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C R I S T I A N I S M O
C R I S T I A N I S M O

V I T O R I O S O

C R I S T I A N I S M O V I T O
C R I S T I A N I S M O V I T O

A IGREJA DA QUAL JEZABEL ERA M EMBRO

N esta série de estudos, já visita- mos as três cidades mais proemi-

nentes da Ásia Menor: Éfeso, Esmirna e Pérgamo. Agora, vamos nos voltar para o continente, indo para o sudeste até chegarmos a Tiatira 1 . Tiatira era uma cidade relativamente rica, mas nos dias

da igreja primitiva, a maioria das pessoas a con- siderava uma parada de descanso insignificante, na estrada que ia de Pérgamo a Sardes. Tiatira era

a cidade “menos conhecida, menos importante e

menos notável” 2 das sete cidades em que ficavam

as igrejas da Ásia. Quando minha esposa e eu visitamos a Turquia, até o guia turístico descreveu Tiatira como uma cidade sem importância. Numa noite em Izmir, durante a sessão de orientação para a viagem do

dia seguinte até Pérgamo e Tiatira, disseram o seguinte ao nosso grupo: “O guia disse que não há necessidade de visitarmos Tiatira. Não tem nada para vermos lá, e ir até lá nos faria voltar muito tarde amanhã à noite”. Eu deixei escapar: “Não sei quanto aos outros, mas eu vim aqui para ver todos os locais das sete igrejas!” Outros pensavam como eu, por isso no dia seguinte, depois de visitarmos Pérgamo, antes de voltarmos à base de operações em Izmir, um guia insatisfeito nos conduziu na longa viagem até Tiatira. Já estava anoitecendo quando voltamos,

e o guia estava certo: pouco restava para se ver

— apenas algumas velhas pedras, alguns vestígios

com pouquíssimo brilho do passado 3 . Ele também estava certo quanto a chegarmos a Izmir tarde; no dia seguinte, todos estávamos exaustos. Apesar disso, gostei de ter ido. Eu me senti inspirado ao ficar em pé entre as ruínas sombrias, ouvindo um irmão chamado Harvey Porter ler:

Ao anjo da igreja em Tiatira escreve:

Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido: Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança… (2:18, 19).

Levou mais tempo para o irmão Porter ler a carta à Tiatira, do que qualquer uma das sete cartas. A carta à igreja em Éfeso só tem sete versículos; Esmirna, quatro e Pérgamo, seis; mas a carta à Tia- tira tem doze versículos. É a mais comprida e mais instrutiva de todas as cartas. Tiatira podia ser insig- nificante para os escritores do primeiro século e para o nosso guia turístico do século vinte, mas ela era importante para Jesus! Jesus não está interes- sado apenas em São Paulo, Nova Iorque, Londres, Tóquio e Sydnei. Ele está igualmente interessado em Delmiro Golvea, Sergipe; Judsonia, Arkansas; Demerara, Guiana; Port Harcourt, Nigéria e Hyde- rabad, Índia. Escritores do primeiro século podem não ter dito muito sobre Tiatira, mas o que eles disseram é elucidativo. Embora Tiatira não fosse grande, ela

1 Veja o mapa na página 11 desta edição. 2 Citado em Robert H. Mounce, The Book of Revelation (“O Livro de Apocalipse”), The New International Commentary on the New Testament Series. Grand Rapids, Mich.: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1977, p. 101. 3 Essas pedras quebradas estão num terreno no meio da atual aldeia de Akhisar.

A P O

C A

L

I P

S E

2 :1 8 – 2 9

era um centro comercial. No Livro de Atos, lemos sobre “certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura” (Atos 16:14a). A cidade era conhecida por sua indústria de lã e por seu corante de púrpura caríssimo, extraído gota a gota de uma espécie obscura de molusco 4 . Tiatira era especialmente conhecida por seus grêmios de trabalhadores. Os grêmios dali eram “provavelmente mais extensivos e mais bem orga- nizados do que em qualquer outra cidade do mundo antigo” 5 . Os grêmios de trabalhadores eram organizados para quem trabalhava com couro, tece-

lagem de lã e linho, metais, cerâmicas, tingimentos, costura, fabricação de pães e todas as demais profis- sões. Esses grêmios eram poderosos: se o indivíduo não fosse membro de um grêmio, ele não conseguia emprego 6 . Por exemplo, se o indivíduo não perten- cesse ao grêmio dos padeiros, ele não conseguia trabalhar como padeiro.

O problema para os cristãos era que “cada

grêmio tinha sua deusa padroeira, festas e festi- vais sazonais que incluíam orgias” 7 . As reuniões dos grêmios geralmente envolviam comer comida sacrificada a ídolos e, às vezes, imoralidade 8 . No segundo século, muitos líderes cristãos ensinavam que os cristãos não deveriam pertencer aos grêmios — mas quando Apocalipse foi escrito, os cristãos ainda estavam relutando com esse dilema. Para calcular o apuro que eles enfrentavam, imagine como seria se você só conseguisse emprego se fosse muçulmano, budista ou membro da fé bahai 9 . Se for esse o caso, você faria concessões à sua fé para sustentar a família ou os deixaria passar fome? Tenha essa pergunta em mente enquanto estu- damos a maior das sete cartas.

SAUDAÇÃO (2:18a)

A carta começa com esta saudação: “Ao anjo

[mensageiro] da igreja em Tiatira…” (v. 18a). Não

sabemos quando a igreja em Tiatira foi estabele- cida. Lídia e sua família podem ter partilhado a fé quando voltaram para casa, ou a igreja pode ter começado no período em que Paulo esteve em Éfeso (Atos 19:10).

DESCRIÇÃO DE JESUS (2:18b) Jesus usou então alguns termos do primeiro

capítulo para identificar-Se como o autor — com um acréscimo importante:

“o Filho de Deus 10 , que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido” (2:18b). O acrés- cimo é a expressão “o Filho de Deus”.

Se tivéssemos alguma

dúvida de que aquele “um semelhante a filho de homem” no capítulo 1 era Jesus, essa dúvida teria sido esclarecida aqui.

Jesus fez a congregação se lembrar das três verdades poderosas a respeito dEle: 1) Ele é infalível; Ele é “o Filho de Deus”. 2) Ele é onisciente; Ele “tem

olhos como chama de fogo”. O versículo seguinte começa com as palavras “conheço”. No versículo 23, Jesus enfatizou: “sou aquele que sonda mentes e corações”. 3) Ele é justo; tem “os pés semelhantes ao bronze polido”. O

os

justo; tem “os pés semelhantes ao bronze polido”. O os “Olhos como chama de fogo” (v.

“Olhos como chama de fogo” (v. 18)

polido”. O os “Olhos como chama de fogo” (v. 18) primeiro capítulo dizia que Ele tem

primeiro capítulo dizia que Ele tem “os pés, semelhantes ao bronze

polido, como que refinado numa fornalha” (1:15a).

A referência é ao castigo inescapável de Jesus

contra os ímpios. Mais adiante na carta, Jesus diria que Ele lançaria os ímpios “em grande tribulação”

(2:22). Novamente, Ele avisou que mataria os não- arrependidos (2:23).

“Pés semelhantes ao bronze polido” (v. 18)

ELOGIO (2:19) Antes de Jesus explicar por que Seus impressio- nantes atributos eram necessários, Ele enumerou as qualidades positivas que Ele encontrou na congre-

gação: “Conheço as tuas obras, o teu amor 11 , a tua

fé, o teu serviço, a tua perseverança 12 e as tuas últi-

mas obras, mais numerosas do que as primeiras” (v. 19). Jesus encontrou em Tiatira mais motivos para elogiar do que em qualquer outra igreja.

4 Mais informações sobre isso, constam da lição “Atendendo ao Chamando de Deus” na edição de “Atos, 6” de A Verdade para Hoje, p. 3. 5 James M. Tolle, The Seven Churches of Asia (“As Sete Igrejas da Ásia”). Pasadena, Tex.: Haun Publishing Co., 1968, p. 50. 6 Em alguns aspectos, os grêmios podiam ser comparados a sindicatos muitos fortes. 7 Alan Johnson, “Revelation”, The Expositor’s Bible Commentary (“Comentário Expositivo da Bíblia”), vol. 12. Grand Rapids, Mich.: Zondervan Publishing House, 1981, p. 443. 8 Ambos os pecados foram (e são) condenados por Deus. Veja as notas sobre 2:14 na páginas 4 e 5 da lição “A Igreja na Cidade do Pecado”. 9 Alguns leitores de A Verdade para Hoje realmente vivem em regiões dominadas por ideologias religiosas e políticas, antagônicas ao cristianismo do Novo Testamento. Se você é um deles, conhece bem as pressões adversas que podem ser impostas aos cristãos em relação a emprego — e nisto você tem a minha solidariedade e oração. 10 Esta é a única vez que o termo “Filho de Deus” aparece em Apocalipse. 11 A ERC traz “caridade”, mas o texto original tem agape, a palavra especial do Novo Testamento para “amor”. 12 A ERC traz “paciência”. Nela, “paciência” geralmente significa “perseverança paciente”.

A Igreja Era Expressiva Era uma igreja operante. Jesus disse: “Conheço as tuas obras”. Não era como a congregação que enviou a seguinte notícia a um informativo da irmandade: “No ano passado não houve nenhum batismo, ninguém foi restaurado à comunhão, nenhum membro foi transferido para a nossa con- gregação. Orem para que permaneçamos fiéis até

o fim” 13 . A igreja em Tiatira era dinâmica, viva e ativa. Era uma igreja amorosa. Jesus disse: “Conheço…

o teu amor”. Devemos nos amar “cordialmente uns

andar para frente” 14 .

CONDENAÇÃO (2:20-23) Como todas as congregações, a igreja em Tia- tira não tinha somente pontos fortes, mas também tinha suas deficiências. Jesus elogiara suas virtudes; agora, Ele condenava seus vícios: “Tenho, porém, contra ti o tolerares 15 que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a pratica- rem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos” (v. 20).

aos outros com amor fraternal” (Romanos 12:10a). Talvez haja alguma importância no fato de que, das sete congregações, esta foi a única elogiada por seu amor. Ela era uma igreja prestativa. Jesus disse: “Co-

A Igreja Estava Crescendo

Um “Profetiza” Condenada Evidentemente, a igreja em Tiatira tinha uma falsa mestre 16 . É improvável que o nome dela fosse de fato Jezabel; um judeu não daria a uma filha esse

nheço… o teu serviço”. O amor dessa congregação era prático; os membros encontravam maneiras de prestar assistência ao próximo. Era uma igreja que confiava. Jesus disse: “Co- nheço… a tua fé”. Em vez de dependerem de suas

nome. Jesus certamente a chamou de Jezabel porque ele estava seguindo os passos da infame Jezabel do Antigo Testamento. Jezabel foi uma princesa pagã que se casou com Acabe, rei de Israel, e o arrastou para a idolatria 17 . Ela

próprias forças, eles tinham aprendido a depender

o

persuadiu a edificar um templo a Baal em Samaria

do Senhor.

e

alimentar quatrocentos profetas de Aserá 18 em sua

Era uma igreja constante. Jesus disse: “Co- nheço… a tua perseverança”. Devia ser desanima- dor ver-se rodeado por uma sociedade ímpia, mas aqueles cristãos não desistiram.

O comentário mais marcante de Jesus é que aquela igreja estava crescendo em boas obras:

própria mesa. Quando penso em Jezabel, imagino uma mulher bela, atraente e sedutora — além de astuciosa, inescrupulosa e sem nenhum senso de moralidade. A Jezabel de Tiatira devia ter qualidades seme- lhantes. É evidente que ela era uma mulher ambi- ciosa e persuasiva que se declarava profetiza. Nos primórdios da igreja, um dos dons miraculosos

“Conheço… as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras”! A tendência é perder o entu- siasmo com o passar do tempo e fazer menos, em vez de fazer mais, mas a igreja em Tiatira estava fazendo cada vez mais pelo Senhor. Neste sentido, essa congregação era o oposto de outras — especial- mente da igreja em Sardes (3:1). Como disse James M. Tolle: “A única segurança de uma igreja está em

era a profecia (1 Coríntios 12:10) 19 . Esse dom era dado tanto a mulheres como a homens (Atos 2:17; 1 Coríntios 11:5). As mulheres não podiam usar esse dom nas reuniões públicas da igreja (1 Coríntios 14:34) 20 , mas podiam exercê-lo em certas circunstân- cias (1 Coríntios 11:5). Todavia, Jesus não disse que essa mulher realmente tinha o dom de profecia; em vez disso, ela se declarava profetisa. Hoje, nos refe-

13 É possível que os membros da congregação que enviou essa notícia tivessem ensinado todos quantos puderam sem, contudo, obterem respostas favoráveis — mas isso parece improvável à luz do ensino de Isaías 55:11 e Romanos 10:17. 14 Tolle, p. 51. 15 Em vez de cuidarem da chamada profetisa, os membros da igreja estavam permitindo que ela continuasse propagando sua falsa doutrina. 16 Alguns pensam que o nome “Jezabel” era simplesmente um símbolo da doutrina errada ensinada ou sustentada para um segmento da congregação. Contudo, se fosse esse o caso, é provável que Jesus teria usado uma expres- são semelhante à que usou referindo-se a Pérgamo: “Tens aí os que sustentam a doutrina de Jezabel” (veja 2:14). 17 A história de Jezabel encontra-se em 1 e 2 Reis. Leia especialmente 1 Reis 16; 18; 19; 21 e 2 Reis 9. 18 Aserá era a contraparte feminina de Baal. 19 Esses dons miraculosos eram só temporários e cessaram quando o Novo Testamento foi concluído. Veja uma exposição sobre dons miraculosos nas seguintes lições publicadas em A Verdade para Hoje: “Três Manifestações do Poder Divino”, na edição “Atos — Parte 4”; “O Que o Espírito Santo Faz?”, na edição “Atos — Parte 5” e “Milagres & o Espírito Santo”, na edição “O Espírito Santo”. 20 Um amigo meu que estava freqüentando uma escola denominacional me disse que certo professor usou o exemplo de “Jezabel” na igreja em Tiatira para “provar” que a igreja primitiva tinha mulheres pregadoras. Esta é uma con- clusão estranha, pois nada no texto indica que Jezabel pregasse publicamente; além de não encontrarmos nenhuma indicação de que Jezabel fizesse alguma coisa aprovada pelo Senhor!

riríamos a ela como “uma suposta profetisa”. Assim como os gnósticos 21 , essa pseudoprofe- tisa alegava ter acesso a “coisas profundas”, discer- nimentos profundos disponíveis somente por meio dela. Jesus estigmatizou os ensinos dessa mulher como “as coisas profundas de Satanás” (2:24; grifo meu) 22 . Tudo indica que ela alegava ter alguma revelação mística sobre a relação dos cristãos com o mundo. Não é difícil imaginar o ponto central de sua mensagem: “Deus me disse que vocês pre- cisam fazer parte dos grêmios para sustentarem suas famílias. De fato, Ele disse que quer que vocês sejam um sucesso na sua profissão — para darem mais para a fiel profetisa dEle!” É provável que ela tenha propagado sua here- sia num ambiente doméstico. Talvez ela fosse uma mulher de posses e influência, que convidou seguidores em perspectiva para sua suntuosa casa. Talvez ela fosse de casa em casa, à procura de novos adeptos. Qualquer que fosse o seu método, a dou- trina que ela propagava fez cristãos “praticarem a prostituição 23 e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos” (v. 20b). Visto que o ensino dos baalamitas e nicolaítas surtiu o mesmo resultado (2:14, 15), esse certamente era o mesmo produto satânico com um rótulo diferente. Jezabel obteve sucesso porque ela disse o que muitos queriam ouvir. Sempre foi verdade que alguns “…não suportarão a sã doutrina; pelo con- trário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Timóteo 4:3, 4).

Um Povo Transigente Jesus não estava infeliz somente com Jezabel e seus seguidores; Ele estava particularmente insatis- feito com a igreja por permitir que ela continuasse seduzindo: “Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara pro- fetisa” (v. 20a). Paulo havia ordenado: “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Efésios 5:11). Ele disse que os cristãos não deveriam “[se associar] com alguém

que, dizendo-se irmão, for impuro…” (1 Coríntios

5:11).

Por que a igreja em Tiatira não cortou a co- munhão com Jezabel e seus seguidores? Já foi suge- rido que Jezabel seria a esposa de um dos líderes da igreja 24 . Alguns manuscritos antigos trazem “tua mulher” no versículo 20, a forma usual grega de se dizer “tua esposa” 25 . Jezabel poderia ser a esposa do pregador ou de um dos presbíteros. No mínimo, ela era uma mulher influente que poderia causar problemas a quem se confrontasse com ela. Também é possível que, assim como Corinto, essa congregação se orgulhasse de seu espírito não- julgador (veja 1 Coríntios 5:1, 2). Como menciona- mos anteriormente, essa foi a única congregação elogiada por seu amor. Talvez em alguns de seus membros, o amor tivesse se transformado num “doce sentimentalismo que tacitamente era coni- vente com o pecado por medo de provocar alguma inquietação” 26 . Qualquer que fossem seus motivos por tolerarem o erro, eles eram inaceitáveis para Jesus. Ele queria que os cristãos de Tiatira soubes- sem que “resolver o problema com Jezabel era a tarefa mais urgente da igreja” 27 .

ADVERTÊNCIA E AMEAÇA

(2:21–25)

O que os Infiéis Poderiam Esperar A próxima afirmação na carta causa um choque:

Jesus disse: “Dei-lhe tempo para que se arrepen- desse” (v. 21a). Se você ainda precisava de alguma prova da longanimidade de Deus, aqui está uma. Jesus deu a essa mulher ímpia todas as oportunida- des necessárias para ela se arrepender e mudar de conduta! (Veja 2 Pedro 3:9.) Infelizmente, quando o Senhor dá tempo às pessoas para se arrepende- rem, alguns interpretam isso como prova de que o Senhor não se preocupa tanto com o pecado. Ainda que tenha sido dada oportunidade para Jezabel se arrepender, Jesus disse: “…ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição” (v. 21b). A igreja havia tolerado a arrogância de Jezabel, mas Jesus não iria tolerar. Ele prometeu: “Eis que

21 Veja a explicação de gnosticismo na página 5 da lição “A Igreja na Cidade do Pecado”. 22 Nas sete cartas, Jesus reforçou constantemente quem estava por trás do mal no mundo com expressões como: “sinagoga de Satanás” (2:9; 3:9), “trono de Satanás” (2:13) e “onde Satanás habita” (2:13). Alguns pensam que “coisas profundas de Satanás” poderia ser um termo usado por Jezabel (“Eu, e só eu, posso ajudar vocês a realmente conhecerem seu inimigo”), mas é mais provável que o termo seja uma avaliação de Jesus. 23 A expressão “praticar a prostituição” é tradução do grego que significa literalmente “praticar fornicação”. 24 Essa opinião baseia-se na suposição de que o “anjo” (mensageiro) no versículo 18 seria um dos líderes da igreja, e que “essa mulher/esposa” se referia à esposa desse líder. 25 Os melhores manuscritos não trazem esse dizer. 26 Tolle, p. 52. 27 Rubel Shelly, The Lamb and His Enimies: Understanding the Book of Revelation (“O Cordeiro e Seus Inimigos: Entendendo o Livro de Apocalipse”). Nashville: 20th Century Christian Foundation, 1983, p. 38.

a prostro de cama 28 , bem como em grande tribula- ção os que com ela adulteram 29 , caso não se arre- pendam das obras que ela incita 30 “ (v. 22). Nessa advertência, Jesus usou um jogo de palavras: Jeza- bel havia incitado os cristãos à cama da fornicação; Jesus lançaria Jezabel e seus seguidores numa cama de tribulação. Observemos, porém, a condição “caso não se arrependam”. Nosso gracioso Senhor sempre adiciona essa provisão. Jesus continuou: “Matarei os seus filhos” (v. 23a). “Filhos” referia-se à descendência 31 espiritual de Jezabel que aderiu ao seu ensino 32 . No texto ori- ginal, Jesus disse literalmente: “Matarei seus filhos com morte” — uma figura de discurso da língua hebraica que significa “matar com morte horrível e certa” 33 ! Um propósito do castigo divino sobre os não- arrependidos era exibir uma lição prática para o Seu povo: “e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes 34 e corações” (v. 23b). Sendo o Grande Sondador de Corações, Ele sabe- ria quem tinha se arrependido e quem não tinha. Assim, cada um receberia exatamente o que mere- cia: “e vos darei a cada um segundo as vossas obras” (v. 23c) 35 .

O que os Fiéis Deveriam Fazer No versículo 24 o tom da carta de repente muda de severidade para ternura 36 . Depois de falar do castigo reservado para os que não se arrependes- sem, Jesus fez um rápido acréscimo:

Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tia-

tira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós; tão-somente conservai o que tendes, até que eu venha (vv. 24, 25).

O versículo 20 mostra que Jesus julgou alguns

da congregação responsáveis pela tolerância com Jezabel e seus apoiadores, mas o versículo 24 deixa a impressão de que Ele não julgou outros responsáveis.

A maior probabilidade para o primeiro grupo é que

seriam os líderes da igreja, os quais aparentemente não tomaram nenhuma iniciativa no sentido de exercer disciplina na igreja. A igreja em Éfeso tinha presbíteros há muitos anos (Atos 20:17, 28); Tiatira provavelmente tinha presbíteros também (Atos 14:23). Os presbíteros têm a responsabilidade de “atender… por todo o rebanho” (Atos 20:28a). Paulo havia avisado um grupo de presbíteros que “dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles” (Atos 20:30). Ele insistira dizendo: “Portanto, vigiai” (Atos 20:31). Quem quer que fossem os líderes em Tiatira, esses homens haviam negligenciado suas responsabilidades 37 . Quem seria, então, o segundo grupo — aqueles

a quem Jesus não julgou responsáveis? Creio que eles eram membros fiéis, que reconheciam a ameaça imposta pelo partido de Jezabel, mas não tinham autoridade para fazer qualquer coisa nesse sentido como indivíduos. Para eles, Jesus disse: “Outra carga não jogarei sobre vós; tão-somente conservai o que tendes, até que eu venha” (vv. 24c, 25). A “carga” mencionada pode se referir a responsabilidades 38 .

28 Como o termo “cama” se relaciona à expressão “grande tribulação”, subentende-se algum tipo de “cama de sofrimento”. 29 No versículo 20 “praticar a prostituição” refere-se a pecados sexuais físicos, mas alguns eruditos pensam que o versículo 22 “com ela adulteram” significa “unir-se a ela sendo infiéis a Deus e participando de celebrações pagãs” — em outras palavras, praticando adultério espiritual. Numa cidade pagã, o adultério espiritual geralmente envolvia adultério físico. 30 A exigência para se arrependerem das obras dela, e não das obras deles é incomum. Como estavam concordando com ela, Jesus os responsabilizou por tudo que ela fizera. 31 Paulo às vezes se referia ao seus convertidos como seus filhos (por exemplo, 1 Coríntios 4:14; 1 Timóteo 1:18). 32 É possível que “seus filhos” (v. 23) seja apenas outra forma de descrever os que “com ela adulteraram” (v. 22). Se há uma diferença, provavelmente é de grau. Alguns sugerem que “seus filhos” eram não só os que estavam influenciados por Jezabe, mas também os que espalhavam a mensagem dela. 33 Não sabemos exatamente o que Jesus quis dizer com fazer os seguidores de Jezabel se prostrarem numa cama de sofrimento e tribulação. Talvez Jesus usasse a doença e a morte física para tentar levá- los ao bom senso. Talvez se referisse a doença e morte espiritual. Qualquer que fosse a intenção de Jesus, não seria uma boa hora para os que não tivessem se arrependido. 34 O grego traduzido por “mentes” é literalmente “rins”. Hoje, dizemos que o “coração” é o centro de afeição, embora o órgão em si não seja a verdadeira fonte dessa afeição. No passado, o rim era esse órgão figuradamente. 35 Veja Mateus 16:27; Romanos 2:6; 2 Coríntios 5:10; 11:15; Apocalipse 20:11, 12. 36 Como já foi afirmado, embora sete componentes básicos formassem as cartas, existem variações esporádicas. Esta é uma dessas variações: Jesus parou para Se dirigir “a alguns fiéis” daquela congregação. 37 Não quero deixar a impressão de que a disciplina corretiva na igreja só pode ser iniciada pelos presbíteros. Estou tentando enfatizar dois pontos: 1) como líderes da congregação ordenados por Deus, os presbíteros devem tomar a iniciativa quando a administração da disciplina se faz necessária. 2) Quando os líderes da igreja se opõem a afastar-se de alguém, é extremamente difícil dar início à disciplina eficaz. 38 Todo comentarista tem uma idéia levemente diferente do que seja a “carga”, mas a maioria acredita que ela era, de alguma forma, uma referência à vontade de Deus. Muitos escritores chamam atenção para o uso da palavra “carga ”em duas outras passagens: em Mateus 11:28–30, “jugo” (= “carga”) refere-se a obediência a Cristo. Em Atos 15:28 e 29, “encargo” (= “carga”) refere-se à responsabilidade dos cristãos gentios obedecerem a certos mandamentos básicos. Alguns concluem que em Apocalipse 2:24 “carga” refere-se à necessidade de abster-se dos pecados que Jezabel estava incentivando cristãos a praticarem.

Dentro do contexto, a afirmação de Jesus parece significar: “Não vou colocar o peso da resolução desse problema sobre os seus ombros; vocês já fizeram o que puderam. Sua responsabilidade agora é manter-se firmes nas bênçãos que lhes dei e permanecer fiéis”. Vários anos atrás, recebi uma carta de um amigo que mora em Kansas, Estados Unidos. Ele estava chateado porque pensava que um irmão da congregação deveria ser repreendido pelo seu

estilo de vida, e talvez até afastado. Ele havia con- versado várias vezes com os presbíteros, e estes nada fizeram a respeito. Meu amigo queria saber o que deveria fazer. Ele estava pensando em mudar para outra congregação. Por providência divina, eu havia pregado, no domingo anterior, sobre a carta à igreja em Tiatira, e seu conteúdo estava bem vívido em minha memória. Meu amigo mencionara em sua carta que ele não só havia procurado os presbíteros, mas também havia procurado o irmão em pecado para tentar mostrar-lhe “o seu caminho errado”, salvando “da morte a alma dele” (Tiago 5:20). Diante disso, res- pondi que tudo indicava que ele havia feito tudo o que podia, ficando absolvido do caso (Ezequiel 3:19). Salientei que se os presbíteros falharam com suas responsabilidades, seriam eles, e não ele, que prestariam contas a Deus (Hebreus 13:17).

A seguir, expus ao meu amigo as instruções de

Jesus aos “fiéis” de Tiatira. Em vez de aconselhá- los a saírem da congregação 39 , Cristo os instruiu:

“Digo, todavia, a vós outros… tantos quantos não têm essa doutrina… Outra carga não jogarei sobre vós; tão-somente conservai o que tendes, até que eu venha” (vv. 24, 25). Eu disse a meu amigo: “Por enquanto, você está se sobrecarregando com o que outros deveriam estar fazendo e o Senhor não quer que você leve essa carga. Livre-se dela e se concen- tre apenas nas suas responsabilidades. Fique firme até que Ele venha!”

PROMESSA (2:26–28)

O conselho que dei a meu amigo não era fácil,

e estou certo de que o desafio de Jesus não foi fácil

para os cristãos de Tiatira. É desanimador estar

cercado por um mundo sem Deus, por membros infiéis e líderes irresponsáveis. Por essa razão, Jesus fez promessas especiais para encorajar qualquer um que se achar em tal situação:

Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras 40 , eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã (vv. 26–28).

Primeiramente, Jesus lhes prometeu poder. A referência a reger com cetro de ferro provém de Salmos 2, um salmo messiânico que fala da auto- ridade de Jesus 41 . Jesus estava prometendo que os que guardassem as Suas obras (ou seja, obe- decessem a Ele) participariam do Seu governo 42 e finalmente da Sua vitória sobre o mal. Era uma perspectiva deslumbrante para essa obscura igreja que ficava numa cidade insignificante. A seguir, Jesus proveu esperança. A “estrela da manhã” é uma “estrela” 43 brilhante que aparece no horizonte pouco antes do raiar do dia. No último capítulo de Apocalipse, Jesus identificou-Se como “a brilhante Estrela da manhã” (22:16), de modo que Ele certamente estava falando de um relacio- namento especial com os fiéis. Jesus queria dar aos cristãos de Tiatira algo para eles avistarem. Assim como a estrela da manhã anuncia um novo dia, a noite escura da desesperança logo terminaria e um novo dia cheio de esperança se romperia no hori- zonte de suas vidas.

EXORTAÇÃO (2:29) Jesus incluiu novamente a exortação: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v. 29). Observemos que, pela primeira vez, essa exortação surge no final da carta. Este será o padrão para as outras três cartas.

CONCLUSÃO Muitas verdades nesta antiga carta “atravessa- ram séculos até chegarem a nós com ávidas mãos de aplicação” 44 . Concentremos nossa atenção em quatro dessas verdades.

39 Às vezes é necessário deixar uma congregação quando o testemunho cristão de uma pessoa está sendo comprometido, mas nada indica que fosse esse o caso em Tiatira ou na congregação freqüentada por meu amigo. 40 Vemos um contraste entre “suas obras” (dela) no versículo 22 e as “minhas obras” no versículo 26. Os cristãos em Tiatira não podiam fazer as obras de Jezabel e as obras de Jesus ao mesmo tempo. 41 Consideremos Salmos 2:9 no contexto do salmo inteiro. 42 Veja as notas sobre Apocalipse 5:9, 10 na lição “Digno É o Cordeiro”, na edição “Apocalipse — Parte 3” desta série. Veja Romanos 5:17. 43 A “estrela da manhã”, mais comum é o planeta Vênus (popularmente chamado “estrela d’alva”), mas ocasionalmente é o planeta Marte. 44 Charles R. Swindoll, Letters to Churches… Then and Now (“Cartas para Igrejas… Antes e Agora”). Fullerton, Calif.: Insight for Living, 1986, p. 29. Duas das minhas aplicações são semelhantes às de Swindoll; duas são diferentes.

1) Ainda temos conflito com o mundo; não pode- mos abrir concessões. Cada nova geração de cristãos precisa encarar o desafio enfrentado pela igreja de Tiatira: estar “no mundo” (João 17:11), mas não ser “do mundo” (João 17:16). 2) Ainda temos pessoas influentes que podem tornar o erro atraente; não podemos nos desviar. Os filhos de Jezabel ainda estão vivos e bem hoje. Lembremos que “pessoas atraentes, vencedoras e talentosas não são necessariamente infalíveis intelectual ou moral-

mente” 45 . Tudo precisa ser testado pelo claro ensino da Palavra (1 João 4:1). 3) Ainda temos a ajuda do Senhor para vencer nossos desafios; não devemos nos desesperar. Cada pro- messa nas sete cartas fala do “vencedor”. Nesta carta, Jesus acrescentou uma expressão esclare- cedora: ao vencedor, “que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações” (v. 26b). Para você ser um “vencedor”, é preciso que entregue sua vida a Jesus e decida fazer

a Sua vontade, não importa quais sejam as conse-

qüências 46 . Se você se entregar a Jesus, Ele o ajudará

a vencer qualquer problema na vida. 4) Ainda podemos ser fortes; não devemos ser teimo- sos. Você tem sido culpado por ensinar ou praticar concessões ou conivências com o mundo? Esta lição pode ser parte do plano de Deus para incentivá-lo a se arrepender. Aplique esta mensagem ao seu cora- ção e não menospreze a oportunidade estendida a você por um Mestre cheio de graça. Mude sua con- duta ainda hoje para que, no final, o Senhor o aben- çoe em vez de amaldiçoá-lo!

Q UESTÕES PARA

REVISÃO E D EBATE

1. Lemos sobre Tiatira em alguma outra parte do Novo Testamento?

2. Na sua opinião, por que a carta à igreja em Tiatira é a mais comprida das sete cartas?

3. Explique o dilema enfrentado pelos cristãos pressionados pelos grêmios de Tiatira. Como você acha que os cristãos deveriam reagir nessa situação?

4. Explique a descrição de Jesus apresentava nesta carta. Por que a igreja em Tiatira preci-

sava dessa descrição de poder?

5.

Quais eram as boas qualidades dessa congre- gação?

6.

O que você sabe sobre a Jezabel do Antigo Testamento? Em que sentido a Jezabel de Tiatira era como a do Antigo Testamento? Em que sentido, era diferente?

7.

Segundo o ensino do Novo Testamento, as mulheres não podem ser presbíteros, nem devem ser líderes numa assembléia pública; isto quer dizer que elas não exer- cem nenhuma influência? Jezabel exercia uma tremenda influência para o mal. Fale de algumas mulheres cristãs que exerceram tre- menda influência para o bem.

8.

Cite algumas possíveis razões para a igreja não ter disciplinado Jezabel e seus seguido- res.

9.

Explique o fato de Deus ter dado a Jezabel tempo para se arrepender. Você se lembra de outras ocasiões em que Deus deu a pessoas ímpias tempo para se arrependerem?

10.

O que Jesus quis dizer ao advertir que faria os não arrependidos passarem por uma grande tribulação?

11.

É possível permanecer fiel a Deus mesmo quando a nossa congregação não é tudo o que deveria ser? Devemos sair de uma con- gregação simplesmente por que discordamos de alguma decisão tomada pelo presbitério?

12.

Em que sentido reinamos com Cristo agora?

13.

Você já viu a estrela da manhã no céu? O que (ou quem) é a “estrela da manhã” em Apoca- lipse?

NOTAS PARA PROFESSORES E PREGADORES

A maioria dos sermões sobre a carta à igreja em Tiatira tem títulos que usam o nome “Jezabel”: “O Lar de Jezabel” ou até “O Partido Jezabel”. Em vez de se concentrar na última promessa, Ray Summers rotulou esta seção de “Espere a Estrela da Manhã”. O cristão “pode andar freqüentemente na escuridão

45 Ibid., p. 29. 46 Se esta lição for usada como sermão, explique o que um pecador não redimido precisa fazer e o que um filho errante de Deus precisa fazer para se acertarem com Deus (Atos 2:38; 8:22).

e em muitas perplexidades, mas a estrela da manhã lhe será dada para guiá-lo; ele deve se recusar a seguir [liderança falsa] e aguardar pela estrela47 .

Outros títulos possíveis são: “A Igreja Tentada” e “O Perigo das Concessões”.

David Roper

47 Ray Summers, A Mensagem de Apocalipse: Digno É o Cordeiro. Rio de Janeiro: Juerp, 1978, s.p.

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