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Émile Durkheim e as representações coletivas

Émile Durkheim, durante o seu programa de investigação sociológica, não se deteve apenas à tentativa de elaborar uma interpretação geral da sociedade, como também foi um dos primeiros teóricos a repensar em termos propriamente sociológicos as questões que envolviam a problemática da produção do conhecimento. Tal empreendimento tinha como pressuposto básico a demonstração das conexões entre o contexto social ou as estruturas sociais e a produção do conhecimento. Para tanto, Durkheim reelabora algumas das discussões teóricas produzidas pelo neokantismo, tal como a

que diz respeito às categorias do pensamento. Segundo o neokantismo, as categorias de pensamento têm origem a priori, isto é, representam uma condição inata ao indivíduo, este visto como sujeito cognoscente e racional. Em Durkheim tal condição a priori se dá no interior da sociedade e NÃO nas consciências individuais. Desse modo, Durkheim quer demonstrar que as categoriais de pensamento têm sua origem no social e devem ser explicadas a partir do social.

É na obra As Formas Elementares da Vida Religiosa que Durkheim procura explicitar o

fundamento social das categorias do pensamento. Através da análise do sistema religioso praticado pelas sociedades primitivas: o Totemismo, Durkheim chega à conclusão de que o culto à força impessoal do Totem representava, na verdade, o culto a força impessoal e coletiva da própria

sociedade. Assim, para o autor, o fenômeno religioso é dotado de uma autoridade moral que lhe é imanente. Entendendo, portanto, que a religião compreende um universo cognitivo segundo o qual os indivíduos percebem o mundo, Durkheim conclui que as categorias fundamentais do pensamento, a saber, as categorias de tempo e espaço, originam-se na experiência social, uma vez

que constituem representações coletivas. Nesse sentido, se a religião exerce uma função cognitiva (de classificação, categorização e racionalização do mundo), é possível considerar que as formas posteriores de pensar e sistematizar a realidade, no caso, a filosofia e a ciência, tem sua raiz ligada ao fenômeno religioso.

A abordagem sobre o problema do conhecimento proposta por Durkheim afasta-se, desse

modo, tanto da concepção empirista quanto da concepção puramente racionalista (apriorista), embora se aproxime em determinados aspectos desta última. De acordo com o autor, a perspectiva empirista, ao considerar que as categorias de pensamento são formadas a partir da experiência sensível, reduziria tais categorias à consciência particular. Para Durkheim, o somatório dessas experiências individuais e subjetivas jamais corresponderia à totalidade da vida social. Pensar como os empiristas “é negar qualquer realidade objetiva à vida lógica que as categorias têm por função organizar e regular” (Mattedi, pg. 48). Contrapondo-se decisivamente ao empirismo, Durkheim reconhece que os racionalistas ou aprioristas procuram conservar o aspecto lógico do mundo, isto é, vêem a possibilidade de acrescentar algo ao que é dado imediatamente pela experiência. No entanto, Durkheim critica a idéia de que as categorias do pensamento são anteriores à experiência social. Para Durkheim, as categorias são fruto das estruturas sociais e não dos estados mentais individuais. Essa visão durkheimiana procura reformular em termos sociológicos a relação entre os níveis de

conhecimento empírico e racional. Para o autor, a experiência sensível está associada à idéia do indivíduo, enquanto a razão se relaciona à idéia de sociedade, ou seja, sozinho o indivíduo alcançaria apenas o conhecimento empírico, mas somente como sujeito social, como portador das representações coletivas, conseguiria chegar à razão.

Por: Grupo Os Clássicos da Sociologia