Sei sulla pagina 1di 144
I He 0394, De {que um pdbsdor& um eldssigo € atirmear aque suas ies permanecem. Signitica dizer que suas diag sobreviv tar ao, seu prdprio tempo e, riboratessonancias de ui passado dstante, 380 tecebidas por nés coro pate constitutive dé nosse atJaldade Neste 2° volume, séo apresentados os passos fundamentas do pensamento polticn do século XIX: durke, Kant, Hegel, Tocqueville, Stuart Mil ® Marx. Completa-se, assim 0 perlodo que ver do século XVLatéo XIX, cumprindo 8 funcdo de introduzir © leitor nos temas essenciais da teoriapaltics cigssica, nuclesdos ert tomo da construc do Estado-Nacao Organizado pelprotessor Francisco C. Wettort este volume teve2 colaboraodo de profescores dairea da Ciencia Poltica da Univetsiade de Sao Paulo, AREAS DE INTERES 00 VOLUME Poulri¢a socloLoa'a SERIE OUTRAS AREAS DA ADM INSTRAGAO ANTAOROLOGIA. ARTES »-CIENGIAS C'kI2AGAO" COMUNICACOES DIREITO ECONOMIA Eougar eo Aesoucreni ererinn eARNAOA GEOGR eae 4 Ne "a \Ciate OS OF POL Fria C ffir (SCAN (SDA PL Burkey Fant >All ¥ Tepevile nant Nl v Ma Greenies Peau dua! heated ig peasant eat Pen as ee eet eon Peat maccare) Oe ecu) econ) eee ont oie ter ne ‘rma om Ctnas Soi pla Universidade oe So Palo, da al Shoe, Professor Tula d Cidcia Poles, Em oats mons 6 Sua carera fo tmbémpesaisador do Isttvie Latinaecano do. Plancscon Eeonamica y Soca ‘gana da ONU vinculado& ComssenEomémice persis Aeros Lata (CEPA seid om Sariggo, Chie. Foi and assessor a Orgarizacdo Iternaconal do ‘Trabaho (17 ne Argentine: € professor d Unversity of Ese, Inger Wetfont& autor de 0 popusme napoli brasiera © Porque ‘femocracta,além de diversas trabalho sobre hss ples © Istria do movimento opedio no Bras Ete estes, menconen se ‘tus etudos sobre Conta Inds Ososco © Contagem em 1968 Os sindcato na ports Atalmente,desenvoleostodos sobre toni do ras para tim regime de damacrai police. UUmestudissenajdo no peacesso a darocatearso de socedade © 0 Estado beast. Justo ca 05 fama colsborotres dest live, Witton ests erve eqs ue cron que 0 desenohimento do Samrracia depend do ‘exenvoimenta da cultura ee, borin os temas do tear ples, oiotid oda eoris elds, no Gove iar estrtos 8s toes do traf dos cies asdemices, Ee tanblm um dos fundadares a Assocarso Nacional de Ps Graduczo «Pasaise em ‘Cidcis Sci IANPOCS) 6a ‘ual foo mero presente, © eansaor€aretr do Cento de Estos de Cultura Cotemporinea IceDec Sei 63 0S CLASSICOS DA POLITICA BURKE, KANT, HEGEL, TOCQUEVILLE, STUART MILL, MARX 2° vouume} 2a ‘emire Yousee! Campeseli re ance ISBN 85 08 035438 1: 001153483000: oe N11 92774146 ‘erat s/f ccm ‘onal: ediro Banco com br Sumario 1. Apresentagdo (abso C. Wetton) 2, Burke: a continuldade contra a ruptura (fara D'Ata Gil Kita). ‘Tests de Buske 3. Kant: a iberdade, oIndividuo e a republica (eis de Casuo Andrade) ‘Teatos de Kant Hogel: 0 Estado como realizagdo historica da lberdade (ido Maral Brando) Tentos de Hegel 5. Tocqueville: sobre a liberdade @ a igualdade (Céls avo Quine) Textos de Tocqueville 6. Stuart Mil: liberdade ¢ representagéo (Elzated Blbachesy) “Tests de Stuart Mil 7. Mare politica e revolugdo (Francis C. Wetton) “Texto de Marx B aa wo us 1 161 ns 1 Apresentacao Francisco C. Weffort jer que um penéador é um cldsico significa dizer que suse dias permanecem. Signiica dizer que suas idtias sbrevive ‘am ao sea tempo e que sf reebidas por nds como parte da nossa atualidade, Nio pretendemos afimar, com iso, que 0s clissicos se coloquem fora da histéra. Plo cotririo, sto, com freqdénc fos que pensaram, de modo mais profundo, os temas de sua propria poca.E foi precisamente porque pensaram de modo radical seu tempo que sobreviveram a ele e chegaram até nés. Os clissicos nto So atemporas. Els sto parte da nossa atvalidade porque sto parte as nossas raze. Sto, por assim dizer, a declaragio da nossa histo- riidade Este volume reine 0s clisicos do pensamento politico do século XIX. Alguns, como Burke e Kant, slo, na verdade, de fins do século XVIII. Mas entendemos que eles deveriam estar aqui, junto com Hegel, Tocqueville, Stuart Mille Mare, porque guardam com estes um trago comum, tipico a todo o pensamento politico ‘do século XIX. Asim como a marca forte do pensamento dos séeu- Jos XVII e XVIII, desde Locke até Montesquieu, foi a de pensar lum mundo novo que nasla sob o impacto das revolusdes inglsas, Ade 1640 ea de 1688, a marea mais forte do pensamento polltico do stculo XIX 6 a de refleir sobre a época europa eriada pela Revolugdo Frances © sobre a soledade criada, prmeiro na Ingle- terrae depois em toda Buropa osideatal, pea primeira Revolugdo Industrial. Se as revolobesingleasabrem o eaminho do liberalismo, ‘a Revolugdo Francesa 0 consolida. F a Revolupo Industrial asst nal 0 surgimento de ume sciedade nova, apoiada na “maquinofa- tural, a qual, é em seus inicios, emibora ainda misturada com for tes sbrevivenias da sociedade rurale arstocrtica que a precede, aponta para as questdes que haveriam de levar ao surgimento do peasamento © do movimento sociaistas. Este io foi concsbido para os estadantes dos cursos bsicos as nossas universidades. Deve, por iso, umprir uma fungo ei ‘eitemente dita. Ele compan um outro volume que exams publicando, também pla Eltora Alic, sabre os passosfundamen- {ais do pensamento politic dos séculos XVI, XVI e XVII. Depois ‘esses dois volumes, vrk um tereito,reunindo as expresses mais fundamentais do pensamento politico do século XX. Enbora se trate de obra didéice,quisemos dar a estes dois volumes um sentido que vai além do meramente escolar. E acred- ‘amos, junto com os colegas que colaboram nesta empretada, que © tor perecbera iso faciimente, A medida que nos acompanhe ros textos que se sepuem. Hi, porém, algo que a escola nos ensing fe que qusemos preserva equ. Como bem 0 sabem os profesores com experiénca no ensino da tora politeae da hstria das ios politieas, ler os casscos, diretamente, sem intermedisros, ¢ a melhor maneia de tomar contato com eles. Em atengo aeste cit fio, confirmado por ums longa experiznciaetola, 0 leitorencon- ‘ward agu textos escolidos que acreitamos essenciais para a com: ‘reensio de cada um dos pensadoresreunids neste volume. ‘Masha algo mais. Além de um contato dizeto com os els 0s, oferecemos agul a orlentaco segura de um comentador, cuja Ieiura certamenteo ajudard diante das diicldadesiicas. Este € ‘um dos priviégos do estudante nas alas de teria politica € de his- téria do pensamento politico que aqui se torna acssvel a todo ¢ ‘qualquer eidadio interesado no pensamento politic. ‘Garantindo assim, ao litor 2 oportunidade de confrontar os 0s do pensador cisco ¢ do seu comentador, assepuramos-e também a oportunidade de faer, se o desjar, 0 su proprio exere- clo de interpreta. E quem o fa jd comerard a erguero seu pro- pro v6o, para alm dos limites escola. Como se sabe, um exerc- ‘io de interpretagio, mesmo quando realizado na sala de aula, vai sempre além do merementeexcolar. Até porque, em pottica, um ‘exericio de inerpretaedo & sempre um exercicio de liberdade, E a ‘ste no falta, no caso do séeulo XIX, umas quantassurpresas. Por paradoxal que posse parecer, o pensamento politico da {época moderna comesa por um conservador. O que n0s diz que, 0 contdrio do que muitos pensam, © pensamento conservador €, ‘seu modo, moderno. Mas nes diz também que a moderidade dos fins do século XVII, como alés ade todo 0 séelo XIX, et ainda fortemente marcada pelo passado, Seo italiano Maguay, em uma sociedade sem Estado nacional, costr6i 0 seu pensamento como uma forma de anteipasto, podese dizer que, com Burke, ocorre © contriro. De origem irlandese mas tendo adotado a Inglaterra ‘como segunda pitria, Burke expressa tanto uma reagdo, contra a Revolucio Francesa, objeto da mais dure rica nas suas Reflections ‘on the revolution in France, quanto a consolidasdo de uma order poles erlada pela Revolusio Glorios (168) e a formacao de uma Sociedade nova no boja da primera Revolusdo Industrial Sera, evidentemente, incorreto dizer que 0 pensimento poli tico do século XIX tem, comparado com 0 dos séeulos anteriores, tum trago conservador. Mais importante & reconheser, a partir do conservador Burke, que a primeira referéncia do peasamento do séeulo XIX é a revolugdo. Qualquer que sja a escola de pens mento de que se trate, sua referénca maior €a Europa das evolu- 30s, dos dois Napoedes, dos naconalsmos e das guetras civs ou ntre Estados. E assim que, embora num contextotedrico © his co inteiramente diferente do de Burke, a revolugto aparece tam- ‘bém em Hegel como uma refertnia. E ainda que se reconhea ‘que, a0 inves das diatribes de Burk, Hegel tate a revolusd, pelo ‘menos a Francesa, com alguma simpatia,o seu pensamento politico ‘compara com os conservadores a cicunstanca de exprssit 10 ‘ perspectva da construpio de uma nova ordem mas a consolda- ‘Ho de uma ordem politica tradicional, ado Estado prusiano, ‘Ao lado da revolusio, a outa grande preocupario do pensa- mento do séulo XIX é 2 “questio social”. Surge uma nova socie- dade e, com el, as massas, um monsto anéaimo capaz de susciar ‘muitos temorese alvez,algumasesperangas. Em John Stuart Mill © Alexis de Tocqueville, liberalismo tome 0 seu caminho mais para aldm do Estado, visando entender a sociedade moderna. Fles econhecem que as ameagas& liberdade j4 ndo se enconiram ape- ras no Estado, que, em suas formas absolutisias © despétcas, ‘sags o indviduo, Além do despotsmo do Estado, podesia haver também um despotismo da sciedde, Diz Tocqueville que a possibildade do despotismo aumenta nas socedades moderna, qu ele chama de demecatcas, nas quais, a “igualdade de condigdes" podria levar 0s individuos no & aso ‘lag e & agdo em comum mas a0 solamento. Ao revés das soci. aces aristocétieas, onde a Iiberdade politic se alimenta da part clpagdo e da capacidade de assocarso dos indivduos, a soceds. es igualtras produziriam masas de individuos solirio,incapa- zs de governar a sociedade e, portant, vitimas indefesas diante as pretenses dos déspotas. Pode-se recolher em Stuart Mill uns tefleo semelhante:s6 uma sociedade de homens lives pode criat lth Estado de homens lives. ‘A grande contribuicdo de Stuart Mil ede Tocqueville so pen- samento politico liberal ¢, contudo, muito maior do que aquela ‘econhecia em nostoe meio iberis les tém sido lembrados por seu temor de uma “tania da maioria", nosio dotada de uma srande ambigtidade quando lida com olbos de hoje © que, mais do que as sociedades democrtieas,qualificaria, avant (alte, as fociedadestotalitrias ov as tendéncinstoalitrae dat sociedades ‘modernas. Mas estes dois aristocrats do espirto, conhecidos por seu refinament e por seueltismo, deveriam ser lembrados também or suas durasobjegdes contra o egoismo das plutocracas burgue- as, que eles vém incapaacs de sssumir suas esponsbildades perante 1 sociedade, ‘© ings Stuart Mil em diante de si os efeitos soci desasro- Sos da primeira Revolusdo Industrial. B o drama da “questio socal” que havetia de levé-lo, em alguns dos seus eseritos, um terreno fronteiro com o scilismo. Uma das coneqUéncias da iia «de que a sociedade pode produsi «opressio por sua propria conta que pode caber ao Estado livre a misso de intrvr na Sociedade para defender a liberdade do indviduo. F neste contexto que se deve entender a grande inovagéo que Stuart Mill iaz a0 pensamento liberal. Como Tocqueville, le inka bastante desconfianga da bur- suesia moderna para afirmar, contra uma visio utiltarista do lbe- rallsmo que propée a libedade politica como uma derivasdo da liberdade econémice, aida da lberdade politica como um valor em si. Diferente da concepeo liberal de uma liberdade “negative”, fa qual o indivduo ¢ live apenas na medida em que nfo ¢ opi ido pelo Estado, eles recaperam a nogdo, da Antgtidadeclssica, Segundo a qual a lberdade politica se realiza na partiinasso dos homens na comunidade politica, isto &, nos asuntos pablicos ou nos assuntos do Estado, Em Marx, o pensamento do século XIX realza a sua varante mais radical de combinasto entre uma tora da sciedade (eda eco- oma) e uma tora da revoluslo. Como Stuart Mill no campo libe- ral, Marx pode ser consierado, no campo do pensamento socialist, tanto um tefrico da politica quanto um economista eum socidogo. Embora sua teoria da potica teaha um desenvolvimento menor {0 capital 6, sem divids, mais importante 60 que O18 Brumdrio de Luts Bonaparte ou do que O manifesto comunista), podeseair- mar que a inguetagio police aravesse 0 conjunto da obra de Marx. Deste modo, as anotagées que Marx deixou a respeto da poltica ganham, no conjunto da sua obra, um relevo muito maior ‘do que fariam supor a sua condiglo de esrtos de cicunstanca. E ‘que a iddia de revolucto, a0 invés de desdobramento no campo do pensamento poli de uma cigncia da economia ede uma sociolo- tla, estd no proprio cerne de sua vsfo da socedade moderna. A ropensio que ji vimos nos pensadore dos séulos XVI, XVIL € XVIII, de liar uma concepsio da politica a wma concepg8o do hhomem ea soledade em geral,reaparece nos grandes pensadores da poitca do séeulo XIX. Em Mars, esta tendéncia€levada ao seu onto mais completo, ‘Como em nosso volume anterior, sobre os séculos XVI, XVIL « XVII, eada um dos pensadores aqui reunidos ¢apresentado por lum profesor (ou professora)com ampla experincia didética no tema e, em diversos casos, com obra publica a resplto. Os cap- tulos deste volume constam, assim, de duas partes, «primeira con- tendo texo do apresentador (ou apresentadora) ea segunda, tr ‘hos sleionaos do clasico de que se trate. Burke #apresentado ‘por Maria D’Alva Gil Kinzo, Kant por Regis de Casco Andrade, Hegel por Gilde Marsal Brandio, Tocqueville por Célia Galvio ‘Quirino, stuart Mil por Elizabeth Balbachevsky e Marx por Fran: ico C. Welfort. Todos os aresentadores(¢apresentadoras) men- ionados sto profesores do Departamento de Ciéncia Politica da Universidade de Sto Paulo. 2 Burke: a continuidade contra a ruptura Maria D’Alva Gil Kinzo Jensador e politico inglés do siculo XVII, Edmund Burke & ‘onsiderado 0 fundador do conservadorizmo moderna, Tal tribute fo} imputado menos em Fungo de sua bilhante carrera ‘como parlamentar Whig (grupo partidério liberal), defensor das Iiberdades e do consttucionalso dos ingess, do que em virtude e suas formulapbestedricas nascidas de seu acaque ferenho 20s ‘evoluciondros francess e seus dfensoresna Inglaterra, o que © levou & posigdo de primeir grande erico da Revolugdo Francesa de 1789, Burke nio esceveu um tratado sobre tori pola; sua ‘obra conse em ums sri de eras, dscusos parlamentares epan- Metos de circunstdnea,e seu pensamento, emboraaltamente imagi- natvo,€ bastante assstemsteo,o que tornov sua produto sujelta 2 interpretagbes confltantese mesmo & acusapzo de inconsstncla teéric e dotrndria. Antes, porém, de discutr as principals iias de Burke, watemos de fazer uma breve incursio em sua biografia. Carreira politica Edmund Burke nasceu om janeiro de doum conservador 1729 na cidade de Dublin, na Irlanda, 8 gpoca uma coldnia inglsa. Seu psi um advogado de conforivel posigdo, era protestant, e sun mi ‘descendents de uma vein familia catéica, Burke opto pelo prots- tansiemo e,embora desenvolvese una ligaedo profunda com a rel ‘io, fol sempre multo tolerante com as diferentes sets. Isto certa- Iente tem a ver com sua divesifeada experiéncia familiar © eso- Tar, Burke teve uma excelente educaedo, primero num internato ‘quacrano (irigido por Abraham Shackleton) e, depois, no Tenity College de Dublin. Em 1750, vai pare Londres com a intengdo de ‘se prepara para acartera de advogade, matriculando-e assim num ‘utso de dizeito no Middle Temple. Emboratenha inicalmente se ‘edicado com afinco a0 estdo da jurisprudéncia logo se iu atri- 8 pela literatura, © que o fez abandonar seus estudos de creo Em 1756 surge seu primero trabalho: A vindication of the natural society. Publicado anonimamentee no estilo de Bolingbroke, reno- mado pensador politic, este ensaio de flosofia social era uma sitra dg as iddias deste pensador. E Burke imitou seu estilo ‘de Forma to perfita que mesmo os criios acreditarem se tatar ‘de uma obra de Bolingbroke. A verdadeira autoria 6 viria a ser ‘onhecida com a segunda edigio do livro, em cujo preicio Burke cexplica sua intengo satiric. 'No ano seguinte sai publicado A philosophical inguiry Into the origin of our ideas of the sublime and the beautiful, um breve tratado sobre a estétic que daria a Burke alguma reputaedo no ct- cio literdrio ings eno exterior. Data também de 1757 seu casa ‘mento com Jane Nagent, la de wm lands catdice. A esta época, ‘partir de um contzato com 6 editor Robert Dodsley, Burke ini ‘ou 0 Annual register, win anuério sobre politica, histriae litera ‘ura em dmbito mundial, cujo primero volume saiu pubicado em 1759, Ele dirg esta pubicagao até 1776, mas mantevelgagdo com © amuério, eserevendo comentarios bibliogrificos © asesorando fem sua ediga, a€ pelo menos 1789. ‘Seu primeira contato ditto com a politica se dev através de Wiliams Gerard Hamilton, um palamentar que em 1761 foi nomea- do primeiro-secretirio do governador da Inlanda e que convidou ‘Burke para acompantlo como seretrio particular. Esta experién- cia juno & administrapdo inglesa na Ilanda fez com que entrase & fundo nos problemas de sua terra natal, tornando-se um incansé el dfensor das eausasislandesas. Permaneceu na Ilanda até 1765, data em que rompeu com Hamilton e em que foi nomeado secrté- Fio do marqués de Rockingham, lider de um dos grupos Whig no Perlamento. Como seu seeretitio durante dezesete anos, Burke Paricipou dos governs Iiderados por Lord Rockingham, e exereeu srande influtncia nese que era. lider da principal cortene pol ingles, o partido Whig de Rockingham. Assim, nao fo dill para Burke conseguir, através de elelgbes de imitada partiipardo como as que ocorriam na época, um astento no Parlamento. Sua entrada ‘na Chmara dos Comins sed em 1766 come deputado por Wendo ver, cadeira qu tla conservar até 1774, quando atrocou pela depu- taglo por Bristol. Foi nesta cidade — enti a segunda do reinado = ave, a0 ser proclamado eleito em 3 de novembro de 1774, Burke pronunciou o famoso diseurso, watando do papel de um represen {ante no Parlamento, Speech othe electors of Bristol, o qual repro- ddurimos parcialmente neste volume, Neste discurso Burke defende com brilhantismo aindependéncia daatvidade de um representant. [ste ao invés dese guar por instragdes de seus representados,deve- ria se orentar pelo bem gerald toda a comunidadee agir de acordo ‘com seu prépriojulyamento e consi, Burke permaneceu como representante de Brisol até 1780, quando, resoahacendo ter perdido a conflana de seus represent dos, decidi-se por assegurar umn lugar no Patlamento através da representardo do distrito de Malton, cadera que conservou até ‘noerrar ua carreira parlamentar em 1794, Burke morreu em 9 de jutho de 1797, Independéncia americana Durante todo 0 periodo gue @Revolugso Francesa vai de 17668 1794, Burke fot fam atuante membro do Par- lamentoe, como tal esteve presente nos principaisacontecimentos politicos da Inglaterra dos meados do séulo XVII. Referirse a iuarmo-nos em um periodo histrico fem que jd despontavam na Inglaterra sinais do grande surto econ mic provocado pela Revolugdo Industrial significa, também, colo- ‘armo-nos em um pais onde hi quase um séeulo ocorrera a derro- ‘ada da monarquia absolutisa, e onde @ordem capitalists js tor- nara parte do satus quo, insaurada como foi na Inglaterra por lum proceso de acomodagto progresiva do novo na velha ordem tradicional. "Num contexto mais espesifco, a época em que Burke iniciow sua carreia politica coincide com umn evento que iia ter conseguir ‘as sinificaivas na politica britnic: a ascensio de Jorge Ill 10 trono da Inglaterra, Tosnando-se ei em 1760, Jonge I iia tent e todas as formas assegurar um papel mais avo para a Corea, ‘ual, desde a Revolugio Gloriosa de 1688, havia perdido influencia tem beneficio do fortslecimento do Parlamento. Assim, os primel- +0835 anos do reinado de Jorge Ill foram marcados pela ao deli- ‘berada do rel com vistas a revertr, a qualquer custo, a tendénca prevalescente nas décadas anteriores, de modo a reconquistar para & Coroa o poder efeivo. E, nesta luta, Edmund Burke se colocou 0 lado do Parlamento,defendendo o regime parlamentar a ordem ‘constituional ingesa. Um dos eseritos mais notaveis sobre esta pro- blemsia sem duvide, 0 panfeto de Burke datado de 1770 inti ttlado Thoughts on the couse ofthe present discontent (cajo ecet- tos incluimos neste volume). Fazendo uma andise da stuasa0 pll- tica da época, Burke argumentava no sentido de mostrar que as ‘ages de Jorge III chocavam-se com 0 espirta da Consttuigto; © ‘denunciava como pritica de favoritsmo o critéro pessoal na esco- Ih dos ministros. Combatendo a camariha do re, Burke dfendia, ‘a escolha dos membros do ministrio segundo bass plies, isto 4 através da aprovasdo do Parlamento, que representa a toberania popular. E neste ensaio que encontramos, pela primeira ver expressa e forma inequvoca, uma defesa dos partidos politicos como ins- ‘rumentos de agdo conjuntana vida publica. Foi também no tempo de Burke que se acrrou 0 conflto do Império britnico com as colénias americanas, culminando na averra da independénca. © desenvolvimento prodigioso das cold- las da América no séeulo XVII havia gerado tensBes no sistema e regula politica e econdmica imperial, ¢ a determinagio da CCoroa de manter 0 controle absoluto sobre 0s povos colonizados resultou em represto e guerra. Defensor de uma potica mais con elliatdria, Burke se envolvera de forma combativa na questi colo- al tentando evitar secessiodas rece coldniasamercanas,Seus pronunciamentos mais conhesdos sobre esta questio #40 os dscur- for parlamentares On american taxation (1774) © On moving his ‘resolution for conciliation with America (1715), € 4 carta enviada & sua bas eleitoral jusiticando sua posgho em defesa dos america nos, Letter tothe sheriff of Bristol (1777). Em seus promunciamen- tos, Burke defendia a necstdade dese encontrar uma sluso har- mniea para problema daqueles que, em verdae, eram descenden tes dos ingleses e que, como estes, possuiam o esprit de liberdade fue tho bem encarnavam as insttuigdes britdnias; argumentava ‘ue estava em risco nlo apenas as iberdades dos americanos mas 35 propria Uberdades dos ingleses. Se fo em nome dessas liberdades que Burke se insurgu con- tea as investidas da Coroa em tentar aumentar seu podero interaa ¢externament, foi em nome da ordem e das tradigbes Ingles que ‘Burke inicara uma cruzada contra 0 aconteimento hstéico mals surpreendente de sua época, « Revolueio Francesa de 1789. Sua hosilidade desmesurada a ete movimento revolusiondio som prece- dentes, que eausra entsismo ene os ingleses,inspirow thea pro- ddugdo de sua mals importante obra: Reflxdes sobre a revolugdo fem Fronge,publicada em 1790. Fsta obra fol motivada por um pro- ‘unclamenio do dissdenteprotstante Richard Price, que, elogiando 2 Revolupio Francesa, eleia-a como modelo aos britinicos. Asim que grande parte desta obra tem por fim dinamitar os argumen- tos dos defeasoresna Inglaterra daquelas das radcas que impul- sionaram a Revolusdo, as quais Burke tenia que fssem generaliza- das. Desta maneira, Burke dscue as iia fundamentals que ani- ‘maram o movimento, tals como a questio da igualdade, dos diei- {os do homem ¢ da soberania popular; aleta contra os petgos da democraia em absrato e da mera rega do nimero; ¢questiona 0 carder racionalistae idealsta do movimento salientando no se tratar simpleamente do fat de extar a revolugio provocando o des- ‘moronamento da velhaordem, mas de star eausando a deslegitima- ‘80 dor valores (radicionais,destruindo asim toda ume heranga fm recursos materaise esprituals arduamente conquistada pela fociedade. Contrapondo se eses males, Burke exalta as virtudes ‘44 Consiuilo ingless, repositério do espirto de continidade, {a sabedora tradicional, da prescrigto, da acitagdo de uma hierar- {quia sociale da propriedade,e da consagrasio religisa da autori- dade secular. E pariularmente neta obra que se encontram expos- tos de forma mais clara os fundameatos e tragos conservadores do pensamento de Burke, Uma sociedade natural, uma carta demasiado érdua hhierarquica © desigual | discuir em uma breve spresen- tagdo os vérios ¢ intrncados aspects envolvdes no penstmento de Burke, principalmente por se'tratar de um pensador e plico que nunca chegou — nem mesmo nas Reflesdes ~ a expor de modo sstemstico suas ideas fundamen tals, Estas, a contri, emergem em mio a erticas e argumentos ‘construldos na discussie acerca de questOes coneeias. Sua despreo- cupagdo com a sstematizardo de seu pensamento muito se deve 20 {ato de exposar ua vsdo hos ds absrapGes, Para Burke as con epee eicas, sem contato com a realidad, mulas vers obstre ‘ou corrompem a sso politica, por no levar em consderspio as circunstincias complexas em que os problemas estbo envolidos: "Sho as ctconstincins que fazem com que qualquer plano politica ou civil sea benéfico ou prejudicial para a humanidade™. Desse ‘modo, prinepis abstratos nfo podem ser simplesmente aplicados ‘na solugio de problemas poitios reais. De fat, fol esa a primeira grande objeio de Burke & Revolugdo Francesa, um movimento ‘otivado por principice abstratos como a liberdade, @igualdade. sso ndo significa, no entanto, que Burke tena evtado fazer gene. ralizagbesteéricas. E, apesar de suas constantesreferéncas pouco logiosas ao pensameato absrato, sus critcas is ideas revlucio- ras, bem como as posies fundamentais que defendia, nfo de- xavam de possuirfundamentos metafisios. Burke admitia exis, subjacent ao fuxo dos eventos, uma realidade superior, sendo ‘essencial pare qualquer aflo 0 seu conhecimento. E, de fat, sua came de que esas cratuas pleidas nfo ousarto dar um unico asso sem Seuseabresos: em Seguda, os guardidesIhes mostram 6 perigo que as ameara cso ela tentem marchar sozinhas. Na ver- dade, esse pergo nto ¢ tio grande. Apés algumas queda, as pes Sas aprendem andar sozinhas. Mas eair uma ver as intimida e ‘comumente as amedronta para a tentativas ulerores E muito diel para um individuo isolado liberar-se da sua menoridade quando ela tornow-e quase a sua natreza (J. Mas que o public se eslareva asi mesmo € muito perfeita- mente possvel; se ne for assegurada a liberdade, #quase certo que isso ocorrs.. Sempre havera alguns pensadores independents, mesmo entre os guatdies das grandes massas, que, depos de terem- se liberado da menoridade, dsseminarao o esprit de reconbec mento racional tanto de sua prépriadignidade quanto ds vocapao 4 todo homem pars penser por si mesmo. Mas note-se que o piblico, que de inicio for reduzido & tutela por seus guardider, ‘obrigaos a permanccer sob jugo, quando &estimulado a se rebelar por guardibes qu, els prdpris, sto Incapazes de qualquer usa 0. Tsso mostra gudo nocivo ¢ semear preconceito; mais tarde ‘oltam-se contra seus autores ou predecessors. Sendo asim, a ras lentamente 0 piblico pode alcangar a iusraplo. Talvez & estrigdo de um despotism pessoal ou da opressio gananciosa ‘ou tirnica posa ser realzada pela revolusio, mas nunca uma ver~ Gadeirareforma nas maneras de pensar. [Enquanto esa reforma Io corre, novos presonceitosservirdo, to bem quanto 6s ant 805, para ater as grandes massa no pensanes Eniretanto, nada além da liberdade €necessirio & uta; ra verdade,o que se requer € mals inofeasiva de todas a8 coisas 8 quals ese termo pode ser apicado, ou ej, a Uberdade de fazer so publco da propria raxto a respeito de to. ‘A pedra de togue para o estabelcsimenta do que devem ser a8 leis de um povo esté em saber se 0 proprio povo.poderia terse limposto as leis em questo ‘0 que o povo nto pode decetar para si proprio muito menos pode ser deretado por um monarca, pols a autordade legislativa este timo baseia-se em que ele une a vontade publica gel na Sua pedpia. A ele incumbe zelar para que todas as mehorias,ver- dadeiras ou presumidas, sejam compativels com a ordem civil, fazendo isso ele pode deixar 205 sitos que busquem eles proprios © que thes parece necessrio&salvagdo de suas amas. Idéia do uma histéria univorsal ‘partir de um ponto de vista ‘cosmopolita (17-28) Primera toe0 Todas as disposiobesnatureis de uma eratura esto destina: das a desenvolver-se completamente econforme um fm. ta ‘Segunda tese [No homem (enguanto tnica criaturaracionl sobre 8 terra) «as asposisdes naturals que o predispdem ao uso da sua razho deve Adesenvolverseineiramente apenas na espéce,ndo no individ. tal Terceia tose A natureza quis que 0 homem produxse, a partir desimesno, tudo agulo que vai alm do ordenamento mecinico de sua existen- ‘a animal, e que ele nao partlasse de nenhuma outrafeliidade ‘ou perfeigdo a ndo ser aquela que ele mesmo, independentemente «do inti, erlsse por sua propria raxo. al Querta tose (© meio empregado pela natureza para propiciar 0 desenvolv- mento de todas as dispsigdes humanas & 0 seu antagonismo ent {odiedade, na medida em que esse aniagonismo, no fina, é a cause ‘de um ordenamento segundo leis dessa sociedade. TEntendo por antagonismo a insoclvel sociblldede dos homens, ito é sua propensio a manterem, em sua assocapto, ‘uma murua oposieao, que constantemente ameara destruir a soe dade. O homem tem uma incinagdo pare asecar-se com Ouro, ‘porque em sciedade cle se sent mais como homem, peo desevol- ‘vimento das suas capacidades naturais. Mas ele tem também uma Forte propensio as ior dos outros, porque a0 mesmo tempo ele fencontra em si mesmo a caractrstic inocldvl de desejar fazer tudo em seu prépro proveito. Desss forma, ele espera oposgso {e fodos of lados, porgue,conhecendo asi mesmo, sabe que, de ‘ua part, estéincinado a opor-se aos outros. E ess oposito gue ‘espera todas as suas capacidades, que o leva a dominar sinh ragdo & presuira; impulsionado pela vaidade, desejo de poder ov fsandncia, busca uma posicio enre seus semelhantes, que ele nto {olera, mas dos quas io pode prescindir. Asim slo dados os pri ‘melts patios efetivos da barhére para cultura, 2 qual coniste ‘no valor socal do homem. Dal se desenvolvem gradualmente todos (os talento, 0 gosto ae refina, A medida que a iustragio avanga, desenvolvese um modo de pensar que, com o tempo, pode conver ter a disposigio pouco refiada, natural, para a moraldade, em rineipiospritiosdefinidos e, desta forma, ansformar um acordo ‘xtorquide parologicamente para uma sciedadeem urn todo mora. ‘Sem essa caractrisics da insociabilidade, em si mesmas hosts, de onde nace a oposigto que cada um deve necesaramenteencon- trar As suas pretenses egostas, todos os talentos permaneceriam feultos, nfo. desenvolvdos, numa vida bucélica de pastor, com toda a sua harmon, contentamentoe aeigo reiproa Quinta tose (© maior problema para a espécie humana, para caja solugdo 4 natureza a encaminha, ¢ a reolizaedo de wma sciedade civil un. ‘versal que estaelece universmente 0 dirt © propésito mals eevado dt natueza, que & 0 desenvoli- mento de todas as disposicdes humanas, somente @ alcancado em Sociedade e, mais espciicamente, na sociedade com a mor liber- dade, Tal sociedade &aquela na qual existe oposigdo geral entre os Seus membros, justamente com a mals exala defini da Mberdade © portanto, a mais precisa determinagdoe resguardo dos seus limi- tes, de tl maneira que aliberdade de cada um coessta com a iber- dade dos demas (1 Este problema [0 problema emunciado na quinta ese} é 0 ‘mais afl eo slim Ser resolvido pela humanidade bal ‘Sétima tose 0 problema de extabelecer uma Constiigdo civil perfita epende do problema des relodes externas legais enire Estados @ do pode serresolvido sem solisso deste iimo. Te tava tece A histria da humanidade pode ser encorad, em geral, como «realizapdo do plano sereto da natureza para exabelecer wna Cons. titulo politiea pefeita enquanto nica siuazdo na qual as capeci- ‘dades da humanidade podem ser plenamente desenvolvidas e, tant ‘bem, para gerar a relaio entre Estados que sejapereitamenteade- Uma tentetiva fossa de produ uma histéra universal concebida como um plano natural de realizasao da unido civil da tespécte humane deve ser encareda como possvele, de far, como contribu a esse fim da nature. Paz perpétua Artigos defitvos para a paz perpétua ‘ntre 0 Estados (348-349) © estado de paz entre os homens que vivern lad a lado no 0 estado natural (status naturals o estado natural & 0 de guerra. Isto. nem sempre significa hostlidades abertas, mas, no minim, lum incessante ameaga de guerra. Um estado de paz, portant, deve ser extabelecido, Jd que, a fim de se estar seguro contra # hos. tldade, nto basta que as hrtidadessimplesmentendo sejam come. tides; e, « menos qué eta seguranga sejagarantida a cada um por seu vizio (0 que somente pode ocorrer num Estado juridicamente regulado), eada um pode ratar seu vzinho, do qual exig esta segu- ‘ange, como um inimigo. Primeiro artigo (249-250) “A CONSTITUICAO CIVIL DE CADA ESTADO ‘DEVE SER REPUBLICANA” ‘A Consttuicto republicans — a unica que provém da aia do contrato orgindvio, e sobre o qual toda 8 legislagaojuridica de fam povo deveefundar — ¢ etabeleida, primero, pelo principio da Iiberdade dos membros de uma sociedade (enquanto homens); segundo, de acordo com os prncipios da dependéncia de todos com respeto uma Unica leilaedo comum (enquanto silts) ecero, la lei de igualdade entre os mesmos(enquanto cidade); portant, ‘em relagio lei, € em si mesma o fundamento originéio de toda forma de Constituigao civil. A questo agora ¢ apenas esta: seré ela ‘também a unica capaz de levar& pax peepétua? ‘A Consituigio republiana, além da limpider de sua erigem (Ga que oviginada da fonte pura do conceto deli, também oferece um prospecto favorivel para o resultado desejado, isto, a paz per- lta. Se & necesirio 0 contentimento dor cidadios a fim de se Aeciir que a guerra seja declarada ( exte €0 caso nessa Constiu- 0), natural que eles seam muito cautelsos em concedé-Io, por- (que ao faztlo decetam para si mesmos todas as calamidades da guerra [1 Para que nio se confunda a Constituigo republcena com a democrética como & comam acontecer), devese notar 0 seguinte ‘As formas de um Estado (ivias) podem ser distingidas segundo 1s pessoas que possuem 0 poder soberano, ou segundo 0 modo de cexerciio do poder [Reelerungsar] sobre 0 povo por parte do sobe- ano, seja ele quem for. A primeira ditingto diz respelto & forma ‘de dominio [Farm der Beherrschung] forma imperi). Exstem ape- nas trés modalidads possveis: a aufocrecia, na qual um possul 0 oder soberano; a aistocraia, na qua alguns se assciam para jun- tos possuirem tal poder ou a democracia, na qual todos aqueles ‘au consttuem a sciedade possuem 0 poder soberano. Podem ser caracterizadas, respectivamente, como 0 poder de um monarea, da nobreza ou do povo. A segunda distingdo diz respeito & forma de soverno [Form der Replerung] (forma repimins), ou sea, & mancira pela qual o Estado utliza o seu poder. Bsa maneira ¢baseada na Consist, que ¢ 0 ato da vontade geral através do qual uma rmultiplicidade de pessos torna-se uma nagio, Desseponto de vista, © governo ou & republicano ou despético. O republcanismo & 0 Principio de organizagdo do Estado que estabelce a separacio entre 1 poder execulivo (0 govero) e © legislative; o despatismo €0 da fexecusto autSnoma, pelo Estado, das leis que cle mesmo decretou. ‘Assim, num despotism, a voatade publica ¢ adminsrada pelo governante como se fosse a sua prOpria vontade, Dentre as ts ‘modalidades de Estado, a da democreia, propriamentefalando, € rnecessariamente um despotism, porque ea estabelece um poder xecutivo no qual “todos” decidem por — ou mesmo contra — um ‘que ndo concord; 0 sj, “todos”, que no sto exatamente todos, detidem,e isto € uma contradigio da vontade eral, consigo mesma tecom a iberdade Segundo artigo (364) “0 DIREITO DAS NACOES SERA FUNDADO. NUMA FEDERACAO DE ESTADOS LIVRES” ode-se dizer que os povos, enquanto Estados, asim como os individuos, agridemse uns aor outros pelo simples fato de coe- size aum estado de natureza (sto &, num estado deindependén- ia com relapdo a es externas). Para garantr a prépria segurang ada um deles pode e deve exgit de todos os outros que déem-se a i proprios uma Constitugso semelhante & Constiuicto civil, por ‘quan sob tal Constuicdo cada um ter seus direitos assegurado. ‘Assim se formaria uma liga das nopdes (Voikerbund), que todavia ‘no seria um Estado formado por nagées. Havera ai uma cont ‘#0, porque um Estado implica a relago de um superior ue legisla {um inferior que obedece (0 pov), e nestas condigdes virias nagSes num Estado consituiram apenas uma nardo. ‘Sobre a garantia da paz perpétua (361) ‘A paz perpéeu & garantida por nada menos que essa grande arta, a natureza natura dedala rerum), Vers em seu mecanismo ‘ue seu objetivo € introduir a harmonia entre 0s homens, contra 2 vontade dels e, na verdad, através da dserdia entre eles {0 problema de organizar um Estado] (386) Por mais difell que possa parecer, © problema de organizar lum Estado pode ser retolvido mesmo por uma raga de demenios, att 8 Hsia romone de Niu, pada ets Bern, 181-182. (os de Croce) 5 Tocqueville: sobre a liberdade ea igualdade Célia Galvao Quirino alar de Tocqueville falar da questi da liberdadee daigual- ‘dade, Por io mesmo falar também de democracia. Sem ‘iva, esse € um tema herdado do jusnaturaismo e do conratua- limo, erica constante reaizada no século XIX pelos pensado- es politics lva-os a considerartais temas como simples abtra- 0es generalzantes. Tocqueville nto escape a essa moda, pois & essa forma que cle vais referi as ideas de Rousseau eda oso fia politica do séeulo XVII. $6 Montesquieu parece te sido pou: ado, tle justamente por nfo ser este 0 assunto central da sua Aiscusso politica. ‘Mas em Tocqueville tema persis, alls € para ele 0 ponto central do que poderia ser uma nova clénia poltica, Tambem & auravés da dscussto da questio da liberdade e da iguldage que ‘a procuarexplicar desenvolvimento sociopoliio das vias es lidades por ele estudadar, Procurando analsar 0 que ocoria em diversos paises earopeus ¢ nos Estados Unidos, Tocqueville traba- Tha com a especiicidade dessas realidades, considerando tanto a historia pote e socal de cada um quanto as véras comrades do presente, tentando por vezes até realizar prognéstios para 0 futuro. Seria interesante lembrar aqui uma de suas previses mais citadas no mundo contempordneo: hoje no mundo dois grandes pores que, ton patio d ponte fornia, parcem avanga pra 9 rear fe Serafin sg eriaon eu Pt da prin ¢ ee Edo, pot um design serete da Provigo eta Pas MB, Democrack Seusestudos dizem respito 2 ea- ‘um proceso universal lidadesconceis¢ abrangem desde a descrgdo de hibitos costumes de um povo e sua organieasio soil ata explicaydo de sua etru- tura de dominaglo, de suas instuigdes politicase das relapbes do Estado com a sociedade civil, Assim slo suas obras sobre a demo- ‘raca na Ambrica, a Revolugdo Francesa © 0 Antigo Regime, «col nizaglo da Arg etc. Mas em todas esas, bem como nos seus is- ‘cursos poticos, na correspondénca, nos relatos de Viagem e outros, ‘8 preocupacio fundamental ¢claramente express através deiner” pretagéessociopoitias, quando busca encontrat a posiel coe {acia harménica entre um processo de desenvolvimento igualitrio ¢@ manutengio da iberdade ‘Tooquville efrena assim, agora porém no nivel da realida- es conerets,o desaiolangado pelos contatuaisas cléssicos, 20 tratarem a questo daliberdade eda igualdade como categorias nto contradtris de um mesmo todo. Faz Tooqueville dessa problems: tica a Tuta de sua vida, tanto como meta a ser atngida através de ideas liberisem sua pratca politica enquanto parlamentar quanto fem suas obras escrtas, onde o seu fore so at andes sciopolitcas, ‘Sua questo central serd sempre: o que fazer para que o deren volvimento da igualded irrelredvel ni sea inibidor de iberdae, podendo por iso vir a desta? ‘Abordst, poranto, a questdo da Uberdade e de igualdade, em Tocqueville, ¢neesariamente falar de democracia. Em primelo lugar porgue Tocqueville identifiea, eclaracendo, igualdade com ‘ade geral de dedicar seu esprto & condusdo do trabalho. A cada i, ele oe torna mais habile menos engenhoso, podendo-se ‘qu, aele, © homem se degrada & medida que o operrio se aperfel- soa (© aque se deve esperar de um homem que passou vnte anos de sa vida fazendo caberas de lfinetes? E doravante em que pode nee se dedicar esta poderosaintelgtncia humana — que frequente ‘mente moveu o mundo — sendo na busce do melhor meio de fazer caberas de alfinetes? “Quando um operdrioconsumiu desta manera uma parte con siderdvel de sua exsténca, seu pensamento se deteve para sempre préximo ao objeto cotdiano de seus labors; seu corpo contcaiv artes dbitosfxos dos quas nto Ihe & mais permitido se afstar. Em uma palavea, cle no pertence mais asi mesmo, mas & profis so que escolheu, £ em vio que as lise 06 costumes euidam de ‘quebrar todas as barriras a0 redor deste homem e de Ihe abrir de todos of lads mil caminhos diferentes para a flcidade; uma teo- ria industrial, mas poderosa que os costumes eas leis, © amarrou ‘um ofico¢, freqdentemente, a um lugar que cle no pode aban- dona. Ele the deignou um certo lugar na sociedad, do qual ele ‘nko pode sat. Em meio ao movimento universal, ela o imobilzou. 'A medida que principio da diviso do trabalho ¢ mais lens. mente aplicado, 0 operiso se torna mais friil, mas lmitado © imal dependent. A arte faz progresios, o atest regrde. Por outro do, & media que se descobre de manera mais clara que os produ. tos de uma indista sto Go mais perfeitos e to menos cares ‘quanto mais amp a fabrica e maior capital, homens mult rcos ‘muito esclarecdos se spresentam para explorarindstias qu, até fed, tinham sido entegues a artesios ignorantes ou dexqvalific- os. So fassinados pela grandera dor esforgosnecesdriose pela Amplitude dor resultados elmejados, ‘Assim, portato, a0 mesmo tempo que a cifeia industil rebaiaa incessantemente a classe dos opedcios, ela eleva a dos mes * Enguanto 0 operiro cada vez mais dedica sua intligéneia 0 estudo de um dni detahe, 0 mestre paca diaviamente teu ‘ola sobre um conjunto mais amplo e seu esirito se alarga 4 pro- poreio que © do outro se exreita. Em breve, deste timo apenas se engi fore fsca sem a inteligdacia;o primero tem neces dade da ciéncia e quase do génio para ser bem-sucedida, Um se assemelha cada ver mais 20 administrador de um vasto império € ‘© outro, a um brato. Portanto, 0 mesire e o operrio alo tlm aqui nada de seme- thant e cada dia diferem mais. Apenas se vinculam como os dois los extremos de uma longa eadeia. Cada um ocupa um lugar gue Ie ¢atribuido ¢ do qual ele absolutamente ngo sal. Um esta numa Aependéncia continua, eteta enecesdra do outro e parece nas ‘do para obedecer, como 0 outro para comandar, gue Wo, eo awit E por iso que, quando remontamos a origem, parece que vemos a aristoracia brotar, por um esorgo natural, do seio mesmo mento, desde 0 uitarismo radical dos primeios anos do séulo aid a sua fase democttica, defensora do suftigio universal © de ‘eformas soci, ‘Nascdo em Londres, John Stuart Mill €filho de James Mil, fildsof ehstoriador da India, considerado, ao lado de Jeremy Ben- ‘ham, um dos fundadores do tltarismo ingles. Dexde a sua mai teara infncia, Mil se viu i volts com ot projets educacionas| mit 1S: Op. et p19 "ide, idem, p31 TEXTOS DE STUART ‘Sobre a liberdade Capitulo | Introdugto © assunto deste ensaio nto € a assim chamada Liberdade da ‘Vontade, tio desgragadamente oposia &doutrna eroneamente iti tulada Necesidade Filos6fica, mas a Liberdade Civil ou Liberdade Social: a natureza eos limites do poder que pode ser legitimamente execido pela sociedade sobre o individuo. Uma questo raramnente colocada, € mesmo dificimentedisutida, em termos gers, mas ave infuenca profundamente as controvésiaspritica contempor reas pela sua presenga latente e que provavelmente logo se ard reconherida como a questio itl do futuro. Ela esté tho longe de Ser nova que, num certo sentido, divdiu a humanidade quase desde as eras mais remota; mas no estgio de progresso no qual as parce Jas mais evilzadas de espécie agora enraram, ela se apresenta 200 novas condigdes eexge um trntamento diferente mais fundamental. ‘A luta entre a iberdede ea auoridade ¢ a carateristica mais conspicua nas fragBes da histria com e6 qual nos famlaricamos mais primitvamente, em particular naguelas da Grecia, Roma Inglaterra. Mas na Antighidade sta contenda se dava entre stor, ‘ou algumas clases de scitose 0 govern. Por iberdade se enten dia proteydo conta atiania dos governantes politics. Os gover- nantes eram concebidos (exeeto em alguns dos governos populares 4a Grécia) como estando numa posgdo necessariamente antagnica 20 povo ao qual governavarn. Consistiam em um governante nico, fou uma tibo ou casa governant, que derivava sua autoridade da Esra de Mu, J 8. Urn, om ety and repeat sonnet {Endo Dent & Sn, th. 231 Tac eC pe are, seu-umaogse seeeeecil $url hheranga ou conquista ¢ que, em todo caso, no a mantinha pela ‘ontade dos governadosecujasupremscia os homens ndo ousavam tu talve nfo dsejavam contestar,quaisquer que fostem as precau- ‘oes que podessem ser tomadas contra 0 su exertco opresivo. Seu poder era encarado como necessério mas também como ata- ‘mente perigoro; como uma arma que tentariam usar tanto contra seus siitos quanto contra inimigos exernos. Para evitar que 0s ‘membros mais fracos da comunidadefossem vitimados por abutres Jnumerdves, era indipensivel que houvesse wm animal de rapina mais forte que 0 resto, encarezado de subjugi-ios. Mas como 0 tei dos abutes nao esaria menos inclinado a faze vitimas no reba- ‘nho do que qualquer uma das hérpias menores, era indispensivel far numa attade perpétua de defesa contra seu bico € gras Desta forma, o objetivo dos patriotas era fia limites a0 pode ‘os quis o governante devria obedecer para exert-lo sobre a comu ridade; ¢ esta limitagdo era o que eles entendiam por liberdade Isto era feito de duas formas. Primeiro, pela obteneto de um reco- nhecimento de certs imunidades, as chamadaslberdades ou diet {os politicos, que devia ser encarado como uma brecka no dever| para o governante infrngir e que, se ele de flo infrngsse, tin fe como justiicdvel a resisténcia espeifica ou a rebelido geal. (Uma segunda, e em geal um expedinte mais aro, era oestabele ‘mento de obstaculos coastvucionas, pelos quals 0 consentimento| ‘da comunidade, ou de um grupo da mesma espcie que se supunha representa seus Interesses,tormava-se uma condielo necesséra a ‘alguns dos atos mais importantes do poder diigeme. Quanto 20 primero de tas modos de limitagdo, na maior dos paises euro- us, o poder governante era mais ou menos compelio ase subme ter, Tal ndo era o aso em rela ao segundo, que, para ser efi ‘ado ou — no caso de jt estar extabelesido em algun nivel — ‘Ser mais completamente realizado tomava-se, por Coda pare, a prin cipal meta dos amantes da liberdade.E, na medida em que a humae ‘idade se compeaza em combeter um inimigo por meio de outro, ‘em ser governada por um senher, ob a condicio de se garam ‘mais ou menos eficazmente contra sv tirania, no levava suas asp- ragées para além deste ponto CContudo, no curso 6a tividades humanes,chegou um tempo fem que of homens pararam de supor, como uma necesidade da rnatureea,o Tato de que seus governantes devessem Ser um poder Independence e oposto aos seus intereses. Pareceuthes muito ‘melhor que os vrios magstados do Estado deveram ser seus ingu linos ou delegados,desituvels segundo a sua vontade. Paresia que ‘apenas desta forma poderiam ter Seguranca completa de que jamais ‘s¢ abusariam dos poderes de governo em seu prejuizo. Gradativae mente eta nova demanda por governantes eletivos etemporérios {ornou-te 0 objetivo dominante dos esforgos do partido popular, ‘onde quer que um tal partido exists, e substuiu, numa conside. rdvelextenso, 0s esforgos anteriores para limiter 0 poder dos governantes. A medida que prosegula 4 lua para fazer com que © poder govern emanasse da escola periédica dos governadoe, lgumas pesogs comesaram a pensar que demsiaaimportinca inka sido atibuida &limitagto do poder em si mesmo. Ito (pare- cin que) era um recurso contra governantes cujs interesses cram habitualmentecontrérios aos do povo. O que agora se desejava era qe os governantesexivsrem idenificados com 0 povo © que seu Interesee vontade fossem o interes ea vontade da nagdo. A nagdo ‘no necssiava ser presi contra sua prépia vontade. NEo havia por que temer sua rania sobre s! mesma. Ao deixar Que os gover. nantes fssem efesivamente respoaséveis dante dela eprontamente do govern Marl mctora aria comeya de nova icles. fe opin pi, Indepndete dn injnsSo do moaare, 56 overt etr com se ou conta ce: 0, 4 Sut. Todos 08 foveros aatum por éesagadar mar psoas, endo ct age Stato euler ¢seado capac de eres es setients, 5 opines contrarian Sb medidas governamenas seam freqiete stentemanfestadns.© que deve faze o nate quando tas ‘au desfrorves sverem em maori? Dever le mua? de Fomo? Dever aca vontade dana? Sean fir, no ser Into um spot, mast consti im dred ou prime SBinsto da nato, erent apenas por ir isubsive,Se nfo Ses deverd ou drab a opus tans de seu poder dee feo, ou ent suri um antagoan permanent ene 0 DONO tm home, gue somes per rear nm im possi. Nem tmsmo um pin reliwo de obtincia psa de aieo ‘Fano afar por muito tonya a comeghénsns ators iu talstneio. © monarc tena de sucmb es conforma 8 Once do vir contusion on ena cider 0 eu Tost Simin que o face. © desptimo, tendo deta forma sobretado fominl posse poucas des vantagens ae be supe perncr Pinon sons, a0 peso qo relare mum grav mio inprtei as vatagens de um govero Ive, que por maior que fone a erdade qe oF ciadéos poeriam realmente wut frase exuseiam de que a obtveram por ‘ler € por ume Scento aus, wt Consiigto xsteme do Estado, pode se feromada a ualger momen ampouco eure aoe ll interme, ainda gue de um amo prodnt ou indulge. "Nf ei mu deepen se lune eformadores imps tes ov deaponador, 20s deparare com 2 ignorant ‘enc, ndotidde, 1 obsinnsto perverse im pvo a8 com Sis ou eer in aa —ininn ee opde i as tatares horas ples —,ssirasem ‘S'caes por uma mo fone que Jerubae todos cnc obstauls Corie um povo reastvant a er melor govern. Pore {afraofto ue para um dso, que ua Ye ov ou or rige um abuso, exstem outros 99 que nada fazem a ndo str ere Jos), aqueles que depositam sua esperanca num tal caminbo excluem da idea de bom governo o seu principal elemento, a melhoria do ‘réprio povo. Um dos beneticis da liberdade € que o governante ‘aio pode desconsidear as opniGes do povo e nfo pode aperfcgoar por ele seus afazeres sem aperfcgoar 0 préprio povo. Se fose pos ‘vel ao povo ser bem governado a despeto desi mesmo, o seu bom ‘govern ndo duraria mais do que comumente dura a liberdade de ‘um povo que foi lbertado por forsas estrangirs sem a sua pro ria cooperasio. £ verdade que um déspota pode educar 0 povoe, ‘casim realmente o fizese, seria « melhor desculpa para o seu des- potismo. Mas qualauer edueasdo que objetive tomar os homens Gliferentes de maquina acaba, a longo prazo, por faze: com que ‘aguelesclamem pelo controle de suas prdprias apes. [] ‘Nao ha nenhuma difculdade em demonsiar que a forma ideal 4e governo & aquela na qual soberani ou 0 poder supremo de controle em titima instncia, cb de drcta a todo o agregado da ‘comunidade; aqula em que todo cidado nfo apenas tem uma vor no exereicio daquele poder supremo, mas também é¢ chamado, pelo ‘menos ocisionalmente a tomar pare ativa no govern, pio desem- ‘enh pessoal de alguma fungao publica, local ou gral. Para verfcar esta proposilo, devemnos examind-ia em refer «in as dos ramos em que €conveniente divi a afergio do mérto de um governo, a saber: 0 quanto ee promove «boa administragto ‘dos negécios da sociedade por melo das faculdades moras, itelec- tuais¢ ativas existentes nos seus membros e qual éo seu efeito na melhora ou na deterioragdo dessasfaculdades Lal Sua superioridade em relagio ao bem-estarreinante basiase em dois prinepios, com verdade e aplicabildade to univesais ‘quanto quaisqueroutras proposes gerais que possam ser emit das arespato de assunts humanes.O primeiro€ de que os die: {os ¢interesses de toda © qualaer pessoa somente esto livres de serem desrespitados quando a prépria pessoa ineressada ¢ capaz de defendé-tose ests habtualmentedisposta a faz#lo, O segundo Eo de que o nivel ea extensio da prosperdade geal €diretamente proporcional ao nimero ea vatiedade das ener pessoaisengaj- das'na sua promogéo. Lal ‘A primeira proposcdo — a de que cada um ¢ 0 nico guar- ido seguro de seus proprios direitos e interesses — ¢ uma dessa sur uneione mrseeGAO xmas elementares da prodénca, segundo a qual todo individu {apar de conduzir seus propros aazerestactamenteatua toda vez lave ele proprio € 0 interesado, ..] No prcisames supor aus (Quando '0 poder reside exclusivamente numa clase, esta classe ‘levers conslene edeliberadameatesacrificar as outras clases em Seu proprio favor: bata saber que, na auséncia de seus defensores| naturas, 0s nteresees dos exclldosestaro sempre em isco de sere nevligenciados ¢ que, quando forem considerados, 0 serlo com folhos bem diferentes dagueles a quem direiamente dizem respite, bel £ uma condo inerente aos assuntos humans 0 fato de que renumaiatengdo, por mais sincera qu Sja, de proteer os interes- ‘es dos outros pode tormar Seguro ou salutar amarrarthes a mos. ‘Ainda mais obviamente verdadero € o Tato de que somente por fuss mos podem ser produzidas quaisquer melhorias positivas € ‘durveisem suas eondiges de vida. Através da infuéncia conjunta ‘esses dois principio, todas a comunidades livres estiveram mais isentas da injustga socal e do crime, 20 mesmo tempo em que lcangaram uma prorpeidade mais admirével, do que quaisquer ‘utr ou do que eas mesmas depois que pederam ua liberdae, (| “Tal €0 estado de coisas com relapdo ao bem-estar gera: a boa gestto dos assuntos da geragdoatual. Se passarmos agor 2 influgneia da forma de governo sobre o carter, descobriremos ‘ue 8 supetiridade do governo popular sobre todos 0s outros se Tmosta,se€ que isto € posivel, ainda mais deciidae incontestével, ‘Na verdade, esta queso depende de uma outra ainds mais fundamental, a saber: dette os als tipos comuns de cardtere para fo bem geral da humanidade, qual sera desejavel que predominasse oy) ativo, ou'6 passive; aqule que combate os males, ov aquele ‘que os suport; aquele que se curva As circunstncias, ou aquele fhe se esforga para que a clrcunstncis a ee se cuvern? Lal io pode haver nenhuma duvida de que o tipo passive de carder € prferido pelo governo de um ou de pouos € que o tipo ‘tivo ¢ independente ¢ preferido pelo governo da maioria, Gover- antes iresponsiveisnecessitam da aquescénia dos governados tnuito mais do que qualquer aividade diferente daquela que cles ‘dem obrigar. A submissdo aos commandos humanos como neces fades da natueza & a ligSo que todo govern inculce nagueles ave ‘dle edo totamentealijador. A vontade dos superiors © a lei ‘ome expressio desta vontade devem ser passivamente obedecias Mas os homens no so meros instrumentos ou apettechos nas nos de seus goveranies quando ifm vontade, ardor ov uma fonte de atvidade intima no retante de seus procedimentos; mas qual. ‘quer manifestaglo dessas qualidades, ao invés de receber 0 encora- jamento dos déspotas, deve ser por eles perdoada. [.] Bem diferente €a stuapdo das faculdades humanas quando tum ser humano posui como Unica restigd externa as necessidades dda natureza ou os mandatos da sociedade que ele mesmo ajudow impor, e dos qusis he & dado o direito de dicordar publicamente, s achloserrados,e de empenhar-seatlvamente para alterd-los ‘Som davis, sob um governo parcialmente popular, eta liberdade pode ser exercida mesmo por aqueles que nao partcipam plena~ mente dos privilgios da cidadania. Mas € um grande ertimulo adi- ional a independénciae& autoconfianga de qualquer petoa quando la extd no mesmo nivel das outras e nfo tem de sentir que seu sucesso depende da impressfo que pudercausar sobre os sentimen- {os € a8 disposiges de um corpo do qual ela nio faz parte. Ser de- ado de fora da Consttucio ¢ um grande desencorajamento para lum individuo e ainda maior para uma caste; bem como ser br _gado a implorar aos drbitrs de seu destino, sem poder tomar parte em sua deliberasio, O ponto méximo do efit revigoaate da ber {ade somente € alangado quando 0 indivguo por ela ativado tor nous, ou est procurando tornar se, um cidado de privilégos fo plenos quanto qualquer outro. Ainda mais importante do que ex ‘questo de seatimentos€ a discplina pritica que o cardter adquire partir da demanda feta aos cdadios para que exersam, de tem [pos em tempos e cada um por sua ver lguma funio social. Nao Se considera sufcentemente o pouco que existe na vida erdindria da maioria dos homens que possa dar alguma grandeza a suas coa- ‘expe6es ou ao seus senimentos. Seu trabalho € uma rotina; nfo & or amor, mas sim por interest prprio em sua forma mais elemen- tar, a satisfagdo das neesidadescotidianas; nem o que fazem, nem como o fazem, introduz em suas meates pensamentos ou sentimen- tos que se voltem para o mundo exterior; se lvrosinstrtivs etve- ‘em ao seu aleance, nada os estimul Ios na maria dos eases © individuo ndo tem neahum acess pessoas de cultura superos Atribuirsthe algo a fazer pelo piblico supre, de certo modo, todas ‘sss dfiitncias. Seas ercunttnciaspermitzem que a parccla de ncargo piblico a ele confada sea consderdvl, into fad dele um hhomem edueado, [. ‘da mas aa 0 do orld tot poi ripete do cade invualem func pens, por astra que eas: Quando ain engl, el chamado sr inte Gue sh so ote Ears, no ea de lon atta, por ota era gu oa Sas paridads peso ‘Ponca cu too ov ess pinion emus que tm com taco de eo bem comumy¢ cle prament ease lado pes ‘Serafin om cots Ml «opera, ao como the popordonarl rats pase eendineto «etna par 0 ‘Su sego Go em pablo El arene ase set como parte do bic a fazer do ites bles osc tree. Onde aloe rosa sol de esp pblce,ditmet se naar qualquer Senso de que os ndidut quem ocspam enum posto soca Eine tenam quaker dees para com a sociedad, exo Tas obedcoren ati etubmsteemse o govern. Nlo exist Seaham scntiment deste de dentfasio com o pablo ‘Todo penmento ou snineto ssa e cress ou deve, aS si fea ol pat de ote sonieasS, formas evident au nico govero que poe sass plenancate ods a exnas dp Baad sol€ aque no gu too o pov part; ave oda f\pupeto, meno na enor das unger pubes, que 1 pipet deve tt mtd at, ho amplaghanio ope fur pea oa de deenvolvimeso ca comunidad: que mio sepode am ima ins, spre por nada menor do qe 8 Santo de tdor sun parte Jo poser strane do Estado. Mas Sit con ce ror dem go Seles € inpose a paripcto Joa a oe tm parca muito peqena dos neces pio, © po el Arum poverno peri 6 pode epee. 7 Marx: politica e revolucdo Francisco C. Weffort 1882, Mar escreveu 2 seu amigo eeitor Joseph Weydeme- yer, cumprimenando-o peo nascent de um fio: "Msgoh- {ico momenta para vi ao mundo! Quando se posta ir em ste das de Londres a Calett tu eu estaremos decapitados ou dando niga, A Austria, a Califia eo Ooeano Pacifico Os novos €dados do univer no conseguir compreener quo peaieno ‘rao nosso mundo”. Hé quem gorte dee persuntar 0 quanto Mar ilo am sro erin) den ota de rabios, ei ara da acetal Fae, Sela ‘ia iene, «alee mal Tl ao eu pene, petputar ‘© quanto terk permanecido nle das condigeshisticas,ito &, das onlgds materia, bem como da stmosera dole do cende a police da a ca. Marx nascen em 1618 ¢acompanhon de pesto-boa pare dos srandesaconecnenior do siculo XIX. Ninguém pntou melhor do que ee osu prdprio Tempo como oda smsraincia. dt arse ¢ do proletariado. E também o do surgimento do capitalismo indus- tial de consolidasto das nagiese dos Estados moderns. Nin tude percebeu tio bem o quanto © dinamismo modernizador do capitalimo — analiado em O maneto comunisa especial PrindPal beleo er tment, en. gla — haveria de pequenar os seus enzo de or tom 6, sbretido, a sua epoca de orgem. Hoje, podese ide Lon: Ares a Calcut em apenas um dia. A Calitria¢a Austin 630 parece to ditantes a quem via em Londres, como Marx durante {Emaor parte de sua vida. Vistas de hoje, multas das congutas ‘lo sdulo XIX se apequnam dante ds relists do capitalism {€ socialism) gues acumularam a longo do séulo XX. Al tmar ae mesma se apg & sombra das grandes congas eece- tes da moderaiade Qual ter sido o “pequeno mundo’ de Mars? Sabre Alema- nh de incios do séulo pasado, diz Franz Mehring: “Belin nfo ‘ra, naga dpa, mais do que ima corte e ila mila, cj pops Iagho peqeno-burgues se vingava com murmurs maldoses © mesginhor do servilsmo covarde qe testeunhava em publco ‘ cauagens « cortejs plainos”.* Nesta passage, Meng se tefere aos as 30, quando Marx era sinda um menin,¢ 0 pene ‘Sento alemo esta sob inflotca doninante de Hegel ala e uma Alemanha tradicional em que as Diets (prlaments) pro ‘ncias — corpoatvas em sua compesisto, metade dos mandaios tra a erande popiedde sear, ata prepara a propie {ade urbana ea seta parte par a propriedade camponesa — cram fzcas como represenasdo do povo. Mebrnge os horidores em geal, acomerar pelo propio Marx, desrevem uma Alemasa ue teimave em vier o pasado, a espe da inlet 6s novas dda vindas de Paris. E,sobretudo, a despeite das gueras nape cas, qu evarum slgumas das nov natiuiges cada ela Revo- lugdo Francs para toda a Europ. = Mesmo na Franca, ond ands no haviam adormesido as bra sas da Grane Revolsio de 1789, 0 pasado conerave muito da sue fore. Ebora os movimentossvialisas ances exivesem. Aciantados em lo ts ales, prio deocrtic soctalta ‘stave ainda nafs de elmer 0 sutgio nies ab que consta om grande repecusto no proletrado.” No pus mas svancado ‘do mundo, a Ingatera, «lta pelos dieiios de partipgao pa "ia dos trabalhadorescabia eno 20 movimento "caria”. Exe cendro de um movimento operdi anda em seus primérdos eta deseo em vrs pares da obra de Mars, epediaimene em O ‘manfo comunita © O capital Do direito 0 rotsiro do pensamento de Marx ext explicito Areconomia no ctleore "Preficio” de Contrbuicto a erica die economia poiica, de 1859. Marx comeso¥, ros anos de 1841-1843, pelos estudos de drcto, de Mlosfia « de Istria, buscando o camino de uma rviso cia de Hegel (Cr tiea da flosofia do Estado de Hegel, Inrodusao @ critica da floso- la do direio © A quest Judaica). Dests primeirosextuds, pas fou, logo a seguir, 20 que ele chama o “ranse dif! de opin por orga de suas avidadesjornalisticas na Gazeta Renana, sobre ge chamados intresses maieriis”, S4o deste periodo A Sagrada Familia, de 184, © A ideoogiaaler, de 1845, ambasesrtas em ‘oleboracéo com Engels. Vem logo a seguir, esbogando resultados fe elaboragdo de Marx sobre os temas da economia, A miseria da “flosefia, de 1846-1887, ¢ O manifesto comunisa, de 1847. Estas- (bras, de um Marx que ainda no chegar aos trnta anos, ante pam 0 que vir a ser a preocupafao fundamental da sua matur- ‘ades a anise e a crea da economia capitalist, em especial na ‘sw obra maxima, O capt, de 1867. 7 ‘ispersos na trajtéria deste pensadorinfatgivel, esto ainda Aiversosextudeshiséreos, em particular © 18 Brumdrio de Las ‘Bonaparte, de 1882, e A guerra civil na Frang, de 1871, dois cis- ‘icos da hstoriografia que se constituem em importantes fontes de {efledo para a teoriapoitia revoluconira. E que nfo se esque ‘esta reagdo obrigatoriamentesuméria, uma referéneia aos mumero- Sos arlios de combate e comeatirios de imprensa parte importante do perfil de um grande pensador (que foi também wm jornalista profisional), ¢ pera o qual a labora das ides nfo pode se sepa- far das exgenlas da militinca politica. Além de O manifesto, tam- ‘ban Salvo, pro e uero, de 186, e Critica do programa de Gotha, 1875, podem ser fomadas como exemplostpicas de obras de pensamento natidas das exigtnias da milénca 1 roleiro que vai do direto e da filosoia & economia pode sex entenddo também como uma chave do método de Marx e como) tam ertrio para loealzarmos o sentido que ele arbi & polities. [A propisito, nfo deaa de ser paradoxal que um pensador que, fn sun vide, dea tanta atensao & politica possa ter sido criticad for tala, ao que supdem seus detratores, como um mero epife- ‘meno, simples reflexo das condlgees materials que seriam dadas pela exonomia, Ein outa carta a Wedemeyer, ele oferce, a res-/ Privo, uma indcagdo valiosa. De modo que parecerd certamente / surpreendente a muitos dos que mantém sobre Mars as impressdes deixadas por alguns de seus seguidore, ele descartar 0 mérito da descobersa da existécia das classes e da Iuta de classes, coisa que “alguns economists (¢historiadores)burgueses”j triam feito, ‘oave ev rune oe novo fl deans: 1 qu a uitécie dt cla fers val unida a determinadeslseshistoices cesovolmento 4 Ge sedugée: 2 auo.a te de Canoes concur neceseanaronte. 8 1” Ghadra Go proeaiag; 3 ave sta eda, ems mesma, n20 6 |r ge na noord ae ote or ne» ae £ facil pereeder que, pelo menos nos pontas 2 3, ele esa falando direamente da politica Marx entendia O copital como um “guia para a ago". O lugar de reievo oeupado em seu pensamento pela politica &enfati- zado por uma de suas famosas tses sobre Feuerbach: “At aqui fs fldsofs apenas interpretaram 0 mundo de ciferentes mancias; tratase agora de tansformlo". Nao hd de sr ireevante para & onsideragio que Marx havera de dar & politica o fate de que, no foteiro da formasio do seu pensamento, ndo é apenas a critica do Airetae da filosofa de Hegel que antecede a sua “erie da econo, mia politica”. Antes da citica da economia, reconheya-se 0 lugar que ele reserva ideia de revolugio. Momento de ruptura global da sociedadee do Estado, a revolusao apareci, para Marx, no hor: ) onte mais imediato do seu tempo. J Atualidade A nocio de uma “proximidade da revolusto", da revolugo de uma “atualidade universal da revolugio" constitu, segundo Lukic, "o nileo da dou trina marssta. A reflex do ilesof0 hingaro toma como refrén cia inicial 0 pensamento de Lenin, mas nos reconduz ao ponto cen tral a teora politica em Marx. “A atualidade da revoluto [1 ‘sta 62 iia fundamental de Leni e também o ponte decisive que ‘une a Mars.” Na verdade, no sera apenas uma nocio, um con: ito ou uma feoriaabstrata, mas o sentido real de ‘oda uma epoca Wistérica. Seva 0 “"fundamento objetivo de todo o periodo © a0 mesmo tempo [..] 8 chave para a sua compreensio”. E mais adiante: “A atualidade da revolugdo indica a nota dominante de {oda uma éposa[.] A atualidade da revolusdo significa [1 ren erento ot ‘odo problema cotidiano particular em lgagio dicta com a total dade histrio-scial,comsdert-as como momentos da emsncipa- so do proleariado see mares € uma tora polémica, onde tudo, ou quse tudo, 4 pase! de alguma controvésa. Pare claro, porém, que, pelo toenos no que dz resplto 8 expectatvas de Marx a0 cima desu pow, ests anotagtes de Lukes nfo poderiam ser mals aceradss.” sscalo XIX, em especial a sua primera metade,chiravaarevol (ho. Em 1848, Marx espera, para o ano seuins, una guerra mun- {Gt como resuado devin isuregdo que consderavaineviével por parte da clase operiianglsa, Diz Mebring que, no tanscurso 122 1850, as espeangas de Marx em uma revolugto media deca ‘Faveimente. Na a calmaria Tbe pares lusri: “Uma nova revoh- {ao mo poderdexplodir até que esiale uma nove crise. Mas tanto {ina quam outa sto inevtaves,* Em 1857, quando os pagamentos {do jomal americano para o qual ecrevianaqueles anos, 0 New York ‘Daly Trbure, comeyaram a strasar eo snas da crise ncermacio- tal comearamn a chegat até sua cas, esreve a Engels: "Apestr da vse nanosa que atravesso, nunca me sent to bem, desde 1849, Somo agora" Ele ecrevia,evdentemete, com um imo poitco Go qual Engels coresponde completamente com a8 seguntes pal- tran "Desde que comegou a danra em Nova York [Jeu] mesinto {normemente bem em mo desta hecatombe gerl”.* Podese fomar como norma, mas ainda esenil, em um revoluclonirios vontade de partcpat da revolugio. Nada portanto ‘de exraordindrio se, em crcunstincas esfavorveis, le ¢tentado obi onde ela ndo ext. A verdade, porém, & ue, mais do que feveon, Marx vvea em uma Europa revoluionéia, ainda quente das memdrias da Revolusio Francesa e das querrasnapolebnicas. ‘Alem dss, ee fo contemporineo das revoludes de 1830 ¢ de TB, eda Comuna de Paris, em 1871 — isso para mencionar ape tas os acontecimentos mais importantes. Acompanbo aqui a peio- “iegdo feta por Ene Hobsbawm a intoduedo de sua magistral ‘istiria do mars: 1 0 perodoaretor a 1481860 “cand om api grande tie'de tnestnmerto co prime capalame iui enot Ta ee ae nsstin comace ember com 8 ae ‘Geuconara ao tay ve dice om 146 sere tgrs ses Eo petoa csc do esenotinata capt: aan sesulo XX ho ascent ce um mormento Ope Mo content europauanterscona || Comuna de Pas, rt reamens itive das tevopaesJcabinas eprint evalu Broa Ets pre cance om maar co penta ‘Come o século XX para muitos pases da Asia, da América Latina da Altia,o século XIX fo, na Europa, um steulo de revelusdes. ‘Algumas déstasrevolubes (ou tentatvas de revolugdes, em certos aso) se prolongam até as primeira décadas do século XX. O caso mais notdvel &0 da Revolugio Rust, Se a crise de 187 nto trouxe uma revoluedo, como Mark © rigelsesperavam em sua troca de carias, encontramor entre a= suas consequéncias algumas mudancas polteas fundamentals na fordem europea: a unificapso da Telia eda Alemaaha, o desmoro- rnamento do impéria francs ea dosadéncia do imperioausto-hin- aro. E entre estes impressonantes acontecimeatos o importante fpisGdio da Comins de Pars, Nae unificasdes da Alemanha e da Tilia, ram ainda as revolugdes — neses casos, porém, “evolu {8es peo alto" — que mudavam rapidamente todo 0 cendrio de ‘duasvelbas sociedadesearoptis. E do bojo das revolupdes, as do ‘sulo XIX quate todas rvolugées da burguesa,e das demas rans. Formagdes que 2 burguesia impunka a0 velho mundo, srgia@ pro- Ietariado, (© compromisso de Marx com a revolucto & porém, algo ‘mais do que a attude de um militant revolucionri. Este compro ‘miso ext no miolo de sa tori. Que outa significado pod ‘era sua afiemacto sobre o carder citco reva ‘ea? Assim, see vrdade que a leola politica de 8 “Sear sua “critica da economia politic, também é verdade que no Se entende a sua teoria sobre as contradies econbmicas do stems capitalist sem uma nopo a respeito da revolugo que estas contra ‘igbesetariam preparando, A teoria da revolugdo ¢ bem mais do ‘que um fruto dos entusiasmos do jovem Mar. (A lgica da revolu- Ho estd embutida na préprialigica das contradigdes do sistema aptalista) E € iso, precisamente, que permite a Marx falar de uma unidade da teora e ds praca. Ov, como diz ainda Lukécs! ""O materialism histrico enguanto expresso terica da uta pela emancipario do prletariado 56 podera ser apeeendido ¢ formu Jado teoriamente no instante hitérico em que ele j& havia ido posto na ordem do da da hiséria em sua ataliade pratica”. Nao por acaso Marx hava previsto, quando inicou O capita, vol- tar ao tema do Estado, Emboradefinido, nas anotagSes que deixou srs rouncreamonnclo 2 reps, pl ng dade do condo ei, tm do ‘ado uo poders dar deer tatbem 9 oportunidad de uma fora pe po cao a or pola. Proms comtnte no marona a peeceypaso com audit cova 4 Ce ola pre obistin Eigen enpetiaca om deco 0 movimento orl a dose rose de rtforaso. Econo Mar areca tt Salts qe se hua ersonl, cme a "Galea mon so cee Sitter’ npsnts pnt sor tow eo see {imo entree sua nog, co sa no iat cite ¢revoucondi, a seria alice em sua forma Sita Kevoto, portant at en dis. mans de ‘Sats done Ea ex rita histori el or ‘Sova antum nlp ain) gue a desenda monte ea a dec Se O mane sobre expat, so mean tcpo dev ¢eiadoa, da burps ‘Hi Tamesas lis, quanto suas anlage, no mesmo text sobre Tuitnc a rpeine revlon do pect, "A Stuhast poe cus soba condo de revlaconar neva ‘Sone oy smontor de poset or conseaizca, gl ose pours om iso tts a rege sous" Dest sto dre ina ase socal ns march soc edema ou an vam pre a aoc moderna, deve & meade de deur una orem car our, Desert BE Tie€ conn om sun “arf revausionaia. No re ee reooas eta cma de expansto dsr ¢ tlt Soe Satpr eats a eae dean propin esruo Sissi ros pon eo” Sina paler ‘alr entre os intelectuais,pasam para o campo contri, © campo Ga revolugio. E, como ja vimos através das sugestes de Luks, ‘ materialsmo Bistérico de Marx se entende como um aspect desta Tota: Deve valer também para as idias de Marx a nogio geral que cle apresenta sobre af ids das classes sevoluconaras: “Cada ‘ova classe que toma o lugar daquela que dominava antes & compe lida para aleancar sua finalidade, a representa todos o: membros a sociedad, ob, para usar uma formulagio no plano das iis, ese ‘clase ¢obrgada a dards suas ila a forma de unversaidade, de Fepresentias como sendo as tnias razaves, as Unicas univers mente vidas” E,embora Marxenfatize sempre a condo peculiar do proleariado destinado a desir a socidade de clases, poder mos supor que val para seus representantes reflevo que Se sea: “Peo simples fato de se opor a uma clase, os revolucionéros 40 se apresentam incialmente como classe, mas como representanise Dts soir sa propia cordial) ~ quero de, tooo drm ana san aso uae ss pronase [Nao Se pode entender, nests palavras,o proletrio como emblema 4s condigéo comum dos homens modernos em Tace da economia ¢ do Estado nas suas formas atuas? O potecial de lberag do indi- viduo que se encontra no dinamismo da atualrevousdo tecnolévca do estara sendo comprimido pela ati relagdes de producto & pelo centralismo esmagader das estrturas buoeriies do Estado rmoderno? ‘Se esta interpretapdo & posivel, ninguém se surpreenda se assistrmos, neste fim de século, a ma volta a Mary, mito mals forte do que todas as anteriores. Em face das novas tentaivas de transformagio em cuso nas sociedades modernas — ¢ aqui mio hh como ignorar os esorgos de modernizasio em andamento nas sociedades do socalsmo burocréico que, uma vez mais, ene tam o tema da democratizasdo —, Mars resurge como font indie. pensive refledo ea critica. O socialismo, dizia ele em O man {festo, screvendo na perspctva que Ie permitla 0 seu "pequeno ‘mundo do século XIX, € "uma associa em que o livre deren ma roumcneaetuelo i volvimento de cada um seré a condicdo do live deseavolvimento de todon”. Tetis alguém jamais oferecdo, em qualquer tempo ou em ‘qualquer lugat, melhor dscrgdo dos sons da modernidade nesta ppasagem para 0 século XI? Notas * Momno, Fane Carlos Mars sora de su vida, Mexico, Eatral Grab, 1951p. 234. qgrais Gunde) 2 ide, idem, p34 > tae, idem, p98 “Nota sobre carte, * cana a J, Weydemeve, de Landes, $ de marco de 1852 * Lacs, Gores. La pense de Lenin, Pais, Eons Deaoel/Gontie, 1912. esas * Por camiohos semehantes 48 indados po Laks exe ampla bilo brat, Menconese, por exemple! Lich, George. £1 marin; {resus natonce 5 eis. Barcslona, oil’ Anagrama, 168; buy, Michal La shore del oltion cher I jee Mar. Pas, Frans Maspero, 170. * Op. city p22 dem, 274 "0s periods p88, io de aps a more de Mars, que segvem na (feito de Hoban S80 de 1831914 iment do perl 1 Sins revolusonias no mundo subdesenvldo, x smear pea Rs. Sia. de Toit i9e (da Pica Guere Segunda, com 8 Revoluedo Rasa © ¢ Revludo Chine de perme) inaese, 0 perodo de {hdr 190 at bo. Eat evident gor os prods ps8 a0 de menor terse para saacerangao du cones hotrcas du epoca de Marx ie ep, cbr sa, rar cia ine {ke perapeiva sobre as danas oot: dete fis do sea XIX ie BOR, Ver Hossmaans Ese Maa, Egat eo socalomo pre tmahiano. Histon do mero: o marta so temp de Mar. 2 ‘Rio de Taner, Pate Teta, 1983.41, p 1933, Op. ct p10 3 ans, Precio de 1673.0 capi 2. of. Mésco, Fondo de Cars Engin 1999: 9. XXIV. kde, © maneto comunita.n: Obra etcopida n ds tomas. Moss Eto! Progreso, 196. "ide, iden. 0p. ct, p80, “inno, Fase. Op. ct. . 225. A prop, vale cars paler Ge Mars ts O caplal "Onde se vena ao burps prea, de modo ‘ak ptente ema ensiel, o movimento chlo de comralges da sce ‘dade Capital, nas aeraivas do co pero que prone nd {wa moderna ecm seu port culmiaat!o dace geal, Ea ise perl {St de novo em marche, enbora oo tena pasado aipda de soa Tse ‘rebmina. A eens univer do cero em uc haves de deseo: ‘evar ea lteaade de sus fn lard com gues dca ete pla ‘tbe até mesmo deter mimador edensiie do ovo Sacto imple ‘ruslano-alnto™. MakX. Pref de 1873. cpa Op. op. XXIV, de, ide, p99 "0. a Bdla sem sous de contioidade do comunizmo, enquato ‘movment Soil modeno, tem inlo com a cotente de esgurds da Revolule Franesa. Unt deta le descendntehgs a “conspuacdo dovgun’ de Babe, aan de Fie Buono arsine reo. leconiris de Slang dos anos 0; eas, por suave, igam = sr 1d Liga dos Jus, frmada pelos elas alee inspired por tse que depois etrmara Liga ds Comunisuas ~ & Mars e Engel, fue reaigiam sb encomenda da Liga O manifesto do pai comun ‘i Hopsavnnt Ee: Op. ct, p40 "Op. cit. 72 Manx. Intadupto A crica da fos do dice de Hegel ae (A queso judo, Ro de Taco, Laermer 198. 2 dem. Cia del flesoia del Estado de Hegel, Buenos Nie, Eato- fal Clarida, 1986p. 61-2 2 A aia de ua “cesar” ete 0 joe «o vo Marx pode te ieen- {er tender ese ncontra mts em interprets Qu, de ues pots ‘Seva, seaasrlam de Ate. Segundo Misha! Ly, havea ust ‘para "pls ars de Adel led, o gue Siri fae do ‘Marx ate um pr ania, Hotabawa, por suave, etende ue 0 ‘Mars da Cn da flown do Estado de Hegel sia democrat, nao ‘um comunsa, Tale Masso mo ala uma rap, o que 0 core tia se pdtsemos ssa que 20s ona comunta Mars teste 6 {ido deer democtara. Ev estou ene o que em as muds Ge Mart ome espeada em un peat compromeido oa isin > LansHvr & MavE. Intodugto In: MAB. Cra de le flosfi de [Eotado de Hegel Op. cP. 910. ‘contre, Laci. letogucion” te: Manx, Kar. Barty writin ‘Tondon, Praga Books, 1974p. 22 = Manx, A questo jude, Op. ct % Manx & ENS, "Maalfox del partido comunisa, peti a io oud de 1872 Obra expan das tomes. Mosc, Baotal Prose, tooo top. 123 Max. 0 eal, México, Fondo de Cultura Econiic, 1989. ¥. 1p ma Manx & ENOHS. Op. cit p. 301 Op. lt BMS TEXTOS DE MARX" AA omancipaeao politica e's omancipagso humana ‘sobre chamados interesses materiais.' Sete eee livre sem que 0 homem seja um homem livre. [a 1 Sioa aaoaereaanes Scope ns enoerveaeacae Ga, edtcsto« ocparo, «Taam sale sua anaes Tea te ie rang ae Cee dt ata es ae metonre rsa me barat EARS ahesia science = sai tae iarn tan aan rumen eaevoucAo [Lo] Onde © Estado politico jéatingiu seu verdadeiro desen solvimento, 0 homem leva, no sommente no pensamento ena cons- Uencins mas na reaidade, na vida, ura duplaexisténeia: ume eles. finde outratertena, a existéncia ne comunidade police, 0a qual toe se consiera como um ser geral, ea existncia na sociedade civil, ‘nde atua como particular; encara os outros homens como meros strumentos, degrada-se asi mesmo como mero instrumento € se tora joguete de poderesestranhos.[..) ‘A emancipacao police, seguremente, constitui um grande progress Everdade que ela nio €a slim forma da emancipasio omana, mas ¢atina forma da emancipario humana ne contexto ‘So mundo atual. Devemos eclarecer que falamos aqui de emancipa- to real, de emaneipao prétca. i) {6s membros do Estado politico sto relgioos devo ao dua- timo entre a vida individual ea vida genera, entre a vida da soci lade burguesa ea via polite; so rlgiosos na medida em que © hhomem considera e vida politics para além de sua propia indivi (uaidade como a sua verdadeira vida; religiosos, no sentido em Ge a religdo ¢ aqui o esprito da sociedade burguesa, a expressio ‘lagulo que distancia e separa o bomem do proprio homem. A \democraca politica € eista na medida em que nela 0 homer, no “apenas um homem, mas todo homem, € um ser soberano, wm set Mpremo; mas ngo.0 homem culto nem o homem social, © homem aasua exsténcia eidental como tal, © homnem que se corrompeu por toda a organizagdo de nossa sociedad, perdido de si mesmo, “henado,submetido ao mpério de condigbese elementos inumanos; fhuma palavra, 0 homem que nio ¢ ainda um verdadero ser gené Fico. A casio Imagindria, © sonho, o postulado do cristanisma, ft soberania do homem, mas do homem real — tudo isto se torn, fa democraci, reaidade coneetae present, uma minima secular i) i) Consideremos por um momento os chamados direitos hum nos em nua forma auteticn, sob s forma que Ths deram os seus {escobridores norte amercanosefrancesest Por um lado, ees dei tor humanos si direitos policos, direitos que apenas podem ser ‘reeidos em comunidade com outros homens. O seu conteido con- She na pertcipeedo na exsencia gra, na vida politica da comuni- Sade, na vide do Estado, Estes direitos se inseem na categoria de iberdade police, na categoria dos direitos civis, que, tal como vimos, ndo supdem de forms alguna a supresio absoluta © pos tiva da religio, nem, porconsegunt, do judismo. Por outro lado, testa considerar ot droits de homme na medida em que diferem os dros du ayer.” bol ‘Constatamos, antes de mais nada, que os droits de homme Aistntos dos dots du ctoyen nada mais io do que os dictos do ‘membro da sociedade burguese, ou sea, do bomen egoisia, do hhomem iolado do homem ¢ da comunidade. A mais radial dat constituiges,a de 1793, enunciavs cane te hon con Forgery rina a a tebe mae fm que conse (1 1 'iberade& porno, © ito de fare ado aque gee io pjaiur outer: Eo} 7 pan prc to de Wee 0 de pr eda private, Mase econ ee tine Got tl O dic & propiedad, pis, dito de desruar de 0a tena edi pr & on goa pot com 4 eer tomes ¢nependenete acta 0 dee o niet peso es iedde nda can apse qconstin {saa eke bere) Fala conser snd outros humanos,Péalie a sireté. aa pater date nd tm eu ido polio © mada sais @ do que» ulate dobre al ome tna dein tS home igus conrad tal somo aa mova fo Sethe d ntne fol Pose (ei ‘A spre aslo coco scl da sae burg, coon de pall teens» aul io a oad ‘ont ae pra pr nad um emt membros score ‘aso evan poe, us dhon eun porn © conc ae septrans io ina sue pa ae 8 snc bap se oreonh 2 eens Ad cons Sean rea echo) xn bastante eto que um ovo due come presente & sc oss dvb tt ares do earn ose isi se oC hme ume comunicde plc, polame soln ‘Sem indo omen eso, Sigoso ds sont < eels (Deaton de PD) [-] Mas ete fa se orm Serra quand vera ro enanspaors pol SEE tc ne mun 9 seen 8 commie pot 0 pia mapa a cnserean on chamads tox Eile gu or concn 0 coyen devas 60 aman di: devadase cfs comunia em QU Ht © sor ee cieo toe om oro honen a8 com or gu fiimente nd seconra com bomen verdadero corn hme cnet i, eto emu be (1 a revolugio ‘A emancipagéo human Mex primer trabalho, levado a cabo para resolver a di das qu me tava fo na evist cada iso egelane Ge decto, emu sods aparceuem 1844 nos Anais rancor stn i a Tadueumo-nos: pode a Alanna chepar a uma pica hata ds pine to aa Terug que a eve nlo $6 eral ofl dor povs moderns ma, também, 0 nivel humane ue sero fur inediatodests power? Si amas da eno poem, deft, sbi «eres das won fone ate fe Se set epost por fore meal Tm tube se converte em fre marl 2 Ue ‘Ripe dos Homes. A tora ¢ apa de render os homens desde ‘ordemonste sua verdade fae a0 bomen, desde que storm rad SX serail ao odema eas i Pare home, iz proprio home. (1 Tasman sonho wapco nfo € a revolt radical, cu a cnncieyto humana ger a ab coi,» e180 Sur's revousto meramente pia, a revlugo que dis de eg ars do edo, Sobre © qu epousa uma revololo Dar Beans revausfo meramente poltica No fat de que ua fe soe stanedade burgusa se emancpae azane supenain ea Sisto de uma deteminada case empreende a manipato geal 4a socedade a pars de sua stuagdo particular. Esa classe ema: ‘ipa toda a sociedade, mas apenas 40b a hipdtere de que toda & Sociedade se enconire na stuagdo desta classe, isto &, que possi, por exemplo, dinheiro cultura ou que possa adult lo, [Nenhuma clase da sociedad burguesa pode dsempenhar este papel sem provocar um momento de entusiao em sina masa, ‘momento durante o qual coafratenizae se confunde com a soce-