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Revista da Loja Quetzalcoatl, Ordo Templi Orientis Ano 04, n o 04 R$ 0,00 Solstício
Revista da Loja Quetzalcoatl, Ordo Templi Orientis Ano 04, n o 04 R$ 0,00 Solstício
Revista da Loja Quetzalcoatl, Ordo Templi Orientis Ano 04, n o 04 R$ 0,00 Solstício
Revista da Loja Quetzalcoatl, Ordo Templi Orientis Ano 04, n o 04 R$ 0,00 Solstício
Revista da Loja Quetzalcoatl, Ordo Templi Orientis Ano 04, n o 04 R$ 0,00 Solstício

Revista da Loja Quetzalcoatl, Ordo Templi Orientis

Ano 04, n o 04 R$ 0,00 Solstício de Verão 21 Dezembro, 2013 e.v. A in i, B in e , Dies G Anno IV:xxi

2013 e.v. A in i , B in e , Dies G Anno IV:xxi OS DEGRAUS

OS DEGRAUS DA INICIAÇÃO

Passando do Velho ao noVo aeon - a o.T.o.

assumiu uma noVa Fórmula iniciáTica aPós seu

Período como academia maçônica.

oVo a eon - a o.T.o. assumiu uma noVa F órmula i niciáTica aPós seu Período

pág. 8

E xpE di E nt E Ano 04, Num 04, Ed nº 14, 21 de
E xpE di E nt E Ano 04, Num 04, Ed nº 14, 21 de

E xpE di E nt E

Ano 04, Num 04, Ed nº 14, 21 de Dezembro de 2013 e.v.

Ordo Templi Orientis Internacional

Frater Superior

Fra. Hymenaeus Beta Fra. Aion

Grande Secretário Geral Grande Tesoureiro Geral

Fra.

SQL

O.T.O. Brasil

Repr. do Fra. Superior

Sor. Tara Shambhala

Loja Quetzalcoatl

 

Maestria

Fra. Apollôn Lycaeus

Secretaria

Fra.

Eros

Tesouraria

Fra.

Kin Fo

Editoria

Editor

Fra.

Apollôn Hekatos

Jornalista

Fra.

Eros

Design Editorial

Fra.

Apollôn Hekatos

Ilustrações

Loja Quetzalcoatl

Índice

Editorial

pág. 3Ilustrações Loja Quetzalcoatl Í ndice Editorial Notícias pág. 3 Abismo, um Minuto de Silêncio pág. 4

Notícias

pág. 3Loja Quetzalcoatl Í ndice Editorial pág. 3 Notícias Abismo, um Minuto de Silêncio pág. 4 A

Abismo, um Minuto de Silêncio pág. 4

3 Notícias pág. 3 Abismo, um Minuto de Silêncio pág. 4 A Importância da Iniciação pág.

A Importância da Iniciação pág. 6

de Silêncio pág. 4 A Importância da Iniciação pág. 6 Os Degraus da Iniciação 8 Assinaturas

Os Degraus

da Iniciação

8

Assinaturas

Estudos Os Caminhos da Iniciação

Assinatura anual (4 ed./ano)

R$

??,00

Assinatura anual (4 ed./ano) R$ ??,00 pág. 17

pág. 17

Edição atrasada

R$

??,00

Pedidos

estrelarubi@quetzalcoatl-oto.org

Estrela Rubi é uma publicação trimestral da Loja Quetzalcoatl, Corpo Local Oficial da Ordo Templi Orientis internacional para a cidade do Rio de Janeiro, Brasil.

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As informações e opiniões aqui contidas são de inteira responsabilidade de seus autores e não são necessariamente compartilhadas pela O.T.O., seus Oficiais ou os demais membros da Ordem. Em caso de dúvidas, entre em contato com a Secretaria da Loja Quetzalcoatl.

© 2014, Loja Quetzalcoatl, Ordo Templi Orientis Brasil e Ordo Templi Orientis Internacional

Biblioteca Thelêmica O Chamado do 26º Aethyr

pág. 21Biblioteca Thelêmica O Chamado do 26º Aethyr Hooráculo pág. 22 e screva para nós ! Além

Hooráculo pág. 22
Hooráculo
pág. 22

escreva para nós!

Além de ajudar a melhorar nosso trabalho com sua opinião, apro- veite nosso espaço de comunica- ção para tirar dúvidas, dar ideias e manter contato com os membros da O.T.O. no Brasil.

E-mails para:

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editorial

Agora Iniciação é, pela origem etimológica, a viagem ao inte- rior, é a Viagem da Descoberta (oh mundo-maravilhoso!) da própria alma. E esta é Verdade que está à proa, eternamente alerta, o que é Verdade que fica com uma mão forte segurando o leme!”

Nada muda ou pode ser mudado, mas passa a ser verdadeiramente entendido a cada passo que damos no Caminho Iniciático.

A Iniciação pode ser considerada como principal ato religioso pelas sociedades clássicas ou tradicionais. É um revisitar consciente da condição existencial do próprio Individuo, que se liberta do tempo profano. A Iniciação recapitula a história divina do Homem e como tal do próprio Mundo e, através desta recapitulação consciente, o Homem e o mundo são santificados novamente

Assim o Iniciado pode se perceber como Deus e o mundo como sua obra sagrada.

Frater apollôn lycaeus Mestre da Loja QuetzaLcoatL - rio de janeiro

M estre da L oja Q uetzaLcoatL - r io de j aneiro n otÍcias Fim

notÍcias

Fim de ano civilda L oja Q uetzaLcoatL - r io de j aneiro n otÍcias O fim do

O fim do ano civil se aproxima, mas a Loja Quetzalcoatl não irá inter-

romper suas atividades.

Em janeiro estaremos divulgando o calendário com a programação para o ano de 2014. Não haverá pausa para nossas palestras abertas para convidados, instruções para membros e ritualística!

Novo Eventopara convidados, instruções para membros e ritualística! A partir de novembro de 2013 e.v., a Loja

A partir de novembro de 2013 e.v., a Loja Quetzalcoatl tem realizado

um novo evento: o Café Thelêmico. O encontro, numa base mensal, será uma reunião fraterna para debater textos thelêmicos, filmes e produções artísticas diversas sob a luz da Lei de Thelema.

O Café Thelêmico será um encontro mais reservado, onde, além de

Irmãos e Irmãs, somente seus familiares próximos ou candidatos à Ordem (já com as fichas assinadas pelos sponsors) poderão estar presentes.

Com isso, firmamos cada vez mais nosso trabalho público como pólo produtor de conhecimento.

nosso trabalho público como pólo produtor de conhecimento. Solstício de Verão Neste dia 21 de dezembro

Solstício de Verão

Neste dia 21 de dezembro estamos celebrando o Solstício de Verão, marcando, no Hemisfério Sul, o dia mais longo do ano.

Por mais uma vez, o Sol nos irradia com o meio-dia de sua Beleza e Triunfo. Gozamos do auge de sua Luz e da consciência de que o Sol, de fato, nunca se ergue e nunca se põe. Ele permanece contínuo, por mais que o experimentemos como fases, nutrindo e inspirando desde o centro de nosso Ser.

A Loja Quetzalcoatl deseja um Verão de exaltação e do mais refina-

do regozijo para todos!

de exaltação e do mais refina- do regozijo para todos! 66 anos da morte de Aleister

66 anos da morte de Aleister Crowley

O dia 1 de dezembro marca a data de falecimento de Aleister Cro-

wley. Há 66 anos, em Hastings, Inglaterra, o Profeta do Novo Aeon, aos seus 72 anos, partia para a realização de sua Grande Festa. Que

a Obra do homem que ousou falar que Deus residia na liberdade

do Humano possa florescer firme e continuamente nos tempos de hoje! Salve Profeta de Nu! Profeta de Had! Profeta de Ra-Hoor-Khu!

4

Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl ArtigoOrdo

4 Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl Artigo Ordo F rater e ros aBismo um minuto de
4 Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl Artigo Ordo F rater e ros aBismo um minuto de

Frater eros

Orientis — Loja Quetzalcoatl Artigo Ordo F rater e ros aBismo um minuto de silêncio p

aBismo

um minuto de silêncio

podemos entender nossas noites negras da alma à luz de um processo de luto?

quais um dos nomes é também depressão. A imagem sempre oferece um caminho: não seria o “fundo do poço” um local úmido e uterino, pronto para gerir algo novo? Não somos nós, na devida proporção, “bebês do abismo” gestados a cada noite negra?

A experiência da travessia do Abismo é amplamente descrita

na literatura thelêmica como marco da entrega da vida pes-

soal do Adepto à vida impessoal do Universo. O estudante

pode encontrar incontáveis referências a esse processo ao longo da obra de Aleister Crowley. Talvez possamos sintetizar, sem correr o risco de sermos levianos, os grandes limiares de Thelema em duas grandes Iniciações: o Anjo e o Abismo. Se o Sagrado Anjo Guardião nos ins- trui sobre a nossa Verdadeira Vontade (cuja Lei, sabemos, é Amor), o Abismo seria a apoteose da realização desse Amor. Sim, o Amor nos conduz direto ao abismo. Por fé, Nietzsche disse que o homem dança

à sua beirada. Por amor, o homem salta em seu desconhecido.

Não podemos deixar de notar a ironia que é Crowley ter buscado, em seus escritos, nos inspirar e transmitir imagens de uma experiência

que – ele mesmo frisaria – só o Silêncio faria jus. Arrisco que isso faça parte da Obra do Iniciado: em nome da Beleza, falar o que não dá para ser dito. Jamais seria possível traduzir a experiência do Abismo, muito menos num ensaio como este, anos-luz aquém da consecução vivi- da por Crowley. Mas, com sorte, conseguiremos inspirar a tolice que

é almejar o infinito. Sua devoção – a devoção a Ela, Nuit – jamais se

consumaria por qualquer motivo racional, apenas pelo mais injustifi- cável e embriagante amor. Dessa embriaguez, legamos as imagens do sangue na Taça de Babalon, ardente de amor e morte (Livro de Thoth, Atu XI). Também a imagem dos santos que deram sua última gota de vida para enchê-la, e do cinzento e austero cenário de uma Cidade de Pirâmides que são tumbas à beira do grande mar. E, sobre

o grande mar, a Grande Noite de Pan. Não seria insensato que tudo

isso nos despertasse pânico e deslumbramento. Aqui, estamos muito além da sensatez.

Essas imagens, por vezes, têm o dom de nos parecer distantes. A princípio, talvez seja por isso que elas nos entusiasmem. Mas, se a desolação do Abismo (Daath, na Árvore da Vida) ainda habita nossas

promessas mais inalcançadas e as crises do nosso intelecto resistente,

e quanto às nossas tantas noites da alma? E quanto às insônias, às an-

gústias existenciais e às perguntas que a razão e a sensatez não dão cabo? Nesses abismos nós cotidianamente nos debruçamos, muitas vezes sem perceber, até que já tenhamos entrado em seus vales, dos

Crowley escreve:

“O Universo é Mudança; toda Mudança é o efeito de um Ato de Amor; todos os Atos de Amor contém Pura Alegria. Morre diariamente. Morte é o ápice de uma curva da Serpente da Vida: contemplai todos os Opostos como complementos necessários, e regozija-te”. (Livro de Thoth, sobre o Atu XIII, “A Morte”).

Morte. Iniciação. Abismo. Todas essas palavras estão conectadas. Se

o Abismo é a grande morte, e se nossos pequenos abismos são pe-

quenas mortes diárias, precisamos, a fim de preservar uma estratégica dose de sanidade, perguntar: morte do quê? De quem? “Do ego!” – responderia o estudioso, na ponta da língua. O que essa resposta pré- -fabricada (embora verdadeira) não contempla é que ela isola o ego como estrangeiro: é uma estratégia para não nos identificarmos com sua experiência. Assim, ficamos com a impressão de que cercamos

o problema e o encurralamos. No entanto, se tratamos o ego como

uma coisa à parte, que pomos de lado para observar, isso só nos faz adiar a questão central: nós presumimos um observador que continua ali. Quando não só os objetos que nós metodicamente analisamos – como, por exemplo, nossas emoções e conceitos, “ego” inclusive – se desmaterializam, mas também o próprio observador começa a se li-

quefazer, então talvez vejamos algo interesse acontecendo. Talvez nos vejamos sem parâmetro, sem norte ou sul, agora sim, realmente sem referência de “eu”. Sem referências, sem mapas certos. O Abismo não foi também descrito como um Deserto? Os pequenos abismos tam- bém não o seriam? Perdidos no deserto, tudo parece o mesmo e não sabemos se andamos em círculos. O deserto é um vazio de imagens

– exatamente elas, que nos servem de baliza no mundo.

Parece que estamos falando, então, da morte de nossas represen-

tações. Talvez isso inclua a morte da imagem que tínhamos sobre a própria morte, sobre o abismo e sobre o que pensávamos sobre a Ini- ciação. Se esses pequenos abismos de paradoxo e crise são mortes, talvez possamos entendê-los à luz de um processo de luto. Sigmund Freud, em seu texto “Luto e melancolia”, pode nos ser extremamente

útil:

“O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda

Estrela RubiArtigo

de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante”.

Essa perda, diz Freud, faz com que aban-

donemos provisoriamente o investimento libidinal que depositávamos sobre as coisas

e o dirijamos para nós mesmos. Falando de

outro modo, vemos que o mundo não cor- responde mais à imagem do nosso objeto amado e precisamos introverter esse amor para nos reestruturarmos, quase sempre sem saber o que sairá disso. Cada morte – de um ente querido, de um ideal – é uma cri- se de amor e uma questão sobre como ele vinha sendo direcionado. O amor é nossa questão central. É nossa substância. Amor sob vontade: para onde apontamos a flecha do amor? Essa percepção não é só filosófica, mas de cunho iniciático: após a morte do objeto amado, o amor continua existindo. Mesmo se o objeto amado sou eu. Podemos ler o luto como o processo pelo qual nos desprendemos de uma forma antes investi- da. O apego à forma limita o amor, embora seu objeto, imagem ou representação tenha cumprido a função de revelá-lo a nós.

Podemos tentar intuir a dimensão dessa de- solação. O que somos nós sem as represen- tações que nos guiaram até aqui? Elas nos atenderam tão bem! Inclusive as imagens do amor que nos tocaram o peito. Não é o mun- do astral conhecido como “tesouro das ima- gens”? Suas visões terríveis e deliciosas não nos levaram a inúmeros insights? Sem elas, teríamos sequer nos inspirado ao primeiro passo? No Liber 418, Aethyr DEO, nós lemos:

“E a voz diz: Estes são aqueles que tomaram

o amor e se agarraram a ele, rezando sempre

aos joelhos da grande deusa. Estes são aque- les que fecharam a si mesmos em fortalezas

Agora novamente eu vejo essas

de Amor (

almas errantes que buscaram amor restrito e

não entenderam que ‘a palavra do pecado

é restrição’”.

)

Tais cenas descrevem os “Irmãos Negros” –

aqueles que, mesmo tendo atingido um alto grau de consecução espiritual, encastelaram

o amor. De um modo talvez conflitante de-

mais para o intelecto, a Voz do Aethyr chega

a sugerir que mesmo eles são apropriados

pelo plano do Amor, embora eles “batam-se uns contra os outros e ainda assim não vejam uns aos outros, ou não possam ver uns aos outros, porque estão tão fechados em seus mantos”. Talvez Virgílio possa ser citado: “Om- nia Vincit Amor” (“O amor vence tudo”).

Na devida proporção, nós mesmos não in- corremos nessa rotina? Em seu livro “O mito da análise”, James Hillman sugere que “no nível mais profundo do medo aparece um eros”. Isto é, fechar-se é temer, em última ins- tância, o amor. O medo seria, então, medo de amar. Temos medo de estarmos expos- tos. Temos medo da morte. Temos medo da Iniciação. Poderíamos pensar a Iniciação em termos de graus do amor. Tudo isso se cons- tela com um centro em comum.

Outro conceito que Freud nos apresenta em seu texto é a melancolia. A melancolia, na sua leitura, se daria quando a vivência da per- da do objeto amado não é devidamente in- tegrada pela consciência. Por alguma razão, ele não mortificou: um resíduo fica, e desde o inconsciente ele nos consome.

“A diferença consiste em que a inibição do melancólico nos parece enigmática porque não podemos ver o que é que o está absor- vendo tão completamente. O melancólico exibe ainda uma outra coisa que está ausen- te no luto — uma diminuição extraordinária de sua autoestima, um empobrecimento de seu ego em grande escala”. (Freud, ibid).

Freud está falando de um processo adap- tativo do ego. Mas não podemos analisar esse conceito também por um viés iniciá- tico? Não teria o “melancólico”, nesse con- texto, falhado em dar “todo o seu sangue”? Nesse caso, seu ego não inflou como o do Irmão Negro, mas ambos protagonizam uma forma de colapso. Esse resíduo de san- gue bastaria para colonizar o indivíduo, por meio do apego ao objeto putrefato. Minha última fortaleza, mesmo que pequenina, minha última imagem adocicada do amor – reter essa minha última gota drenaria todo o processo que é de morte e, na realidade, da verdadeira consumação do amor. O “melan- cólico” converte a realidade do seu abismo em depressão quando admite como reais as representações às quais se apegou. O Irmão

Negro, em outra escala, também vive na imi-

quando seu

medo vier” (Liber 418, Aethyr DEO). Agarrado àquilo que conhece, ele se recusa em fazer a transição. No capítulo 0 do Liber 333 (o Livro das Mentiras), podemos ler:

nência de uma “calamidade (

)

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“O Abismo

A Palavra é quebrada.

Há Conhecimento. Conhecimento é Relação. Estes fragmentos são Criação”.

O Abismo é Conhecimento. Ao nos apegar-

mos aos objetos de nosso conhecimento, admitimos esses objetos como literais, e não como investimentos de nosso amor. Ao acharmos que o Conhecimento do objeto é real, somos obcecados por sua literalidade. Quando sentimos, pelo conhecimento, que retemos e dominamos um objeto, com isso lisonjeamos o poder ilusório do eu. Mas o eu não pode conter ou dominar a Mudança, que atua sobre os objetos e sobre o próprio eu. Por isso Daath não é descrita como uma

sefira real: conhecimento, enquanto restrição

a uma forma, é ignorância. É amplamente

descrito por Crowley que a travessia do Abis- mo culmina no Entendimento – as formas, portanto, devem ser superadas à luz da com- preensão. Poderíamos ver nisso outro cami- nho que confirma o entendimento de que “conhecimento é relação” e, portanto, que o tema central do Abismo seja o amor? Amor e morte, amor e luto.

Há mais um ponto importante sobre a ima- gem do Deserto, símbolo do Abismo. É exa- tamente nesse cenário de desolação de ima- gens onde o grande ritual de invocação a Nuit é realizado: “Mas amar-me é melhor do que todas as coisas: se sob as estrelas notur- nas no deserto tu neste momento queimas meu incenso perante mim, invocando-me com um coração puro, e a chama da Ser- pente aí dentro, tu virás a deitar um pouco em meu seio. Por um beijo tu então estarás querendo dar tudo, mas aquele que der uma partícula de pó perderá tudo nessa hora ( )” (Liber AL I:61). Resta muito pouco a dizer, ex- ceto, talvez, fazer coro a Crowley, quando ele diz: “Morre diariamente” – e desejar a todos um minuto de silêncio que valha pela eter-

nidade.

Crowley, quando ele diz: “Morre diariamente” – e desejar a todos um minuto de silêncio que
Crowley, quando ele diz: “Morre diariamente” – e desejar a todos um minuto de silêncio que

Ordo Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl

6Artigo
6Artigo
Ordo Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl 6Artigo F rater t hoth a importÂncia da iniciação a

Frater thoth

a importÂncia da

Loja Quetzalcoatl 6Artigo F rater t hoth a importÂncia da iniciação a s formas da i

iniciação

as formas da iniciação mudaram, mas sua essência permanece a mesma.

A iniciação significa a perpetuação da ciência e implica em uma hierarquia de conhecimento. O termo vem do latim Initiatio, que remete a começo, entrada, po-

dendo também significar a entrada em uma nova existência. Em muitas sociedades, é uma cerimônia onde um novo mem- bro é introduzido após um ritual, que geralmente é conduzido por um membro veterano, contendo novos conhecimentos e provas de fortalecimento do caráter e da psique. Através dos anos, as formas de iniciação mudaram, mas nunca perderam sua essência, sua mensagem principal.

A iniciação existe em várias sociedades, desde tribos isoladas

até os mais elaborados rituais de iniciação religiosa que exis- tem em nossa sociedade contemporânea. Os rituais mais pri- mitivos, tribais, consistem no simbolismo da passagem para o mundo adulto, onde o iniciando tem que passar por provas de sobrevivência, isolado de seu ambiente conhecido. Em tribos distantes, muitas vezes o próprio iniciando tem que construir

a cabana onde ficará isolado e caçar sua própria comida, por

exemplo. Tal simbolismo é encontrado até hoje em muitos ri- tuais iniciáticos. Os ritos atuais são baseados nos primitivos e tem por objetivo os mesmos ensinamentos básicos, embora não sejam mais tão radicais, pelo menos não na nossa so- ciedade. Porém, fundamentalmente, acabam encerrando os mesmo princípios, através de outros simbolismos. De maneira bem superficial, os rituais de iniciação simbolizam a passa- gem para outro estágio de conhecimento e existência.

No antigo Egito, as iniciações já ganham seu cunho religio- so. Faziam parte das cerimônias de entrada do adepto às escolas de Mistérios. Desta forma, os ritos de iniciação pas- sam ser utilizados no contexto religioso e não apenas como passagem para o estágio adulto da vida. Para fazer parte das escolas e subir na hierarquia de conhecimento proposta por elas, é necessário passar pelos rituais de iniciação. Nestas, o Adepto entregava inteiramente sua vida e liberdade aos mes- tres dos templos de Mênfis e Tebas. Avançava resolutamente através de perigos como atravessar fogueiras, nadar através de correntes de água escura e borbulhante, ficavam à beira

de abismos sem fundo. Esta renúncia momentânea de sua li- berdade é o maior exercício da própria liberdade. Nos dias

de hoje, muitas escolas de Mistérios ainda utilizam os rituais do Egito Antigo, ou versões modificadas deles. As sociedades iniciáticas perpetuam estas tradições na atualidade. O adepto

é iniciado em vários graus, que representam a evolução do

conhecimento. Em um primeiro momento, são considerados aspirantes à Ordem, sendo posteriormente efetivados mem- bros. Somente atingimos objetivos através de nossos esfor- ços. Este é o aprendizado básico da iniciação. Uma marcha constante em direção ao conhecimento.

Dentro da filosofia das sociedades iniciáticas, segundo o fa- moso livro Dogma e Ritual de Alta Magia, de Eliphas Lévi: “O iniciado é aquele que possui a lâmpada de Trismegisto, o manto de Apolônio e o bastão dos patriarcas. A lâmpada de Trismegisto é a razão iluminada pela inteligência, o manto de Apolônio é a posse completa de si mesmo que isola o sábio

das correntes instintivas e o bastão dos patriarcas é o socorro das forças ocultas e perpétuas da natureza. O iniciado, então, reina sobre a superstição e pela superstição e só ele pode marchar sozinho nas trevas, apoiado em seu bastão, envolto em seu manto e iluminado por sua lâmpada”. Assim, o cami- nho iniciático deve ser seguido sozinho, por sua própria expe- riência em última instância, mas apoiado nos conhecimentos

e graus da Ordem. O caminho da realização da Grande Obra é

pessoal e intransferível, sendo assim da responsabilidade de cada um achar o seu caminho, com o auxílio de seus compa- nheiros de jornada. “A razão foi outorgada a todos os homens, porém nem todos sabem fazer uso dela; é uma ciência que é necessária aprender. A liberdade foi oferecida a todos, mas nem todos sabem nela se apoiar: é um poder do qual é neces- sário se apossar”, ainda no mesmo livro citado anteriormente, que nos mostra o cunho pessoal do caminho iniciático, que vai definir o desempenho de cada um.

A iniciação nos mistérios confere novos conhecimentos ao adepto, auxiliando-o no uso de seu senso crítico. Citando novamente Eliphas Lévi: “A iniciação protege das falsas luzes do misticismo; outorga à razão humana seu valor relativo e sua infalibilidade proporcional, unindo-a a razão suprema por meio da cadeia das analogias”. Pode-se concluir acerca desta afirmação que o iniciado não tem esperanças duvidosas nem temores absurdos, pois tem o senso crítico aguçado e não se deixa levar por crenças sem fundamento, irrazoáveis. Pode-

Estrela RubiArtigo

mos também atribuir uma nova interpretação para a lâmpada,

o manto e o cajado do iniciado, que nos remete à figura do

Eremita do Tarot: a lâmpada representa o saber, o manto em que se envolve representa sua discrição e o cajado é o emble- ma de sua força e de sua audácia. Estas são as características principais do Adepto, no seu caminhar solitário em direção à realização da Grande Obra, que nada mais é do que a criação de si mesmo.

Nesta vida, todos são chamados a participar, mas poucos al- cançam o sucesso da criação de sua própria identidade. Mui- tos desejam ser algo, mas poucos se tornam algo, fruto de

seus esforços. Aqueles que são senhores de si mesmo tornam- -se facilmente senhores dos outros. Então, naturalmente, o mundo começa a ser dominado por aqueles que dominam a

si mesmo em primeiro lugar, para depois dominar o próximo.

Porém, aqueles que são senhores de si podem acabar entran- do em conflito, se não compartilharem das mesmas ideias fundamentais, apoiadas nas próprias bases da inteligência

e da razão. Assim, se torna necessária uma mesma filosofia,

perpetuada pela iniciação, para que haja comunhão de ideias

e não se opere mais um colapso social. Citando novamente

Eliphas Lévi: “Esta religião, da qual as outras foram sucessi- vamente os véus e as sombras, é a que demonstra o ser pelo

7
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ser, a vontade pela razão, a razão pela evidência e o senso co- mum. É a que prova por meio das realidades a razão de ser das hipóteses, independentemente e fora das realidades. É a que tem por base o dogma das analogias universais”. Vemos en- tão o papel fundamental da iniciação dentro da religião, que

é o de recrutar novos sacerdotes estabelecendo a continui-

dade da filosofia por ela divulgada. Naturalmente, as formas

filosóficas e religiosas perecem quando a iniciação cessa no santuário. “A vida é uma batalha em que cumpre submeter-se

a provas para ascender em grau. A força não é concedida, é preciso conquistá-la.”

A iniciação é a perpetuação da ciência. Através dela é estabele-

cida a continuidade dos conhecimentos e a também dos estu- dos que permitem aprimorar o conhecimento. A iniciação sim- boliza uma passagem, fundamentalmente, para outro estágio de existência. Existe desde os primórdios da humanidade em

diversas formas e deve continuar a existir para que proporcione

a comunhão de ideias que mantêm a estrutura social íntegra,

afinal, pregar a igualdade para o que está abaixo sem indicar- -lhe os meios de como se elevar é obrigar-se à descida. Para erguer uma sociedade corrompida, ou ainda criar uma nova so- ciedade, é preciso estabelecer a hierarquia e a iniciação. Assim,

a iniciação é a perpetuação da existência.

so- ciedade, é preciso estabelecer a hierarquia e a iniciação. Assim, a iniciação é a perpetuação
so- ciedade, é preciso estabelecer a hierarquia e a iniciação. Assim, a iniciação é a perpetuação

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Artigo

Ordo Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl

8 Artigo Ordo Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl F rater e ros
8 Artigo Ordo Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl F rater e ros

Frater eros

8 Artigo Ordo Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl F rater e ros

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de Capa Estrela RubiMatéria

9 de Capa Estrela Rubi Matéria F rater K in -F o p assando do v

Frater Kin-Fo

passando do velho ao novo aeon - a o.t.o. assumiu uma nova fórmula iniciática após seu perÍodo como academia maçônica

iniciática após seu perÍodo como a cademia m açônica E stá escrito no site da representação

E stá escrito no site da representação brasileira da Ordo Templi Orientis:

“A Ordo Templi Orientis — Ordem do Templo do Leste, ou ainda Ordem dos Templários Orientais –, ou simplesmente O.T.O., é uma Ordem voltada ao en- grandecimento do Ser Humano e à consagração de sua Liberdade, através do seu avanço em Luz, Sabedoria, Entendimento, Conhecimento e Poder. A O.T.O. trabalha dentro dos princípios da Lei de Thelema, como consta na re- velação do Liber AL vel Legis (O Livro da Lei), a fim de fundar as bases de uma Irmandade Universal por meio da Beleza, Coragem e Inteligência”.

A Ordo Templi Orientis foi fundada no início do século XX na Alemanha.

Ela foi a primeira das grandes ordens do antigo Aeon a aceitar a Lei de Thelema, promulgada através do Liber AL Vel Legis, ou o Livro da Lei.

É aceito que Mentor espiritual da sua fundação foi Karl Kellner, um rico

industrial austríaco da indústria química. Kellner foi maçom, rosacruz e estudante do Misticismo, em geral Oriental. Viajou extensamente pela Europa, América e Ásia Menor. Durante suas viagens, ele alegou ter en- trado em contato com três Adeptos (um Sufi, Soliman ben Aifa, e dois Tantristas hindus, Bhima Sena Pratapa de Lahore e Sri Mahatma Agamya Paramahamsa) e uma organização chamada “A Irmandade Hermética da Luz”. Esses encontros teriam fornecido a Kellner a “chave” para com- preender os segredos contidos nos graus maçônicos.

Porém, o certo é que a Ordo Templi Orientis foi fundada por Theodor Reuss. Reuss foi canto lírico, jornalista, ocultista tântrico e divulgador de ideias feministas no final do século XIX e início do século XX. Ele nasceu em 1855 e trabalhou com nomes como Richard Wagner, que conheceu em 1873. Ele tomou parte na primeira apresentação em Parsifal em 1882.

Reuss foi iniciado na maçonaria regular na Loja Maçônica Peregrino, onde galgou os graus de aprendiz, companheiro e mestre. Com o tem- po, buscou raízes mais místicas na maçonaria, se tornando uma figura conhecida da maçonaria europeia. Foi responsável tanto pela abertura de lojas do Rito de Swedenborg na Alemanha quanto pela criação do primeiro capítulo da Societas Rosacruciana in Anglia nesse país.

Outro personagem de destaque na história da O.T.O foi John Yarker. Nas- cido em 1833, Yarker foi um dos grandes nomes e estudiosos da franco- -maçonaria. Iniciado nessa instituição aos 21 anos na Loja Integridade nº 189 em Manchester, se tornou Mestre Maçom no começo de 1855. Durante esse período, trabalhou ativamente nos altos graus, buscando conciliar o conhecimento científico de história e filosofia com o conhe- cimento maçônico. Foi um dos responsáveis pela reativação do rito de

de história e filosofia com o conhe- cimento maçônico. Foi um dos responsáveis pela reativação do

Ordo Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl

Memphis Misraim na Europa e do Antigo e Primitivo Rito da Maçonaria na Inglaterra, sob a organização americana de Harry Seymour.

Foi através de Yarker que Kellner e Reuss se conheceram. Kellner expôs seu pensamento a respeito da chave para interpretação do conheci- mento maçônico do ponto de vista da yoga e da magia sexual. Reuss, enquanto portador das mais altas patentes dos ritos maçônicos de Swe- denborg, Escocês Antigo e Aceito, de Memphis e de Mirzraim, começou

a estudar o dito segredo dos ritos maçônicos sob esse prisma, a ponto

de chegar a conclusão que seria preciso constituir uma nova instituição que permitisse seu estudo, disseminação e evolução. Assim, surgiu a

tismo e ao catolicismo, o parlamento opta por entregar o trono, George Louis, Duque de Brunswick-Lüneburg e bisneto de William I, neto de James IV, que inicia a dinastia dos Hanover.

Muitas coisas fizeram com que o Rei George fosse impopular, como, por exemplo, o fato de que durante sua vida o monarca não buscou sequer aprender como falar inglês. Além disso, a corrupção da dinastia estran- geira atingia todos os níveis do governo. O risco de golpe conta a coroa

era constante, assim, grupos como as guildas de construtores, favoráveis

à dinastia dos Stuart, eram vistas com maus olhos pela coroa.

ideia de uma academia maçônica, que viria a se chamar Ordo Templi

Essas guildas se reuniam em Lodges – local de descanso, normalmente

Orientis.

o

barracão ao lado das construções que serviam para o armazenamen-

to

de ferramentas, planos, etc. Suas reuniões sociais, tanto de lazer e pla-

Vemos que o passado da Ordem se encontra intimamente ligado à Maçonaria. Portanto, para que possamos conhecer bem sua história e qual a sua forma de iniciação, precisamos nos aprofundar no que é a Maçonaria.

A História

Para tal, precisamos voltar à Grã Bretanha, mais precisamente ao século X. Nessa época, a ilha se encontrava dividida em diversos reinos. Na al- tura, o Rei Athelstan concedeu ao seu filho bastardo Edwin a liderança da guilda de pedreiros locais. Nessa época as Guildas eram instituições poderosas. Na Idade Média, o conhecimento valia muito, e garantir o segredo desse conhecimento era garantir a refeição na mesa.

Nas feiras medievais, era comum que as Guildas arrebatassem novos pupilos e demonstrassem seu poder através dos Mistery Plays, encena- ções de passagens e histórias religiosas que tivessem alguma relação com o ofício da Guilda. Assim, era comum aos pedreiros dessa época encenar passagens relativas à construção do templo de Salomão, de modo a clamar para si ancestralidade.

Avançando alguns séculos à frente, temos em 1603 a Inglaterra já forma- da como reino, porém com uma rainha moribunda em seu comando. Nesse ano, Elisabete I falece e deixa como herdeiro do trono inglês Ja- mes IV, filho de Mary Stuart, rainha da Escócia.

James IV foi primeiro rei de uma dinastia inglesa, mas de origem esco- cesa dos Stuarts. A dinastia escocesa teria seus altos e baixos, com dois

reis (Charles I e James III) sendo exilados na França, e o próprio James IV

e Charles II que promovem a reforma de Londres (onde as construções

de alvenaria fazem com que a guilda de pedreiros e construtores ganhe mais destaque na sociedade), a criação da Royal Society (academia que abraçaria importantes nomes como o de Sir Isaac Newton) e a criação da tradução oficial da bíblia que perdura até os dias atuais, a King James Bible.

O final da dinastia escocesa dos Stuarts aconteceu com o governo da Rainha Ana, que no século XVIII uniu as coroas da Escócia e da Inglaterra formando o Reino Unido, mas que veio a falecer sem deixar herdeiros. Buscando fugir dos descentes exilados na França, partidários ao absolu-

dos descentes exilados na França, partidários ao absolu- nejamento, ocorriam a portas fechadas em Coffee Shops,

nejamento, ocorriam a portas fechadas em Coffee Shops, os cafés locais.

Interessante notar que a corruptela “Loja” em português surge a partir

do termo Lodge. Em uma época antes da internet, os cafés eram o local

preferido para os viajantes trocarem informação. Partidários dos Stuarts no exílio buscavam informação sobre os Hannover através das Cofee Shops. Assim, era natural que a monarquia temesse esses encontros a portas trancadas.

Assim, buscando controlar esses encontros, a coroa promoveu sua uni-

ficação sob as asas da primeira Grande Loja de Londres, nascida em 24

de junho de 1717, tendo aristocratas ligados à construção a sua frente.

Essa Grande Loja clamou para si o controle universal da maçonaria em seus três graus: aprendiz, companheiro e mestre e buscou aprovação das demais lojas sob a motivação de manter protegidos os segredos referentes os construtores.

O segredo não durou muito tempo. Em 1730 um homem chamado

Samuel Prichard publica “Maçonaria Dissecada”, o que provocou uma

resposta rápida da Grande Loja de Londres, que alterou todos os graus

e seus segredos envolvidos, gerando problemas com construtores de

outras partes da Grã Bretanha, que se viram como “irregulares” da noite para o dia. Esses formaram então a chamada “Grande Loja dos Antigos”, iniciando uma disputa que duraria até o século XIX, quando o Duque

de Sussex conseguiu reunificar a estrutura maçônica inglesa, formando

assim a Grande Loja Unida da Inglaterra, que clamou para si a soberania

da Antiga e Pura Maçonaria. Essa Antiga e Pura Maçonaria consistiria de

apenas três graus, a saber: o Aprendiz, Companheiro e Mestre, incluindo

a Suprema Ordem do Sagrado Real Arco.

Enquanto na Inglaterra os Modernos e os Franceses brigavam, na Fran-

ça a maçonaria era uma novidade trazida pelos Stuarts em seu exílio.

Sendo uma dinastia de origem escocesa, não demorou até que o termo “escocês” se tornasse sinônimo de maçonaria naquele país.

Um dos nomes mais importantes da maçonaria francesa foi André Mi- guel Ramsay. Escocês calvinista, Ramsay acompanhou os Stuarts em seu

exílio e se converteu ao catolicismo. Foi preceptor dos filhos do Duque de Bouillon, que por sua vez era descendente direto de Godofredo, líder

da cruzada de 1099 que tomou Jerusalém, cujo irmão foi Balduíno I, pri-

meiro rei cristão de Jerusalém. Foi ele que deu aos Templários o Templo

de Capa Estrela RubiMatéria

de Salomão. Assim, buscando apreço de seu patrocinador, Ramsay pas-

sou a divulgar as supostas ligações históricas entre a Ordem do Templo

e a Maçonaria Escocesa.

Templários, lendas do oriente e conspirações em prol da dinastia exila- da. Essa combinação de fatores fez com que várias ramificações surgis- sem na maçonaria continental. Na cidade de Lion surgiu o grau Kadosh, dos comprometidos com a causa do monarca exilado. Nessa mesma época, um Barão chamado Von Hund criou a Ordem de Estrita Obser- vância Templária, obedientes a um Superior Desconhecido, na verdade

o Conde de Eglinton, nobre fiel à causa dos Stuarts exilados. O capítu- lo de Clermont, criado pelo Conde Luís de Bourbon, seguiu o mesmo princípio.

Outros graus maçônicos nasceram na França e se espalharam rapi- damente pela Europa. Influenciados por causas políticas ligadas aos Stuarts, esses graus acabaram abraçados por pessoas completamente alheias à política inglesa, e com isso o conhecimento passou a ser asso- ciado cada vez mais a assuntos místicos e esotéricos. Os construtores e pedreiros das guildas tradicionais já não eram maioria, principalmente pelos efeitos sociais da revolução industrial.

Buscando uma estruturação dos graus continentais surgiu o Conselho dos Imperadores do Ocidente e do Oriente, unindo maçons franceses

e alemães, que ordenou graus do 4º ao 22º, criando o chamado Rito de

Heredom. Nessa mesma época, um comerciante chamado Étienne Mo- rin recebeu uma carta patente desse conselho para a criação de corpos locais do Rito de Perfeição na América. Morin passou pela Jamaica e por

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Santo Domingo (Haiti) onde fundou corpos locais, para em seguida ir aos Estados Unidos, fundar loja e distribuir cartas patentes. Na ocasião, Morin teve a oportunidade de realizar pequenas modificações nos ritu- ais existentes, aumentando o rito para 25º.

A maçonaria americana possuía uma história curiosa. Lá, a maçonaria

chegou pelas mãos de soldados irlandeses e escoceses, com costumes próprios da Grande Loja dos Antigos. As tradições desses imigrantes fo- ram agrupadas e ordenadas por escritores como William Prestom, Tho- mas Smith Webb e Malcom Ducan. Assim, o que na Inglaterra foi visto como um perigo ao segredo, nos Estados Unidos foi tido como normal, que o rito tivesse autor e copyright.

Os americanos trabalhavam com um sistema derivado dos costumes antigos, que contemplava: 3 graus simbólicos (aprendiz, companheiro

e mestre) e 4 graus capitulares (mestre de marca, past máster, mui ex-

celente mestre e maçom do real arco). Os ritos que Morin traziam eram uma novidade, e acabaram sendo bem aceitos, principalmente nos es-

tados sulistas.

O Rito de Morin seria posteriormente modificado por seus iniciados,

mas com algumas incoerências. De modo a resolver essas questões, em 31 de maio de 1801 um grupo de maçons, possuidores de graus do rito

se reuniram em Charleston, na Carolina do Sul, para realizar uma grande reestruturação, dando origem assim ao famoso Rito Escocês Antigo e Aceito, com seus 33 graus.

A rivalidade entre os estados fez com que nessa ocasião fosse acorda-

Rito Escocês Antigo e Aceito, com seus 33 graus. A rivalidade entre os estados fez com

Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl Matéria de CapaOrdo

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da a existência de dois supremos conselhos, um para o norte e outro

sente entre os Farroupilhas no Brasil, ocultista e maçom, Garibaldi bus-

para o sul, porém ambos reconhecendo o conselho de Charleston (Sul)

cou

a união entre os Ritos de Memphis e Misraim em 1881, tomando

como o Primaz. Nesse momento entrou em cena um homem chamado

para

si o cargo de Grande Hierofante. Com a sua morte, o Soberano

Joseph Cerneau. Natural da França, Cernau recebeu carta patente para

Santuário do rito de Memphis e Misraim passou as mãos do professor

o

estabelecimento de corpos dos altos graus do rito de Morin. Tendo

Ferdinando Francesco Degli Oddi, que por sua vez passou a patente a

imigrado para os EUA no começo do século XIX, tomou a liberdade de

John

Yarker, como Soberano Grande Comendador do Rito de Memphis

efetuar modificações semelhantes ao do conselho de Charlestone, es- tabelecendo um supremo conselho da tradição escocesa em Nova York

e

Misraim para o Reino Unido.

- na ocasião, os ânimos entre o estado nortistas e os sulistas não era dos

O

Rito de Swedenborg por sua vez foi o menos expressivo dos colhidos

melhores, assim um conselho alternativo era bem visto pelos ianques.

na fundação da Ordo Templi Orientis. Ele não foi criado pelo poeta sue- co Emanuel Swedenborg, ao contrário foi criado na França no século

Durante e após a Guerra Civil americana disputas políticas entre os Conselhos do REAA do Norte e do Sul fizeram com que o Conselho de Cerneau fosse reconhecido e não reconhecido diversas vezes durante

o século XIX.

Outro Rito bem polêmico na história da maçonaria foi o Rito de Mem- phis e Misraim. Com influências egípcias, esse rito foi criado na França, mas só foi formalizado nos Estados Unidos. Sua origem se encontra na união de dois ritos distintos: O Rito de Memphis e o Rito de Misraim.

XVIII pelo ex-beneditino Antoine-Joseph Pernety, mas tinha como base

o catolicismo e o misticismo do poeta sueco, logo uma resposta ao mis-

ticismo na maçonaria. Ganhou alguns adeptos, mas foi pouco praticado, servindo mais de material de estudo devido a inspiração se encontra no Velho Testamento, com o maçom vivendo a queda do homem rumo à encarnação e sua posterior volta à Divindade.

A Mudança

Assim, vemos como uma associação informal nascida na Idade Média

Misraim vem do hebraico “Mizrahi” que serve para designar algo judeu

com

um rito ecumênico cristão avança pelos séculos, tornando-se, ao

de origem egípcia, babilônica ou persa. O rito doi criado pelo Conde

mesmo tempo, lugar social para o encontro de pensadores, revolucioná-

Cagliostro, médico, alquimista e estudante de ocultismo. Cagliostro via-

rios,

políticos, místicos e filósofos. O passar dos séculos, a pluralidade de

jou por toda sua vida pela Europa e pelo Oriente Médio. Envolveu-se

pensamento e as diferentes correntes internas fizeram com que a maço-

em diversos escândalos de roubos que o fez migrar diversas vezes pela

naria

se tornasse um misto onde a diferenciação entre esotérico e exoté-

Europa. Foi membro da corte de Luís XVI, de onde fugiu antes da Revo-

rico,

profano e sagrado, tornava-se confusa e complicada. Os segredos

lução Francesa, mas acabou morto pela Inquisição em 1791.

pertencentes a cada um dos graus e ritos corriam constantemente o

risco

de serem perdidos, em prol da vontade individual de alguns per-

O

Rito de Misraim possuía 90º, que eram divididos em séries de graus

sonagens, sem que fossem corretamente compreendidos e assimilados.

simbólicos (1º ao 33º), graus filosóficos (34º ao 66º), graus místicos (67º ao 77º) e graus cabalistas (78º ao 90º).

Os diferentes ritos maçônicos, apesar de ricos em simbolismo, possuíam

Nascido na França, em meio a “Egiptomania” pós-Revolução Francesa,

ainda uma lacuna a ser preenchida, que era a falta do meio congrega- cional, do sacerdócio e da eucarística. Ecumênica e refém dos interesses

o

Rito de Memphis foi fundado por oficiais que acompanharam as pri-

políticos, a maçonaria fora incapaz de assumir, criar e manter um corpo

meiras expedições francesas ao Egito. Rumores diziam que o próprio Napoleão Bonaparte teria sido iniciado nesse rito, durante sua expedi-

religioso dentro da sua estrutura. Durante os séculos, a maçonaria se viu numa relação de amor e ódio com a igreja. Com a O.T.O, enquanto Aca-

ção ao Egito. O Rito de Memphis teve sua primeira assembleia geral em 25 de setembro de 1838.

Nos Estados Unidos um homem chamado Harry J. Seymour entrou em cena para ajudar na estruturação de ambos os ritos. Ator, 33º pelo rito de Cerneau, foi mestre do Rito de Memphis naquele país. Seymour viajou para Europa em 1862 onde buscou novo reconhecimento dos Ritos, junto ao Grande Oriente de França e ao Consistório do REAA. Nes- sa mesma época ele recebeu críticas de Albert Pyke de que o rito não poderia ter mais de 33 graus. Assim, nasceu o Antigo e Primitivo Rito da Maçonaria, juntando todos os mais de 90 graus do Rito de Memphis em apenas 33 graus, divididos em: graus simbólicos (1 ao 3), capítulo rosa cruz (4 ao 11), senado e filósofos herméticos (12 as 20), grande conselho (21 ao 30) e oficial (31 ao 33).

A união do rito de Memphis com Misraim por sua vez viria ocorrer com

Giuseppe Garibaldi. Militar, responsável pela Unificação Italiana e pre-

Militar, responsável pela Unificação Italiana e pre- demia Maçônica, seria diferente, mas para isso seria

demia Maçônica, seria diferente, mas para isso seria preciso trazer a igreja

para dentro da estrutura da O.T.O.

Reuss sabia que a ideia de religião e igreja no sentido católico romano é incompatível com os ideais iniciáticos. Assim, Reuss buscou na tradição gnóstica a linha religiosa para a O.T.O. É certo que o Ocidente conheceu

uma série de ramificações do gnosticismo. Embora o termo seja gené-

rico para tradições distintas, podemos encontrar dentro do gnosticismo

cristão os seguintes princípios: Cristo como homem que alcançou esta- do de elevação, Existência de um Deus maior e de um Deus menor cria- dor do mundo – Demiurgo e Desvalorização da matéria ante o espírito.

Foi do médico e ocultista Gérard Encausse, conhecido como Papus, que Reuss recebeu a patente como bispo e formou a Ecclesia Gnostica Ca- tholica, que foi incorporada a O.T.O. Infelizmente, durante seu controle como OHO, a EGC teve um trabalho efêmero, sendo melhor aproveitada no futuro.

de Capa Estrela RubiMatéria

Vamos agora falar um pouco da relação entre Aleister Crowley e a Maço- naria. Edward Alexander Crowley foi iniciado na Loja Anglo-Saxã nº343 na França em 8 de outubro de 1904, passado a companheiro em no- vembro e elevado em 17 de dezembro de 1904. Durante uma viagem ao México, Crowley recebeu o grau 33º do Rito Escocês através de um maçom chamado Don Medina De Jesus, líder de um pequeno Supremo Conselho do Grau 33.

Muito se questionou sobre a regularidade desse Supremo Conselho no México. É possível tanto que Crowley tenha mentido sobre a sua existên- cia e iniciação, quanto é possível que se trate de um minúsculo corpo irregular, como tantos outros surgidos após Morin.

A relação de Crowley com a O.T.O por sua vez começou com o famoso

julgamento do processo movido por McGregor Matters contra a publi- cação dos Rituais Internos da Golden Dawn na revista The Equinox. O processo terminou com a vitória de Crowley, pois, no entendimento do

juiz, McGregor havia recebido a informação sobre a publicação com me- ses de antecedência, optando por contestar apenas quando os volumes

já estavam impressos, o que geraria prejuízo para o Editor.

Na época, a batalha acabou bem documentada pelos jornais e tabloi- des ingleses. Ao final, Crowley se tornou figura pública conhecida, e se aproveitou para se aproximar de outros grupos, que o congratulavam pela vitória sobre McGregor. Foi nessa ocasião que Crowley conheceu John Yarker, que em 29 de Novembro de 1910 reconheceu o 33º que ele recebeu no México, e lhe outorgou o mesmo grau pelo Conselho de Cerneau, além do 95º de Memphis e o 90º de Misraim.

Membro da SRIA, da Quorum Coronati, e mestre de diversos Ritos, Re- gulares e não regulares, Yarker era uma figura conhecida da maçonaria inglesa. Graças ao apoio de Yarker, Crowley conseguiu entrada e crédito nos meios maçônicos.

As histórias dizem que o primeiro encontro entre Reuss e Crowley acon- teceu em 1912, após o Julgamento, quando Reuss foi até a casa de Cro- wley e o acusou de ter publicado o segredo do IXº da sua Academia Maçônica. Crowley desmentiu (havia acabado de se livrar do julgamento contra McGregor e não pretendia ingressar em outro em seguida). Reuss então lhe mostou o Book of Lies, onde em um determinado capítulo estava o dito segredo. Após a conversa, Reuss convenceu Crowley que ele deveria realizar os juramentos apropriados. Dessa maneira, Crowley recebeu novamente o 33º do REAA e o VIIº da O.T.O.

Apesar de Crowley haver registrado em suas memórias o episódio dessa maneira, o mais provável é que o encontro de Reuss com Crowley te- nha ocorrido através de contatos via Yarker, e motivados pela vontade de Crowley em se filiar a um grupo de histórico maçônico, mas sem se prender às correntes da maçonaria inglesa.

Assim, Crowley passou então a operar uma seção da O.T.O no Reino Unido, chamada M.M.M ou Mysteria Mystica Maxima, responsável pelas iniciações até o VIIº. Recebendo o título administrativo de Xº, Rei da Ingla- terra de Irlanda para O.T.O, Crowley adotou o moto de Baphomet. Nessa

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ocasião a revista The Equinox se tornou um veículo da comunicação da O.T.O e da A.’.A.’.

Embora Reuss tenha reunido as patentes necessárias para a criação da O.T.O, faltou a ele habilidade para estruturar esse conhecimento em graus coerentes.

Até então a estrutura existente era do Iº ao VIIº se caracterizando pelo “conhecimento equivalente” ao grau 33º dos REAA, VIII e IXº referentes aos segredos da chave para compreensão desse conhecimento através da magia sexual e Xº para designar os reis e o OHO da ordem.

John Yarker faleceu em 20 de Março de 1913, deixando vagos os cargos

administrativos dos ritos que comandava. Nos meses seguintes, diversas disputas surgiram para definir os novos soberanos. Após alguma dispu-

ta, Crowley desistiu de lutar pelo espólio de Yarker e optou por fortalecer

a O.T.O.

Em Junho de 1913, Crowley escreveu nova petição a GLUI para tratar so- bre reconhecimento. Não há registros na GLUI sobre a resposta que teria sido enviada, que provavelmente deve ter sido nenhuma.

A motivação de Crowley provavelmente se devia ao desejo de possuir

igual patente e reconhecimento de Reuss e Yarker. Já na época, a O.T.O. defendia não infringir qualquer princípio de outro corpo maçônico, em- bora alegasse possuir a palavra perdida do 3º grau e a correta pronúncia da palavra do Arco Real.

Durante a 1ª Guerra Mundial, Crowley viajou para os Estados Unidos.

A despeito de outros fatos de seu período em solo americano, Crow-

ley travou contato com diversos membros importantes da maçonaria americana. Lá, ele tentou tanto o seu reconhecimento ante a Maçonaria regular, como da Ordo Templi Orientis.

Cartas trocadas entre ele, Charles Stansfeld Jones e Arnold Krumm Heller mostram que o discurso de que a O.T.O. não violava os direitos dos cor- pos maçônicos regulares, mas que ao mesmo tempo outorgava graus maçônicos não estava funcionando. Era preciso reformular os graus e afastar mais dos graus maçônicos tradicionais. Assim, ainda nos Estados Unidos, Crowley começou a reescrever os graus da O.T.O.

Crowley retornou a Europa em 1921, sem conseguir reconhecimento nem nos Estados Unidos nem na Inglaterra, Interessante notar que em 1964, a Loja Anglo Saxã onde Crowley foi iniciado se juntou a Grande Loja Nacional Francesa, que por sua vez era reconhecida pela Grande Loja Unida da Inglaterra. Assim, após sua morte, Crowley conseguiu en- fim seu reconhecimento.

A Maçonaria usa a fórmula do Velho Aeon e uma das maneiras de tra-

duzir a fórmula do Aeon é através do seu maçônico tradicional compos-

to de uma sala retangular, onde a parede oposta à porta de entrada é

identificada como leste, aquela junto a entrada de oeste e o lado direito como sul. Os quatro quadrantes, sendo ao leste o acento do presidente da loja (o Venerável Mestre) que abre os trabalhos; ao oeste o acento do

sendo ao leste o acento do presidente da loja (o Venerável Mestre) que abre os trabalhos;

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Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl Matéria de CapaOrdo

Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl Matéria de Capa Ordo vice-presidente (vigilante sênior) que fecha os trabalhos;

vice-presidente (vigilante sênior) que fecha os trabalhos; ao sul, ou meio

dia, o acento do vice-presidente adjunto (vigilante júnior) que conduz os trabalhos de recreação. Não há oficial ao norte, à meia noite, pois ali o Sol

se

acha morto.

O

sol “morre” durante a noite? Não. O tempo passou e o nosso entendi-

mento evoluiu, tal como Frater Achad descreveu em “Stepping Out of the Old Æon Into the New”:

“Vocês devem saber o quão profundamente nós fomos impressionados pelas ideias do Nascer e do Pôr do Sol; e como nossos irmãos de eras passadas, vendo o Sol desaparecer à noite e surgir novamente de ma- nhã, basearam todas as suas ideias religiosas nesta concepção única de um Deus Morto e Ressuscitado.

Esta era a ideia central de religião no Velho Aeon; mas nós a deixamos para trás, porque apesar de ela aparentemente estar baseada na Nature-

za (e os símbolos da Natureza são sempre verdadeiros), nós já ampliamos

essa ideia, que é apenas aparentemente verdadeira na Natureza. Desde a época, quando esse Ritual de Sacrifício e Morte foi concebido e declara- do, até então, nossos cientistas através da observação, vieram a descobrir que não era o Sol que se ergue e se põe, mas é a Terra onde nós vivemos que gira de tal forma que sua sombra nos separa da luz solar durante aquilo que nós chamamos a noite. O Sol não morre, como pensavam os antigos; Ele está sempre brilhando, sempre irradiando a Luz e Vida. Pare por um momento e pense o seguinte sobre o Sol, como Ele está brilhan- do de manhã, brilhando ao meio-dia, brilhando de tarde e brilhando de noite. Você tem essa ideia clara em sua mente? Você passou do velho Aeon para o Novo.”

Sobre os graus, todo maçom era “iniciado” no grau de aprendiz regis- trado. Nele, o homem morre para o mundo profano e inicia sua jornada em busca da luz do conhecimento dentro da ordem. É o grau da Pedra Bruta, tal como encontrada na natureza. Em seguida o maçom era “pas- sado” ao grau de companheiro de ofício, onde ele atinge a maturidade para consigo e sua responsabilidade para com o próximo. É o grau da Pedra Polida, que ainda demanda acertos em sua aresta.

O

culminar se encontra no 3º grau, o grau de Mestre Maçom. Nesse grau

o

maçom vive o drama de Hiram Abiff, arquiteto do templo de Salomão,

que durante os trabalhos no templo é cercado por três companheiros in- satisfeitos que clamam por promoção. Sem se render às ameaças, Hiram

é morto e seu corpo enterrado às pressas. Salomão ordena a busca ao

corpo, que é encontrado e elevado da cova provisória, para ser enterra- do com as devidas honras ao mesmo tempo em que os assassinos são capturados e mortos.

Ter seu corpo morto, elevado, faz com que o maçom experimente o

tema central da missa cristã, que é a morte do próprio Cristo. A lenda do 3º grau possibilita o indivíduo reconhecer em si seu próprio Cristo,

e por tal motivo a Maçonaria foi tão contestada pela igreja católica em diferentes épocas de sua história.

Porém, tal como o sol não morre ao entardecer, o indivíduo não se des-

o sol não morre ao entardecer, o indivíduo não se des- faz com a morte. O

faz com a morte. O que existe além? O Novo Aeon trouxe consigo a visão de que o homem não é apenas o seu corpo, a carcaça que nasce, cresce

e um dia morre, apodrece e acaba – tal como o sol, o indivíduo continua

a brilhar durante a sua noite.

Assim, Crowley considerava os rituais maçônicos tradicionais áridos, tal como o deserto do Saara. Alguns motivos colaboravam para isso:

As informações passadas em um determinado grau normalmente eram incompletas, e em alguns casos falhas. Assim o candidato era mantido na ignorância até receber o conhecimento graus depois.o deserto do Saara. Alguns motivos colaboravam para isso: Algumas informações pertencentes nos rituais eram de

Algumas informações pertencentes nos rituais eram de uma época onde o conhecimento da ciência e do mundo ainda era limitado. As- sim como no grau de Cavaleiro Rosa Cruz do Rito Escocês Antigo e Aceito, que boa parte do Rito era dedicado a ensinar ao candidato que existem outras religiões no mundo.na ignorância até receber o conhecimento graus depois. A falta de conhecimento da língua hebraica fazia

A falta de conhecimento da língua hebraica fazia com que traduções em cima de traduções se sucedessem, de modo que o conhecimen- to no ritual se perdia, formando palavras sem qualquer sentido ou significado.ensinar ao candidato que existem outras religiões no mundo. Outras questões institucionais chamavam a atenção de

Outras questões institucionais chamavam a atenção de Crowley, como

a falta de transparência existente para que um rito ou corpo maçôni-

co fosse considerado regular ou irregular e a constante necessidade da Maçonaria se provar para a sociedade, abrindo de maneira irrestrita seu mistério e perdendo o pouco significado místico que possuía, cujo úni- co resultado era a falta de relevância social e cultural.

Assim, ao elaborar os novos rituais para os graus da Ordo Templi Orien- tis, Crowley tomou como base os seguintes princípios:

Retirar as semelhanças com o simbolismo maçônico.tis, Crowley tomou como base os seguintes princípios: Aumentar a dramaticidade dos rituais. Eliminar os elementos

Aumentar a dramaticidade dos rituais.Retirar as semelhanças com o simbolismo maçônico. Eliminar os elementos exotéricos, ou do senso comum, dos

Eliminar os elementos exotéricos, ou do senso comum, dos rituais.simbolismo maçônico. Aumentar a dramaticidade dos rituais. Reduzir os graus a um sistema compacto e coerente.

Reduzir os graus a um sistema compacto e coerente.os elementos exotéricos, ou do senso comum, dos rituais. Adaptar a estrutura aos princípios do novo

Adaptar a estrutura aos princípios do novo Aeon e da Lei de Thelema.rituais. Reduzir os graus a um sistema compacto e coerente. Em carta dirigia a Arnold Krumm-Heller,

Em carta dirigia a Arnold Krumm-Heller, ocultista alemão e iniciado na O.T.O, Crowley escreveu que:

“Devo fazer aqui uma pausa para apontar uma mudança essencial e fun- damental que é necessária em qualquer ritual com o qual eu tenha algo a fazer que é a completa renúncia ao culto dos Deuses–Escravagistas. É impos- sível para um homem livre conhecer qualquer sistema que está ligado aos fetiches de selvagens cujo único motivo para ação é o medo nascido de sua própria ignorância.”

Assim surgiu a atual estrutura da Ordo Templi Orientis, dividida em ape-

de Capa Estrela RubiMatéria

nas três graus, ou séries, a saber: o eremita, os amantes e o homem da terra. Essa divisão é compatível com dizeres presentes no Liber AL Vel Legis, pedra fundamental do Novo Aeon. Cada um desses graus por sua vez se encontra dividido em uma série de graus.

Tal como na primeira estrutura elaborada por Reuss, o grande segredo da ordem se encontra no IXº, presente na série do Eremita. Crowley, po- rém, estruturou esse segredo de maneira que ele estivesse presente na

Missa Gnóstica, o ritual central público e privado da Ecclesia Gnostica Catholica. Esse segredo também se encontra presente em toda a série de graus e degraus da ordem, mudando apenas a maneira de abordar

o assunto.

Crowley tinha a Missa Gnóstica tamanha estima que em carta direciona- da a Germer em 1942 ele descreveu que:

“A base geral de associações públicas é a Missa Gnóstica. Eu espero, depois de morrer, tê–la alçado “en grand tenue” por artistas treinados, para assim haver um “padrão selado” para referência futura. Os outros rituais terão de acom- panhar o melhor que puderem. Tenho dúvidas se um dia vai retornar o tem- po em que haverá tanto necessidade de usar tais métodos, como lazer em cultivá–los. É claro, os segredos menores em tais ritos têm seu valor mágico especial, e assim eles sempre terão um certo uso para certos tipos de mentes.”

Vamos começar falando sobre a série do O Homem da Terra, que se encontra divido em: Minerval, Homem Irmão/Mulher Irmã, Magista, Mestre Magista, Perfeito Magista e Perfeito Iniciado. O objetivo desses graus é mostrar o universo e as relações da vida humana, assim como instruir todos os homens sobre melhor forma de direcionar sua própria vida, mostrando o objeto da alma pura como “una, individual e eterna” na determinação consciente de entender a si mesma.

Assim, no grau de Minerval 0º, a alma escolhe se relacionar com o sis- tema solar para encarnar. No grau de Homem Irmão / Mulher Irmã Iº

a alma encarna e o indivíduo experimenta o nascimento. No próximo

passo, Magista IIº, é mostrado como essa alma pode melhor realizar o seu objeto na eucaristia da vida, e o indivíduo tem experiência da vida. O próximo passo é o Mestre Magista IIIº, o clímax de sua carreira na morte

e a consagração do sacramento. Nesse grau, o indivíduo experimenta a

morte, com um significado semelhante ao de uma auditoria fiscal, que permite ao comerciante ver a sua vida financeira após analisar as suas transações durante o ano. No grau de Perfeito Magista, IVº, o individuo experimenta a pós-morte, com a morte da personalidade e a sua rela- ção com o universo. Por fim, o ciclo é fechado pela reabsorção de toda a sua individualidade para o infinito, e o indivíduo experimenta a aniquila- ção absoluta e o retorno do ciclo no grau de Perfeito Iniciado PIº.

Os graus que dividem o grau do Homem da Terra possuem correlação direta com os chakras, centros energéticos presentes no corpo humano. Esse é o grau onde o indivíduo conversa consigo mesmo, e por esse motivo os membros desse grau não tomam parte no governo da Or- dem. É interessante também notar que esses graus já mostram a mu- dança da fórmula do novo Aeon, da mesma forma como a transição das fórmulas do AUM para AUMNG, como estudado no texto “A Jornada do

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Som”, publicado na Revista Estrela Rubi, Ano 4, Num. 1, Ed. 11.

Vale comentar que todo homem e toda mulher possui o direito de so- licitar iniciação até o grau de Mestre Magista (IIIº) por sua própria e livre vontade. A partir do grau de Perfeito Magista, a iniciações ocorrem tão somente através de convite.

Entre a série do Homem da Terra e dos Amantes existe o grau de Ca-

valeiro do Leste e do Oeste. Neste grau, o Indivíduo se compromete

a dedicar sua vida a divulgação da Lei de Thelema, sendo uma ponte

entre ambos os graus. É nesse grau que o indivíduo recebe o direito de ser ordenado como Sacerdotisa ou Sacerdote da Ecclesia Gnóstica Catholica.

O próximo passo é a série dos Amantes, que por sua vez dividida em

alguns graus. O primeiro destes graus é o Príncipe Soberano Rosa-Cruz

e Cavaleiro do Pelicano e da Águia Vº, um grau de magnífica beleza,

onde o magista é convidado a observar o mundo e sua presença nele. Os membros deste grau tomam parte no governo da Ordem, sendo responsáveis por promover a harmonia e o bem-estar nela. O Príncipe

Soberano Rosa-Cruz é o ponto de parada natural para muitos iniciados

da Ordo Templi Orientis.

Ainda dentro do Vº existe o grau de Cavaleiro da Águia Vermelha e Membro do Senado dos Cavaleiros Filósofos Herméticos, onde o inte- lecto e a atitude moral do iniciado passam a ser mais claramente defi- nidos. Os membros deste grau passam a ingressar o Senado e podem tomar parte do Colégio Eleitoral, um corpo social da Ordem que é com- posto por onze pessoas em cada país, e que possui controle total sobre qualquer assunto relacionado aos graus da série do Homem da Terra, inclusive nomeando Mestres de Lojas aos corpos locais. Os membros do Colégio Eleitoral precisam se voluntariar para tal cargo por um pe- ríodo de 11 anos, renunciando qualquer progresso dentro da Ordem durante este período.

para tal cargo por um pe- ríodo de 11 anos, renunciando qualquer progresso dentro da Ordem

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Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl Matéria de CapaOrdo

Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl Matéria de Capa Ordo O próximo grau é o Ilustre Cavaleiro

O próximo grau é o Ilustre Cavaleiro da Ordem de Kadosh e Compa-

nheiro do Santo Graal VIº, um grau de natureza executiva ou militar onde o indivíduo deve enxergar sua posição no mundo de modo a se consagrar à Grande Obra para qual encarnou. Esse grau também repre- senta o poder temporal do Supremo Rei daquele país e cada membro é submetido à disciplina militar na execução das ordens passadas pela autoridade competente.

O Grau de Grande Inquisidor Comandante segue a mesma linha.

Aqui cada membro tem direito a um assento no Grande Tribunal, que é o corpo que decide todas as disputas e reclamações que não foram resolvidas pelos líderes dos corpos locais. Suas sentenças são finais, sem recurso, a menos que um membro do Colégio Eleitoral resolva levar o caso ao Areópago do Oitavo Grau. Todos os mem- bros da Ordem, mesmo de graus mais elevados, estão sujeitos ao Grande Tribunal.

O próximo passo é o de Príncipe do Real Segredo, cujos membros se

dedicam à propagação da Lei de Thelema de uma forma muito espe- cial, pois este é o primeiro dos graus onde o segredo do IXº é declarado abertamente.

O VIIº é tríplice. Nele, o magista é ensinado pela primeira vez o princípio

do equilíbrio aplicado ao intelecto, a moral e as ações, de modo a dirigir sua vida à realização da Grande Obra com o máximo de responsabili- dade e de liberdade, livre de toda a possibilidade de interferências. Para fins operacionais, este grau é o Estado Maior do exército do formado pelo VIº, que inclui o Grande Supremo Conselho, nomeado diretamente pelo Santo Rei, que possuem a missão de viajar pelos corpos locais, por sua própria iniciativa, tomando a função de inspetores e verificando a condição das lojas e dos capítulos.

A partir daí começa o grau do Eremita, cuja série se inicia no VIIIº, e a

dedicação do ser a práticas preliminares envolvendo o controle de energias sutis. O VIIIº é m Corpo Filosófico, com seus membros sendo

totalmente instruídos nos princípios da Ordem, com o poder de reverter

as decisões do Grande Tribunal. O próximo passo deste grau, o Epitome

dos Illuminati, que possui um tipo de trabalho especial, que faz com que

os

membros vivam quatro meses em reclusão por ano.

O

passo seguinte é o IXº, ou o Santuário da Síntese do Conhecimento.

Este grau somente pode ser conferido a alguém já tenha descoberto e compreendido das indicações nos graus anteriores a natureza do se- gredo da ordem. Nele é explicado o segredo de maneira clara. As con- clusões de toda bagagem das experiências anteriores são colocados ao serviço do iniciado, de modo que cada novo iniciado continue o traba- lho de seus antecessores, para que assim os recursos inesgotáveis do segredo possam ser constantemente renovados.

O dever primordial dos membros do IXº é estudar e praticar a segredo,

além estar preparados para atuar como representantes diretos do Rei Supremo e Santíssimo, irradiando sua luz sobre todo o mundo. No en- tanto, a partir da natureza de sua própria iniciação, eles devem ocultar a sua glória em uma nuvem de trevas.

eles devem ocultar a sua glória em uma nuvem de trevas. O grau seguinte é Rei

O grau seguinte é Rei Supremo e Santo dos Santos Xº, cujos membros

são nomeados pelo OHO. É dele a responsabilidade final por todos den-

tro de seu santo reino. O XIIº por sua vez é OHO, Outer Head Of Order, ou Cabeça Externa da Ordem, que é aquele com a palavra final sobre qual- quer assunto relativo à Ordem. A sucessão para o alto cargo de O.H.O. é decidido de uma forma não declarada, mas devido a natureza do Segre- do e dos graus, é coreto dizer que qualquer membro da Ordem, desde

o grau de Minerval, é elegível a assumir o cargo de OHO. O OHO pode ser afastado do cargo, mas apenas com o voto unânime de todos os membros do Grau Décimo.

Além destes, existe o XIº, que não possui qualquer correlação com

o plano geral da ordem. Em outras palavras, os membros dos XIº

habitam tão somente seus próprios palácios. Esse grau foi incluído tão somente a uma série de estudos particulares de Crowley sobre

o IXº.

Vemos assim como o conhecimento legado da humanidade, sob a in- fluência do Novo Aeon, passa a estar disponível a qualquer indivíduo em um sistema simples, racional e relevante que visa promover a ini- ciação do indivíduo com base em sua própria liberdade, de modo que cada um venha a se desenvolver por si, mas sem perder o ideal de fra- ternidade e o potencial de congregação, tão caros ao passado legado

pela Ordem. Bibliografia Geral:
pela Ordem.
Bibliografia Geral:

Perdurabo, The Life Of Aleister Crowley. Por Richard Kaczynski.

Forgotten Templars, Por Richard Kaczynski.

Confessions, por Aleister Crowley.

Mistery of Mistery, por Frater Sabazius Xº

Liber LII: O Manifesto da O.T.O

Liber CI: Uma carta aberta aqueles que Desejam Unir-se a Ordem.

Liber II: Mensagem do Mestre Therion.

Liber CLXI: Sobre a Lei de Thelema.

Liber CXCIV: O.T.O. An Intimation with Reference to the Constitution of the Order.

O Nosso Lado da Escada, por João Guilherme.

Os Fios da Meada, por João Guilherme.

Desmistificando a Maçonaria, por Kennyo Ismail.

Ducan´s Ritual, of Freemasonry por Malcolm Ducan.

Freemasonry: Rituals, Symbols & History por Mark Stavish

Estrela RubiEstudos

caminhos

para a iniciação

as três escolas de magick - um estudo soBre as diferentes visões soBre iniciação.

M ensalmente a Loja Quetzalcoatl organiza palestras aber- tas a convidados sobre temas relativos à magia, Thelema e a própria Ordo Templi Orientis. No mês de outubro,

tivemos a oportunidade de conversar um pouco sobre as três es- colas de Magick, tomando como base três capítulos homônimos do livro Magick Without Tears (Magia sem Lágrimas), escrito por Aleister Crowley.

Hoje falaremos um pouco sobre o que foi conversado e debatido duran- te a apresentação. Para tal, precisamos começar elaborando uma boa definição sobre o que é Magick. Para o nosso estudo de hoje, podemos definir Magick como sendo a ciência do Incomensurável. Essa não é a única das definições, embora seja uma das possíveis e que se adequa bem ao propósito do tema.

Magick, tal como ciência, pergunta e tenta entender o porquê das coi- sas, porém Magick é a ciência em estado prototipal. Magick estuda as ideias da existência em seu estado germinal. Magick é a mãe da ciência física, e diferente dela por não ser possível conhecê-la sem experimentá- -la – tal o motivo que os grandes Iniciados se comprometeram mantê-la em segredo durante gerações.

Durante a história, três grandes linhagens de pensamento mágico sur- giram no seio da humanidade. Três métodos diferentes de abordar o estudo do universo. Três grandes cosmovisões de mundo e maneira de conduzir a Iniciação ao oculto. Essas três linhagens são as três escolas das quais hoje falaremos e que, nas palavras de Crowley, podem ser ex- plicadas como:

“Estas três Escolas representam três teorias perfeitamente distintas e contrárias

) A fórmula má-

gica de cada uma é tão precisa como um teorema de trigonometria. Cada uma assume como fundamental uma certa lei da Natureza, e o assunto é complicado pelo fato que cada Escola, em certo sentido, admite a fórmula das outras duas”.

do Universo e, portanto, as práticas da ciência espiritual (

Para fins de estudo, podemos atribuir certas cores a cada uma dessas escolas, como uma maneira de classificá-las. Antes de falarmos sobre essas cores, precisamos ter em mente que não se trata de estigmatizar

essa linhagem associando-a a questão de geografia, raça ou paramen- tos utilizados.

As três escolas de Magick são: a escola branca, a escola negra e a esco- la amarela. Dessas três escolas, é dito que enquanto a escola Negra e

a escola Branca se mantêm em permanente conflito, a escola Amarela

apresenta maior neutralidade entre ambas. Adiante falaremos um pou-

co mais sobre essas cores, de modo a entender o porquê deste conflito

e afastamento.

Podemos encontrar referência direta às três escolas no Liber 418, “Vision and the Voice” (“A Visão e a Voz”). Para quem não conhece, este é um trabalho único, um relato transcrito por um dos alunos de Crowley du- rante um retiro na Argélia, quando ele executou a invocação dos Aethyrs Enoquianos. Foi durante a invocação do 6º Æthyr, chamado MAZ, que o vidente viu:

“E uma voz clama: Maldito seja aquele que desnudar o Altíssimo, pois ele embriagou-se do vinho que é o sangue dos adeptos. E BABALON o embalou em seu colo e no sono ela sumiu e deixou-o nu chamando o seu filho para junto dizendo: Acompanhe-me para zombarmos da nu- dez do Altíssimo.

E o primeiro dos adeptos cobriu Sua vergonha com um pano, cami-

nhando para trás e era da cor branca. E o segundo dos adeptos cobriu Sua vergonha com um pano, caminhando lateralmente e era amarelo. E

o

terceiro dos adeptos zombou de Sua nudez, caminhando para frente

e

era negro. Essas são as três grandes escolas dos Magi que também

são os três Magi que se dirigiram ao Local Sagrado e, por não possuir sabedoria, tu não saberás qual escola predomina, ou se as três escolas são uma.”

Falaremos um pouco sobre a escola amarela de Magick. Esta se posi- ciona com completo distanciamento científico e filosófico da existên-

cia. Para os adeptos dessa corrente, o fato de que existe o Universo não passa de um mero fato, quase um acaso. A escola amarela busca influir

o mínimo possível na existência, não se opondo a corrente dos fenôme- nos, nem com ódio nem simpatia.

Sua tentativa de influenciar o curso dos eventos é diminuir a fricção in- terna do ser com o mundo externo. A reação ideal para fenômenos é aquela da elasticidade perfeita. A escola amarela possui uma doutrina de reação elástica, de não interferência, se mantendo à parte de questões relativas as demais. Dificilmente se imagina seus membros preocupados com reações relativas o mundo.

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de questões relativas as demais. Dificilmente se imagina seus membros preocupados com reações relativas o mundo.

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Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl EstudosOrdo

18 Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl Estudos Ordo Para a escola amarela, o universo é. Um

Para a escola amarela, o universo é.

Um dos grandes representantes da escola amarela foi Pitágoras e sua irmandade. Já na literatura, essa escola produziu o Tao Teh King, cujos escritos falam em não-ação consciente, ou omissão consciente, com o objetivo de minimizar a desordem no mundo.

Antes de falarmos sobre a escola negra, atenção, não estamos falando aqui não está ligada à Magia Negra (magia é um assunto que, como ve- remos adiante, está ligado à Escola Branca). Diferente da escola amarela, que ignora o universo, a escola negra o despreza, considerando o uni- verso corrompido, sujo.

Em textos antigos da escola negra, o universo é visto como um lu- gar corrompido, de sofrimento, que por sua vez está ligado à ideia de pecado. Assim, a única salvação para o ser é sair do mundo, da existência.

Para a escola negra, o universo é mau.

Buscando uma maneira de amenizar o mal, os filósofos dessa escola co- meçam a buscar a causa desse mal, pecado e sofrimento. Assim ocorre uma concatenação de ação e reação de modo a se chegar à origem desse mal, de modo que o resultado desse pensamento é que toda a ação per si faz parte do mal, e que toda ação na criação é falha, fraca e limitada.

O clássico dessa escola são as quatro nobre verdades do budismo. As

Quatro Nobres Verdades foram descritas no Dhammacakkapavattana

Sutta, um dos textos mais antigos do budismo, sendo tema ensinamen-

to do Buda e elemento comum entre todas as vertentes do budismo.

Durante sua vida, Buda sempre falou subre Dukkha, que é expressão para qualquer coisa que tire a paz e a felicidade de um indivíduo. Para o budismo, a busca de um alívio é, em si mesma, dukkha, e o alívio que se tem é de curta duração. O hábito se torna um círculo vicioso com sofri- mento mental levando ao sofrimento físico, e o sofrimento físico leva a mais angústia mental.

A objetivo final de Buda era chamado Nirvana, o estado onde causa e

efeito deixam de existir, pois enquanto há causa, há efeito, de modo que durante a existência a única coisa que se pode ter certeza é de que o dukkha, a cessação da felicidade, vai ocorrer, pois ela é cíclica. Apenas cessando o ciclo de dukkha se chega ao Nirvana.

Buda dizia que para cessar o ciclo e dukkah, era preciso encará-lo,

e não fugir. Sati, a vigilância, era a arma do adepto para enfrentar o Dukkah e o resultado era o despertar para as coisas como elas são, para a realidade.

De maneira resumida, podemos explicar as quatro verdades como sen-

do:

1ª nobre verdade: o mundo é sofrimento.

como sen- do: 1ª nobre verdade: o mundo é sofrimento. 2ª nobre verdade: a causa do

2ª nobre verdade: a causa do sofrimento é o desejo. 3ª nobre verdade: o desejo nasce da não compreensão. 4ª nobre verdade: apenas o entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esfor- ço correto, atenção plena correta e a concentração correta são capa- zes de cessar o sofrimento.

Outro exemplo da escola negra pode ser encontrado no Sarira Abidya Jal, ou a canção para honrar o alimento espiritual cantada pelos Vaishna- vas antes de se alimentar, que diz:

“Ó irmãos! Este corpo material é um lugar de ignorância, e os sentidos são uma rede de caminhos que seguem em direção à morte. De alguma forma, caímos neste oceano de desfrute dos sentidos materiais, e de todos os senti- dos a língua é muito voraz e incontrolável; é muito difícil conquistar a língua nesse mundo.”

Seguido a esse verso há outro em que o devoto agradece a Krishna por lhe entregar o alimento que o irá fortalecer e, ao final, o devoto afirma:

“Pessoas que não são muitíssimo elevadas em atividades piedosas não acre- ditam nos restos do alimento da Suprema Personalidade de Deus”.

Chegamos à escola branca de magick. Essa corrente adota uma postura diferente da escola negra, ao dizer que o universo não é mau. Ao con- trário, ele é bom, pois nele que se encontram todas as possibilidades de ação na existência que o indivíduo pode vir a ter.

Ao falar sobre a escola branca, Crowley escreveu: “Existência é pura ale- gria. Sofrimento é causado pela falha em perceber esse fato; mas por si não é uma infelicidade. Nós inventamos o sofrimento apenas para termos o prazer de nos livrarmos dele. A vida é em si um sacramento”.

A escola branca possui um caráter mágico. Sua origem se encontra des-

de as escolas de mistério de magia no antigo Egito, passando por diver-

sos outros povos da antiguidade.

O cristianismo nasceu da escola branca, com sua promessa de alegria

para a humanidade:

Que diremos então? Devemos permanecer no pecado para que haja uma abundância da graça? De forma nenhuma! Uma vez que já morremos para o pecado, como poderíamos viver no pecado? (Romanos VI 1-2).

Com o passar dos séculos, a alegria da graça deu lugar ao sofrimento

do pecado. A escola negra passou a influenciar o cristianismo, de modo que o mal passou a ser mais falado que o bem. A idade média exprime

a negação do corpo e da vida dentro da mística cristã.

Foram precisos 1000 anos para que o cristianismo voltasse a se enxergar como uma vertente da escola branca, não da escola negra, e que seus elementos lutassem para recuperar sua identidade perdida. Foi assim que surgiram os Rosa Cruzes. Originalmente ligado à reforma da igreja cristã, eles buscaram ir além, retomando a magia através da alquimia para o espirito cristão.

Estrela RubiEstudos

Nunca na história os Rosa Cruzes formaram um corpo coeso e organiza- do – por mais que alguns grupos hoje digam o contrário e clamem para

si atestados sucessórios e títulos hereditários. A Rosa Cruz foi uma ideia, uma linha de pensamento onde, da cruz estéril, brota a rosa, ou seja, aeração da vida. A alquimia rosa cruz ocorre tomando como “matéria prima” uma substância neutra ou inerte (constantemente descrita como

a coisa mais comum e menos valorizada da terra), que é envenenada,

passando por uma fase de transmutação, onde se torna um veneno ter-

rível, até chegar a ouro filosofal perfeito.

Crowley observou que a lógica de iniciação e transmutação rosa cruz possui correlação direta com a ciência e as operações na moderna bac- teriologia, onde bacilos aparentemente inofensivos são cultivados até se

tornarem mil vezes mais perigosos que antes, para, a partir daí, se criar

a vacina.

Cientes de sua identidade, certos pensadores cristãos foram corajosos em seu tempo ao redigir trabalhos mostrando como um passo lógico considerar a maldade como um dispositivo de Deus para o exercício das alegrias do combate e vitória. Esse era um modo de pensar perfeitamen- te Branco, mas acabou considerado como uma perigosa heresia.

Durante os séculos da reforma protestante, outros pensadores deram o seu melhor para livrar o cristianismo da ideia restritiva do pecado, mas logo notaram que tal esforço só poderia levar ao Antinomianismo – uma corrente de pensamento considerada herética, que afirmava que sob a dispensação do evangelho da graça, a lei moral era de nenhum uso ou obrigação, porque somente a fé é necessária para a salvação.

Anos se passaram e os místicos cristãos realizaram uma nova tentativa de libertar a cristandade da nuvem escura da iniquidade. Eles juntaram pensamentos sufis e védicos, que os acabou por levar à mera negação da realidade da maldade. Isso os afastou pouco a pouco da clara com- preensão da natureza, de modo que sua doutrina tornou-se puramente teórica.

O que vimos até agora segue o postulado de Crowley, de que as três es-

colas apresentam cosmovisões completamente distintas entre si, porém

formando um equilíbrio harmonioso, que permite que uma entenda a visão da outra. Esse equilíbrio, porém, se tornou ameaçado, a partir do momento em que um dos grandes expoentes da escola branca passou

a se fundir com a escola negra.

Assim foi a partir da escola amarela que começaram as primeiras tenta- tivas de resgatar os valores distintos da escola branca e da escola negra

em prol desse equilíbrio. A influência da cultura oriental na religiosida- de ocidental durante o século XIX foi um meio para essa intervenção.

A teosofia foi outro ponto importante dessa intervenção espiritual no

ocidente.

A reestruturação das escolas não era um evento nem uma necessidade

isolada, estando intimamente ligada ao alvorecer de uma nova época, o Aeon de Hórus, a Criança Coroada e Conquistadora. Esse Aeon trouxe consigo um “profeta escolhido, armado com uma espada muito mais po-

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derosa do que Excalibur. Esse profeta foi incumbido de uma nova fórmula mágica, uma que possa ser aceita por toda a raça humana”.

Foi esse profeta o responsável por reforçar “a Escola Amarela, dando um valor mais positivo para a sua teoria”. Ao mesmo tempo, ele manteve os postulados da Escola Negra intactos, mas os ajudou a transcendê-los de modo a “aumentar a sua teoria e prática quase ao nível da Amarela”. Já com a escola Escola Branca, esse profeta foi capaz de “retirar-lhe toda a mancha do veneno da Negra, e restaurar o vigor de sua fórmula central de alquimia espiritual, dando a cada homem um ideal independente”.

O profeta do Novo Aeon trouxe ao mundo a Lei de Thelema. Uma lei

simples, porém altamente significativa, que é resumida em: “Faze o que

tu queres será o todo da Lei”.

Todos já assistiram, ou pelo menos sabem o que é uma Missa. Duran-

te séculos, a Missa nas Igrejas serviu apenas como palco para castração

moral e manipulação dos indivíduos ante doutores da religião.

O Livro da Lei, pedra fundamental de Thelema e do Novo Aeon, possui

instruções específicas contra a sua discussão. Assim, uma nova Missa deve surgir, visando recuperar o seu caráter mágico em consonância com o espírito dos novos tempos, tal como temos hoje o Liber XV, a Missa Gnóstica. A Missa em si é essencialmente um ritual típico da Escola Branca. Seu objetivo é transformar a matéria crua diretamente na Divin- dade – A Eucaristia. Esse ritual, o Liber XV, é executado periodicamente pela Loja Quetzalcoatl.

A Lei de Thelema traz liberdade, mas com ela obrigações. Já não há mais

uma figura paterna no lugar de Deus a quem culpar. Isso fez com que al- gumas pessoas assumissem que a Lei de Thelema era restrita a uma cer-

ta “elite intelectual da humanidade”. Existe certa dose de verdade nessa

afirmação. De fato, aquele que conhece a Lei de Thelema e a estuda dili- gentemente poderá tirar vantagem da extraordinária oportunidade que ela oferece. Porém, não se pode esquecer que, ao mesmo tempo, “a Lei é para todos” - cada um no seu grau. Cada homem pode aprender a per- ceber sua natureza em seu próprio ser e desenvolver-se em liberdade.

É por este meio de Thelema que a Escola Branca de Magick pode jus-

tificar o seu passado, redimir o seu presente e assegurar o seu futuro,

garantindo a cada ser humano uma vida de Liberdade e de Amor.

A Lei de Thelema trouxe uma nova face à Escola Branca, mas também foi

capaz de conciliar, pela primeira vez na história da humanidade, as três grandes escolas de Magick, de modo que cada uma possa desenvolver suas próprias qualidades, sem interferir umas nas outras.

No Liber XV, na 5ª coleta feita pelo Diácono, é chamada a essência de personagens como Simão o Mago, Lao–Tse, Siddartha, Basilides, Pitágo- ras, Moisés, Maomé, entre outros, cujos pensamentos são pertencentes a outras escolas de pensamento, que não a Branca. Ainda na Missa, o Diácono clama pela liberdade na pós-vida, ao dizer, na 11ª coleta:

Que possa ser garantido o cumprimento de suas verdadeiras Vontades

pela liberdade na pós-vida, ao dizer, na 11ª coleta: Que possa ser garantido o cumprimento de

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Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl EstudosOrdo

20 Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl Estudos Ordo para aqueles de cujos olhos o véu da

para aqueles de cujos olhos o véu da vida caiu; quer isto seja a absorção no Infinito ou a união com seus escolhidos e preferidos, ou permanecer em contemplação, ou estar em paz, ou alcançar o trabalho e heroísmo da encarnação neste planeta ou em outro, ou em qualquer Estrela, ou outro lugar, que lhes seja garantida a realização das suas Vontades; sim,

lhes seja garantida a realização das suas Vontades; sim, a realização das suas Vontades. Para Thelema,

a realização das suas Vontades.

Para Thelema, todo fenômeno é um ato de amor, toda experiência é necessária, é um sacramento, um meio de crescimento. Thelema seria,

assim, a nova face da Escola Branca.

experiência é necessária, é um sacramento, um meio de crescimento. Thelema seria, assim, a nova face

Thelêmica Estrela RubiBiblioteca

des

o chamado

do 26º Æthyr

o qual é denominado des

H á um pentagrama muito brilhante: e agora a pedra se foi, e todo

céu está negro, e a negrura é a negrura de um poderoso anjo.

o

E

embora ele seja negro (sua face e suas asas e seu robe e sua ar-

madura são todos negros), ainda assim ele é tão brilhante que eu não posso fitá-lo. E ele clama: Ó lanças e frascos de veneno e espadas afiadas e raios ro- dopiantes que estão sobre os cantos da terra, cingidos com ira e justiça, vós sabeis que Seu nome é Retidão na Beleza? Queimados estão seus olhos, pois vós me vistes em minha majestade. E quebrados estão os tímpanos de seus ouvidos, pois meu nome são duas montanhas de fornicação, os seios de uma estranha mulher; e meu Pai não está neles.

Olhai! as piscinas de fogo e tormento misturadas com enxofre! Muitas são

suas cores, e sua cor é como ouro fundido, quando tudo está dito. E Ele não

é um, um e solitário, em quem o brilho de seu semblante é como 1,728 pétalas de fogo.

Também ele falou a maldição, dobrando suas asas de lado a lado e entoan- do: Não é o filho inimigo de seu pai? E a filha não roubou o calor da cama de sua mãe? Portanto, a grande maldição é irrevogável. Portanto, não há sabe- doria, nem entendimento, nem conhecimento nesta casa que está pendu- rada na beira do inferno. Tu não és 4, mas 2, Ó tu, blasfêmia falada contra o 1.

Portanto, aquele que te adora é amaldiçoado. Ele deverá será triturado num pilão e o pó do mesmo lançado aos eventos, para que as aves do ar possam comê-lo e morrer; e ele deverá ser dissolvido em ácido forte e o elixir vertido no mar, para que os peixes do mar possam respirá-lo e morrer. E ele deverá ser misturado com esterco e espalhado sobre a terra, para que as ervas da terra possam se alimentar dele e morrer; e ele deverá ser queimado com- pletamente com fogo, e as cinzas deverão calcinar as crianças das chamas, que mesmo no inferno seja encontrada uma lamentação transbordante.

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Embora eu esteja cercado pelos exércitos da noite, cantando, cantando fra-

ses a Ele que é golpeado pelo raio do abismo. Não está o céu claro atrás do sol? Essas nuvens que queimam a ti, esses raios que chamuscam os cére- bros dos homens com cegueira; estes são os arautos diante da minha face

de dissolução e da noite.

Todos vocês estão cegos pela minha glória; e isto mesmo que tu entesou- res no seu coração a palavra sagrada que é a última alavanca da chave para

a pequena porta além do abismo, mesmo que tu brilhes e comentes sobre

isso; pois a própria luz é uma ilusão. A própria verdade é uma ilusão. Sim,

essas são as grandes ilusões além da vida e espaço e tempo.

Que teus lábios empolem com minhas palavras! Elas não são meteoros em teu cérebro? Voltai, voltai da face do amaldiçoado, que sou eu; voltai para dentro da noite de meu pai, silêncio adentro; pois tudo que vós considerais direita é esquerda, para frente é para trás, para cima é para baixo.

Eu sou o grande deus adorado pelos santos. Ainda que eu seja o amaldiço-

ado, criança dos elementos e não seu pai.

Ó,

minha mãe! não tendes piedade de mim? Não irás tu me proteger? Pois

eu

estou nu, eu estou manifesto, eu estou profano. Ó, meu pai! não irás me

recolher? Eu estou estendido, eu estou duplo, eu estou profano.

Ai, ai de mim! Estes são aqueles que não ouvem prece alguma. Sou eu que

sempre ouvi as preces, e não há ninguém para me responder. Ai de mim!

Ai de mim! Amaldiçoado eu sou pelos aeons! Todo esse tempo esse bri-

lhante deus com cabeça de águia foi atacado, aparentemente, por pessoas invisíveis, pois ele está ferido agora e novamente, aqui e ali; pequenos cór- regos de sangue fresco saem das penas de seu peito. E a fumaça de seu sangue gradualmente preenche o Aethyr com um véu carmesim. Há um pergaminho em seu topo, dizendo: Ecclesia abhorret a sanguine; e há um outro pergaminho abaixo numa linguagem cujos sons eu desconheço. O significado é, Não como eles têm entendido.

O sangue agora está espesso e escuro, e está se tornando coagulado e

preto; pois ele coagula, coagula. E então no topo rouba uma alvorada de puro azul noturno – Oh, as estrelas, as estrelas num profundo conjunto! – e dirigem o sangue para baixo; de modo que em torno do topo da elipse gra- dualmente nasce a figura de nossa Senhora Nuit, e abaixo dela está o disco

alado flamejante, e abaixo o altar de Ra-Hoor-Khuit, do modo que está na Estela da Revelação. Mas abaixo está a figura inerte de Seb, dentro do qual

é

concentrado todo aquele sangue coagulado.

E

vem uma voz: é o amanhecer do aeon. Os aeons de maldição passaram.

Força e fogo, poder e visão, estes são para os servidores da Estrela e da Ser- pente.

E

agora no peito do Anjo está um ovo dourado entre o negrume de suas

asas, e este ovo cresce e cresce por todo o aethyr. E ele se quebra, e dentro dele está uma águia dourada.

E

agora pareço eu estar jazendo no deserto, exausto.

O

Deserto, próximo a Sidi Aissa.

E ele grita: Ai! Ai! Ai! Sim, ai do mundo! Pois não há pecado, e não há sal- vação. Minhas plumas são como ondas de ouro sobre o mar. Meus olhos são mais brilhantes que o sol. Minha língua é mais rápida que o relâmpago.

25 de novembro, 1909. 1:10 – 2 p.m.

são mais brilhantes que o sol. Minha língua é mais rápida que o relâmpago. 25 de
são mais brilhantes que o sol. Minha língua é mais rápida que o relâmpago. 25 de

Templi Orientis — Loja Quetzalcoatl Biblioteca ThelêmicaOrdo

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HOORÁCULOHOOR

O que é imprescindível para o Iniciado es- tar atento em seu caminho? E o que pode- ria paralisá-lo?

Malditos porquês! - A razão é uma consideração que justifica ou ex- plica. Estes são o que as pessoas apelam ao fazer argumentos sobre o

que as pessoas devem fazer ou crer.

fazer argumentos sobre o que as pessoas devem fazer ou crer. AL II , 30: “

AL II , 30: “ Se a Vontade para e clama Por quê, invocando Por- que, então a Vontade para & nada faz . “

Não há “razão” por que uma estrela deve continuar em sua órbita. Deixe-a rasgar ! Toda vez que o consciente atua, interfere com o subconsciente, que é Hadit. É a voz do homem, e não de um Deus . Qualquer homem que “ouve a razão“ deixa de ser um revolucionário. Os jornais são Mestres Passados da Loja da Falácia Número 333. Eles sempre podem provar-lhe que é necessário, patriótico , e todo o res- to, que você deve sofrer injustiças intoleráveis.

Os cabalistas representam a mente como um complexo de seis ele- mentos , enquanto que a Vontade é único, a expressão direta como

“ A Palavra“ do Self. A mente deve informar o Entendimento, que em

seguida apresenta uma ideia simples para a Vontade. Esta emite suas ordens em conformidade para inquestionável execução. Se a Vonta- de deve apelar para a mente, esta deve confundir -se com ideias in- completas e descoordenadas . O clamor desses gritos coroa Anarquia,

e a ação se torna impossível.

gritos coroa Anarquia, e a ação se torna impossível. - Aleister Crowley Comentário ao Liber AL

- Aleister Crowley Comentário ao Liber AL

O Hooráculo é a resposta a uma pergunta. A cada edição, a pergunta de um leitor da Estrela Rubi será selecionada e a resposta a ela será dada por um ou mais membros da Loja Quetzalcoatl. Caso queira submeter sua pergunta de cunho mágicko ou thelêmico ao Hooráculo, a envie para estrelarubi@quetzalcoatl-oto.org. Nossa equipe editorial vai ava- liar a pergunta mais inteligente e instigante e, se selecionada, vamos estudá-la, respondê-la e publicá-la na próxima edição. O Hooráculo só terá olhos – ou melhor, Olho – às perguntas mais desafiadoras e que possam ser de interesse geral.

saiBa mais soBre

a ordo templi orientis

a Ordo Templi Orientis foi fundada

em 1904, na Alemanha, por Karl

Kellner e Theodore Reuss — seu

primeiro líder —, que buscavam estabelecer um Academia para maçons de altos Graus onde estes pudessem ter contato com as revelações iniciáticas descobertas por Kell- ner em suas viagens ao Oriente. A entrada de Aleister Crowley, em 1912, veio a alterar profundamente a Ordem, até que, naquele mesmo ano, a O.T.O. rompe seus laços com a Maçonaria e assume–se como uma orga- nização independente e soberana.

A principal mudança trazida por Crowley para a ordem foi a implantação da Lei de Thelema, conforme definida no Livro da Lei – Liber AL vel Legis, e o alinhamento da O.T.O. com as energias no Novo Eon, tor- nando esta Ordem a primeira nascida no Velho Eon a migrar para o novo.

Em 1922 Crowley, com a morte de Reuss,

assumiu a liderança da O.T.O

sor indicado foi o alemão Karl Germer, que governou a Ordem de 1947 a 1962. Como Germer não indicou um sucessor, após sua morte vários membros e não membros da Ordem tentaram assumir o controle da O.T.O. o que colocou a Ordem em sério risco de extinção. Assim, Grady McMurtry lançou mão de um documento expedido por Crowley que o autorizava a tomar o po- der da O.T.O. caso esta se visse ameaçada. Assim, McMurtry tornou-se líder da Ordem em 1969, posição onde permaneceu até sua morte, em 1985. Após isso, por meio de um processo eleitoral levado a cabo pelos altos Graus da Ordem, foi empossado o atual Frater Superior, Hymenaeus Beta.

Seu suces-

Atualmente a O.T.O. está presente em mais de 70 países. No Brasil, a O.T.O. encontra–se desde 1995, com o antigo Acampamento Sol no Sul, substituído em 2000 pelo Oásis Quetzalcoatl, atual Loja Quetzalcoatl. Dan- do continuidade ao trabalho, em fevereiso de 2010 ev foi aberto em Minas Gerais o Acampamento Opus Solis.

a loja quetzalcoatl

a Loja Quetzalcoatl é um corpo ofi- cial da Ordo Templi Orientis Inter- nacional, fundado em 23 de maio

de 2000 e.v. na cidade do Rio de Janeiro.

Somos uma comunidade de homens e mu- lheres livres que se dedicam ao processo do auto-conhecimento e sua consequente expansão de consciência através dos prin- cípios de Vida, Luz, Amor e Liberdade, pila- res essenciais da Lei de Thelema.

Temos como um de nossos principais ob- jetivos auxiliar no desenvolvimento de uma sociedade verdadeiramente livre da superstição, tirania e opressão onde o ser humano possa expressar a sua Verdadeira Vontade em plena harmonia com a essên- cia divina que nele habita.

Acreditamos que cada ser humano é uma estrela individual e eterna que possui sua própria órbita e que o objetivo primordial de sua encarnação não é outro senão descobrir as coordenadas dessa órbita e cumprir a sua Verdadeira Vontade, realizando a Grande Obra e alcançando a Felicidade Perfeita.

Nossos objetivos são alcançados através de um conjunto de Ritos Iniciáticos que visam despertar e ativar os chakras, propiciando a ascenção da kundalini e o acesso a estados mais elevados de consciência. Realizamos também o estudo teórico e prático da Filo- sofia de Thelema, Magia, Alquimia, Cabala, Tarot, Tantra, e demais ciências herméticas que possam colaborar com o caminho de auto-iluminação dos nossos iniciados.

Caso deseje informações sobre nossas ativi- dades ou sobre a afiliação à O.T.O., consulte nosso site no endereço www.quetzalcoatl- oto.org ou entre em contato conosco.

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OrdO Templi OrienTis inTernaciOnal

Frater Superior: Hymenaeus Beta JAF Box 7666 New York, NY 10116 USA : Hymenaeus Beta JAF Box 7666 New York, NY 10116 USA

Grande Secretário Geral: Frater Aion PO Box 33 20 12 D-14180 Berlin, Germany : Frater Aion PO Box 33 20 12 D-14180 Berlin, Germany

Grande Tesoureiro Geral: Frater S.L.Q. 24881 Alicia Parkway #E-529 Laguna Hills, CA 92653 USA : Frater S.L.Q. 24881 Alicia Parkway #E-529 Laguna Hills, CA 92653 USA

Secret. Internac. Iniciações: Frater D.S.W. P.O. Box 4188 Sunnyside, NY 11104 USA : Frater D.S.W. P.O. Box 4188 Sunnyside, NY 11104 USA

OrdO Templi OrienTis Brasil

Site: www.otobr.com : www.otobr.com

Rep. Fra. Superior: Sor. Tara Shambhala contatos@otobr.com : Sor. Tara Shambhala contatos@otobr.com

Rep. Fra. Superior : Sor. Tara Shambhala contatos@otobr.com l Oja Q ueTzalcOaTl Site : www.quetzalcoatl-oto.org

lOja QueTzalcOaTl

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