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SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO

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1.

METODOLOGIA DA PESQUISA

5

1.1 ETIMOLOGIA E CONCEITUAÇÕES BÁSICAS

5

1.2 IMPORTÂNCIA DA METODOLOGIA DA PESQUISA

5

1.3 A METODOLOGIA DA PESQUISA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DO CETAM 6

2.

TÉCNICAS DE ESTUDO ACADÊMICO

7

2.1 A DINÂMICA DE ESTUDO

7

2.2 A LEITURA

8

2.3 O ESTUDO DO TEXTO

12

2.3.1 Sublinhar

13

2.3.2 Resumo

14

2.3.3 Esquema

18

2.4

A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA

19

2.4.1 A análise textual

20

2.4.2 A Análise Temática

20

2.4.3 A Análise Interpretativa

21

2.5 A PRÁTICA DO FICHAMENTO

22

2.6 A RESENHA

23

3

A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

24

3.1 Conhecimento Vulgar

25

3.2 Conhecimento Científico

25

3.2.1 A Pesquisa

27

3.2.2 Classificação das Pesquisas

35

3.2.3 O Planejamento da Pesquisa

41

3.2.4 Métodos Científicos

42

3.2.5 Tipos de Métodos Científicos

43

Métodos De Procedimento

47

Método Observacional

48

Método Comparativo

48

Método Histórico

49

Método Experimental

49

Método Estudo de Caso

49

Método Funcionalista

50

Método Estatístico

50

 

3.2.6

Técnicas de Pesquisa

51

4

Estrutura do trabalho

59

4.1

ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS

60

Capa

60

Lombada

60

Folha de rosto

60

Ficha catalográfica

61

Errata

61

Folha de aprovação

61

Dedicatória(s)

62

Agradecimento(s)

62

3

Epígrafe

62

Resumo na língua vernácula

62

Resumo em língua estrangeira

64

Lista de ilustrações

64

Lista de tabelas

64

Lista de abreviaturas e siglas

64

Lista de símbolos

65

Sumário

65

4.2

ELEMENTOS TEXTUAIS

65

Introdução

66

Desenvolvimento

67

Conclusão

70

4.3

ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS

70

5 PROJETOS DE PESQUISA

70

6 NORMAS GERAIS PARA ELABORAÇÃO DE CITAÇÕES E NOTAS

84

6.1

REGRAS GERAIS PARA A APRESENTAÇÃO DAS CITAÇÕES

86

Notas bibliográficas

99

7 ELABORAÇÃO DE REFERÊNCIAS (NBR 6023)

100

7.1 ESPECIFICAÇÃO E ORDEM DOS ELEMENTOS

103

7.2 EXEMPLOS DE REFERÊNCIAS MAIS COMUNS

104

8 ASPECTOS GRÁFICOS

116

Formatação impressa

116

Formatação Digital

122

9 LEITURA E ESCRITA DE TRABALHOS ACADÊMICOS

123

 

REFERÊNCIAS

127

ANEXOS

130

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APRESENTAÇÃO

A disciplina Metodologia da Pesquisa visa fornecer a você informações básicas de metodologia da pesquisa servindo de guia à elaboração de projetos de pesquisa, projetos técnicos, trabalhos acadêmicos e escolares. Descreve princípios teóricos e fornece orientações práticas que ajudarão você a aprender a pensar criticamente, ter disciplina, escrever e apresentar trabalhos conforme padrões metodológicos e acadêmicos. Esta apostila foi elaborada com a intenção de proporcionar aos alunos dos cursos técnicos do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (CETAM) as ferramentas necessárias para formatação, organização e elaboração dos trabalhos exigidos no decorrer do curso. Todo trabalho de caráter científico ou acadêmico deve ser estruturado a partir das normas metodológicas que orientam as práticas escolares. Além de se constituir em pré-requisito para a sistematização dos estudos acadêmicos, o cumprimento das referidas normas contribui e facilita a elaboração, o acesso e a melhor organização dos conteúdos e do processo ensino-aprendizagem.

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1. METODOLOGIA DA PESQUISA

Porque não começarmos pela apresentação de um problema àquele que acaba de ingressar nos cursos técnicos do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (CETAM): O que é Metodologia? Que relação há entre Ciência e Metodologia Científica? Qual a sua importância e utilidade para os alunos dos cursos técnicos?

1.1 ETIMOLOGIA E CONCEITUAÇÕES BÁSICAS

Partindo da definição etimológica do termo temos que a palavra Metodologia vem do grego “meta” = ao largo; “odos” = caminho; “logos” = discurso, estudo.

A Metodologia é entendida como uma disciplina que consiste em estudar e avaliar os vários

métodos disponíveis, identificando as limitações de suas utilizações. A Metodologia, num nível aplicado, examina e avalia as técnicas de pesquisa bem como a geração ou verificação de novos métodos que conduzem à captação e processamento de informações com vistas à resolução de problemas de investigação.

A Metodologia seria a aplicação do método através de técnicas. Constitui o procedimento que

deve seguir todo conhecimento científico para comprovar sua verdade e ensiná-la.

O método é o caminho ordenado e sistemático, a orientação básica para se chegar a um fim e

técnica é a forma de aplicação do método. Representa a maneira de atingir um propósito bem definido. Têm-se então o método como estratégia e as técnicas como táticas necessárias para se operacionalizar a estratégia. Assim, o método estabelece de modo geral o que fazer e técnica nos dá o como fazer, isto é, a maneira mais hábil, mais perfeita de fazer uma atividade.

A Metodologia no quadro geral da ciência é uma “Metaciência”, isto é, um estudo que tem por

objeto a própria Ciência e as técnicas específicas de cada Ciência. A Metodologia não procura soluções, mas escolhe as maneiras de encontrá-las, integrando os conhecimentos a respeito dos métodos em vigor

nas diferentes disciplinas científicas ou filosóficas.

1.2 IMPORTÂNCIA DA METODOLOGIA DA PESQUISA

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Com relação à importância da disciplina Metodologia , esta é baseada na apresentação e exame de diretrizes aptas a instrumentar o educando no que tange a estudar e aprender. Para nós, mais vale o conhecimento e manejo desta instrumentação para o trabalho científico do que o conhecimento de uma série de problemas ou o aumento de informações acumuladas sistematicamente.

A Metodologia auxilia e, portanto, orienta o educando no processo de investigação para tomar

decisões oportunas na busca do saber e na formação do estado de espírito crítico e hábitos

correspondentes necessários ao processo de investigação científica. O uso de processos metodológicos permitirá ao estudante o desenvolvimento de seu raciocínio lógico e de sua criatividade. Assim, um curso de Metodologia da Pesquisa deve-se propor a desenvolver a capacidade de observar, selecionar e organizar cientificamente os fatos da realidade. Portanto devemos estar voltados para capacitar o estudante, através de reflexões, práticas e reflexões sobre estas mesmas práticas, a uma análise do conhecimento e do seu processo de produção. Assim, através do estudo da Metodologia da Pesquisa vão sendo apresentadas diretrizes para a formação paulatina de hábitos de estudos científicos.

A Metodologia não é um amontoado de técnicas, embora elas devam existir, mas sim uma

disciplina que deve estar sempre em relacionamento e a serviço de uma proposta nova de educação e conhecimento.

A Metodologia estrutura-se, portanto para contribuir para que ao estudante da educação

profissional desenvolva as funções que lhe são impostas frente às necessidades culturais e econômicas emergentes.

1.3 A METODOLOGIA DA PESQUISA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DO CETAM

A Metodologia vem para auxiliar na formação do aluno da Educação profissional. Pretende-se

alcançar uma formação profissional competente bem como uma formação sócio-política que conduzirá o aluno a ler crítica e analiticamente o seu cotidiano.

A formação profissional competente está diretamente relacionada ao crédito dado ao estudo e à

elaboração de um projeto técnico ao final do curso. Isto é, deve estar implícita a preocupação em aprender as funções advindas de sua carreira profissional. Considerando-se que o CETAM como um centro de formação profissional para o mundo do trabalho e na formação de cidadãos , como uma instituição preocupada com a qualificação do ensino, com

o rigor da aprendizagem e com o progresso da ciência terá na Metodologia um valioso ajudante quanto ao

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desenvolvimento de capacidades e habilidades do estudante da educação profissional. Vem, portanto fornecer os pressupostos do trabalho científico, ou seja, normas técnicas e métodos reconhecidos para que o aluno possa ter uma qualificação adequada do ponto de vista técnico-científico e cultural. Aprendendo a pensar, a pesquisar e formando o seu espírito científico, o educando estará obtendo conhecimentos novos e ao mesmo tempo construindo-se como ativo e participante da História. No último módulo da cada curso técnico do CETAM o aluno realizará estágio ou conforme o plano do curso deverá elaborar como a devida orientação um projeto técnico como trabalho de conclusão de curso e fará a defesa pública deste projeto como exigência para receber o diploma de nível técnico. Por essas razões a disciplina de metodologia da pesquisa servirá de base para organização deste trabalho, bem como auxiliará o educando na realização de trabalhos acadêmicos de acordo com a normalização técnico-científica vigente.

2. TÉCNICAS DE ESTUDO ACADÊMICO

2.1 A DINÂMICA DE ESTUDO

A Educação Superior deve propiciar o desenvolvimento do espírito científico

aliado à prática de trabalhos acadêmicos de qualidade. Para tanto, é importante que os alunos adquiram hábitos de estudo, buscando informações a respeito de procedimentos que possam auxiliá-los na execução de tarefas acadêmicas.

A atividade do estudo compõe-se de alguns elementos que são considerados

muito importantes para o aprendizado. Severino (2000) destaca, como elementos principais a leitura e a escrita, pois, para aprender, é necessário ler ou ouvir as mensagens que nos são transmitidas; como, também, é necessário registrar por escrito o conteúdo para, posteriormente, retornar a essa mensagem, pensá-la e/ou reescrevê- la. Adverte, ainda, que o ensino superior exige dos alunos maior autonomia no processo de aprendizagem e postura de auto-atividade didática rigorosa, crítica e criativa, bem como um projeto de trabalho intelectual individualizado, apoiado em material didático e científico que se constitui basicamente na bibliografia especializada. Com estas afirmações, o autor citado nos leva a refletir sobre a necessidade de preparação do aluno, por meio da consulta bibliográfica afim, com as suas necessidades de aprendizagem. É necessário que ele utilize, com a devida freqüência,

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as bibliotecas disponíveis. A leitura de livros indicados na bibliografia do curso, de revistas especializadas, de periódicos e de outras fontes de consulta facilita a apreensão dos conteúdos e permite uma visão ampliada do assunto, oferecendo outras referências que ajudam a ampliar seu horizonte. A autonomia do processo de aprendizagem requer do aluno um esforço

disciplinar intenso e constante, uma programação das atividades de estudo criteriosa e uma divisão adequada do tempo que propiciem uma permanente atividade de leituras,

a participação em seminários, palestras etc. O ensino superior requer, além do estudo habitual, a participação em eventos e acontecimentos que promovam a reflexão e ampliação dos conhecimentos. A auto-atividade de aprendizagem é, portanto, imprescindível e deve estar presente na vida do aluno preocupado com a sua performance. Um dos objetivos de um curso de pós–graduação é formar nos alunos o espírito científico que busca a obtenção de conhecimentos novos, aprimorando-os como seres ativos e participantes da história. A proposta deve ser a de aprender, isto é, não adianta apenas uma série de informações, é preciso aprender a fazer e aprender fazendo. As atividades de estudo como a leitura analítica, o estudo da documentação e a elaboração de trabalhos

científicos têm de ser efetivamente praticadas. Essas atividades são desenvolvidas com

o auxílio do instrumental de trabalho, utilizando técnicas de leitura, condensação de textos etc.

2.2 A LEITURA

“Não basta ser alfabetizado para realmente saber ler. Há leitores que deixam os olhos passarem pelas palavras, enquanto sua mente voa por esferas distantes. Esses lêem apenas com os olhos. Só percebem que não leram quando chegam ao fim de uma página, um capítulo ou um livro. Então devem recomeçar tudo de novo porque de fato não aprenderam a ler. É preciso ler, mas, também é preciso saber ler. Não adianta orgulhar-se que leu um livro rapidamente em algumas dezenas de minutos, se ao terminar a leitura é incapaz de dizer sobre o que acabou de ler”.

Galliano (1986:70)

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Ler é assimilar idéias, interagir com o autor, absorvendo o sentido da mensagem, conhecer, interpretar, decifrar, ampliar os conhecimentos e aprofundar o saber em determinado campo cultural ou científico. Segundo Salvador (1980), ler é "distinguir os elementos mais importantes daqueles que não o são e, depois, optar pelos mais representativos e mais sugestivos”. Numerosas idéias são transmitidas em diferentes obras, sendo necessário que

o leitor compreenda a idéia-mestra do texto, que é aquela que corresponde a tudo

aquilo que o autor quer comunicar. Para tanto, a utilização de técnicas de sublinhamento, resumo e esquematização facilitam o entendimento do sentido do texto através das idéias de cada parágrafo, auxiliando o leitor no entendimento do pensamento do autor no contexto da obra. Ao ler um texto devemos primeiro prestar atenção em seu conteúdo informativo fundamental, ao qual se subordinam, de modo articulado, vários enunciados. A maioria das frases possui uma palavra-chave, que pode ser percebida diretamente ou com a

ajuda de outras palavras que a substituem.Posteriormente, devemos identificar, nos diversos parágrafos, as idéias secundárias que articulam o entendimento final do texto. É importante fazer boas leituras porque esta prática enriquece o vocabulário, possibilitando ao leitor progredir cientificamente: adquirir experiência, melhorar a comunicação e, principalmente, a redação. A leitura amplia e desperta a inteligência para um aprofundamento cada vez maior no conhecimento, clareando as idéias, permitindo uma abordagem do tema sob diferentes perspectivas, e fornecendo opções de soluções para os problemas de pesquisa, de acordo com os modelos teóricos de outros autores/pesquisadores. A leitura é imprescindível na elaboração de trabalhos de investigação científica.

É importante consultar os autores, os livros e as revistas, que possam fornecer as

informações necessárias. Devemos examinar, sumariamente, os componentes físicos dos livros cujos títulos nos interessam. Verificar o nome do autor, seu currículo, ler a orelha do livro, o sumário, a documentação ou as citações ao pé das páginas. Investigar a referência, assim como verificar a editora, a data, a edição e ler rapidamente o prefácio. A convergência desses vários elementos nos ajuda a identificar o texto e a selecionar as obras de interesse.

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A leitura é tão significativa que nos motiva ao aprendizado logo nos primeiros anos de nossas vidas. Sem a leitura o avanço no conhecimento científico torna-se impossível, pois nos detemos ao discurso dos outros. Podemos afirmar que a leitura constitui um fator decisivo, porque, através dela, temos a oportunidade de ampliar e aprofundar os estudos, visto que os textos formam uma fonte praticamente inesgotável de conhecimentos. Normalmente existem duas espécies de leitura: uma praticada por cultura geral ou entretenimento desinteressado, que ocorre quando você lê uma revista ou um jornal; e outra que requer atenção especial e profunda concentração mental, realizada por necessidade de saber, como por exemplo, quando você lê um livro, um texto de estudo ou uma revista especializada. Para que a leitura seja eficiente, eficaz e proveitosa, orienta-se dedicada atenção no que se está lendo, caso contrário a leitura será superficial e, portanto, pouco entendida. Além de atenção, há necessidade de velocidade na leitura. Pela orientação de Galliano (1986:70), ao ler um parágrafo, o leitor deve fazer uma leitura rápida, obedecendo as pausas que, com um bom treinamento, passam ser momentos de fixação.

Em um texto já existem as pausas, que se apresentam em forma de pontuação, já efetivadas pelo autor. A pontuação tanto assinala as pausas e entonação na leitura, como também serve para separar palavras, expressões e orações que devem ser destacadas. Uma outra finalidade da pontuação é esclarecer o sentido da frase. A duração da pausa é também um problema importante, porque está diretamente relacionada com a sustentação da atenção do leitor no texto. A leitura é tanto melhor quanto mais curta é a pausa de fixação dos olhos. Com relação a velocidade na leitura proveitosa, Galliano (1986:79) ressalta que “campo de visão, quanto à leitura, é o número de palavras que os olhos são capazes de absorver numa única parada. Quando encontram seu momento de fixação eles enfocam uma palavra, mas são capazes de captar outras tantas à esquerda e à

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direita da enfocada. Ora, quanto maior for o número de palavras captadas entre uma pausa e outra, maior será o campo de visão do leitor. E quanto mais amplo for este campo, melhor será a leitura, pois em cada parada poderá absorver maior quantidade de texto, ou seja, abranger maior ‘extensão’ do conteúdo expresso pelas palavras”. Se o seu campo de visão for estreito, limitando somente a palavra que você está lendo naquele momento, torna-se prejudicial e sua leitura fica comprometida, e, portanto, lenta. Quando o comportamento ocorre desta maneira, sua percepção acaba ligando palavras sem sentido, devido às interrupções das pausas e o ritmo apropriado. Quanto mais lenta é a leitura, mais facilmente a atenção se dispersa. Convém você aumentar o seu campo de visão, treinando absorver na leitura o máximo de palavras à esquerda e à direita da palavra enfocada no momento da leitura. Outra orientação importante sugerida por Galliano (1986:80) para você tornar a leitura mais veloz é a seguinte: ao enfocar a última palavra de uma linha, passe rapidamente para a primeira palavra da linha seguinte, mas já se fixando nas palavras que se encontram no centro desta mesma linha. Cada assunto requer uma velocidade própria de leitura. A velocidade visual e mental de um livro técnico é diferente da de uma história em quadrinhos, pois a literatura de ficção pode ser absorvida mais rapidamente do que uma obra teórica especializada, já que exige menos reflexão por parte do leitor. Após um bom treinamento em sua leitura, mostrando sensíveis melhoras, que unem melhor rendimento com maior velocidade de leitura, não se pode esquecer que, para o domínio de um texto, exige-se: avaliação, discussão e aplicação. É preciso questionar a validade do texto, discutir com outras pessoas, porque, às vezes, a opinião de outras pessoas permite a descoberta de pontos importantes que passaram despercebidos durante a leitura, ou então acrescenta informações em alguns aspectos, bastante relevantes. Discutir é também uma forma de melhor analisar e avaliar o que se lê. Para concluir o significado da leitura, devemos fazer aplicação, quando possível, do conteúdo lido. Tal procedimento corresponde ao coroamento final da aprendizagem de um texto absorvido. A eficiência de uma boa leitura está, geralmente, relacionada com o ambiente. É preciso, portanto, que o leitor proporcione condições ambientes favoráveis para

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efetuar sua leitura, de modo que se sinta fisicamente confortável para dedicar toda a sua atenção ao que lê. Para um bom rendimento na leitura, devem ser evitados: má iluminação, agitação, posição de má acomodação do corpo e barulho. Estes fatores perturbam a concentração e conduzem à dispersão das idéias. Quando as condições ambientais não são propícias para a leitura, torna-se difícil captar o sentido do que se lê. Caso seja impossível dispor de condições ambientais favoráveis, deve-se estabelecer um determinado controle, concentrando bem mais na leitura, esquecendo os fatores externos. O que também colabora com uma boa leitura é o silêncio interior. Cada leitor pode desenvolver seu processo pessoal. A preparação mental por alguns minutos, buscando a concentração, é uma ótima técnica para se obter o silêncio interior, e tem mostrado ser um fator positivo em numerosos estudantes. Um outro fator preponderante na leitura de um texto é o domínio do vocabulário. Se o leitor tem o hábito de ler freqüentemente e sua leitura é ampla e abrange vários assuntos distintos, então deve realmente dominar um vocabulário significativo. Existem vocábulos de uso comum, popular e geral, e vocábulos especializados, de uso restrito a determinadas áreas. Quando o vocabulário do leitor for reduzido, constitui-se um obstáculo à leitura proveitosa. Quando se desconhece o significado de certas palavras, a melhor maneira é consultar um dicionário, a fim de que seu sentido seja imediatamente esclarecido. Outra possibilidade consiste em prorrogar este esclarecimento, dando-lhe a possibilidade de ocorrer no prosseguimento da leitura, isto é, tentar descobrir o sentido do vocábulo desconhecido, através do contexto em que está inserido. Uma palavra mal compreendida ou mal interpretada pode definir ou mudar todo o sentido do texto. Quando esta palavra acontece de ser a palavra-chave, então a situação será ainda mais desastrosa.

2.3 O ESTUDO DO TEXTO

Segundo Galliano (1986), há várias maneiras de se estudar um texto, mas todas dependem sempre do propósito do estudo. Assim, um estudo profundo segue

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sempre um processo semelhante, um método. Devemos recordar que não se estuda um texto como quem lê um romance, por puro entretenimento. Os textos de estudo, mormente aqueles de cunho científico ou filosófico, requerem sempre o emprego da razão reflexiva por parte de quem estuda. E isso pressupõe uma certa disciplina intelectual, um método de abordagem para o objeto do estudo. Assim, o estudo do texto deve ser realizado em várias etapas, sendo necessário para o desenvolvimento deste, o domínio de algumas técnicas que vão contribuir para o entendimento do autor e da obra, quais sejam: sublinhar, resumir e esquematizar.

2.3.1 Sublinhar

Sublinhar é a arte que ajuda a colocar em destaque a idéia-mestra, as palavras- chaves e os pormenores importantes de um texto. Dentre as normas para sublinhar, é importante destacar que o leitor deve "marcar” apenas as idéias principais e os detalhes importantes. O leitor deve reconstruir o parágrafo a partir das palavras sublinhadas para depois formar um texto com as idéias-chave. Ao final, deve ser possível ler o texto sublinhado com continuidade e plenitude de sentido. O texto fica condensado como em um telegrama, mas continua com o mesmo sentido. É interessante sublinhar com dois traços as palavras-chave da idéia principal e com um único traço os pormenores importantes. Assinalar com linha vertical, à margem do texto, as passagens mais significativas ou fazer um retângulo. Os pontos de discordância devem ser assinalados com um ponto de interrogação à margem do texto. Há autores que ainda aconselham o uso de cores diferentes para sublinhar. Após sublinhar o texto, é necessário condensar as idéias destacadas. O leitor deve escolher a maneira mais adequada de se condensar o texto, a que mais se identifique com o propósito de sua leitura. De acordo com a forma de apresentação do conteúdo sublinhado, o leitor pode integrar as idéias por meio de um resumo ou esquema.

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1- Não sublinhe na primeira leitura. Antes de começar a sublinhar é preciso Ter um contato inicial com o texto e submetê-lo a um questionamento. 2- Sublinhe durante a leitura reflexiva, mas apenas o que é realmente importante para o estudo do texto.

2.3.2 Resumo

Resumo é um texto um tipo de redação informativo-referencial que se ocupa de reduzir um texto a suas idéias principais. Em princípio, o resumo é uma paráfrase e pode-se dizer que dele não devem fazer parte comentários e que engloba duas fases: a compreensão do texto e a elaboração de um novo. A compreensão implica análise do texto e checagem das informações colhidas com aquilo que já se conhece. (Medeiros,

2000)

A “apresentação concisa das idéias de um texto” (Norma NBR 6028, da Associação Brasileira de Normas Técnicas).Uma apresentação sintética e seletiva das idéias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação delas. Nele devem aparecer as principais idéias do autor do texto. O resumo é a condensação de um texto capaz de reduzir seus elementos. É a apresentação concisa e, freqüentemente, seletiva do texto, destacando-se os elementos de maior interesse e importância, isto é, as principais idéias do autor da obra. É útil quando se necessita, em rápida leitura, recordar o essencial do que se estudou e a conclusão a que se chegou. Segundo Galliano (1986), resumir por escrito a leitura é conveniente quando se coleta material de obra rara e de difícil consulta, quando se prepara um trabalho de maior fôlego e profundidade, como a defesa de uma tese ou a elaboração de uma monografia ou dissertação, e quando se necessita fazer exercícios de redação clara e concisa. Para tanto, é necessário observar algumas normas para se fazer um bom resumo, tais como: não pretender resumir antes de ler o texto todo; esclarecer os pontos obscuros; sublinhar as palavras desconhecidas; ser breve, porém compreensível; e percorrer especialmente as palavras sublinhadas e anotações à

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margem do texto. Nos casos de transcrição textual (“ao pé da letra”), usar aspas e fazer

referência

referências bibliográficas e críticas, pertinentes e oportunas, de caráter pessoal. Sendo o RESUMO um texto, ele deve ser : UNO, COERENTE, COESO UNIDADE: Interligação entre suas partes, que deverão convergir para um direcionamento único.

não

contraditórias. COESÃO: Os elementos da frase devem estabelecer os nexos entre as partes do texto. O RESUMO deve considerar o contexto, transmitindo uma informação de forma clara e eficaz. Seu autor objetiva alcançar o entendimento e a compreensão do leitor.

O resumo se relaciona com outros textos (hipertextos): existe um texto anterior

que dá origem ao resumo. Esse texto será apresentado como uma paráfrase , propondo uma problematização. Para que serve o resumo?

idéias integradoras,

completa

à

fonte.

Juntar,

principalmente

ao

final,

COERÊNCIA:

As

idéias

apresentadas

devem

ser

coerentes

e

O

resumo deve responder a duas perguntas:

O

que o autor pretende demonstrar?

De que trata o texto ?

Portanto, devem constar do resumo :

• O assunto do texto

• O objetivo do texto

• A articulação das idéias

• As conclusões do autor do texto objeto do resumo.

O

que deve conter o resumo ?

O

resumo deve responder a duas perguntas:

O

que o autor pretende demonstrar?

De que trata o texto ? Portanto, devem constar do o resumo :

• O assunto do texto

• O objetivo do texto

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• A articulação das idéias

• As conclusões do autor do texto objeto do resumo

O que deve informar o resumo ?

Tratando-se do resumo de uma pesquisa iniciada, em andamento ou concluída,

ele deve informar:

• A natureza da pesquisa realizada

• Os resultados parciais ou finais

• As conclusões ou novos direcionamentos. Enfim, para que serve um resumo ?

O resumo tem por objetivo :

• partilhar um saber – uma referência

• fornecer informação

• apresentar provas ou evidências

• explicitar seus objetivos

• explicitar sua metodologia

• apontar para uma conclusão

Como partilhar o saber? Partindo de uma informação do conhecimento da comunidade. Isso ocorre na

introdução,

entendimento para, então, expor informações novas. Essas devem deixar claro sua referência, isto é, o tema a ser resumido. Devem situar o leitor com relação à área de estudo.

quando o autor negocia com o leitor, estabelecendo o nível do

Como fornecer informação? Apresentando uma visão própria , ou um enfoque, a respeito da matéria tratada.

A informação constitui

problematização. O resumo deve informar o estágio em que se encontra a pesquisa. Se

for o estágio final, deverá expor uma síntese dos resultados alcançados. Se for em fase

inicial ou em andamento, deverá apontar as questões que pretende abarcar, relatando

os resultados parciais da pesquisa. Como apresentar provas ou evidências? Fundamentando as afirmações expostas através de argumentação ou provas.

resumo, podendo consistir também numa

o

centro

do

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Como explicitar seus objetivos? Deixando clara intenção a ser cumprida. Esta enunciação requer paráfrase discursiva, remetendo ao texto da pesquisa. É preciso lembrar que os objetivos do bolsista nem sempre são os mesmos objetivos de seu orientador. Como explicitar sua metodologia? Referindo os passos da pesquisa e descrevendo o método empregado. Como apontar para uma conclusão? Esclarecendo quais os objetivos alcançados ou em vias de ser alcançados. É

preciso considerar as diferenças existentes entre as pesquisas concluídas e que se reformulam, as pesquisas em andamento e em fase inicial. As perspectivas de resultados devem ser incluídas. Características Formais:

Sendo um texto conciso, o resumo deve ser redigido:

• em linguagem objetiva, suprimindo palavras desnecessárias (adjetivos e advérbios) .

• evitando a repetição de frases inteiras do texto original (a serem sintetizadas e não transcritas).

• respeitando a ordem em que as idéias ou fatos são apresentados. Assim, são suas características formais :

• Extensão : de 8 a 15 linhas

• Um só parágrafo

• 3ª pessoa singular, 3ª pessoa plural, 1ª pessoa singular.

• Frases pouco extensas

• Terminologia específica

• Ordem direta das frases

• Linguagem denotativa

Exigências: titulo do trabalho., autor (es), professor orientador, texto, fonte financiadora (se houver), unidade e universidade entre parênteses. Exemplos de resumos GEO-PROCESSAMENTO – GEOGRAFIA HUMANA

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A PERCEPÇÃO DO EMPRESARIADO INDUSTRIAL SOBRE O AMBIENTE URBANO: UM INSTRUMENTO DE TRABALHO. André Venzon . (Faculdade de Arquitetura, UFRGS).

O tema da “análise empresarial” será desenvolvido com os empresários em

uma parcela humana do bairro dos Navegantes, com o objetivo de investigar e elaborar instrumentos capazes de revelar os valores ambientais na percepção dos empresários, em particular do setor industrial. Estes valores estão endereçados no sentido do que é oferecido pela estrutura urbana do bairro. Procurarei pesquisar instrumentos que são empregados na área de percepção ambiental, como : questionários abertos ou fechados, testes associativos, cenários estruturados, que me auxiliem na busca dos indicativos de uma estrutura capaz de superar as expectativas ou suportar as exigências que fazem os diversos ramos empresariais instalados naquele ambiente. Uma vez conhecidos os instrumentos de trabalho, selecionarei um ou mais que serão testados no sentido de obter a concepção do objetivo dessa pesquisa. Isto é, elaborar instrumentos que indiquem a validade do bairro quanto à implantação de diferentes investimentos empresariais. Posteriormente, as informações fornecidas através da análise empresarial do bairro Navegantes servirão de “subsídios” para projetos urbanísticos que contextualizarão a percepção dos empresários sobre as potencialidades econômicas daquele ambiente. (PROPESP).

2.3.3 Esquema

O esquema é a linha mestra seguida pelo autor no desenvolvimento de seu

escrito. Para Galliano (1986), o esquema é a representação gráfica e sintética do que se leu. A elaboração de um esquema fundamenta-se numa seqüência lógica que ordene claramente as principais partes do conteúdo e que, mediante divisões e

subdivisões, represente a hierarquia das palavras, frases, parágrafos-chave que,destacados após várias leituras, devem apresentar ligações entre as idéias sucessivas para evidenciar o raciocínio desenvolvido.

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Algumas normas se fazem necessárias para a elaboração de um bom esquema. Uma delas é a fidelidade ao texto, captando e compreendendo o tema do autor e destacando títulos e subtítulos que o guiaram ao escrever o texto. Por fim, o esquema deve:

a) ser claro, simples e distribuído organicamente;

b) subordinar as idéias e fatos;

c) ter estrutura lógica, mantendo um sistema uniforme;

d) ser flexível e funcional para o uso; e

e) destacar o propósito da leitura, facilitando a captação do conteúdo e

permitindo melhor reflexão sobre o texto.

Dicas Importantes para esquematizar o texto:

1- Faça uma distribuição gráfica do assunto, mediante divisões e subdivisões que representem a sua subordinação hierárquica. 2- Construa o esquema por meio de chaves de separação ou por listagem com diferenciação de espaço e/ou classificação numérica para as divisões e subdivisões dos elementos. 3- Mantenha no esquema fidelidade ao texto original. 4- Ordene a estrutura do esquema de forma lógica e facilmente compreensível.

2.4 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA

Para auxiliar a transposição da leitura, é necessário que o leitor faça uma análise do texto. O estudo e a interpretação do texto vão depender dos objetivos do leitor e do fim a que se destina. Os textos de estudo de caráter científico, por exemplo, requerem, por parte de quem analisa, um método de abordagem e certa disciplina intelectual. Galliano (1986) e Severino (2000) elaboraram modelos de análise que abrangem alguns itens comuns aos dois autores que são chamados de análise textual, análise temática e análise interpretativa.

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2.4.1 A análise textual

A análise textual é a primeira forma de aproximação com o texto e tem a finalidade de apresentar o texto e o pensamento do autor. O leitor deve assinalar os vocábulos desconhecidos, os pontos que requerem posterior esclarecimento e as dúvidas que possam interferir na captação do pensamento do autor. É importante esclarecer as dúvidas por meio de consulta aos dicionários, enciclopédias, manuais, enfim, às obras de referência que se façam necessárias. Portanto, para a análise textual:

1- Estabeleça a unidade de leitura. 2- Leia rapidamente o texto completo da unidade de leitura, assinalando na margem as palavras desconhecidas e pontos que requerem melhor esclarecimento. 3- Esclareça o sentido das palavras desconhecidas e as eventuais dúvidas que tenham surgido no texto. 4- Informe-se melhor sobre o autor do texto. 5- Faça um esquema do texto estudado.

2.4.2 A Análise Temática

Ao terminar essa análise, o leitor passa a ler com o objetivo de compreender profundamente o texto. Inicia-se então a análise temática onde o leitor vai processar a leitura para apreender o conteúdo, sem discutir com o texto, sem debater os conceitos ou idéias; a intenção é a descoberta e a reflexão da idéia central. É necessário captar, na exposição do tema, o problema que motivou o autor, as idéias secundárias, os temas complementares, enfim, a estrutura de sustentação do texto. A análise temática é considerada completa quando o leitor estabelece, com segurança, o esquema do pensamento do autor, apreendendo o conteúdo do texto. Portanto, para análise temática:

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1- Releia de modo reflexivo o texto da unidade de leitura, com o propósito de apreender o conteúdo. 2- Procure no texto completo as respostas para perguntas do tipo:

a) De que trata o texto? b) O que mantém sua unidade global? 3- Procure encontrar o processo de raciocínio do autor, mediante um esquema do plano do texto (que pode ser muito diferente do obtido na análise textual). 4- Examine cada elemento do texto e compare-o com os ossos de um vertebrado: se faz parte do “esqueleto” do texto, é um elemento essencial, caso contrário é um elemento secundário ou complementar. 5- Só dê por terminada a análise temática quando estabelecer com segurança o esquema definitivo do pensamento do autor.

2.4.3 A Análise Interpretativa

A terceira etapa da leitura visa à interpretação do texto. O leitor passa a inferir e interpretar o que foi apreendido. Ao iniciar a análise interpretativa, o leitor deve relacionar as idéias expostas pelo autor com o contexto da cultura científica e/ou filosófica, recorrendo, se necessário, a outras fontes, complementando-as sempre que o estudo assim exigir. Portanto, para análise interpretativa:

1- Não se deixe tomar pela subjetividade. 2- Relacione as idéias do autor com o contexto filosófico e científico de sua época e de nossos dias. 3- Faça a leitura das “entrelinhas” a fim de inferir o que não está explícito no texto. 4- Adote uma posição crítica, a mais objetiva possível, com relação ao texto. Esta posição tem de estar fundamentada em argumentos válidos, lógicos e convincentes. 5- Faça um resumo do que estudou. 6- Discuta o resultado obtido no estudo. Ao terminar a análise interpretativa, o nível de conhecimento do leitor ter-se-á consolidado e ampliado. E para continuar desenvolvendo este conhecimento, Galiano

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(1986) aconselha ao leitor levar sua posição pessoal, seu juízo crítico, ao confronto da discussão em seminários, grupos de estudo, ou reuniões com colegas. Para ele, o debate é importante porque algumas conclusões, tidas como sólidas e inabaláveis, podem revelar sua fragilidade, enquanto outras ganharão maior vigor, estimulando novas reflexões e abrindo um novo ciclo de aprofundamento de análises. Concluindo adequadamente a leitura de um texto, o leitor mais experiente passa a produzir conhecimento e/ou a fazer proposições. São nessas condições que ocorre a transposição da leitura. É por meio da ampliação dos aspectos que a análise do texto suscitou e das proposições apoiadas na retomada de pontos relevantes que o leitor pode ir além, ultrapassar a leitura e produzir o conhecimento. Isso é muito importante, na medida em que o leitor/pesquisador necessite transmitir significados ou fazer alguma comunicação a respeito de determinadas conclusões.

2.5 A PRÁTICA DO FICHAMENTO

Em face da necessidade de realização de um trabalho de pesquisa é preciso que o estudioso execute um levantamento bibliográfico que lhe permita:

a) conhecer a origem do problema;

b) identificar o que já foi pesquisado acerca do problema;

c) avaliar as soluções já experimentadas;

d) colher opiniões de especialistas e participantes do processo; e

e) compreender tudo aquilo que irá embasar a formulação de uma possível solução para o problema pesquisado. Segundo Eco (1989), a situação ideal seria dispor de todos os livros de que se tem necessidade. Entretanto, verifica-se que essa condição ideal é muito rara, mesmo para um estudioso profissional. Assim, o armazenamento das informações coletadas em bibliotecas, repartições públicas, centros culturais, sites de busca na Internet, etc,

poderá ser realizado por meio de um arquivo de fichas ou um arquivo de computador. É oportuno destacar que os fichamentos são extremamente importantes na fase de coleta de informações, pois auxiliam no registro de resumos, opiniões, citações, enfim, tudo o que possa servir como embasamento para a redação do texto do trabalho de pesquisa.

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Tem-se em mente que os esforços empreendidos durante a elaboração dos fichamentos serão altamente recompensados no momento da redação final da pesquisa, revertendo em ganho de tempo.

A ficha é composta pelas seguintes partes: cabeçalho, referência, resumo da

obra, citações, contribuições em relação ao tema e recursos ilustrativos de interesse. O campo destinado ao cabeçalho solicita informações que facilitarão a

identificação futura do seu trabalho: a linha de pesquisa, o tema, o nome do postulante, a data do fichamento e a numeração da ficha.

O campo destinado à referência deve ser preenchido conforme as normas da

ABNT, pois isso facilitará a composição do trabalho no momento da redação.

O campo destinado ao resumo da obra, embora simples, deve permitir ao

pesquisador identificar quais são os assuntos tratados, bem como as principais conclusões do autor.

O campo destinado às citações poderá ser preenchido com citações diretas ou

indiretas, tendo por finalidade destacar as idéias que irão sustentar o seu raciocínio lógico, durante a confecção do referencial teórico (capítulo que traduz tudo aquilo que já foi publicado sobre o tema em estudo) de sua pesquisa. As citações não devem aparecer no seu trabalho como uma simples cópia do pensamento de outros autores, pois elas devem conter subsídios que permitirão a sustentação de hipóteses ou a discussão de questões de estudo.

O campo destinado às contribuições em relação ao tema deve conter o seu

parecer acerca do pensamento do autor, visando facilitar a construção do seu raciocínio lógico durante a confecção do trabalho; anote quantas idéias puder acerca do que foi lido e estudado, pois esse é o melhor momento para apreender idéias que contribuam para a sustentação da sua posição em relação ao problema de estudo.

O campo destinado aos recursos ilustrativos de interesse deve conter tabelas,

gráficos, figuras ou outros recursos que enriqueçam e/ou facilitem o entendimento do leitor acerca do seu trabalho.

2.6 A RESENHA

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Resenha – tipo de resumo crítico, contudo, mais abrangente: permite comentários e opiniões, inclui julgamentos de valor, comparações com outras obras da mesma área e avaliação da relevância da obra com relação às outras do mesmo.

É talvez, o nível mais elementar de pesquisa científica, e caracteriza-se apenas

como pesquisa exploratória; pois, embora possa conter uma crítica, o texto base já está pronto. É, também, excelente exercício inicial de autonomia intelectual, uma vez que o exame de obras já prontas oportuniza treinamento de compreensão e crítica, além do contato mais aproximado com bons autores e com o pensamento já elaborado, o que, para o iniciante, servirá de modelo interessante de produção científica. (Santos)

1. Identificação da obra - autor(es), título (subtítulo), imprenta (local de edição,

editora, data), número de páginas, ilustrações (tabelas, gráficos, fotos, etc.).

2. Credenciais do autor- formação, publicações, atividades desenvolvidas na

área.

3. Conhecimento - resumo detalhado das idéias principais, assunto da obra,

forma como foi abordado.

4.

Conclusão do autor – localização e breve explicação das conclusões do

autor.

5.

Quadro de referências do autor – teoria que serviu de embasamento, método

utilizado.

6.

Apreciação

a

. Julgamento da obra: autor em relação às correntes científicas, filosóficas e

culturais/ circunstâncias culturais, sociais, econômicas, históricas. b . Mérito da obra: contribuição / idéias verdadeiras, originais, criativas/ conhecimentos novos, amplos.

c . Estilo: conciso, objetivo, simples/ Claro, preciso, coerente.

d . Forma: lógica, sistematizada/ originalidade e equilíbrio na disposição das

partes.

e . Indicação da obra: grande público, especialistas, estudantes.

3 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

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Os consideráveis progressos nos meios de comunicação têm permitido que os

avanços científicos se expandam rapidamente nas distintas comunidades mundiais e estejam ao alcance de um número cada vez maior de pessoas. O processo do conhecimento necessita da presença de três elementos: o objeto, o sujeito e uma relação entre os dois. O conhecimento se dá quando o sujeito apreende o objeto e, relacionando-se com ele, forma uma imagem. Independentemente das distintas teorias existentes para explicar o processo do conhecimento, faremos referência a dois tipos especiais que são: o conhecimento ordinário ou vulgar (senso comum) e o conhecimento científico.

3.1 Conhecimento Vulgar

Segundo Galliano (1986), o conhecimento vulgar (senso comum) também denominado “empírico” é o que todas as pessoas adquirem na vida cotidiana, ao acaso, baseado apenas na experiência vivida ou transmitida por alguém. Em geral, resulta de repetidas experiências casuais de erro e acerto, sem observação metódica ou verificação sistemática e, por isso, carece de caráter científico. Pode, também, resultar de simples transmissão de geração para geração ou fazer parte das tradições de uma coletividade.

3.2 Conhecimento Científico

O conhecimento científico é uma aquisição intencional, consciente e

sistemática; é um processo que chegou ao máximo de seu desenvolvimento com a aplicação do método científico. De acordo com Galliano (1986), o conhecimento científico resulta de investigação metódica e sistemática da realidade. Ele transcende os fatos e os fenômenos em si mesmos, analisa-os para descobrir suas causas e concluir as leis gerais que os regem. Variados autores apresentam o que entendem por ciência, elaborando conceitos que são permanentemente ampliados, uma vez que suas idéias não são definitivas.

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O conceito, apresentado por Ander-Egg (1978), define ciência como um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente, sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de uma mesma natureza. Para Trujillo (1974), ciência é uma sistematização de conhecimentos, um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar. Um conjunto de atitudes e atividades racionais dirigidas ao sistemático conhecimento com objetivo limitado, capaz de ser submetido à verificação. Pode-se considerar a ciência como uma forma de conhecimento que tem por

objetivo formular, mediante linguagem rigorosa e apropriada (se possível com o auxílio da linguagem matemática), leis que regem os fenômenos. Neste sentido, o conhecimento deve ser:

a) objetivo, porque descreve a realidade independente dos caprichos do

pesquisador;

b) racional, porque se vale, sobretudo, da razão e não da sensação ou

impressões, para chegar a seus resultados;

c) sistemático, porque se preocupa em construir sistemas de idéias organizadas

racionalmente e em incluir os conhecimentos parciais em totalidades cada vez mais

amplas;

d) geral, porque seu interesse se dirige fundamentalmente à elaboração de leis

e normas gerais, que explicam todos os fenômenos de certo tipo; e) verificável, porque sempre possibilita demonstrar a veracidade das informações; e

f) falível, porque ao contrário de outros sistemas de conhecimento elaborados

pelo homem, reconhece sua própria capacidade de errar. Segundo Gil (1999), há conhecimentos que não pertencem à ciência, tais como:

o conhecimento vulgar, o religioso e, em certa acepção, o filosófico. A partir dessas

características torna-se possível, em boa parte dos casos, distinguir entre o que é ciência e o que não é. Segundo Lakatos e Marconi (2000), não existe um consenso na apresentação da classificação das ciências; o que é ciência para alguns autores, ainda permanece

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como ramo de estudo para outros, e vice-versa. Mas, baseando-se em Bunge (1976), as autoras adotam a seguinte classificação: ciências formais e ciências factuais. As ciências formais se encarregam do estudo das idéias, dividindo-se em lógica e matemática. Por não terem relação com algo encontrado na realidade, não podem valer-se dos contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas, utilizando a lógica para demonstrar rigorosamente seus teoremas. Os resultados alcançados pelas ciências formais demonstram ou provam hipóteses. As ciências factuais se encarregam do estudo dos fatos, dividindo-se em naturais e sociais. Referem-se a fatos que supostamente ocorrem no mundo e, em conseqüência, recorrem às observações e às experimentações para comprovar ou refutar suas hipóteses. Os resultados alcançados pelas ciências factuais verificam, comprovam ou refutam hipóteses que, em sua maioria, são provisórias. A grande diferença entre as ciências formais e factuais é que a demonstração (formal) é completa e final, ao passo que a verificação (factual) é incompleta e, por esse motivo, ela é temporária. Parra Filho (2000), ao referir-se à classificação atual dos vários campos da ciência, ressalta que as classificações da ciência devem ser provisórias, devido a sua constante evolução. A classificação é importante porque mostra a unidade e, ao mesmo tempo, a variedade do conhecimento humano, assinala o domínio próprio de cada ciência, patenteia as relações lógicas que as unem entre si e revelam a ordem em que as ciências devem ser estudadas.

3.2.1 A Pesquisa

A atividade básica da ciência é a pesquisa. Esta afirmação pode estranhar, porque temos muitas vezes a idéia de que ciência se concentra na atividade de transmitir conhecimento (docência) e de absorvê-la (discência). Na verdade, tal atividade é subseqüente. Antes existe o fenômeno fundamental da geração do conhecimento. Pesquisa é a atividade científica pela qual descobrimos a realidade. Partimos do pressuposto de que a realidade não se desvenda na superfície. Não é o que aparenta à

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primeira vista. Ademais, nossos esquemas explicativos nunca esgotam a realidade, porque esta é mais exuberante que aqueles.

A partir daí, imaginamos que sempre existe o que descobrir na realidade, equivalendo isto a aceitar que a pesquisa é um processo interminável, intrinsecamente processual. É um fenômeno de aproximações sucessivas e nunca esgotado, não uma situação definitiva, diante da qual já não haveria o que descobrir.

A pesquisa distingue-se da consulta bibliográfica. Esta é uma tarefa simples e consiste em procurar tirar dúvidas com o recurso a alguns verbetes de dicionários, enciclopédias ou manuais. Quando se anotam os dados consultados, tem-se uma cópia textual ou livre, nunca uma pesquisa.

Destacam-se dois tipos de pesquisa: o resumo de assunto e a pesquisa científica original. Os alunos do ensino médio, e mesmo os universitários, dificilmente têm condições de fazer pesquisas científicas originais, com novas conquistas dentro de determinada ciência. Farão, então, resumos de assunto, em que reúnem, analisam e discutem conhecimentos e informações já publicadas. O resumo de assunto exige a aplicação dos mesmos processos científicos utilizados no trabalho científico original. Não é cópia, mas a reunião das informações sobre um tema, sua compreensão, análise, interpretação, comparação e aplicação a casos semelhantes. Exige reflexão e elaboração nova e pessoal do assunto. Esse tipo de pesquisa aumenta os conhecimentos e dá o treinamento necessário para possíveis pesquisas científicas originais. Conforme objeto de investigação, a pesquisa pode ser ainda bibliográfica, descritiva ou experimental. Para fins de classificação Demo distingue quatro linhas básicas de pesquisa: a teórica, a metodológica, a empírica e a prática. a) A pesquisa teórica é aquela que monta e desvenda quadros teóricos de referência. Não existe pesquisa puramente teórica, por que já seria mera especulação. Mera especulação é a reflexão aérea subjetiva, à revelia da realidade, algo que um colega cientista não poderia refazer ou controlar.

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Não combatemos a especulação, porque a divagação teórica pode ter faces criativas e constituir-se em exercício de reflexão válido. Combatemos somente a especulação pela especulação, que é viver no mundo da lua, como se a realidade fosse um jogo de idéias. A discussão, por exemplo, de uma definição conceitual - digamos do conceito de mais-valia do marxismo, de normalidade psíquica no freudismo, de racionalidade econômica - é uma forma possível de pesquisa teórica, de grande relevância para a formação científica. Na verdade, sua importância está na formação de quadros teóricos de referência, que são contextos essenciais para o pesquisador movimentar-se. Alguns procedimentos são fundamentais para a formação de um quadro teórico de referência. Um primeiro pode ser o domínio dos clássicos de determinada disciplina. Eles trazem a acumulação já feita de conhecimento, as polêmicas vigentes, a cristalização de certas práticas de investigação, o ambiente atual da discussão em torno do assunto, e assim por diante. O conhecimento criativo dos clássicos - não a mera leitura passiva ou a de discípulo ingênuo é uma das formas mais comuns de pesquisa teórica. Outro procedimento é o domínio da bibliografia fundamental, através da qual tomamos conhecimento da produção existente; podemos aceitá-la, rejeitá-la e com ela dialogar criticamente. Sobretudo em ciências sociais a leitura bibliográfica é vital, porque, mais do que resultados já obtidos, temos discussões intermináveis, que só conseguimos acompanhar pela leitura assídua. O domínio dos autores pode ajudar muito a criatividade do cientista, porque através deles chega a saber o que dá certo, o que não deu certo, o que poderia dar certo, e assim por diante. Outro procedimento é a verve crítica, através da qual instala-se a discussão aberta como caminho básico do crescimento científico. O bom teórico não é tanto quem acumulou erudição teórica, leu muito e sabe citar, mas principalmente quem tem visão crítica da produção científica, com vistas a produzir em si uma personalidade própria, que anda com os próprios pés. É mau teórico quem não passa do discípulo, do colecionador de citações, do repetidor de teorias alheias. Boa bagagem teórica significa, assim, não somente domínio das teorias mais importantes em sua área de pesquisa, mas principal e essencialmente capacidade

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teórica própria. Ou seja, personalidade teórica formada, no sentido de dialogar com os outros teóricos, atuais ou clássicos, não como mero aprendiz ou discípulo, mas como alguém que também constrói teoria, tem suas posições teóricas firmadas, enfrenta polêmicas próprias, marca a história da disciplina com contribuições originais.

A falta de quadro teórico de referência traduz imediatamente um traço típico da mediocridade científica, porque a pessoa não dispõe de material de discussão, seja retirado de outros autores, seja proposto por si mesma. O confronto teórico crítico é condição fundamental de aprofundamento da pesquisa para se superar níveis apenas descritivos, repetitivos, dispersivos e apresentar penetrações originais. A teoria faz mal somente quando se encerra em si mesma e passa a ser um castelo no ar. Pode ser, por exemplo, o caso de alguém que pratica uma docência sem pesquisa. Se pensarmos bem, não se tem nada a ensinar, se não tivermos construído algo através da pesquisa. Não existindo a pesquisa, o professor torna-se um mero repetidor de textos e de idéias dos outros. Conta para os alunos o que leu por aí. Será somente um transmissor de conhecimentos. Não é propriamente um cientista, ou seja, um construtor do saber. Muitas vezes temos da ciência esta visão estereotipada, quando a entendemos como transmissão de conhecimento alheio. Há universidades que somente fazem isso. Não são, pois, universidades, porque para tanto não as precisamos. Os meios modernos de comunicação transmitem conhecimento, hoje, de forma mais efetiva e atraente. Inculca-se no estudante, igualmente, a mesma mentalidade, a saber, do receptor passivo que acumula mimeticamente conhecimento alheio. Não sabe descobrir a realidade, somente vê-la com óculos emprestados. A verdadeira tarefa docente é a de transmitir o compromisso com a pesquisa, buscando produzir construtores do saber. b) A pesquisa metodológica não se refere diretamente à realidade, mas aos instrumentos de captação e manipulação dela. Para muitos será estranho imaginar uma pesquisa metodológica, porque não é usual colocar as coisas assim. Cremos, no entanto, que é fundamental estabelecer a importância da construção metodológica porque não há amadurecimento científico sem amadurecimento metodológico.

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Construir ciência é em parte o cultivo de uma atitude típica diante da realidade, da atitude de dúvida, de crítica de indagação rodeada de cuidados para não sermos ingênuos, crédulos, apressados. Tudo isto é questão metodológica. Perquirir tais caminhos pode ser devaneio digressivo, especulação desenfreada; mas pode ser condição fundamental para desabrocharmos nossa opção teórica e prática diante da ciência.

A falta de reflexão metodológica traduz também, imediatamente, um tipo de

mediocridade científica que é a crença em evidências dadas. A ciência começa precisamente aí, quando não se reconhecem evidências dadas. Problematizar as vias

do conhecimento é ir em busca de outras, com vistas a um conhecimento mais realista e profundo.

É muito válido, portanto, dedicar-se à discussão sobre os caminhos seguidos

pelos autores para construir suas teorias, contrastando com outros caminhos. No final buscamos a opção própria metodológica que fundamentaria nossa proposta de ciência. Por que dizemos que nosso modo de construir ciência é científico? Por que rejeitamos outros? Como pesquisar? Que métodos existem?

E é precisamente o que fazemos neste trabalho. Não o vemos como teorização

aérea, como especulação solta, como sofisticação estranha. Pelo contrário, é profundamente pesquisa, porque é construção de propedêutica da descoberta da realidade. c) A pesquisa empírica é aquela voltada sobretudo para a face experimental e observável dos fenômenos. É aquela que manipula dados, fatos concretos. Procura traduzir os resultados em dimensões mensuráveis. Tende a ser quantitativa, na medida do possível. Embora o empírico não precise coincidir com o mais relevante na realidade, a pesquisa empírica desempenhou em ciências sociais um papel inestimável, porque trouxe o compromisso com afirmações controláveis, contra especulações perdidas. Não se pode negar que muitas ciências sociais ou, pelo menos, orientações dentro de certas ciências sociais tendem à teorização excessiva, sendo já difícil distinguir da filosofia, em sentido pejorativo.

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O grande valor da pesquisa empírica é o de trazer a teoria para a realidade

concreta. Foi muitas vezes abusada, e não há metodologia mais superficial e medíocre

que o empirismo, porque crédulo. Acredita na realidade que observa. Ora, as coisas mais relevantes da realidade não se manifestam à primeira vista e sempre há dimensões refratárias à mensuração. Se levarmos em conta somente o mensurável,

ficaremos com o superficial. Mas, se soubermos usar, a dedicação empírica chega a ser um remédio para as ciências sociais.

É igualmente um erro imaginarmos que somente é pesquisa o que se faz

empiricamente, como é hábito, sobretudo, nos Estados Unidos. Pesquisador não é apenas quem domina técnicas de computador e sabe muita estatística ou quem acumula tabelas e índices. Não é difícil encontrarmos pesquisadores empíricos perdidos no meio de dados irrelevantes, fazendo testes estatísticos sobre coisas que não tocam problemas cruciais da realidade ou apenas descrevendo fenômenos, sem os explicar. Não obstante, por causa da pesquisa empírica avançou-se muito na produção de técnicas de coleta e mensuração do dado. Constitui hoje uma parte importante de cada ciência social. São também instrumentos de controle da ideologia. d) A pesquisa prática é aquela que se faz através do teste prático de possíveis idéias ou posições teóricas. Certamente é uma função da prática testar se a teoria é fantasia, especulação ou se é real. Todavia, a prática tem a função mais essencial de representar o lado político das ciências sociais. Aí, a própria omissão é uma prática, porquanto há de significar o favorecimento da situação vigente.

Seja qual for a dimensão visualizada, a prática também é uma forma de descobrir a realidade. Aparece muitas vezes em pessoas que somente sabem pela prática, já que nunca pararam para teorizar, ou sequer saberiam fazer isto de forma explícita. No cientista social é a ocasião de descortinar horizontes que não tinham sido percebidos na teoria ou mesmo surpresas à revelia da teoria. Freqüentemente dizemos que na prática a teoria é outra. Isto não quer somente dizer que pode sempre haver dissonâncias entre os dois níveis, mas principalmente que um não se faz sem outro. Nada melhor para a teoria do que uma boa prática e vice-

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versa. Os extremos também são indesejáveis, a saber, o teoricismo que acaba sendo uma fuga da realidade, ou o ativismo que não se contextua teoricamente. Esta parte geralmente é muito negligenciada na formação científica, porque se dá peso quase exclusivo à dedicação teórica, sobretudo em ciências sociais. Muitas vezes, entendemos por prática somente o estágio de significado profissionalizante. Embora isto também faça parte, prática é sobretudo a tomada de posição explícita, de conteúdo político, diante da realidade. Tal asserção torna-se mais compreensível, se voltarmos à idéia de que as ciências sociais são intrinsecamente ideológicas, na que se distinguem profundamente das ciências naturais, onde a ideologia aparece extrinsecamente. Se assim é, a prática é conseqüência natural do engajamento ideológico, que todos têm, mesmo a nível de omissão.

Estas quatro formas de pesquisa não podem insinuar um esquema rígido. Têm mais a finalidade de não exclusivizar a pesquisa empírica. Por mais importante que esta seja, não é expressão única de descoberta da realidade. Ademais, chamam a atenção para a fato de que não pode haver docência nem discência efetiva sem o fundamento da pesquisa. Até mesmo a atividade de extensão universitária é condicionada pela pesquisa, embora não decorra dela, como a docência. Não se pode intervir adequadamente numa realidade que não se conhece. Enfim, perguntamo-nos o que é realidade? Para muitas parece evidente a realidade. Nada mais enganoso. É precisamente o que mais ignoramos. Por isto pesquisamos, já que nunca dominamos a realidade. Quem imagina conhecer adequadamente a realidade, já não tem o que pesquisar, ou melhor, tornou-se dogmático e deixou o espaço da ciência. Realidade são todas as dimensões que compõem nossa forma de viver e o espaço que a cerca. Em nosso caso, realidades sociais circunscrevem-se às dimensões sociais, tanto àquelas que estão em nós quanto àquelas que nos circundam. Fazem parte delas igualmente nossas ideologias, nossas representações mentais, nossos símbolos, nossas crenças e valores, bem como nosso comportamento externo e os condicionamentos circundantes de ordem social.

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Em todas estas dimensões é possível sempre descobrir novos horizontes do conhecimento e da prática. A realidade não é apenas empírica, ou seja, aquela traduzida em dados observáveis. Por vezes é o menos interessante dela. Cada ciência social dedica-se a uma faceta da realidade. É uma das formas de vê- la. Ao mesmo tempo, não se dedicando a outras facetas, inevitavelmente deturpa a realidade, se perder de vista que é uma faceta entre outras. Ver a realidade apenas psicologicamente é clara deturpação, comum, por exemplo, em psicólogos que não percebem outra coisa no homem senão sexo, ou em economistas que nada mais percebem do que determinações de ordem material, ou em antropófagos que não vêem outra coisa que mitos e ritos. Cada ciência social estabelece suas relevâncias básicas, através das quais realiza seu modo particular de ver a realidade. Não temos uma regra para garantirmos quantas são as principais relevâncias da realidade. Algumas podem, inclusive, ser apenas convencionais. De todas as formas, cada ciência social! imagina estar lidando com algo essencial na realidade. Será tanto mais importante quanto acertar uma dimensão estrutural da realidade, ou seja, uma dimensão que caracteriza a história inteira da humanidade, não uma dimensão tópica, conjuntural, típica apenas de certo momento histórico. Por exemplo, a Sociologia - definida como o tratamento teórico e prático da desigualdade social - possui um objeto estrutural que faz parte do cerne de qualquer sociedade. Outras disciplinas podem ser menos densas, por estudarem objetos de estilo mais tópico, como pode ser o caso das ditas Ciências Contábeis, da Administração, do Serviço Social e que, por isto, acabam buscando sua fundamentação ou na Economia, ou na Sociologia, ou na Psicologia, ou na Antropologia etc. Se definimos pesquisa como o processo de descoberta científica da realidade, parece claro que existe por trás dela sempre algum projeto mais ou menus explícito de domínio do objeto. O conhecimento torna-se facilmente instrumento de dominação, já que, conhecendo adequadamente o objeto, poderíamos manipulá-lo a nosso favor, seja no sentido de produzirmos condições mais favoráveis de existência humana, seja, sobretudo, no sentido de encontrarmos novos instrumentos de consolidação de grupos dominantes. Sem desmerecer a possibilidade de uma ciência por amor à arte, sendo produto também social, não há como isentá-la dos interesses sociais. A ciência não

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trata qualquer coisa; trata principalmente o que interessa. É sempre também reflexo do poder e das necessidades sociais.

Conceitos fundamentais de Pesquisa

Minayo (1993, p.23), vendo por um prisma mais filosófico, considera a pesquisa como “atividade básica das ciências na sua indagação e descoberta da realidade. É uma atitude e uma prática teórica de constante busca que define um processo intrinsecamente inacabado e permanente. É uma atividade de aproximação sucessiva da realidade que nunca se esgota, fazendo uma combinação particular entre teoria e dados”.

Demo (1996, p.34) insere a pesquisa como atividade cotidiana considerando-a como uma atitude, um “questionamento sistemático crítico e criativo, mais a intervenção competente na realidade, ou o diálogo crítico permanente com a realidade em sentido teórico e prático”.

Para Gil (1999, p.42), a pesquisa tem um caráter pragmático, é um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”.

Pesquisa é um conjunto de ações, propostas para encontrar a solução para um problema, que têm por base procedimentos racionais e sistemáticos. A pesquisa é realizada quando se tem um problema e não se têm informações para solucioná-lo.

3.2.2 Classificação das Pesquisas

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Existem várias formas de classificar as pesquisas. As formas clássicas de classificação serão apresentadas a seguir:

Do ponto de vista da sua natureza, pode ser:

Pesquisa Básica: objetiva gerar conhecimentos novos úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais. Pesquisa Aplicada: objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais. Do ponto de vista da forma de abordagem do problema pode ser:

Pesquisa Quantitativa: considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números opiniões e informações para classificá-las e analisá-las. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas (percentagem, média, moda, mediana, desvio-padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão, etc.). Pesquisa Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento- chave. É descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos principais de abordagem.

Do ponto de vista de seus objetivos (Gil, 1991) pode ser:

Pesquisa Exploratória: visa proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; análise de exemplos que estimulem a compreensão. Assume, em geral, as formas de Pesquisas Bibliográficas e Estudos de Caso.

Pesquisa Descritiva: visa descrever as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Envolve o

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uso de técnicas padronizadas de coleta de dados: questionário e observação sistemática. Assume, em geral, a forma de Levantamento.

Pesquisa Explicativa: visa identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Aprofunda o conhecimento da realidade porque explica a razão, o “porquê” das coisas. Quando realizada nas ciências naturais, requer o uso do método experimental, e nas ciências sociais requer o uso do método observacional. Assume, em geral, a formas de Pesquisa Experimental e Pesquisa Expost-facto.

Do ponto de vista dos procedimentos técnicos (Gil, 1991), pode ser:

Pesquisa Bibliográfica: quando elaborada a partir de material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e atualmente com material disponibilizado na Internet. Dependendo da pesquisa, percebe-se que muitas são desenvolvidas quase que exclusivamente a partir de fontes bibliográficas, tais como:

livros de leitura corrente, livros de referência, dicionários, enciclopédias, impressos diversos, publicações periódicas, revistas e jornais etc. A pesquisa bibliográfica permite ao pesquisador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente, principalmente quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo espaço. A pesquisa bibliográfica é indispensável nos estudos históricos, pois não há outra maneira de conhecer os fatos passados se não com base em dados bibliográficos.

Fases Da Pesquisa Bibliográfica

Uma pesquisa bibliográfica pode ser desenvolvida como um trabalho em si mesma ou constituir-se numa etapa de elaboração de monografias, dissertações, etc. Enquanto trabalho autônomo, a pesquisa bibliográfica compreende várias fases, que vão da escolha do tema à redação final. De modo geral, essas fases apresentam algumas semelhanças como as da elaboração dos trabalhos de graduação.

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1. Escolha e delimitação do tema

A escolha do tema deve ser feita segundo alguns critérios. Antes de mais nada

pesquisar a acessibilidade a uma bibliografia sobre o assunto, pois todo trabalho

universitário baseia-se, principalmente, na pesquisa bibliográfica. Outros requisitos importantes são a relevância, a exeqüibilidade, isto é, a possibilidade de desenvolver bem o assunto, dentro dos prazos estipulados, e a adaptabilidade em relação aos conhecimentos do autor. Escolhido o tema, faz-se necessário delimitá-lo, ou seja, definir sua extensão e profundidade, o tipo de abordagem.

É importante que os objetivos sejam claramente estabelecidos a fim de que as

fases posteriores da pesquisa se processem de maneira satisfatória. Após essa definição, convém definir um plano de trabalho para orientar os procedimentos seguintes. Esse plano é provisório e passa por reformulações sucessivas. Deve ser razoavelmente elaborado quando se iniciar o trabalho de confecção de fichas.

2. A coleta de dados

De posse do tema, deve-se procurar na biblioteca, através de fichários, catálogos, abstracts, uma bibliografia sobre o assunto, que fornecerá os dados essenciais para a elaboração do trabalho. Selecionadas as obras que poderão ser úteis para o desenvolvimento do assunto, procede-se, em seguida, à localização das informações necessárias.

3. Localização das informações

Tendo em mãos uma lista de obras identificadas como fonte prováveis para determinado assunto, procura-se localizar as informações úteis, através das leituras:

Leitura prévia ou pré-leitura: procura-se o índice ou sumário, lê-se o

prefácio, a contracapa, as orelhas do livro, os títulos e subtítulos, pesquisando-se a

existência das informações desejadas. Através dessa primeira leitura faz-se uma seleção das obras que serão examinadas mais detidamente;

Leitura seletiva: o objetivo desta leitura é verificar, mais atentamente, as

obras que contêm informações úteis para o trabalho. Faz-se uma leitura mais detida

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dos títulos, subtítulos e do conteúdo das partes e capítulos, procedendo-se, assim, a uma nova seleção.

Leitura crítica/analítica: agora a leitura deve objetivar a intelecção do texto, a apreensão do seu conteúdo, que será submetido à análise e à interpretação;

Leitura interpretativa: entendido e analisado o texto, procura-se

estabelecer relações, confrontar idéias, refutar ou confirmar opiniões. Caso seja necessário ampliar o levantamento bibliográfico, deve-se procurar na bibliografia de cada obra, nas notas de rodapé, nas referências bibliográficas, a indicação de outras obras e autores que poderão ser consultados.

Pesquisa Documental: quando elaborada a partir de materiais que não receberam tratamento analítico. As fontes, consideradas documentais, podem ser documentos conservados em arquivos de órgãos públicos e instituições privadas, tais como: associações científicas, igrejas, sindicatos etc. Incluem-se outros inúmeros documentos como cartas pessoais, diários, fotografias, gravações, memorandos, regulamentos, ofícios, boletins etc. Há documentos também que, de alguma forma, já foram analisados, tais como relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas etc, que podem ser incluídos no rol da pesquisa, em face da sua importância documental.

Pesquisa Experimental: quando se determina um objeto de estudo, selecionam-se as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definem-se as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto. De modo geral, o experimento representa um excelente exemplo de pesquisa científica em determinados campos do conhecimento. Contudo, em boa parte dos casos, a pesquisa experimental torna-se inviável, quando se trata de objetos sociais, por exigir previsão de relações e controle das variáveis a serem estudadas. Quando os objetos em estudo são entidades físicas, tais como porções de líquidos, bactérias ou ratos, não se identificam grandes limitações quanto à possibilidade de experimentação. Quando, porém, se trata de experimentar com objetos sociais, ou seja, com pessoas, grupos ou instituições, as limitações tornam-se bastante

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evidentes. Considerações éticas e humanas impedem que a experimentação se faça eficientemente nas ciências sociais, razão pela qual os procedimentos experimentais se mostram adequados apenas a um reduzido número de situações.

Levantamento: quando a pesquisa envolve a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Basicamente, procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados. Na maioria dos levantamentos, não são pesquisados todos os integrantes da população estudada. Antes da pesquisa de campo seleciona-se, mediante procedimentos, uma amostra significativa de todo o universo tomado como objeto de investigação. As conclusões obtidas a partir dessa amostra são projetadas para a totalidade do universo, levando-se em consideração a margem de erro, que é obtida por meio de cálculos matemáticos. Os levantamentos gozam de grande popularidade entre os pesquisadores sociais, pois proporcionam: conhecimento direto da realidade, economia e rapidez na obtenção de grande quantidade de dados num curto espaço de tempo, permite que os dados sejam agrupados em tabelas, possibilitando a sua visualização e análise por quantificação.

Estudo de caso: quando envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento. É recomendável nas fases iniciais de uma investigação sobre temas complexos, auxiliando a construção de hipóteses ou reformulação do problema. Também se aplica, com pertinência, nas situações em que o objeto de estudo já é suficientemente conhecido, a ponto de ser enquadrado como um tipo ideal, possibilitando avançar na pesquisa.

Pesquisa Expost-Facto: quando o “experimento” se realiza depois dos fatos ocorridos. A pesquisa ex-post-facto é a que se realiza depois que fatos ou situações se

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desenvolveram espontaneamente. Não se trata rigorosamente de um experimento, posto que o pesquisador não tem controle das variáveis. Todavia, os procedimentos lógicos de delineamento desta pesquisa são semelhantes aos dos experimentos propriamente ditos. Nesse tipo de pesquisa são tomadas como experimentais as situações que se desenvolveram naturalmente e trabalha-se sobre elas como se estivessem submetidas a controle. Pesquisa-Ação: quando concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo. Os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. Pesquisa Participante: quando se desenvolve a partir da interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas. A pesquisa participante, segundo Thiollent (1985), assim como a pesquisa-ação, caracteriza-se pela interação entre pesquisadores e membros das situações investigativas. Há autores que empregam as duas expressões como sinônimas. Todavia, a pesquisa-ação geralmente supõe uma forma de ação planejada, de caráter social, educacional, técnico ou outro. A pesquisa participante, por sua vez, envolve a distinção entre ciência popular e ciência dominante.

3.2.3 O Planejamento da Pesquisa

Pesquisa é a construção de conhecimento original de acordo com certas exigências científicas. Para que seu estudo seja considerado científico você deve obedecer aos critérios de coerência, consistência, originalidade e objetivação. É desejável que uma pesquisa científica preencha os seguintes requisitos:

“a) a existência de uma pergunta que se deseja responder; b) a elaboração de um conjunto de passos que permitam chegar à resposta; c) a indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida” (GOLDEMBERG, 1999, p.106). O planejamento de uma pesquisa dependerá basicamente de três fases:

fase decisória: referente à escolha do tema, à definição e à delimitação do problema de pesquisa;

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fase construtiva: referente à construção de um plano de pesquisa e à execução da pesquisa propriamente dita; fase redacional: referente à análise dos dados e informações obtidas na fase construtiva. É a organização das idéias de forma sistematizada visando à elaboração do relatório final. A apresentação do relatório de pesquisa deverá obedecer às formalidades requeridas pela Academia. Pesquisa científica seria, portanto, a realização concreta de uma investigação planejada e desenvolvida de acordo com as normas consagradas pela metodologia científica. Metodologia da Pesquisa científica entendida como um conjunto de etapas ordenadamente dispostas que você deve vencer na investigação de um fenômeno. Inclui a escolha do tema, o planejamento da investigação, o desenvolvimento metodológico, a coleta e a tabulação de dados, a análise dos resultados, a elaboração das conclusões e a divulgação de resultados. Os tipos de pesquisa apresentados nas diversas classificações não são estanques. Uma mesma pesquisa pode estar, ao mesmo tempo, enquadrada em várias classificações, desde que obedeça aos requisitos inerentes a cada tipo. Realizar uma pesquisa com rigor científico pressupõe que você escolha um tema e defina um problema para ser investigado, elabore um plano de trabalho e, após a execução operacional desse plano, escreva um relatório final e este seja apresentado de forma planejada, ordenada, lógica e conclusiva.

3.2.4 Métodos Científicos

Para sobreviver e facilitar sua existência, o ser humano confrontou-se permanentemente com a necessidade de dispor do saber, inclusive de construí-lo por si só. Isso implica afirmar que muito cedo, o ser humano sentiu a fragilidade do saber fundamentado na intuição, no senso comum ou na tradição, desenvolvendo, rapidamente, o desejo de saber mais e de dispor de conhecimentos metodicamente elaborados e, portanto mais confiáveis.

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Mas a trajetória foi longa entre os primeiros desejos e a concepção do saber racional que acabou se estabelecendo, no Ocidente, há apenas um século, com uma forma dita científica, ou seja, obtida a partir do procedimento metodológico. Nesse sentido, define-se o método científico como a ordem imposta durante o estudo de um fenômeno, com o intuito de atingir o resultado desejado, garantindo ao pesquisador empregar a investigação e demonstração da verdade, já que o mesmo

não se contenta com as primeiras impressões, indo em busca do que é

O saber adquirido pelo método científico proporciona

ao pesquisador segurança e eficiência na ação, possibilitando distinguir nos fenômenos a aparência e a essência, a sua razão de ser, aquilo que os

caracterizam e os definem (SEABRA, 2001, p.16, grifo nosso).

essencial nas coisas [

].

Desta forma, destaca-se que o método científico representa o caminho que permitirá ao pesquisador atingir sua meta de forma rápida, precisa e, sobretudo, com segurança. Mas, para isso, faz-se necessário determinar, claramente, o que se pretende com o referido estudo, uma vez que para cada situação apresenta-se um procedimento metodológico específico, a partir da indicação do método científico adequado.

3.2.5 Tipos de Métodos Científicos

Os métodos científicos encontram-se divididos em dois grupos: métodos de abordagem e métodos de procedimentos. O que difere tais grupos liga-se ao fato de que o primeiro se volta para a experiência , enquanto que o segundo para a experimentação. Entretanto, o estudo que utiliza método científico será considerado válido, à medida que apontar a natureza do objeto que se aplica, bem como determinar o objetivo que se tem em vista. Portanto, o método é concebido como o plano de ação formado por um conjunto de etapas ordenadamente dispostas, destinadas a realizar e antecipar uma atividade na busca da realidade, podendo esta ser atingida sob diversas formas, já que a ciência apresenta os seguintes métodos:

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A investigação científica depende de um “conjunto de procedimentos

intelectuais e técnicos” (Gil, 1999, p.26) para que seus objetivos sejam atingidos: os

métodos científicos. Método científico é o conjunto de processos ou operações mentais que se devem empregar na investigação. É a linha de raciocínio adotada no processo de pesquisa. Os métodos que fornecem as bases lógicas à investigação são: dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). De forma breve veja a seguir em que bases lógicas estão pautados tais métodos de abordagem e de procedimentos.

Os Métodos de Abordagem

Os métodos de abordagem esclarecem acerca dos procedimentos lógicos que

deverão ser seguidos no processo de investigação científica dos fatos da natureza e da sociedade; são métodos desenvolvidos a partir de elevado grau de abstração, que possibilitam ao pesquisador decidir acerca do alcance de sua investigação, das regras de explicação dos fatos e da validade de suas generalizações. Podem ser incluídos neste grupo os métodos: dedutivo, indutivo, hipotético- dedutivo, dialético e fenomenológico. Cada um deles vincula-se a uma das correntes filosóficas que se propõem a explicar como se processa o conhecimento da realidade. O método dedutivo relaciona-se ao racionalismo, o indutivo ao empirismo, o hipotético- dedutivo ao neopositivismo, o dialético ao materialismo dialético e o fenomenológico à fenomenologia.

Método Dedutivo

Método proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz que pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas. Por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente, de análise do geral para o particular, chega a uma conclusão. Usa o silogismo, construção lógica para, a partir de duas premissas, retirar uma terceira logicamente decorrente das duas primeiras, denominada

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de conclusão (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). Veja um clássico exemplo de raciocínio dedutivo:

Exemplo:

Todo homem é

(premissa

maior)

Pedro é

(premissa

menor)

Logo, Pedro é

(conclusão)

A dedução pressupõe o aparecimento, em primeiro lugar, do problema e da

conjectura, que serão testados pela observação e/ou experimentação.

Método Indutivo Método proposto pelos empiristas Bacon, Hobbes, Locke e Hume. Considera que o conhecimento é fundamentado na experiência, não levando em conta princípios preestabelecidos. No raciocínio indutivo a generalização deriva de observações de casos da realidade concreta. As constatações particulares levam à elaboração de generalizações (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). Veja um clássico exemplo de raciocínio indutivo:

Exemplo:

Antônio é mortal. João é mortal. Paulo é mortal. Carlos é mortal.

Ora, Antônio, João, Paulo

e Carlos são homens. Logo, (todos) os homens são

mortais.

Segundo Wricht (apud HEGENBERG, 1976, p. 174), a indução pode ser caracterizada da seguinte forma: o fato de que algo é verdade, relativamente a certo número de elementos de uma dada classe, permite concluir que o mesmo será verdade, relativamente a elementos desconhecidos da mesma classe. Se, em especial,

a conclusão se aplica a um número ilimitado de elementos não examinados, diz-se que

a indução leva a uma generalização.

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O método indutivo propõe que, em primeiro lugar, está a observação dos fatos particulares e depois a hipótese a confirmar. Há, portanto, uma inversão de procedimentos em relação ao método dedutivo.

Método Hipotético-Dedutivo Proposto por Popper, consiste na adoção da seguinte linha de raciocínio:

“quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o problema. Para tentar explicar a dificuldades expressas no problema, são formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se conseqüências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tornar falsas as conseqüências deduzidas das hipóteses. Enquanto no método dedutivo se procura a todo custo confirmar a hipótese, no método hipótetico-dedutivo, ao contrário, procuram-se evidências empíricas para derrubá-la” (GIL, 1999, p.30). Método Dialético Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel, na qual as contradições se transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. É um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade. Considera que os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social, político, econômico, etc. Empregado em pesquisa qualitativa (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). O método dialético penetra o mundo dos fenômenos através de sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade. O conceito de dialética equivale a uma argumentação que faz a distinção dos conceitos envolvidos na discussão.

Método Fenomenológico Preconizado por Husserl, o método fenomenológico não é dedutivo nem indutivo. Preocupa-se com a descrição direta da experiência tal como ela é. A realidade é construída socialmente e entendida como o compreendido, o interpretado, o comunicado. Então, a realidade não é única: existem tantas quantas forem as suas interpretações e comunicações. O sujeito/ ator é reconhecidamente importante no

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processo de construção do conhecimento empregado em pesquisa qualitativa.(GIL, 1999; TRIVIÑOS, 1992). Estes métodos são conhecidos também como racionais por que são métodos que fazem parte da estrutura do raciocínio, ou seja, relativos à faculdade espiritual do homem, cujas respostas se dão através da dedução (síntese) ou indução (análise), a partir do uso de premissas e argumentos. Por esta razão, as pesquisas desenvolvidas através dos métodos racionais não passam pela experimentação, e sim apenas pela vivência, experiência cotidiana. Segundo Fachin (2001, p.31) “o método indutivo é uma fase meramente científica, pela qual obtém universais empíricos, enquanto a dedutiva é a fase de realização da atividade”. Na era do caos, do indeterminismo e da incerteza, os métodos científicos andam com seu prestígio abalado. Apesar da sua reconhecida importância, hoje, mais do que nunca, se percebe que a ciência não é fruto de um roteiro de criação totalmente previsível. Portanto, não há apenas uma maneira de raciocínio capaz de dar conta do complexo mundo das investigações científicas. O ideal seria você empregar métodos, e não um método em particular, que ampliem as possibilidades de análise e obtenção de respostas para o problema proposto na pesquisa. Para maior aprofundamento desta matéria consulte a bibliografia indicada nas fontes ao final desta publicação (FEYERABEND, 1989; POPPER, 1993).

Métodos De Procedimento

Segundo Lakatos (2000), os métodos de procedimentos seriam etapas mais concretas da investigação, com a finalidade mais restrita em termos de explicação geral dos fenômenos menos abstratos. Pressupõem uma atitude mais concreta em relação ao fenômeno e estão limitados a um domínio particular. Gil (1999) expõe que os métodos que esclarecem acerca dos procedimentos técnicos a serem utilizados proporcionariam, ao investigador, os meios adequados para garantir a objetividade e a precisão no estudo de ciências sociais.

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Este manual reforça a conceituação adotada por Gil (1999), referindo-se à conceituação de método, enquanto conjunto de procedimentos suficientemente gerais, para possibilitar o desenvolvimento de uma investigação científica.

Método Observacional

Considerado o primeiro passo de toda pesquisa científica, este tipo de método serve de base para qualquer área das ciências, já que constata a existência do

fenômeno que será estudado, a partir da observação. Mediante tal fato, destaca-se que

o método observacional é fundamentado em procedimentos de natureza sensorial, no

sentido de captar com precisão os aspectos essenciais e acidentais de um fenômeno. Para a pesquisa ser estruturada através do método observacional, o

pesquisador deverá se preocupar com os seguintes itens: apresentar objetivos definidos; planejar a pesquisa; registrar sistematicamente os dados coletados e; manter

o controle e permitir a comprovação dos resultados, a fim de proporcionar a viabilidade

e confiabilidade da pesquisa. Por esta razão, o pesquisador deverá ter sempre em mente o que deseja observar, bem como definir os conceitos dos fenômenos observados, sendo que tal observação poderá ser realizada sob a forma direta ou indireta.

Método Comparativo

Este método é de grande valia para a construção do conhecimento, pois permitir a comparação de coisas ou fatos, segundo suas semelhanças e diferenças, permitindo a análise de dados concretos. Em virtude de representar um estudo comparativo, necessita que outro método colete as informações necessárias para, a partir de então, estabelecer as divergências e convergências entre as variáveis estudadas, podendo estas representar culturas entre sociedades, culturas organizacionais entre organizações e outros. O que não se pode deixar de destacar liga-se ao fato de que o método comparativo representa um estudo que propicia investigações, sob a forma indireta, já que não coleta as informações, e sim depende de outros métodos para obtê-las.

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Método Histórico

Método que visa estudar o presente, a partir do passado, ou seja, possui a finalidade de compreender a passagem da descrição para a explicação de uma situação do passando, conforme os paradigmas e cultura da época. Isso implica afirmar que este método, ao se voltar para o passado, tenta descobrir as causas e os efeitos dos fenômenos estudados, contribuindo para a atuação humana diante de um fato específico. Para isso, o método histórico examina os fatos, com base na temporalidade, eras, épocas, períodos, fases históricas, pois somente desta forma compreenderá o porquê os fatos ocorreram da forma apresentada, de forma ampla.

Método Experimental

De acordo com Fachin (2001, p.40), este método é aquele que manipula as variáveis, “de maneira preestabelecida e seus efeitos suficientemente controlados e conhecidos pelo pesquisador para observação do estudo”. Diante do exposto, destaca- se que este método desempenha duas funções básicas: descobrir conexões causais e atingir a demonstrabilidade, com o intuito de apresentar a realidade do jeito que é e não do jeito que o pesquisador gostaria que fosse. Na maioria das vezes o método experimental tem sido utilizado como base para o progresso da ciência, no sentido de promover novas descobertas, já que coleta os dados, de forma a conduzir respostas claras e diferenciadas em função de uma hipótese que envolve relações de causa e efeito.

Método Estudo de Caso

Método que representa um estudo intensivo, já que visa descrever e compreender de forma completa as relações entre a causa e os efeitos dos fatos estudados, sem, contudo, manipular as variáveis. Este tipo de método é utilizado em várias áreas da ciência, uma vez que sua principal função é a explicação sistemática

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dos fatos que ocorrem no contexto social e geralmente se relacionam com uma multiplicidade de variáveis, através da formulação de hipótese e com o uso de instrumento de coleta de dados e apoio da estatística.

Método Funcionalista

Baseado mais na interpretação dos fatos do que na coleta de dados propriamente dita, este método estuda a relação entre a causa e efeito, a partir da compreensão da função social que cada grupo exerce na sociedade. O método funcionalista relaciona dois aspectos: a sociedade como uma estrutura complexa, constituída por grupos sociais que agem e interagem entre si e; como um sistema integrado de instituições.

Isso implica afirmar que o pesquisador que faz uso desse tipo de método, volta- se para a compreensão do papel social que cada parte desenvolve na sociedade, com o intuito de obter uma visão geral do sistema, e não mais de forma fragmentada.

Método Estatístico

Assim como o método observacional é considerado o primeiro passo da pesquisa científica, o método estatístico é denominado o último passo. É estruturado na teoria da amostragem, tornando-se indispensável no estudo de certos aspectos da realidade social que pretende medir o grau de correlação entre dois ou mais fenômenos. Para isso, delimita um número menor de dados representativos, a fim de avaliar a propriedade ou propriedades reais da população estudada, necessitando, portanto, definir com clareza os objetivos propostos no estudo. Conclui-se que conforme o método escolhido pelo pesquisador, utiliza-se um ou outro procedimento de coleta de dados. O procedimento de coleta de dados requer do pesquisador uma definição do delineamento da pesquisa, ou seja, como irá proceder para obter as informações necessárias à resolução do problema investigado. O delineamento da pesquisa exige do pesquisador uma definição prévia do ambiente e

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das circunstâncias em que serão coletados os dados, e as formas de controle das variáveis envolvidas no problema.

3.2.6 Técnicas de Pesquisa

Existem dois tipos de Observação: A Observação Direta Intensiva, que é realizada através de duas técnicas: Observação e Entrevista, e a Observação Direta Extensiva, que é realizada através de Questionário, formulário, de medidas de opinião e de técnicas mercadológicas.

Observação

Elemento básico em qualquer processo de pesquisa científica, a observação pode ser empregada isoladamente ou conjugada a outras técnicas. A observação é o ato de apreender coisas e acontecimentos, comportamentos e atributos pessoais e inter-relações concretas. É mais do que ver e ouvir: é seguir atentamente o fenômeno, selecionando o que o torna mais importante e significativo, a partir de intenções específicas. Na observação procura-se avaliar o que ocorre e como ocorre de maneira sistemática e objetiva. Por causa da sua flexibilidade, a observação apresenta características variadas, determinadas pelo objeto de estudo e pelo objetivo da pesquisa. Entretanto, para que a informação obtida através da observação seja válida, é necessário que sua busca seja organizada com rigor e critério, e orientada por uma preocupação definida de pesquisa.

Planejar a observação significa estabelecer:

a) Onde: em que local e situação a observação será realizada;

b) Quando: em que momento será realizada;

c) Quem: quais serão os sujeitos a serem observados;

d) O quê: que comportamentos e circunstâncias ambientais devem ser

observados;

e) Como: quais a técnicas de observação e registro a serem utilizados.

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Podemos classificar a observação por modalidades e tipos, como mostra o quadro abaixo.

MODALIDADES

TIPOS

CARACTERÍSTICAS

Segundo

os

meios

Estruturada

É realizada em condições controladas, utilizando instrumentos estruturados. Exige do observador um conhecimento prévio a respeito do fenômeno para que possa estabelecer categorias em função das quais deseja analisar a situação.

utilizados

Não-estruturada

Chamada também de observação simples ou espontânea, normalmente é utilizada em estudos exploratórios. O observador é um espectador a quem cabe fazer os registros da observação de maneira mais livre, sem a rigidez de um instrumento previamente elaborado.

Segundo a participação do observador

Participante

É aquela na qual o observador tem uma participação real no grupo observado, participando de suas atividades. É utilizada para estudos de grupos e comunidades.

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Não-participante

O pesquisador toma contato com o grupo, comunidade ou realidade investigada sem integrar-se a ela, como espectador, registrando as ocorrências que lhe interessam. É utilizada em estudos exploratórios.

Segundo o número de observadores

Individual

É

a

realizada

por

um

único

observador.

 
 

Grupo

É a realizada por uma equipe na qual todos os elementos observam um único ou vários aspectos de um mesmo fenômeno.

Segundo

a

freqüência

Sistemática

É

aquela

realizada

com

uma

das observações

regularidade definida.

 

Ocasional

As

observações

são

feitas

de

maneira

esporádica,

sem

regularidade.

 

Quadro 1- classificação da observação por modalidades e tipos

A objetividade na observação significa ater-se aos fatos efetivamente observados. Isto é, fatos que podem ser percebidos pelos sentidos, deixando de lado todas as impressões e interpretações pessoais.

Questionário Uma das mais usuais técnicas para obtenção de dados, o questionário é composto por um conjunto ordenado de perguntas, apresentadas e respondidas por escrito.O questionário geralmente é utilizado para obter informações sobre opiniões, crenças, sentimentos interesses, expectativas, situações vivenciadas ou ainda para descrever as características e medir determinadas variáveis.

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Podemos também utilizar questionários para medir diversos fenômenos atitudinais, tais como religiosidade, autoritarismo, alienação, etc. Os questionários são classificados em função do tipo de pergunta formulada, que pode ser aberta ou fechada.

Questionário de Perguntas Abertas

Perguntas abertas admitem respostas diferentes dos pesquisados, isto é, cada pesquisado pode responder livremente às perguntas. Esse tipo de questionário normalmente é utilizado para obter opiniões, sentimentos, crenças e atitudes por parte do pesquisado. Exemplos:

Qual a sua opinião sobre as invasões de terras feitas pelo MST? Quais dificuldades você teve no curso de Metodologia da Pesquisa Científica

on-line?

As perguntas abertas também podem investigar comportamento (presente ou passado). Exemplo:

Em quem você votou para prefeito de Manaus na última eleição?

Questionário de Perguntas Fechadas Nas perguntas fechadas, o pesquisador define as alternativas que podem ser apontadas pelo pesquisado, que deve assinalar aquela(s) que mais se ajusta(m) às suas características, idéias ou sentimentos. As perguntas fechadas podem ser:

Dicotômicas: aquelas cujas respostas se opõem.

De múltipla escolha: são apresentadas várias alternativas e o pesquisado

pode assinalar apenas uma (resposta simples) ou mais de uma delas (respostas múltiplas).

Em escala: quando as alternativas são apresentadas em escala.

Em escala de Likert: as alternativas têm uma escala definida.

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Para elaborar o questionário, é indispensável ter clareza do problema a ser investigado. Sua construção vai depender da forma como será aplicado, do tema em estudo, da amostra a ser atingida, do tipo de análise e interpretação pretendida. Na elaboração do questionário, é possível combinar perguntas abertas e fechadas. Podem-se estabelecer categorias para o tema, e para cada uma delas formular as perguntas, limitando sua extensão e objetivos.

Entrevista:

É um encontro entre duas pessoas, com a finalidade de que uma delas obtenha informações sobre um determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. Ela é utilizada na investigação social, para a coleta de dados ou para ajudar na detectação de um diagnóstico ou no tratamento de um problema social. Segundo Goode e Hatt (1969:237), a entrevista “ consiste no desenvolvimento de precisão, focalização, fidedignidade e validade de certo ato social como a conversação”, pois trata-se de uma conversação face a face, de maneira metódica; proporcionando ao entrevistado, verbalmente, as informações necessárias.

Objetivos A entrevista tem como objetivo principal a obtenção de informações do entrevistado, sobre determinado assunto ou problema. Os objetivos podem ser apresentados em seis tipos:

a) Averiguação de “fatos” - consiste em descobrir se as pessoas então de posse de informações capazes de compreendê-las.

b) Determinação das opiniões sobre os “fatos” - consiste em conhecer o que as pessoas pensam ou acreditam que os fatos sejam.

c) Determinação de sentimentos - consiste em compreender a conduta de alguém através de seus sentimentos e anseios.

d) Descoberta de planos de ação - consiste em descobrir, através de definições individuais dadas, qual a conduta adequada em determinadas situações, a fim de prever qual seria a sua.A ação apresenta em geral

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dois componentes: os padrões éticos do que deveria ter sido feito e considerações práticas do que é possível fazer.

e) Conduta atual ou do passado - consiste em deduzir que conduta a pessoa terá no futuro, conhecendo a maneira pela qual ela se comportou no passado ou se comporta no presente, em determinadas situações.

f) Motivos conscientes para opiniões, sentimentos, sistemas ou condutas - consiste em descobrir quais fatores podem influenciar as opiniões, sentimentos e conduta e por quê.

Tipos de Entrevistas Existem diferentes tipos de entrevistas, que podem variar de acordo com o propósito do entrevistador:

a) Padronizada ou Estruturada - é aquela em que o entrevistador segue um

roteiro previamente estabelecido: as perguntas feitas ao indivíduo são pré- determinadas.

b) Despadronizada ou não-estruturada - o entrevistador tem liberdade para

desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão. Geralmente as perguntas são abertas e podem ser respondidas dentro de uma conversação informal.

Esse tipo de entrevista apresenta três momentos:

Entrevista focalizada = há um roteiro tópico relativos aos problema que se

vai estudar e o entrevistador tem liberdade de fazer as perguntas que quiser: sonda razões e motivos, dá esclarecimentos, não obedecendo, a rigor, a uma estrutura formal.

Entrevista clínica = trata-se de estudar os motivos, os sentimentos, a

conduta das pessoas. Para esse tipo de entrevista pode ser organizada uma série de perguntas específicas.

Não-dirigida = há liberdade total por parte do entrevistado, que poderá

expressar suas opiniões e sentimentos. A função do entrevistador é de incentivo,

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levando o informante a falar sobre um determinado assunto, sem entretanto, forçá-lo a responder.

c) Painel - consiste na repetição de perguntas, de tempo em tempo, às

mesmas pessoas, a fim de estudar a evolução das opiniões em períodos curtos. As perguntas são formuladas de maneira diferente, para que o entrevistado não distorça as respostas com essas repetições.

Vantagens e Limitações Como técnica de coleta de dados, a entrevista oferece várias vantagens e limitações:

As vantagens podemos citar:

a) Pode ser utilizada com todos os segmentos da população, tanto com o

alfabetizados como os analfabetos.

b) Fornece uma amostragem muito melhor da população geral: sendo que o

entrevistado não precisa saber ler ou escrever.

c) Há maior flexibilidade, podendo o entrevistador repetir ou esclarecer

perguntas, formuladas de maneira diferente, especificando algum significado

d) Oferece maior oportunidade para avaliar atitudes e condutas, podendo ser

o entrevistado ser observado em suas reações e gestos, etc.

e) Dá oportunidade par obtenção de dados que não se encontram em fontes

documentais.

f) Há possibilidade de conseguir informações mais precisas.

g) Permite que os dados sejam quantificados e submetidos a tratamento

estatístico.

Nas limitações podemos citar:

a) Dificuldade de expressão e comunicação de ambas as partes.

b) Incompreensão, por parte de informante, do significado das perguntas, da

pesquisa, que pode levar a uma falsa interpretação.

c) Possibilidade de o entrevistado ser influenciado, pelo questionador.

58

e) Retenção de alguns dados importantes, receando que sua identidade seja

revelada.

f) Pequeno grau de controle sobre uma situação de coleta de dados.

g) Ocupa muito tempo e é difícil de ser realizada.

Preparação da Entrevista A preparação é uma etapa importante da pesquisa: requer tempo e exige algumas medidas:

a) Planejamento da entrevista, que deve ter em vista o objetivo a ser

alcançado.

b) Conhecimento prévio do entrevistado, que objetiva conhecer o grau de

familiaridade dele com o assunto.

c) Oportunidade da entrevista, consiste em marcar com antecedência a hora e o

local, com a finalidade de assegurar-se de que será recebido.

d) Condições favoráveis, que garante ao entrevistado o segredo de suas

confidências e de sua identidade.

e) Contato com líderes, onde espera-se obter maior entrosamento com o

entrevistado e maior variabilidade de informações.

f) Conhecimento prévio do campo, onde evita desencontros e perda de tempo.

g) Preparação específica: organização do roteiro ou formulário com as questões

importantes.

Diretrizes da Entrevista A entrevista, que visa obter respostas válidas e informações pertinentes, é uma verdadeira arte, que se aprimora com o tempo, com treino e com experiência. Exige habilidade e sensibilidade; não é tarefa fácil, mas é básica. Quando o entrevistador consegue estabelecer certa relação de confiança com o entrevistado, pode obter informações que de outra maneira talvez não fossem possíveis. Para maior êxito da entrevista , devem-se observar alguma normas:

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a) Contato Inicial > Deve-se entrar em contato com o informante e

estabelecer, uma conversação amistosa, explicando a finalidade da pesquisa, seu

objeto, relevância e ressaltar a necessidade de sua colaboração.

b) Formulação de Perguntas > as perguntas devem ser feitas de acordo com

o tipo da entrevista.

c) Registro de Respostas > As respostas devem se possível ser anotadas

no momento da entrevista.

d) Término da Entrevista > A entrevista deve terminar como começou, isto é

em ambiente de cordialidade, para o pesquisador.

e) Requisitos Importantes > As respostas de uma entrevista devem atender

aos seguintes requisitos:

Validade: comparação com a fonte externa, com a de outro entrevistador,

observando as dúvidas, incertezas e hesitações demonstradas pelo entrevistado.

Relevância: importância em relação aos objetivos da pesquisa.

Especificidade e Clareza: referência a dados, data, nomes, lugares, quantidade, percentagens, prazos etc.

Profundidade: está relacionados com os sentimentos, pensamentos e lembranças do entrevistado, sua intensidade e intimidade.

Extensão: amplitude da resposta.

4 Estrutura do trabalho

A apresentação de um trabalho acadêmico tem uma estruturação própria dada as características do conteúdo a ser abordado, a natureza do trabalho e os objetivos a serem atingidos. Assim, tomando por base as determinações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), através da norma NBR1299, os estudos devem ser estruturados a partir de elementos identificados como obrigatórios e opcionais, conforme disposto no anexo H. Um trabalho desta natureza, se divide em elementos pré-textuais, textuais

e pós-textuais.

60

4.1 ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS

Os elementos pré-textuais compõem a apresentação do trabalho, indicando elementos que permitam a sua identificação, bem como possibilitar que o leitor tenha conhecimento sobre aspectos pessoais do autor e que constituem a obra a ser lida. Como parte integrante do trabalho, sua paginação deve ser contada a partir da folha de rosto, sem ser numerada. Abrange itens obrigatórios que são: capa, folha de rosto, folha de aprovação, resumo na língua vernácula, resumo em língua estrangeira e sumário e itens que são opcionais que são: lombada, errata dedicatória(s), agradecimento(s), epígrafe, lista de ilustrações, lista de tabelas, lista de abreviaturas e siglas e lista de símbolos.

Capa

Trata-se de um dos elementos obrigatórios do documento, cuja função é a proteção externa que reveste o trabalho, onde deve vir impressa informação indispensável para a identificação da obra, conforme exposto no exemplo abaixo. São itens obrigatórios: nome da instituição, nome da unidade, nome do programa, título do trabalho, subtítulo, se houver, nome do autor, local (cidade) e ano do depósito.

Lombada

Elemento opcional onde constam as informações sobre:nome do autor, impresso longitudinalmente, do alto para o pé da lombada;título do trabalho, impresso da mesma forma que o nome do autor;elementos alfanuméricos de identificação como, por exemplo, v.2 ou 2003.

Folha de rosto

Elemento obrigatório onde deve constar os elementos essenciais à identificação do trabalho, como:

nome do autor;

título do trabalho;

subtítulo (se houver);

61

natureza (tese, dissertação, trabalho de conclusão de curso), objetivo,

aprovação em curso ou disciplina, grau pretendido), nome da instituição a qual é

submetido o trabalho;

nome do programa com área de concentração;

nome do orientador e do co-orientador, se houver;

local (cidade);

ano do depósito (entrega do trabalho).

Ficha catalográfica

Elemento obrigatório, a ficha catalográfica deve ser elaborada conforme o Código de Catalogação Anglo Americano vigente e a Classificação Decimal Universal – CDD, sendo necessário o auxílio de um bibliotecário. Para as teses e dissertações da UFAM, as fichas catalográficas serão

produzidas pela Biblioteca Central.

Errata

Elemento opcional, apresentado em caso de identificação de erro de digitação,

concordância ou outros, após a encadernação e entrega do trabalho. Trata-se de um

elemento solto, inserido após a folha de rosto e apontando a forma correta, conforme

expõe o exemplo abaixo.

Página

Linha

Onde se lê

Leia-se

10

3

poprio

próprio

48

12

copreension

comprehension

53

15

1098

1998

Quadro 2 – Modelo de errata

Folha de aprovação

Parte obrigatória, inserida após a folha de rosto, contendo os seguintes

elementos:

nome do autor;

título e subtítulo (se houver);

texto curso recuado a direita descrevendo a natureza, objetivo, nome da

instituição, do programa e área de concentração;

data do depósito ( entrega do trabalho)

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nome aprovação.

dos

membros

Dedicatória(s)

da

banca

examinadora,

antecedida

da

data

de

Elemento opcional, colocado após a folha de aprovação, onde consta a manifestação do autor quanto dedica sua obra, homenageia alguém. Deve ficar na parte inferior direita da folha.

Agradecimento(s)

Elemento opcional, colocado após a dedicatória, onde o autor faz agradecimentos a pessoas e/ou instituições das quais recebeu apoio e contribuíram para o desenvolvimento do trabalho, devendo ser limitado ao estritamente necessário.

Epígrafe

Elemento opcional, colocado após a folha de agradecimento, podendo figurar também no início das partes principais do trabalho, onde o autor transcreve uma frase, pensamento, ditado ou parte de um texto que deseja destacar de um trabalho, por considerar significativo e inspirador. Apesar de escrita por outra pessoa, não deve vir entre aspas e a autoria da mensagem deve ser apresentada do lado direito, abaixo do texto.

Resumo na língua vernácula

Elemento obrigatório, que apresenta de forma concisa, o conteúdo do trabalho para que o leitor possa obter informações. De fato, o resumo é uma apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto e é normalizado pela NBR 6028. Sua função é abreviar o tempo do leitor, difundindo informações de tal modo que possa influenciar e estimular a consulta ao texto completo. Os resumos podem ser:

indicativo, quando elenca apenas os pontos principais do texto, não apresentando dados qualitativos, quantitativos etc, sendo perfeitamente indicado para prospectos, catálogos, entre outros; informativo, que apresenta elementos suficiente ao leitor, para que este possa decidir sobre a conveniência da leitura do texto interior. Expõe finalidades, metodologia, resultados e conclusões;

63

indicativo/informativo, que representa a soma dos dois tipos relacionados anteriormente; crítico, redigido por especialistas com análise interpretativa de um texto. Com relação ao resumo informativo, este deve, necessariamente, observar os seguintes princípios:

apresentar com clareza o assunto do trabalho e o seu objetivo; permitir a articulação das idéias expostas no texto; apresentar as conclusões do autor da obra resumida ser redigido em linguagem objetiva; não apresentar juízo crítico; ser inteligível por si mesmo, isto é, dispensar a consulta ao original; evitar a repetição de frases inteiras do original; respeitar a ordem em que as idéias ou fatos são apresentados. Sua constituição deve salientar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do trabalho, sendo desejável a apresentação de métodos e técnicas de abordagem, mas sempre de forma concisa como também será objeto do resumo a descrição das conclusões, ou seja, as conseqüências dos resultados, ressaltando fatos novos, descobertas significativas, contradições, relações e efeitos novos verificados. Quanto ao estilo, o resumo deve apresentar uma seqüência corrente de frases concisas e não de uma enumeração de tópicos, sendo que a primeira frase deve ser significativa, explicando o tema principal, seguido da informação sobre a categoria do documento, isto é, memória científica, estudo de caso, análise da situação, entre outros, adotando, preferencialmente, ao uso da terceira pessoa do singular ou do verbo na voz ativa. Em um resumo não há uso de parágrafos e deve ser evitado o emprego de símbolos, fórmulas, equações, diagramas, que não sejam absolutamente necessárias. No que diz respeito a extensão, há uma diferencial quanto à natureza do trabalho devendo:

para notas e comunicações breves, os resumos devem ter até 100 palavras; para monografias e artigos, até 250 palavras;

64

para relatórios, teses e dissertações, até 500 palavras.

Resumo em língua estrangeira

Elemento obrigatório com as mesmas características do resumo em língua vernácula. Para o resumo em língua inglesa, usar a denominação abstracts. É obrigatória a apresentação das palavras chave no idioma do resumo apresentado.

Lista de ilustrações

São consideradas ilustrações as figuras, quadros, gráficos, fotografias, mapas, conforme explicitado no item Elementos Complementares, deste Guia. Este elemento é obrigatório quando do uso de tais recursos ilustrativos no interior do texto. Sua ordenação deverá se dar na ordem de ocorrência, com a respectiva indicação de páginas e apresentação semelhante ao sumário. Recomenda-se a elaboração de lista própria para cada tipo de ilustração, desde

que ela apresente no mínimo 2 (dois) itens. Caso contrário, pode-se elaborar uma única lista chamada Lista de Ilustrações, identificando-se o tipo de ilustração antes do número. No texto, com exceção das tabelas e quadros, todas as demais ilustrações podem ser relacionadas como figura ou identificadas como gráficos, mapas ou plantas. As listas devem ser apresentadas de acordo com os seguintes critérios:

ser apresentadas em folha separada, antes do Sumário;

tipo de ilustração e indicativo numérico;

apresentar cada seção (descrição das listas) na seguinte seqüência:

título;

número da folha que contém a ilustração ligada ao título por uma linha

pontilhada.

Lista de tabelas

Elemento opcional, elaborado conforme ordem de apresentação no texto, seguido da denominação e respectivo número da página onde está localizada. No geral, suas regras de elaboração seguem as apresentadas acima para a Lista de Ilustração.

Lista de abreviaturas e siglas

É um elemento opcional que aponta a relação alfabética de abreviaturas e siglas empregadas no trabalho, em ordem alfabética, com o significado correspondente.

65

Em caso de siglas estrangeiras, adotar o significado correspondente à sigla no seu

original, evitando traduções não estabelecidas na língua portuguesa. Recomenda-se a

apresentação da Lista de abreviaturas e siglas, quando estas extrapolarem o limite de

dez.

Lista de símbolos

Elemento opcional que deve relacionar, na ordem que aparecem no texto, todos os símbolos, com seus respectivos significados.

Sumário

Enumeração das principais divisões, seções e outras partes de um documento,

apresentando a ordem em que a matéria tratada se sucede. É a relação dos capítulos e

seções do trabalho, na ordem em que aparecem no texto e com indicação da página

inicial correspondente. É normalizado pela NBR6027.

Sua apresentação deve:

figurar em folha distinta, com o título centralizado, em letras maiúsculas e sem

pontuação;

os capítulos e as seções do trabalho devem ser enumerados em algarismos arábicos;

o sistema de numeração progressiva para organizar as seções do trabalho

deve estar em conformidade com a norma da NBR-6024 e os padrões apresentados no

item Elementos Complementares, desse Guia;

se houver mais de um volume, o sumário completo deverá ser apresentado

em cada um deles.

4.2 ELEMENTOS TEXTUAIS

Os elementos textuais são constituídos pela parte do trabalho dissertativo onde

o autor desenvolve o conteúdo do que está sendo abordado, construindo sua

argumentação de modo a conduzir o leitor para o entendimento daquilo que está a

afirmar.

A redação científica apresenta algumas características que a diferenciam de

todos os outros tipos de redação. Possui uma formalidade facilmente perceptível,

referendada pela utilização do argumento da autoridade. Cada informação importante

deve ser validada e confirmada por uma autoridade no assunto, sendo essa é a razão

pela qual os textos científicos têm tantas citações. Deve ser redigido em linguagem

66

impessoal, clara e concisa, sendo recomendado o uso na terceira pessoa do singular e verbo na voz passiva. Pode ser dividido em capítulos ou seções e subseções, sendo que cada capítulo deve iniciar em folha própria.

Introdução

Trata-se da apresentação geral do trabalho, fornecendo uma visão global do assunto tratado (contextualização), com uma definição clara, concisa e objetiva do tema e a delimitação precisa das fronteiras de estudo em relação ao campo selecionado, isto é, do problema a ser estudado. Deve esclarecer aspectos do assunto a ser desenvolvido sem, entretanto, antecipar resultados. Na introdução também são descritos a justificativa/relevância do estudo e os objetivos do trabalho. Máttar Neto (2002, p. 169-170), ao discutir a função da introdução destaca que ela deve indicar por que, como e para que o texto foi escrito, sendo composta das seguintes partes:

tema e problema, com o proposto de delimitar o assunto que está em

discussão e indicar o ponto de vista que será enfocado;

inserção do tema ou problema no âmbito da literatura existente, incluindo

as deficiências identificadas, situando o tema no conjunto dos conhecimentos já desenvolvidos anteriormente por diferentes autores, destacando alguns trabalhos que foram essenciais para a pesquisa;

objetivos, geral e específico, apontando, o primeiro, o propósito maior do

trabalho; o resultado final a ser alcançado e o segundo, de caráter mais concreto e experimental, especificando as etapas cumpridas para alcançar a resposta as seguintes

indagações para que?” e “para quem?”. Devem ser redigidos com o verbo no infinitivo sendo sugerida a consulta aos verbos correspondentes aos níveis sucessivos do domínio cognitivo (Anexo J);

hipótese do trabalho visando apontar uma ou mais questões sobre o tema

em estudo que serão respondidas durante o desenvolvimento do trabalho e retomadas na conclusão;

percurso da pesquisa discorrendo seu impulso inicial, os principais acontecimentos que determinaram sua direção, suas etapas.

67

metodologia da pesquisa arrolando os caminhos adotados para o

desenvolvimento da pesquisa;

justificativa, que além de revelar as razões da escolha do assunto,

também deve explicar que contribuições o trabalho pode oferecer, tanto em termos

teóricos quanto práticos, demonstrando a importância do estudo da temática;

definição de termos importantes ou neologismos, que serão adotados no

decorrer do trabalho;

estrutura, anunciando as partes em que o trabalho se encontra dividido.

Desenvolvimento

Como o próprio nome diz, o desenvolvimento é a parte mais extensa e consistente do trabalho. Nele são expostas as principais idéias sobre o assunto, além dos aspectos metodológicos empregados, resultados e interpretação do estudo. Como nas demais partes que compõem o trabalho, o desenvolvimento deve ter objetividade, clareza e precisão e sua exposição pressupõe o atendimento de três fatores essenciais para o texto de caráter científico: explicação, discussão e demonstração. A decisão pela divisão dos capítulos deverá ser norteada pela construção racional do argumento científico de modo a tornar evidente o que está implícito, obscuro ou complexo, descrevendo, classificando e definindo a temática e comparando as várias posturas ideológicas que se contrapõem. Da mesma forma que na introdução, os elementos que fazem parte do desenvolvimento do trabalho também podem ser alterados em função da natureza do mesmo e da área de conhecimento sob investigação. Entretanto, as partes essenciais que integram esta etapa do trabalho são: a fundamentação teórica (revisão bibliográfica); a descrição metodológica; a apresentação, análise e interpretação dos resultados.

Fundamentação Teórica

A fundamentação teórica pode também ser denominada de revisão de literatura ou bibliográfica e atribui, essencialmente, credibilidade ao trabalho, faz referência às

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pesquisas e aos conhecimentos já construídos e publicados, situando a evolução do assunto e, assim, dando sustentação ao tema que está sendo estudado. É a análise do estado da arte do problema abordado. Faz-se mister destacar que não se trata de uma simples transcrição de pequenos textos ou citações, mas sim de uma sistematização de idéias, fundamentos, conceitos e proposições de vários autores, apresentados de forma lógica, encadeada e descritiva, demonstrando que foram estudados e analisados pelo autor. Nesse sentido, deve-se efetuar o levantamento bibliográfico junto a diferentes fontes documentais, como livros, obras de referência, periódicos científicos, teses, dissertações, monografias, artigos, dentre outros. Na revisão bibliográfica deve-se observar algumas recomendações como:

limite às contribuições mais relevantes diretamente ligadas ao assunto;

mencionar o nome de todos os autores, obrigatoriamente, no texto e nas referências;

apresentar e comentar resultados de pesquisas relacionadas ao assunto, salientando as contribuições ou relação das mesmas com o trabalho;

adotar tantas seções quanto forem necessárias à fundamentação do tema e do problema abordados.

Descrição Metodológica Esta etapa visa descrever os caminhos metodológicos utilizados para a condução do trabalho, deve ser apresentada na seqüência cronológica em que o mesmo é desenvolvido, ser redigida no passado e apresentar:

a especificação do problema: apresentação de hipóteses ou perguntas de

pesquisa - se for o caso; definição de termos importantes na pesquisa; definição

constitutiva e operacional de variáveis ou categorias;

a caracterização do estudo, tipo de pesquisa, abordagem ou método -

qualitativa/quantitativa; delineamento da pesquisa – classificação da pesquisa quanto aos procedimentos de coleta e análise dos dados;

a definição da população e da amostra, se for o caso;

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a descrição de técnicas e instrumentos adotados para coleta de dados

(entrevista, questionário, observação, etc.);

a descrição das técnicas de tratamento, análise e interpretação dos dados

(procedimentos estatísticos, análise documental, análise de conteúdo, etc). Quando o trabalho for desenvolvido em áreas de natureza técnica e tecnológica, a descrição metodológica também deve abranger, além dos elementos essenciais, a definição de materiais e equipamentos, como por exemplo, a descrição de softwares, hardwares empregados quando da realização da pesquisa. Faz-se necessário observar ainda que, a descrição de métodos, materiais, técnicas e equipamentos devem permitir a repetição do estudo por outros pesquisadores; os métodos desenvolvidos pelo autor do trabalho devem ser justificados e demonstradas as suas vantagens frente a outros métodos; e procedimentos metodológicos já conhecidos podem ser apenas mencionados, juntamente com o seu autor, sem a necessidade de serem descritos.

Apresentação, análise e interpretação dos resultados Esta etapa ocupa-se da apresentação dos dados obtidos na pesquisa, juntamente com a análise e interpretação dos resultados pelo autor do trabalho. Esse conteúdo deve ser desenvolvido de forma precisa e clara, tendo como foco a relação com o tema e problema analisado e os objetivos do estudo. Visando a sua eficaz compreensão, deve-se observar que:

a análise dos dados e a interpretação dos resultados podem ser

apresentadas em separado ou em conjunto, de acordo com os objetivos do trabalho;

a análise não deve conter interpretações pessoais, mas sempre considerar a relação com a fundamentação teórica, apontando a relação teoria-prática;

pode ser acompanhada de tabelas, gráficos, quadros ou figuras com

indicadores estatísticos que sustentem a interpretação dos resultados;

a discussão, análise e interpretação dos resultados devem ser elaboradas de forma objetiva pra facilitar as conclusões;

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as hipóteses previamente apresentadas devem ser exploradas com base nos

dados e resultados contidos no próprio trabalho, considerando-se: relação de causa e efeito, estabelecimento da dedução das generalizações e princípios básicos, indicação da aplicabilidade dos resultados obtidos e suas limitações e justificativa dos resultados obtidos a partir da teoria;

os objetivos pré-estabelecidos no estudo devem orientar a apresentação dos

resultados, no sentido de demonstrar o seu alcance. Conclusão Esta etapa trata das análises mais amplas observadas pelo pesquisador e que devem contribuir para novas pesquisas e para esclarecer as observações obtidas com o estudo.

As conclusões devem ser apresentadas de forma lógica, clara e concisa, fundamentando os resultados obtidos na discussão e apontar correspondência com os objetivos propostos pelo estudo. Com isso, deve reafirmar a hipótese, cuja demonstração constitui o corpo do trabalho, regressando, deste modo, a introdução, explicitando o que foi abordado.É a revisão sintética dos resultados e da discussão do estudo ou pesquisa realizados. Deve apresentar deduções lógicas correspondentes aos objetivos previamente estabelecidos, destacando-se o seu alcance e as conseqüências de suas contribuições. Pode também indicar problemas para novas investigações e sugestões para outros trabalhos, baseando-se em dados comprovados.

4.3 ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS

Os elementos pós-textuais objetivam elucidar e que dar suporte ao texto, auxiliando na sua compreensão. Como parte integrante do trabalho, sua paginação deve ser contínua à do texto principal. Os elementos pós-textuais abrangem referências, glossário, anexos, apêndice e índice.

5 PROJETOS DE PESQUISA

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O Trabalho Final nos Cursos Técnicos que constitui a elaboração de um Projeto Técnico (que será estudado na disciplina Metodologia do Projeto Técnico, preferencialmente no Módulo III), em linhas gerais segue a normalização técnica de Projeto de Pesquisa do CETAM segue a NORMA BRASILEIRA ABNT NBR 15287:2005 que estabelece os princípios gerais para apresentação de projetos de pesquisa, editada pela primeira vez em 30.12.2005 e válida a partir de 30.01.2006. Para os efeitos de elaboração de um Projeto do Projeto de Pesquisa aplicam- se as seguintes definições:

abreviatura: Representação de uma palavra por meio de alguma(s) de suas sílabas ou letras. anexo: Texto ou documento não elaborado pelo autor, que serve de fundamentação, comprovação e ilustração. apêndice: Texto ou documento elaborado pelo autor, a fim de complementar sua argumentação, sem prejuízo da unidade nuclear do trabalho. autor: Pessoa física responsável pela criação do conteúdo intelectual ou artístico de um documento. capa: Proteção externa do trabalho sobre a qual se imprimem as informações indispensáveis à sua identificação. elementos pós-textuais: Elementos que complementam o trabalho. elementos pré-textuais: Elementos que antecedem o texto com informações que ajudam na identificação e utilização do trabalho. elementos textuais: Parte do trabalho em que é exposta a matéria. entidade: Instituição, sociedade, pessoa jurídica estabelecida para fins específicos. folha de rosto: Folha que contém os elementos essenciais à identificação do trabalho. glossário: Relação de palavras ou expressões técnicas de uso restrito ou de sentido obscuro, utilizadas no texto, acompanhadas das respectivas definições. ilustração: