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Atob-marrom (Sula leucogaster)

Com quase 9 mil quilmetros de litoral, o Brasil apresenta bons hbitats para
diversas aves marinhas, tanto migratrias quanto residentes. Dentre as espcies
residentes, o atob-marrom (Sula leucogaster) uma das mais encontradas.
Normalmente, essa ave confundida com as gaivotas comuns (Larus sp), mas
difere delas por apresentar, entre outras caractersticas, o corpo predominantemente
marrom e um anel azul ao redor dos olhos. Os atobs nidificam em um grande
nmero de ilhas costeiras, como a de Laje de Santos e a de Queimada Grande, em
So Paulo, e em todas as ilhas ocenicas brasileiras, principalmente em Fernando
de Noronha e Atol das Rocas. Eles empreendem longas viagens ao longo do litoral.
Animais marcados em Santa Catarina j foram recapturados, por exemplo, nas
imediaes do Atol das Rocas.
Os ninhos dessa ave so construdos no cho com penas, gravetos e folhas
secas e, dos dois ovos colocados, apenas um filhote chega idade adulta. A cpula
precedida por um complexo ritual marcado por bicadas entre macho e fmea. A
espcie se reproduz durante todo o ano, com maior freqncia entre os meses de
abril e julho.

Os atobs alimentam-se basicamente de peixes pelgicos. Sua viso
aguada e grande habilidade para mergulho so fundamentais para a captura de
suas presas. O ritual da caa comea com sobrevos em crculos para avistarem
cardumes. Depois que conseguem perceber a presena dos peixes, os atobs
encolhem as asas junto ao corpo e descem verticalmente e em alta velocidade em
direo ao mar. Nesses mergulhos eles atingem at 2 metros de profundidade.
Apesar de todo o esforo para a captura do alimento, os atobs-marrons muitas
vezes acabam perdendo seus peixes em pleno ar para as fragatas, aves marinhas
que no tm a capacidade de mergulhar, mas que so excelentes na tarefa de
arrancar os peixes do bico dos atobs.
O atobs-marrons, assim como vrias outras espcies de aves marinhas
pescadoras, muitas vezes acabam mortos nos anzis dos grandes pesqueiros ao
tentarem atacar os peixes fisgados. Para evitar esse problema, bilogos
desenvolveram um sistema de linha suspensa com fitas coloridas, que serve para
manter as aves longe dos anzis de pesca.

Texto escrito especialmente para este site por Luciano Candisani,
fotgrafo da natureza com formao biolgica

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