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INSTALAÇOES DE AR CONDICIONADO

HÉLIO CREDER

Engenheiro Eletricista

MSc em Engenharia Mecânica - UFRJ

Membro da ABRAVA

Diploma do Mérito Profissional Conferido pelo CONFEA

edição

LTC

EDITORA

No interesse de difusão da cultura e do conhecimento, o autor e os editores envidaram o máximo esforço para localizar os detentores dos direitos autorais de qualquer material utilizado, dispondo-se a possíveis acertos posteriores caso, inadvertidamente, a identificação de algum deles tenha sido orrútida.

1' Edição: 1981 2• Edição: 1985 3' Edição: 1987 4' Edição: 1989- Reimpressão: 1994 S• Edição: 1996- Reimpressões: 1997 e 2000 & Edição: 2004

Direitos exclusivo~ para a língua portuguesa Copyright © 2004 by Hélio Creder

LTC- Livros Técnicos e Científicos Editora S.A.

Travessa do Ouvidor, 11

Rio de Janeiro, RJ - TeL: 21-2221-9621

CEP 20040-040

Fax: 21·2221-3202

Reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na Web ou outros), sem permissão expressa da Editora.

·~i.

Prefácio da 6Q Edição

Ainda que os fundamentos para o projeto de sistemas de ar condicionado pennaneçam inalterados, a evolução tecnológica dos equipamentos tem possibilitado novas formas de condicionamento de ambi- entes mais eficazes do ponto de vista energético e das condições de conforto.

Assim, embora as nonnas brasileiras e internacionais que tratam dos sistemas de ar condicionado ainda não reflitam integralmente as alterações ocorridas no setor, há necessidade de dotar os profissionais dos conhecimentos necessários a projetas que levem em conta essas mudanças tecnológicas. Essa foi a motivação da 6~ edição. Nela incorporamos o projeto de novos sistemas dentre os quais

utilizam processos evaporativos e a co-geração como forma de diminuir o consumo de ele-

tricidade, bem como os "split-systems". Esses últimos constituem uma opção que toma os ambientes de

trabalho e de lazer mais silenciosos e confortáveis. Esperamos com esta edição, manter o leitor informado sobre a possibilidade de uma escolha mais ampla do sistema de condicionamento de ar a ser projetado. Ficarei grato a todos os que opinarem sobre o livro, apontando lacunas e/ou sugerindo modificações necessárias.

aqueles ·que

O AUTOR

Prefácio da 5º Edição

Esta nova edição já se fazia necessária há algum tempo, em face das novidades técnicas que surgem. Nela foram introduzidas algumas modificações imprescindíveis, a saber:

- os fréons- tradicionais fluidos frigorfgenos que, segundo os cientistas, causam danos à camada de

ozônio- deverão ser substituídos por outros fluidos, como, por exemplo, o SUVA da DuPont. Al-

guma informação a respeito foi acrescentada tendo em vista as futuras substituições. Para maiores

detalhes, o leitor deverá consultar as publicações específicas daquela empresa;

- houvf acréscimo de figuras com exemplos de ventilação natural, típicos de países árabes;

- no Cap. 8, foi acrescentado um item relativo ao sistema de "resfriamento evaporativo", que está sen- do muito desenvolvido nas principais cidades onde a umidade relativa é mais baixa;

- continua disponível o software para o cálculo estimativo da carga ténnica, e outros softwares para cálculos de dutos estão sendo elaborados. As informações constam do cartão-resposta comercial que acompanha o livro. O leitor interessado deverá seguir as orientações, preencher o cartão, fazer o de- pósito e enviar o comprovante via fax ou carta; enfim, ao longo do livro foram feitas pequenas modificações visando a melhorar figuras e a fornecer maiores esclarecimentos.

Esperando que nesta edição tenha havido uma real melhoria em relação à anterior, aceitaremos de bom gradO críticas e sugestões dos nossos prezados leitores.

O AUTOR

Prefácio da Edição

Este livro destina-se aos iniciantes no estudo e prática das instalações de ar condicionado, ventilação

e exaustão. O objetivo principal do autor foi o de dar uma visão global deste tipo de instalação, procu- rando abordar o mínimo indispensável, em cada capítulo, dos assuntos que devem ser aprendidos pelo futuro profissionaL No primeiro capítulo são apresentados os fundamentos básicos necessários ao estudo físico do ar; no segundo, os dados para o projeto; no terceiro, o cálculo da carga térmica; no quarto, o estudo sobre os

meios de condução do ar; no quinto, ventilação e exaustão; no sexto, torres de arrefecimento e

condensadores evaporativos; no sétimo, controles automáticos; e no oitavo, instalações típicas. No final dos capítulos estão propostos exercícios, com respostas no final do livro. Em conseqüência da adoção pelo nosso País do sistema internacional de medidas (SI), procurou-se, dentro do possível, exprimir os resultados dos exercícios e tabelas nas duas unidades: sistema inglês e sistema internacional. Neste período de transição, em que prevalecem em todo meio tecnológico de ar condicionado as unidades inglesas, consideramos ser indispensável continuar falando a mesma lingua- gem dos profissionais do ramo e aos poucos irmos substituindo essas unidades pelo sistema internacio- nal, muito mais racional e prático- tarefa que demandará alguns anos. Sempre que possível, procurou-se, nos exemplos, difundir a tecnologia nacional, transcrevendo da- dos de fabricantes dos equipamentos instalados no País, embora quase todos sejam de know-how impor- tado. É fato conhecido que a tecnologia do ar condicionado e ventilação está em constante evolução e que qualquer assunto explanado está sujeito a mudanças periódicas, por isso os estudiosos e profissionais do ramo, qve desejarem constante aperfeiçoamento e atualização, deverão consultar publicações técnicas específicas para cada um dos respectivos fabricantes. Desejamos agradecer a todas as pessoas ou firmas que cooperaram direta ou indiretamente na execu- ção deste livro, em especial aos integrantes da Hélio Creder Engenharia, que executaram e adaptaram quase todas as ftguras e demais serviços de coordenação dos assuntos. Esperando contribuir para o ensino técnico em nosso País, dedicamos este livro aos professores, alu- nos e profissionais do ramo que juntos irão difundir conhecimentos e executar instalações de modo que

o conforto do ar condicionado e da ventilação possa ser usufruído por todos. Receberemos de bom grado

quaisquer críticas ou sugestões que possam tornar este livro mais útil, para o que solicitamos escrever à

Editora.

O AUTOR

Sumário

1. INTRODUÇÃO

1

1.1

Massa, Força e Peso

2

1.2

Pressão

3

1.3

Temperatura

5

 

1.3.1

Escalas tennométricas

6

1.3.2

oUtras propriedades termodinâmicas

8

1.4

Calor

8

1.4.1

Capacidade térmica

10

1.4.2 Calor específico

10

1.4.3 Condução de calor

11

 

1.4.3.1 Condução de calor em paredes planas (experiência de Fourier- 1825)

12

1.4.3.2 Condução de calor através de placas paralelas

12

1.4.3.3 Analogia com o circuito elétrico

14

 

1.4.4 Calor sensível

16

 

1.4.5 Calor

latente

17

1.5

Primeira Lei da Termodinâmica

17

1.5.1

17

1.5.2

Energia transferida a um sistema

17

1.5.3

Trabalho

18

1.5.4

Avaliação das energias potencial e cinética

19

1.5.5

Aplicação

da I~ lei aos sistemas

21

J.5.6

Entalpia

22

1.6

Segunda Lei da Termodinâmica

24

 

1.6.1 Ciclo

de Camot

25

 

1.6.2 Ciclo reverso de Carnot

26

1.6.3 Gás real e gás perfeito (ideal)

28

1.6.4 Desigualdade de Clausius

28

1.6.5 Entropia e desordem

29

1.7

Mistura Ar-Vapor d'Água

30

1.7.I

Umidade absoluta e umidade relativa

31

1.7.2

Ponto de orvalho (dew point) do ar

32

1.8

Carta Psicrométrica

34

1.9

Umidificação e Desumidificação

40

1.9.1 Trocas de calor entre o ar e a água

41

1.9.2 Misturas de ar

41

1.10

Vazão Necessária de Ar

43

.,.;_

Xii

SUMÁRIO

1.11 Cálculo da Absorção de Umidade do Ar de Insuflamento

43

1.12 Capacidade dos Equipamentos do Sistema de Expansão Direta

·················

45

1.13 Capacidade dos Equipamentos do Sistema de Expansão lndireta

46

1.14 Resfriamento pela Evaporação

47

1.15 Noções sobre Refrigeração

49

1.16 Fluidos Refrigerantes SUVA da DuPont

50

1.16. I

Introdução

50

1.16.2

Considerações genéricas

53

1.16.3

Comparações de desempenho

53

1.16.4

Compatibilidade dos materiais

54

1.17 Definições

54

1.18 Sistemas de Refrigeração

56

1.18.1 Sistema de refrigeração por absorção

56

1.18.2 Sisten:ta de ejeção de vapor

58

1.18.3 Sisterila de compressão de ar

58

1.18.4 Sistema de compressão de vapor

58

1.18.5 Sistema termoelétrico

58

1.19 Considerações Físicas da Insolação

58

1.19.1 Definições

59

1.19.2 Determinação da elevação do Sol (a)

63

1.19.3 Determinação do azimute do Sol (Az)

65

1.19.4 Intensidade da radiação direta "F'

sobre uma superfície em W/m 2

65

1.19.5 Radiação solar total recebida na superfície da Terra (1,)

70

1.19.6 Transmissão da radiação solar através dos vidros

72

2. DADOS PARA O PROJETO

'

76

2.1

Condições de Conforto

76

2.2

Requisitos Exi:gidos para o Conforto Ambiental

76

2.3

Sistemas de Ar Condicionado

80

2.4

Tipos de Condensação

80

2.5

Tipos de Instalação

84

2.6

Estimativa do Número de Pessoas por Recinto

84

2.7

Sugestões para a Escolha do Sistema de AC mais Indicado

84

3. CÁLCULO DA CARGA TÉRMICA

88

3.1 Carga de Condução- Calor Sensível

88

3.2 Devida à Insolação- Calor Sensível

Carga

93

3.2.1

Transmissão de calor do Sol através de superfícies transparentes (vidro)

93

3.2.2

Transmissão de calor do Sol através de superfícies opacas

96

3.3 Carga Devida aos Dutos- Calor Sensível

97

3.4 Carga

Devida às Pessoas- Calor Sensível e Calor Latente

98

3.5 Carga Devida aos Equipamentos- Calor Sensível e Calor Latente

100

3.5.1 Carga devida aos motores- calor sensível

100

3.5.2 Carga devida à iluminação- calor sensível

101

;.

SUMÁRIO

XÜi

3.5.3 Carga devida aos equipamentos de gás- calor sensível e calor latente

3.5.4 Carga devida às tubulações- calor sensível

 

l02

·······························

104

·················· ···············

105

105

······································ 106

························· 107

109

······························· 109

110

···················

···············

············ ll1

3.6 Carga Devida à Infiltração- Calor Sensível e Calor Latente

3.7

3.8

3.9

3.10

3.11

3.12

3.13

3.14

3.15

3.6.1

Método da troca de ar

3.6.2

Método das frestas

Carga

Devida à Ventilação

Unidades

3.15.1 compactas (se!f-contained)

3.15.2 de ar condicionado individuais

Unidades

Carga Térmica Total

Total de Ar de Insuflamento

Cálculo da Absorção da Umidade dos Recintos.

Cálculo do Calor Latente Cálculo do Calor Total Usando a Carta Psicrométrica

Determinação das Condições do Ar de Insuflamento

Estimativa de Carga Térmica de Verão

Métodos Rápidos para Avaliação da Carga Térmica de Verão para Pequenos Recintos

···················· ·······················

 

112

·············

114

··················· 117

119

119

122

3.15.3 Unidades individuais com condensador remoto externo e evaporador interno,

3.16

com controle remoto

Exemplo de Cálculo da Carga Térmica de uma Instalação Central de Ar Condicionado

124

124

4. MEIOS DE CONDUÇÃO DO AR

4.1 Dutos de Chapas Metálicas

138

138

4.1.1 Métodos de dimensionamento de dutos

··········· 140

147

150

152

158

158

159

159

159

159

163

4.1.1.1 Método da velocidade

4.1.1.2 Método da igual perda de carga

4.1.1.3 Método da recuperação estática

4.1.1.4 Bitolas recomendadas para as chapas galvanizadas

4.1.2 Perdas de pressão em um sistema de dutos

Perdas de pressão estática (P,)

Perdas de carga acidentais

4.1.3 Isolamento e junção dos dutos

4.1.2. I

4.1.2.2 Perdas de pressão dinâmica (P,.)

4.1.2.3

4.1.2.4 Pressão de resistência de um sistema de dutos (P,)

············· ························································

4.2

Distribuição de Ar nos Recintos

163

4.2.1 simples e com registras

Grelhas

163

4.2.1.1

Escolha da altura da grelha de

167

4.2.1.2

Distância entre as grelhas de insuflamento

············· 167

4.2.1.3

Seleção das grelhas de insuOamento

167

4.2.1.4

Detenninação da vazão de uma grelha

···················· 170

4.2.2 de tcto ou aerofuses

Difusores

171

4.2.3 lineares

4.2.4 Difusores lineares através de luminárias do tipo integradas

4.2.5 Diqribuição de ar em teatros e cinemas .

Difusores

tipo fresta

········· 177

181

!SI

XiV

SUMÁRIO

5. VENTILAÇÃO E EXAUSTÃO

:

185

5.1

5.2

5.3

5.4

5.5

5.6

5.7

Generalidades

5.1.1 Leis dos ventiladores

Ligações e Tipos de Ventiladores

Ventiladores Centrífugos

5.3.1 Partes essenciais

5.3.2 Tipos

5.3.3 Arranjos

5.3.4 Tipos de descarga

5.3.5 Tipos de rotares

5.3.6 Velocidades recomendadas para o ar

 

185

186

187

188

·········································

188

································ ·································································· 188 ············································· ···················· 189 ····························································· 189 ························································ 190 ································ 191

5.3.7 Especificações de ventiladores

191

5.3.8 Especificações das correias em "V' de transmissão

192

5.3.9 Especificações para motores de acionamento

192

5.3.10 Conio escolher um ventilador

192

Trocas de Ar nos Recintos

197

Velocidades Recomendadas para o Ar

197

Ventilação Geral

198

5.6.1 Volume de ar a insuflar

198

5.6.2 Tipos de ventilação

200

5.6.3 Projeto de uma instalação de ventilação geral

200

5.6.4 Ventilação em residências

204

Exaustão

206

5.7.1

Capto,r

206

5.7.2 Dutos.de ar

208

5.7.3 Ventilador

209

5.7.4 Chamtnés

j

210

5.7.5 .Exemplo de dimensionamento

211

5.7.5.1 Dimensionamento do captor (coifa)

211

5.7.5.2 Dimensionamento dos dutos

213

5.7.5.3 Chaminé

213

5.7.5.4 Ventilador

213

6. TORRES DE ARREFECIMENTO E CONDENSADORES EVAPORATIVOS

216

6.1 Introdução

216

6.2 Torres de Arrefecimento

216

6.2. t Tabelas

climatológicas

219

6.2.2 Escolha de uma torre de arrefecimento

219

6.2.3 Perdas de água

222

6.2.4 Esquemas de instalações de resfriadores compactos

222

6.2.5 Quantidade de água de circulação

225

6.2.6 Escolha de bomba da água de circulação (BAC)

226

6.2.7 Potência da bomba da água de circulação (BAC)

226

6.3 Condensadores Evaporativos

227

6.3.1

Introdução

227

·~:.

SUMÁRIO

XV

6.3.2 Partes constituintes

227

6.3.3 Funcionamento

228

6.3.4 Dados práticos gerais para os condensadores evaporativos

230

7. CONTROLES AUTOMÁTICOS

232

7.l

Generalidades

232

7.2

Sistemas de Controles Automáticos

232

7.3

Controles Elétricos

232

7.3.1 Generalidades

232

7.3.2 Funcionamento do circuito de controle elétrico de um condicionador compacto

233

7.3.3 Funcionamento do circuito de controle elétrico de um sistema de água gelada

238

7.3.4 Controles do compressor

241

7.3.5 Tipos de controle no recinto

241

7.3.6 Diagramas de controle

241

7.3.7 Válvula de três vias

246

7.4

Sistemas Pneumáticos

248

7.5

Sistemas Autónomos

251

7.5.1 Funcionamento de uma válvula de expansão tennostática (VET)

252

7.5.2 Escolha de uma válvula de expansão termostática

253

8. INSTALAÇÕES TÍPICAS

255

8.1 Esquema Hidráulico de um Sistema de Expansão Direta

255

8.2 Esquema Hidráulico

de um

Sistema de

Expansão

lndireta de Água Gelada

257

8.3 Projeto de uma Instalação de Expansão Direta e Condensação a Ar

261

8.3.1 Estudo preliminar

 

261

8.3.2 Elaqoração do anteprojeto

 

262

8.3.3 Projeto definitivo

 

262

8.3.4 Memorial descritivo e especificações do ar condicionado central do restaurante da Fábrica Saturno

267

8.4 Seleção de uma Unidade Resfriadora de Líquido (com Detalhes de Montagem)

269

8.5 Seleção de uma Unidade de Resfriamento Evaporativo

 

290

8.5.1 Introdução

290

8.5.2 Ar de suprimento e de exaustão

8.5.3 Projeto dos dutos

8.6 Selecionamento e Cálculo do Sistema de Dutos

········································· 292

296

299

RESPOSTAS DOS EXERCÍCIOS PROPOSTOS

303

EQUIVALÊNCIA ENTRE AS UNIDADES DO SISTEMA INGLÊS E DO SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES (SI)

306

RELAÇÃO DAS TABELAS E QUADROS

308

RELAÇÃO DAS FIGURAS

310

BIBLIOGRAFIA

315

ÍNDICE

316

RELAÇÃO DAS TABELAS E QUADROS 308 RELAÇÃO DAS FIGURAS 310 BIBLIOGRAFIA 315 ÍNDICE 316 .,.;.

.,.;.

A s instalações de ar condicionado no Brasil são regidas pela Norma Brasileira NBR-6401 (lnstala-

A s instalações de ar condicionado no Brasil são regidas pela Norma Brasileira NBR-6401 (lnstala-

çrJes centrais de ar condicionado para conforto), que estabelece as bases fundamentais para elabo-

ração dos projetas. das especificações, termo de garantia e aceitação das instalações.

O nos~o trabalho será calcado nesta norma; as partes omissas serão baseadas em normas estrangeiras citadas

nos capítulos. Condicionar o ar em um recinto significa submetê-lo a certas condições, compatíveis com o objetivo da ins- talação, independentemente das características exteriores.

Assim, podemos condicionar o ar para o conforto, para um melhor desempenho ou durabilidade de equipa- mentos ou processos. De um modo geral, o condicionamento do ar controla as seguintes propriedades:

temperatura;

umidade relativa;

- velocidade;

pureza. Esquematicamente, temos na Fig. 1.1 uma instalação central de ar condicionado, usando uma unidadeselfcontained, ou seja. uma unidade compacta que possui, montados dentro de uma mesma carcaça, todos os componentes necessá- lios às trocas de calor (compressor, condensador, válvula de expansão, evaporador, filtros, controles e ventilador). Uma instalação de ar condicionado pode ser considerada um sistema aberto, no sentido termodinâmico, no qual são mantidas as condições desejadas no recinto (Fig. 1.2).

O fluido utilizado é o próptio ar que é refrigerado e tratado em um outro subsistema fechado, que é o ciclo de

refrigeração, conforme se vê na Fig. 1.40. O ar refrigerado é introduzido no recinto onde se mistura com o ar

contido no ambiente e essa mistura gasosa, devidamente controlada em seu fluxo, temperatura, umidade e pu- reza, dará as condições de conforto.

O subsistema ddinido como ciclo de refrigeração, através do fluido frigorígeno, realiza as transformações

termodinâmica~ necessárias para absorver o calor diretamente do ar com o qual é posto em contato (sistema de

expansão dircta) ou indiretamente através da água (sistema de expansão indireta). A fim de compreendermos bem a~ transformações que serão estudadas mais detalhadamente nos capítulos seguintes, há necessidade de uma melhor fixação nas definições das propriedades termodinâmicas envolvidas. As propriedades elementares são: pressão, temperatura, volume específico e densidade. As propriedades mais complexas são: entalpia, entropia e energia livre. Procuraremos expressar todas essas grandezas em unidades d1) Sistema Internacional de Unidades, ou Sistema SI.

d1) Sistema Internacional de Unidades, ou Sistema SI. Fig. 1.1 Vista isométrica de uma instalação de
d1) Sistema Internacional de Unidades, ou Sistema SI. Fig. 1.1 Vista isométrica de uma instalação de

Fig. 1.1 Vista isométrica de uma instalação de ar condicionado com unidade compacta.

2

INTRODUÇAO

Calor --+Ar ou fluido Ar ou fluido --+ Trabalho
Calor
--+Ar ou fluido
Ar ou fluido --+
Trabalho

Fig. 1.2 Esquema de um sistema aberto.

1.1 Massa, Força e Peso

Os conceitos de massa e peso são muitas vezes confundidos, mas são grandezas físicas distintas.

A massa pode ser definida como a quantidade de matéria que constitui um corpo. A massa padrão internacional-

mente aceita é o quilograma, cujo protótipo é o bloco de platina iridiada conservado na cidade de Sêvres, França.

A aceleração é definida como a variação da velocidade na unidade de tempo.

A velocidade, no Sislema SI, é expressa em rn/s e a aceleração em rn/s 2 , ou seja, a velocidade da velocidade.

A força é definida como a grandeza capaz de imprimir uma aceleração a uma dada massa. A 2.a lei do movi-

mento de Newton inter-relaciona essas grandezas pela seguinte expressão:

F=ma

No Sistema SI, podemos dizer que a unidade de força é capaz de imprimir à unidade de massa, kg, uma ace- leração de 1 m/segundo por segundo.

Essa unidade de força é o newton (N) ou N =

kg·m.

s'

O peso de um corpo é uma força dita gravitacional, pois tende a dirigir esse corpo para o centro da Terra.

Portanto, em qualquer ponto da superfície da Terra, o peso é praticamente o mesmo, variando em apenas 0,5%. Fora da superfície do nosso planeta, o peso poderá sofrer grandes variações, chegando mesmo a se anular a grandes altitudes (=380 X 10 6 m), como vemos nas naves espaciais.

A expressão do peso de um corpo é:

onde:

~ p =mg

g =aceleração da gravidade, aproximadamente 9,81 m/s 2

Exemplo!.!:

Qual a força, em newtons, necessária para acelerar um automóvel de 1.500 kg de massa, à razão de 1 rnls 2 ?

F~ ma~

1.500 X 1 ~

1.500N

lNrRODUÇÃO

3

Exemplo 1.2:

Qual a massa de um satélite artificial cujo peso é de 100 N na superfície terrestre e numa órbita onde a ace- leração da gravidade é de 1,2 m/s 2 ?

F

~ 100

~ 83 33 kg

a

1,2

'

1.2 Pressão

A pressão é definida pela física clássica como força atuando por unidade de área. Se a força atua sobre um fluido homogêneo e estacionário, a pressão é uniforme ao longo de todo o fluido, se for desprezada a força da gravidade que atua no fluido. A mesma pressão é exercida sobre as paredes que contêm o fluido. No Sistema SI, a pressão é definida por:

P~

F

A

N

m 2

kg

-~- = 1pascalou1Pa:.Pa= --

ms 2

Em termodinâmica só se considera a pressão absoluta, isto é, a pressão medida pelo manômetro acrescida da pressão atmosférica ou dela diminuída, no caso de vácuo. A medida da pressão atmosférica pode ser feita através do barómetro de Torricelli (1643), que consiste no se- guinte (Fig. 1.3): mergulha-se em uma cuba contendo mercúrio um tubo de vidro, aberto em uma das extremida- des e cheio também de mercúrio. A coluna de mercúrio se fixará em h = 760 mm de altura desde que a tempera- tura seja de ooc e a aceleração da gravidade local seja g = 9,80665 m/s 2 (ao nível do mar e latitude 45°N).

= 9,80665 m/s 2 (ao nível do mar e latitude 45°N). Y, Fig. 1.3 Barômetro de

Y,

Fig. 1.3 Barômetro de Torricelli.

Então:

kg

kg

1 atm = 760 mm de Hg ou 13.596- X 9,80665- X 0,76 m = 101.325- = 1,013 X

m3

s2

ms2

m

10 5 Pa

Se, em vez de mercúrio, tivéssemos um tubo cheio d'água, a coluna d'água subiria para uma altura de 10,33 m, pelo fato de o peso específico da água ser de 10 3 kg/m 3 , ou seja:

1.000 kg

m3

X 9,81 m s2

X 10,33 m =

1,013 X 10' Pa

ou, resumindo:

1N/m 2 =1Pa 10 3 Pa = 1 kPa

:.- ·.

4

INTRODUÇÃO

 

=

10 2 kPa =

I bar

10 5 Pa 101i Pa =

1 MPa = 10 bar

101.325 Pa =

I atm = 10,33 m col. d'água.

 
 

Outros tipos de medidores de pressão são os manômetros, que podem ser construídos de um tubo em "U", conforme

se

vê na Fig. 1.4, também cheio de mercúrio numa extremidade e na outra ligado ao fluido cuja pressão se deseja medir.

----- -· --1- cl--~1
----- -· --1- cl--~1

,--

~Pressão

aser

medida

Fig. 1.4 Manômetro de mercúrio.

A força exercida pelo fluido é equilibrada pelo peso da coluna de mercúrio:

Então a pressão P será:

onde:

P = pressão em ·Pa;

F=yXV=yXAXZ

P será: onde: P = pressão em ·Pa; F=yXV=yXAXZ y = peso específico em N/m 3

y

=

peso específico em N/m 3 ;

Z

= diferença dé altura da coluna de mercúrio em m.

(1.1)

Quando a pressão do fluido a ser medida é positiva, soma-se a pressão atmosférica para se ter a pressão ab- soluta; quando é negativa (vácuo), diminui-se da pressão atmosférica (Fig. I.5).

,.;_

!

 

Pressão

Pressão

 

absoluta

medida

P,

 

Pressão

atmosférica

 

-----------------

---

   

Pressão

Pressão

negativa

(Vácuo)

atmosférica

   

Pressão

absoluta

Fig. 1.5 Diagrama de pressões manométrico e absoluta.

INTRODUÇÃO

5

Exemplo 1.3:

O vácuo medido no evaporador de um sistema de refrigeração é de 200 mm de mercúrio. Determinar a pres-

são absoluta em pascal, para uma pressão barométrica de 750 mm de Hg.

Solução:

Desprezando a temperatura do mercúrio, consideremos a sua densidade a ooc:

ComoN =

y

~

~

F

V

--, kg·m teremos:

s'

Como para o vácuo, temos:

y

=

m

~ -g

V

13.596 kg/m 3 (Peso específico do Hg)

kg

~ 13.596- X 9,81- ~ 133.376,76 kglm'·s'

m 3

s 2

m

N

y ~ 133.376,76-

m'

Z = Pabs = 750-200 = 550 mm de Hg ou 0,55 m de Hg Aplicando a Eq. 1.I, temos:

N

N

P ~ 133.376,76- m' X 0,55 m ~ 73.357,2-,

m~

Exemplo 1.4:

Expressar o rf?SUltado anterior em atmosferas.

Solução:

Sabemos que 1 atm =

101.325 Pa.

Então, para o Exemplo 1.3, temos:

P ~ 73357 2

101.325

~O 723 atm.

'

1.3 Temperatura

~ 73.357,2 Pa

O sentido do tato constitui a maneira mais simples de se distinguir se um corpo é mais quente ou mais frio.

Temos um "sentido de temperatura" capaz de nos dizer que o corpo A está mais quente que B, o corpo B está mais quente que C etc. Esse sentido, todavia, é muito subjetivo e depende da referência, o que pode induzir a erros grosseiros. Se mergulharmos uma das mãos em água quente e a outra em água fria e depois segurannos um corpo menos aquecido com a mão que estava na água fria, esse corpo parecerá muito mais quente do que

com a mão que estava na água quente, pois os referenciais de temperatura são diferentes. Agora imaginemos um objeto A que parece frio em cantata com a mão e outro objeto B, idêntico, que nos parece quente. Coloquemos os dois em cantata um com o outro e no fim de algum tempo reparamos que os dois dão a mesma sensação de temperatura; estão em equilíbrio térmico. A fim de tomar a nossa experiência mais precisa, usemos um terceiro objeto C, por exemplo, um tennõmetro. Coloquemos o termómetro em cantata com o objeto A, lendo a temperatura registrada. Depois o coloquemos em cantata com o objeto B e verificamos que foi registrada a mesma temperatura. Isso permite enunciar a "lei zero" da termodinâmica: "Quando dois corpos A e B estão em equilíbrio ténnico com um terceiro corpo C, eles estão em equilíbrio ténnico entre si."

.,;_

6

INTRODUÇÃO

--------------------------------------------

Então pode-se dizer que a temperatura, que é uma grandeza escalar, é uma variável termodinâmica. Se dois sistemas estão em equilíbrio termodinâmico, pode-se afirmar que as suas temperaturas são iguais. Há diversas grandezas físicas que podem ser usadas como medida de temperatura, entre elas o volume de um líquido, o comprimento de uma barra, a resistência elétrica de um fio etc. Qualquer dessas grande- zas pode ser usada para se fabricar um termómetro e, de acordo com a grandeza escolhida, a propriedade térmica mais adequada. Assim podemos usar o mercúrio para baixas temperaturas, pois este elemento tem a propriedade de se dilatar proporcionalmente à quantidade de calor recebida. Para temperaturas elevadas pode-se usar um par termoelétrico ou a dilatação de uma barra. Portanto houve necessidade de se tomar uma referência, o mesmo ponto fixo para todas as escalas termométricas, ou seja, todos os termómetros devem fornecer a mesma temperatura T. Esse ponto fixo foi escolhido a partir da água, ou seja, um ponto em que o gelo, a água líquida e o vapor d'água coexistam em equilíbrio: é o "ponto triplo" da água. Esse ponto triplo da água só pode ser conseguido para uma mesma pressão; a pressão do vapor d'água no ponto triplo é de 4,58 mm de mercúrio. A temperatura desse ponto fixo foi estabelecida como padrão, ou seja, 273,16 graus Kelvin e mais tarde simplificada como Kelvin (K). Então temos a definição de Kelvin: "Kelvin, unidade de temperatura termodinâmica, é a fração 1/273,16 da temperatura do ·Ponto triplo da água." Essa unidade foi adotada na lO. a Conferência Geral de Pesos e Medidas (1954), em Paris. Como comparação tomemos algumas temperaturas em Kelvin, para vários corpos e fenômenos, extraídas da publicação Scientific American de setembro de 1954:

Tabela 1.1 Algumas Temperaturas (K)

Reação termonuclear do carbono Reação termonuclear do hélio Interior do Sol Onda de choque do ar, a Mach 20 Nebulosas luminosas Fusão do tungstênio Fusão do chumbo Congelamento da água

5 X 1()8

10"

10'

2,5 X 10"

lO'

3,6 X J(}l

6 X 1()2

2,73 X 10 2

1.3 .1 Escalas termométricas

As duas escalas termométricas usuais são a centígrada, inventada em 1742 pelo sueco Celsius, e a Fahre- nheit, definida a partir da escala Kelvin, que é a escala científica fundamental. Na escala Celsius, a temperatura t é obtida pela equação:

T~t+273,!6

onde:

T = temperatura Kelvin (K) t = temperatura Celsius em graus centígrados rq

Na escala Fahrenheit, usada pelos países de língua inglesa (exceto a Grã-Bretanha), a relação para a escala centígrada é a seguinte:

onde:

TF = temperatura em °F; te = temperatura em oc_

a relação para a escala centígrada é a seguinte: onde: TF = temperatura em °F; te

j

INTRODUÇÃO

7

-

A equivalência entre as escalas Kelvin, centígrada e Fahrenheit pode ser compreendida na Fig. 1.6. Nessa figura vemos que o ponto tríplice da água é igual a 273,16 K, por definição. Experimentalmente verifica-se que o gelo e a água saturada com o ar estão em equilíbrio a O,oooc e a temperatura de equilíbrio entre a água e o vapor d'água, à pressão de 1 atm, denominado ponto de vapor, é de 100°C.

Ponto triplo 0,01"C da água - 273,15"C
Ponto triplo
0,01"C
da água
- 273,15"C
-
-

212°F- Temperatura do ponto de vapor

32°F- Temperatura do gelo lundente

459,67°F- Zero absoluto

Fig. 1.6 Comparação entre as escalas de temperatura Kelvin, Celsius e Fahrenheit.

Na Tabela 1.2 vemos a comparação entre as escalas termométricas centígrada e Fahrenheit.

Tabela 1 2 Comparação das Escalas Termométricas entre Graus Celsius (°C) e Graus Fahrenheit (°F)

 

c

F

c

F

c

F

c

F

c

F

c

F

 

10

14,0

I

33,8

12

53,6

23

73,4

 

34 93,2

 

45 113,0

-

9

15,8

2

35,6

13

55,4

24

75,2

35 95,0

46 114,8

-

8

17,6

3

37,4

14

57,2

25

77,0

36 96,8

47 116,6

-

7

19,4

4

39,2

15

59,0

26

78,8

37

98,6

48 118,4

-

6

21,2

5

41,0

16

60,8

27

80,6

38

100,4

49 120,2

-

5

23,0

6

42,8

17

62,8

28

82,4

39

102,2

50 122,0

-

4

24,8

7

44,6

18

64,4

29 84,2

40

104,0

51 123,8

-

3

26,6

8

46,4

19

66,2

30 86,0

41

105,8

52

125,6

-

2

28,4

9

48,2

20

68,0

31 87,8

42

107,6

53

127,4

-

I

30,2

10

50,0

21

69,8

32 89,6

43

109,4

54

129,2

o

32,0

II

51,8

22

71,6

33 91,4

44

111,2

55

131,0

 

56

132,8

67

152,8

78

172,4

89

192,2

100

212

III

231,8

57

134,6

68

154,4

79

174,2

90

194,0

101

213,8

112

233,6

58

136,4

69 156,2

80

176,0

91

195,8

102

215,6

113

235,4

59

138,2

70 158,0

81

177,8

92

197,6

103

217,4

114

237,2

 

60 140,0

71 159,8

82

179,6

93 104

199,4

219,2

115

239,0

61 141,8

72

161,6

83

181,4

94 105

201,2

221,0

116

240,8

62 143,6

73

163,4

84

183,2

95 106

203,0

222,8

117

242,6

63 145,4

74

165,2

85

185,0

96

204,8

107

224,6

118

244,4

 

64

147.2

75

167,0

86

186,8

97

206,6

108

226,4

119

246,2

65

149,0

76

168,8

87

188,6

98

208,4

109

228,2

120

248,0

66

150,8

77

170,6

88

190,4

99

210,2

110

230,0

121

249,8

8

INTRODUÇÃO

------

1.3.2 Outras propriedades termodinâmicas

Há outras propriedades termodinâmicas cujos conceitos são também importantes para a definição de certos fenômenos. São elas: volume específico, densidade e peso específico. 1- Volume específico é definido como volume por unidade de massa:

,,.;_

onde:

v = volume específico; V= volume total; m =massa.

Em unidades SI serão dados:

v

m

m'

vem-

kg

m =massa. Em unidades SI serão dados: v m m' vem- kg memkg 2 - Densidade

memkg

2 - Densidade é definida como massa por unidade de volume:

Em unidades ~I:

8=

m

!_

v

v

8em kg

m'

3 - Peso específico é definido como o peso por unidade de volume:

Em unidades SI:

p

w=-

v

wem- kg

-

m'

Pemkg ·peso

1.4 Calor

vimos na Seção 1.3 que, se colocarmos dois corpos de diferentes temperaturas em cantata, o corpo mais quente diminui a sua temperatura e o corpo mais frio a aumenta, havendo uma temperatura de equilíbrio tér- mico (lei zero). Até o início do século XIX, havia entre os cientistas o conceito de que uma substância, o "calórico", passava do corpo mais quente para o corpo mais frio. Esse conceito satisfazia as experiências da época, mas não sobreviveu às experiências mais avançadas, ficando plenamente aceito pela ciência que não existe uma substância e sim uma "energia" que se transmite do corpo mais quente para o corpo mais frio, por diferença de temperatura. Essa energia, que é aceita como o "calor", não se transmite apenas entre os dois

'

I

I '

'

I

I

'

lNlRODUÇÃO

9

corpos, mas também às vizinhanças. Esses fenômenos passaram despercebidos pelos cientistas mais antigos, inclusive Galileu e Newton, e só por volta de 1830 o francês Sadi Carnot (1796-1832) revelou o "princípio da conservação de energia", desenvolvido mais tarde por Mayer (1814-1878), Joule (1818-1889), Helmholtz (1821-1894) e outros. Joule demonstrou experimentalmente que há uma equivalência entre trabalho mecânico e calor, como duas formas de energia, e Helmholtz generalizou que não só o calor e a energia mecânica são equivalentes, mas todas as formas de energia são equivalentes e que nenhuma delas pode desaparecer sem que igual energia apareça sob outra forma em algum lugar. Joule fez uma montagem experimental para medir o equivalente mecânico do calor. Essa montagem (Fig. 1.7) constou de dois pesos que transmitiam a sua energia mecânica a um tambor fixo e um eixo com palhetas, imersas em água com massa m. Num ciclo de operações, Joule observou que havia uma elevação I:J.t de tempe- ratura da água, a mesma elevação como se transferíssemos energia, sob a forma de calor, ao sistema. Essa ele- vação de temperatura, multiplicada pela massa m e pelo calor específico, dará a quantidade de calor incorpora- da ao sistema:

Q = mci:J.t

Medindo a energia mecânica e a elevação de temperatura, conclui-se que

mecânica e a elevação de temperatura, conclui-se que ,_- ,·~:- , ou seja, 4.186 joules de
mecânica e a elevação de temperatura, conclui-se que ,_- ,·~:- , ou seja, 4.186 joules de

,_-

,·~:-

,

ou seja, 4.186 joules de energia mecânica inteiramente convertida em energia calorífica gerarão 1 kcal, isto é, aumentarão a temperatura de 1 quilograma de água de 14,5°C para 15,5°C. Em unidades do sistema inglês, temos

1 BTU = 252 cal = 777 ,9libras-pés No Sistema Sl, a unidade de energia é o joule:

kgm'

J= lNXm= 1-- s'

Assim temos a definição de quilocaloria: "Quilocaloria é a quantidade de calor necessária para elevar a tem- peratura de 1 quUograma de água de 14,5°C para 15,5°C." Em unidades do sistema inglês, pode ser definida do seguinte modo: 1 BTU (unidade térmica britânica) é a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de !libra-massa de água de 63°F para 64°F.

a temperatura de !libra-massa de água de 63°F para 64°F. Fig. 1.7 Demonstração, feita por joule,

Fig. 1.7 Demonstração, feita por joule, da equivalência entre trabalho mecânico e calor.

]Q

INTRODUÇÃO

Resumindo:

1 kcal = 1.000 cal = 3,968 BTU = 4,186 joules

1.4.1 Capacidade térmica

Para uma determinada massa, a quantidade de calor necessária para produzir um determinado aumento na temperatura depende da substância.

Chama-se capacidade térmica C de um corpo o quociente da quantidade de calor fornecida dQ e o acréscimo na temperatura dT.

Então

C = capacidade térmica = dQ

dT

1.4.2 Calor específico

A capacidad~.térmica, por unidade de massa de um corpo, é o que se denomina "calor específico". Depende

da natureza da substância do qual é feito, daí chamar-se específico de uma substância (veja Fig. 1.8).

C = capacidade térmica = _!

dQ

massa

m dT

(1.2)

A capacidade térmica e o calor específico de uma substância não são constantes, dependem do intervalo de

temperatura considerado. Para a água, por exemplo, o calor específico somente será de 1 kcal/kg°C na tempe-

ratura de 15°C. Na temperatura de Ü°C será de 1,008 kcal/k:g°C e a 40°C será de 0,998 kcal/kg°C. No limite, quando o intervalo de temperatura IJ ~O, podemos falar em calor específico à determinada tem- peratura T, então .da Eq. 1.2 tira-se:

T

Q~m

J 'f

Cdt

T,

Para se organi~ar uma tabela de calor específico para diferentes substâncias, temos de fixar uma pressão constante e uma temperatura ambiente. Na Tabela 1.3; temos o calor específico cP à pressão constante de 1 atm. Verificamos por essa tabela que o calor específico dos sólidos varia muito com a substância, se expresso em callgoc ou J/goC (colunas 1 e 2), porém se expressannos amostras com o mesmo número de moléculas verifi- camos que o calor específico molar ou capacidade térmica molar de quase todas as substâncias é aproximada- mente 6 cal/mol°C (com exceção do carbono). Essa foi a conclusão a que chegaram Dulong e Petit em 1819. Para se obter a coluna 4, multiplicam-se os valores da coluna 1 pela coluna 3; para se obter a coluna 5, mul- tiplica-se a coluna 2 pela 3. Conclui-se que 1 cal/g°C = 1 kcal/kg°C = 1 BTU/lb°F e que o calor específico da água 1,O cal/g°C ou 1 kcal/kg°C ou ainda 1 BTU/lb°F é muito grande comparado com os metais.

Tabela I 3 Valores de c para Alguns Sólidos à Pressão de 1 atm

   

'

Calor Específico

Calor Específico

Peso Molecular

Capacidade Térmica

Capacidade Térmica

cai/g°C

J/goC

g!mol

Molar cai!ffUJPC

Molar J!ffUJl°C

Substância

(I)

(2)

(3)

(4)

(5)

Alurrúnio

0,215

0,900

27,0

5,82

24,4

Carbono

0,121

0,507

12,0

1,46

6,11

Cobre

0,0923

0,386

63,5

5,85

24,5

Chumbo

0,0325

0,128

207

6,32

26,5

Prata

0,0564

0,236

108

6,09

25,5

Tungstênio

0,0321

0,134

184

5,92

24,8

INTRODUÇÃO

11

Termômetro

1 kg de água 1 kg de glicerina Queimadores a ,,,
1 kg de água
1 kg de glicerina
Queimadores a
,,,

Termômetm

Fig. 1.8 Comporaçõ.o entre colores específicos da ógua e da glicerina.

Verifica-se então que a quantidade de calor por molécula, necessária para produzir detenninada variação de temperatura de;um sólido, é aproximadamente a mesma para quase todas as substâncias, o que dá ênfase à teo- ria molecular da matéria. O calor específico, ou seja, a capacidade térmica por unidade de massa, pode ser verificado experimental- mente pela experiência da Fig. 1.8. Em duas cubas iguais, colocamos 1 kg de massa de água e 1 kg de glicerina. Aproximamos dois bicos de gás iguais e deixamos ambas as cubas se aquecerem pelo mesmo tempo, no fim do qual mediremos as temperaturas da água e da glicerina. Verificamos que o aumento de temperatura da água é maior do que o da glicerina, então podemos afirmar que o calor específico da água que é de 1 kcal!kgoC é maior do que o da glicerina que é de 0,576 kcal/kg°C.

Exemplo 1.4a,:

Um bloco de _chumbo de 100 g é tirado de um forno e colocado dentro de um recipiente de 500 g de cobre,

contendo em seq interior 200 g de água na temperatura inicial de zooc. A temperatura final do conjunto passa

a ser de 25°C. Qual'

a temperatura do fomo?

Solução:

Temos a seguinte equação de equilíbrio, usando os valores da Tabela 1.3:

100 X 0,0325 (T, -

25) ~ 500 X 0,0923 (25 -

20) + 200 X 1 (25

-

20)

Resolvendo essa equação, achamos, desprezando as perdas:

TF = 437°C

1.4.3 Condução de calor

Chama-se condução de calor a transferência de energia calorífica entre as partes adjacentes de um corpo ou de um cotpo para outro quando postos em contato. De uma maneira mais geral, podemos dizer que o calor transmite-se de três maneiras:

por radiação, quando se transmite de um corpo a outro por meio de ondas, em linha reta e à velocidade da luz. Exemplo: o calor irradiado pelo Sol; por convecção, quando passa de um corpo a outro por meio do fluido que os rodeia. Exemplo: banho-maria em que o fluido é a água; aquecimento de ambiente em que o fluido é o ar; por condução, quando existe contato direto entre os corpos ou entre as partes de um mesmo corpo, quando há diferença de temperatura. Exemplo: barra de ferro em contato com fogo. Estudaremos apenas a condução do calor.

,,,;.

12

INTRODUÇÃO

. : . :. ·.: ., . . ·. .•" . . . . .
.
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.
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.
.
.
.
.
.
·
'•
'
:;
'

Fig. 1.9 Condução de calor.

.

.

·.'

1.4.3.1 Condução de calor em paredes planas (experiência de Fourier-1825)

Suponhamos uma lâmina de um certo material, de seção reta A e espessura LU e que as faces do material

a temperaturas diferentes T 2 e T 1 , sendo T 2 > T 1 . Queremos avaliar o fluxo de calor .6.Q entre

essas faces, no intervalo de tempo .6.t e perpendicularmente a elas. Experimentalmente, Fourier concluiu que a quantidade de calor é proporcional à área A, à diferença de tempe- ratura .6.T e ao intervalo de tempo !:J.t. Também, por experiência, conclui-se que se .6.Te LU forem pequenos, o

sejam mantidas

fluxo de calor .6.Q será proporcional a .6.T para !lt e A constantes, ou seja,

.

Llx

I!.Q a A i!.T

l!.t

Llx

No limite_, se á lâmina tiver espessura infinitesimal dx, e através da qual existir uma diferença de temperatura dT, temos a seguinte equação de transmissão de calor, chamada lei de Fourier:

de transmissão de calor, chamada lei de Fourier: (1.3) onde: q = a taxa de transmissão

(1.3)

onde:

q = a taxa de transmissão de calor em certo intervalo de tempo, através da área A em cal ou kcal;

dT

dx

= gra d' tente

d

e tempera

tu

ra

(

vanaçao . .

d

a temperatura com a

di

'

stancta ;

.

)

K = constante de proporcionalidade, chamada de condutividade térmica.

Obs.: O sinal de menos é porque o calor se transmite da face mais quente para a mais fria.

Na Tabela 1.4 vemos a condutividade ténnica de alguns materiais, à temperatura ambiente e para os gases a ooc. Por esta tabela podemos ver que os corpos bons condutores de eletricidade são os que têm maior condutivi- dade térmica, o que enfatiza o conceito de que o calor é uma energia, como a eletricidade também o é.

1.4.3.2 Condução de calor através de placas paralelas

Vamos examinar o caso de um corpo composto por duas placas paralelas, de materiais com condutividades térmicas diferentes K 2 e K 1 (Fig. 1.10).

 

lNlRODUÇÃO

13

 

Tabela 1.4 Condutividades Térmkàs em kcaUs m°C- K

 

Metais

 

Gases

Diversos

 

Aço

1,1X10

2

Ar

5,7Xl0 6 3,3 X 10-s

Amianto

2

X 10

5

Latão

2,6 x w-'

Hidrogênio

Concreto

2

x w-•

Alurrúnio

4,9 x w- 2

Oxigênio

5,6

x

w- 6

Cortiça

4

x w->

Chumbo.

s.3

x w-J

 

Vidro

2

x to-•

Cobre

Prata

9,2 x w-' w- 2

9,9

x

Gelo

Madeira

4

2

x w- 4

X 10-s

Obs.: Para se ter as conduuvtdades por hora, multtplicar por 3.600.

E depois vamos fazer a generalização para n placas paralelas. As temperaturas das faces externas são T 2 e T 1 e a temperatura da face de separação das duas placas é Tx. Em regime estacionário, ou seja, depois de decorrido um intervalo de tempo suficiente em que a temperatura não varia mais e considerando a área A perpendicular à direção do fluxo, temos as equações:

Qz

ql

=KATz-Txe

2

"4

=K

1

ATx-T.,

4

Como em regime estacionário os fluxos serão iguais, temos:

q 2 =

q 1 =

q, ou seja:

K

ATz-Tx

=K

ATx-T.,

 

'

L,

'

L,

Resolvendo esta equação em Tx e depois substituindo em uma das equações acima, teremos:

depois substituindo em uma das equações acima, teremos: Generalizando para n placas paralelas, temos: A(T, -I;)
depois substituindo em uma das equações acima, teremos: Generalizando para n placas paralelas, temos: A(T, -I;)

Generalizando para n placas paralelas, temos:

A(T, -I;)

q ~

"""

i

J;~J

L,

K.

'

temos: A(T, -I;) q ~ """ i J;~J L, K. ' T,> T, Fig. 1.10 Transmissão

T,> T,

Fig. 1.10 Transmissão de calor em placas paralelas.

(1.4)

14 INTRODUÇÃO

'-----

onde:

kcal

q~-;

s

T 2 e T 1 = as temperaturas externas em K;

Li = espessura das placas em m;

K

; =

con

d

utivi

d

a e term1ca

.

d

d

.al

o maten

kcal

em ---.

Sm°C

1.4.3.3 Analogia com o circuito elétrico

A fim de facilitar os cálculos da condutividade térmica de diversas placas paralelas, costuma-se fazer a ana-

logia com um circuito elétrico; essa analogia com o calor é usada para modelos reais, e também as equações são perfeitamente análogas. Pela Lei de Ohm, sabemos que, num circuito de corrente contínua:

u

I~­ R

onde:

1 =intensidade de corrente (ou fluxo de carga elétrica);

U = diferença de potencial elétrico;

R = resistência elétrica.

A expressão de R em função dos dados físicos do condutor é:

L

R~ p- A

onde:

p =

L = comprimentl? do condutor;

resistividade ielétrica do material do condutor;

A = área da seção reta do condutor.

A condutividade elétrica é o inverso da resistividade, ou seja,

Então, a expressão acima fica:

R=

!::

CA

p~

1

c

que, substituindo em/, dá:

acima fica: R= !:: CA p~ 1 c que, substituindo em/, dá: Comparando esta expressão com

Comparando esta expressão com a Lei de Fourier [Eq. (1.3)], temos:

I é análogo com q; C é análogo com K; U é análogo com dT = T 2 -

T 1 ; L é análogo com a espessura da placa

dx. Dessa analogia, podemos chamar a expressão ~ como resistência térmica de placas planas ou R,h ou f!,h

(Ohm térmico). Através da analogia com o circuito elétrico, podemos deduzir a resistência térmica de várias placas paralelas (Fig. 1.11).

L

·~i-

15

.-----------------------==c::_--=

INTRODUÇÃO

R,

R,

------~tv\r----_J\Aivr-----~lvAv-----O"

R,

R, R, ------~tv\r----_J\Aivr-----~lvAv-----O" R, ---+---~,----+~ ~ R,.=R,+R,+R,

---+---~,----+~

~

R,.=R,+R,+R,

l'ig. 1.11 Analogia com o circuito elétrico.

Assim, a E9,. (1.4) poderá ser apresentada de outra maneira:

Tz -1;_

(1.4) poderá ser apresentada de outra maneira: Tz -1;_ ( 1 . 5 ) Nos cálculos

(1.5)

Nos cálculos de ar condicionado, as tabelas da carga térmica são preparadas para a condutância, em vez de resistências. Assim a Eq. (1.5) pode ser transformada, considerando-se A constante:

sendo:

q = kcal/h

Exemplo 1.5:

A constante: sendo: q = kcal/h Exemplo 1.5: U~-1 [ kcal l e D~T-T R h.

U~-1[ kcal l e D~T-T

R

h. m2

. oc

2

"

J

(1.6)

Uma parede externa de uma sala é composta das seguintes placas: 10 cm de concreto, 5 cm de amianto e revestida internamente com 20 cm de cortiça. A temperatura do ar no exterior é de 32°C e no interior de 25°C, mantida pelo ar condicionado. Calcular o fluxo de calor por m 2 de superfície de parede, em kcal/h.

•·

·~;-

Solução:

Cálculo da resistência térmica, baseada nos dados da Tabela 1.4 e levando em conta que o fluxo é por hora.

~ 0 cc· 1 '--=- ~O, 13 íí,.

0,72X1

0,05

0,07 X 1

0 ' 2

0,14Xl

= 0,71 fllh

= 1,42 fllh

-- - ·--~-----

1 '--=- ~ O, 13 íí,. 0,72X1 0,05 0,07 X 1 0 ' 2 0,14Xl =

16

INTRODUÇÃO

_

16 INTRODUÇÃO _ O'CL====r I ~ ·-." 100"C o·c~ YJ!!í&'lftílli!ll' 1 0 0 " C Fig.

O'CL====r

I~·-." 100"C

o·c~

YJ!!í&'lftílli!ll'

100"C

Fig. 1.12 Exemplo 1.6.

(a)

(b)

Placas em série

Placas em paralelo

ou R,h = o,u + o,?l + 1,42 =

2,26 n,h

32-25

q ~ =-=:oc ~ 3,09 kcal/h

2,26

Resposta: 3,09 kcalih por m 2 de parede.

Obs.: O mesmo resultado seria obtido usando-se U =

I

1

-~-- eaEq. (1.6.)

R,h

2,26

Exemplo 1.6:

Duas barras idênticas de metal, quadradas, são soldadas topo a topo como mostra a Fig. 1.12(a). Suponha- mos que 10 cal de calor fluam através das barras em 5 minutos. Pergunta-se que tempo levaria para que as 10 cal fluíssem através das barras colocadas como na Fig. 1.12(b).

Soluçcto:

No caso da Fig. 1.12(a) as placas metálicas estão colocadas em série, então as resistências ténnicas serão somadas. Resultando:

;

 

R

 

,,

No caso da Fig. 1.12(b), estão em paralelo, então:

 

1

KA

KA

2L KA

-~-+-:.Req=

Req

L

L

L

2KA

Pela Eq. (1.5), vemos que no caso b o fluxo de calor é 4 vezes maior, isto é, para ser transportada a mesma energia, necessitamos de um tempo 4 vezes menor, ou seja:

t =

5 minutos

4

=

Resposta: 1 minuto e 15 segundos.

1 mmuto . e 15 segundos

1.4.4 Calor sensível

Calor sensível é a quantidade de calor que deve ser acrescentada ou retirada de um recinto devido à diferença de temperatura entre o exterior e o interior, a fim de fornecer as condições de conforto desejadas. Esse calor é introduzido no recinto de diversas maneiras: por condução, pelo Sol diretamente, pelas pessoas, pela ilumina- ção, pelo ar exterior etc. Calor sensível é o calor que se sente, é a propriedade que pode ser medida pelo tennômetro comum.

·~'-

'

'

'

l

INTRODUÇÃO

17

1.4.5 Calor lâtente

É a quantidade de calor que se acrescenta ou retira de um corpo, causando a sua mudança de estado, sem mudar a temperatura; é o calor absorvido que provoca a evaporação da água ou outros líquidos. Exemplo: A água no estado sólido (gelo) necessita de 80 kcal por kg para passar para o estado líquido a 0°C. Enquanto se fornece esse calor, a temperatura da água permanece constante, ou seja, 0°C. Então o calor latente de fusão da água é de 80 kcallkg. Se continuarmos acrescentando calor à água líquida,

a sua temperatura passará de oo a 100°C, exigindo 100 kcal de calor. A partir dessa temperatura, se quisermos

passar ao estado de vapor, teremos que acrescentar mais 538 kcal, porém a sua temperatura permanecerá em 100°C enquanto ainda existir líquido. Logo, o calor latente de vaporização da água é de 538 kcal/kg. É o calor que ferve a água da chaleira. Agora, se temos água sob a forma de vapor e queremos passá-la para o estado líquido, precisamos retirar as mesmas 538 kcal/kg, mantendo-se constante a temperatura até todo o vapor se transformar em líquido. Esse é

o calor latente de condensação.

O corpo humano emite ou recebe calor sensível e calor latente, que é o calor necessário para vaporizar a

transpiração e ~ respiração, permanecendo constante o calor total.

O calor total é a soma do calor sensível e do calor latente.

1.5 Primeira Lei da Termodinâmica

Agora que já temos conhecimento das propriedades elementares, iniciaremos o estudo das propriedades com- plexas, a fim de que possamos melhor compreender todos os fenômenos que se processam em uma instalação de ar condicionado ou de frio.

1.5.1 Energia

A perfeita av&liação e a compreensão dos fenômenos que regem as manifestações da energia não serão fáceis, pois

a energia não pode ser vista e não é uma substância. É manifestada apenas pelos resultados que produz; uma energia

aplicada a um sü;tema pode produzir modificações no aspecto físico ou químico, embora não seja uma substância.

A

energia pode ser definida em um sentido mais geral como a "capacidade de produzir trabalho".

está perfei~amente provado desde Sadi Carnot e mais tarde Helmholtz que a "energia não pode ser criada

nem destruída". É a lei da conservação da energia de aplicação cada vez mais generalizada e extrapolada para

a esfera de conhecimentos macrocósmicos. Essa lei da conservação da energia já era conhecida antes mesmo de ser descoberta a estrutura do átomo e,

uma vez conseguidas experimentalmente a fissão e a fusão do átomo, ficou provada a transformação da matéria em energia. Agora sabemos que há urna perfeita relação entre a matéria transformada e a energia produzida.

A l.a Lei da Termodinâmica estabelece, de urna forma geral, que, quando uma energia é transferida ou trans-

formada em qualquer outra forma, a energia final total é igual à energia inicial menos a soma de todas as ener- gias envolvidas no processo. Essa l.a Lei da Termodinâmica não pode ser demonstrada matematicamente e sim por meio de observações experimentais. Por meio do balanço energético envolvido nos sistemas, podemos concluir a primeira lei. Aplicando-se a l.a lei a um sistema, podemos dizer que a energia adicionada ao sistema é igual à diferença

entre a energia final e a energia original do sistema. Então, a compreensão da 1. 8 lei exige conhecimento da forma de energia adicionada ao sistema, assim como as formas de energia resultantes das transformações.

1.5.2 Energia transferida a um sistema

Para que uma energia possa ser adicionada a um sistema deve haver uma força atuante ou um potencial que causará a transposição das vizinhanças do sistema.

deve haver uma força atuante ou um potencial que causará a transposição das vizinhanças do sistema.

---- --

-----

18

INTRODUÇÃO

.

Há três tipos de potenciais: forças mecânicas, forças elétricas e temperatura. As energias associadas com esses potenciais são: trabalho, energia elétrica (ou trabalho elétrico) e calor. Quando há diferença de magnitude (ou diferença de potencial) entre qualquer desses potenciais, entre os dois lados das vizinhanças do sistema, há possibilidade de transferência de energia. No entanto só há possibilidade de a energia atravessar as vizinhanças do sistema se houver um caminho para o fluxo de energia. Por exemplo, em qualquer circuito elétrico, pode haver diferença de potencial entre as extremidades do circuito, mas se não houver um condutor que estabeleça um caminho contínuo para as cargas não haverá corrente elétrica. Da mes- ma forma o calor: pode haver uma grande diferença de temperatura entre as vizinhanças de um sistema de calor, mas, se houver um isolante témrico suficiente, o calor não será transmitido à outra extremidade.

1.5.3 Trabalho

Trabalho é definido como o produto da força pela distância onde esta força atua. Essa definição implica que a força cause um deslocamento e só a componente da força na direção do deslo- camento atua na produção do trabalho. Assim a equação do trabalho realizado entre os pontos 1 e 2 (Fig. 1.13) será:

;.

realizado entre os pontos 1 e 2 (Fig. 1.13) será: ;. (1.7) onde: lt; 2 =

(1.7)

onde:

lt; 2 = trabalho entre 1 e 2; FL = componente da força na direção do deslocamento; dl = deslocamento do objeto.

Energia elétrica (trabalho elétrico) é definida ao longo do tempo como igual ao produto da diferença de poten- cial (ddp) pela oorrente que essa diferença de potencial produz (essa corrente depende da impedância do circuito).

O calor, ou energia calorífica, é a energia transferida através dos limites de um sistema, quando entre esses

limites há uma diferença de temperatura. Diferentemente da energia mecânica ou energia elétrica, a determinação do calor que atravessa os limites do sistema é bem mais difícil. Quando se conhece a condutividade térmica do material através do qual o calor flui, será possível determinar o fluxo do calor. Porém essa condutividade só é obtida por processos indiretos.

A energia de um sistema pode variar de diversas maneiras: pela variação da energia potencial, por exemplo

elevação do sistema; pela adição de energia ao sistema que pode variar a sua velocidade, ou seja, variar a sua energia cinética. A energia potencial e a energia cinética, consideradas como um todo, estão relacionadas com as vizinhanças do sistema. Essas duas energias são muitas vezes consideradas energias extrínsecas.

'

energias são muitas vezes consideradas energias extrínsecas. ' , -d, - Fig. 1.13 Determinação do trabalho.
energias são muitas vezes consideradas energias extrínsecas. ' , -d, - Fig. 1.13 Determinação do trabalho.
energias são muitas vezes consideradas energias extrínsecas. ' , -d, - Fig. 1.13 Determinação do trabalho.
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, -d,
, -d,
, -d,

,

, -d,

-d,

-

Fig. 1.13 Determinação do trabalho.

19

---~-- ------------------'----

lmRoouçAo

A adição de energia a um outro sistema poderá _produzir a elevação de temperatura, a sua expansão ou

mudança de fase. Uma reação química pode ocorrer em um sistema; num sistema gasoso, por exemplo, a adição de temperatura pode ocasionar a ionização. Em certos sistemas, poderá ocorrer a fissão ou a fusão nuclear.

A energia que, associada com qualquer outra, provoca modificações internas é denominada "energia inter-

na", designada por U. Qualquer modificação na temperatura de um sistema provoca modificação na velocidade das moléculas, ou seja, na energia cinética molecular. A energia cinética molecular é designada por Ux· O sis-

tema pode se contrair ou expandir, havendo modificação nas distâncias das moléculas. Quando há forças atrativas intermoleculares, haverá uma modificação na energia potencial molecular, desig- nada por Uw Quando se realiza uma reação química, há uma modificação da estrutura molecular do sistema. Essa energia é conhecida como "energia química". Sob certas condições, pode haver modificações na estrutura atómica do sistema. Essas mudanças podem ser:

ionização, fissão nuclear ou fusão nuclear. A energia associada com as modificações na estrutura atómica é conhecida com? energia nuclear. Essas energias são intrínsecas.

Resumo:

a) Energias que podem ser transferidas:

1 - calor -

através de mudanças de temperatura;

2 - ttabalho mecânico -

3 -trabalho elétrico -

por desequilíbrio de forças mecânicas;

por diferença de tensão.

b) Energias extrínsecas dos sistemas:

1 -energia pote:qdal- associada com desnível;

2 - energia cinética- associada com velocidade.

c) Energias da' estrutura interna do sistema (intrínseca ou interna):

1 - Molecular

- cinética- associada com temperatura absoluta;

- potencial- associada com forças interatómicas; 2- Atómica

- química- associada com trocas na estrutura molecular; 3- Subatómica

nuclear -

associada com trocas na estrutura atômica.

l.SA Avaliação das energias potencial e cinética

Vamos supor uma esfera massiva, na posição de equilibrio, em repouso no solo. Nessa posição a energia potencial e a energia cinética são nulas em relação à superfície do solo. Em seguida aplicamos uma força F conlra as forças gravitacionais a fim de colocarmos a esfera para oulra posição de equilíbrio na altura Z (Fig. 1.14). Agora temos uma energia potencial que é expressa por:

EP =

Fg X

Z =

W

X

Z

Esta energia é intrinsecamente igual à energia cinética necessária para o deslocamento dl, ou seja, o ttabalho elementar entre Z 0 e Z 1 será:

d(EC) ~ Fdl

cinética necessária para o deslocamento dl, ou seja, o ttabalho elementar entre Z 0 e Z

20

lNIRODUÇÃO

Substituindo:

/

---

/ ' I ' \ I I r----~----- , ' ' \ I \ I
/
'
I ' \
I
I
r----~-----
,
'
'
\
I
\
I
I
'
'
/
!_ '-
"'
'
t
z
---
-----
F,= W
Fig. 1.14 Trabalho contra a gravidade.
dv dl dv
dv
F=ma=
m-=m--=mv-
dt dt dl
dl
dv
d(EC) ~
mv dl dl ou

z;,

d(EC) = mvdv. Integrando entre os limites, e supondo que a velocidade inicial seja zero:

'

limites, e supondo que a velocidade inicial seja zero: ' Se deslocássemos a esfera para outra

Se deslocássemos a esfera para outra posição de equihôrio ~, a energia cinética ou o trabalho necessário seria igual à energia potencial:

Então:

EP ~

W(Z,- Z,)

1

EC= 2 m(vi-vf)

Se agora considerarmos forças magnéticas, pela Fig. 1.15, temos:

onde:

Fm = força magnética entre as massas; m 1 = força atrativa do pólo N;

m 2 = força atrativa do póloS;

r = distância entre as massas.

as massas; m 1 = força atrativa do pólo N; m 2 = força atrativa do
as massas; m 1 = força atrativa do pólo N; m 2 = força atrativa do

INTRODUÇÃO

21

Linhas de força

INTRODUÇÃO 21 Linhas de força Fig, 1.15 Trabalho contra forças magnéticas. Se quisermos avaliar o trabalho

Fig, 1.15 Trabalho contra forças magnéticas.

Se quisermos avaliar o trabalho contra as forças magnéticas (no caso são atrativas), temos:

as forças magnéticas (no caso são atrativas), temos: J ' d 1 Fmr=m 1 ~ f'dr

J '

d

1 Fmr=m 1 ~

f'dr

-

1 r'

1.5.5 Aplicação da 1ª lei aos sistemas

A l.a lei aplicada a qualquer sistema estabelece que: "Quando se verifica qualquer modificação no sistema,

a energia final é igual à energia original do sistema mais a energia adicionada ao sistema, durante o período em que se verifica a modificação."

A energia interna U pode ser inerente ao sistema de várias formas. Quando o sistema está em movimen.to,

está sob a forma de energia cinética; se elevarmos o sistema, há modificação na sua energia potencial, então U está sob a forma de energia potenciaL