norma legal contréria ~ anterior ou posterior —, as normas constantes das convengdes intemacionais em referéncia vigoram enquanto vincularem intemacionalmente o Estado portugués, Por outras palavras, a vigéncia das normas intemacionais constantes de convengdes regularmente ratificadas ou aprovadas nao depende de qualquer outra norma intema: depende, isso sim, de a vinculagdo externa estar ‘ou no em vigor. Tl — Toma-se claro, assim, que as normas intemacionais em epigrafe se situam a um nivel hierdrquico superior 20 das leis ordindrias intemas, sendo estas que no podem estar em desconformidade com aquelas e nao 0 contririo 7. Reaprovacio (confirmagio) pelo Conselho de Ministros 1 — Em caso de prontincia do TC pela inconstitucionalidade de normas constantes de um «tratadon, pode @ Assembleia da Republica reaprové-lo por maioria de 2/3 dos Deputados Carlos Fernandes ~ 2004/2005 Direito Constitucional IT EXERCICIO DIP 1 53 presentes desde que superior 4 maioria absoluta dos Deputados em efectividade de fungées. $6 nesta eventualidade poder 0 Presidente da Repiblica ratificar um tratado pronunciado inconstitucional Nio existe nesta norma absolutamente nada que nos permita alargar esta possibilidade ‘a0s acordos internacionais, ¢ muito menos quando sejam aprovados por outro drglo que nao a Assembleia da Republica Tl— A reaprovagiio do acordo pelo Conselho de Ministros referide no enunciado nio poderia, assim, ter lugar. 8, Assinatura/ratifieagao pelo Presidente da Repiblica I —A falta de assinatura de acordos intemacionais ou de ratificago de tratados é fulminada com a inexisténcia juridica, nos termos do art. 137° da CRP. Pés-se durante muito tempo, como acima referido, a questo de saber se a assinatura de decretos/resolugdes de aprovago de acordos intemacionais era um acto livre ou vinculado do Presidente da Repiiblica, tanto mais que 0 art. 8°/2, ao estatuir que as normas destes acordos entravam em vigor desde que devidamente “aprovados”, parecia indiciar que a assinatura era um mero acto a que o Presidente da Repiiblica nao podia escapar. Actualmente é pacifico que assim no 6. IL — No caso vertente, o Presidente da Repiiblica nao s6 podia como devia recusar a assinatura, uma vez que — neste caso sim - estava proibido de assinar face & prontincia de inconstitucionalidade, cujos efeitos no podem ser ultrapassados pelo mecanismo previsto no art. 2797/4, por este se aplicar apenas aos tratados, Questio 2) I — Na resposta & questo anterior concluimos nao ter havido vinculagao do Estado portugués, por variadas razdes: 0 texto no foi aprovado, mas sim rejeitado; a convengaio doveria ter tomado internamente a forma de tratado e ter sido aprovada pela Assembleia da Republica e nfo pelo Conselho de Ministros; 0 decreto de aprovaeio do acordo foi pronunciado inconstitucional pelo que nfo podia, nem foi, assinado pelo Presidente da Repiiblica; finalmente, porque a falta de assinatura comina inexisténcia nos termos do art. 137° CRP. I— Caso o Estado portugués se tivesse vinculado, entdio nfo poderia recusar 0 pedido com 08 fundamentos que invocou. Desde logo porque, como ja se disse um pouco atras, as ormas constantes das convengdes intemacionais devidamente ratificadas ou aprovadas prevalecem sobre quaisquer normas infre-constitucionais de direito intemo, I — Haveria algum fundamento que Portugal pudesse invocar, face 4 concreta situagdo vivida, para negar a satisfagaio do pedido? E claro que sim: precisamente o facto de nto estar vinculado pela convengo em causa Questio 3): 1 — A formulagio de reservas esta sujeita a diversos limites, que podemos agrupar em {rds tipos distintos: a) temporais, b) materiais ec) formais. ao epee 2S: Direito Constitucional IT BXERCICIO DIP 1 54 ‘No que se refere aos limites temporais, diz-nos o art. 19° da CV que a formulagdo de reservas pode ser feita por qualquer Estado no momento da assinatura, da ratificagdo, da aceitago ou da adeséo a um tratado. Como interpretar esta limitagio introduzida pela expresso «to momento da assinatura .."2 querera dizer que apenas o podem fazer no ‘momento exacto em que a assinatura esté a ser feita ou «até» a esse momento? Parece-nos que esta tltima a interpretagilo correcta: a reserva poder ser formulada « 20 momento da assinatura ou da ratificagdo ou da aceitago ou da adesdo a um tratado, Quanto aos limites materiais, as reservas 6 serdo aceites se nao se verificar uma das situagdes previstas nas alineas a) ac) do art. 19° Por tiltimo, e em termos de limites formais, o art. 23° da CV estabelece que as reservas deverdo ser formuladas por escrito e comunicadas aos Estados Contratantes e aos outros Estados que possam vir a ser Partes no tratado. A mesma forma & exigida para a aceitago expressa e para a objecgo das reservas. I — No caso sub judice, verificamos que Portugal estava em tempo para formular a reserva, dado no se ter ainda dado a assinatura para vinculagdo, provista no art. 12° da CV e no art, 134°7b da CRP. No que se refere a forma, embora 0 texto nio seja explicito, podemos concluir que a forma escrita foi a utilizada, j@ que a reserva foi remetida a organizagao intemacional juntamente com a resposta ao pedido. Consideraremos que também este limite formal foi respeitado (*) Resta verificar se foram cumpridos os limites materiais. I — A respeito dos limites materiais, poderemos desde logo dizer que nada ha no texto que nos permita dizer que estamos perante uma das proibigBes constantes nas alineas a) ¢ b). Resta verificar se, cfr. impde a alinea c), a reserva no é incompativel com o objecto e o fim do tratado. Somos de opinido de que a reserva que pretende deixar de fora da aplicagiio da convengio as obras publicas respeitantes a instalagoes militares deixa ainda substancialmente Intacto 0 objecto e o fim do tratado, ndo chegando para pdr em causa a sua existéncia. Pelo que teremos de concluir que também em termos materiais nada obstava 4 formulago da reserva. TV — Outra questio que se levanta tem a ver com a aceitagdo da reserva, Nos termos do art, 20°/3 da CV, no caso em anélise — por se tratar de acto constitutive de uma organizacao intemacional — a aceitag% da reserva implicaria a aceita¢o do érg%o competente dessa organizago. Mas aqui levanta-se um sério problema: o tratado s6 entra em vigor, na falta de disposigiio expressa acordada pelos Estados contratantes, quando todos os Estados que nele tenham participado prestem 0 seu consentimento em ficarem vinculads (241-2 CV). E, por outro lado, 0 Estado que formula a reserva nao se vincula antes de obter a aceitapiio desta. Daqui pode resultar, como bem se compreende, um impasse que impedira ad evernum a entrada em vigor do tratado, pelo que nunca a organizagao intemacional chegara a constituir- se e, logicamente, no haverd 6rgio competente para aceitar a reserva. Davida: a quem cabe # obrigagdo de comunionr @ veserva aos outros Estados Contratantes: ao Estado que a fonrmula ou & organiaagio intemacional? Carlos Fernandes ~ 2004/2005 Direito Constituconal IT EXERCICIO DIP 1 35 Questo 3): 1— A resposta é, desde logo, negativa: o art. 277°/2 aplica-se apenas a tratados e nfo a acordos intemnacionais. E apesar de dever ter sido adoptada a forma de tratado face & matéria ‘em discussio, permanece o facto inultrapassével de estarmos perante um acordo e néio de um tratado, pelo que sera o regime daquele a ser aplicado e nao deste. Por outro lado, ainda mesmo que tratado fosse, nunca esta limitagio seria aplicével no Ambito da fiscalizagao preventiva da constitucionalidade, limitada que esta a fiscalizagio sucessiva (’). II — A inconstitucionalidade referida no art. 277°/2 para os efeitos ali previstos é s6 a inconstitucionalidade formal e orgénica, deixando de fora a material. Para além disso, a limitagdo de efeitos opera apenas quando @ inconstitucionalidade nao resultar da violago de uma disposig%o fundamental. Ora, no caso em estudo, a inconstitucionalidade resulta da violagao de normas de competéncia da Assembleia da Repiblica pelo Governo, pelo que também por este motivo no seria aplicavel. * Note-se que o art, 2772 aplica-se apenas a “tratados internacionais regularmente ratificados”, E atento o art. 872, a8 norms constantes de convengdes inlernacionais regularmente ratificadas ou aprovadas vigoram. na ‘ordem intema apds a sua publicapao oficial e enquanto vincularem internacionalmente 0 Estado Portugues. Carlos Fernandes ~ 2004/2005 Direito Constituconal IT EXERCICIO DIP2 36 EXERCICIO DIP 2 DIREITO CONSTITUCIONAL I E DIREITO INTERNACIONAL PUBLICO TURMA A ~ Teste de Subturma ~ 13-05-2003 Portugal, a Franga, a Espanha e @ Argélia negocieram um tratado com o objectivo de permitir as empresas dos trés primeiros paises, desde que autorizados pelos respectivos govemos, proceder & prospecefio e explorago de jazidas petroliferas existentes numa provincia meridional do teritério argelino, uma zona instivel devido a exigéncias de maior autonomia feitas pela populagao local, que tém ocasionado frequentes tumultos, Durante as negociagdes, o representante da Franga referiu ao representante da Argélia que se este Estado nao cedesse as posigdes defendidas pela Franga, néo veria renovado 0 acordo de associagio econémica que tem com a Unido Europeia. A Argélia acabou por anuir as pretensoes francesas, tendo o texto sido assinado pelos representantes de todos 0s Estados presentes. tratado foi aprovado pelo Conselho de Ministros portugués e posteriormente remetido a0 Presidente da Repiiblica, mas este recusou a sua ratificagao, por no concordar com a sua oportunidade e por entender que o seu contetido contrariava regras definidas na recente Lei n® 1/2003, que nao permitia a actividade de empresas portuguesas em territérios que no reunam. condigbes de seguranga para a laborago dos traballiadores. Como o Presidente da Republica tivesse entretanto partido em viagem oficial ao estrangeiro, Primeiro-Ministro, inconformado, resolveu proceder ele mesmo 4 ratificagao do tratado, ‘Uma vez ratificado 0 tratado por Portugal — que foi o primeiro Estado a fazé-lo, os outros demorariam ainda bastante tempo —, a empresa portuguesa Petrosul, S.A., pretende iniciar de imediato contactos com as autoridades argelinas com vista ao inicio da prospecgio de petréleo, mas @ autorizagéo solicitada ao Govemo foi negada com fundamento na Lei n° 1/2003. Dois anos depois, na sequéncia da ocorréncia de operagdes de guerritha independentista no territério em causa, a Argélia anuncia as restantes partes que pretende por fim ao tratado, por 3 ordens de razées: 1° A situago de inseguranea no territério tornava insustentével a continuagao das operagdes de prospecedo de jazidas petroliferas; 2 Até ao momento, nao tinha sido encontrada nenhuma jazida, parecendo que os estudos geolégicos que tinham sido realizados previamente & celebragio do tratado nfo se tinham baseado em pressupostos totalmente correctos 3* Uma das partes — Portugal — nfo respeitara 0 seu direito intemo no processo de vinculagto a0 tratado. TOPICOS DE RESOLUCAO: 1) Coacgdo praticada pela Franga; 2) Assinatura do iratado; 3) Aprovagéo do tratado pelo Conselho de Ministros; 4) Recusa de ratificagdo pelo Presidente da Repiiblica: 5) Ratificactio do tratado pelo Primeiro-Ministro; 6) Entrada em vigor; 7) Cessagdo da vigéncia por alteracdo fundamental das cireunsténcias; 8) Cessagao Carlos Fernandes ~ 2004/2005 Direito Constitucional IT EXERCICIO DIP 2 37 de vigéncia por vicio de erro; 9) Violagéio de uma norma de competéncia de direito interno portugues sr ‘Apenas haveria uma breve referéncia a fazer, mas relacionada com matéria que no vem no programa. Tem a ver com a instabilidade resultante de exigéncias de maior autonomia, Quando um pais ocupa outro, a exploragio dos recursos naturais deve ser feita em beneficio das populagdes locais e nio das poténcias ocupantes. Trata-se do principio da soberania permanente sobre os recursos naturais 92° 1. Coaegao praticada pela Franca I —Em primeiro lugar haveria que verificar sobre quem ¢ exercida a coacgio: se sobre 0 Estado da Argélia, e entio rege o art. 52° da CV, ou sobre o seu representante, caso em que sera aplicavel o art. 51°. Os efeitos dai resultantes serdo distintos conforme 0 caso: no primeiro caso 0 tratado sera nulo; no segundo, serd a manifestago do consentimento em ficar vinculado que nao produziré efeitos juridicos, Depois haveria que analisar em que se consubstancia a coacgio ¢ aferir se ¢ subsumivel A previsdo normativa, ‘Assim, no presente caso, a coacgdo exerce-se sobre 0 Estado e no sobre o seu representante, pelo que nos situamos no ambito do art. 52°. E verificamos que neste é considerada apenas, para efeitos de coaceao sobre o Estado, a ameaga ou 0 emprego da forga. Qualquer outro tipo de coacgdio ~ moral, econémica, etc. ~ fica de fora desta previsao. Il — Tendo a Franga usado a ameaga de nfo renovar um acordo de associagio econémica, 0 seu comportamento €, sem diivida, moralmente condenavel, mas nfo basta para preencher 0 conceit de coacgdo em termos relevantes para que dai resulte a nulidade do tratado. Nao existe, assim, qualquer consequéncia em resultado da “coacgiio” exercida pela Franga sobre a Argélia. 2. Assinatura do tratado Era necessaria autorizagtio do Primeiro-Ministro, por delegago do Conselho de Ministros, nos termos da Resolugao do Conselho de Ministros N° 17/88. gs 3. Aprovagio do tratado pelo Conselho de Ministros Nada impunha a forma de tratado, mas uma vez adoptada tera de the ser aplicado o regime que Ihe é proprio. E, por isso, o Conselho de Ministros no poderia té-lo aprovado. E a Assembleia da Repiblica que compete aprovar os tratados, nos termos do art. 161°/i da CRP. 4. Recusa de ratificacao pelo Presidente da Repiblica Seré a recusa de ratificagao licita? __Carlos Fernandes — 2004/2005